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Espeleo-TEMA

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Title:
Espeleo-TEMA
Series Title:
SBE Espeleo-TEMA
Creator:
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publisher:
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Subjects / Keywords:
Regional Speleology ( local )
Genre:
serial ( sobekcm )
Location:
Brazil

Notes

General Note:
ARTIGOS ORIGINAIS Espeleobiologia:Aspectos ecológicos de uma caverna granítica no sul de Minas Gerais Ecological aspects of a granite cave in southern Minas GeraisLeopoldo Ferreira de Oliveira Bernardi, Thaís Giovannini Pellegrini, Erika Linzi Silva Taylor Rodrigo Lopes Ferreira Estudos ambientais em cavernas: os problemas da coleta, da identificação, da inclusão e dos índices Environmental studies in caves: the problems of sampling, identification, inclusion, and indicesEleonora Trajano, Maria Elina Bichuette Marco Antônio Batalha Ictiofauna epígea e hipógea da área cárstica de Pindorama do Tocantins - TO Epigean and hypogean ichthyofauna from Pindorama do Tocantins karst area, Tocantins stateMilton José de Paula, Alberto Akama Fernando de Morais DADOS DO VOLUME 22Sumário de títulos/Índice de assuntos/Índice de autores/Quadro de avaliadores/Gestão editorial Summary of titles/Index of subjects/Index of authors/Board of review/Editorial Managements
Restriction:
Open Access - Permission by Publisher
Original Version:
Vol. 23, no. 1 (2012)
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Source Institution:
University of South Florida Library
Holding Location:
University of South Florida
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All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
K26-01349 ( USFLDC DOI )
k26.1349 ( USFLDC Handle )
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ARTIGOS ORIGINAIS
Espeleobiologia:Aspectos ecolgicos de uma caverna
grantica no sul de Minas Gerais
Ecological aspects of a granite cave in southern Minas
GeraisLeopoldo Ferreira de Oliveira Bernardi, Thas
Giovannini Pellegrini, Erika Linzi Silva Taylor & Rodrigo
Lopes Ferreira Estudos ambientais em cavernas: os problemas da
coleta, da identificao, da incluso e dos ndices
Environmental studies in caves: the problems of sampling,
identification, inclusion, and indicesEleonora Trajano,
Maria Elina Bichuette & Marco Antnio Batalha Ictiofauna
epgea e hipgea da rea crstica de Pindorama do Tocantins -
TO
Epigean and hypogean ichthyofauna from Pindorama do
Tocantins karst area, Tocantins stateMilton Jos de Paula,
Alberto Akama & Fernando de Morais
DADOS DO VOLUME 22Sumrio de ttulos/ndice de
assuntos/ndice de autores/Quadro de avaliadores/Gesto
editorial
Summary of titles/Index of subjects/Index of authors/Board
of review/Editorial Managements



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SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 2 3 n.1. 201 2

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SBE Campinas, SP | Espeleo Te ma v. 2 3 n.1. 201 2 1 EXPEDIENTE Sociedade Brasileira de Espeleologia ( Brazilian Speleological Society ) Endereo ( Address ) Caixa Postal 7031 Parque Taquaral CEP: 13076 970 Campinas SP Brasil Contatos ( Contacts ) +55 (19) 3296 5421 espeleo tema@cavernas.org.br Gesto 2011 2013 ( Management Board 2011 2013 ) Diretoria ( D irection ) Presidente: Marcelo Augusto Rasteiro Vice presidente: Ronaldo Lucrcio Sarmento Tesoureir o : Pa vel Carrijo Rodrigues 1 Secr etrio: Roberto Rodrigues 2 Secretrio: Henrique Simo Pontes Conselho Fiscal ( Supervisory B oard ) Linda Gentry El Dash Sibele Fernandes de Oliveira Sanchez Jefferson Esteves Xavier Luciano Emerich Faria suplente ( alternate ) Nilton Jos Duarte sup lente ( alternate )

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SBE Campinas, SP | Espeleo Te ma v. 2 3 n.1. 201 2 2 ESPELEO TEMA Editor as Chefe s ( Chief Editor ) Dra. Maria Elina Bichuette Universidade Federal de So Carlos UFSCAR MSc. Lvia Medeiros Cordeiro Borghezan Universidade de So Paulo USP Editor Assistente ( Assistant Editor ) Esp. M arcelo Augusto Rasteiro Sociedade Brasilei ra de Espeleologia SBE Conselho Editorial (Editorial Board) Dr. William Sallun Filho Instituto Geolgico do Estado de So Paulo IG/SMA SP Dr. Luiz Eduardo Panisset Travassos Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais PUC/Minas Editores Associados ( Associate Editors ) Antropologia MSc. Elvis Pereira Barbosa (UESC) Arqueologia Dr. Walter Fagundes Morales (UESC) Carste em Litologias No Carbonticas Dr Rubens Hardt (UNESP) Climatologia Dr. Emerson Galv ani (USP) Ecologia Dr. Rodrigo Lopes Ferreira (UFLA) Educao Ambiental Dr Luiz Afonso Vaz de Figueiredo (CUFSA) Espao e Territrio Dr. Eduardo Pazera Jnior (GEP) Espeleobiologia Dra. Maria Elina Bichuette (UFSCAR) Espeleogeologia Dr. William Sallun Fil ho (IG/SMA SP) Geodiversidade e Geoconservao Dr. Paulo Csar Boggiani (USP) Geomorfologia Dr. William Sallun Filho (IG/SMA SP) Hidrogeologia Dr. Murilo Andrade Valle (CUFSA) Geoprocessamento e SIGs Dr. Carlos Henrique Grohmann (USP) Histria da Espeleolo gia Dr. Luiz Eduardo Panisset Travassos (PUC MG) Legislao Ambiental Dr. Marcos Paulo de Souza Miranda (MPE MG) Manejo Ambiental Dr Heros Augusto Santos Lobo (U FSCAR ) Mapeamento e Prospeco de Cavernas Fbio Kok Geribello (UPE) Micologia Dr. Eduardo Bag agli (UNESP) Minerao Dr. Hlio Shimada (IG/SMA SP) Patogenias e Vetores Dra. Eunice Bianchi Galatti (FSP/USP) Percepo e Interpretao Ambiental Dr. Jadson Rebelo Porto (UNIFAP) Religio e Religiosidade Dr. Luiz Eduardo Panisset Travassos (PUC MG) Qu adro de Revisores ( Board of Reviewers ) Dr. Abel Perez Gonzalez (UFRJ) Dr. Antonio Liccardo (UEPG) Dr Cludio M. Teixeira Silva (UFOP) Dr. Fernando Morais (UFT) MSc. Gabriela Slavec (UPE) Dr. Gilson Burigo Guimares (UEPG) Dr. Gustavo Armani (IG/SMA SP) Dr. Luis Anelli (USP) Dr. Marconi Souza Silva (UNILAVRAS) Dr. Mrio Srgio de Melo (UEPG) MSc. Maurcio de A. Marinho ( Instituto EcoFuturo ) Dr. Ricardo Fraga Pereira ( Geoklock ) Dr. Valter Gama de Avelar (UNIFAP) Apoio Traduo ( Translation support ) Dr a. Linda Gentry El Dash (UNICAMP)

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SBE Campinas, SP | Espeleo Te ma v. 2 3 n.1. 201 2 3 SUMRIO (CONTENTS) Editorial 4 ARTIGOS ORIGINAIS Espeleobiologia : A spectos ecolgicos de u ma caverna grantica no sul de Minas G erais E cological aspects of a granite cave in southern Minas Gerais Leopold o Ferreira de Oliveira Bernardi, Thas Giovannini Pellegrini Erika Linzi Silva Taylor & Rodrigo Lopes Ferreira 5 E studos ambientais em cavernas: os problemas da coleta, da identificao, da incluso e dos ndices Environmental studies in caves: the problems of samplin g, identification, inclusion, and indices Eleonora Trajano, Maria Elina Bichuette & Marco Antnio Batalha 1 3 I ctiofauna epgea e hipgea da rea crstica de Pindorama do Tocantins TO Epigean and hypogean ichthyofauna from Pindorama do Tocantins karst ar ea, Tocantins state Milton Jos de Paula, Alberto Akama & Fernando de Morais 2 3 DADOS DO VOLUME 22 Sumrio de ttulos / Summary of titles 3 1 ndice de a ssuntos / Index of subjects 3 3 ndice de autores / Index of authors 3 4 Quadro de avaliadores / Boa rd of review 3 5 Gesto editorial / Editorial m anagement 3 6

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SBE Campinas, SP | Espeleo Te ma v. 2 3 n.1. 201 2 4 EDITORIAL Apresentamos aqui o volume 23 do peridico Espeleo Tema o qual assumimos como editoras chefes em outubro 2011. Quando foi nos incumbida esta tarefa pela Sociedade Brasileira de Espe leologia, representada pelo Sr. Marcelo Rasteiro, assumimos que seria uma grande responsabilidade manter o trabalho voluntrio e competente do antigo editor, Dr Heros Lobo, o qual tem nos auxiliado em diversas tarefas. Coincidentemente, os trs artigos ori ginais publicados no presente volume tratam o tema espeleobiologia, nossa especialidade. Os trabalhos publicados focam estudos espeleofaunsticos, apresentando dados inditos para cavernas de Minas Gerais e Tocantins, alm de um artigo apresentando uma dis cusso sobre as dificuldades metodolgicas que permeiam os estudos de fauna subterrnea em geral, propondo uma reflexo ampla, essencial n o atual momento de mudanas na legislao ambiental brasileira, como o Cdigo Florestal Brasileiro e, mais em um conte xto espeleolgico, a reviso da Instruo Normativa relacionada ao Decreto 6640 para fins de licenciamento ambiental. Consideramos que cabe a todos ns a responsabilidade de tornarmos pblico os resultados de nossas pesquisas para que a divulgao alcance os diversos nveis intelectuais e possibilitem aos tomadores de deciso o acesso s informaes robustas para que as discusses sejam aprofundadas. Sendo assim, aproveitamos para agradecer a confiana depositada pela SBE e pelo Dr. Heros Lobo e, igualmente convidamos a todos que tenham resultados relacionados a estudos espeleolgicos a submeterem seus trabalhos ao Espeleo Tema Boa leitura! Maria Elina Bichuette & Lvia M. Cordeiro Borghezan Editor as Chefe s A revista Espeleo Tema uma publicao da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.cavernas.org.br/espeleo tema.asp

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Be rnardi, Pe l legrini, Taylor & Ferreira Aspectos ecolgicos de uma caverna grantica... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 5 ASPECTOS ECOL"GICOS DE UMA CAVERNA GRANTICA NO SUL DE MINAS GERAIS ECOLOGICAL ASPECTS OF A GRANITE CAVE IN SOUTHERN MINAS GERAIS Leopoldo Ferreira d e Oliveira Bernardi ( 1 ) Tha i s Giovannini Pellegrini (1), Erika Linzi Silva Taylor ( 2 ) & Rodrigo Lopes Fer reira ( 3 ) (1) Programa de Ps Graduao em Ecologia Aplicada / Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras MG. Bolsista Capes (2) Programa de Ps Graduao em Microbiologia / Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte MG. Bolsista Fapem ig ( 3 ) Laboratrio de Ecologia Subterrnea, Setor de Zoologia, Departamento de Biologia / UniversidadeFederal de Lavras (UFLA), Lavras MG Contatos: leopoldobernardi@yahoo.com.br ; thais.g.pellegrini@gmail.com ; taylor.els@gmail.com ; drops@ufla.br Resumo Estudos de comunidades associadas cavernas granticas no Brasil s o raros. O objetivo deste trabalho apresentar dados de riqueza de espcies, abundncia das populaes, diversidade e equitabilidade e complexidade de invertebrados de uma caverna grantica denominada Gruta do Pinho Assado, localizada na regio da Serra da Mantiqueira, no municpio de Itamonte, Minas Gerais. Tal cavidade apresentou 52 espcies, pertencentes a 21 ordens e 36 famlias. Os valores encontrados para equitabilidade, diversidade e complexidade ecolgica foram 0.7079, 2.783 e 3.88, respectivamen te. A comunidade de invertebrados constituda principalmente por espcies troglfilas, presentes preferencialmente nas proximidades das entradas. Nestes locais existe uma grande quantidade de recursos orgnicos carreados pela gua e pelo vento. Poucos es tudos fazem referncia biologia de cavidades formadas em rochas magmticas no Brasil. Desta forma, faz se necessrio aprofundar o conhecimento da fauna associada a estas cavernas, subsidiando assim futuras decises acerca da preservao da fauna e destas cavernas Palavras Chave : Granito ; Itamonte ; invertebrados ; bioespeleologia Abstract Studies about communities associated to granitic caves from Brazil are scarce. This work aims to present data about species richness, populational abundance, diversity and equitability of invertebrates from a granitic cave called Gruta do Pinho Assado located in the region of Serra da Mantiqueira municipality of Itamonte, Minas Gerais state. This cave presented 52 species belonging to 21 orders and 36 families. The va lues of equitability, diversity and ecological complexity were 0.7079, 2.783 and 3.88, respectively. The community of invertebrates is constituted mainly by troglophile species, present rather near the entrances, where there is a substantial amount of orga nic material carried by water and wind. Few studies mention the biology of caves formed in magmatic rocks in Brazil. Therefore, it is necessary to improve the knowledge about the fauna associated to these caves subsidizing, this way, future decisions about preservation of fauna and caves Key Words : Granite ; Itamonte ; invertebrates ; biospeleology 1. INTRODUO Cavernas so cavidades naturais subterrneas que ocorrem, em sua maioria, em relevos crsticos. Tais relevos compreendem sistemas constitudos por rochas carbonticas, onde predominam os processos de dissoluo na determinao de suas feies (LINO, 2001). Outras litologias, como quartzitos, arenitos, granitos, minrio de ferro, dentre outras, tambm so susceptveis formao de cavernas (AULER & P IL", 2005). Entretanto, cavernas inseridas em sistemas rochosos menos solveis so mais raras, devido dificuldade na formao de espaos subterrneos. Dentre as inmeras cavernas existentes em territrio brasileiro, merecem meno aquelas constitudas d e rochas granticas. As cavernas granticas podem ser formadas por diferentes processos. De acordo com Twidale e Roman (2005) existem trs tipos bsicos de gnese: o primeiro refere se quelas cavernas formadas a partir de

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Be rnardi, Pe l legrini, Taylor & Ferreira Aspectos ecolgicos de uma caverna grantica... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 6 planos de fraturas existentes na rocha matriz, que so expandidos por processos erosivos fsicos ou qumicos; o segundo refere se s cavernas associadas a grandes blocos granticos erodidos que se agrupam deixando espaos subterrneos de formas irregulares. Tais cavernas so conhecidas c omo cavernas de tlus. Por ltimo, existem cavidades (ou concavidades) que se desenvolvem como alvolos no interior do magma, quando este preenchido por gases aprisionados no interior da rocha durante o processo de extruso vulcnica. Tais cavidades, con hecidas por tafonis, so posteriormente expostas (aps sua gnese) por processos erosivos. Independentemente da rocha na qual a caverna se insere, ambientes subterrneos apresentam uma srie de caractersticas peculiares. Dentre elas, destaca se a maior es tabilidade na temperatura e umidade que o ambiente epgeo circundante, alm da ausncia permanente de luz em suas pores mais interiores (POULSON & WHITE, 1969; CULVER, 1982). A condio de ausncia permanente de luz no interior das cavernas impossibilit a a ocorrncia de organismos fotossintetizantes. Em consequncia disso, a disponibilizao de recursos orgnicos neste ambiente ocorre principalmente por meio da importao por agente abiticos (e.g. vento e gua das chuvas) e biticos (e.g. morcegos) do a mbiente epgeo para o hipgeo (HARRIS, 1970; CULVER 1982; SOUZA SILVA 2003; SOUZA SILVA et al ., 2007; FERREIRA et al ., 2006). Existem, tambm, outras vias menos convencionais, como razes vegetais que crescem interceptando galerias de cavernas (HOWARTH, 19 83). O tipo, a qualidade do recurso bem como sua forma de distribuio no sistema so importantes determinantes da composio e abundncia da fauna pr esente em cavernas (FERRE I R A 2004). O nmero de estudos que visam compreender os aspectos ecolgicos refer entes s comunidades presentes em cavernas no Brasil tem crescido nos ltimos anos. Entretanto, a maioria das cavernas estudadas at o momento est situada em rochas carbonticas, sendo bastante incipiente o conhecimento sobre cavernas granticas. Desta fo rma, este trabalho teve como objetivo inventariar a fauna de invertebrados associados a uma caverna grantica, bem como sua caracterizao fsica e dos recursos alimentares presentes. 2 MATERIAIS E MTODOS 2.1 rea de estudo O local de estudo consiste de uma rea perifrica ao Parque Nacional de Itatiaia que est localizado no Macio do Itatiaia, na Serra da Mantiqueira. A regio caracterizada por um relevo montanhoso, acidentado e com altitudes variando de 580 a 2.787 metros H um predomnio de florest a ombrfila densa e ombrfila nebular, havendo tambm a presena de muitas orqudeas e florestas de araucrias. Em alguns locais observa se adensamentos de bambus. Existem ainda os campos de altitude, ocupando os plats e as escarpas isoladas. A Gruta do Pinho Assado (S22 0 W44 0 48 presente estudo, recebeu este nome em funo de sua localizao ( Fazenda Pinho Assado, Itamonte MG) No h registros desta caverna nos cadastros nacionais de cavidades. A Gru ta do Pinho Assado est inserida em rocha grantica e localiza se a 1.690 metros de altitude, em uma rea com predomnio de floresta ombrfila. 2.1.1 Caracterizao da cavidade A presente cavidade um tpico sistema de talus, formado basicamente por tr s grandes blocos rochosos, sendo apenas uma pequena parte do sistema acessvel ao homem. No existem pontos onde a dissoluo da rocha seja visvel, entretanto o piso apresenta sinais de que durante chuvas intensas seja lavado e erodido A entrada principa l da cavidade est muito prxima a uma estrada, nica via de acesso antena de comunicao regional e uma rea de lazer utilizada pela populao local. Mesmo sendo possvel a visualizao da entrada da caverna por quem passa na estrada, existem poucos sin ais de visitao cavidade (FIGURA 1). A caverna apresenta uma pequena clarabia, duas pequenas entradas laterais, e uma entrada principal onde possvel o acesso pelo homem (FIGURA 2). Aberturas exercem um importante papel na captao de recursos alimen tares que acessam as cavidades por meio de ventos, cursos de gua temporrios ou perenes (e.g. enxurradas e rios) (SOUZA SILVA 2003, SOUZA SILVA et al. 2007). Essas aberturas, tanto as laterais como a central, do acesso direto a um nico salo que apresen ta 15 metros de extenso linear entre os pontos opostos mais distantes. Em quase toda a

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Be rnardi, Pe l legrini, Taylor & Ferreira Aspectos ecolgicos de uma caverna grantica... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 7 cavidade predomina uma zona de penumbra e somente na regio posterior a um bloco rochoso encontra se uma rea totalmente aftica. Uma pequena drenagem percorre toda a c avidade e seu ponto de surgncia encontra se em uma regio aftica e inacessvel ao homem. Este pequeno curso de gua corre em direo entrada principal, desaparecendo em meio a blocos abatidos, antes de atingir o meio epgeo. Figura 1: Aspecto gerais da entrada da Gruta do Pinho Assado. (A) Entrada vista do meio hipgeo; (B) Entrada vista do meio epgeo 2.3 Coleta de Invertebrados e caracterizao de recurso alimentares A coleta de invertebrados foi realizada no dia 16 de outubro de 2009. Os organi smos foram coletados manualmente com o auxlio de pinas e pincis. Essa coleta foi realizada por toda a extenso da cavidade e cada organismo coletado foi plotado em um croqui esquemtico da cavidade. Tal procedimento teve como objetivo visualizar a distr ibuio e abundncia de cada espcie em diferentes pontos da caverna. Durante a amostragem dos invertebrados foi dada uma ateno especial aos depsitos de matria orgnica (e.g. guano, matria orgnica vegetal, etc), pois nestes locais podem ser encontrad os grandes adensamentos de espcies e populaes (FERREIRA, 2004). Cada espcie teve no mximo 3 indivduos coletados, que foram fixados em lcool 70%, e posteriormente foram levados ao laboratrio para a identificao ao menor nvel taxonmico possvel. P ara auxiliar nas identificaes dos invertebrados foram utilizados os trabalhos de JOHNSON e TRIPLEHORN (2004), KRANTZ e WALTER (2009) e ADIS (2002). Todos os indivduos coletados esto depositados na coleo de Invertebrados Subterrneos de Lavras (ISLA), Setor de Zoologia/Departamento de Biologia Universidade Federal de Lavras. Foi realizada uma varredura visual in situ dos depsitos de recursos orgnicos existentes na cavidade para uma avaliao qualitativa destes. Os tipos de recursos foram anotados e plotados no mapa com a finalidade de caracterizar os tipos depsitos de matria orgnica e suas respectivas distribuies no interior da caverna. 3 RESULTADOS E DISCUSSO 3.1 Recursos orgnicos presentes no meio hipgeo Foi encontrada uma grande quantid ade de recursos orgnicos situados preferencialmente nas proximidades das duas aberturas laterais da cavidade. A condio topogrfica das entradas em declive favorece o aporte fsico de materiais (inclusive orgnicos) para o interior de cavidades subterrn eas (SOUZA SILVA et al 2007). Junto entrada principal foi encontrada pouca quantidade de matria orgnica. Tal fato certamente decorre do desmatamento observado na regio epgea em funo da construo de uma estrada. Alm dos depsitos de matria orgn ica vegetal, existe no centro do salo uma pequena mancha de guano de morcego onde foi possvel observar vestgios de restos vegetais recentes (Piperaceae: Piper sp. ). O guano de morcegos uma importante fonte de recurso alimentar, sendo muitas vezes o re sponsvel pela manuteno de populaes viveis de invertebrados, tais como caros, colmbolos, psocpteros, dentre outros (FERREIRA & POMPEU 1997, FERREIRA & MARTINS 1998, FERREIRA & MARTINS 1999). 3.2 Caracterizao geral da fauna presente na cavidade F oram encontradas 52 morfoespcies, distribudas em 21 ordens e pelo menos 36 famlias (Tabela 1). Nenhum organismo troglomrfico foi encontrado nesta cavidade. As ordens que apresentaram a maior riqueza foram Araneae e Collembola com seis espcies cada uma As ordens mais abundantes foram Hymenoptera e Isoptera, representadas principalmente pelas famlias Formicidae e

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Be rnardi, Pe l legrini, Taylor & Ferreira Aspectos ecolgicos de uma caverna grantica... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 8 Termitidae em decorrncia da presena de colnias destes organismos no interior da caverna. A ordem Collembola tambm apresentou uma grande a bundncia de indivduos, principalmente nas regies de acmulo de matria orgnica, prximo as entradas. Os estudos biolgicos em cavidades granticas tambm so raros. GNASPINI NETO e TRAJANO (1994) foram os primeiros a apresentarem relatos sobre a fauna em cavernas granticas. No trabalho dos referidos autores foram amostradas trs cavernas no estado de So Paulo, sendo a Gruta dos Crioulos (Campos do Jordo) a que apresentou a maior riqueza com 31 espcies, seguida da Gruta da Quarta Diviso (Ribero Pir es) com 23 espcies e a Gruta do Quarto Patamar (Santo Andr) com 16 espcies. Tabela 1: Taxa encontrados na cavidade com suas respectivas morfoespcies e abundncias de indivduos. N Txon Espcie Ab N Txon Espcie Ab Turbellaria Sarcopdiformes Tricladida 59 --sp1 1 38 --sp1 1 56 --sp1 2 Nematoda Entognatha 18 --sp1 4 Diplura Oligochaeta 27 Japygidae sp1 1 Haplotaxida Collembola 11 --sp1 1 34 --sp1 26 Gastropoda 9 --sp2 10 1 Pulmonata 37 --sp3 15 20 --sp1 15 --sp4 1 Malacostraca 14 --sp5 17 Isopoda 55 --sp6 1 51 Plathyartridae Trichorina sp 1 Isoptera 52 Phylosciidae sp 1 10 Termitidae sp1 col. Myriapoda Coleoptera Siphonophorida 33 --Larva sp1 3 57 Siphonop horidae sp1 2 17 --Larva sp2 1 Spirostrepitida 12 Pselaphidae sp1 9 4 Pseudonannolenidae sp1 2 44 Sthaphilinidae sp1 1 Polydesmida Hymenoptera 40 --sp1 1 26 --sp1 1 Arachnida 13 Formicidae sp1 col. Opiliones 48 Formicidae sp2 2 6 Gonyleptidae sp1 3 49 Formicidae sp3 1 2 Gonyleptidae Mitogoniela sp 13 50 Formicidae sp4 2 32 Gonyleptidae Goniosoma sp 5 Hemiptera Arachnida 53 --sp1 1 Aranae 35 Enicocephalidae sp1 1 21 --sp1 5 23 Reduviidae Zelurus sp. 2 5 Therid iidae sp1 9 7 Cixiidae sp1 15 30 Ctenidae sp1 1 Diptera 54 Ctenidae sp2 1 24 Keroplatidae Larva sp1 8 8 Ctenidae Ctenus sp 1 46 Chironomidae Larva sp1 1 25 Pholcidae Mesabolivar sp 28 58 Ceratopogonidae sp1 1 31 Ochiroceratidae sp1 7 39 Culicidae s p1 1 Scorpiones Ensifera 19 Butidae sp1 1 3 Phalangopsidae sp1 32 Pseudoscorpiones 22 Chernetidae sp1 1 Trombidiformes 47 --sp1 1 28 --sp2 1 42 Rhagidiidae sp1 1 Legenda: N= refere se ao nmero de represen tao da espcie no croqui esquemtico da cavidade; Ab= abundncia.; Col.= colnia.

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Be rnardi, Pe l legrini, Taylor & Ferreira Aspectos ecolgicos de uma caverna grantica... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 9 Mais recentemente, em um trabalho sobre a fauna associada a cavernas da Mata Atlntica, SOUZA SILVA (2008) amostrou um total de 32 cavidades inseridas em rochas magmtica s, sendo que estas cavidades representam 31% das cavidades amostradas no trabalho. A riqueza nestas cavidades variou entre 79 espcies, encontrada na Gruta do Andr Huschi (Santa Tereza ES), e apenas 10 espcies na Gruta da Manga de Pedra (Nacip Raidan MG). A Gruta do Pinho Assado apresentou um elevado nmero de espcies quando comparado a grande parte das cavidades de mesma litologia inventariadas por SOUZA SILVA (2008) e por GNASPINI NETO e TRAJANO (1994), com 52 morfoespcies. Legenda: DGFV: Dep sito de guano de frugvoros velho. Os nmeros entre parnteses indicam a abundncia local de cada uma das espcies. Figura 2 : Croqui com representao esquemtica da cavidade, onde pode ser observado a abundncia e distribuio dos organismos. Cada nmero representa uma espcie encontrada no interior da cavidade, as referncias dos nmeros e sua espcie equivalente so mostradas na tabela 1.

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Be rnardi, Pe l legrini, Taylor & Ferreira Aspectos ecolgicos de uma caverna grantica... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 10 Os valores de equitatilidade, diversidade e complexidade ecolgica encontrados para a Gruta do Pinho Assado foram 0.7079 (E), 2.783 (H) e 3.88 (CB), respectivamente. Tais valores de diversidade e equitabilidade so maiores do que os valores mdios encontrados por SOUZA SILVA (2008) em cavernas granticas da Mata Atlntica, onde estes valores foram de 2.208 (H) e 0.627 (E), respectivamente. O referido trabalho de SOUZA SILVA (2008) no apresenta dados de complexidade Conforme CULVER (1982), organismos associados ambientes subterrneos tendem a se concentrar prximos aos depsitos de matria orgnica, devido condi o de oligotrofia presente na maioria das cavernas. O mesmo pode ser observado na Gruta do Pinho Assado, onde grande parte dos invertebrados foi observada prxima as entradas laterais, locais preferenciais de deposio de matria orgnica. 4 CONSIDERA'ES FINAIS So poucos registros de cavidades formadas em rochas granticas no estado de Minas Gerais. Na lista de cavidade apresentada pelo CODEX/RREDESPELO foram encontrados 8 registros de cavidades formadas em granito, e no CNC/SBE foram encontradas apenas 6. A dificuldade de formao de cavidades em rochas pouco solveis (como as de origem magmtica) provavelmente o principal fato de existncia de pouco registros de cavidades nestes tipos rochosos em Minas Gerais. Outro fato, que este tipo de cavidade g eralmente apresenta dimenses reduzidas e no apresentam grandes formaes de beleza cnica, como aquelas encontradas em cavernas carbonticas, o que acarreta uma baixa procura por este tipo de sistemas na comunidade espeleolgica. Assim, a pouca ateno d ada a estas cavidade pode resultar em um menor esforo de procura e um menor nmero de cavidades registradas. O estudo da biologia de cavidades formadas em rochas magmticas tambm escasso no Brasil. Apesar destes sistemas no se destacarem por sua bele za cnica, eles apresentam grande riqueza biolgica (SOUZA SILVA, 2008; GNASPINI NETO & TRAJANO 1994). Deste modo, existe uma necessidade urgente em se conhecer melhor a fauna presente neste tipo de caverna, para que sejam viveis futuras decises acerca d a preservao da fauna e do prprio patrimnio espeleolgico brasileiro. AGRADECIMENTOS Fazenda Pinho Assado, Itamonte MG e ao Programa de Ps Graduao em Ecologia Aplicada/UFLA pelo suporte para a execuo do estudo Os trabalhos executados pelo Labo ratrio de Ecologia Subterrnea/DBI/UFLA recebem auxilio financeiro da FAPEMIG (PPM 00433 11) REFERNCIAS A DIS J. (2002). Amazonian Arachinida and Myriapoda, Pensoft Publishers. p. 590. 2002. AULER, A. S.; PIL", L. B. Introduo s cavernas em minrio d e ferro e canga. O Carste Belo Horizonte. v. 17, n. 3, p. 70 72. 2005. JOHNSON, N. F.; TRIPLEHORN C. A. Introduction to the Studys of Insects,Brooks Cole Publisher. p. 888. 2004 CULVER, D. C. Cave Live Cambridge, Massachusetts and London, Harvard Unive rsity Press. p. 189. 1982. FERREIRA, R. L.; POMPEU, P. S. Riqueza e diversidade da fauna associada a depsitos de guano na gruta taboa, Sete Lagoas, Minas Gerais, Brasil. O Carste Belo Horizonte, v. 9, n. 2, p. 30 33. 1997. FERREIRA, R. L.; MARTINS, R. P. Diversity and distribution of spiders associated with bat guano piles in Morrinho Cave (Bahia State, Brazil). Diversity and Distribution San Francisco, v. 4, p. 235 241. 1998. FERREIRA, R. L.; R. P. MARTINS. Trophic structure and natural history of bat g uano invertebrate communities, with special reference to Brazilian caves. Tropical Zoology, Firenze, v.12, p.231 252.1999.

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Be rnardi, Pe l legrini, Taylor & Ferreira Aspectos ecolgicos de uma caverna grantica... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 11 FERREIRA, R.L. A medida da complexidade biolgica e suas aplicaes na Conservao e Manejo de sistemas subterrneos 2004. 161 f. T ese (Doutorado em Ecologia, Conservao e Manejo da Vida Silvestre ) Universidade Federal de Minas Gerais. GNASPINI, P.; TRAJANO, E. Brazilian cave invertebrates, with a checklist of troglomorphic taxa. Revista Brasileira de Entomologia Curitiba. v. 38, n 4, p. 549 584. 1994. HARRIS, J.A. Bat guano environment. Science. Washington, n. 169, p. 1342 1343. 1970. HOLSINGER, R.; CULVER, D.C. The Invertebrate Cave Fauna of Virginia and a Part of Eastern Tennessee. Zoogeography and Ecology Brimleyana n. 14, p. 1 162. 1988. HOWARTH, F.G. Ecology of cave arthropods Annual Review Entomology Palo Alto, v. 28, p. 365 389. 1983. KRANTZ, G.W.; WALTER, D.E. A Manual of Acarology, Texas Tech University Press. p. 807. 2009. LINO, C.F. Cavernas; O Fascinante Brasil Sub terrneo Editora Gaia LTDA, So Paulo. 2001. 288 p. MINISTRIO DO MEIO AMBIENTE IBAMA PARQUE NACIONAL DO ITATIAIA. Disponvel em: www.crescentefertil.org.br/parquenacional/br Acessado em: 27 de novembro de 2009. POULSON, T.L.; WHITE, W.B. The Cave Environment. Science Washington n. 165, p. 971. 1969. SOUZA SILVA, M. Dinmica de disponibilidade de recursos alimentares em uma caverna calcria 2003. 77 f. Dissertao (Mestrado em Ecolo gia, Conservao e Manejo da Vida Silvestre) Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2003. SOUZA SILVA, M.; FERREIRA, R. L.; BERNARDI, L. F. O.; MARTINS, R. P. Importao e processamento de detritos orgnicos em uma caverna calcria Espel eo T ema. Campinas, v.19: p. 31 46. 2007. SOUZA SILVA, M. Ecologia e conservao das comunidades de invertebrados caverncolas na Mata Atlntica brasileira. 2008. 225 f. Tese (Doutorado em Ecologia, Conservao e Manejo da Vida Silvestre) Universidade Fed eral de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2008 TWIDALE C.R., VIDAL ROMAN J.R. 2005. Landforms and Geology of Granite terrains. Ed. Balkema, The Netherlands, Amsterdam. 2005. 364 p Fluxo editorial : R ecebido em: 13 0 9 .20 1 1 Aprovado em: 03 11 .201 1 A revista Espeleo Tema uma publicao da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.cavernas.org.br/espeleo tema.asp

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T rajano, Bichuette & Batalha Estudos ambientais em cavernas: os problemas ... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 13 ESTUDOS AMBIENTAIS EM CAVERNAS: OS PROBLEMAS DA COLETA, DA IDENTIFICAO, DA INCLUSO E DOS NDICES ENVIRONMENTAL STUDIES IN CAVES: THE PROBLEMS OF SAMPLING, IDENTIFICATION, INCLUSION, AND INDICES Eleonora Trajano (1), Maria Elina Bichuette (2) & Marco An tnio Batalha (3) (1) SP (2) SP ( 3 ) Departament SP Contatos: etrajano@usp.br ; bichuette@uol.com.br ; marcobat@uol.com.br Resumo Para deteco e conhecimento de processos e padres evolutivos que moldam a estrutura de comunidades naturais subterrneas, a primeira etapa, fundamental, a realizao de inventrios precisos da s unidades taxonmicas. Entretanto, vrios fatores podem inflacionar artificialmente listas taxonmicas, comprometendo seu significado biolgico e, assim, sua confiabilidade como descritor da diversidade: (1) 3) incluses errneas em categorias ecolgico evolutivas e (4) utilizao de ndices de diversidade inadequados. Apresentamos aqui alguns problemas que rotineiramente aparecem em estudos de inventariamento da fauna subterrnea, discutindo os e sugerindo po ssibilidades para minimiz los Palavras Chave : biodiversidade ; comunidades hipgeas ; conservao ; desenho amostral ; fauna caverncola ; inventrio Abstract To detect and understand evolutionary patterns and processes that shape the structure of subterran ean natural communities, the first and fundamental step is the conduction of accurate inventories of taxonomic units. However, several factors can artificially inflate taxonomic lists, compromising their biological significance and, thus, their reliability as diversity descriptor: (1) poor sampling, (2) bad taxonomy, (3) wrong inclusions into evolutionary and ecological categories, and (4) use of inadequate diversity indices. We present herein some problems that appear routinely in studies about the subterr anean fauna, discussing and suggesting possibilities to minimize them Key Words : biodiversity ; cave fauna ; conservation ; hypogean communities ; sample design ; survey 1. INTRODUO Levantamentos biolgicos com o objetivo de inventariar unidades taxonmica s, sejam para fins de publicaes cientficas ou para o cumprimento de legislao relacionada ao licenciamento de reas crsticas com fins de uso econmico (no caso do Brasil, o Decreto 6640, IN nmero 02), constituem a primeira e necessria etapa dos estu dos biolgicos visando ao conhecimento de processos e padres evolutivos, os quais moldam a estrutura e o funcionamento das comunidades naturais. Dentro da Biologia Comparada, tais processos e padres proporcionam contexto para estudos morfolgicos, fisiol gicos, comportamentais e ecolgicos. Fora desse contexto, tais estudos carecem de significado biolgico e trazem informaes insuficientes para deteco de tendncias ou mesmo padres acerca da fauna subterrnea (Thompson et al. 2003). Muitos levantamento s que tm sido feitos em cavernas tm problemas amostrais, taxonmicos e conceituais, que podem levar a concluses enviesadas e, consequentemente, dificultar a conservao dos sistemas caverncolas. Apresentamos quatro problemas que rotineiramente aparecem em tais estudos (coleta, identificao, incluso e uso de ndices) e sugerimos o que pode ser feito para minimiz los. 2. O PROBLEMA DA COLETA Quando se realizam estudos visando ao conhecimento e conservao da biodiversidade dos

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T rajano, Bichuette & Batalha Estudos ambientais em cavernas: os problemas ... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 14 sistemas subterrneos, uma primeira etapa justamente listar as espcies que ali ocorrem. Frequentemente, necessrio conhecer o nmero de espcies encontradas em uma dada rea ou comparar esse nmero entre diferentes reas. Assim, muitas vezes, a partir da lista de espcies, usa se a riqueza de espcies ou uma medida tradicional de diversidade como descritor da biodiversidade (por exemplo, Silva et al. 2011). Como, quase sempre, um censo faunstico impossvel, preciso lanar unidades amostrais nas cavernas para estimar as suas riquezas. Com isso, vrias decises sobre a amostragem a ser feita precisam ser tomadas. Ainda, para definir o esforo amostral e estimar o nmero de espcies, como, por exemplo, em Bragagnolo & Pinto da Rocha (2003). Ao longo desse processo, tem havido vrios problemas nos estudos feitos em ambientes subterrneos, que podem levar a concluses equivocadas. A riqueza de espcies dentro de um hbitat, uma medida de diversidade alfa, dependente do tamanho d a amostra (Colwell et al. 2004). Alm disso, a riqueza de espcies observada depende tambm do tamanho da amostra quando hbitats diferentes so sucessivamente amostrados devido substituio de espcies, uma medida de diversidade beta (Colwell et al. 200 4). No obstante, encontramos levantamentos em cavernas com apenas duas unidades amostrais, certamente insuficientes para uma boa estimativa da biodiversidade. Tanto em hbitats homogneos quanto heterogneos, um esforo de coleta intenso necessrio para uma estimativa acurada da riqueza de espcies (Thompson et al. 2003), sendo que, em ambientes heterogneos, esse esforo deve ser ainda mais intenso (Moreno & Halffter 2000). O nmero timo de rplicas influenciado pela escala da unidade amostral em rel ao ao tamanho da comunidade; idealmente, esse nmero deve ser determinado com base na comunidade mais diversa entre as que sero amostradas e deve ser usado consistentemente ao longo do estudo (Magurran 2004). Uma alta proporo de espcies raras em uma dada caverna pode subestimar sua riqueza de espcies, pois tais espcies tm uma menor propenso de serem amostradas (Thompson et al. 2003). E justamente so essas espcies raras que tm uma maior chance de serem extintas (Purvis et al. 2000) e cuja presen a um dos critrios para o estabelecimento de prioridades na conservao de ambientes caverncolas, incluindo a classificao de cavernas em graus de relevncia (no caso do Brasil, a Instruo Normativa MMA 02/09, que regulamenta o Decreto 6640). Os leva ntamentos deveriam incorporar estratgias de busca adicionais espcies raras so importantes, cabe ao pesquisador aplicar um esforo amostral intenso o suficiente pa ra prever com uma acurcia razovel o nmero total de espcies em uma dada rea (Thompson et al. 2003). Uma vez que a heterogeneidade de hbitats influencia a estimativa do nmero de espcies, o esforo amostral deve lev la em conta (Moreno & Halffter 200 0). Se, em uma dada caverna, h vrios ambientes diferentes, a amostragem pode ser estratificada, lanando se sistematicamente ou, de preferncia, aleatoriamente (Krebs 1999) as unidades amostrais em cada estrato. Nesse caso, medidas de heterogeneidade e c omplexidade de hbitats, como as propostas por August (1983), podem ser relacionadas ao esforo amostral exigido em cada estrato, fornecendo uma estimativa confivel do nmero de espcies (Moreno & Halffter 2000). Alm dessa variao espacial, a variao t emporal tambm deve ser levada em conta ao se definir os mtodos usados nos levantamentos. Se for o caso, os protocolos devem considerar as variaes estacionais na composio e na abundncia das espcies (Moreno & Halffter 2000). Dependendo das caracters ticas biogeogrficas e ambientais da rea de estudo, o esforo de coleta deve estar distribudo ao longo do ano para evitar uma estimativa enviesada do nmero de espcies (Moreno & Halffter 2000). Como j ressaltamos, comumente se usa a suficincia amostral e estimar o nmero de espcies. A suficincia amostral um conceito quantitativo usado para informar se a amostra utilizada representativa da comunidade em estudo, enquanto que a curva do coletor uma tcnica que surgiu da relao espcie rea (Schilling & Batista 2008). Entretanto, a curva do coletor no pode ser usada para definir a suficincia amostral, pois o formato da curva est relacionado ordem de entrada das unidades amostrais na sua construo, pos sibilitando a gerao de curvas diferentes a cada ordenao (Martins & Santos 1999). Ademais, a relao entre o eixo das abcissas e o das ordenadas influencia a percepo de uma eventual assntota (Martins & Santos 1999). Uma soluo usar as chamadas ordem de entrada das unidades amostrais na sua construo aleatorizada (Magurran 2004). Essa aleatorizao produz um alisamento da curva e permite calcular, para cada passo, uma mdia e um desvio padro do nmero de espcies (Magurran 2004). Tais curvas esto bastante relacionadas s curvas de rarefao, em que se deduz o nmero de

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T rajano, Bichuette & Batalha Estudos ambientais em cavernas: os problemas ... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 15 espcies que esperaramos encontrar caso reduzssemos o nmero de unidades amostrais (Gotelli & Colwell 2001). A construo dessas cur vas de rarefao pode ser vista como um processo de interpolao da riqueza de espcies do conjunto total de amostras para a riqueza esperada para um subconjunto dessas amostras (Colwell et al. 2004). Contudo, o sonho de todo bilogo envolvido em inventri os a extrapolao das curvas de acumulao de espcies para estimar acuradamente quantas espcies seriam encontradas em um nmero maior de unidades amostrais lanadas na mesma comunidade (Colwell et al. 2004). Em levantamentos da fauna caverncola, usual mente essa extrapolao feita erroneamente, simplesmente buscando se visualmente uma eventual assntota na curva. Entretanto, para se extrapolar a curva de acumulao de espcies, necessrio usar algum algoritmo. Por exemplo, h um mtodo de verossimi lhana que baseia o seu ajuste na distribuio de contagens observadas para o modelo de mistura binomial e usa o Critrio de Informao de Akaike para encontrar um balano entre o ajuste e a complexidade do modelo (Colwell et al. 2004). Ainda assim, esse m todo produz estimativas acuradas apenas para um nmero duas ou trs vezes maior que o de unidades amostrais (Colwell et al. 2004). Levantamentos faunsticos em cavernas podem ser enganosos quando listas de espcies so compiladas, porque, dentro de um lev antamento, frequentemente no h indicao de quo completo ele (Sobern & Llorente 1993) e, entre levantamentos, na maioria dos casos no possvel compar los diretamente devido a mtodos incompatveis de amostragem (Dennis & Ruggiero 1996). Entretant o, com uma medida padronizada de riqueza de espcies, que considere a eficincia do levantamento, possvel comparar inventrios de diferentes lugares, de diferentes momentos e que tenham usado diferentes mtodos (Moreno & Halffter 2000). Uma das maneiras de se fazer isso usando modelos de acumulao de espcies ajustados s curvas de acumulao de espcies, em que o nmero cumulativo de espcies lanado contra alguma medida de esforo amostral (Sobern & Llorente 1993, Moreno & Halffter 2000). O uso d esses modelos pode levar a um melhor planejamento e a melhores protocolos de amostragem, provendo estimativas confiveis do esforo amostral mnimo necessrio para se obter um levantamento confivel (Sobern & Llorente 1993, Moreno & Halffter 2000). No possvel fornecer uma indicao geral do esforo necessrio para prever a riqueza de espcies de um stio, uma vez que as curvas de acumulao de espcies so fortemente influenciadas pelas caractersticas de um dado local (Thompson et al. 2003). No obsta nte, sabemos que a riqueza de espcies no pode ser extrapolada acuradamente, qualquer que seja o mtodo usado, a partir de um nmero pequeno de unidades amostrais (Thompson et al. 2003). Isso traz implicaes importantes para levantamentos em ambientes ca verncolas usados para preparar, por exemplo, estudos de impacto ambiental. Se o conhecimento da diversidade importante, ento levantamentos rpidos e expeditos, como Ferreira et al. (2009), no sero adequados para estimar acuradamente a riqueza de esp cies (Thompson et al. 2003). Quando se realizam estudos visando ao conhecimento e conservao da biodiversidade dos sistemas caverncolas, no h receitas. necessrio adaptar os protocolos de coleta aos objetivos, s caractersticas da caverna e aos gr upos a serem amostrados. De todo modo, o esforo amostral dever ser intenso e as unidades amostrais devero estar bem distribudas no tempo e no espao. Cabe ao pesquisador demonstrar que a amostragem foi suficiente. 3. O PROBLEMA DA IDENTI FICAO Assumi ndo que a amostragem foi correta, outro problema que temos a resolver o das identificaes das espcies. Toda a Biologia da Conservao est baseada na taxonomia, parte da qual envolve a identificao apropriada dos organismos (Morrison III et al. 2009). Tal identificao usualmente envolve um nome cientfico atribudo entidade de interesse, normalmente um nome especfico (Morrison III et al. 2009). Como a grande maioria das pessoas, incluindo muitos bilogos, no tem uma compreenso correta do que seja a taxonomia, capacitado para a identificao e nomeao das unidades taxonmicas de interesse, idealmente espcies no caso dos estudos sobre biodiversidade (Morrison III et al. 2009). Um taxonomista possui conhe cimento suficiente em determinado grupo taxonmico, permitindo lhe reconhecer, com um grau de equvoco substancialmente menor que o do no especialista, unidades taxonmicas. Por definio, e sobretudo em um pas de megadiversidade biolgica como o Brasil, onde o impedimento taxonmico um dos problemas mais importantes da Biologia, no existem especialistas trabalhando simultaneamente em vrios grupos distintos. O reconhecimento de qualquer unidade taxonmica, como uma espcie bem delimitada,

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T rajano, Bichuette & Batalha Estudos ambientais em cavernas: os problemas ... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 16 requer um al to nvel conhecimento especializado, pois processos evolutivos como a convergncia obscurecem as relaes filogenticas, levando a identificaes errneas. H uma escassez de taxonomistas que vem causando vieses nas listas de espcies compiladas para fins de monitoramento e manejo, especialmente em ambientes pouco estudados, como as cavernas (Mace 2004). A identificao, com atribuio de um nome com significado taxonmico e no nvel mais inferior possvel, idealmente o de espcie, no uma tarefa trivial. Atualmente, o enfoque da taxonomia filogentico. Conforme sabemos por experincia prpria e de vrios colegas taxonomistas, o treinamento de um taxonomista capacitado para identificaes nos nveis requeridos por listas faunsticas em estudos ambientais leva de cinco a 10 anos, ou mesmo mais para grupos particularmente complicados e mal conhecidos. A necessidade de especialistas independe de haver um nome disponvel para a espcie, pois s eles podem distinguir espcies reconhecidamente ainda no descrit as do descrita daquelas que no podem ser identificadas no momento, por estarem, por exemplo, inclusas em grupos sem resoluo taxonmica apropriada do ). Os levantamentos tm sido incompletos, quando no errados, no que diz respeito tanto completude quanto acurcia taxonmico explica o aparecimento, principalmente em es tudos ecolgicos, das chamadas unidades taxonmicas reconhecveis (RTUs, do ingls recognizable taxonomic units ) ou unidades parataxonmicas (Krell 2004), tais como do 1, sp. 2, e assim por diante) quando se distingue mais de uma no mesmo gnero. Contudo, o reconhecimento e a distino de morfoespcies s so confiveis quando corroborados por um especialista, j que cada grupo tem suas peculiaridades taxonmicas. impo rtante ressaltar a necessidade do morfoespcie em colees, que possuam nmero de tombo garantindo sua posterior localizao efetiva. ainda aconselhvel que uma mesma equipe que realize trabalhos de levantamen to faunstico em vrias cavernas possua um cdigo consecutivo de morfoespcies, que seja respeitado nas diversas publicaes que derivem de seus levantamentos. Isso importante para evitar erros ao interpretar que o do a mesma do (publicados em trabalhos diferentes), quando na realidade so espcies ou morfoespcies diferentes. De igual forma, desejvel que na descrio formal da espcie sejam citadas, na lista sinonmica, todas as denominaes dadas a esse txon em publicaes anteriores. Outro aspecto importante que os trabalhos que incluam listas de espcies assinalem quais so as autoridades responsveis pela identificao, para o aval da qualidade taxonmica dos levan tamentos. O uso da parataxonomia pode levar a superestimativas de riqueza de espcies, com erros que chegam a 100% (Krell 2004) e que dependem no apenas do grupo, como tambm da amostra e de quem faz a separao e o reconhecimento do material, de modo que sua amplitude imprevisvel, e, portanto, sem possibilidade de aplicao de ndices de correo (Krell 2004). A parataxonomia no satisfaz alguns critrios do mtodo cientfico, criando unidades tipolgicas, sem critrios definidos de separao, o que im possibilita qualquer falsificao da hiptese e qualquer repetio do experimento (Krell 2004). Portanto, os resultados da parataxonomia devem ser encarados como um primeiro passo nos estudos sobre biodiversidade caverncola, podendo ser usados em compara es grosseiras das riquezas de espcies ou para descries no comparativas da riqueza em determinadas localidades (Krell 2004). Tais dados, porm, no tm utilidade para estudos biogeogrficos e autoecolgicos, nem tampouco para inventrios visando sele o de reas para fins de conservao, o que inclui os estudos ambientais destinados a classificar cavernas quanto ao grau de relevncia para fins de sua possvel destruio, j que estes devem ser absolutamente conclusivos (Trajano & Bichuette 2010). As c onsequncias dos erros em cascata ( bad taxonomy ; May 1990) em estudos ecolgicos incluem a perda de biodiversidade (May 1990, Bortolus 2008). O que depreendemos de tudo isso? Em primeiro lugar, identificaes taxonmicas confiveis so fundamentais. Sem a taxonomia para formar os tijolos e a sistemtica para nos dizer como junt los, o edifcio da cincia biolgica se torna uma baguna desprovida de significado (May 1990). Em segundo lugar, para fins de confer ncia, fundamental a disponibilizao dos exemplares em colees amplamente acessveis, de museus e outras instituies com servio de curadoria independente dos especialistas do momento, desde que oficialmente registradas no Cadastro Nacional de Colees Biolgicas (CCBIO). Porm, independentemente da especialidade do curador, ele tem o compromisso tico e administrativo de

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T rajano, Bichuette & Batalha Estudos ambientais em cavernas: os problemas ... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 17 garantir o carter de livre acesso das colees cientficas. Essas instituies devem garantir a continuidade do servio, mesmo aps a sada do pesquisador, assim como a fidedignidade das identificaes, sua ampla divulgao para a comunidade cientfica e a disponibilizao irrestrita para pesquisadores idneos. Normalmente, essas condies so encontradas em museus oficiais. A taxonomi a e a conservao caminham juntas. No podemos conservar organismos que no somos capazes de identificar, e nossas tentativas de entender as consequncias das mudanas ambientais e da degradao estaro fatalmente comprometidas se no pudermos reconhecer e descrever as espcies que constituem as comunidades nos ambientes caverncolas (Mace 2004). 4. O PROBLEMA DA INCLUS O Assumindo que a amostragem foi correta e que a identificao taxonmica foi acurada, um terceiro problema que temos de resolver defini r quais espcies, dentre todas as amostradas, de fato pertencem fauna caverncola. Algumas classificaes antigas (por exemplo, Racovitza uma certa adap tao vida na escurido permanente e estes sem tais caractersticas, no diferindo das formas epgeas proximamente aparentadas. O primeiro passo para a aplicao de qualquer classificao definir o que so animais subterrneos, incluindo aqueles encont rados em hbitats no caverncolas. Animais subterrneos so aqueles encontrados regularmente no bitopo subterrneo, para os quais este constitui parte ou todo o hbitat natural, onde eles so capazes, no mnimo, de se orientar espacialmente (Trajano 2005 aqueles introduzidos no ambiente subterrneo por acidente arrastados pela gua ou caindo por aberturas superiores de cavernas ou que entraram ali em busca de um clima ameno (Trajano 2005). Embora esses animais a cidentais possam sobreviver por certo tempo no meio subterrneo, sua incapacidade de orientar se e encontrar alimento acaba por levar ao seu desaparecimento. Do ponto de vista evolutivo, organismos subterrneos caverncolas sensu lato podem ser definid os como unidades evolutivas que respondem ao regime seletivo subterrneo tpico do meio hipgeo. Para estes, os ambientes subterrneos provm condies e recursos adequados, como alimento, abrigo, substrato, clima, que afetam as taxas de sobrevivncia e de reproduo, podendo definir os destinos evolutivos dessas unidades (Trajano 2012). Do ponto de vista evolutivo, os acidentais so ecolgico, tratam se de recursos potenciais (alimento, substrato etc.) par a populaes estabelecidas no meio subterrneo. Recursos no tm uma conectividade histrica por si, que o que caracteriza unidades evolutivas reconhecidas como txons. Quando um organismo torna se recurso, no faz mais sentido classific lo taxonomicame nte em nvel de espcie ou categorias superiores uma classificao biologicamente significativa seria de acordo com a disponibilidade do recurso ou seu valor nutritivo. Do ponto de vista biolgico, o das de troglbios, troglfilos e trogloxenos e, portanto, no se enquadra na classificao de Schiner Racovitza (Trajano 2012). Alm disso, acidentais so definidos com base em ausncias de caractersticas e, assim, no formam um grupo biolgico. De fato, todo s os organismos de uma determinada regio so acidentais em potencial, podendo mais cedo ou mais tarde ser encontrados em uma caverna. Dessa forma, listas faunsticas que incluem os acidentais, como as que vm sendo apresentadas, referem se a situaes pon tuais e transitrias. Podemos fazer uma analogia entre o censo de habitantes de uma casa e o levantamento faunstico em caverna. Os moradores da casa esto para os animais subterrneos, assim como os visitantes e os funcionrios dessa mesma casa esto para os acidentais. Enquanto faz sentido incluir aqueles no levantamento, no faz sentido incluir estes. De fato, no fcil nem imediato o reconhecimento de um organismo acidental. Podemos usar vrios critrios, como organismos com caractersticas incompatv eis com a vida subterrnea (digamos, um herbvoro ou um animal dependente de orientao visual exceto nos raros casos de disponibilidade de presas caverncolas luminescentes; ver Meyer Rochow & Liddle 2001); frequentemente mortos ou com claros sinais de desnutrio; sempre prximos de contatos com o exterior; ou com ocorrncia irregular, ocasional e sem qualquer padro temporal. Esses critrios, porm, no so absolutos. Dentro de um dado grupo taxonmico, pode haver espcies que tenham mudado seu modo de vida, como o caso do lambari Astyanax mexicanus que, diferena dos demais do gnero, geralmente diurnos e fortemente orientados pela viso, tem atividade crepuscular e comportamento reprodutivo orientado por estmulos visuais (Parzefall 1986). Isso ex plica por que apenas essa espcie de Astyanax gnero amplamente

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T rajano, Bichuette & Batalha Estudos ambientais em cavernas: os problemas ... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 18 distribudo na regio neotropical, colonizou efetivamente o meio subterrneo (Parzefall 1986). De qualquer forma, repeties, com acompanhamentos, so sempre necessrias, j que impossvel aplicar conclusivamente a classificao de Schiner Racovitza (Racovitza 1907) em uma nica ocasio de amostragem. 5. O PROBLEMA DOS NDIC ES Assumindo que a amostragem foi correta, que a identificao taxonmica foi acurada e que apenas as espcies de fato subterrneas foram mantidas nas listas, um quarto problema que encontramos a utilizao de ndices como descritores da biodiversidade. Como mencionamos, frequentemente, a partir da lista de espcies, usa se a riqueza de espcies ou outra medida tradicio nal de diversidade como descritor da biodiversidade. Ainda que esses ndices tragam informaes e possam ser teis em alguns casos, muitas vezes eles no so. Quando usamos tais ndices, perdemos informaes sobre a identidade das espcies que aparecem na comunidade, sobre suas afinidades filogenticas e sobre quaisquer outras caractersticas que no as suas abundncias. Essa inevitvel perda de informao que existe quando resumimos um grande conjunto de dados de uma comunidade faz com que alguns autores d igam que tais ndices tradicionais de diversidade escondam mais do que revelam (Cianciaruso et al. 2009). Em escalas geogrficas maiores, no h controvrsias de que um objetivo central da biologia da conservao manter uma representatividade de todos os aspectos relevantes da biodiversidade (Sarkar et al. 2005). Isso envolve a chamada descritores da biodiversidade deve ser maximizada, levando em conta o fato de que muitos stios, cavernas no caso, no po dero ser conservados (Sarkar 2006). Qualquer soluo para esse problema demanda ateno para a diversidade entre stios, pois no h sentido conservar vrios stios com altas diversidades alfa, mas com a mesma composio faunstica (Sarkar 2006). Assim, t orna se importante a diversidade beta, para a qual existem vrias medidas possveis (Tuomisto 2010). Uma medida bastante usada em conservao baseada na complementariedade, isto , o quo representativa a contribuio de um novo stio quando comparado aos stios j selecionados (Sarkar 2006). A medida mais simples nesse sentido o nmero de espcies que no estavam presentes nos stios j selecionados da, mais uma vez, a importncia de descries taxonmicas acuradas. Medidas de complementariedade n o so, via de regra, interpretadas em ndices, pois o valor da complementariedade de um stio definido apenas quando ele comparado aos stios j selecionados (Sarkar 2006). ndices como os de riqueza de espcies e de diversidade tradicional, que so m edidas de diversidade alfa, no so suficientes se o propsito for selecionar stios para a conservao (Sarkar 2006). No caso dos hbitats subterrneos, valores numricos de diversidade alfa no refletem as singularidades bvias desses ambientes, as quais constituem a principal justificativa para sua conservao, pois sempre se situam entre os limites observados no meio epgeo: de desertos, fontes termais e outros hbitats extremos por um lado e de florestas tropicais por outro. A grande utilidade dos ndi ces de diversidade alfa est na comparao temporal da mesma localidade, o que infelizmente no tem sido feito. Medidas de diversidade alfa tm sido tradicionalmente usadas para determinar os efeitos da degradao ambiental sobre a biodiversidade, inclusiv e em ambientes subterrneos. Devemos notar que tais medidas no so o nico componente mensurvel da biodiversidade, mesmo quando temos apenas dados sobre a presena das espcies ou as suas abundncias (Clarke & Warwick 2001). A estrutura filogentica tamb m importante, pois se a comunidade constituda apenas por espcies bastante aparentadas, ela deve ser considerada menos diversificada do que outra com o mesmo nmero de espcies, mas menos aparentadas (Clarke & Warwick 2001). Por conta disso, a partir dos anos 1990, foram propostos vrios ndices para se al. 2009). A diversidade filogentica uma medida da diversidade de uma comunidade que inclui as relaes filogenticas das espcies, assumindo qu e a diversidade maior em comunidades com espcies filogeneticamente mais distintas (Magurran 2004). Da a importncia tambm de estudos que se proponham a descrever as relaes filogenticas de clados que incluam animais subterrneos. Essa diversidade fi logentica um aspecto ainda subexplorado na definio de prioridades para a conservao de ambientes caverncolas. Outro aspecto da biodiversidade ainda subexplorado em estudos sobre fauna subterrnea a diversidade funcional, que podemos definir como caractersticas que influenciam o funcionamento das diversidade filogentica, a diversidade funcional vem recebendo cada vez mais ateno nos ltimos anos, p ois parece ser um melhor descritor do funcionamento das comunidades quando comparada aos ndices tradicionais (Cianciaruso et al. 2009). A

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T rajano, Bichuette & Batalha Estudos ambientais em cavernas: os problemas ... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 19 diversidade funcional estima as diferenas entre os organismos diretamente a partir de caractersticas funcionais rel acionadas com as hipteses em estudo (Cianciaruso et al. 2009). Medir a diversidade funcional significa medir a diversidade de traos funcionais que influenciam os processos da comunidade, independentemente da filogenia dos organismos (Cianciaruso et al. 2 009). Um aspecto interessante da fauna caverncola que ela possui muitos atributos funcionais s presentes nelas (Christiansen 1962), o que deve elevar os valores da diversidade funcional nos ambientes subterrneos. Ainda assim, dadas as restries desse meio, ndices em ambientes hipgeos sempre sero mais baixos quando comparados aos epgeos, o que no quer dizer que ambientes hipgeos sejam menos importantes. Tradicionalmente, a Biologia da Conservao tem se baseado apenas na diversidade local observa da, quando talvez fosse interessante levar em conta as espcies que esto ausentes de uma dada comunidade, mas que pertencem ao banco de espcies, ou seja, tm o potencial de coloniz la. Esse conjunto de espcies ausentes chamado de (Prtel et al. 2011). Relacionando as diversidades local e negra, podemos comparar regies, comunidades e grupos taxonmicos, bem como avaliar os processos locais e regionais nas comunidades ecolgicas (Prtel et al. 2011). A diversidade negra ainda pode s er usada para estimar o potencial de recuperao das comunidades, minimizando a perda de biodiversidade (Prtel et al. 2011). Ainda que a diversidade local dos hbitats hipgeos seja menor do que a dos epgeos, como o banco de espcies para os hbitats hip geos menor, podemos postular uma alta razo diversidade observada:diversidade negra. Isso ressaltaria a importncia dos ambientes subterrneos de uma forma que os ndices de diversidade tradicionais no so capazes de detectar. Essa tambm uma abordag em ainda subutilizada em estudos com a fauna caverncola. Resumindo, a singularidade da biodiversidade subterrnea adequadamente expressa pela combinao de diferentes aspectos e abordagens, incluindo no s a contribuio da diversidade alfa para a dive rsidade total regional, como tambm as diversidades beta, filogentica, funcional e negra. 6. CONSIDERA'ES FINAIS Vrios fatores podem inflacionar artificialmente listas taxonmicas, comprometendo seu significado biolgico e, assim, sua confiabilidade co mo descritor da diversidade. Entre eles, destacam crescente em vista da proliferao de estudos ambientais realizados por bilogos generalistas, sem as capacitaes especficas requeridas, e, particularmente para ambientes s ubterrneos, a incluso espria de acidentais. errnea ou desatualizada de txons (espcies ou mesmo txons superiores) por profissionais sem as qualificaes dos respectivos especialistas, e a parataxonomia, ist o , a identificao em morfoespcies. Estas ltimas, se no contarem com a necessria corroborao por taxonomistas trabalhando no contexto filogentico, correm o grande risco de representarem meramente unidades tipolgicas, em uma abordagem essencialista pr darwiniana, na contramo da atual Sistemtica Biolgica, que visa identificao e nomeao de unidades evolutivamente vlidas. Um caso extremo desse tipo de erro atribuir a priori formas imaturas a espcies distintas das dos adultos, como em Souz a Silva (2008), quando o bom senso biolgico dita exatamente o contrrio juvenis e adultos do mesmo txon, encontrados no mesmo hbitat, provavelmente pertencem mesma espcie, correspondendo apenas a diferentes estdios ontogenticos do ciclo de vida, diferentes sexos ou indivduos pli ou dimrficos do mesmo sexo. Por outro lado, a especializao taxonmica estreita tem acarretado problemas na identificao de txons de ampla distribuio, inclusive provocando a descrio de falsas espcies. Exemplo di sto que espcies cosmopolitas ou pantropicais contm geralmente as maiores listas de sinonmias. Enfim, critrios de incluso incompatveis com os objetivos do trabalho em questo produzem listas esprias que, por sua vez, levam a concluses equivocadas sobre biodiversidade, comprometendo todos os passos seguintes de trabalhos visando sua compreenso ou seja, listas longas nem sempre so melhores, ou refletem melhor a capacitao dos autores. Muitas vezes, bem o contrrio. Para que listas faunstica s tenham significado biolgico, tanto no todo, refletindo populaes que coevoluem, quanto em termos de seus componentes (unidades reais, com identidade evolutiva), podendo assim ser utilizadas como base para estudos, tanto bsicos quanto aplicados, elas d evem seguir critrios cientficos, incluindo apenas unidades taxonmicas vlidas (o que implica o conhecimento aprofundado da variao intra especfica, sexual e ontogentica para cada txon em foco, que normalmente s os especialistas possuem), ao menos d e acordo com o estado da arte do conhecimento vigente, e, no caso especfico do meio subterrneo, que tenham

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T rajano, Bichuette & Batalha Estudos ambientais em cavernas: os problemas ... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 20 efetivamente uma relao evolutiva e ecolgica com esse ambiente. Considerar unicamente a diversidade local observada em teoria ecolgica e biologi a da conservao uma falcia, uma vez que valores absolutos de diversidade no so adequados para a comparao entre diferentes ambientes, regies ou txons (Prtel et al., 2011). De fato, quando o objetivo realizar comparaes entre sistemas subterrn eos, por exemplo, para estabelecer prioridades para conservao e relevncia de cavernas, ndices de diversidade alfa, como os de riqueza e o de Shannon, no so de modo algum suficientes (Sarkar 2006). Neste contexto, sobretudo quando o desdobramento do e studo uma classificao que permite a destruio de cavernas, fundamental aplicar tambm ndices de diversidade beta, alm dos de diversidade filogentica, diversidade funcional e diversidade negra. Isso significa que, para fins de avaliao da biodive rsidade subterrnea, necessrio realizar estudos comparveis (ou seja, efetuados na mesma poca e com os mesmos mtodos) no meio epgeo, no apenas para confirmar o status de troglbios no caso de populaes de txons com representantes epgeos troglomr ficos, como tambm para determinao da diversidade beta e negra. A alta diversidade negra no meio hipgeo uma de suas principais singularidades, ao lado da diversidade funcional que pode ser amplificada pela presena de troglbios muito especializados e de interaes ecolgicas nicas, e da diversidade filogentica que pode ser alta pela ocorrncia de relictos. Note se que se, por um lado, a contribuio relativa da diversidade alfa para a diversidade gama aumenta pela presena de troglbios em geral, po r outro, a diversidade funcional aumenta pela ocorrncia de troglfilos, uma vez que frequentemente essas populaes apresentam uma dinmica distinta da das populaes epgeas coespecficas. Alguns trabalhos sobre comunidades subterrneas brasileiras traze m, no ttulo, expresses Ferreira et al. (2009) e Zampaulo (2010). Por mais atraente que tal abordagem parea, sempre necessrio ter em vista que, no sendo seguidos todos os critrios acima discutidos, o s objetivos de tais estudos podem no ter sido atingidos. E, pior, concluses mal embasadas de trabalhos cientficos podem levar a decises equivocadas por parte das autoridades responsveis pelas polticas ambientais, causando danos ainda maiores do que a ausncia de dados. Finalmente, sempre conveniente lembrar o que diz o Cdigo de tica do profissional Bilogo ( www.cfbio.org.br trechos selecionados, destaques nossos): Art. 6 So deveres profissionais do Bi logo: II Manter se em permanente aprimoramento tcnico e cientfico de forma a assegurar a eficcia e qualidade do seu trabalho visando uma efetiva contribuio para o desenvolvimento da Cincia, preservao e conservao de todas as formas de vida; II I Exercer sua atividade profissional com dedicao, responsabilidade, diligncia, austeridade e seriedade, somente assumindo responsabilidades para as quais esteja capacitado no se associando a empreendimento ou atividade que no se coadune com os prin cpios de tica deste Cdigo e no praticando nem permitindo a prtica de atos que comprometam a dignidade profissional; VII No ser conivente com os empreendimentos ou atividades que possam levar a riscos, efetivos ou potenciais, de prejuzos sociais, d e danos sade ou ao meio ambiente denunciando o fato, formalmente, mediante representao ao CRBio de sua regio e/ou aos rgos competentes, com discrio e fundamentao; VIII Os Bilogos, no exerccio de suas atividades profissionais, inclusive em cargos eletivos e comissionados, devem se pautar pelos princpios da legalidade, impessoalidade, moralidade, probidade, eficincia e tica no desempenho de suas funes REFERNCIAS August, P.V. 1983. The role of habitat complexity and heterogeneity in s tructuring tropical mammal communities. Ecology 64: 1495 1507. Bortolus, A. 2008. Error cascades in the Biological Sciences: the unwanted consequences of using bad taxonomy in Ecology. A Journal of the Human Environment 37: 114 118.

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T rajano, Bichuette & Batalha Estudos ambientais em cavernas: os problemas ... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v. 23 n.1. 201 2 21 Bragagnolo, C. & Pint o da Rocha, R. 2003. Diversidade de opilies do Parque Nacional da Serra dos "rgos, Rio de Janeiro, Brasil (Arachnida: Opiliones). Biota Neotropica 3: www.biotaneotro pica.org.br/v3n1/pt/abstract?article+BN00203012003 Cianciaruso, M.V.; Silva, I.A. & Batalha, M.A. 2009. Diversidades filogentica e funcional: novas abordagens para a Ecologia de comunidades. Biota Neotropica 9: www.biotaneotropica.org.br/v9n3/pt/abstract?article+bn01309032009 Christiansen, K.A. 1962. Proposition pour la classification des animaux cavernicoles. Spelunca 2: 76 78. Clarke, K.R. & Warwick, R.M. 2001 A further biodiversity index applicable to species lists: variation in taxonomic distinctness. Marine Ecology Progress Series 216: 265 278. Colwell, R.K.; Mao, C.X. & Chang, J. 2004. Interpolating, extrapolating, and comparing incidence based species ac cumulation curves. Ecology 85: 2717 2727. Dennis, J.G. & Ruggiero, M.A. 1996. Biodiversity inventory: building an inventory at scales from local to global. In: Szaro, R.C. & D.W. Johnston (Eds). Biodiversity in managed landscapes New York, Oxford Univers ity, p. 149 156. Dubois, A. 2003. The relationships between taxonomy and conservation biology in the century of extinctions. Comptes Rendus Biologies 326: S9 S21. Revista de Biologia e Cincias da Terra 9: 41 58. Gotelli, N.J. & R.K. Colwell. 2001. Quantifying biodiversity: procedures and pitfalls in the measurement and comparison of species richness. Ecology Letters 4: 379 391. Krebs, C.J. 1999. Ecological methodology Benjamin Cummings, Menlo Park. Krell, F.T. 2004. Parataxonomy vs. taxonomy in biodiversity studies pitfalls and applicability of Biodiversity and Conservation 13: 795 812. Mace, G.M. 2004. The role of taxonomy in species conservation. Philosophical Transactions of the Royal Society of London B 359: 711 719. Magurran, A.E. 2004. Measuring biological diversity Blackwell, Oxford. Martins, F.R. & Santos, F.A.M. 1999. Tcnicas usuais de estimativa da biodiversidade. Holos 1: 236 267. May, R.M. 1990. Taxonomy as destiny. Nature 347: 129 130. Meyer Rochow, V.B. & Liddle, A.R. 2001. Some ecological and ethological observations on Hendea myersi cavernicola (Chelicerata: Arachnida: Opiliones), a seeing troglobite. Natura Croatica 10: 133 140. Moreno, C.E. & Halffter, G. 2000. Assessing the completeness of bat biodiversity inventories using species accumulation curve s. Journal of Applied Ecology 37: 149 158. Morrison III, W.R.; Lohr, J.L.; Duchen, P.; Wilches, R.; Trujillo, D.; Mair, M. & Renner, S.S. 2009. The impact of taxonomic change on conservation: Does it kill, can it save, or is it just irrelevant? Biological Conservation 142: 3201 3206. Prtel M., Szava Kovats, R. & Zobel, M. 2011. Dark diversity: shedding light on absent species. Trends in Ecology and Evolution 26: 124 128. Parzefall, J. 1986. Behavioural preadaptations of marine species for the colonizati on of caves. Stygologia 2 : 144 155.

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Paula, Akama & Morais Ictiofauna epgea e hipgea da rea crstica de Pindorama... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 23 ICTIOFAUNA EPGEA E HIP"GEA DA REA CRSTICA DE PINDORAMA DO TOCANTINS TO EPIGEAN AND HYPOGEAN ICHTHYOFAUNA FROM PINDORAMA DO TOCANTINS KARST AREA, TOCANTINS STATE Milton Jos de Paula ( 1 ), Alberto Akama ( 1 ) & Fernando de Morais ( 2 ) (1) Cincias Biolgi cas, Universidade Federal do Tocantins Porto Nacional TO ( 2 ) Geografia, Universidade Federal do Tocantins Porto Nacional TO Contatos: miltonuft@yahoo.com.br ; aakama@ uft.edu.br ; morais@uft.edu.br Resumo Um levantamento ictiofaunstico realizado nos meses de setembro de 2010 e maio de 2011, em corpos de guas superficiais (epgeos) e subterrneo (hipgeo) numa rea crstica n o municpio de Pindorama do Tocantins TO revelou 25 espcies, principalmente da ordem Characiformes, sendo que seis espcies no troglomrficas foram amostradas na Caverna do Japons. Todas as espcies nominais aqui registradas para Pindorama do Tocantin s, j haviam sido reportadas anteriormente para a poro alta da bacia do Rio Tocantins. As espcies encontradas na Caverna do Japons foram tambm coletadas no ambiente epgeo. A presena tanto no meio epgeo e hipgeo, bem como a ausncia de troglomorfis mo s indica m que essas espcies podem ser troglfilas, trogloxenas ou mesmo acidentais em cavernas. Nenhuma espcie troglbia foi registrada na Caverna do Japons Palavras Chave : Peixes de gua doce; troglfilo; diversidade Abstract An ichthyofaunistic survey conducted in September 2010 and May 2011 in surface water (epigean) and subterranean (hypogean) in a karst area in the municipality of Pindorama Tocantins, State of Tocantins, revealed a total of 25 species of fishes, mainly characiforms, in which six non troglomorphic species were were also coll ected in the epigean environment. The presence of both epigean and hypogean zones and the absence of morphological differentiation indicate that these species may be troglophiles, trogloxenic or even accidental in caves. No troglobite species were found in Key Words : Freshwater fishes; troglophiles; diversity 1. INTRODUO A Bacia do Rio Tocantins possui cerca de 2.750 km de extenso, com sua nascente no Planalto Central Brasileiro no estado de Gois, e tem sua drenagem no sentido sul norte, atravessando o estado do Tocantins e desaguando no rio Par, esturio do Rio Amazonas (AGOSTINHO et al., 2009) A sua ictiofauna caracterizada pelo forte endemismo, com muitas espcies ainda no descritas pela cincia, refletindo o baixo conhecime nto sobre sua fauna de peixes. Em relao ictiofauna subterrnea da Bacia do Rio Tocantins, de acordo com Mattox et al (2008), atualmente so descritas nove espcies de peixes troglbios (exclusivamente subterrneos, apresentando o clssico troglomorfis mo, ou seja, reduo de olhos e / ou perda de pigmentao, em relao ao observado em espcies epgeas congneres) (TRAJANO et al 2009b) sendo que sete dessas espcies ocorrem em uma rea crstica de So Domingos, estado de Gois, que representa uma das maiores diversidade de peixes troglbios em todo mundo em uma rea geogrfica restrita (TRAJANO; BICHUETTE, 2006), alm de quatro espcies de peixes troglfilos ( espcies com indivduos capazes de viver e completar o ciclo de vida tanto no ambiente epgeo superficial como no hipgeo subterrneo) (TRAJANO et al 2009b). Porm, nenhuma dessas espcies reportada para o estado do Tocantins. O estado do Tocantins possui um grande nmero de cavernas espalhadas por uma vasta rea e formadas em diferente s litologias. Atualmente esto cadastradas 237 cavernas no CNC (Cadastro Nacional de Cavidades) da Sociedade Brasileira de Espeleologia (MORAIS, 2009), mas que certamente no reflete o nmero real de cavernas presentes no

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Paula, Akama & Morais Ictiofauna epgea e hipgea da rea crstica de Pindorama... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 24 Estado. Apesar disso, os estudos r elacionados fauna caverncola ainda so incipientes, e em relao a sua ictiofauna no existe nenhum estudo, apesar da elevada riqueza de espcies de peixes presentes em suas bacias hidrogrficas: Araguaia e Tocantins (PAULA et al., 2011). Diante do exp osto, existe a necessidade de realizar estudos sobre a ictiofauna caverncola do estado do Tocantins. No presente trabalho apresentamos os resultados da caracterizao da ictiofauna epgea e hipgea numa rea crstica do municpio de Pindorama do Tocantins (TO), conhecida como Lagoa do Japons, representando a etapa inicial para a realizao de futuros estudos sobre a ictiofauna em diferentes cavernas do Estado. 2. REA DE ESTUDO A rea de estudo est situada no municpio de Pindorama do Tocantins que est localizada na poro centro sul do Estado do Tocantins (TO), conhecida como Lagoa do Japons (Fig. 1), pertencente bacia do Rio Manoel Alves na poro Alta da Bacia do Rio Tocantins. A rea est situada em um vale, que se encontra no bioma Cerrado (SEP LAN, 2008), onde vrias fitofisionomias esto presentes de acordo com Ribeiro; Walter (2008), sendo: Matas de Galeria, ao longo das drenagens; Mata Seca Semidecdua, presente nos afloramentos de rochas carbonticas e Cerrado Senso Estrito, que tem variao entre Tpico, Ralo e Rupestre, mas a maioria da vegetao original foi retirada para uso principalmente da pecuria. O clima da regio mido/submido com moderada deficincia hdrica, com precipitao mdia anual de 1.500 mm (SEPLAN, 2008). Geologicamen te, a rea pertence ao Grupo Bambu, unidade estratigrfica formada por rochas carbonticas de idade Neoproterozica (LIMA et al 2007). A distribuio geogrfica desse grupo geolgico ampla, abrangendo os estados de Minas Gerais, Bahia, Gois e Tocanti ns. A rea crstica periodicamente visitada para uso de recreao na Lagoa, mas devido dificuldade de acesso, onde preciso transpor uma serra com escarpas ngremes em estrada de terra pouco conservada, ela se encontra bem preservada, com pouco nvel de perturbao ambiental. Figura 1 : rea crstica Lagoa do Japons (vista parcial). Morais 2010. 2.1. Stios de Amostragens 2.1.1. Localidades epgeas Quatro localidades epgeas foram amostradas: Lagoa do Japons, Rio Bagagem, Crrego Sucuri e Afluent e do Crrego Sucuri (Figura 2). Figura 2 : Mapa de localizao dos stios epgeos de amostragens: 1 Lagoa do Japons, 2 Rio Bagagem, 3 Crrego Sucuri, 4 Afluente do Crrego Sucuri. Fonte: SEPLAN, 2008.

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Paula, Akama & Morais Ictiofauna epgea e hipgea da rea crstica de Pindorama... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 25 4 Sucuri, afluente do Rio Bagagem, drenagem do Rio M anoel Alves, poro alta da bacia do Rio Tocantins, Pindorama do Tocantins, TO. Uma lagoa quase retangular, conectada Caverna do Japons, com aproximadamente 20m de largura por 40m de comprimento. A gua vem de um fluxo de dentro da Caverna. A profundidade mdia de aproximadamente 2,5 metros. A cor da gua caracterstico azul turquesa, o substrato composto por rochas calcrias, areia, lama e troncos de rvores. rvores grandes e arbustos compem a vegetao marginal de todo o sistema. Manoel Alves, poro alta da bacia do Rio Tocantins. Rio de quarta ordem, com 8 9 m de largura e 2 m de profundidade aproximadamente, com correnteza em reas rasas. O fundo rochoso e arenoso. Apresenta mata ciliar bem preservada, formada basicamente por rvores e arbustos. nda ordem, com aproximadamente 15 km de extenso e 2 m de largura. A correnteza moderadamente rpida. Possui em mdia 1,5 m de profundidade, o fundo basicamente arenoso. A mata ciliar rica, formada basicamente por rvores e arbustos. 4. Afluente do Crrego Sucuri de primeira ordem com aproximadamente 3 k m de extenso e 2 m de largura. Correnteza moderadamente rpida, o fundo composto por rochas e seixos e possui aproximadamente 1 m de profundidade A mata ciliar est bem preservada, composta basicamente de rvores, arbustos e cips Figura 3 : A Lagoa do Japons (Morais 2010), B Rio Bagagem, C Crrego Sucuri, D Afluente do Crrego Sucuri. Paula 2010. 2.2.1. Localidade hipgea Caverna do A Caverna possui um desenvolvimento horizontal de 441 m e desnvel de 13m. A Caverna se desenvolve no sentido norte concordando com o sentido do escoamento das drenagens dos crregos da bacia do Crrego Sucuri, ap resentando trs nveis de regime

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Paula, Akama & Morais Ictiofauna epgea e hipgea da rea crstica de Pindorama... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 26 hidrolgico de acordo com Kohler (2008): vadoso (seco), epifretico (onde a gua alterna o seu nvel) e fretico (z ona permanentemente com gua). bem desenvolvida apresentando alguns espeleotemas como bolo de noiva, esta lactite, estalagmite, represas de travertino, e que se encontram bem preservados (PEREIRA; MORAIS, 2011) (Fig. 4A/B). A Caverna possui duas entradas, uma pelo conduto inundado, que se d pela Lagoa, e outra no alto do macio rochoso, aproximadamente 6 m d o nvel de base da Caverna. A sua rea ocupada por uma formao de Mata Seca Semidecdua, com presena de Ficus sp em suas paredes, onde suas razes descem at a superfcie da Lagoa. Figura 4 : Caverna do Japons: A Parte superior. B Conduto inund ad o. Mo rais 2010. 3. MATERIAL E MTODOS Amostragens em corpos epgeos foram realizadas com uso de pu, redes de mo, tarrafas e rede de emalhar de diferentes tamanhos e malhas. A amostragem da ictiofauna hipgea foi realizada, somente com o uso de pu devido dificuldade que a rea apresenta para a utilizao de outras tcnicas de coleta. As coletas foram realizadas durante os meses de setembro de 2010 e maio de 2011, totalizando quatro dias de coletas Os peixes coletados foram preservados e transfe ridos diretamente para uma soluo de lcool 70%, aps prvia fixao em formol 10% Antes da fixao os peixes foram anestesiados com uma soluo anestsica de leo de cravo. Os espcimes foram classificados em nvel de espcie, sempre que possvel, e dep ositados na coleo de peixes do Laboratrio de Ictiologia Sistemtica, pertencente ao Ncleo de Estudos Ambientais (NEAMB) da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Mergulhos livres com mscaras ( snorkeling ) foram realizados ao longo da Lagoa do Japons para observaes de peixes associados Caverna. (Licena IBAMA: 17759 1). A frequncia relativa das espcies epgeas foi calculada em termos de nmero de indivduos de cada espcie em relao ao total coletado, expresso em porcentagem, de acordo com Tra jano et al. (2009b). As espcies foram ento classificadas em quatro categorias de acordo com sua abundncia: raros: menos de 1% da abundncia relativa; incomuns: 1 7% de abundncia relativa; comuns: 7 20% de abundncia relativa, e muito comuns: mais de 2 0 % da abundncia relativa. 4. RESULTADOS E DISCUSSO 4.1. Ictiofauna Epgea A amostragem nos ambientes aquticos de superfcie resultou na coleta de 1.628 espcimes pertencentes a 25 espcies de oito famlias. As famlias representam cinco ordens de co mum ocorrncia para guas Neotropicais: Characiformes com 13 espcies, Siluriformes com sete espcies, Perciformes com duas espcies, Cyprinodontiformes e Synbranchiformes com uma espcie cada. A famlia mais diversa foi Characidae com 11 espcies, seguida por Loricariidae e Callichthyidae com trs espcies, Cichlidae com duas espcies, Crenuchidae, Erythrinidae, Rivulidae e Synbranchidae com uma espcie. A lista de espcies com as respectivas localidades de ocorrncia est na Tabela 1. A nica espcie amo strada nas quatro localidades epgeas foi Characidium sp. As espcies mais frequentes foram, Hyphessobrycon sp e Knodus sp. com 32,7% e 28,6% do total de espcimes coletados respectivamente, ambas ocorrendo em trs localidades, sendo as nicas espcies classificadas como muito comum (mais de 20% do total coletado). As espcies Characidium sp. (10%) e Serrapinus sp. (7,6%) foram

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Paula, Akama & Morais Ictiofauna epgea e hipgea da rea crstica de Pindorama... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 27 consideradas comuns (de 7 a 20% do total coletado), sendo a ltima ocorrendo em duas localidades. Cinco espcies foram conside radas incomuns (variando de 1 a 7% do total coletado): Astyanax cf. goyacensis, Rivulus sp., Hypostomus sp., ocorrendo em trs localidades, Corumbataia cf. tocantinensis ocorrendo em duas localidade e Creagrutus britskii ocorrendo exclusivamente em uma lo calidade. Quatorze espcies foram consideradas raras (menos de 1% do total coletado): Astyanax elachylepis Bryconops sp., Creagrutus mucipu Jupiaba polylepis Hoplias curupira Retroculus lapidifer Geophagus neambi Loricaria sp., Aspidoras albater Syn branchus marmoratus Brachychalcinus copei Otocinclus hoppei, sendo as respectivas registradas em uma s localidade, Moenkhausia cf oligolepis ocorrendo em trs localidades, Aspidoras eurycephalus e Corydoras sp., registradas em duas localidades. T abela 1 Espcies de peixes amostrados na rea crstica de Pindorama, Tocantins. Famlias em ordem sistemtica de acordo com Lucinda et al. (2007), espcies em ordem alfabtica dentro de cada famlia. Localidades: Epgeas (superfcie): 1 Lagoa do Japon s; 2 Ri o Bagagem; 3 Crrego Sucuri; 4 Afluente do Crrego Sucuri; Hipgea (subterrnea): 5 Caverna do Japons. Txon Localidade Epgea Hipgea 1 2 3 4 5 Ordem Characiformes Famlia Characidae: Astyanax cf. goyacensis X X X Astyan ax elachylepis X Brachychalcinus copei X Bryconops sp. X Creagrutus britskii X Creagrutus mucipu X Hyphessobrycon sp X X X X Jupiaba polylepis X Knodus sp. X X X X Moenkhausia cf. oligolepis X X X X Se rrapinus sp. X X Famlia Crenuchidae: Characidium sp. X X X X Famlia Erythrinidae: Hoplias curupira X Hoplias malabaricus X Ordem Siluriformes Famlia Loricariidae: Corumbataia cf. britskii X X X Hypostomus sp. X X X X Loricaria sp X Otocinclus hoppei X Famlia Callichthyidae: Aspidoras albater X Aspidoras eurycephalus X X Corydoras sp. X X Ordem Perciformes Famlia Cichlidae: Geophagus neambi X Retroculus lapidifer X Ord em Cyprinodontiformes Famlia Rivulidae: Rivulus sp. X X X Ordem Synbranchiformes Famlia Synbranchidae: Synbranchus marmoratus X

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Paula, Akama & Morais Ictiofauna epgea e hipgea da rea crstica de Pindorama... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 28 Ao todo na Lagoa do Japons foram coletados 965 espcimes de 10 espcies, sendo a espcie Synbranchus marmoratus exclusiva para essa localidade. No Rio Bagagem foram coletados 137 espcimes de 14 espcies, sendo o ponto mais diverso. Dez espcies foram exclusivas para desta localidade, Jupiaba polyleps Retroculus lapidifer Astyanax elaquileps Bryconops sp., Loricaria sp., Geophagus neambi Creagrutus mucipu Creagrutus britskii Brachychalcinus copei e Otocinclus hoppei. O Crrego Sucuri apresentou 207 espcimes coletados de oito espcies e seu afluente apresentou 269 espcimes coletados de oito espcie s, sendo a espcie Aspidoras albater exclusiva do Crrego Sucuri. Todas as espcies de peixes aqui amostradas nas localidades epgeas j haviam sido notificadas anteriormente para a poro alta da bacia do Rio Tocantins por Lucinda et al (2007) e Soare s et al (2009). Um levantamento da ictiofauna em corpos Domingos (GO) alto Rio Tocantins, realizado por Bichuette; Trajano (2003) registrou 38 espcies, na sua maioria Siluriformes. Na rea aqui em estudo, a or dem mais representativa foi Characiformes, resultado encontrado tambm por Mattox et al. (2008) e Trajano et al (2009b) em levantamentos na bacia do Rio So Francisco, em rea crstica da Serra do Ramalho (BA) e de Codisburgo (MG), respectivamente. Algun s txons amostrados no puderam ser identificados em nvel de espcie, pois so desconhecidas ou apresentam pouco conhecimento sobre o status taxonmico e nomenclatural, como por exemplo: Characidium sp., Hyphessobrycon sp., Hypostomus sp., e Knodus sp. (L ucinda et al., 2007), que provavelmente so espcies novas, ou foram identificados de forma insegura, como o caso de Astyanax cf. goyacensis e Corumbataia cf. tocantinensis Isso revela o baixo nvel de conhecimento da ictiofauna na bacia do Rio Tocantin s, que semelhante para peixes de gua doce Neotropical como um todo (VARI; MALABARBA, 1998). 4.2. Ictiofauna Hipgea Amostras na Caverna do Japons totalizaram 50 espcimes de seis espcies (Tabela 1): Knodus sp., Hypostomus sp., Hoplias malabaricus A styanax cf. goyacensis Moenkhausia cf. oligolepis e Hyphessobrycon sp. sendo Knodus sp. a espcie mais representativa (pouco mais de 50% do total de espcimes coletados). Todas essas espcies foram registradas tambm nos ambientes epgeos amostrados. As espcies amostradas na Caverna do Japons no apresentam caractersticas que as classifiquem como espcies troglbias (tais como, reduo de olhos e/ou perda de pigmentao, em relao ao observado em espcies epgeas congneres). A presena tanto no meio epgeo como subterrneo, bem como a ausncia de diferenciao morfolgica, indicam que essas espcies podem ser troglfilas (espcies com indivduos capazes de viver e completar o ciclo de vida tanto no ambiente superficial como no subterrneo), trogloxen as (espcies com indivduos encontrados regularmente em cavernas, mas que devem sair periodicamente ao meio epgeo para completar o seu ciclo de vida) ou mesmo acidentais em cavernas (MATTOX et al., 2008). Esse fato pode ser explicado pela ausncia de isol amento entre o meio hipgeo e epgeo na rea de estudo, o que dificulta a formao de populaes troglbias na Caverna, que esto condicionadas principalmente ao isolamento devido a extino das populaes epgeas na mesma regio (TRAJANO; BICHUETTE, 2006) A espcie Hoplias cf. malabaricus indicada como troglfila em uma caverna na rea crstica na Serra do Ramalho (BA), por Mattox et al. (2008). Na Caverna do Japons no foi possvel indicar Hoplias malabaricus como uma espcie troglfila, pelo nmero r eduzido de exemplares coletados que sugere que essa espcie no esteja completando seu ciclo de vida dentro da caverna. Observaes feitas atravs de mergulhos livres com mscaras ( snorkeling ) na Lagoa do Japons e na entrada da Caverna do Japons (caract erizada pela incidncia direta de luz) durante o dia, permitiu a identificao de espcimes de Hypostomus sp. que provavelmente enquadram se na categoria de espcie trogloxena na Caverna. Uma grande populao de Hypostomus sp. foi observada na zona de entr ada da caverna durante o dia, mas no sendo observados na Lagoa. Em redes overnight colocadas em pontos distintos da Lagoa, uma quantidade significativa de exemplares de Hypostomus sp. foram coletados. Esses fatos sugerem que, durante o dia esses indivduo s utilizam a Caverna como refugio, saindo noite para o forrageamento na Lagoa. Em rea crstica de So Domingos (GO), Hypostomus sp. considerada espcie troglfila (MATTOX et al., 2008). 5. CONSIDERA'ES FINAIS O fluxo contnuo entre o meio epgeo e hipgeo na rea provavelmente o principal fator de

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Paula, Akama & Morais Ictiofauna epgea e hipgea da rea crstica de Pindorama... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 29 limitao para a ocorrncia de espcies troglbias na Caverna do Japons. O fato da no ocorrncia de peixes troglbios na rea crstica do municpio de Pindorama do Tocantins, no exclui a possibilidade de ocorrncia desses peixes em outras cavernas do Estado, que sero alvos de futuros trabalhos, e que certamente contribuiro para o aumento do conhecimento da ictiofauna caverncola do Estado do Tocantins. O nmero considervel de txons no identificado s revela a necessidade de mais estudos sistemticos sobre os peixes da bacia do Rio Tocantins. AGRADECIMENTOS Ao Ncleo de Estudos Ambientais (NEAMB), em especial ao Prof. Dr. Paulo Henrique Lucinda, aos bilogos Anderson Brito e Everton Faustino e a bi loga Iriene Siqueira pelo apoio e ajuda na identificao dos peixes. Aos bilogos Estevo, Glauco Bueno e Wagner Matos pela ajuda nas coletas. Ao Prof. Mesc. Rodney. Ao gegrafo Saulo da Rocha, pela ajuda na espeleologia e ao TEG (Tocantins Espeleo Grupo). O presente trabalho foi realizado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico CNPq Brasil. REFERNCIAS AGOSTINHO, C.S.; AKAMA, A.; LUCINDA, P.H.F. Insero da UHE Peixe Angical na bacia Araguaia Tocantins e metodolo gia da amostragem. In: AGOSTINHO, C.S.; PELICICE, F.M.; MARQUES, E.M. (Eds.) Reservatrio de Peixe Angical: bases ecolgicas para o manejo da ictiofauna So Carlos: RiMa. 2009. p. 5 13. BICHUETTE, M. E.; TRAJANO, E. Epigean and subterranean ichthyofauna f rom the So Domingos karst area, Upper Tocantins River basin,Central Brazil Journal of Fish Biology 63(5). 2003. KOLHER, H. C. Geomorfologia Crsticas In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B..(Eds.). Geomorfologia: uma atualizao de bases e conceitos 4 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil Ltda. 2008. p.309 334. LIMA, O.N.B.; UHLEIN, A.; BRITTO, W.; Estratigrafia do Grupo Bambu na Serra da Saudade e geologia de depsito fosftico de Cedro do Abaet, Minas Gerais. Revista Brasileira de Geocincias 37(4). 200 7. LUCINDA, P.H.F.; FREITAS, I. S.; SOARES, A. B.; MARQUES, E. E.; AGOSTINHO, C. S.; OLIVEIRA, R. J. Fish, Lageado Reservior, rio Tocantins drainage, State of Tocantins, Brazil. Check List (Unesp). 3(2). 2007. MATTOX, G.M.T.; BICHUETTE, M.; E. SECUTTIL, S. ; TRAJANO, E. Surface and subterranean ichthyofauna in the Serra do Ramalho karst area, northeastern Brazil, with updated lists of Brazilian troglobitic and troglophilic fishes. Biota Neotrop 8(4). 2008. MORAIS, F. Contexto geolgico das cavernas em ar enito do estado do Tocantins. Congresso Brasileiro de Espeleologia, 30, Montes Claros. Anais Montes Claros: SBE, 2009. p.139 144. PAULA, M. J.; AKAMA, A.; MORAIS, F.; Ictiofauna epgea e hipgea numa rea crstica de Pindorama do Tocantins, TO: resultado s preliminares. Congresso Brasileiro de Epeleologia, 31, Ponta Grossa. Anais Ponta Grossa: SBE, 2011. p.459 464. PEREIRA, G. C.; MORAIS, F. Caracterizao Geomorfolgica do Sistema Crstico da Gruta Lagoa do Japons Pindorama do Tocantins TO. Congress o Brasileiro de Epeleologia, 31, Ponta Grossa. Anais Ponta Grossa: SBE, 2011. p.95 101. RIBEIRO, J. F.; WALTER, B. M. T. As Principais Fitofisionomias do Bioma Cerrado. In: SANO, S. M.; ALMEIDA, S. P.; RIBEIRO, J. F. (Eds.) Cerrado: ecologia e flora Bras lia: Embrapa Informao Tecnolgica. 2008. p.153 212. SEPLAN. Atlas do Tocantins: subsdios ao planejamento da gesto territorial Palmas. TO. 2008.

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Paula, Akama & Morais Ictiofauna epgea e hipgea da rea crstica de Pindorama... SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 30 SOARES, A.B.; PELICICE, F. M.; LUCINDA, P. H. F.; AKAMA, A.; AGOSTINHO, C. S. Diversidade de peixes na rea de influncia da barragem de Peixe Angical, antes e aps a formao do reservatrio. In: AGOSTINHO, C.S.; PELICICE, F.M.; MARQUES, E.M. (Eds.) Reservatrio de Peixe Angical: bases ecolgicas para o manejo da ictiofauna So Carlos: RiMa. 2009. p.15 27 TRAJANO, E.; BICHUETTE, M.E. Biologia Subterrnea: Introduo So Paulo: Rede Speleo. 2006. pp. 92. TRAJANO, E.; SECUTTI, S.; BICHUETTE, M. E. Natural history and population data of fishes in caves of the Serra do Ramalho karst area, Middle So Francisc o basin, northeastern Brazil. Biota Neotrop 9(1). 2009a. TRAJANO, E.; SECUTTI, S.; MATTOX, G.M.T. Epigean and subterranean ichthyofauna in Cordisburgo karst area, eastern Brazil Biota Neotrop. 9(3). 2009b. VARI, R. P.; MALABARBA, L. R. Neotropical Ichthyology: an overview. In: MALABARBA, L.R.; REIS, R.E.; VARI, R.P.; LUCENA, Z.M.S.; LUCENA, C.A.S. (Eds.). Phylogeny and Classification of Neotropical Fishes Porto Alegre: Edipucrs. 1998. p.1 11 Fluxo editorial : R ecebido em: 2 4 02 .20 1 2 Aprovado em: 2 3 05 .201 2 A revista Espeleo Tema uma publicao da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.cavernas.org.br/espeleo tema. asp

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SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 31 SUMRIO DE TTULOS VOLUME 22 (SUMMARY OF TITLES VOLUME 22 ) Tufas: Caverna do Rio F ria (SP 40) revisitada 100 anos depois de K rone: histria e geologia de uma caverna formada pelo crescimento de tufa Rio Fria Cave (SP 40), revisited 100 years after K ro ne: history and geology of a cave formed by tufa growth William Sallun Filho, Luis Henrique Sapiensa Almeida, Bruna Ferri Torresi, Fbio Rodrigues Nobre Gouveia & Ana Laura Person 7 Ferro/Canga : N ovo stio espeleolgico em sistemas ferruginosos, no vale d o R io Peixe Bravo, norte de Minas Gerais, Brasil N ew speleological site in ferruginous systems, Rio Peixe Bravo valley, northern Minas Gerais, Brazil Felipe Fonseca do Carmo, Flvio Fonseca do Carmo, Andr Augusto Rodrigues Salgado & Claudia Maria Jacobi 2 5 Unidade espeleolgica C arajs: delimitao dos enfoques regional e local, conforme metodologia da IN 02/2009 MMA Unidad espeleologica C arajs: los lmites de enfoques regionales y lugar como la metodologa IN 02/2009 MMA Raul Fontes Valentim & Joo Paul o R. Olivito 41 Caracterizao da unidade espelolgica e das unidades geomorfolgicas da regio do Quadriltero Ferrfero MG Characterization of the speleological unit and of the geomorphological units of the Quadriltero Ferrfero region MG Osvaldo A Belo de Oliveira, Joo Paulo R. Olivito & Daniela Rodrigues Silva 61 Arenitos : C arste em rochas no carbontica s: o exemplo dos arenitos da formao F urnas Campos Gerais d o Paran/Brasil e as implicaes para a regio K arst in non carbonate rocks: e xam ple and implications in the F urnas formation sandstones, Campos Gerais d o Paran regio n, southern B razil Mrio Srgio de Melo, Gilson Burigo Guimares, Henrique Simo Pontes, Las Luana Massuqueto, Isabelle Pigurim, Hugo Queiroz Bagatim & Paulo Csar Fons eca Giannini 81 Geosstio do Sumidouro do R io Quebra Perna (Ponta Grossa/P R Brasil): relevante exemplo de sistema crstico nos arenitos da Formao Furnas Sumidouro d o Rio Quebra Perna G eosite (Ponta Grossa city, Paran s tate, Brazil): relevant example o f the karst system in sandstones of the Furnas Format ion Las Luana Massuqueto, Gilson Burigo Guimares & Henrique Simo Pontes 99 Caverna d a Chamin, Ponta Grossa, P R Brasil: potencial espeleolgico, recursos hdricos subterrneos e riscos geoambientais Chamin (chimney) C ave, Ponta Grossa city, southern Brazil: speleological potential, groundwater resources and geological hazard Henrique Simo Pontes & Mrio Srgio de Melo 111

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SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 32 C avernas em a renito no planalto residual do T ocantins S andstone cav es in the planalto resi dual do Tocantins Fernando Morais & Saulo da Rocha 127 Biologia/Paleontologia: K arstic features generated from large palaeo vertebrate tunnels in southern B razil Caractersticas krsticas generadas a partir de gran tneles de paleovertebrados en el sur de Brasil Heinrich Theodor Frank, Francisco Sekiguchi de Carvalho Buchmann, Leonardo Gonalves de Lima, Felipe Caron, Renato Pereira Lopes & Milene Fornari 139 Comunidades de invertebrados terrestres de trs cavernas quartzticas no V ale do Ma ndembe, Luminrias, MG T errestrial invertebrate communities of three quartzite caves in the Vale d o Mandembe, Luminrias, MG Marconi Souza Silva, Jos Carlos Nicolau & Rodrigo Lopes Ferreira 155

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SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 33 NDICE DE ASSUNTOS VOLUME 22 ( INDEX OF SUBJECTS VOLUME 22 ) A Arenito 127 B Biospeleology 155 C Cangas, 25 Campos Gerais, 99 Carajs, 41 Carste em arenito 111 Carste em arenitos 81 C arste em rochas siliciclsticas 99 Carste ferruginoso 2 5 C arste no carbontico 81 Cave s 25 Caverna da Chamin 111 C averna do Rio Fria, 7 Cavernas, 25 Chamin Cave 111 Community structure 155 Crotovinas 139 Crotovines, 139 D Diversidade, 155 Diversit 155 E Enfoque local, 41 Enfoque regional, 41 Environmental licensing 61 Estrutura de comunidades 155 F Fauna, 15 5 Ferruginous karst 25 Formao Furnas 81 99 111 Furnas Formation 81 99 111 G Geological hazard 111 Geomorfologia Crstica, 127 Geomorphological unit 61 G esto do patrimnio natural 81 G roundwater resources 111 I Invertebrados, 155 I ronstone o utcrops 25 K Karst 139 Karst Geomorpholog y 127 K arst in quartzose rocks 99 Karst in sandstone 81 L Licenciamento ambiental, 61 N N atural heritage management 81 N on carbonate karst 81 P Palaeoburrows 139 Paleocuevas 139 Paleovertebrados 139 Pa laeovertebrates, 139 Q Quadriltero Ferrfero 61 Quartzite 155 Quartzito, 155 R R ecursos hdricos subterrneos 111 7 Rio Peixe Bravo valley 25 Riscos geoambientais 111 S Sandstone 127 S andstone karst 111 Serra do Andr Lopes, 7 S igismund Ernst Richard Krone 7 Speleological unit 61 Sumidouro do Rio Quebra Perna 99 T Tocantins, 127 Tocantins State 127 Tufa, 7 Tneles 139 Tunnels, 139 U Unidad de espeleologa 41 Unidad geomorfolgica 41 Unidade espeleolgica, 41 61 Unidade geomorfolgica, 41 61 V Vale do Rio Peixe Bravo, 25

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SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 34 NDICE DE AUTORES VOLUME 2 2 (INDEX OF AUTHORS VOLUME 22 ) A Almeida, 7 B Bagatim, 81 Buchmann 139 C Carmo, 25 Caron, 139 F Ferreira, 155 Fornari, 139 Frank 13 9 G Giannini, 81 Gou veia, 7 Gu imares, 81 99 J Jacobi, 25 L Lima, 139 Lopes, 139 M Massuqueto 81, 89 Melo 81, 111 Morais, 127 N Nicolau, 155 O Oliveira, 61 Olivito, 41 61 P Person, 7 Pigurim 81 Pontes, 81, 99, 111 R Rocha, 127 Rodrigues Silva, 61 S Sallun Filho 7 Salgado, 25 Souza Silva, 155 T Torresi, 7 V Valentim, 41

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SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 35 QUADRO DE AVALIADORES VOLUME 2 2 ( BOARD OF REVIEW VOLUME 2 2 ) No ano de 201 1 os originais recebidos foram avaliados pelos seguintes pesquisadores: Dr. Carlos Henrique Grohmann Universidade d e So Paulo (USP) Dr. Cesar Ulisses Vieira Verissimo Universidade Federal do Cear (U FC ) Dr. Cludio M. Teixeira da Silva Universidade Federal de Ouro Preto (U FOP ) Dr a Danielle Piuzana Mucida Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucu ri (U FVJM ) Dr Fabiano Tomazini da Conceio Universidade Estadual Paulista (U NESP ) Dr. Fernando Morais Universidade Federal do Tocantins (UFT) Dr. Gilson B. Guimares Universidade Estadual de Ponta Grossa (U EPG ) Dr. Guillermo Navarro Universid ade Estadual Paulista (UNESP) Dr. Hlio Shimada Instituto Geolgico Secretaria do Meio Ambiente de So Paulo (IG SMA/SP) Dr Heros Augusto Santos Lobo Universidade Federal de So Carlos (U FSCAR ) Dra. Ktia Cury Ministrio do Meio Ambiente ( MMA ) Dr Luiz Eduardo Panisset Travassos Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais ( PUC MG) Dra. Maria Elina Bichuette Universidade Federal de So Carlos (U FSCAR ) Dr. Mrio S rgio de Melo Universidade Estadual de Ponta Grossa (U EPG ) Dr. Paulo C sar Boggiani Universidade de So Paulo (USP) Dr. Renato Pirani Ghilardi Universidade Estadual Paulista (UNESP) Dr. Ricardo Galeno Fraga de Arajo Pereira Geoklock Consultoria e Engenharia Ambiental ( GEOKLOCK) Dr. Rubens Hardt Universidade Estad ual Paulista (UNESP) Dra. rsula Ruchkys de Azevedo Universidade Federal de Minas Gerais (UF MG ) Dr. Walter Fagundes Morales Universidade Estadual de Santa Cruz ( UESC) Dr. William Sallun Filho Instituto Geolgico Secretaria do Meio Ambiente de S o Paulo (IG SMA/SP)

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SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 36 GESTO EDITORIAL 201 1 Durante o ano de 20 1 1 a revista Espeleo Tema apresentou o seguinte fluxo editorial de avaliao de originais: Originais recebidos em 201 1 : 15 Originais publicados em 201 1 : 10 Originais reprovados em 201 1 : 02 Originais recebidos em 201 1 em avaliao para 2012 : 0 4 Web site (no perodo de 01/01/20 1 1 a 31/ 12 /20 1 1 ) Total de page views (pgina da revista): 3.666 Total de page views (pgina de cada nmero) Volume 22 Nmero 1: 859 Volume 21 Nmero 2: 527 Volume 2 1 Nmero 1: 876 Volume 20 Nmeros 1 2: 1.009 Total de downloads (revista completa): Volume 22 Nmero 1: 760 Volume 21 Nmero 2: 712 Volume 21 Nmero 1: 660 Volume 20 Nmeros 1 2: 659 Total de downloads (por artigo): Volume 22 nmero 1 p.000 005: 90 Volu me 22 nmero 1 p.007 023: 265 Volume 22 nmero 1 p.025 039: 297 Volume 22 nmero 1 p.041 060: 238 Volume 22 nmero 1 p.061 080: 267 Volume 22 nmero 1 p.081 097: 243 Volume 22 nmero 1 p.099 110: 162 Volume 22 nmero 1 p.111 126: 243 Volume 22 nmero 1 p.1 27 137: 182 Volume 22 nmero 1 p.139 153: 198 Volume 22 nmero 1 p.155 167: 227 Volume 21 nmero 2 p. 115 118: 92 Volume 21 nmero 2 p. 119 129: 201 Volume 21 nmero 2 p. 131 144: 237 Volume 21 nmero 1 p. 145 149: 77 Volume 21 nmero 1 p. 000 005: 190 Volume 21 nmero 1 p. 007 016: 262 Volume 21 nmero 1 p. 017 028: 218 Volume 21 nmero 1 p. 029 041: 344 Volume 21 nmero 1 p. 043 048: 131 Volume 21 nmero 1 p. 049 065: 262 Volume 21 nmero 1 p. 067 103: 170 Volume 21 nmero 1 p. 1 05 112: 245 Volume 21 nmero 1 p. 113 114: 232

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SBE Campinas, SP | Espeleo Tema v.23 n.1. 201 2 37 Volume 20 nmeros 1 2 p. 000 005: 167 Volume 20 nmeros 1 2 p. 007 023: 486 Volume 20 nmeros 1 2 p. 025 036: 312 Volume 20 nmeros 1 2 p. 037 047: 283 Volume 20 nmeros 1 2 p. 049 058: 380 Volume 20 nmeros 1 2 p. 059 060: 15 5 Marcelo Augusto Rasteiro Editor Executivo A revista Espeleo Tema uma publicao da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.cavernas.org.br/espeleo tema.asp