SBE Antropoespeleologia

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SBE Antropoespeleologia

Material Information

Title:
SBE Antropoespeleologia
Series Title:
SBE Antropoespeleologia
Alternate Title:
SBE Antropoespeleologia: Boletim Eletrônico da Seção de História da Espeleologia da SBE
Publisher:
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Genre:
serial ( sobekcm )

Notes

General Note:
Gruta Azul, na Itália, sofre com atentados - Caminhada à Santa do Paredão, Paraná - Gruta do Molha, Jaraguá do Sul-SC - Lendas e a Santa do Paredão, Jaguariaíva, PR - Destruidores da História - João Maria, o monge da Lapa, PR - O monstro da Lapa - Imagem da padroeira chega à catedral após a procissão - Foto do Leitor: Uso militar de cavernas no Laos, sudeste asiático.
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Open Access - Permission by Publisher
Original Version:
Vol. 2, no. 24 (2009)
General Note:
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Record Information

Source Institution:
University of South Florida Library
Holding Location:
University of South Florida
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Resource Identifier:
K26-03369 ( USFLDC DOI )
k26.3369 ( USFLDC Handle )
8623 ( karstportal - original NodeID )
1982-3630 ( ISSN )

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serial

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Gruta Azul, na Itlia,
sofre com atentados Caminhada Santa do Paredo, Paran -
Gruta do Molha, Jaragu do Sul-SC Lendas e a Santa do
Paredo, Jaguariava, PR Destruidores da Histria Joo
Maria, o monge da Lapa, PR O monstro da Lapa Imagem da
padroeira chega catedral aps a procisso Foto do Leitor:
Uso militar de cavernas no Laos, sudeste asitico.



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R S B E S B E Antropoespeleologia Boletim Eletrnico da Seo de Histria da Espeleologia da SBE Ano 2 N 24 15/09/2009 ISSN 1982-3630 1 S B E S B E A n t r o p o e s p e l e o l o g i a GRUT A AZUL, NA ITLIA SOFRE COM A TENT ADOS O evento religioso o c o r r e t o d o l t i m o domingo do ms de maio em Jaguariava P aran. As origens da S a n t a d o P a r e d o r e m o n t a m a p r o x i m a d a m e n t e a o ano de 1920, quando u m m o r a d o r l o c a l s e n h o r J u s t i n o d e Miranda contava que c a a d o r e s h a v i a m localizado uma imagem d e u m a s a n t a M a i s tarde ao voltarem para busc-la constataram que ela havia mudado de lugar para o alto do paredo O local freqentado por romeiros e anualmente promove-se uma Caminhada da cidade at o local onde se celebra missa e se instalam barracas de comidas e artigos diversos recebendo romeiros de vrias regies Mais informaes na prxima pgina Secretaria de Estado da Cultura do P aran CAMINHAD A S ANT A DO P AREDO P ARAN T errorismo ambiental dio aos turistas ou um ato da chamada eco-mafia – no se sabe – mas a famosa Gruta Azul na Itlia tem sido alvo de vrios de atentados recentemente A polcia foi alertada para a presena na gua de uma espuma txica no identificada O local um dos pontos mais visitados pelos que se deslocam ilha da Capri na costa napolitana A gruta foi fechada para visitas e a princpio seria reaberta aps uma semana H alguns dias um empresrio da ilha foi detido enquanto jogava garrafas de vidro quebradas nA gua U m a o u t r a t e n t a t i v a d e p o l u i r a g r u t a f o i p r o t a g o n i z a d a n o d i a 1 8 d e a g o s t o p o r trabalhadores de uma empresa turstica que despejaram guas residuais (esgoto) na gruta Adaptado de http://pt.euronews.net e UOL Notcias com informaes da Associated P ress P oliciais impedem o acesso de turistas Gruta Azul em Capri (F oto : AP) C a m i n h a d a S a n t a d o P a r e d o J a g u a r i a v a ( F o t o : A c e r v o D e p a r t a m e n t o d e C o m u n i c a o d a Secr etaria de Estado da Cultura do Paran) O evento religioso ocorre todo ltimo domingo do ms organizado pela Comunidade Catlica Nossa Senhora do R osrio do Rio Molha Aps a missa dedicada Nossa Senhora de L ourdes a Associao de Moradores faz homenagem s famlias mais antigas do Molha como forma de reconhecer o esforo pela construo da comunidade A primeira capela foi edificada por volta de 1889 e ser via tambm de escola Os padres vinham de Ascurra trimestralmente celebrar missas batizados crismas e casamentos A segunda sede da comunidade foi em estilo enxaimel e possua um quadro de Nossa Senhora do R osrio trazido da Itlia pela famlia de P edro Bassani Em 1961 foi inaugurada a terceira sede da capela sendo a atual inaugurada em 1966. Em 1971 era inaugurada a gruta As doaes das famlias que puderam viabilizar todas as edificaes e perpetuar a religiosidade local Jornal do V ale do Itapocu G R U T A D O M O L H A J A R A G U D O S U L S C

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2 S B E S B E A n t r o p o e s p e l e o l o g i a Conta-se que pelos idos de 1820, quando Jaguariava ainda no existia e era apenas uma vasta rea de terra cheia de matas e campos num raio de mais de uma centena de quilmetros pertencendo Vila de Castro surgiu a lenda da Santa do P aredo A origem exata da imagem da santa ningum sabe O que chama a ateno at hoje o surgimento do desenho de uma imagem na pedra num paredo uns 80 metros de altura trabalhado pela natureza de modo admirvel Muitas histrias surgiram com o passar dos anos Uma delas contada pelo senhor Jostino de Miranda morador na poca nas imediaes do paredo diz que s margens do rio alguns homens caavam e j depois do meio-dia sem que tivessem tido sucesso na caada ouviram repentinamente os latidos dos ces furiosos Correram para verificar o que acontecia os ces continuavam latindo sem parar O terreno era muito irregular mata muito fechada e os cachorros haviam se embrenhado num local de acesso muito difcil Aps vencer os obstculos verificaram que os ces muito bravos latiam e investiam contra alguma coisa O primeiro caador a chegar v ento uma cena da qual nunca mais se esquecer: os ces aos ps de um alto paredo de pedra latindo contra um facho forte de luz que dele emanava Essa viso foi testemunhada por todos os caadores que viram No meio do mato ao p do paredo no meio de uma forte luz azulada estava aparecendo a imagem de uma santa Uma imagem de santa que eles nunca tinham visto porm imaginavam que era de uma santa A religiosidade aflorava naquela poca e os caadores imediatamente voltaram para o povoado a quase trinta quilmetros contando a todos o que viram As pessoas ficavam admiradas e logo comearam a visitar o local E no muito tempo depois iniciaram-se algumas romarias para ver a Santa do P aredo Alguns j falavam em construir uma capela mas de repente ningum mais via a santa Ela havia preparado uma surpresa A imagem vista pelos caadores inicialmente na parte baixa do paredo no mais aparecia ali As aparies pararam por um tempo Mas no demorou muito para que voltassem a acontecer S que a partir de ento no centro do paredo em local a que jamais se poderia chegar pois o paredo tinha cerca de 100 metros de altura Esses fatos que tiveram registros a partir de 1820 em Jaguariava contm uma curiosa coincidncia com o grande fenmeno religioso do Brasil Aconteceram paralelamente as aparies de Nossa Senhora Aparecida a verso negra da me de Jesus no Rio P araba no Estado de So P aulo A poca era a do tropeirismo P or ali passava o histrico Caminho de Viamo E os maiores divulgadores da histria da Santa do P aredo foram os tropeiros que transportavam de tudo levando de Viamo-RS SorocabaSP mulas carregadas de produtos Ao passarem por ali encantavam-se com tudo que ouviam Era na poca o nico meio de transporte e comunicao Eles se incumbiam de espalhar pelo Brasil a fama da religiosidade da regio e da Santa Isso com certeza ajudou a convencer o Imperador do Brasil Dom P edro I no dia 15 de setembro de 1823, a assinar o alvar elevando a F azenda Jaguariava condio de F reguesia O paredo em que aparece a Santa fica na zona rural do municpio de Jaguariava 22 km do centro da cidade na estrada PR 092, ainda sem pavimentao que liga a cidade com o Distrito Eduardo Xavier da Silva Serto de Cima e o municpio de Doutor Ulysses Existem placas que orientam o motorista para chegar com facilidade ao local que muito freqentado por romeiros No ms de maio ltimo domingo do ms realizada uma Caminhada Ecolgica com a participao de milhares de pessoas que saem a p do centro da cidade e caminham os 22 km at o local onde realizada a missa e festa com barraqueiros Muletas fotos e objetos dos mais variados so depositados num lugar parecido com uma gruta durante o ano todo al queimam velas em agradecimento por graas recebidas Muitos so os testemunhos de pessoas que alcanaram cura ou graas diversas pela intercesso Santa do P aredo Fonte: Informativo P aroquial Ns e A Minscula n. 272. F icha preenchida por Augustinho Ar gemiro L udwig. LEND A S E A S ANT A DO P AREDO JA GUARIAV A PR

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DESTRUIDORES D A HIST"RIA 3 S B E S B E A n t r o p o e s p e l e o l o g i a P or Marcelo Bortoloti O Brasil dono de um dos mais extensos e diversificados conjuntos de arte rupestre do mundo Dele conhece-se apenas uma pequena parte O Instituto do P atrimnio Histrico e Artstico Nacional (Iphan) registra a existncia de 2 000 stios arqueolgicos com pinturas e inscries pr-histricas mas estima-se que esse nmero possa ser dez vezes maior Esses registros gravados em rochas datam de at 40 000 anos atrs e constituem um patrimnio precioso e frgil por natureza exposto ao do tempo e das mudanas climticas No Brasil essa agresso inevitvel soma-se uma praga vergonhosa Aqui o grande inimigo da conser vao o vandalismo P inturas milenares tm sido depredadas por pichaes fogueiras gado – e at por cartazes de propaganda eleitoral Em janeiro deste ano no P arque Nacional do Catimbau em P ernambuco inscries rupestres feitas h 6 000 anos foram destrudas depois de uma disputa entre guias que trabalhavam informalmente na regio Um deles sentiu-se lesado pelos colegas e jogou um balde de tinta vermelha sobre os desenhos At hoje ningum foi indiciado Nos precrios levantamentos do Iphan a depredao atinge 3% do patrimnio L evantamentos feitos por instituies estaduais do uma idia mais precisa do problema A Universidade Estadual da P araba est fazendo o Mapa da Destruio no estado cujo tesouro mais precioso a P edra do Ing, um bloco de 24 metros de largura e 3 de altura coberto de grafismos misteriosos At agora pesquisadores visitaram 44 stios e encontraram marcas de vandalismo em 38 deles Outra equipe da Universidade F ederal da Bahia localizou dezoito casos de depredao em 120 stios pesquisados no estado P as afora esse panorama desolador se repete sem que se tome providncia alguma para barrar a destruio O patrimnio rupestre conhecido at agora no Brasil no tem a mesma beleza dos desenhos de locais clebres como as grutas de L ascaux na F rana e de Altamira na Espanha Mas os cerca de 20 000 stios formam uma das maiores concentraes do mundo de pinturas ainda no estudadas Eles esto espalhados por todo o pas e guardam desenhos de diferentes perodos Alguns so inscries geomtricas outros sugerem animais rituais cenas de luta So uma ferramenta importante para os estudos sobre o processo de ocupao do continente americano alm de seu valor como registro artstico Sua destruio preocupante porque recai sobre material que ainda no foi sequer cadastrado e examinado Desde 1961, o Iphan responsvel pela fiscalizao desses stios Mas at 2006, em seu quadro havia apenas seis arquelogos Atualmente h quarenta um efetivo ainda nfimo "So milhares de stios muitas vezes em locais de difcil acesso e pinturas isoladas que ficam a centenas de quilmetros umas das outras impossvel vigiar tudo", diz o diretor do Departamento de P atrimnio Material e F iscalizao do Iphan Dalmo Vieira F ilho A soluo entretanto no est fora de alcance "Na Austrlia as pinturas tambm so espalhadas s que h um guarda para vigiar cada stio", diz a pesquisadora Nide Guidon diretora do P arque Nacional Serra da Capivara no P iau, reconhecido como P atrimnio Cultural da Humanidade pela Unesco Desde a dcada de 1970, a arqueloga e sua equipe trabalham para fazer desse parque uma referncia internacional Quando decidiram abr-lo visitao em 1993, sofreram um revs imediato : em menos de um ms de visitas comearam a aparecer nomes escritos sobre as pinturas Desde ento a diretoria do parque s permite visitao com acompanhamento de um guia devidamente treinado o que praticamente acabou com o vandalismo Hoje a Serra da Capivara recebe 10.000 visitantes por ano tem 240 funcionrios e um oramento anual de 3 milhes de reais a maior parte bancada por empresas que utilizam o incentivo da L ei R ouanet Outros conjuntos expressivos de pinturas como o do P arque Nacional do Catimbau em P ernambuco e o do V ale do P eruau em Minas Gerais continuam ameaados pela falta de fiscalizao "Na F rana h regies que vivem do turismo arqueolgico Aqui ningum atenta para o nmero de empregos que pode ser criado em torno dessas reas", diz Nide Guidon h t t p : / / v e j a a b r i l u o l c o m b r / 0 5 0 8 0 9 / d e s t r u i d o r e s h i s t o r i a p 072.shtml CACHOEIRA DO ENCANT ADO, BAHIA: depr edao de um patrimnio ainda pouco conhecido e estudado (Foto: Julio Cesar Mello de Oliveira)

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4 S B E S B E A n t r o p o e s p e l e o l o g i a O MONSTRO D A L AP A P ARAN Esta uma histria que ainda causa arrepios nos cabelos e contada boca pequena em noites propcias ao aparecimento de fantasmas Contam os mais velhos a lenda de Santa Ermida uma gruta de pedra e passagem estreita onde morava o monge Joo Maria Segundo relatam para as pessoas desprovidas de f as pedras no se abriam para dar lhes passagem Certa vez um peregrino dirigiu-se at a Santa Ermida conversar com o monge e saber o motivo de sua estalagem ali depois de tantas peregrinaes O santo fitando-lhe os olhos disse-lhe que se encontrava ali para rezar para que nunca faltasse f no corao do lapiano e explicou ao peregrino : – Meu filho debaixo da terra encontra-se um monstro imenso de muitos metros de comprimento cuja ponta da cauda encontra-se no centro da cidade na matriz de Santo Antnio e a cabea debaixo destas pedras onde fiz a minha morada Este monstro encontra-se adormecido mas poder acordar e destruir a cidade no dia que faltar f no corao do povo por isto que aqui estou em constante orao e sacrifcio para que nada de mal acontea a esta pobre gente e a cidade no seja destruda Diz a lenda que o povo da L apa bastante religioso para que o monstro continue em sua dormncia Fonte: da Gente. F icha preenchida por Ida Maria Janz W oitowicz. Secretaria de Estado da Cultura do P aran JOO MARIA O MONGE D A L AP A PR [1] Entre fins do sculo XIX e a primeira dcada do XX o campo brasileiro viu-se sacudido por alguns m o v i m e n t o s p o p u l a r e s D e n o r t e a s u l s u r g i r a m manifestaes de cunho religioso como se o pas despertasse de uma enorme letargia C o n s e l h e i r o s n o n o r d e s t e b r a s i l e i r o ( c o m o Antnio Conselheiro de Canudos na Bahia) e monges nos sertes meridionais vrios personagens cruzavam os campos de lado a lado medicando e aconselhando os caboclos granjeando fama de milagrosos e poderosos No interior do P aran, uma figura que aparecia envolta em mistrio antes e durante os conflitos pela posse da terra na regio sul do estado na divisa contestada por Santa Catarina foi um andarilho conhecido como o Monge da L apa Na verdade foram trs os monges que freqentaram a regio em momentos crticos da histria de nosso pas O primeiro surgiu em meados do sculo XIX na dcada de 40, pouco depois das revoltas liberais que sacudiram o Brasil e pouco antes do trmino da Guerra dos F arrapos O segundo marcou sua presena nos anos prximos abolio da escravido e do advento da R epblica; em meio R evoluo F ederalista temos o seu primeiro registro concreto F inalmente Jos Maria o terceiro monge surgiu em 1912, quando a P rimeira R epblica incentivava largamente a imigrao e a con s tru o de es tradas de ferro com con tratos altamente vantajosos para as construtoras E n t r e o s d o i s p r i m e i r o s e x i s t i a u m a f o r t e s e m e l h a n a n o p r o c e d e r a p o n t o d e s e r e m considerados uma s pessoa "Num dos retratos que corre como sendo do ‘ santo’, estampa-se a legenda: ‘ Joo Maria de Jesus profeta com 188 anos ’ como que os dois foram um s" [2]. As explicaes de ambos terem utilizado o mesmo nome aparecem na obra de Oswaldo Cabral quando o autor aponta as razes de tal procedimento "O povo chamava todos os monges de Joo Maria No sendo Joo Maria no seria monge"[3]. Ao assumir o nome de seu predecessor Joo Maria de Jesus no forava ao ver de Cabral uma impostura mas assumia para si a memria de santidade do primeiro monge Mstico tambm ele encontrava assim a melhor forma de penetrao junto s populaes interioranas A mudana do nome marca o incio de uma transformao na vida Apesar de utilizar os dois primeiros nomes de Joo Maria de Agostini nunca tomou o ltimo nome deste do mesmo modo que nunca afirmou ser o mesmo que percorreu os sertes em meados do sculo XIX Afinal o santo dos sertanejos no era de Agostini ou de Jesus "... h apenas um Joo Maria e no s o Joo Maria do Contestado mas o querido Joo Maria da devoo popular" [4]. Vrias so as lendas que permanecem na memria de moradores do interior paranaense e que acabaram por conquistar as cidades localizando-se em diversas camadas da populao trazidas pelo xodo rural Muitas das localidades de Santa Catarina apontadas a seguir pertenciam ao territrio do P aran e foram repassadas ao estado vizinho aps acordo que ratificou a diviso da regio contestada poca do presidente W enceslau Braz em 1916. So lendas que dizem respeito origem dos monges lendas sobre profecias punies milagres e prodgios e finalmente lendas relativas ao fim dos monges Estas lendas confundem os monges que as praticaram ou sofreram sendo atribudas ao monge simplesmente Este carter dbio parte da prpria estrutura das lendas Sobre a origem do monge do porqu de sua peregrinao pelo serto a mais rica lenda que encontramos a de que sendo cristo abandonou a religio para se casar com uma moura e combateu o

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exrcito expedicionrio francs Sendo feito prisioneiro aps a morte de sua esposa conseguiu fugir e no Egito teve a viso do apstolo P aulo que o mandou peregrinar 14 anos (ou 40 em outra verso) pelo mundo reconvertendo-se assim ao cristianismo Sua cidade de origem seria neste caso Belm na Galilia Outras lendas davam conta de ser o monge um criminoso no se dizendo o crime ou que tivesse seduzido uma religiosa que teria falecido na viagem para a Amrica Sua penitncia seria vagar solitrio pelos sertes Existe tambm aquela que dizia ser o monge um aptrida nascido no mar de pais franceses tendo sido criado no Uruguai As lendas sobre profecias so tambm bastante extensas a comear de seu prprio desaparecimento quando terminasse sua misso no morro do T ai, hoje territrio de Santa Catarina P reviu o aparecimento de uma cidade no local em que estava o que efetivamente se deu aps a definio do litgio sobre a fronteira; seu nome segundo o monge seria Santa Cruz e a cidade chamou-se Cruzeiro e hoje o municpio de Joaaba SC T eria previsto o advento da R epblica alguns anos antes P reviu tambm os trens e os avies no estilo dos antigos profetas "Linhas de burros pretos de ferro carregaro o pessoal". Depois deles as guerras com as derrotas sucessivas dos sertanejos e "gafanhotos de asas de ferro e estes seriam os mais perigosos porque deitariam as cidades por terra". Chegando a uma casa onde uma me acabara de dar luz reclamou o batismo da criana recmnascida e somente depois lhe foi contado que a parturiente havia feito promessa de dar o nome de Joo Maria e convidar o monge para padrinho se fosse feliz na hora do nascimento .O primeiro monge teria previsto que outros o seguiriam enquanto o segundo teria indicado a guerra que se avizinhava (a guerra do Contestado), onde os seus seriam dizimados As lendas de carter punitivo so muitas que contrastam com a imagem bondosa do monge De modo geral so castigos para aqueles que desdenhando de sua santidade no respeitaram regras estabelecidas por ele Existem as histrias relativas ao queijo Conta-se que pedindo um pedao de queijo em uma fazenda este lhe foi negado tendo ento repetido a profecia feita para Canoinhas anunciando o fim da prosperidade da fazenda Conta-se que uma senhora querendo dar um queijo ao monge tendo falado a este respeito com seu marido ordenou-lhe este que lhe fosse dado um outro menor (outra verso diz menor e podre). Segundo uma narrativa teria o monge aceitado apenas um pequeno pedao do queijo jogado fora mais da metade por adivinhar a m vontade do dono Outros comentam que sendo podre o queijo Joo Maria o levou e escondeu sob uma pedra ou o esmigalhou no pasto ainda dentro da propriedade do tal fazendeiro Em todos os casos a prosperidade da fazenda desandou chegando em uma das verses toda a famlia loucura ou morrendo o fazendeiro na mais miservel pobreza s regies de pouca f do povo predisse pragas dizendo que aqueles que quisessem salvar suas roas deveriam plantar aquilo que desse sob a terra (tubrculos) o que realmente aconteceu em T aquara V erde municpio de P orto Unio SC P redisse que a localidade de Vila Nova do Timb, por seu povo ateu se transformaria num porungal ou seja suas terras perderiam a fertilidade O lugarejo teria realmente regredido Ao ser preso na L apa predisse castigos dos cus e um violento temporal sobre a cidade Em duas cidades diferentes Hamburgo V elho (RS) e outra do P aran, ao ser apedrejado por crianas que o tomavam por mendigo perdoou s crianas mas disse serenamente que as cidades seriam apedrejadas como ele Em ambos os casos dias depois uma chuva de granizo arrasou as plantaes castigando a cidade T al evento teria tambm acontecido na L apa Com relao s fontes contam-se duas lendas de carter punitivo Uma seria uma gua abenoada por ele com a previso de que no se entrasse na fonte para se banhar Duas prostitutas tendo ignorado o aviso banharam-se para curar algumas feridas o que provocou o ressecamento imediato da fonte Nas proximidades da L apa uma famlia tendo comprado uma propriedade que tinha em suas terras uma fonte benzida e no crendo no poder da gua santa cercou a rea proibindo a entrada de intrusos Ao mesmo tempo ateou fogo ao cruzeiro e ao pinheiro que havia no pouso Como resultado perdeu todas as suas posses e ficou louca As lendas sobre milagres e prodgios fazem parte do maior grupo conhecido Existia a crena de que em meio s tempestades o monge permanecia sentado ao relento mas que no se molhava bem como nos lugares de determinadas cruzes Conta-se tambm que podia estar em dois lugares diferentes orando em sua gruta e ao lado de uma doente que invocava por ele Conta-se que podia ficar invisvel aos seus perseguidores atravessar a p sobre as guas dos rios e que suas cruzes cresciam – no s o corpo como tambm os braos – ou brotavam 40 dias aps o monge t-las levantado Bastes com a "medida do monge", fincados em cada extremo de uma fazenda protegiam o gado contra doenas As velas feitas na medida do palmo do monge afugentavam os maus espritos e acalmavam as tempestades 5 S B E S B E A n t r o p o e s p e l e o l o g i a

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Conta-se que o monge era imune aos ndios e s feras no sendo jamais atacado por eles Diz -se tambm que fazia surgir olhos d Â’gua nos lugares onde pousava Da mesma maneira podia se fazer transportar no ar ou desaparecer quando a multido que o cercava crescia em demasia As curas so constantes em suas lendas T eria curado adultos e crianas j morte com infuses de uma planta chamada vassourinha e rezas Em Mangueirinha e na L apa contam-se casos de curas milagrosas de dores de dentes As lendas referentes s galinhas so bastante difundidas Conta-se que uma senhora ofereceu uma galinha ao monge que no aceitou o presente por ele ter sido dado antes ao diabo A mulher teria se referido ave como "galinha do diabo" ao ter esta sujado seu vestido no caminho para a pousada de Joo Maria ou praguejado dizendo "que o diabo a carregue", por no ter conseguido pega-la no terreiro s o fazendo horas depois interessante notar como o faz Oswaldo Cabral que essa lenda j teria se referido anteriormente s outras pessoas Igualmente se conta a lenda da batata Joo Maria teria sido convidado a comer batata-doce com leite com uma famlia a qual havia incumbido uma escrava de colh-las A escrava teria dito que a maior seria dela e no do velho mendigo Na hora do jantar todas as batatas da mesa o monge se recusou a comer a melhor delas por j possuir dono P ernoitando na dita fazenda pediu ao amanhecer um cavalo ou burrico para atender ao chamado de um doente distante P edindo um animal manso foi lhe dado um manco o qual na volta da jornada no portava nenhuma deficincia no andar Joo Maria teria debelado ainda uma epidemia de varola em Rio Negro afastando a peste com rezas e com 14 cruzes plantadas como Via Sacra na cidade Ainda hoje existe uma das cruzes na cidade : chama-se cruz de Mafra As lendas relativas ao desaparecimento ou morte do monge do conta que ele teria dito que ao final de sua peregrinao iria para o morro do T ai, regio que se sabia habitada por ndios hostis os botocudos Aps a sua morte seu esprito teria aconselhado um viajante de Guarapuava que foi sua procura no morro Outra tradio diz que morreu de velhice em Araraquara (SP), ou que foi encontrado agonizante prximo aos trilhos da estrada de ferro perto de P onta Grossa A crena mais difundida , no entanto que no teria morrido Aps jejuar por 48 horas no T ai, o monge teria sido levado por dois anjos para o cu Em outra hiptese seu corpo teria se envolvido em luz to forte que o fez desaparecer deixando uma marca vermelha no cho que os incrdulos confundiam com sangue Criaes do povo estas lendas formam um conjunto de crenas que demonstram o carter mgico de sua apreenso da realidade indubitavelmente belas como demonstrao de mentes criadoras [1].P arte deste texto foi publicado como integrante da monografia para concluso do curso de especializao Metodologia do Ensino Superior CARNEIRO JR ., R enato Carneiro O Monge da L apa: um estudo da religiosidade popular no P aran. Curitiba: F aculdades P ositivo 1996. [2].CABRAL Oswaldo R Joo Maria Interpretao da Campanha do Contestado So P aulo : Comp Editora Nacional 1960. [3]. Idem [4]. Idem Secretaria de Estado da Cultura do P aran 6 S B E S B E A n t r o p o e s p e l e o l o g i a IMA GEM D A P ADROEIRA CHEGA CA TEDRAL AP"S PROCISSO Aps uma procisso pelas ruas do Centro de Santos a imagem da santa que protegeu a Cidade contra a invaso de piratas no sculo XVII e foi declarada por lei municipal P adroeira do Municpio em 1954, chegou Catedral onde permanecer at dia 8 de setembro A imagem estava na Capela do Monte Serrat no santurio onde venerada Na presena do bispo diocesano dom Jacyr F rancisco Braido a imagem com 60 centmetros de altura feita entre 1652 e 1655 pelo frei Agostinho de Jesus desceu o monte conduzida pelas escadarias em procisso em um andor levado por soldados do 2 Batalho de Infantaria L eve (antigo 2 BC de So Vicente). Ao p do morro foi embarcada no topo da carroceria de um carro da brigada de incndios da Guarda P orturia de Santos seguida pelos fiis ao longo da A venida So F rancisco at a P raa Jos Bonifcio Entrou na catedral onde ficar no altar mor at dia 8 sob uma chuva de ptalas de rosas No feriado municipal de 8 de setembro ser reconduzida ao santurio tambm em procisso parando em frente P refeitura onde segundo a tradio o prefeito Joo P aulo T avares P apa O culto Nossa Senhora do Monte Serrat surgiu na Espanha durante a R econquista poca de lutas entre os cristos contra os mouros que tinham invadido a P ennsula Ibrica (P ortugal e Espanha). Um pastor encontrou na Catalunha numa rea deserta uma imagem da Virgem Maria com o menino dentro de uma caverna A regio tem um relevo muito especial estranho de rochas agudas que lembram no horizonte os dentes de uma

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F oto do leitor F oto do leitor 7 S B E S B E A n t r o p o e s p e l e o l o g i a Antes de imprimir pense na sua responsabilidade com o meio ambiente S B E A n t r o p o e s p e l e o l o g i a Comisso Editorial: L uiz Eduardo P T ravassos (Coordenador), Isabela Dalle V arela e R ose L ane Guimares R eviso : Delci Kimie Ishida T odas as edies esto disponveis em u m a p u b l i c a o e l e t r n i c a d a SBE Sociedade Brasileira de Espeleologia. T elefone/fax (19) 3296-5421. Contato : A reproduo deste per mitida, desde que citada a fonte. historia@sbe .com .br www .sbe .com .br L uiz T ravassos Filie-se SBE Sociedade Brasileira de Espeleologia Clique aqui para saber como se tor nar scio da SBE T el. (19) 3296-5421 Filiada R Unio Inter nacional de Espeleologia FEALC -Federao Espeleolgica da Amrica L atina e Caribe VENHA P ARA O MUNDO D A S CA VERNA S VENHA P ARA O MUNDO D A S CA VERNA S USO MILIT AR DE CA VERNA S NO L A OS, SUDESTE A SITICO gigantesca serra de cortar Da o nome de Monte Serrat Em Santos a imagem foi colocada no topo de um monte tal como na Europa para proteger a cidade A T ribuna On-line Foto: LIZ PRICE, 2007 Foto: LIZ PRICE, 2007 Foto: LIZ PRICE, 2007 Foto: LIZ PRICE, 2007


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