Conexão Subterrânea

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Conexão Subterrânea

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Title:
Conexão Subterrânea
Series Title:
Conexão Subterrânea
Creator:
Redespeleo (Brazil)
Publisher:
Redespeleo (Brazil)
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Subjects / Keywords:
Regional Speleology ( local )
Genre:
serial ( sobekcm )
Location:
Brazil

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General Note:
Nesta edição você saberá mais sobre os seguintes assuntos: - Cuba, cavernas e espeleólogos - Monografia sobre cavernas é defendida no Maranhão - Um bom começo de ano - Novas cavernas são mapeadas na Bahia - Cecav prepara inventário nacional das cavernas - Projeto Jurubatuba - Mais um grupo atuante na espeleologia brasileira - Incursão às Grutas Dé de Manoel Lopes e Sopradeira, em São Desidério - Primeiro encontro internacional feminino de Espeleologia na França - O governo espanhol confere status acadêmico à espeleologia - Cavernas poluídas ameaçam abastecimento de água e vida selvagem - 2º Simpósio Sul-Brasileiro de Espeleologia será realizado em Ponta Grossa - União de projetos entre caverna Paçoca e Corrego Fundo dá maior abrangência a trabalhos no PETAR - Reeditado livro de Mapeamento de Cavernas da Redespeleo - Ciclo de Palestras sobre as Cavernas de Laranjeiras, Sergipe - Criação de Unidade de Conservação em cavernas do Distrito Federal - Novo Conselho Gestor na Redespeleo
Restriction:
Open Access
Original Version:
No. 77 (2010)
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Source Institution:
University of South Florida Library
Holding Location:
University of South Florida
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K26-01171 ( USFLDC DOI )
k26.1171 ( USFLDC Handle )
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subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero

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subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero2 subterranea Boletim Redespeleo Editorial Voc j percebeu: o Conexo est de cara nova! Depois de sete anos, a publicao estava precisando de um lifting para se modernizar, e acompanhar o seu tempo... O cirurgio responsvel por esta operao foi o designer Danilo Leite, que captou com muita sensibilidade o esprito da coisa, conseguiu entender nossos desejos e transform-los em realidade. A ele, o nosso muito obrigada! Alm da mudana de diagramao e logotipo, resolvemos incluir na capa uma bela foto de caverna... Neste nmero, a imagem escolhida de autoria de Daniel Menin. A foto do abismo Paoca, e as aventuras da sua explorao esto descritas em um artigo deste boletim. Todos os prximos nmeros do Conexo Subterrnea tero uma foto na capa, escolhida pela Comisso Editorial dentre as fotos enviadas pelos colaboradores. Se voc tem bonitas fotos e gostaria de v-las publicadas na capa do Conexo, envie-as para conexo@redespeleo.org, e a Comisso ir inclu-las no processo de escolha. Daremos prioridades s fotograas que ilustrem os artigos escolhidos, pois sempre melhor entender o que levou o fotgrafo quele local, e assim conseguir interpretar a mensagem. Outra novidade a sesso de tirinhas e charges, tambm inaugurada por uma tirinha original e extremamente atual. Espelelogos com dons artsticos: enviem suas tirinhas para a Comisso Editorial (e-mail acima). Trata-se de um jeito divertido de abordar diversas situaes espeleolgicas inusitadas. Este nmero do Conexo marca o incio de uma nova fase. Voc ler artigos de explorao de diversos grupos, alm de notcias relevantes relacionadas espeleologia, nacionais e internacionais. Envie voc tambm seus artigos e notcias, e teremos o maior prazer em public-los! Pretendemos retomar a periodicidade deste boletim, com uma edio mensal, em mdia. Temos muito trabalho pela frente, mas um verdadeiro prazer compartilhar as notcias espeleolgicas com todos os interessados pelo tema. Desejamos uma boa leitura a todos, e contamos com a sua participao nos prximos nmeros! Mos obra! Comisso Editorial Conexo Subterrnea

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subterranea Boletim Redespeleo subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero3Cuba, cavernas e espelelogosPor Leda Zogbi Meandros Espeleo Clube. A idia da expedio surgiu de um contato pela Internet: recebi uma mensagem de Lisset Torres, espeleloga cubana do grupo GEDA, agradecendo pelo auxilio obtido com o manual sobre como fazer mapas digitais que elaborei alguns anos atrs, e que est disponvel no site da Redespeleo. Ela estava usando com sucesso o manual no processo de digitalizao dos mapas cubanos. Carnaval, chuvas torrenciais no Brasil. Porque no irmos para Cuba? Quando escrevi para Lisset sugerindo a hiptese, no mesmo dia ela mandou seis mensagens com diversas informaes interessantes, inclusive uma sugesto de roteiro tentadora. Diversas pessoas se interessaram, das quais, cinco resolveram participar da viagem: Aline Guerra, Allan Calux, Karen Perez Ramos, Lus Rocha e eu. Chegamos em La Havana dia 15 de fevereiro, alugamos uma van, e fomos diretamente para Pinar del Rio, uma das regies de maior concentrao de cavernas de Cuba. A palavra espeleologia no estranha para nenhum cubano: o prprio Fidel esteve em cavernas, e quando realizou a invaso da ilha em 1959, trazia consigo o livro de Antonio Nues Gimenez, sobre as cavernas de Cuba, que tiveram um papel importante na revoluo. Alis, 70% da superfcie da ilha coberta por calcrio, portanto, as cavernas so velhas conhecidas. A Sociedade Cubana de Espeleologia uma das mais antigas das Amricas, fundada em 1940, trs anos aps a fundao da Sociedade Excursionista Espeleologica de Ouro Preto. Chegando em Pinar del Rio, aps visitamos uma plantao de tabaco e conhecermos a cidade, com bonitas fachadas no estilo colonial espanhol e carres americanos dos anos 50 nas ruas, fomos participar de uma tertulia, que um encontro peridico realizado com os espelelogos da regio. Estavam presentes umas 20 pessoas dos quatro grupos de espeleologia Pinareos. Aps as apresentaes de todos, z uma pequena palestra sobre a espeleologia no Brasil, histria, principais regies crsticas, e mostrei fotos ilustrativas de cada regio. Por sua vez, eles nos contaram um pouco da sua histria, nos mostraram lindas fotos das cavernas cubanas, e nos mostraram tambm o seu trabalho na digitalizao e georeferenciamento dos mapas. A integrao entre os grupos foi excelente. No dia seguinte, iniciamos nossa visita s cavernas cubanas, com a participao de trs espelelogos cubanos: Lisset Torres Ilina, Lzaro Yusmuiel (Chispa) e Luis Peres Esquijarrosa. Fomos primeiro conhecer o lindo vale de Viales, aonde vimos pela primeira vez os famosos Mogotes, que so montanhas de calcrio bem verticalizadas que se destacam do vale completamente plano, coberto por plantaes de tabaco. A paisagem belssima. Fizemos neste dia uma trilha a p de uns 2 km para conhecer um trecho do maior sistema de cavernas cubano, Palmaritos, com cerca de 56 km de desenvolvimento. O trecho que visitamos foi pequeno, pois o tempo estava curto e a caverna continuava num conduto de rio onde seria preciso nadar para continuar. Fomos em seguida para a Escuela Cubana de Espeleologia, construda aos ps de um morro de calcrio, lugar fantstico. L fomos recebidos pelo Sr. Castro, diretor da escola, e sua equipe, que nos alojaram por duas noites. Foi muito bom conhecer de perto as atividades da escola, e a vida que eles levam. Doamos para a biblioteca uma coleo completa de livros da Redespeleo e algumas lanternas de cabea, que eles usam para levar os turistas em alguns trechos do sistema. Vieram nos encontrar na escola o Raudel Del Llano, presidente do grupo GEDA, que veio de bicicleta (3h30 pedalando!) e Hilrio Carmenate, presidente do comit espeleolgico da Provncia de Pinar del Rio e espelelogo das antigas, que veio de carona e nos honrou muito com a sua presena. Visitamos o sistema Gran Caverna de Santo Toms onde zemos um percurso muito interessante, entrando por uma caverna, saindo em uma dolina, entrando em outra caverna, saindo em outra dolina e assim por diante. Todas elas fazem parte do sistema que o segundo maior de Cuba, com mais de 40 km de extenso. Ficamos o dia todo no sistema e conhecemos partes muito interessantes da caverna: algumas salas muito ornamentadas, outros grandes sales desmoronados, trechos de rio com muitos travertinos... O sistema inteiro bem interessante. Depois de uma rpida passagem pela praia de Cayo Cuta (estava frio naquele dia, era inverno em Cuba) fomos para outra regio, Valle San Carlos, onde conhecemos outro sistema importante de Cuba, chamado Majaqua Canteras e acampamos no Saln de los Gigantes, que um salo muito volumoso, com uma entrada enorme, e ao lado dela desgua um dos rios da caverna. O lugar mesmo lindo. Nossa noite na caverna com os amigos cubanos tomando o famoso rum Havana Club ser inesquecvel. No dia seguinte, fomos a uma maravilhosa praia perto da Playa Maria la Gorda, onde nadamos num mar turquesa e transparente. Nos despedimos dos amigos cubanos foto de Allan Calux foto de Leda Zogbi

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subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero4 subterranea Boletim Redespeleo e voltamos para La Havana, que visitamos antes do retorno ao Brasil. A viagem foi muito boa por diversos aspectos, mas o principal, a meu ver, foi o excelente contato que zemos com os novos amigos cubanos. Na verdade, muda o pas, muda a lngua, muda o regime poltico e econmico, mas o amor pelas cavernas o brilho nos olhos e a dedicao a mesma... Deixo registrado aqui o nosso agradecimento, em especial para a Lisset e a todos aqueles que colaboraram conosco durante a viagem. Nossas portas tambm estaro sempre abertas aos espelelogos cubanos. Seria um verdadeiro prazer receb-los aqui. Um bom comeo de ano Por: Paulo Arenas Espeleo Grupo de Braslia O Espeleo Grupo de Braslia comeou bem o ano de 2010: seu corpo de scios entrou de cabea na Expedio Amigos de Terra Ronca, que ocorreu de 03 a 17 de janeiro de 2010. A expedio auxiliou na complementao do conhecimento espeleolgico dos guias e interessados pela espeleologia da regio. Bombeiros da cidade de Posse (GO) vieram especialmente para o evento onde puderam adquirir conhecimentos da vivncia espeleolgica e aproximar sua realidade de resgate a possibilidade de atuao dentro de cavernas. Vale lembrar que Posse ca entre duas regies com enorme potencial espeleolgico. De um lado o PETER (Parque Estadual de Terra Ronca) e do outro o municpio de Mamba, e por isso o incentivo e a capacitao dos bombeiros daquele Batalho estratgico para operaes onde hajam acidentes em cavidades naturais das duas regies. Os scios do EGB colaboraram durante os nais de semana dos dias 09-10 e 16-17, alm do emprstimo de equipamentos para as ocinas. No dia 09/01 o scio Carlos Henrique, conhecido por Iki, proferiu uma palestra sobre o Patrimnio Espeleolgico, abordando as questes jurdicas brasileiras que denem o tema. A formao acadmica de advocacia do colega ajudou a conduzir o assunto com a devida propriedade, mostrando mais uma vez a multidisciplinaridade que a espeleologia alcana. No dia 10 o scio Paulo Arenas, conhecido por Novin, ministrou uma ocina de topograa de cavernas, com auxlio do atual presidente do EGB, Willamy Sabia, que fez apresentao do grupo para os presentes. Foi constatado que praticamente nenhum dos guias locais da regio possua conhecimentos de topograa, o que dicultava inclusive na leitura dos mapas das cavernas da regio. A ocina teve o objetivo de passar os conhecimentos bsicos de topograa, ensinar a maneira correta de manipulao e leitura dos equipamentos, bem como a organizao e funcionamento das equipes de topograa. tarde, foi realizada uma atividade prtica prxima entrada da caverna de Terra Ronca, a mais visitada da regio. No nal de semana do dia 16 e 17/01, os scios do EGB compareceram s atividades nais da expedio, onde j foi possvel constatar a evoluo dos participantes na temtica espeleolgica. A regio ainda carece de muito apoio e ajuda por parte dos espelelogos e do governo. Instruo adequada, treinamento, aquisio de equipamentos, nalizao do processo de indenizao fundiria e infraestrutura para o parque so as maiores demandas atualmente. O mais importante, a paixo pela espeleologia, esta j uma semente que germina no solo do PETER.Monograa sobre cavernas defendida no Maranho A gegrafa Bianca Fernandes, 25 anos, defendeu no ltimo ms de fevereiro sua monograa de concluso de curso na Universidade Estadual do Maranho, intitulada Levantamento e Anlise Espeleolgica dos municpios de So Domingos do Maranho, Tuntum e Colinas. Bianca teve diculdade em conseguir um orientador, j que o Maranho no possui tradio no estudo de cavernas, mas o trabalho foi realizado graas orientao do Prof. Cludio Castro, gegrafo paulista, com experincia no estudo das trilhas tursticas do Petar, e com a ajuda do arquelogo do Centro de Pesquisa de Histria Natural e Arqueologia do Maranho, Deusddit Leite Filho, que j desenvolvia trabalhos na rea. A pesquisa revelou a existncia de pinturas rupestres, dentre elas algumas pinturas de lagartos e de guras antropomrcas, destaca Bianca. No trabalho, foram localizadas e descritas cinco cavernas e dois abrigos sob rocha. Ressalta-se a importncia desta divulgao para a sensibilizao das comunidades locais no que tange educao ambiental, pois estas, agindo como Caverna Traqueira, foto Leite Filho. Foto de Paulo Arenas

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subterranea Boletim Redespeleo subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero5de muitos ossos fsseis esparsos em diversos trechos da caverna: o primeiro de um pequeno veado incrustado na calcita, muito bem conservado, e outro de um grande tigre Dente de Sabre, com as patas bem conservadas e toda a marca de seu imponente porte sedimentada no solo da caverna. A identicao foi feita pela equipe biolgica atravs de fotograas. Em dois dias e meio de trabalho, a equipe mapeou aproximadamente 1.500 m e terminou praticamente toda a caverna. Tambm participou da investida o espelelogo Admir Brunelli (Malone), que mora na regio, e que alojou gentilmente toda a equipe em sua linda casa. Nossos agradecimentos a todos os que colaboraram nas diversas etapas da viagem: so as pessoas que fazem da espeleologia uma atividade cheia de prazeres, companheirismo e surpresas. Mais um grupo atuante na espeleologia brasileiraPor Leda Zogbi Meandros Espeleo Clube Aproximadamente um ano e meio aps o lanamento de uma lista virtual idealizada com o objetivo de convo car e organizar viagens espeleolgicas (vide Conexo Subterrnea, n. 67, agosto 2008), em dezembro de 2009 o Meandros Espeleo Clube optou por transformar-se em um grupo de espeleologia. Desde a criao da lista at a elevao categoria de grupo, foram organizadas 14 sadas de campo, e mapeadas 26 cavernas nos estados de So Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Bahia. Participaram dos trabalhos 23 espelelogos da lista de discusses e 11 convidados. Excelente resultado, considerando que se tratava apenas de uma lista virtual. A deciso desta mudana baseia-se em diversos aspectos, mas o principal deles que sentimos a necessidade de fortalecer a representatividade do Meandos, para requerer autorizaes e rmar parcerias, alm de estabelecer um sentimento de maior coeso e espritode grupo. O modo de funcionamento escolhido para o Meandros um pouco diferente dos grupos convencionais. Como o grupo composto por espelelogos de diversas cidades e estados diferentes, no so realizadas reunies presenciais. Tudo resolvido pela lista de discusses. Outro diferencial importante, que o valor da anuidade revertido integralmente para o scio, em gastos na primeira viagem com o grupo. Esta ao visa valorizar as pessoas que vo a campo. Logo de incio, 16 espelelogos de trs estados (SP, PR e MG) se associaram ao novo grupo. Neste ano de 2010 j foi realizada uma primeira expedio para a Bahia, onde foram mapeadas trs cavernas, uma ex pedio ao Morro da Pedreira, Minas Gerais, onde foram mapeadas trs cavernas, e uma expedio internacional para Cuba (ver artigo nesta edio). Maiores informaes sobre o grupo, consultar ledazog@terra.com.br. co-responsveis pela manuteno da estabilidade do ambiente crstico, auxiliaro na preservao destes bens que so as cavernas. Fonte: Jornal Pequeno, artigo de Paulo Melo Sousa, So Lus, 12/03/2010. Novas cavernas so mapeadas na BahiaPor Leda Zogbi e Daniel Menin Meandros Espeleo Grupo Na passagem de ano 2009-2010, foi realizada uma expedio do Meandros Espeleo Clube para a Bahia, com a participao inicial de Allan Silas Calux e Leda Zogbi. O objetivo inicial da viagem foi o municpio de Santa Luzia, prximo a Canavieiras, sul da Bahia. L, foi realizado o mapeamento da caverna Lapo, com o apoio da espe leloga Sibele Sanchez e do bilogo Leopoldo Bernardi, que participavam de uma expedio de coleta biolgica na equipe do bilogo Rodrigo Lopes Ferreira (Drops). A caverna extremamente interessante, formada em conglomerado calcrio, com tetos muito altos de at 30 m de altura. Aps um grande conduto inicial, h um trecho de escalada relativamente ngreme, e que d acesso a outro grande salo lateral, repleto de blocos desmoronados de grandes dimenses. De l possvel atingir outra sada superior da caverna. Em um dia de trabalho, a equipe mapeou mais de 500 m, mas infelizmente o tempo disponvel no foi suciente para terminar a topograa que dever ser retomada numa prxima oportunidade. Em uma passagem rpida por Igatu, onde a equipe uniu-se aos espelelogos Renata de Andrade, Daniel e Eduardo Menin, foi mapeada uma caverna em quartzito de pequenas dimenses (Parede Vermelha, 350 m), em um cansativo dia de muito teto baixo. Todos se dirigiram, ento, para Iraquara, para um merecido dia de descanso. Em uma das cavernas tursticas visitadas, surgiu a informao de que havia l perto uma nova cav erna, a nunca antes visitada por espelelogos, e, conse qentemente, no mapeada. O apelo foi irresistvel, ape sar de Iraquara no ser, a princpio, alvo desta expedio. O acesso caverna feito por uma pequena entrada, que ca a uns 50 m da estrada. A entrada estreita, e pessoas mais avantajadas simplesmente no passam. Esgueirando-se pela fresta, desescala-se alguns metros e atinge-se uma sala onde um pequeno buraco d acesso ao teto de um salo. O cho ca uns 6 m para baixo, e a descida deve ser realizada por corda ou escadinha. A caverna, denominada Gruta do Rosalvo, na verdade um grande salo seco muito ornamentado. A quantidade, diversidade e beleza dos espeleotemas so notveis. Foram encontrados dois fsseis articulados, alm foto Daniel Menin

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subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero6 subterranea Boletim Redespeleo Cecav prepara inventrio nacional das cavernasPor Jos Roberto Lima ICMBio O Brasil pouco conhece de suas cavernas. Estima-se que em todo o territrio brasileiro existam pelo menos 100 mil cavidades subterrneas. Desse total, apenas 7.612 so conhecidas at agora. Elas vo integrar o Inventrio Nacional das Cavidades Subterrneas Naturais do Brasil, que est sendo preparado pelo Centro Nacio nal de Pesquisa e Conservao de Cavernas (Cecav), do Instituto Chico Mendes de Conservao da Biodiversidade (ICMBio). O inventrio dever ser publicado em 2010 e, a partir de ento, ser atualizado periodicamente. Nossa base de dados tem diversos outros cadastros como o da Sociedade Brasileira de Espeleologia, o da Redespeleo Brasil (Codex) e mais os dados que nos chegam atravs dos processos de levantamento e do prprio Cecav, diz o chefe do centro, Jocy Brando Cruz, ao informar que, com a validao da base j existente, as atenes se concentraro nas novas descobertas. Cenrios de grande impacto visual, as cavernas atraem a curiosidade humana pela sua aura de mistrio e aventura. O seu estudo pode revelar muito da evoluo e capacidade de adaptao da vida animal em situaes extremas. Por isso, o pessoal do Cecav tem se dedicado especialmente na execuo de projetos que levem proteo de determinadas regies, onde a incidncia de cavidades naturais subterrneas e as for maes geolgicas locais indicam um rico patrimnio natural que precisa ser muito estudado e resguardado. o caso da estrutura vericada em Laje dos Negros, comunidade do municpio de Campo Formoso, na Bahia. L est localizada a Toca da Boa Vista, maior caverna do Hemisfrio Sul, com 107 km. A poucos quilmetros ca a Toca da Barriguda, outra caverna, com 33 km de extenso. Estas duas cavidades naturais, somadas a outras desco bertas na regio, levaram pesquisadores do Cecav e de outros centros de pesquisa do Instituto, como o de aves silvestres (Cemave), a propor a criao de uma Unidade de Conservao para a rea: o Parque Nacional do Boqueiro da Ona. Na regio do municpio de So Desidrio, tambm na Bahia, encontra-se o maior lago subterrneo da Amrica do Sul, o Lago do Cemitrio, na cavidade do Buraco do Inferno, com 12.860 m2 de rea. A regio, banhada pelo Rio Joo Rodrigues, que corre em boa parte de seu curso por dentro da terra, formada por, pelo menos, 10 cavernas das mais relevantes do Brasil. L esto a Garganta do Bacupari que ostenta o Salo Coliseu, com 24.330 m2 de rea, equivalente a mais de dois campos de futebol. Segundo o pessoal do Cecav, a luz das lanternas no alcana o outro lado do salo. Essa rea, de acordo com o chefe do Cecav, precisa ser preservada. Hoje, o permetro dessas cavernas sofre intensa presso dos maiores produtores de milho da Bahia, no entorno do municpio de Luiz Eduardo Magalhes. A regio de remanescentes de cerrado e os fazendeiros exploram a agricultura mecanizada, formada por grandes pivs para irrigao, com intensa atividade subterrnea. O carste uma forma de armazenamento e disperso da gua no solo subterrneo. Qualquer ao sobre a rea signica o seu comprometimento. Outra proposta que o Cecav prepara para o ano que vem ser a preservao de uma rea no municpio de Pains, em Minas Gerais. O municpio, a 260 km de Belo Horizonte, prximo a Formiga, um grande polo de explorao do calcrio, juntamente com Arcos e Dorespolis. Acontece que, nesta rea, esto cadastradas mais de 800 cavernas. Uma coisa puxa a outra. muito calcrio, consequentemente existe muita explorao. Outro ponto focal do nosso plano de ao para 2010 ser a Bacia do So Francisco, hoje um ponto de ameaa serssimo no Brasil, arma Jocy Cruz. Segundo ele, o Plano de Ao da Bacia do So Francisco prev a conservao do patrimnio espeleolgico e lista uma srie de aes para conservao focadas principalmente nas reas crsticas da Bacia do rio So Francisco. Essas reas foram classicadas para efeito de estudos e implementao de aes, a partir de seus patrimnios. Na regio da Bacia do So Francisco esto cadastradas 2.301 cavernas ou 38% do total nacional atualmente conhecido. A Serra do Ramalho, na Bahia, outra rea que hoje tem recebido muita ateno da espeleologia brasileira. Alm das vrias cavidades identicadas na regio, a caracterstica mais marcante delas so as espcies troglbias (adaptadas vida em condies especiais), como os bagres, que no tm pigmentao nem olhos. Muitos invertebrados tambm sofrem adaptaes vida na caverna. Essas espcies podem fornecer para a cincia informaes preciosas sobre o processo de adaptao a ambientais incomuns, observa Jocy Cruz. O Cecav dever auxiliar o Parque Nacional do Amazonas na preparao de seu Plano de Manejo, que est em fase de concluso. Uma equipe do Centro foi solicitada pelo chefe do parque para fazer um levantamento das cavidades naturais da regio. Segundo o chefe do Cecav, h uma estratgia de atuar em outros Planos de Manejo, como o caso do Parque Nacional Furna Feia, no Rio Grande do Norte, que est sendo proposto pelo prprio Centro. Outro exemplo o Domo do Araguainha, cratera de 40 km de dimetro localizada no Mato Grosso, formada pela queda de um corpo celeste h milhes de anos. Fonte: Ascom/ICMBio, http://www.icmbio.gov.br/, 11/12/2009. Projeto JurubatubaPor Lucimara Maria Mendes de Lima Servio de Comunicaes Instituto Geolgico (IG-SMA) Est disponvel para download a verso pdf do livro *Pro jeto Jurubatuba: Restrio e Controle de uso da gua Subterrnea*, no site do Instituto Geolgico http:// www.igeologico.sp.gov. br/ps_down_outros.asp. a primeira produo da srie da Srie Cadernos do Projeto Estratgico Aqferos, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de So Paulo (SMA), e visa a difuso de informaes bsicas so bre guas subterrneas. Esta publicao foi realizada pela Empresa Servmar Tcnicos Ambientais Ltda, contratada pelo Departamento de guas e energia Eltrica DAEE sob nanciamento FEHIDRO, e apresenta a situao de contaminao em regio industrializada do entorno do canal do Jurubatuba, na zona sul do Municpio de So Paulo.

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subterranea Boletim Redespeleo subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero7 Esta rea apresenta-se contaminada por compostos organoclorados que atingiram poos de produo de gua subterrnea. O trabalho surgiu da necessidade de denio de um mtodo que delimitasse reas de restrio e controle da explorao das guas subterrneas visando a reduo do risco de contaminao de poos, a proteo da sade pblica e minimizao do espalhamento de contaminantes nos aqferos. Incurso s Grutas D de Manoel Lopes e Sopradeira, em So DesidrioPor Nelcio Faria de Sales Ncleo de Atividades Espeleolgicas Entre os dias 29 de dezembro de 2009 e 07 de janeiro de 2010, integrantes do Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas (GBPE) e do Ncleo de Atividades Espeleolgicas (NAE) zeram uma incurso no municpio de So Desidrio, oeste da Bahia, com o objetivo de avaliar o potencial espeleolgico do entorno ao sul desta cidade. Os levantamentos de potenciais foram feitos pelo espelelogo Michael Kauner (Mike, Sua), juntamente com os espelelogos Jussykledson da Silva (Jussy) e Michele, residentes naquela localidade. Foram localizadas cerca de 30 novas cavidades na regio. Posteriormente, juntaram-se equipe os espelelogos Adelino Parizi, Nelcio Faria, Rodrigo Tinoco e Elisaura. A caverna escolhida para topograa, dentre todas as novas cavernas descobertas, foi a Gruta D de Manoel Lopes, localizada na fazenda de Manoel Lopes. A caverna possui um conduto que se desenvolve para o norte e que sifona; um conduto a oeste, formado a partir de drenagens temporrias, que se fecha em um desabamento e um conduto a leste, cuja explorao no foi nalizada, e que d acesso a outras duas entradas verticais da caverna. Perto destas entradas verticais, durante a explorao houve problemas devido ao acmulo de CO2. O ar cou extremamente carregado e as lanternas de mo iluminavam apenas 2 metros frente. Na cavidade foi vericada a presena de amblipgios, um escorpio e tambm de bagres em toda a extenso do rio subterrneo. Foi possvel vericar com clareza alteraes no nvel do rio, dependendo da poca do na. A caverna apresenta quatro difer entes nveis que foram devidamente registrados na topograa, que atingiu 1.250 m aps esta investida. Realizou-se, tambm, uma incurso gruta da Sopradeira, cavidade bastante expressiva devido ao tamanho dos seus sales e dos seus desnveis. A equipe tentou encontrar uma passagem para transpor o sifo do rio pela parte superior de um escorrimento. Foram batidas algumas protees, mas Jussy vericou que o conduto estava completamente obstrudo na parte superior. Na parte inferior, foi forada uma passagem que permitiu avanar um pouco mais pelo leito do rio, mas infelizmente sifonou a apenas 4 metros da passagem anterior. Jussy far posteriormente uma nova tentativa de encontrar alguma passagem naquela rea, pois o rio continua e a altura aps o espeleotema que obstrui este ponto deve ser representativa, j que o teto possui de 6 a 7 metros de altura. A equipe saiu tarde da caverna (23h), mas conseguiu encontrar facilmente o caminho graas experincia de Jussy, grande conhecedor da regio. Vale lembrar que Adelino que, neste dia, havia cado na penso, preocupado com o passar das horas veio resgatar a equipe, e encontrou a todos no meio do caminho.Primeiro encontro internacional feminino de Espeleologia na FranaPor: Gabriela Slavec SplO Fminin o primeiro encontro de espeleologia organizado somente para mulheres, em parceria com o departamento de Ensino da Unio Internacional de espeleologia, entidades e empresas privadas. A idia nasceu da descoberta de que em diferentes lugares da Frana e em outros pases, as mulheres organizam eventos para a prtica conjunta da espeleologia. A concluso de que um encontro internacional de mulheres espelelogas pode contribuir muito nas relaes humanas e no intercmbio de vivncias e prticas. O evento aconteceu entre os dias 3 a 5 de abril de 2010, durante o feriado da Pscoa, em Ardche, na Frana, prximo da Reserva Natural de Ardche Gorges, mundialmente conhecida pelas suas cavernas e stios pr-histricos. Como o evento foi realizado em territrio francs, o encontro SplO Fminin ser inscrito no concurso nacional Femmes et Sports (Mulheres e Esportes) de 2010, organizado pelo Ministrio da Sade, Desporto e Coeso Social, e do Comit Nacional Olmpico Francs (CNOSF). Fonte, mais informaes: http://speleo.e-monsite.com/03/03/2010 foto acervo Nelcio F. Sales.

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subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero8 subterranea Boletim Redespeleo 2 Simpsio Sul-Brasileiro de Espeleologia ser realizado em Ponta Grossa.O Grupo Universitrio de Pesquisas Espeleolgicas GUPE convida todos para o 2 Simpsio Sul-Brasileiro de Espeleologia (SSBE), de 22 a 25 de julho de 2010, no Campus Uvaranas da Univer sidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paran, ocasio em que o grupo vai comemorar seus 25 anos de fundao. A primeira edio do evento foi organizada pelo Grupo de Estudos Espele olgicos do Paran GEEP-Aungui, h 20 anos, na cidade de Curitiba PR e esta segunda edio servir para consolidar a parceria entre os dois Grupos paranaenses, o GUPE e o GEEP-Aungui. O evento tem como objetivo a integrao dos Grupos e espelelogos do sul do Brasil, incentivando os trabalhos de pesquisa, explorao e conservao das cavidades subterrneas.Sob o tema A Espeleologia no Sul do Brasil, o Simpsio oferecer um espao tcnico-cientco especco para troca de experincias de espelelogos da regio Sul do Brasil, ao mesmo tempo, o convite estende-se a demais pesquisadores sul-americanos. O evento contar com vrias atividades como: palestras, mesas-redondas, minicursos, sadas tcnicas, atividades culturais e ocinas. As vagas nas ocinas e mini-cursos so limitadas, bem como as vagas gratuitas no alojamento da UEPG, ento no deixe para a ltima hora. Inscreva-se j! Mais informaes e a cha de inscrio em: www.sbe.com.br/2ssbe.asp Cavernas poludas ameaam abastecimento de gua e vida selvagemUma amostragem de rotina no rio Bluestone, que corre pela fronteira entre os estados da Virgnia e Virgnia Ocidental, nos Estados Unidos, apresentou algo perturbador: as carpas do rio estavam poludas por compostos industriais chamados bifenil policlorados, ou PCBs. Procurando desvendar o mistrio, tcnicos seguiram rio acima at a entrada de uma caverna na rea rural da Virgnia Ocidental. A gua subter rnea dentro da caverna Beacon apresentava concentraes de PCB extremamente altas. O provvel suspeito se encontra bem acima da caverna uma usina eltrica h muito tempo abandonada. A poluio da caverna Beacon um exemplo claro do crescente problema da contaminao da superfcie que tem poludo cavernas por todo o pas, incluindo algumas localizadas em parques nacionais e orestas. Quando as cavernas so ameaadas, o perigo em geral vem de atividades da superfcie, observa David Culver, espe cialista em cavernas e bilogo da American University, em Washington, D.C. O problema chama ateno, pois quase um tero do suprimento de gua potvel nos Estados Unidos formado por riachos e fontes que se originam em cavernas ou passam por elas. As formaes crsticas so extensas, perfazendo quase um quarto dos Estados Unidos continentais. Alm da ameaa gua potvel, cavernas poludas tambm colocam em risco algumas das mais raras formas de vida selvagem da Terra. As 50 mil cavernas que, estimase, existam nos Estados Unidos, abrigam cerca de 1.100 espcies de animais, plantas e insetos, e quase todos no sobreviveriam fora do ambiente das cavernas, arma Culver. Muitas espcies das cavernas esto includas na lista de espcies em extino do pas, principalmente devido qualidade insalubre da gua. A poluio generalizada das cavernas levou alguns espe cialistas a questionarem se a poluio no teve inuncia na sndrome do nariz branco uma doena misteriosa que dizimou mais de um milho de morcegos no nor deste dos Estados Unidos. Contaminantes provenientes da superfcie poderiam estar exacerbando o problema ao enfraquecer o sistema imunolgico dos animais, comenta Anne Secord, especialista em contaminantes ambientais da Agncia Federal de Vida Selvagem em Cortland, Nova York. Uma fonte comum de poluio das cavernas so os resduos humanos. A mundialmente famosa Mammoth Cave, visitada por quase meio milho de pessoas por ano, foi contaminada por esgoto de um hotel prximo. Entretanto, a mesma absoro rpida que torna os aquferos crsticos to suscetveis poluio tambm pode ajudar a restaur-los. Uma vez que a fonte tenha sido identicada e a poluio contida, as cavernas e a vida dentro delas se recuperar, observa Elliott, bilogo de cavernas do Departamento de Conservao de Missouri. Esse o desfecho que desejam aque les que trabalham na recuperao da caverna Beacon, de seus riachos subterrneos e dos canais que eles alimentam. Mas o problema, entretanto, permanece. Testes efetuados em julho na bacia do rio Bluestone pela Agncia de Proteo Ambiental dos Estados Unidos (EPA) revelaram que as concentraes de PCB esto caindo, mas ainda excedem os padres estaduais para a gua. Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/cavernas_poluidas_ ameacam_abastecimento_de_agua_e_vida_selvagem.html por Scott Streater, 08/01/2010. O governo espanhol confere status acadmico espeleologia. O Conselho de Ministros espanhol aprovou em 29 de Janeiro ltimo, um decreto que institui o ttulo de Tcnico Desportivo de Espeleologia, estabelecendo as exigncias mnimas de curriculum do curso e regulamentando as respectivas condies de acesso para conceder status acadmico para esses ensinamentos. Isto abre a possibilidade de reconhecimento ocial para efeitos de validao de equivalncia, prossional ou de certicao de todos os tcnicos formados

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subterranea Boletim Redespeleo subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero9ato presente momento, ou seja, um universo de 650 tc nicos treinados pela federao espanhola de espeleologia. Estes estudos reconhecidos pelo Conselho Superior de Desportes, sero oferecidos para todos aqueles que dese jam desenvolver um perl prossional ligado iniciao e espeleologia tecnica esportiva. Fonte: www.speleo.blogspot.com Profundezas. 19/02/2010.Unio de projetos entre caverna Paoca e Corrego Fundo d maior abrangncia a trabalhos no PETARPor: Daniel Menin, Meandros Espeleo Clube e Grupo Bambui. No nal de semana dos dias 27 e 28 de maro uma equipe de espelelogos do (GBPE) Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas realizou uma viagem Regio da Caverna Paoca, no Vale do Ribeira em So Paulo. O objetivo da viagem foi dar continuidade a dois impor tantes projetos que vinham sendo realizados na regio: o Projeto Paoca e arredores, coordenado por Daniel Menin e Renata Andrade (iniciado quando ambos per tenciam ao GPME, Grupo Pierre Martin de Espeleolo gia) e os trabalhos de mapeamento no Sistema Crrego Fundo, realizados pelo Grupo Bambu para a publicao do livro As Grandes Cavernas do Brasil (2001, Auler. A, Rbbioli.E, Brandi,R). Estas duas frentes so bastante complementares, visto que a Gruta Crrego Fundo e a Caverna da Paoca representam pontos de recarga de um mesmo aqufero crstico, com drenagem no Bairro da Serra, e pertencem portanto, ao mesmo sistema hdrico. Vale lembrar que, entre outros resultados, o Projeto Paoca gerou o re-mapeamento detalhado desta caverna com a incluso de novas continuidades e galerias; o mapeamento da Gruta de Pscoa com a descoberta de uma nova sada da caverna e a descoberta da Caverna do Agenor, importante gruta da regio, com quase 3 km de desenvolvimento. Na ocasio desta ltima viagem, foi remapeado o Abismo da Marreca, utilizando o mesmo padro de detalhamento dos mapas que foram produzidos pelo projeto e tambm foi iniciada a escalada da cachoeira situada na caverna Paoca, que era uma pendncia do projeto, at ento. Foi um nal de semana de muita chuva, mas felizmente isso no impediu que os objetivos da viagem fossem atingidos. A compilao de todos os dados do Projeto Paoca e arredores, com os mapas atualizados e a adio de novos dados histricos sobre a regio est pronta e j foi encaminhada s entidades competentes. Em breve publicaremos outros resultados e relatrios com as histrias das conquistas, diculdades e aventuras subter rneas. Esta unio dos dois projetos traz um novo flego para os trabalhos a serem realizados na regio e promete outras descobertas e belos mapas nos anos que viro. Agrade cemos ao Parque Estadual do Alto do Ribeira (PETAR), ao CECAV e a todos aqueles que acreditam e participam de forma positiva destes trabalhos espeleolgicos. Para participar das sadas, entre em contato com os coordenadores do projeto. Reeditado livro de Mapeamento de Cavernas da Redespeleo. O livro est disponvel na loja da Rede (www.redespeleo.org.br) ou email para a secretaria redespeleo@redespeleo.org Ciclo de Palestras sobre as Cavernas de Laranjeiras, Sergipe. Por Elias Silva Coordenador do Ncleo de Aes Sociambientais Centro da Terra Grupo Espeleolgico de Sergipe. As cavernas de Laranjeiras foram tema de debate durante os dias 09, 10 e 11 de abril. O evento, promovido pelo Ncleo de Aes Socioambientais do Centro da Terra Grupo Espeleolgico de Sergipe, em parceria com a Secre taria de Cultura de Laranjeiras, trouxe ao pblico os resultados de pesquisas cientcas associados ao conhecimento popular atravs de palestras, ocinas, exposies e atividades de campo. Foram apresentados as histrias, lendas e mistrios, alm de fatos cientcos, resultados de pesquisas sobre as cavernas de Laranjeiras e ambientes asso ciados. O evento ocorreu na UFS/Campus de Laranjeiras, e trouxe como tema Cavernas do Popular ao Cientco, objetivando estabelecer um contato mais estreito entre o conhecimento popular das comunidades locais e o conhecimento cientco da comunidade acadmica. A Redespeleo Brasil lanou recente mente a segunda edio do livro Mapeamento de Cavernas Guia Prtico, de Ezio Rubbioli e Vitor Moura. A primeira edio, de 500 exemplares j tinha se esgotado h algum tempo, e a reimpresso de mais 500 exemplares foi necessria para suprir a demanda crescente pelo ttulo. foto Renata Andrade

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subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero10 subterranea Boletim Redespeleo Criao de Unidade de Conservao em cavernas do Distrito Federal.Por: Paulo Arenas EGB Ocorreu neste ltimo dia 26 de maro uma audincia pblica para a criao de uma unidade de conservao denominada Monumento Natural do Conjunto Espele olgico do Morro da Pedreira, que engloba um complexo de cavernas importantssimas para a regio do Distrito Federal (DF). Compreendendo 13 cavernas, o complexo do Morro da Pedreira, ou Morro do Urubu, na regio da Fercal, zona rural de Sobradinho (cidade satlite de Braslia), de suma importncia para a formao tcnica e esportiva dos espelelogos do DF. No morro da pedreira encontram-se as duas cavernas com maior desnvel atualmente no DF: o abismo Fodica com 49 m, e o abismo Cacafu ou Mondrugo, com aproximadamente 40 m. Pela sua formao predominantemente vertical e de acesso relativamente fcil, a rea a mais importante, e talvez a nica dentro do DF, onde os espelelogos podem praticar as tcnicas verticais de explorao em cavernas em um ambiente que apresente as caractersticas desejveis para esse tipo de formao. O abismo do Fodica extremamente tcnico, apresentando grandes lances com possibilidades de aplicao de tcnicas de passagem de fracionamentos, desvios e ns, passagens verticais connadas alm de inmeras opes para treinos de montagem de ancoragens. No abismo tambm so realizados treinos de espeleoresgate, o que propicia uma evoluo constante das tcnicas verticais. Em uma regio prxima encontra-se uma empresa de minerao que, aps a promulgao do inconstitucional Decreto 6.640 de 2008, comeou a realizar levantamentos na regio para uma possvel expanso de sua rea de lavra. Por esses motivos a criao da Unidade de Conservao (UC) de suma importncia para preservao dessa Meca para a espeleologia no DF. O histrico da regio refora ainda mais essa necessidade. Na dcada de 90 o Abismo 1, maior abismo do DF na poca, foi implodido para ns de minerao, no trazendo qualquer benefcio para a populao local. O Abismo 1, mapeado pelo EGB, era semelhante ao abismo Fodica, extremamente tcnico e refer ncia para treinamento e capacitao dos espelelogos. A comunidade espeleolgica, representada pelo EGB, esteve presente no ato, juntamente com moradores locais, acadmicos, produtores rurais e escaladores, que tambm usam a rea para prtica da escalada. De modo geral, e como era de se esperar, a proposta foi bem re cebida, uma vez que a criao do Monumento Natural elevaria o grau de importncia das cavernas perante uma possvel ameaa de supresso. Obviamente alguns moradores caram preocupados com os possveis processos de desapropriao, mas os mesmos foram informados de que isto no obrigatrio, uma vez que a categoria dessa UC permitir o uso concomitante da terra como propriedade particular e como UC. Alm disso, a rea estabelecida pequena, englobando apenas o aoramento calcrio, local que no naturalmente usado para produo agrcola. Os espelelogos e escaladores presentes manifestaram suas preocupaes de que, aps a criao do Monumento Natural do Morro da Pedreira, os mesmo sejam proibidos de usar o local para capacitao e treinamento. Eles deveriam ser distinguidos de meros turistas ou grupos comerciais, uma vez que necessitam do local para o de senvolvimento de suas atividades. Gustavo Souto Maior, atual presidente do IBRAM (Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hdricos do Distrito Federal), rgo re sponsvel pela proposta de criao da UC, garantiu que devido notvel importncia da rea para estas nalidades, esses usos sero salvaguardados durante todo o processo de criao e regulao do Monumento Natural. O rgo ambiental do DF est de parabns pela sua iniciativa correta de proteger esse tipo de ambiente, conciliando os usos locais. Somente com a criao de Unidades de Conservao em reas crsticas que realizem corretamente os estudos prvios necessrios, que levem em conta os atuais usos e usurios para normatizar os regramentos futuros, que no causem conitos nas comunidades, e que contemplem a implementao futura de infraestrutura adequada, se conseguir atingir a plena sustentabilidade. Para baixar a apresentao da Audincia Pblica acesse: http://www.ibram.df.gov.br/ Foto acervo EGB Foto acervo EGB Foto acervo EGB

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subterranea Boletim Redespeleo subterranea Boletim Redespeleo 77ISSN 1981-1594 15/04/2010nmero11 Expediente Comisso Editorial: Daniel Menin, Leda Zogbi, Ricardo Coelho e Yuri Stvale. Logotipo e Diagramao: Danilo Leite DFUSE DESIGN, danilo@dfusedesign.com.br Fotograa da Capa: Abismo da Paoca, Iporanga, SP. Foto de Daniel Menin. Artigos assinados so de responsabilidade dos autores. Artigos no assinados so de responsabilidade da comisso editorial. A reproduo de artigos aqui contidos depende da autorizao dos autores e deve ser comunicada REDESPELEO BRASIL pelo email: conexao@redespeleo.org. O Conexo Subterrnea pode ser repassado, desde que de forma integral para outros e-mails ou listas de discusses.Espao Cartoon Novo Conselho Gestor na RedespeleoNa ltima assemblia da Redespeleo, realizada em 02 de novembro de 2009, em So Carlos (SP), ocorreu nova eleio do Conselho Gestor, que cou com a seguinte composio: 1 Conselheiro GEEP-Aungui 2 Conselheiro EGRIC 3 Conselheiro Bambu 4 Conselheiro EGB A Secretaria cou a cargo de Yuri Stvale, do grupo Bambui que assumiu as funo em Janeiro e j est em plena atividade. Este grupo tem como incumbncia a manuteno e dinamizao da Rede em seu caminho atravs da sua gesto burocrtica, para assim permitir que nossa instituio continue realizando sua misso principal que congregar pessoas e instituies interessadas na convivncia em rede e contribuir para a descoberta, estudo, documentao e conservao patrimnio espeleolgico nacional, atravs do intercmbio de informaes e da utilizao de todas as cincias, atividades e tcnicas correlatas. A misso deste Conselho no simples nem fcil, assim como no foram as dos Conselhos anteriores, mas contamos desde j com o apoio e participao de todos para o pleno atendimento da misso e o permanente crescimento da Rede como instituio. Boa sorte a todos. Conselho Gestor Associe-se Entre voc tambm no mundo das cavernas! Para se tornar um scio colaborador da Redespeleo Brasil basta acessar o site: www.redespeleo.org.br, preencher o formulrio on line e contribuir com a anuidade. Voc ter ento acesso lista de discusses da Redespeleo Brasil na internet e descontos em todos os eventos organizados pela rede.


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Nesta edio voc
saber mais sobre os seguintes assuntos: Cuba, cavernas e
espelelogos Monografia sobre cavernas defendida no
Maranho Um bom comeo de ano Novas cavernas so mapeadas
na Bahia Cecav prepara inventrio nacional das cavernas -
Projeto Jurubatuba Mais um grupo atuante na espeleologia
brasileira Incurso s Grutas D de Manoel Lopes e
Sopradeira, em So Desidrio Primeiro encontro internacional
feminino de Espeleologia na Frana O governo espanhol confere
status acadmico espeleologia Cavernas poludas ameaam
abastecimento de gua e vida selvagem 2 Simpsio
Sul-Brasileiro de Espeleologia ser realizado em Ponta Grossa -
Unio de projetos entre caverna Paoca e Corrego Fundo d maior
abrangncia a trabalhos no PETAR Reeditado livro de
Mapeamento de Cavernas da Redespeleo Ciclo de Palestras sobre
as Cavernas de Laranjeiras, Sergipe Criao de Unidade de
Conservao em cavernas do Distrito Federal Novo Conselho
Gestor na Redespeleo


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