Conexão Subterrânea

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Conexão Subterrânea

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Title:
Conexão Subterrânea
Series Title:
Conexão Subterrânea
Creator:
Redespeleo (Brazil)
Publisher:
Redespeleo (Brazil)
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Subjects / Keywords:
Regional Speleology ( local )
Genre:
serial ( sobekcm )
Location:
Brazil

Notes

General Note:
Nesta edição você saberá mais sobre os seguintes assuntos: - Expedição para o Inficcionado - Chapada dos Guimarães: Caverna do Francês será fechada - Pesquisa amplia o número de cavernas conhecidas na APA Morro da Pedreira, Santana do Riacho, MG - Mais um caso de histoplasmose - Laudo técnico explica caso da fumaça misteriosa na caverna de Miracena, Tocantins - A Instrução Normativa 2/09 (MMA), na prática - Gruta da Lapinha fechada para obras - I Curso de Espeleoelogia e Licenciamento Ambiental do Instituto Chico Mendes - Últimas atividades do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas - Humanos de fora da África têm ancestrais Neandertais, mostra geonma - Cavernas tornam-se foco de interesse da mídia televisiva brasileira - Duas dissertações de pós-graduação e um mestrado relacionados ao carste são apresentados em SP e MG - Lançado livro sobre o sistema de Francheville, um dos maiores da França - Lembranças de Helena David - Arqueólogos encontram sepulturas com 5000 anos no Marrocos
Restriction:
Open Access
Original Version:
No. 78 (2010)
General Note:
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Source Institution:
University of South Florida Library
Holding Location:
University of South Florida
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Resource Identifier:
K26-01170 ( USFLDC DOI )
k26.1170 ( USFLDC Handle )
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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero

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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero2 Expedio para o Incionado Por Ezio Rubbioli Grupo Bambui de Pesquisas Espeleolgicas Nos dias 2, 3 e 4 de Abril, esteve no Pico do Incionado uma equipe do Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas formada por: Ariane, Andr Bernardes, Calinho, Christian, Cunha, zio, Fernanda, Flvio e Sylvio. A equipe tinha como objetivo explorar uma das entradas descobertas em setembro do ano passado, localizada entre as Gruta do Centenrio e a da Bocaina. A maior possibilidade era de que os novos abismos conectassem com a Gruta do Centenrio ou a Gruta da Bocaina, situadas a poucos me tros de distncia. Contudo, depois de descer 160 metros de profundidade e descobrir uma nova drenagem, os integrantes foram barrados por um estreito intransponvel, embora um vento muito forte denunciasse continuaes. A plotagem no mapa evidencia que o novo rio segue na direo da Gruta da Bocaina, provavelmente sendo responsvel pelo conhecido chuveirinho nesta ltima cavidade. Restam ainda, para alegria dos espelelogos mais aventureiros, outros abismos para serem descidos. Depois desta descoberta realizada a poucos metros de duas grandes cavernas conhecidas, ningum mais se arisca a prever o que ainda pode ser revelado no Inccionado. Nesta ltima investida foi utilizada e aprovada a furadeira com bateria de 14 volts da Makita. Leve e potente, ela se mostrou muito til para xar os quase 20 pinos (com 20 cm de comprimento) utilizados para descer os vrios abismos. O grupo espera que, em breve oportunidade, se d a continuidade s exploraes das possveis novas conexes. Chapada dos Guimares: Caverna do Francs ser fechadaO turista que viajar a Chapada dos Guimares mais para o nal do ano vai voltar para casa sem a recordao de ter visitado a maior caverna de arenito do Brasil e uma das mais cristalinas lagoas do Estado, a Aroe Jar, tambm conhecida como Caverna do Francs e a Lagoa Azul. Atraes de beleza cnicas, ambas caro somente no carto-postal a partir de setembro, quando sero fechadas visitao pelo dono da fazenda de quase 3 mil hectares onde esto localizadas. A deciso foi formalmente comunicada no ms passado s agncias tursticas de Chapada, que agora temem o prejuzo. A polmica est motivando o Conselho Municipal de Turismo a realizar uma reunio em Chapada para tentar reverter a situao, que j repercutiu e virou debate na internet. O controle e a preservao da caverna e da lagoa so de responsabilidade do proprietrio da fazenda gua Fria, Carlos Francisco Pereira, que est no local desde 1992. Ele conta que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) era o responsvel pelos locais at quatro anos atrs, quando os cuidados passaram a ser sua atribuio. Para isso, entretanto, ele arma que foi obrigado a contratar uma empresa de So Paulo para realizar o plano de manejo das reas o que custou um investimento de nada menos que R$ 60 mil. Isso porque ele j havia levado uma multa de R$ 70 mil do prprio Ibama por supostas degradaes na rea, como relata. Para tentar manter as belezas naturais como atraes tursticas, Pereira diz que cobra R$ 17 por visitante. Entretanto, o gasto nanceiro que j teve com a rea um dos motivos pelos quais ele anunciou o fechamento da Aroe Jari e da Lagoa Azul. Junto aos gastos, Pereira alega que falta apoio do poder pblico para manter os empreendimentos tursticos. Ele reclama da estrada que d acesso ao local, que at hoje faz quebrar pra-choque dos carros. Alm disso, diz que tem se tornado problemtica a relao com alguns guias tursticos, que degradam o local e j deixaram at vestgio de drogas. Fonte:www.noticiasnx.com.br/2010/index.php 24.04.2010. foto de zio Rubiolli foto de Fernanda Turchetti

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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero3Pesquisa amplia o nmero de cavernas conhecidas na APA Morro da Pedreira, Santana do Riacho, MG Por: Allan Calux e Tatiana Aparecida Rodrigues de Souza e e Roberto Cassimiro e 1 Instituto do Carste, 2 Meandros Espeleo Clube, 3 IGC/UFMG Criada em 26 de janeiro de 1990 com o objetivo de preservar o conjunto paisagstico da poro sul da Serra do Espinhao, a rea de Proteo Ambiental (APA) Morro da Pedreira abriga um conjunto de stios arqueolgicos e espeleolgicos, alm de uma fauna e ora silvestres exuberantes e mananciais de grande importncia para a manuteno dos ecossistemas do Parque Nacional (PARNA) Serra do Cip. Embora a regio seja h muito conhecida pelos escaladores mineiros e por importantes grupos espeleolgicos, como o Ncleo de Atividades Espeleolgicas (NAE) e o Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas (GBPE), que a frequentam desde a dcada de 1980, at ento a rea no havia sido palco de estudos espeleolgicos sistemticos. A principal referncia sobre o carste da rea foi gerada em 2008, com o levantamento espeleolgico realizado durante a elaborao do Plano de Manejo do PARNA Serra do Cip e APA Morro da Pedreira. No entanto, este documento compila os dados de algumas cavidades conhecidas, no envolvendo campanhas de prospeco exocrstica. Este Plano de Manejo inventariou 32 cavidades nestas duas Unidades de Conservao. A partir de meados de 2009, tal regio passa a ser o objeto de uma pesquisa de mestrado realizada por meio do Instituto de Geocincias da Universidade Federal de Minhas Gerais, com apoio de pesquisadores do Instituto do Carste e do Meandros Espeleo Clube. Com o objetivo de interpretar a morfodinmica crstica nos mrmores da regio, tal pesquisa vem envolvendo a realizao de campanhas de campo para identicar e caracterizar novas cavidades subterrneas. Para isso, os desaos tem sido inmeros e vo desde a prospeco em reas de difcil acesso a interpretaes gentico-evolutivas das feies exo-endocrsticas. Foi necessrio realizar uma prospeco exocrstica em toda a rea onde aoram os mrmores da borda oeste da Serra do Cip. Em duas campanhas de campo, que juntas somaram 27 dias de atividades, o nmero de cavidades conhecidas saltou de 32 para 162. O desenvolvimento dessas cavidades variou de uma dezena a at algumas centenas de metros e sua distribuio est concentrada em todos os compartimentos da paisagem, do topo do macio base das escarpas. O estudo pretende mapear uma amostra de aproximadamente 10% das cavidades registradas. A escolha dessas cavernas est alicerada por critrios espeleomtricos e geoespeleolgicos, de forma que seja reunido o maior nmero possvel de atributos capazes de fornecer uma avaliao acurada da dinmica crstica da regio. Nove cavidades j foram mapeadas e a expectativa que os levantamentos topogrcos sejam encerrados at meados de junho. Aps o trmino dos levantamentos topogrcos e elaborao dos mapas, ser realizado o diagnstico geoespeleolgico (avaliaes litolgicas, morfolgicas, estruturais, sedimentares e genticas). Essas anlises fornecero subsdios para a construo de um modelo evolutivo para o carste da rea. foto de Tatiane R. Souza foto de Tatiane R. Souza foto de Tatiane R. Souza

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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero4 Mais um caso conrmado de HistoplasmosePor Paula Ferraz, Espeleo Grupo de Braslia Fao parte do EGB, fazemos prospeco e mapeamento de cavernas. Fizemos uma prospeco em Buritis MG no dia 01 de maio de 2009, camos na cidade, logo depois fomos para a Fazenda Cana e achamos algumas cavernas por l. Depois fomos para Fazenda ABC do proprietrio Sr Jos Eustquio e encontramos mais cavernas. Aps algumas semanas marcamos para voltar na fazenda Cana. Foi meu primeiro mapeamento, tive algumas diculdades, mais foi prazeroso. A partir do nal de maio comecei a sentir o meu corpo estranho, como se fosse uma gripe, no dia 06 de junho tive uma febre alta, com muitos calafrios, no dia seguinte, a febre no cedia. Quando na segunda-feira dia 8, dei entrada na emergncia, a febre havia diminudo, s sentia um cansao imenso e muita fraqueza acompanhados de muita tosse. Tirei alguns raios X e z um exame de Gasometria arterial, em que o PO2 mnimo tem que dar 83 e o meu estava dando 73,4. Com esses exames tive que fazer uma Tomograa Computadorizada de Trax, resultado; Pulmes apresentando vrios ndulos, alguns dos quais com halo em vidro fosco, os maiores medindo at 1 cm. Diagnstico de HISTOPLASMOSE. O mdico me passou um antifngico e um antibitico. Mas a semana passou e o quadro de sade foi piorando, assim tive que dar entrada novamente na emergncia no dia 12 de junho, quei internada na UTI at o dia 22, com alta do hospital somente no dia 24. Tive que car de repouso por mais 15 dias. O tratamento contra a HISTOPLASMOSE continua por mais 6 meses, segundo a mdica, que armou. aps analisar os exames, que o fungo no tinha sido eliminado do pulmo. Este caso ca registrado como alerta para todos os espelelogos, que o melhor mesmo estar com os exames sempre em dia, e torcer para nunca esbarrar com nenhum desses fungos.Laudo tcnico explica caso da fumaa misteriosa na caverna de Miracema, TocantinsAps os rumores de que fumaa e um forte odor de enxofre estariam incomodando e assustando os moradores do Assentamento Brejinho, localizado na zona rural de Miracema do Tocantins, a 120 km de Palmas, o Naturatins apresenta laudo geolgico sobre o caso. O relatrio foi concludo na tarde de tera-feira, 11, e apresentado na manh desta quarta, 12, em entrevista coletiva concedida imprensa pelo presidente do Naturatins, Stalin Junior, e o gelogo responsvel, Sanclever Freire Peixoto. Segundo o laudo exposto, a queima ocorreu devido ao acentuado volume de guano (fezes de morcegos e aves) misturado a restos de folhas e galhos, essa mistura resultou na emisso de gases, como a amnia. Para o incio do fogo, o tcnico defende duas hipteses, a combusto espontnea, que ocorre com a prpria decomposio e fermentao da matria orgnica, ou ao humana, seja acidental ou proposital, uma vez que foram encontrados vestgios de visitao no local. O tcnico explicou ainda os riscos que este gs pode provocar Quando ingerido pode causar nusea e vmito, e em contato com a pele pode resultar em queimaduras severas e at necrose, explicou. Para dar segurana aos moradores e at mesmo aos curiosos, e evitar que este tipo de incidente acontea, Stalin informou que a gruta permanecer interditada por mais um tempo e que ser desenvolvida atividades educativas com os moradores da comunidade Brejinho. As aes esto previstas para iniciar na prxima quarta-feira, 19. Para a concluso, o gelogo se baseou nas visitas de campo, com observaes, coleta de material, pesquisas bibliogrcas e tambm conversas com os moradores da localidade. Fonte: Naturatins, 12/05/2010 foto do acervo de Paula Ferraz

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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero5A Instruo Normativa 2/09 (MMA), na prticaPor Mylne Berbert-Born Grupo Bambui de Pesquisas Espeleolgicas A Instruo Normativa MMA no 2 de 20 de agosto de 2009 (IN 2/09 MMA) estabelece o mtodo para a classicao do grau de relevncia das cavidades naturais subterrneas, estritamente aplicado ao processo de licenciamento ambiental. Basicamente, o grau de relevncia dene os elementos intocveis do acervo espeleolgico de determinada regio e orienta, para os demais elementos passveis de dano, as condicionantes e a compensao ambiental em terico benefcio do prprio acervo. A norma regulamenta o artigo 2 do Decreto 99.556/90 (nova redao dada pelo Decreto 6.640/08) que prev: Art. 2 A cavidade natural subterrnea ser classicada de acordo com seu grau de relevncia em mximo, alto, mdio ou baixo, determinado pela anlise de atributos ecolgicos, biolgicos, geolgicos, hidrolgicos, paleontolgicos, cnicos, histrico-culturais e socioeconmicos, avaliados sob enfoque regional e local. Segundo o mtodo, a classicao estabelecida pelo enquadramento do elenco de atributos em determinados pr-requisitos, chamados variveis. Essas variveis visam simplesmente caracterizar a presena ou ausncia do atributo, ou ainda qualic-lo, por exemplo, segundo opes do tipo baixo/mdio/alto, signicativo/no signicativo, muitos/poucos, constante/peridico/ espordico. Resumidamente, conforme as variveis em que se enquadrem, aferida a cada atributo importncia acentuada, signicativa ou baixa. Esse nvel de importncia individual de cada atributo por sua vez relativo (por anlise comparativa) ou atribudo (por conveno) a dois recortes territoriais: o enfoque regional, contexto da unidade espeleolgica; e o enfoque local, contexto da unidade geomorfolgica. A relevncia nalmente graduada nas categorias alta, mdia e baixa por regras que combinam o nvel de importncia dos atributos sob cada enfoque, tal como demonstrado na gura 1. Tendo em vista combinaes no admitidas na anlise, e por fora do artigo 13 da IN, o procedimento deve seguir a chave de classicao apresentada na gura 2. O grau de relevncia mxima uma categoria com pressupostos especiais no licenciamento ambiental, pois pode determinar a inviabilidade ambiental do empreendimento. A relevncia mxima alcanada quando exista pelo menos um dos atributos considerados de especial interesse, essenciais ou notveis pela raridade, especicidade, representatividade ou por sua importncia ambiental, cientca ou cultural, conforme o elenco da gura 3. Pelos termos normativos, o destaque do atributo examinado frente ao universo do entorno da cavidade, seja a escala local ou regional. No objetivo desta nota abordar os efeitos da classicao do grau de relevncia nos trmites do licenciamento ambiental, em que pesam o ajuizamento de danos ao patrimnio espeleolgico e ambientais de uma maneira geral, os ganhos econmicos de interesse da coletividade e as consignaes condicionais e compensatrias. Tambm no pretenso ponderar conceitos adotados pela metodologia e suas implicaes logstica e eccia da norma, tema para um longo artigo. Neste momento, o que se destaca o mecanismo de avaliao, reviso e aprimoramento da norma previsto no artigo 22 pargrafos 3 e 4 da IN a congurao de um comit tcnico consultivo coordenado pelo CECAV. Decorridos 180 dias da publicao da IN, o ICMBio divulgou minuta da portaria de criao desse rgo colegiado consultivo, para o qual reservam-se assentos Redespeleo Brasil e SBE. Estas comporo com a SBPC, o IBRAM e os rgos pblicos ambientais (ICMBio, IBAMA e Associao Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente), alm do CECAV, mediante um representante e respectivo suplente. Especialistas e outras instituies gura 1: grau de relevnciaresultante das combinaes entre o nvel de importncia de atributos nos enfoques regional e local gura 3 gura 2: chave de classicao do grau de relevncia, segundo mtodo estabelecido pela IN 2/09 MMA atributos nos enfoques regional e local

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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero6 sero eventualmente convidados a prestarem informaes no decorrer dos trabalhos, conforme a convenincia. Objetivamente, as tarefas do Comit so: (a) acompanhar e avaliar a aplicao da IN 2/09 nos processos de licenciamento ambiental, e (b) propor ao MMA o aprimoramento das regras tcnicas previstas. Por conseguinte, a aplicabilidade da IN aos propsitos do licenciamento ambiental dever necessariamente ponderar: inexeqveis ao empreendedor; compreenso, anlise e julgamento do analista ambiental (rgo licenciador); resultados inverdicos, seja por omisso, parcialidade ou distoro da realidade (proposital ou involuntria); aquelas que poderiam ser evitadas em alternativas possveis, ou aquelas que so absolutamente no mitigveis ou no justamente compensveis. Ou seja, a ineccia do mtodo aos propsitos do licenciamento ambiental dever ser acusada se levar a decises que do margem a questionamentos, incertezas e prejuzos (nanceiros ou ambientais) ou se o processo adquire uma morosidade inconveniente. Eis a baliza analtica do referido comit! Dentro dessa viso pessoal, as questes pontuadas acima encontraro resposta precisa se o processo de licenciamento estiver elmente compreendido na complexidade e vulnerabilidade particulares ao ambiente crstico e ecossistema subterrneo, onde as cavidades naturais subterrneas so apenas um dos elementos constituintes. Ao futuro comit, ca a sugesto de observar matria defendida e amplamente divulgada pelo prprio Ministrio do Meio Ambiente: (...) Uma viso que considere apenas um aspecto reduzida porque no leva em considerao o sistema, a organizao, a heterogeneidade ou a complexidade do lugar. No considera a dinmica de funcionamento do espao em que vivemos.(...) nessa condio que usamos o termo complexidade do meio, ou seja, quando podemos constatar uma heterogeneidade de elementos estruturais e ligaes funcionais de diversas ordens de intensidade dentro e entre os subsistemas. Algumas vezes, a heterogeneidade medida pela quantidade de elementos que compem o sistema pequena numa dada regio, mas ele apresenta um amplo espectro de respostas quando sofre um distrbio. por isso que precisamos observar a diferena entre sistema complexo e sistema de comportamento complexo.(...) (do livro Vulnerabilidade Ambiental desastres naturais ou fenmenos induzidos? SRH/MMA, pgs. 20-21. Disponvel no stio do Ministrio do Meio Ambiente na internet). Em ltima anlise, e conforme esta mesma publicao do MMA, convir avaliar se o rito determinado pela IN 2/09 est orientado em perguntas consideradas essenciais quando se pretende interferir no ambiente: Finalmente, afora as questes judiciais em curso, o estgio que se encontra o reordenamento legal sobre o patrimnio espeleolgico o estgio da prtica. Se por um lado essa prtica assunto do comit de avaliao das novas regras no mbito do licenciamento ambiental, por outro lado tambm assunto das instituies sociais e cientcas no contexto das suas prticas e experincias de campo e laboratrio. Opinies descartadas, votos vencidos e o tempo subjugado, agora a sociedade especializada deve providenciar o retrato da nova realidade, os ensaios que avalizaro os pontos positivos e rejeitaro as inadequaes de maneira concreta e objetiva. Esto todos convocados!Gruta da Lapinha fechada para obrasAt o m do ano, um dos pontos mais visitados de Minas estar fechado aos turistas, estudantes, pesquisadores e demais interessados nas belezas do patrimnio natural e cultural. Nesse perodo, a Gruta da Lapinha, em Lagoa Santa, na Regio Metropolitana de Belo Horizonte, receber uma srie de melhoramentos na infraestrutura que vai realar seus sales cobertos de estalactites e estalagmites, valorizar as formaes calcrias datadas de 600 milhes de anos e criar condies para que o pblico seja bem recebido e possa conhecer, com todo conforto, essa jia da regio crstica. O primeiro equipamento car pronto ainda este ms, embora mantido, por enquanto, guardado a sete chaves. Trata-se de um sistema de lmpadas do tipo LED (diodos emissores de luz) programado para gerar at 16 milhes de tonalidades. Um cenrio que, sem dvida, permitir uma viagem ao tempo das cavernas com tecnologia de ltima gerao. Com visitao anual de cerca de 20 mil pessoas, a Lapinha a primeira gruta do pas a ganhar um receptivo turstico especialmente construdo para esse m os recursos de R$ 3,5 milhes so do governo estadual, dos quais R$ 800 mil investidos na iluminao. E mais: o futuro Centro Receptivo Peter W. Lund, nome em homenagem ao paleontlogo dinamarqus conhecido como doutor Lund (1801-1880), ter museu, reserva tcnica do acervo, auditrio, sala de reunies, banheiros, vestirio, estacionamento e lanchonete. O receptivo ter trs andares e uma passarela entre rvores, por onde os turistas vo chegar gruta e j entrar no clima de aventura, diverso e conhecimento. nele que car a exposio permanente com cerca de 70 fsseis do Museu Zoolgico de Copenhague, que sero cedidos pelo governo da Dinamarca em regime de comodato. O acordo para a transferncia do material foi selado no ano passado pela coordenadora do programa Rota Lund e gerente de projetos da Governadoria, Natasha Nunes, pelo professor da PUC Minas Castor Cartelli e por autoridades dinamarquesas. A expectativa de que a reabertura ocial da Lapinha, com todas as instalaes fsicas concludas, ocorra em janeiro, embora no haja data para inaugurao da exposio dos fsseis. Fonte: artigo de Gustavo Werneck, O estado de Minas, 16/05/2010.

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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero7I Curso de Espeleologia e Licenciamento Ambiental do Instituto Chico MendesPor Jocy Cruz Chefe do CECAV/ICMBio Considerando a necessidade de aprimoramento dos instrumentos de gesto ambiental do patrimnio espeleolgico no sistema de licenciamento ambiental, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservao de Cavernas CECAV/ICMBio, juntamente com o Instituto Terra Brasilis e Vale S/A, realizou, entres os dias 06 e 17 de abril de 2010, em Belo Horizonte, o I Curso de Espeleologia e Licenciamento Ambiental do Instituto Chico Mendes, cujo pblico alvo foram os prossionais de instituies pertencentes ao Sisnama, responsveis pela anlise de processos de licenciamento ambiental de atividades potencialmente poluidoras ou degradadoras de cavidades naturais subterrneas, ou de sua rea de inuncia. O curso marca o incio das aes previstas no Programa Nacional de Conservao do Patrimnio Espeleolgico (PNCPE) e atende diretriz para a integrao de aes setoriais, por meio da descentralizao de aes, do fortalecimento da ao governamental, do estabelecimento de parcerias e envolvimento dos setores interessados na implantao do Programa. O curso contribui com o fortalecimento institucional para a gesto do Patrimnio Espeleolgico (Componente 6 do PNCPE), por meio da formao de recursos humanos e o desenvolvimento da espeleologia nos rgos ambientais competentes para realizar o licenciamento ambiental de tais empreendimentos e atividades, conforme a legislao de proteo do patrimnio espeleolgico. Com uma carga horria de 88 horas, o Curso teve a participao de 39 tcnicos de rgos pblicos de meio ambiente. Entre os estados contemplados na primeira turma esto: So Paulo, Paran, Rio Grande do Norte, Bahia, Tocantins, Mato Grosso, Par, Gois e Minas Gerais. Alm de representantes do IBAMA e do Instituto Chico Mendes. O Curso foi dividido em dois mdulos. O Mdulo 1, Introduo e Reviso em Espeleologia, ministrado por grandes nomes da espeleologia brasileira, como: Luiz B. Pil, Augusto Auler, zio Rubbioli, Rodrigo Lopes e Fernando Verassani, tratou da espeleologia enquanto cincia, buscando levar os participantes a um entendimento bsico do sistema crstico. Foi composto dos seguintes temas: 1) Introduo Espeleologia Iniciou os principais aspectos referentes espeleologia, as interaes temticas, a dinmica dos processos a ela associados e a importncia dos ambientes crsticos; 2) Geoespeleologia fez uma reviso no conhecimento geolgico e geomorfolgico necessrios anlise de empreendimentos/situaes que envolvam ambientes crsticos; 3) Espeleometria forneceu informaes que favorecem a anlise crtica e a extrao de informaes dos mapas espeleolgicos e de contexto; 4) Biologia Subterrnea Trouxe conhecimentos que subsidiam a anlise de estudos bioespeleolgicos e a avaliao de impactos ambientais de empreendimentos que afetam a biota caverncola; 5) Avaliao de Impactos Ambientais Destacou aspectos relativos aos principais problemas decorrentes dos diversos tipos de empreendimento, alm de identicar medidas adequadas para evitar ou minimizar danos ao sistema caverncola. O mdulo 1 contou ainda com duas atividades de campo: A primeira para cavidades da formao ferrfera do Parque Estadual do Rola Moa, e a segunda para cavidades desenvolvidas no calcrio do Parque Estadual do Sumidouro. J o Mdulo 2, Espeleologia Aplicada ao Processo de Licenciamento Ambiental, tratou do aparato legal de proteo do patrimnio espeleolgico brasileiro, ou seja, o Decreto 99.556/90, alterado pelo Decreto 6.640/2008, a Resoluo CONAMA 347/2004 e a Instruo Normativa 02/2009/MMA. Ministrado por tcnicos do Cecav, Cristiano Fernandes, Jocy Cruz, Jos Carlos Reino e Rita Surrage, sob moderao do IABS, o mdulo teve como contedo: 1) Histrico e Contextualizao Legal apresentou e contextualizou a legislao ambiental vinculada espeleologia; 2) Legislao Ambiental apresentou e debateu pormenorizadamente o Decreto n 99.556/1990, alterado pelo Decreto n 6640/2008, Resoluo CONAMA 347/2004 e da IN MMA n/2009. Ao nal do segundo mdulo, aps uma exposio dos estados e IBAMA que socializou as informaes referentes dinmica e prticas adotadas pelas diferentes instituies responsveis pelo licenciamento ambiental, houve a construo conjunta de propostas de uxos e infra-estruturas necessrias aos respectivos rgos para a avaliao espeleolgica no mbito do licenciamento de empreendimentos e/ou atividades localizados em rea de ocorrncia de cavidades naturais subterrneas. Entre os pontos positivos do curso vale destacar a interao entre os tcnicos e instituies participantes. A troca de experincias e a socializao de problemas e diculdades levaram a busca de solues comuns a todos, fortalecendo as instituies e, conseqentemente, potencializando as aes para a preservao do patrimnio espeleolgico brasileiro. Dessa relao, e visando promover e dar continuidade a discusso conjunta de vivncias, foi criado o grupo de discusso virtual (listservers) Espeleologia e Licenciamento Ambiental, do qual fazem parte tcnicos, instrutores e organizadores do curso. Atualmente, o comit criado para organizao do evento com representantes do CECAV, do Instituto Terrabrasilis e Vale S/A est trabalhando para viabilizar a segunda turma do curso, com o objetivo de capacitar mais 40 tcnicos de instituies pertencentes ao Sisnama. O curso dever ocorrer em Belo Horizonte, no ms de agosto, e ir contemplar rgos ambientais do Cear, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Par. A meta do CECAV/ICMBio capacitar todas as OEMAs ainda este ano.

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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero8 Os pesquisadores informam ainda que o genoma do cientista Craig Venter, que publicou sua sequncia gentica pessoal recentemente, tem trechos que so mais parecidos com o do neandertal que com o chamado genoma humano de referncia, que inclui dados genticos de vrias origens, incluindo africana. David Reich, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, tambm autor do estudo, diz que no parece ter havido uxo gentico de humanos para neandertais, mas apenas na direo oposta, e que por enquanto ainda no foi possvel determinar se o uxo se deu de macho para fmea ou vice-versa. A contribuio do neandertal para o DNA humano foi determinada a partir da comparao do genoma da espcie extinta com o de cinco seres humanos contemporneos. Traos de genoma neandertal foram encontrados em pessoas da Europa, China e Papua-Nova Guin, mas no da frica. O sequenciamento do genoma do neandertal permitiu uma comparao entre o DNA dessa variedade extinta com o dos humanos atuais e dos chimpanzs, em busca de caractersticas que sejam essencialmente humanas. Os pesquisadores focaram a busca em partes do genoma onde existe variao entre humanos, mas no entre os neandertais. Essas regies so importantes porque podem representar mutaes bencas, que se espalharam rapidamente pelas populaes humanas e lhes conferiram vantagens a que os neandertais no tiveram acesso. Entre as 20 regies j encontradas no genoma humano onde a comparao com o neandertal sugere forte presso da seleo natural a favor dos humanos modernos esto trs ligadas ao desenvolvimento cognitivo: genes que, quando defeituosos, aparecem relacionados a esquizofrenia, autismo e sndrome de Down. O genoma neandertal foi obtido a partir de ossos de 40.000 anos, encontrados em uma caverna na Crocia. Amostras dos ossos foram pulverizadas e passaram por um processo de puricao para separar o DNA neandertal de contaminaes, como DNA humano e de bactrias. O trabalho levou quatro anos, s foi possvel graas a avanos tecnolgicos recentes na rea do sequenciamento gentico. Fonte: www.estadao.com.br/noticias/, 06.05.2010. ltimas atividades do Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas Grupo Bambui de Pesquisas Espeleolgicas os instrutores civis e alguns ociais do curso de formao do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. Foram visitadas as cavernas Tneis e Lapa das Pacas no Parque Estadual do Sumidouro PESU. Essa atividade foi uma parceria com o Corpo de Bombeiros/MG. introduo espeleologia para o primeiro perodo do curso de geologia da Universidade Federal de Minas Gerais UFMG. No dia 25 de abril, foi realizada uma aula de campo no carste de Lagoa Santa com visitas s grutas da Macumba, dos Arcos, Tneis e Lapa das Pacas. A atividade foi uma parceria entre o Grupo Bambu e o Centro de Pesquisas e Estudos Geolgicos do Instituto de Geocincias da Universidade Federal de Minas Gerais CPEGEL-IGC/UFMG. Gruta da Desmatao e topografados 1500 metros na Gruta do Manuel Lopes. No dia 2 de maio houve um encontro dos espelelogos do Grupo Bambu com grupo espeleolgico de So Desidrio. O encontro foi na sede da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo.Humanos de fora da frica tm ancestrais neandertais, mostra genomaAs populaes humanas de fora da frica tm de 1% a 4% de DNA herdado do neandertal, uma espcie que existiu paralelamente ao homem moderno durante milhares de anos na pr-histria. Os neandertais desapareceram cerca de 30.000 anos atrs. A evidncia de reproduo entre as duas espcies foi encontrada graas ao primeiro rascunho do genoma neandertal, que levantou 60% do cdigo gentico da espcie extinta. Tanto o sequenciamento quanto os resultados da comparao entre o DNA humano e neandertal so descritos na revista Science de Maio. De acordo com os autores do trabalho, o contato sexual entre as duas espcies teria ocorrido no Oriente Mdio, depois que uma populao humana original deixou a frica para se espalhar pelo mundo. Com isso, os humanos que permaneceram na frica no foram expostos aos genes dos neandertais, e por isso no revelaram traos do DNA da variedade extinta. foto de Paula Ferraz

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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero9Cavernas tornam-se foco de interesse da mdia televisiva brasileira.Por Leda Zogbi Meandros Espeleo Clube Nos ltimos dias, a imprensa televisiva apresentou diversas notcias e reportagens sobre cavernas: apresentada uma reportagem sobre as cavernas de So Desidrio, com entrevista do espelelogo do Grupo Bambui, Jussykledson da Silva (Jussy), sobre a Gruta D de Manoel Lopes (veja reportagem sobre a caverna no Conexo 77 de 15/04/2010). Veja a reportagem on line em: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1249228-7823-CAVER NAS+SAO+ATRACAO+DE+TURISMO+ECOLOGICO+EM+SAO+DESIDERIO+ BA,00.html longo documentrio sobre cavernas. O reprter Andr Curvello visitou o Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira PETAR, acompanhou a primeira aula de campo de alunos de Geologia da Universidade de So Paulo (USP), entrevistou o professor Paulo Boggiani (IGc-USP) e o doutorando Heros Lobo, que falou sobre os trabalhos relacionados a impactos em cavernas. Tambm foram entrevistados em outros quadros do programa a biloga e doutoranda Lvia Medeiros Cordeiro, que explicou sua pesquisa com peixes caverncolas da Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul; o professor Ivo Karmann, que estuda o paleoclima, e o professor Francisco Cruz, que descreveu as qualidades de um bom gelogo (ambos do IGc-USP). O programa foi apresentado pela Rede Globo, Globo News e Canal Futura e est disponvel em: http://globouniversidade.globo.com/GloboUniversidade/ 0,,8748-p-4-2010,00.html sobro a caverna do Tocantins que est emitindo uma fumaa toxica (veja reportagem neste nmero). A notcia est disponveis em: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/05/bombeiros-interditam-cavernaque-exala-gas-toxico-no-tocantins.html Duas dissertaes de psgraduao e um mestrado, relacionados ao carste so apresentados em SP e MG. No ltimo dia 12 de maio, foram apresentados com xito dois Seminrios de dissertao relacionados ao Programa de Ps-graduao em Geograa do Instituto de Geocincias da UFMG, em Belo Horizonte: Estudo das feies crsticas em quartzito na regio de Itamb do Mato Dentro, serra do Espinhao Meridional, MG; trabalho intitulado: O Carste Tropical em mrmore na borda Oeste da serra do Cip, MG: investigaes acerca da morfodinmica crstica. No ltimo dia 13 de maio, a gegrafa e espeleloga sergipana Eline Alves de Souza Barreto defendeu com sucesso tese de mestrado no IGc-USP, intitulada: Aplicao das razes istopicas de oxigenio e carbono de espeleotemas ao estudo paleoclimtico nos estados de Sergipe e Bahia durante o Quaternrio Trdio. Orientador: Francisco Willian da Cruz Junior.Lanado livro sobre o sistema de Francheville, um das maiores da FranaLe Rseau Souterrain de Francheville 100 ans dexplorations splologiques au cur de la Bourgogne Goure du Soucy, goure de la Combe aux Prtres, goure de la Rochotte et goure de Nonceuil. A aventura espeleolgica do sistema de Francheville se iniciou no abismo de Soucy, prximo de Dijon, em 1904. Nesta poca, a explorao subterrnea estava em seus primrdios, e a temeridade dos exploradores devia compensar a falta de materiais e de tcnicas adequadas. Somente nos anos 70, a descoberta do abismo Combe aux Prtres, permitiu o incio da explorao do rio subterrneo. Durante mais de 20 anos, os espelelogos de Dijon viveram uma aventura palpitante, para atingir o corao do macio em direo ao Creux Bleu. Para ultrapassar os numerosos obstculos que atrapalhavam a sua progresso, eles foram obrigados a aperfeioar novas tcnicas de mergulho adaptadas ao meio subterrneo. O sistema tornou-se um dos maiores da Frana, com quase 30 km de galerias. A ttulo de curiosidade (isso no consta no livro), em uma atividade de desobstruo, em 2005 o projeto contou com a ajuda de um espeleologo brasileiro, Daniel Menin, que junto a integrantes do SCP (Speleo Clube de Paris) e espeleologos de Dijon fez uma incurso em um abismo superior buscando mais uma conexo com o sistema (relatrio da atividade em www.terrasubespeleo. blogspot.com). Maiores informaes e pedidos on line em: http://scdijon.online.fr/

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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero10 LEMBRANAS DE HELENA DAVIDPor Augusto Auler Instituto do Carste A primeira reunio do Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas da qual Helena David participou, no incio dos anos 1990, deu-se ainda em uma sala aos fundos da Igreja do Carmo, muito prximo de onde teramos, anos depois, nossa sede prpria. Era um pouco mais velha do que a maior parte dos scios do grupo, com um jeito de mezona. Recordo-me que se engajou em uma discusso sobre no sei bem o que, deixando os presentes meio surpreendidos com aquela maneira direta e meio dura de tratar as coisas. Mas bastou um pouco mais de convivncia para compreendermos o jeito de ser da Helena, amiga, inteligente, extremamente dedicada e competente. Helena abraou o Bambu (e vice-versa) de imediato. Participou das principais viagens da poca, como a inesquecvel expedio Toca da Boa Vista em 1992 (para alguns a melhor que j ocorreu), e outros vrios projetos espeleolgicos, alm de muitas participaes em atividades arqueolgicas. Helena era restauradora, com especializao em Portugal, e no era raro vermos, sobre sua mesa, em meio a vrias quinquilharias que preenchiam sua casa, por exemplo, um Guignard sendo cuidadosamente restaurado. Dicilmente recusava uma boa viagem ou programa. Lembro-me dela dizer que nunca tive dinheiro, mas nunca deixei de fazer nada. Participou comigo de muitas viagens Bahia durante o meu doutorado, s eu e ela fazendo coletas e observaes, tendo sido uma das minhas principais colaboradoras. Tinha uma maneira particular de aceitar o convite para uma viagem. Parava para pensar, dava uma risada e dizia t indo. Abraou a Redespeleo logo de sua fundao, tendo tido participao essencial em vrias atividades, como na organizao do Carste 2004 I Encontro Brasileiro de Estudos do Carste. Em 2004 iniciou seu doutoramento em Valncia, na Espanha, e se afastou do Brasil por 4 anos. O tema era o mais interessante possvel, a restaurao de pinturas rupestres, rea praticamente inexplorada no Brasil. Enquanto Helena estava no exterior mantivemos contato e inclusive realizamos uma viagem de trs semanas a Grcia, como parte do Congresso Internacional de Espeleologia. Embora no exterior, foi uma das maiores apoiadoras da idia do Instituto do Carste, tendo assumido o cargo de vice-presidente. Findo o doutorado retornou ao Brasil e logo prestou concurso para professora na UFMG, tendo sido aprovada. Enquanto Helena aguardava a formalizao da contratao tive oportunidade de convid-la, em junho de 2009, pelo Instituto do Carste, para uma viagem ao Peruau, regio que ela tanto amava. Aceitou, claro, com seu tpico jeito mineiro. Mas a poucos dias da viagem recuou e cancelou a participao, dizendo no se sentir bem. Era a primeira vez que isso acontecia. Em agosto, em nova viagem pelo Instituto do Carste, desta vez pela Chapada Diamantina e norte de MG, com seu grande amigo Joel Rodet e Luc Willems, novamente conrmou e cancelou na ultima hora. Viajamos com o lugar da Helena vago no carro. A doena j apresentava seus primeiros sintomas. Pediu licena na UFMG sem ter tido a oportunidade de sequer dar uma aula e iniciou o tratamento. Diagnosticado o cncer, deram-se longas sesses de radioterapia, sem nunca perder o otimismo. Meu ultimo contato com Helena foi no dia 25 de abril, quando discutamos via email as tcnicas de monitoramento de cavernas e ela mencionava que prosseguia seu tratamento. O mais triste desta perda, alm do ente que se vai, o projeto interrompido. No veremos a aplicao de suas novas tcnicas de restaurao em pinturas rupestres, no veremos os livros e artigos que certamente seriam publicados, os cursos, aulas e os vrios projetos. Toda uma carreira h tempos projetada e bruscamente interrompida. Do muito que Helena fez, talvez seja lembrada na espeleologia pelo pioneiro e magnco trabalho de restaurao da Lapa do Ballet, em Matozinhos. Helena David faleceu no dia 8 de maio de 2010, poucos dias antes de completar 55 anos.Arquelogos encontram sepulturas com 5.000 anos no MarrocosVrios esqueletos humanos e sepulturas com 5.000 anos foram descobertos numa gruta marroquina perto de Jemisset (80 km a leste de Rabat). Pela primeira vez, foram descobertos no Marrocos esqueletos humanos que datam da civilizao campaniforme (terceiro milnio antes da nossa era, entre o nal do Neoltico e a primeira Idade do Bronze), declarou Yusef Bokbot, arquelogo e chefe da equipe encarregada das escavaes. Sete esqueletos e quatro sepulturas nos permitiro identicar com grande preciso os ritos funerrios do perodo campaniforme. Uma grande novidade, explicou Bokbot. Segundo o arquelogo, os objetos de cobre que descobriram conrmam a evoluo que a humanidade conheceu, ou seja, a passagem da pedra para o metal. As escavaes que levaram a esta descoberta foram realizadas numa gruta situada a 18 km de Jemisset, como parte de um projeto iniciado em 2006. Fonte:http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_ news=449155

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78ISSN 1981-1594 22/05/2010nmero11 Expediente Comisso Editorial: Daniel Menin, Leda Zogbi, Ricardo Coelho e Yuri Stvale. Logotipo e Diagramao: Danilo Leite DFUSE DESIGN, danilo@dfusedesign.com.br Fotograa da Capa: Gruta Baixada das Crioulas 2 Itamb do Mato Dentro, MG. Foto de Rafael Camargo. Artigos assinados so de responsabilidade dos autores. Artigos no assinados so de responsabilidade da comisso editorial. A reproduo de artigos aqui contidos depende da autorizao dos autores e deve ser comunicada REDESPELEO BRASIL pelo email: conexao@redespeleo.org. O Conexo Subterrnea pode ser repassado, desde que de forma integral para outros e-mails ou listas de discusses.Espao Cartoon Associe-se !Entre voc tambm no mundo das cavernas! Para se tornar um scio colaborador da Redespeleo Brasil basta acessar o site: www.redespeleo.org.br, preencher o formulrio on line e contribuir com a anuidade. Voc ter ento acesso lista de discusses da Redespeleo Brasil na internet e descontos em todos os eventos organizados pela rede. Voc quer ver uma foto de sua autoria na capa do Conexo? Quer mandar uma tirinha bem humorada para ser publicada no prximo nmero? Ento, basta encaminhar o seu material para conexao@redespeleo.org, e a comisso editorial ir avaliar, e lhe conrmar rapidamente sobre a possibilidade de publicao. No se esquea de enviar seus artigos tambm. Participe!


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Nesta edio voc
saber mais sobre os seguintes assuntos: Expedio para o
Inficcionado Chapada dos Guimares: Caverna do Francs ser
fechada Pesquisa amplia o nmero de cavernas conhecidas na
APA Morro da Pedreira, Santana do Riacho, MG Mais um caso de
histoplasmose Laudo tcnico explica caso da fumaa misteriosa
na caverna de Miracena, Tocantins A Instruo Normativa 2/09
(MMA), na prtica Gruta da Lapinha fechada para obras I
Curso de Espeleoelogia e Licenciamento Ambiental do Instituto
Chico Mendes ltimas atividades do Grupo Bambu de Pesquisas
Espeleolgicas Humanos de fora da frica tm ancestrais
Neandertais, mostra geonma Cavernas tornam-se foco de
interesse da mdia televisiva brasileira Duas dissertaes de
ps-graduao e um mestrado relacionados ao carste so
apresentados em SP e MG Lanado livro sobre o sistema de
Francheville, um dos maiores da Frana Lembranas de Helena
David Arquelogos encontram sepulturas com 5000 anos no
Marrocos


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