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Conexão Subterrânea

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Title:
Conexão Subterrânea
Series Title:
Conexão Subterrânea
Creator:
Redespeleo (Brazil)
Publisher:
Redespeleo (Brazil)
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Subjects / Keywords:
Regional Speleology ( local )
Genre:
serial ( sobekcm )
Location:
Brazil

Notes

General Note:
Nesta edição você saberá mais sobre os seguintes assuntos: - 20 anos de exploração na Serra do Ramalho - Bahia - Curso Internacional sobre Impactos Ambientais e Manejo em Cavernas e Sistemas Cársticos - Remapeadas as Grutas da Escrivania, Prudente de Morais, MG - Descobertas mais 50 cavernas no Parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa, MG - Descobertas mais 50 cavernas no Parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa, MG - Arte erótica da Idade da Pedra é encontrada em caverna na Alemanha - Mineradora destrói caverna e é denunciada por crime ambiental - Patagônia chilena tem cavernas de mármore e águas azuis - Assinado Termo de Cooperação entre Votorantim, Reserva da Biosfera e SBE - Arqueólogos mexicanos confirmam hábitos canibais de tribo - Encontrado um pingente de 25.000 anos na jazida de Guipúzcoa - Depois de seis anos, Lagoa Misteriosa é reaberta ao turista - Cientistas revelam pela primeira vez um objeto de arte da Idade do Gelo - Japoneses descobrem nova espécie de enguia em caverna submarina - Espaço Cartoon
Restriction:
Open Access
Original Version:
No. 90 (2011)
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Source Institution:
University of South Florida Library
Holding Location:
University of South Florida
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All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
K26-01165 ( USFLDC DOI )
k26.1165 ( USFLDC Handle )
12556 ( karstportal - original NodeID )
1981-1594 ( ISSN )

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90ISSN 1981-1594 22/08/2011nmero

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90ISSN 1981-1594 22/08/2011nmero2da de Gruna da Figueira Formada por um magnfico conduto com mais de 100 metros de altura tendo na base cerca de 40 metros de largura. As paredes sobem praticamente verticais at o teto, onde uma claraboia com pouco mais de 10 metros de largura e 200 metros de extenso deixa penetrar uma luz difusa que ilumina uma vegetao baixa formada principalmente por sa mambaias que crescem em montes de areia. Uma viso impressionante, comparada em grandiosidade e beleza com as cavernas do Peruau. Encontramos ainda uma drenagem ativa que percorre quase 1 km em uma ga leria meandrante, limitada em ambas as extremidades por sifes. Um pouco mais a leste, na parte mais alta do macio, descobrimos o Abismo da Figueira Sua entrada verti cal de 80 metros de profundidade conduz a um gigan tesco salo onde escorrimentos e cortinas atingem mais de 50 metros de altura e so tingidos por tonalidades que variam do branco ao vermelho terra. Vrios ninhos de delicadas prolas brancas contrastam com a gran diosidade do local. Possibilidades de continuaes em nveis superiores so uma caracterstica das duas cavi dades e deixa at mesmo a perspectiva de uma ligao entre elas. Os detalhes dessa expedio de maio estaro na prxi ma edio da Revista O Carste Sem dvida ainda temos muito a fazer na regio e a prxima expedio, marcada para setembro deste ano, com certeza tem inmeros lo cais para explorar.Curso Internacional sobre Impactos Ambientais e Manejo em Cavernas e Sistemas Crsticos A importncia e a fragilidade das cavernas e dos am bientes crsticos esto sendo, cada vez mais, reconhe cidas no Brasil. A legislao atual impe uma srie de restries utilizao das cavernas, o que tem levado a vrios debates sobre como gerenciar as cavidades natu rais subterrneas e o ambiente no qual estas se inserem. Com o intuito de proporcionar uma exposio ao es tado da arte sobre tema to atual e importante, o Ins tituto do Carste trar ao Brasil um dos maiores espe cialistas mundiais no tema, que mi nistrar o curso entre os dias 31 de agosto e 4 de se tembro. O Dr. George Veni atual diretor do National Cave and Karst Research Institute, uma instituio liga da ao servio de Parques Nacionais dos Estados Unidos (National Park Service) e financiada por universidades e fundos pblicos e privados. Com sua vasta experincia como cientista e consultor ambiental, o Dr. George Veni ir trazer ao Brasil um curso que tem percorrido com sucesso vrios pases do mundo. O curso ter aproxima damente 50 horas/aula, divididos em trs dias de aulas tericas e dois dias de aulas de campo, centradas no carste de Lagoa Santa nos arredores de Belo Horizonte. Maiores informaes: www.institutodocarste.org.br20 anos de explorao na Serra do Ramalho Bahia Por: Ezio Rubbioli Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas Este ano, ao comemorarmos 20 anos de explorao espe leolgica na Serra do Ramalho, ainda conseguimos nos surpreender com a descoberta de novas grutas. E que gru tas... A ltima aconteceu no ms de maio, em uma expe dio relmpago de seis dias que culminou com prospec es em uma nova regio, onde encontramos cavidades com galerias de 100 metros de altura, drenagens ativas e espeleotemas que atingem mais de 40 metros de altura. O local chama-se Fazenda da Figueira e fica na parte alta do macio calcrio, prximo regio do Boqueiro e do cnion da Baiana. Tudo comeou em uma prospeco virtual nas no vas imagens do Google Earth tentando buscar o ca minho para a Gruna do Boqueiro, onde pretenda mos verificar algumas continuaes no exploradas. Foi quando nos deparamos com uma feio notvel, uma verdadeira cicatriz no macio calcrio: uma fen da com cerca de 300 metros de extenso por 20 a 30 metros de largura. Embora o local fosse relativamen te prximo de outras cavidades j exploradas, suas dimenses no deixavam dvidas de ser indito. Partimos de Belo Horizonte no dia 13 de maio, em uma pequena equipe, formada pelo Flvio Chaimowicz, L lia Horta, Csar Augusto Lima e eu. Seguindo as indi caes das imagens do computador no tivemos difi culdades em encontrar o acesso para a grande fenda (o carro chega a cerca de 2 km). No local, conhecido como Fazenda Figueira, contamos com o imprescin dvel apoio dos proprietrios das terras, que nos con duziram pela mata fechada at a entrada de vrias cavidades. Situada na parte alta no macio (700 a 750 metros de altitude), as grutas da regio possuem en tradas predominantemente verticais, na maioria dos casos, caracterizadas por aberturas tipo fendas (como a descoberta no Google ) ou dolinas de colap so. Tambm existem sumidouros ativos e uma incrvel quantidade de dicas ainda para serem verificadas. A maior e mais impressionante descoberta foi mesmo a fenda identificada no Google e posteriormente batiza Gruna da Figueira, Serra do Ramalho, BA. Foto de Ezio Rubbioli

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90ISSN 1981-1594 22/08/2011nmero3Remapeadas as Grutas da Escrivania, Prudente de Morais, MGPor Leda Zogbi, Meandros Espeleo Clube. Dando continuidade ao projeto Grande Roteiro Lund, do Instituto do Carste, foram realizadas duas expedi es em 25 e 26 de junho e 30 e 31 de julho, com a finali dade de remapear o complexo de Grutas Escrivania, im portante stio paleontolgico escavado por Lund. Esse conjunto de cavernas: Escrivania I (MG 136), Escrivania II (MG 495), Escrivania III (MG 496), Abrigo Escrivania (MG 1092) e Abrigo Escrivania IV (MG 1097) foi ma peado pelo Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas entre 1988 e 1989, e o objetivo do nosso trabalho foi o de detalhar e, eventualmente, ampliar o mapa realizado anteriormente. Como registrado no livro P. W. Lund e as grutas com Os sos em Lagoa Santa de Birgitte Holten e Michael Sterll (Editora UFMG 2011, pg 178-180), em 1843, Lund visi tou repetidas vezes o complexo de grutas Escrivania, onde havia numerosas grutas pequenas com um gran de contedo de ossos. (...) ... ele descobriu uma gruta nova e intocada, que parecia promissora, e no tempo seco seguinte ele colocou em andamento um grande projeto, ou seja, o de esvaziar toda a terra daquela gru ta. Levou 3 meses para 10-12 homens realizarem esse trabalho... A entrada para a gruta descia verticalmente da superfcie da rocha. Ela tinha uma profundidade de 24 ps (7,5m) antes da escavao e 62 ps (18m) quan do eles alcanaram to longe quanto possvel em seu fundo afunilado. Foi construdo um andaime com um guincho acima da gruta e, desse modo, foram puxados do fundo da gruta para a luz 6552 barris de terra e 1796 barris de pedra. Todos os maxilares inferiores de pe quenos animais de um barril escolhido ao acaso foram contados e, por uma srie de clculos complicados, que levaram em conta tanto o menor nmero de ani mais nas camadas mais profundas quanto os ossos que no estavam ntegros o suficiente para serem contados, o resultado foi usado para estimar o nmero total de pequenos animais na gruta. Era um nmero estontean te: 7.590.650 animais deveriam estar na massa de terra escavada, na maioria mamferos, no total 56 espcies, mais que metade do nmero que apareceu na lista final de Lund. Alm disso tambm havia um achado muito importante de grandes animais extintos na gruta. Foi fcil localizar o paredo, que se encontra dentro de uma fazenda, mas pode ser avistado da estrada. Havia uma pequena casa prxima, e o caseiro nos informou que, para entrarmos, precisaramos da autorizao do dono das terras. Fomos at a sede da fazenda e expli camos o objetivo do nosso trabalho ao fazendeiro, Sr. Llio, que nos autorizou a realizamos o trabalho. O paredo onde se encontram as cavernas simples mente espetacular. Durante a primeira investida, no final de junho, ma peamos a gruta Escrivania I por completo (aproxima damente 70m). Apesar de pequena, a caverna muito interessante, e algumas pinturas rupestres podem ser observadas em cima da entrada atual. Existe uma capa estalagmtica que forma uma plataforma na entrada da caverna. Iniciamos tambm o trabalho na gruta Es crivania II, muito maior, onde, nessa primeira investida mapeamos aproximadamente 400 m. Percebemos que a gruta continuava bastante, e foi preciso marcar uma nova viagem para terminar o trabalho. Na segunda investida mapeamos um grande conduto da gruta Escrivania II, com 15 a 18 m de altura em alguns trechos, que pode ser acessado por uma entrada prxi ma, e observamos marcas de picareta num nvel muito elevado do conduto, onde sobrou uma grande brecha suspensa a uns 5m de altura. Em outro trecho encontra mos um fssil em uma brecha suspensa a aproximada mente 2 m do cho. A gruta da Escrivania II deve atingir aproximadamente 600 m. Por fim, mapeamos a gruta Escrivania III (200 m) e alguns abrigos que se encontram entre as cavernas principais. No pudemos concluir com certeza onde se encontra a caverna principal onde Lund localizou essa grande quantidade de fsseis. Percorremos grande parte da base do paredo e no avistamos nada que correspon desse descrio acima. Talvez tenha passado desper cebida, ou pode ter havido alguma falha na interpreta o do texto original em dinamarqus. Na volta dessa segunda investida, tivemos uma surpre sa desagradvel: ao chegarmos ao carro, descobrimos que trs pneus estavam no cho... Estvamos usando um carro diferente, e o fazendeiro imaginou provavel mente que fossem outras pessoas e, como punio, esvaziou nossos pneus... Foram trs horas de espera de socorro para finalmente voltarmos para casa, aps um dia intenso de trabalho, j que no ltimo dia estvamos trabalhando numa equipe de duas mulheres! Mas va leu a pena, com certeza. Esse trabalho extremamente prazeroso contou com a participao dos espelelogos: Aline Guerra e Roberto Cassimiro, do Meandros Espeleo Clube e do amigo Pedro Lobo, do Grupo Bambu, alm de mim. Em breve estaremos buscando outra caverna Lund, nessa regio maravilhosa por onde ele passou. Entrada da Gruta Escrivania I Brecha com fssil Foto de Leda Zogbi Foto de Leda Zogbi

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90ISSN 1981-1594 22/08/2011nmero4Descobertas mais 50 cavernas no Parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa, MG Um estudo sobre as cavernas existentes no parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa, na regio metropolitana de Belo Horizonte, identificou 50 novas cavernas dentro da rea de 1.300 hectares da reserva ambiental, que tambm abriga a famosa gruta da Lapinha. Agora, o parque possui cerca de cem cavidades naturais subterrneas, que tm entre dois e 500 metros de extenso. O levantamento tambm identificou que 65% das cavernas apresentaram algum tipo de depredao, como pichao, quebra de espeleotemas e lixo. O estudo foi realizado pelo Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas em parceria com o Grupo Guano Speleo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Centro de Estudos de Cavernas, do Instituto Chico Mendes de Conservao da Biodiversidade (CECAV-ICMBio). Segundo o gerente do parque Estadual do Sumidouro, Rogrio Tavares, o estudo indito em Minas e aponta a necessidade de estabelecer parmetros de monitoramento sobre os possveis impactos das atividades de escalada e visitao s grutas do parque, como a da Lapinha. Tavares informou que o trabalho de conscientizao dos visitantes contra a depredao das grutas e cavernas ser reforado. Alm disso, a pesquisa vai ajudar a montar o mapa do estado de conservao das cavernas no entorno do parque e da gruta da Lapinha, que foi reaberta para visitao no ltimo dia 11. O documento ser composto por fichas com as principais caractersticas de cada cavidade natural subterrnea e imagens de satlite, que mostram a localizao de cada uma. Desde maio, o parque do Sumidouro o primeiro no Estado a oferecer a prtica esportiva de escalada, coordenada pela Associao Mineira de Escalada (AME) em parceria com o Instituto Estadual de Florestas e a gerncia do parque. Segundo Rogrio Tavares, as atividades ainda so realizadas em carter experimental somente aos domingos e limitada a 40 pessoas com experincia no esporte para que a possibilidade de ofertar a escalada para um nmero maior de pessoas seja estudada. Fonte: http://noticias.r7.com/cidades/noticias/parque-estadual-do-sumidouroem-lagoa-santa-mg-descobre-mais-50-cavernas-20110730.html Lanado o frum de discusses da RedespeleoA Redespeleo Brasil est lanando um novo frum de discusses, aberto a todos os interessados scios e no scios da Redespeleo. O frum foi criado para facilitar e organizar a troca de informaes a respeito de temas espeleolgicos. O frum foi idealizado de modo a no haver moderao. Os participantes podero criar temas, criar tpicos e postar comentrios sobre os tpicos livremente. Apesar de no haver moderao nas mensagens, algumas regras devem ser seguidas para que as discusses ocorram de maneira educada e produtiva. Outro aspecto interessante do frum a possibilidade de manter todo o histrico de discusses e formar um acervo sobre os temas discutidos, sendo acessvel aos participantes a qualquer tempo, tornando-se assim uma ferramenta prtica e gil. Para participar basta se cadastrar no endereo www.redespeleo.org.br/forum Na primeira pgina aparecem os temas nos quais os assuntos se organizam. Dentro de cada tema h tpicos relacionados e em cada tpico os comentrios dos participantes. Alm de textos podem ser enviadas imagens e links para vdeos do Youtube e para outros sites. J foram includos alguns temas e postados alguns tpicos, para dar incio s discusses no frum. Entre e participe voc tambm! Certamente vai encontrar informaes interessantes e tambm conseguir deixar registrada a sua colaborao sobre os principais assuntos da espeleologia brasileira. Lagoa SantaDivulgao

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90ISSN 1981-1594 22/08/2011nmero5Arte ertica da Idade da Pedra encontrada em caverna na AlemanhaArquelogos descobriram pela primeira vez em cavernas na Alemanha imagens da Idade da Pedra de mulheres nuas, que podem ter sido usadas em rituais de fertilidade, segundo informaram fontes oficiais. Pesquisadores do Escritrio de Preservao Histrica da Regio da Bavria encontraram gravuras primitivas numa caverna perto do sul da cidade de Bamberg, aps dcadas de pesquisas na regio. A porta-voz Beate Zarges confirmou na reportagem publicada no jornal semanal Die Zeit que os arquelogos acreditam que as gravuras tenham sido feitas h 12 mil anos. Elas so representaes esquemticas de corpos femininos e smbolos no identificados entre elas, informou. Os artistas ancestrais parecem ter tirado a inspirao para as imagens erticas das formaes rochosas, que lembram seios e pnis, para ento esculpirem as imagens nas paredes da caverna, disse Zarges. O Die Zeit citou o gelogo e arquelogo Bernhard Haeck, membro da equipe que fez a descoberta, afirmando que a caverna de cinco metros de comprimento pode ter sido usada para rituais de fertilidade. Zarges explicou que eles continuam investigando e a caverna vai continuar fechada ao pblico. Acredita-se que as pinturas de cavernas mais antigas do mundo sejam as de Chauvet Pont dArc, no sul da Frana. Segundo alguns pesquisadores, a arte rupestre j praticada h mais de 30 mil anos. Fonte: artigo de Herv Paitier em http://veja.abril.com.br/noticia/ celebridades/arte-erotica-da-idade-da-pedra-e-encontrada-em-caverna-naalemanha, 20/07/2011.Mineradora destri caverna e denunciada por crime ambiental A mineradora Itaci Ltda. foi denunciada pelo Ministrio Pblico Federal (MPF) Justia por crime ambiental na zona rural da cidade de Carmo do Rio Claro (373 km de Belo Horizonte), no sul de Minas Gerais. De acordo com o rgo, a mineradora, com uso de explosivos, destruiu uma cavidade subterrnea com mais de 15 metros de comprimento e 2,5 metros de altura, situada em local conhecido como Stio Jacar. A mineradora havia sucedido a empresa Consmar Extrao Comrcio e Transporte de Minrios no direito de lavra de pedra calcria. Em 2003, em razo do pedido de licena feito pela empresa, tcnicos do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis) manifestaram-se contrrios explorao do mineral. O instituto alegou que a Consmar ignorou a existncia da caverna em seus estudos para requerer a licena do rgo. No stio havia sedimentos, fauna e invertebrados que tambm no foram relatados no estudo da empresa, informou o rgo. Em 2006, o scio-gerente da Itaci, Joo Frederico Arajo Leite, tambm denunciado pelo MPF, requereu ao Departamento Nacional de Produo Mineral (DNPM) a homologao da cesso dos direitos minerrios. Aps nova vistoria, em 2007, fiscais do Ibama verificaram que a caverna ainda existia, mas tinha sofrido graves danos decorrentes da explorao da pedra. Na ocasio, de acordo com a denncia, os responsveis foram informados de todos os procedimentos que deveriam ser adotados para que o local fosse novamente avaliado e sobre a possibilidade de interveno na rea de explorao. No entanto, em 2008, policiais militares e integrantes do DNPM flagraram carregamento de explosivos na rea da mina e constataram que a caverna havia sido completamente destruda. O MPF acusa os denunciados (empresa e gerente) de terem ignorado completamente todas as determinaes. As cavernas so consideradas bens da Unio e integram o patrimnio cultural brasileiro. Em caso de condenao pela Justia, a empresa poder ter as atividades suspensas, ser proibida de contratar com o poder pblico e ainda ser obrigada a prestar servios comunidade. O gerente da empresa pode ser condenado a pena de recluso que varia de um ano a trs anos de priso. Fonte: UOL Notcias, 19/07/2011 e http://www.jornalstylo.com.br/noticia.php ?l=b8b6bbfe1936bf32649466a5eb2579d4 Divulgao Divulgao

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90ISSN 1981-1594 22/08/2011nmero62) Programa de Pesquisa do Patrimnio Espeleolgico; 3) Programa de Educao sobre Patrimnio Espeleolgico; 4) Programa de Conservao e Manejo de Cavernas, reas Crsticas e Mata Atlntica. Foram indicados dois representantes (titular e suplente) de cada um dos partcipes para compor uma comisso de coordenao dos trabalhos, que teve sua primeira reunio no dia 15/08, em So Paulo, quando foi discutida a maneira de colocar em prtica o plano de trabalho para que sejam atingidos os objetivos de cada uma das linhas de ao. Sero envolvidos prestadores de servio e voluntrios que tenham interesse e conhecimento para atuar no processo e colaborar efetivamente na proposta de uma minerao mais responsvel e no desenvolvimento da espeleologia brasileira. Arquelogos mexicanos conrmam hbitos canibais de tribo Arquelogos do Instituto Nacional de Antropologia e Histria do Mxico confirmaram a hiptese de que a antiga tribo dos Xiximes, que habitou o norte do pas at o sculo XIII, praticava canibalismo. Aps quatro anos de pesquisas na Caverna del Maguey, os especialistas descobriram que durante rituais associados com a guerra e com o ciclo agrcola, o grupo se alimentava de carne humana, como foi descrito por fontes histricas. Jos Luis Punzo, arquelogo responsvel pelo projeto de investigao, disse que chegou a esta concluso aps estudar a antropologia fsica de cerca de 40 ossos humanos encontrados na regio. Aproximadamente 80% deles apresentavam cortes e evidncias de terem sido fervidos. Os xiximes iam para a guerra, qual se dedicavam metade do ano, e quando ganhavam uma batalha, costumavam trazer o cadver do inimigo, que comiam durante complexos rituais, apontou Punzo. As mos e a cabea eram as partes mais valorizadas entre os integrantes do grupo. Esta tribo habitou a serra do estado de Durango, no norte do Mxico, onde moravam dentro de habitaes construdas em cavernas. Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5256235-EI8147,00Arqueologos+mexicanos+conrmam+habitos+canibais+de+tribo.html 22/07/2011.Patagnia chilena tem cavernas de mrmore e guas azuisO fotgrafo e ambientalista americano Linde Waindehofer divulgou, no dia 01 de agosto passado, algumas das mais belas imagens da Patagnia chilena. Com 67 anos, o experiente profissional viajou at a Catedral de Mrmore do Lago Carrera, que considerada uma das redes de cavernas mais bonitas do mundo. Esculpidas cuidadosamente pelas guas, as paredes de mrmore formam uma paisagem nica em contraste com o azul do lago. O reflexo da luz do sol na gua provoca um show de luzes visto em poucos lugares do mundo. Em seu livro sobre as cavernas, Light Blue Linde Waindehofer fala sobre o encanto que o local lhe proporcionou. A gua cria formas sinuosas nas paredes de mrmore, elas so mgicas, disse. Entre os principais trabalhos do fotgrafo esto uma srie de ensaios na Patagnia, Grand Canyon e no Alasca, sempre pegando o lado mais belo e selvagem da natureza intocada. Para chegar a este lugar remoto, ao sul do Chile, os visitantes devem voar de quase dois mil quilmetros de Santiago at Coyhaique e, em seguida, seguir por uma estrada de terra por mais 200 km at chegar ao Lago Carrera. Mas no final, o visual ser compensador. Fonte: http://vidaeestilo.terra.com.br/turismo/noticias/0,,OI5275629EI18237,00-Patagonia+chilena+tem+cavernas+de+marmore+e+aguas +azuis.htmlAssinado Termo de Cooperao entre Votorantim, Reserva da Biosfera e SBEPor Regiane Velozo. No dia 11 de julho foi assinado um Termo de Cooperao Tcnica-Financeira entre a Votorantim Cimentos (VC), o Instituto Amigos da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica (IARBMA) e a Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). O termo tem validade de dois anos, podendo ser prorrogado, e engloba a atuao em 4 linhas de ao: 1) Manual / Protocolo de Boas Prticas Ambientais da Minerao; Divulgao Divulgao

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90ISSN 1981-1594 22/08/2011nmero7Encontrado um pingente de 25.000 anos na jazida de Guipzcoa Um pingente de cerca de 25.000 anos de idade foi encontrado na jazida Irikaitz Zestoa (Guipzcoa, nordeste da Espanha, quase na fronteira com a Frana) por cientistas da Sociedade Aranzadi, que garantem que o mais antigo encontrado em uma escavao ao ar livre na Pennsula Ibrica. A pea, um seixo de rio em lucita, tem cerca de 10 centmetros, perfurada em uma de suas extremidades e possvel observar que foi pendurado, relatou Alvaro Arrizabalaga, diretor da escavao, que tambm sugeriu que a outra extremidade da pedra tenha sido usada como um instrumento til para retocar os fios de ferramentas feitas em silex, como flechas ou raspadores. A descoberta corresponde ao Paleoltico Superior, um perodo chamado de gravetiano, o ltimo perodo pesquisado nesse depsito de Zestoa. Arrizabalaga estava feliz, com as descobertas, segundo ele, mais antigas do que as contas encontradas na caverna Magdalenian Praileaitz, cuja idade foi estimada em 15 mil anos. Ele tambm disse que em toda a pennsula foram encontradas cerca de vinte peas desta poca, sendo que todas elas foram descobertas em cavernas. Para Arrizabalaga, o pingente no precisa ser restaurado, e depois de estud-lo e inclu-lo dentro do conjunto de descobertas encontradas no sitio gravetiano, passar a fazer parte do Museu das Regies Autnomas do Pas Basco. H 25 mil anos seres humanos de nossa espcie vinham a este lugar, que funcionava como espao de caa para grupos itinerantes, declarou o arquelogo, que tem certeza de que esses seres humanos se deslocavam oito vezes por ano para zonas onde havia determinados tipos de recursos. A equipe desta dcima terceira campanha de escavao liderada pelo arquelogo Basco formada por voluntrios que vieram de diferentes pontos, incluindo a Universidade de Faro (Portugal). Fonte: agencia EFE. http://www.google.com/hostednews/epa/article/ ALeqM5ho5mB24Ofg-NBdlXFEY1mYoIjbeQ?docId=1585531 Depois de seis anos, Lagoa Misteriosa reaberta ao turista Uma das cavernas inundadas mais profundas do Brasil (se no, a mais), a Lagoa Misteriosa, em Jardim (MS), foi reaberta em julho, depois de seis anos fechada para o turismo. A caverna j a stima maior em extenso no pas, mas a sua real profundidade ainda um mistrio (da seu nome): em 1998, o mergulhador Gilberto Menezes de Oliveira chegou a 220 metros e, ainda assim, no conseguiu visualizar o fundo. Fechada em 2005 pela falta de um plano de manejo espeleolgico, a lagoa foi comprada no mesmo ano pela empresa de ecoturismo Grupo Rio da Prata. Durante os quatro anos seguintes, foram realizados estudos ambientais e o plano, declarou Luiza Coelho, diretora de sustentabilidade da lagoa. E nos dois ltimos anos, conseguimos o licenciamento. Esta a primeira caverna submersa no Brasil a receber uma licena de operao emitida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL/MS). Eu acredito que, em dois ou trs anos, com a reabertura para a visitao desta e de outras reas submersas, a regio voltar a ser um polo brasileiro de mergulho em cavernas, diz Luiza. A cidade de Jardim fica no sudoeste de Mato Grosso do Sul e a porta de entrada do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. J as guas da lagoa abrigam vegetaes subaquticas, diversos peixes de pequeno porte e o muum, uma espcie de peixe que se parece com uma cobra aqutica: ele no possui escamas, nadadeiras pares (aquelas que ficam no peito ou parte plvica) e bexiga natatria. possvel fazer dois tipos de atividades na lagoa: flutuao e mergulho recreativo com cilindro. O primeiro, em grupo de at dez pessoas e guiado por um instrutor credenciado, custa R$ 120. J o recreativo pode chegar a 25 metros, em grupos de at duas pessoas mais o instrutor. Este custa R$ 260. So permitidos at 12 grupos por dia, somando os dois tipos. O local est aberto s atividades apenas entre abril e meados de outubro (ainda d tempo este ano!), quando as guas da lagoa esto cristalinas e a visibilidade pode chegar a 40 metros. No vero, elas so turvas por causa das chuvas. Tambm podem ser realizados mergulhos tcnicos de at 60 metros, com valor a combinar. Para outras informaes: www.lagoamisteriosa.com.br Fonte: webventureuol.uol.com.br (Amanda Nero) Divulgao Divulgao

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90ISSN 1981-1594 22/08/2011nmero8Presumivelmente genuno, este raro objeto fornece evidncias de que os seres humanos que viviam nas Amricas durante a ltima Era Glacial criaram representaes artsticas dos animais que caavam. O entalhe tem pelo menos 13.000 anos, pois esta a poca dos ltimos registros desses animais no leste da Amrica do Norte. Povos pr-colombianos mais recentes no teriam visto um mamute ou mastodonte que pudessem retratar. As pesquisas validaram ainda os achados do gelogo Elias Howard Sellards no stio de Old Vero no incio do sculo 20. Suas afirmativas de que seres humanos j estavam na Amrica do Norte caando animais em Vero Beach durante a ltima Era Glacial foram contestadas ao longo dos ltimos 95 anos. Uma rplica do osso fssil esculpido agora faz parte de exposio Mamutes e Mastodontes da Flrida do Museu de Histria Natural da Flrida, em Gainesville. http://newsdesk.si.edu/releases/scientists-reveal-rst-ice-age-art Fotos: Chip Clark, Smithsonian Institution; Japoneses descobrem nova espcie de enguia em caverna submarina Uma fotografia distribuda dia 14 de agosto pelo Museu de Histria Natural de Chiba, no Japo, mostra uma nova espcie de enguia encontrada em uma caverna submarina. A descoberta ocorreu no ano passado em uma caverna a 35 m de profundidade, prxima a uma ilha de Palau, no Oceano Pacfico. A enguia foi chamada de fssil vivo por ser extremamente similar s primeiras enguias que existiram 200 milhes de anos atrs. Os bilogos que descobriram a ova espcie publicaram seus estudos no jornal britnico Proceedings of the Royal Society Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5299156-EI8145,00Japoneses+descobrem+nova+especie+de+enguia+em+caverna+subma rina.html, 16/08/11.Cientistas revelam pela primeira vez um objeto de arte da Idade do GeloPesquisadores do Smithsonian Institution e da Universidade da Flrida anunciaram a descoberta, na Flrida, de um fragmento sseo de aproximadamente 13.000 anos, com uma imagem entalhada de um mamute ou mastodonte. Trata-se do exemplar mais antigo de arte da Era do Gelo conhecido at o momento nas Amricas, e representa um probscideo (ordem dos animais com trombas). A pesquisa foi publicada on line no Journal of Archaeological Science O osso foi descoberto no stio paleontolgico de Vero Beach, na Flrida, por James Kennedy, um caador de fsseis amador, que recolheu os ossos e, mais tarde, ao limp-los, reconheceu o entalhe. Percebendo a sua importncia potencial, Kennedy contatou os cientistas da Universidade da Flrida e do Instituto de Conservao do Smithsonian e do Museu Nacional de Histria Natural. Esta uma descoberta incrivelmente emocionante, disse Dennis Stanford, antroplogo do Museu Nacional de Histria Natural do Instituto Smithsonian e coautor da pesquisa. H centenas de representaes de proboscdeos nas paredes das cavernas e esculpidas em ossos na Europa, mas no havia nenhuma na Amrica, at agora. O entalhe tem 7,6 centmetros de comprimento e 4,5 centmetros de altura. O osso fssilizado um fragmento de um osso longo de um grande mamfero mais provavelmente um mamute ou mastodonte ou menos provavelmente de uma preguia gigante. A identificao precisa no foi possvel devido condio fragmentada do osso e falta de detalhes diagnsticos. Um dos principais objetivos da equipe de pesquisa foi descobrir se a gravao realmente antiga ou se a pea foi gravada recentemente para imitar um exemplo de arte pr-histrica. O osso foi encontrado perto de um local conhecido como Old Vero Site, onde ossos humanos foram encontrados juntamente com ossos de animais extintos da Era do Gelo em uma escavao ocorrida entre 1913 e 1916. A equipe examinou a composio qumica do osso gravado e de outros ossos do stio deOld Vero. Eles tambm usaram microscopia ptica e eletrnica, que no evidenciou nenhuma descontinuidade na colorao dos sulcos e do material circundante. Isso mostrou que ambas as superfcies envelheceram simultaneamente e que as bordas das incises estavam gastas, sem sinais de terem sido feitas recentemente ou de que os sulcos tenham sido feitos com ferramentas de metal. Chip Clark, Smithsonian Institution Chip Clark, Smithsonian Institution

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90ISSN 1981-1594 22/08/2011nmero9 Espao Cartoon Expediente Comisso Editorial: Pedro Lobo, Leda Zogbi, Roberto Cassimiro. Reviso: Pedro Lobo Martins, Leda Zogbi e Roberto Cassimiro. Logotipo e Projeto Grfico: Danilo Leite DFUSE DESIGN, danilo@dfusedesign.com.br Fotografia da Capa: Abismo da Figueira, Serra do Ramalho, Bahia. Foto de Flvio Chaimowicz. Artigos assinados so de responsabilidade dos autores. Artigos no assinados so de responsabilidade da comisso editorial. A reproduo de artigos aqui contidos depende da autorizao dos autores e deve ser comunicada REDESPELEO BRASIL pelo email: conexao@redespeleo.org O Conexo Subterrnea pode ser repassado, desde que de forma integral, para outros e-mails ou listas de discusses.Quer mandar uma tirinha bem-humorada para ser publicada no prximo nmero? Encaminhe o seu material para conexo@redespeleo.org, e no deixe de enviar tambm os seus artigos!Participe! Associe-se Entre voc tambm no mundo das cavernas! Para se tornar um scio-colaborador da Redespeleo Brasil basta acessar o site: www.redespeleo.org.br, preencher o formulrio on line e contribuir com a anuidade. Voc ter ento acesso lista de discusses da Redespeleo Brasil na internet e descontos em todos os eventos organizados pela rede.


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