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SBE Turismo e Paisagens Cársticas

Material Information

Title:
SBE Turismo e Paisagens Cársticas
Series Title:
Tourism and Karst Areas
Alternate Title:
Revista Científica da Seção de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publisher:
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Genre:
serial ( sobekcm )

Notes

General Note:
Capa, Expediente, Sumário e Editorial ARTIGOS ORIGINAISGeoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas da dissolução Geotourism in the Vila Velha State Park: in the trails of dissolution Ricardo Letenski, Gilson Burigo Guimarães, Gil Francisco Piekarz Mário Sérgio de Melo A Caverna do Eremita, Parque Kozjansko, Eslovênia The Ermit's Cave, Kozjansko Park, Sloveni Luiz Eduardo Panisset Travassos Geoturismo: uma nova forma de atração turística - estudo de caso na alta bacia do rio Corumbataí, São Paulo, Brasil Geotourism: new way of tourist attraction - case study at the Corumbatai river region, São Paulo, Brazil André Riani Costa Perinotto Análise Geológica, Geomorfológica e Turística do Parque Estadual da Serra dos Martírios-Andorinhas: potencial para o geoturismo) Geological, Geomorphological and Touristic Analises of Parque Estadual da Serra dos Martírios-Andorinhas: potential for geotourism Silvio Lima Figueiredo Paulo Sergio de Sousa Gorayeb Geomorfologia Fluvial e Geoturismo - O Potencial Turístico de Quedas D'água do Município de Indianópolis, Minas Gerais Fluvial Geomorphology and Geotourism - The Tourist Potential of Water Falls in Indianópolis District, Minas Gerais Lilian Carla Moreira Bento Sílvio Carlos Rodrigues O Desenvolvimento do Geoturismo no Município de Porto do Mangue/RN com Base no Complexo "Dunas do Rosado": patrimônio geológico potiguar Geotourism Development in the District of Porto do Mangue/RN Based in the Complex "Dunas do Rosado": potiguar geologic heritage Luis Felipe Fernandes Barros O Turismo de Natureza como Atrativo Turístico do Município de Portalegre, Rio Grande do Norte Nature Tourism asTourist Attraction of the Portalegre, Rio Grande do Norte Fernanda Cauper Viana Marcos Antonio Leite do Nascimento
Restriction:
Open Access - Permission by Publisher
Original Version:
Vol. 2, no. 1 (2009)
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Source Institution:
University of South Florida Library
Holding Location:
University of South Florida
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Resource Identifier:
K26-03698 ( USFLDC DOI )
k26.3698 ( USFLDC Handle )
8812 ( karstportal - original NodeID )
1983-473X ( ISSN )

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Capa, Expediente,
Sumrio e Editorial
ARTIGOS ORIGINAISGeoturismo no Parque Estadual de Vila
Velha: nas trilhas da dissoluo Geotourism in the Vila Velha
State Park: in the trails of dissolution Ricardo Letenski,
Gilson Burigo Guimares, Gil Francisco Piekarz & Mrio
Srgio de Melo A Caverna do Eremita, Parque Kozjansko,
Eslovnia The Ermit's Cave, Kozjansko Park, Sloveni Luiz
Eduardo Panisset Travassos Geoturismo: uma nova forma de
atrao turstica estudo de caso na alta bacia do rio
Corumbata, So Paulo, Brasil Geotourism: new way of tourist
attraction case study at the Corumbatai river region, So
Paulo, Brazil Andr Riani Costa Perinotto Anlise Geolgica,
Geomorfolgica e Turstica do Parque Estadual da Serra dos
Martrios-Andorinhas: potencial para o geoturismo) Geological,
Geomorphological and Touristic Analises of Parque Estadual da
Serra dos Martrios-Andorinhas: potential for geotourism Silvio
Lima Figueiredo & Paulo Sergio de Sousa Gorayeb
Geomorfologia Fluvial e Geoturismo O Potencial Turstico de
Quedas D'gua do Municpio de Indianpolis, Minas Gerais
Fluvial Geomorphology and Geotourism The Tourist Potential of
Water Falls in Indianpolis District, Minas Gerais Lilian Carla
Moreira Bento & Slvio Carlos Rodrigues O Desenvolvimento
do Geoturismo no Municpio de Porto do Mangue/RN com Base no
Complexo "Dunas do Rosado": patrimnio geolgico potiguar
Geotourism Development in the District of Porto do Mangue/RN
Based in the Complex "Dunas do Rosado": potiguar geologic
heritage Luis Felipe Fernandes Barros O Turismo de Natureza
como Atrativo Turstico do Municpio de Portalegre, Rio Grande
do Norte Nature Tourism asTourist Attraction of the Portalegre,
Rio Grande do Norte Fernanda Cauper Viana & Marcos Antonio
Leite do Nascimento



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Geoturismo no Parque Est adual de V ila V elha: nas trilhas da dissoluo Ricardo Letenski, Gilson Burigo Guimares, Gil Francisco Piekarz & Mrio Srgio de Melo A Caverna do Eremit a, Parque Kozjansko, Eslovnia Luiz Eduardo Panisset T ravassos Geoturismo: uma nova forma de atrao turstica estudo de caso na alt a bacia do rio Corumbat a, So Paulo, Brasil Andr Riani Costa Perinotto Anlise Geolgica, Geomorfolgica e T urstica do Parque Est adual da Serra dos Martrios-Andorinhas: potencial p ara o geoturismo Silvio Lima Figueiredo & Paulo Sergio de Sousa Gorayeb Geomorfologia Fluvial e Geoturismo O Potencial T urstico de Quedas D'gua do Municpio de Indianpolis, Mi nas GeraisLilian Carla Moreira Bento & Slvio Carlos Rodrigues O Desenvolvimento do Geoturismo no Municpio de Porto do Mangue/RN com Base no Complexo “Dunas do Rosado”: p atrimnio geolgico potiguar Luis Felipe Fernandes Barros O T urismo de Natureza como Atrativo T urstico do Municpio de Port alegre, Rio Grande do Norte Fernanda Cauper V iana & Marcos Antonio Leite do Nascimento Artigos Originais R www .sbe.com.br/turismo.asp ISSN 1983-473X V olume 2 Nmero 1 Junho 2009 Princip ais expresses de relevo da regio sudeste do Par e noroeste do T ocantins Imagem STR Figueiredo & Gorayeb EDIO ESPECIAL GEOTURISMO EDIO ESPECIAL GEOTURISMO

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 1 EXPEDIENTE Sociedade Brasileira de Espeleologia ( Brazilian Society of Speleology ) Diretoria 2007-2009 Presidente: Emerson Gomes Pedro Vice-presidente: Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Tesoureira: Elvira Maria Antunes Branco 1 Secretrio: Paulo Valsecchi do Amaral 2 Secretrio: Silmar Onofre de Oliveira Conselho Deliberativo 2007-2009 ngelo Spoladore Heros Augusto Santos Lobo Paulo Rodrigo Simes Rogrio Henry Bertuso Magalhes (Presidente) Thiago Faleiros Santos Suplentes Carlos Leonardo B. Giunco Carmen Vianna Seo de Espeleoturismo – SeTur/SBE Cesar Ulisses Vieira Verssimo rica Nunes (Comisso de Espeleo-incluso) Heros Augusto Santos Lobo (Coordenador) Jos Antonio Basso Scaleante Jos Ayrton Labegallini Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Marcelo Augusto Rasteiro Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas ( Research in Tourism and Karst Areas ) Editor-Chefe ( Editor-in-Chief ) MSc. Heros Augusto Santos Lobo Universidade Estadual Paulista “Jlio de Mesquita Filho” – IGCE/UNESP, Brasil Editor Associado ( Associated Editor ) Dr. Cesar Ulisses Vieira Verssimo Universidade Federal do Cear – UFC, Brasil Editor Executivo ( Executive Editor ) Esp. Marcelo Augusto Rasteiro Sociedade Brasileira de Espeleologia – SBE, Brasil

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 2 Conselho Editorial ( Editorial Board ) Dr. Andrej Aleksej Kranjc Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Angel Fernndes Corts Universidad de Alicante, UA, Espanha Dr. Arrigo A. Cigna Interntional Union of Speleology / Interntional Show Caves Association, Itlia Dr. Edvaldo Cesar Moretti Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD, Brasil Dr. Jos Alexandre de Jesus Perinotto Universidade Estadual Paulista “Jlio de Mesquita Filho” – IGCE/UNESP, Brasil MSc. Jos Antonio Basso Scaleante Pontficia Universidade Catlica de Campinas – PUCCamp, Brasil MSc. Jos Ayrton Labegalini Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil Dra. Linda Gentry El-Dash Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Brasil MSc. Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Centro Universitrio Fundao Santo Andr – FSA, Brasil MSc. Luiz Eduardo Panisset Travassos Faculdade Promove/Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais – PUC/MG, Brasil Dr. Marconi Souza Silva Faculdade Presbiteriana Gammon – Fagammon/Centro Universitrio de Lavras – UNILAVRAS, Brasil Dr. Marcos Antonio Leite do Nascimento Universidade Federal do Rio Grande do Norte DG/UFRN, Brasil Dra. Natasa Ravbar Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Paolo Forti Universit di Bologna, Itlia Dr. Paulo Cesar Boggiani Universidade de So Paulo – IGc/USP, Brasil Dr. Paulo dos Santos Pires Universidade Vale do Itaja – UNIVALI, Brasil MSc. Ricardo Jos Calembo Marra Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – IBAMA, Brasil Dr. Ricardo Ricci Uvinha Universidade de So Paulo – EACH/USP, Brasil Dr. Srgio Domingos de Oliveira Universidade Estadual Paulista “Jlio de Mesquita Filho” – UNESP/Rosana, Brasil Dr. Tadej Slabe Karst Research Institute, Eslovnia Dra. rsula Ruchkys de Azevedo CREA-MG, Brasil Dr. William Sallun Filho Instituto Geolgico do Estado de So Paulo – IG, Brasil Dr. Zysman Neiman Universidade Federal de So Carlos – UFSCAR, Brasil Comisso de Traduo ( Translation Committee ) Dra. Linda Gentry El-Dash – Ingls

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 3 SUMRIO (CONTENTS) Editorial 4 ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES Geoturismo no Parque Estadual de V ila Velha: nas trilhas da dissoluo Geotourism in the Vila Velha State Park: in the trails of dissolution Ricardo Letenski, Gilson Burigo Guimares, Gil Francisco Piekarz & Mrio Srgio de Melo 5 A Caverna do Eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia The Ermit’s Cave, Kozjansko Park, Sloveni Luiz Eduardo Panisset Travassos 17 Geoturismo: uma nova forma de atrao turstica – estudo de caso na alta bacia do rio Corumbata, So Paulo, Brasil Geotourism: new way of tourist attraction – case st udy at the Corumbatai river region, So Paulo, Brazil Andr Riani Costa Perinotto 27 Anlise Geolgica, Geomorfolgica e Turstica do Parque Estadual da Serra dos MartriosAndorinhas: potencial para o geoturismo Geological, Geomorphological and Touristic Analis es of Parque Estadual da Serra dos MartriosAndorinhas: potential for geotourism Silvio Lima Figueiredo & Paulo Sergio de Sousa Gorayeb 41 Geomorfologia Fluvial e Geoturismo O Potencial Turstico de Quedas D’gua do Municpio de Indianpolis, Minas Gerais Fluvial Geomorphology and Geotourism – The Touris t Potential of Water Falls in Indianpolis District, Minas Gerais Lilian Carla Moreira Bento & Slvio Carlos Rodrigues 57 O Desenvolvimento do Geoturismo no Munic pio de Porto do Mangue/RN com Base no Complexo “Dunas do Rosado”: patrimnio geolgico potiguar Geotourism Development in the District of Port o do Mangue/RN Based in the Complex “Dunas do Rosado”: potiguar geologic heritage Luis Felipe Fernandes Barros 69 O Turismo de Natureza como Atrativo Turstico do Municpio de Portalegre, Rio Grande do Norte Nature Tourism asTourist Attraction of the Portalegre, Rio Grande do Norte Fernanda Cauper Viana & Marcos Antonio Leite do Nascimento 79

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 4 EDITORIAL Este nmero da Pesquisa em Turismo e Paisagens Crsticas dedicado ao segmento do turismo que tem no Patrimnio Geolgico seu principal atrativo, estamos falando do GEOTURISMO. Apesar de bastante conhecido, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, aqui no Bras il este termo comeou a ser mais utilizado no incio de 2000. Por sua imensa geodiversidade o Brasil possui i nmeras feies geolgicas distintas que podem ser utilizadas com fins tursticos. Desta forma, uma d as primeiras providncias para o desenvolvimento do geoturismo identificar/inventariar aspectos geolgico s que sejam ou possam vir a se tornar atraes tursticas. Essa tarefa, por si s, num pas com as nossas dimenses, muito trabalhosa. Algumas aes esto sendo realizadas para a promoo/divulgao do geoturismo no Brasil, como publicaes de livros a exemplo do “Geodiversidade, Geoconservao e Geoturismo: trinmio importante para a proteo do patrimnio geolgico” editado pe la Sociedade Brasileira de Geologia SBGeo, do “Geoturismo em Curitiba” editado pela MINEROPAR Se rvio Geolgico do Para n e do “Geodiversidade do Brasil” lanado pela CPRM – Servio Geolgico do Brasil. Contribuindo com essa divulgao, este nmero repr esenta mais uma excelente forma de levar sociedade um pouco sobre os trabalhos em geotur ismo realizados por pesquisadores brasileiros. Aqui temos sete artigos que nos leva a um passei o pela geodiversidade do Brasil (e da Eslovnia, vejam s!), permitindo conhecer o rico patrimnio geol gico de estados como Paran, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, So Paulo e Par. O primeiro artigo, de autoria de Ricardo Letenski, Gilson Burigo Guimares, Gil Francisco Piekarz e Mrio Srgio de Melo, versa sobre a prtica do geotur ismo no Parque Estadual de Vila Velha (no Paran) e oferece ao leitor um roteiro das geoformas encont radas no parque. O segundo ar tigo, de Luiz Eduardo Panisset Travassos, nos leva Eslovnia, mais preci samente Caverna do Eremita no Parque Kozjansko, este concebido para receber turistas interessados em trilhas geolgicas, ecolgicas e culturais. O terceiro artigo, de Andr Riani Costa Perinotto usa o geoturismo como uma nova ferramenta de atrao turstica ao longo da Bacia do Rio Corumbata (em So Paulo) e apresenta os subsdios geolgicos teis para a prtica deste turismo. O quarto artigo, dos autores Silvio Lima Figueiredo e Paulo Sergio de Sousa Gorayeb, nos leva ao Parque Estadual da Serra dos Martrios-A ndorinhas (no Par) e apresenta um estudo de planejamento geolgico, gemorfolgico, espeleo lgico e arqueolgico com fins para a prtica do geoturismo. O quinto artigo, de autoria de Lilian Carla Moreira Bento e Slvio Carlos Rodrigues, usa as quedas d’guas no municpio de Indianpolis (em Minas Gera is) como atrativo geoturstico abordando as formas de relevo erosivas em ambiente fluvial, porm trazendo a preocupao do planejamen to adequado no uso desse atrativo. Por fim, os dois ltimos artigos levam o le itor ao Estado do Rio Grande do Norte, onde no sexto, do autor Luis Felipe Fernandes Barros, apresentado o desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue usando as Dunas do Rosado como principal at rativo geoturstico; enquanto que o stimo artigo, dos autores Fernanda Cauper Viana e Marcos Antonio Le ite do Nascimento, trata da prtica do turismo de natureza (englobando geoturismo, ecoturismo e turi smo de aventura) no municpio de Portalegre. Marcos Antonio Leite do Nascimento rsula Ruchkyz Azevedo Editores convidados para o especial GEOTURISMO A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Br asileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 5 GEOTURISMO NO PARQUE ES TADUAL DE VILA VELHA: NAS TRILHAS DA DISSOLUO GEOTOURISM IN THE VILA VELHA STATE PARK: IN THE TRAILS OF DISSOLUTION Ricardo Letenski (1), Gilson Burigo Guimares (1), Gil Francisco Piekarz (2) & Mrio Srgio de Melo (1) (1) Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG (2) Minerais do Paran S/A MINEROPAR Ponta Grossa PR ricardo_arrois@hotmail.com Resumo A regio dos Campos Gerais, situada no Segundo Pl analto Paranaense, devido a seus condicionantes geolgicos e geomorfolgicos, apresenta um patrim nio geolgico singular com diversos geosstios de grande raridade, beleza e valores cientfico, ambienta l, econmico e educativo. Um excelente exemplo o Parque Estadual de Vila Velha (PEVV), onde todos esses atributos podem ser observados, em especial, feies de relevo resultantes da prolongada eroso de arenitos que modelaram as rochas por meio da ao combinada de dissoluo e eroso mecnica. Embora o emprego do termo carste seja muito mais frequente em contextos que envolvem rochas carbonticas, a disso luo nos arenitos do Grupo Itarar (Arenito Vila Velha) e da Formao Furnas no PEVV ajuda a constr uir um magnfico exemplo de relevo crstico em rochas quartzosas. Neste trabalho apresenta-se um roteir o geoturstico em Vila Velha, buscando descrever a existncia dessas feies ao longo dos principais aflora mentos do parque. Para sua realizao foi efetuado um levantamento bibliogrfico a respeito das geoform as j descritas no local e posterior levantamento de campo. As feies identif icadas indicaram expressivos processos de dissoluo de minerais constituintes dos arenitos, geralmente conjugados com a remoo mecnica dos gros. Palavras-Chave: Geoturismo; Patrimnio geolgico; Unidades de Conservao; Relevo crstico. Abstract The region of Campos Gerais located at the second plateau of Paran State, due to its geologic and geomorphologic constraints exposes a singular geologic heritage with several geosites of great rarity and beauty, beyond scientifical, environmental, economic and educational values. An excellent example is the Vila Velha State Park, where all these attributes can be observed, especially relief fe atures that are the result of prolonged erosion in the sandstones, combining dissolution and mechanical erosion, modeling the rock. Although the use of the term karst is much more ofte n in contexts involving carbonatic rocks, the dissolution of the Itarar Group’s Sandstones (Vila Velha Sandstone ) and Furnas Formation at Vila Velha State Park helps to create an magnificent example of karstic relie f in quartzite rocks. This paperwork presents a geotouristic itinerary at Vila Velha seeking to descri be the existence of these features along the main outcrops of the park. To its realization was made a bibliographic research concerning the geoforms already described in situ, and a posterior field survey in. Th e identified features indicated significant processes of dissolution of constituents minerals of the sandstones, usually combined with mechanical removal of the grains. Key-Words: Geoturism; Geological Heritage; units conservation; Karstic rielef. Introduo O Parque Estadual de Vila Velha, sempre despertou admirao e encanto em seus visitantes devido exuberncia e singularidade de suas formaes rochosas, estas por outro lado suscitaram tambm algumas discusses entre a comunidade geocientfica. Infelizmente alguns equvocos acabaram se consagrando na literatura leiga, e merece destaque a atribuio a gnese das formas erosivas do PEVV ao elica. Mesmo no havendo evidncias de que a ao elica tenha sido a protagonista na esculturao do relevo ruiniforme, esta suposio foi disseminada em muitos livros destinados aos vrios nveis do ensino, inclusive o universitrio (Melo, 2006).

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 6 Dada a existncia de muitas evidncias demonstrando que as fei es de relevo em Vila Velha so resultantes da prolongada eroso de arenitos pela ao conjunta principalmente da gua das chuvas, da radiao solar e dos organismos, os quais modelaram as rochas por meio da ao combinada de dissoluo e eroso mecnica e embora o emprego do termo carste seja muito mais frequente em contextos que envolvem rochas carbonticas, a dissoluo nos arenitos do Grupo Itarar (Arenito Vila Velha) e da Formao Furnas no PEVV ajuda a construir um magnfico exemplo de relevo crstico em rochas quartzosas. Diante disso, neste trabalho apresenta-se um roteiro geoturstico em Vila Velha buscando descrever a essas feies ao longo dos principais afloramentos do parque. O Geoturismo se evidencia como uma nova proposta para estimular o turismo em reas naturais, visando sensibilizar as pessoas para as questes ambientais e culturais por meio do reconhecimento, entendimento e aproximao direta com o Patrimnio Natural e Geolgico. O Geoturismo tem como algumas das suas caractersticas: a utilizao das geoformas (feies geolgicas e geomorfolgicas) como atrativos tursticos palpveis; uma busca pelo entendimento da necessidade de que se estabeleam relaes harmnicas entre o homem e a Terra, sua morada e fonte de seu sustento; valorizao e proteo da Geodiversidade, e conseqentemente da Biodiversidade, atravs de um conjunto de aes denominadas de “Geoconservao”. De acordo com Liccardo, Piekarz e Salamuni (2008) o Geoturismo fundamenta-se em trs conceitos que se complementam e interagem: geodiversidade, patrimnio geolgico e geoconservao. A geodiversidade reporta-se variedade de ambientes geolgicos e processos ativos que do origem a paisagens, rochas, minerais, fsseis, solos e outros depsitos que so o suporte para a vida na Terra, conforme a definio da Royal Society for Nature Conservacion, da Inglaterra (Brilha, 2005). A identificao e seleo dos elementos da geodiversidade com caractersticas excepcionais de um local determinam os Stios Geolgicos que de acordo com Brilha (2005) so a ocorrncia de um ou mais elementos da geodiversidade (aflorantes quer em resultados da ao de processos naturais quer devido interveno humana, bem delimitados geograficamente e que apresente valor singular do ponto de vista cientfico, pedaggico, cultural ou turstico. O Patrimnio Geolgico definido pelo conjunto de Stios Geolgicos inventariados e caracterizados em uma determinada regio (Brilha, 2005), a partir do qual iro se estabelecer as estratgias de “Geoconservao tendo como objetivo a conservao e gesto do Patrimnio Geolgico e processos naturais a ele as sociados” (Brilha, 2005), capazes de suportar atividades geotursticas. O patrimnio geolgico do PEVV, alm dos atrativos clssicos do Conjunto Vila Velha, composto pelos Arenitos, as Furnas e a Lagoa Dourada, guarda registros de diversos momentos da histria geolgica local, ainda restrita, como as marcas onduladas e as estrias de arraste glacial que preservam a histria de formao do arenito, as fraturas verticais, que relatam a separao dos continentes e formas muito mais jovens como as esculturas do “relevo ruiniforme” e as Furnas que contam a histria geolgica recente desse cenrio de transformaes que sero devidamente apresentadas ao publico na verso integral do roteiro geoturstico em Vila Velha devendo ressaltar, ainda, seus vnculos com a Biodiversidade local. As informaes do roteiro aqui apresentadas correspondem somente as geoformas do Roteiro Geoturstico em Vila Velha capazes de expressar as evidncias de relevo crstico. Materiais e mtodos O Parque Estadual de Vila Velha (PEVV) atualmente com 3.803 hectares est inserido na regio natural dos Campos Gerais sobre o Segundo Planalto Paranaense. Localizado entre as coordenadas geogrficas 2513' de latitude Sul e 5001' de longitude Oeste, no municpio de Ponta Grossa, a cerca de 20 km a sudeste de sua sede, nas proximidades da BR-376, e aproximadamente a 70 km da Capital Curitiba, (fig.1a). Portador do titulo de primeiro parque estadual do Paran, em 1953, aps um longo histrico de degradao, ocasionado pela visitao turstica descontrolada, desde 2004 est enquadrado no Sistema Nacional de Unidades de Conservao (SNUC) que visa primordialmente conservao da biodiversidade, o que bastante louvvel, j que suas estratgias de conservao como a delimitao do percurso, a implementao de trilhas caladas e monitoradas possibilitaram uma visvel recuperao da vegetao e proteo dos arenitos. Por outro lado a recuperao natural descontrolada da vegetao tem ocultado algumas caractersticas geolgicas do ambiente, as quais constitu em sua verdadeira razo de ser, resultando em diminuio dos valores cnicos, cientficos e didticos que podem ser

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 7 atribudos a geodiversidade local, o geoturismo busca, entre outras, coisas resgatar esses valores. No Parque Estadual de Vila Velha (PEVV) e nas suas imediaes tm-se o predomnio as rochas sedimentares. Localizadas na borda leste da Bacia do Paran (fig. 1b), correspondem as suas unidades mais antigas, pertencent es aos: Grupos Paran (Siluro-Devoniano) e Grupo Itarar (PermoCarbonfero) (fig. 2). Situado na margem Sudeste (SE) de uma regio bastante afetada por estruturas conhecidas como Arco de Ponta Grossa, originadas por esforos tectnicos, muito ativos no Mesozico, que resultaram no Evento Sul-Atlntico de separao dos continentes. Figura 1 ALocalizao do Parque Estadual de Vila Velha; BParque Estadual de Vila Velha na Bacia do Paran. Fonte: Melo et al. (1999) O Arco de Ponta Grossa de acordo com Melo (2006) ...“uma importante estrutura de direo Noroeste-Sudeste (NW-SE) da Bacia do Paran. Constitu um arqueamento na forma de alto estrutural com eixo inclinado para noroeste (NW)’’..., expondo a superfcie rochas que se achavam soterradas. Nessa poca, profundas fraturas paralelas ao eixo do arqueamento deram passagem ao magma formador dos extensos derrames da Formao Serra Geral que aparecem no Terceiro Planalto Paranaense (Melo, 2006), na regio de Vila Velha essas estruturas condicionaram a intruso de Diques de Diabsio em vrias dessas fraturas. Compondo, ainda, os elementos da geologia local, atividades geolgicas recentes (Quaternrias) tm mobilizado sedimentos aluviais e coluviais. Grupo Paran: Corresponde as Formaes Furnas e Ponta Grossa, depositadas quando a Bacia foi invadida pelo mar, por ocasio de subsidncia no Devoniano. Entendidas com seqncia de um mesmo evento deposiciona l, a sobreposio dos folhelhos da Formao Ponta Grossa nos arenitos da Formao Furnas indicam a ocorrncia de Transgresso Marinha nesse perodo. Formao Furnas : estratigraficamente a unidade basal da geologia de Vila Velha, Sotoposta pela Formao Ponta Grossa e pelo Grupo Itarar, nesta ordem. Depositada no perodo SiluroDevoniano (entre 395 e 421 milhes de anos) composta por arenitos mdios a grossos de colorao clara, feldspticos, e/ou caulinticos no pacote basal, com gros angulosos a subangulosos, regularmentre selecionados. Os arenitos esto dispostos em sets com geometria tabular, lenticular e cuneiforme, exibindo marcante estratificao cruzada planar, tangencial na base ou acanalada (Assine, 1996). Na atualidade prevalece a interpretao de que o ambiente no qual se depositaram as rochas da Formao Furnas tenha origem fluvio-marinha, resultado da interao de deltas de rios associados com mar raso na regio costeira. A Formao Furnas ocorre na parte Oeste (W) do Parque, cerca de 150 m abaixo do Arenito Vila Velha (Grupo Itarar), condicionando o surgimento de impressionantes cavidades na paisagem, como: furnas, lagoas e depresses secas ou midas. Resultantes de processos erosivos em grandes profundidades. (Melo, 2006).

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 8 Figura 2 Mapa Geolgico do Parque Estadual de Vila Velha. Fonte: Melo (2006) modificado. Formao Ponta Grossa : Estratigaficamente a camada intermediria, sobreposta na Formao Furnas e sotoposta pelo do Grupo Itarar. Depositada durante o Pe rodo Devoniano (entre 372 e 410 milhes de anos). representada por folhelhos cinzentos, constitudos basicamente por silte e argila, apresenta-s e em camadas controladas pelas micas, como no arenito furnas. As rochas da Formao Ponta Grossa so conhecidas por seu rico contedo fossilfero, incluindo: bivalves, trilobites, gastrpodes, etc. Interpreta-se que essas rochas foram depositas em ambiente marinho, na plataforma marinha rasa. Rochas tpicas da Formao Ponta Grossa foram encontradas somente no extremo leste do parque, constituindo a nica exposio de fsseis dentro do PEVV (Melo, 2006). Grupo Itarar : Corresponde a uma complexa associao de litotipos de idade permo-carbonfera (290 milhes de anos) marcada por um perodo interglacial. As unidades do Grupo Itarar no PEVV podem ser separadas em duas unidades principais: uma unidade da base, em subsuperfcie, indicada como rochas indiferenciadas do Grupo Itarar que corresponde a vrios tipos de rocha e uma unidade de topo, aflorando, representada pelo Arenito Vila Velha, que deve sua colorao principalmente pela sua cimentao ferruginosa com xidos de ferro e mangans. Frana et al (1996) consideram que esse arenito tenha sido depositado em um ambiente subaquoso formado pelo fluxo de materiais provenientes da base do derretimento das geleiras. O Arenito Vila Velha tem em mdia 50 m de espessura, so as rochas predominantes na parte leste do parque e sustentando os plats e morros testemunhos em destaque na paisagem. O Arenito Vila Velha conhecido mundialmente pela presena do relevo ruiniforme, marcado por uma rica associao de formas, controladas por diferenas de cimentao e estruturas (falhas e fraturas) promovendo eroso diferenciada, que resulta em belas e curiosas esculturas naturais.

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 9 Dentro dos limites do parque encontramos algumas reas que se destacam pela sua importncia geolgica, cientfica, cnica e turstica; so elas: o Plat da Vila Velha (conhecido turisticamente como Arenitos), as Furnas, a Lagoa Dourada, e o Plat da Fortaleza. O Plat da Vila Velha, um morro testemunho localizado na poro sul do parque, atinge 1012 m de altitude e abriga um dos principais atrativos da regio, as esculturas rochosas do Arenito Vila Velha (relevo ruiniforme), alm de remanescentes da Floresta Ombrfila-Mista. As Furnas so poos de desabamento que ocorrem na rea de abrangncia dos arenitos da Formao Furnas, tendo notvel destaque na poro noroeste de Vila Velha pelo seu formato, pela sua profundidade e por exibir o lenol fretico. A Lagoa Dourada, uma furna assor eada, pode ser localizada na borda sudoeste do Parque Estadual. As altitudes mdias dessas feies so de 850 m para superfcie terrestre e 788 m para o nvel d’gua no lenol fretico. nos limites, a nordeste, que o parque atinge sua altitude mxima de 1068 m, no morro testemunho denominado Plat da Fortaleza, que ocupa uma das reas florestais mais preservadas do parque, com 72 hectares. Alm disso, abriga importantes registros geolgicos como: marcas onduladas e estrias de arraste por ocasio da movimentao de geleiras. A metodologia adotada para realizao do trabalho realizou-se em trs etapas. So elas: Levantamento bibliogrfico: nesta etapa do trabalho buscou-se reconhecer as geoformas j descritas na bibliografia encontrada a respeito da rea de estudos, a qual direcionou as investigaes de campo Investigaes de campo: aps o levantamento bibliogrfico as geoformas consultadas foram identificadas em campo, descritas, georrefenciados com auxlio de um receptor GPS e fotografadas para a elaborao de um livreto explicativo e ilustrativo das geoformas a serem observadas no contexto da paisagem durante o percurso Construo do roteiro: nesta etapa foram selecionados os pontos com relevncia cientfica, didtica e/ou turstica; destacados pela sua facilidade de acesso, de visualizao e entendimento dos processos de evoluo da paisagem, especialmente aqueles ligados aos fenmenos crsticos. A valorizao das geoformas foi baseada em trs valores principais adaptados da proposta de valorizao da geodiversidade de Brilha (2005): 1. Cientfico: atribudo as feies de carter investigativo que contribuem com a interpretao dos processos ocorridos no ambiente e reconstruo da histria da Terra 2. Didtico: possuindo relaes ntimas com a anterior, so atribudos as feies que podem ser utilizadas para transmitir o ensinamento dos processos ocorridos e na interpretao do ambiente. 3. Turstico: atribudo as feies com atrativa beleza e/ou ligados ao imaginrio humano. Resultados e discusso O percurso geoturstic o de Vila Velha segue basicamente a “Trilha da Fortaleza”, um trajeto de visitao inaugurado pelos antigos funcionrios do Parque no segundo semestre de 2006. A exposio da informao geolgica reconhece o valor desse contedo e busca torn-lo acessvel ao pblico, pois a compreenso desses elementos pode despertar valores sentimentos que nos ligam a terra trazendo benefcios educao, cultura capazes de refletir na prpria relao do ser humano com o ambiente. O roteiro em si foi divido em trs compartimentos principais: Arenitos, Fortaleza e Furnas, devido s diferenas que estes ambientes apresentam. O percurso completo percorre aproximadamente 16 belos quilmetros, dos quais cerca de 10 so feitos caminhando, o restante realizado com o veculo do parque. Partindo dos arenitos, atravessando por aceiros, construdos para combater o fogo e se ter acesso rpido a todo o parque, que se interligam ao Plat da Fortaleza, e seguem at as Furnas e Lagoa Dourada (fig. 3). Compartimento Arenitos: abrange a poro norte do plat de Vila Velha at o mirante de Vila Velha, totalizando 2145m sobre o arenito Vila Velha. O ponto zero o painel geolgico de Vila Velha, no incio da trilha dos arenitos, denominado de ponto – 1, pelos funcionrios do PEVV. 1Feies cncavas basais Valores: cientfico, didtico. So reentrncias cncavas que ocorrem na base dos paredes de arenito (fig. 4a). A vegetao estabelecida nesses locais, como: liquens, musgos e pequenas plantas rupculas se associam a umidade favorecendo a dissoluo e o posterior desmoronamento basal. A constante umidade na qual se encontra submetida base dos arenitos, deve-se principalmente ao remonte capilar, este

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 10 absorve a gua do solo por meio da presso exercida na evaporao e em parte pela infiltrao proveniente das pores elevadas dos arenitos (Melo, 2006). 2Formas de garrafa Distncia percorrida: 194m Altitude: 880m Valores: cientfico, didtico e turstico Coordenadas UTM (Zona 22J) E: 0600361 N:7206791. As formaes arenticas demonstram diferentes resistncias ao desgaste erosivo (eroso diferencial). Tendo not vel endurecimento nos topos. A concentrao do escoamento das guas pluviais remove as partes mais frgeis do arenito por meio de eroso mecnica e/ou dissoluo, com marcante alargamento em direo base(fig. 4b). Isto possibilita a esculturao de torres lembrando taas. Fato que desfaz o consagrado equvoco de que as formas rochosas dos arenitos so modeladas preferencialmente pela ao dos ventos (Melo, 2006). 3Alvolos Ocorrem durante a maior parte do percurso dos arenitos, de forma bem variada. Valores: cientfico e didtico. So orifcios erosivos visveis na superfcie rochosa, semelhantes a favos (fig. 4c). Resultantes da ao combinada da dissoluo do cimento que une os gros do arenito, sua remoo mecnica pelo escoamento superficial da gua das chuvas e ao longo de camadas menos resistentes das estratificaes. s vezes com interferncia de microorganismo (cupins) e plantas (rupculas). (Melo, 2006). Figura 3 Croqui do roteiro geoturstico de Vila Velha. Fonte: Melo (2006) adaptado. 4Fraturas verticais – Distncia percorrida: 238m Altitude: 887m Valores: cientfico e didtico Coordenadas UTM (Zona 22J) E: 0600394 N:7206820. So rupturas provocadas na plataforma rochosa pelos esforos que deram origem separao dos continentes (Arco de Ponta Grossa) a 65 Ma, controlando o esco amento da gua das

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 11 chuvas e condicionando a separao dos blocos rochosos. Associado a esse afloramento ocorre uma curiosa formao de micro-espeleotemas, resultantes da dissoluo e recristalizao de minerais solveis que compem o arenito Vila Velha (fig. 4d). 5Morro testemunho em pequena escala – Distncia percorrida: 743m Altitude: 899m Valores: cientfico e didtico Coordenadas UTM (Zona 22J) E: 0600871 N: 7206740. uma micro-feio de relevo que pode ser comparada a um morro testemunho em pequena escala, deixando-se representar as estruturas tectnicas correspondentes (NW-SE) e associadas (E-W e NE-SW) ao Arco de Ponta Grossa que condicionam a separao dos blocos de arenito at sua total destruio pelos agentes erosivos. 6Pinculos Distncia percorrida: 972m Altitude: 906mValores: cientfico e didtico Coordenadas UTM E: 0601069 N: 7206776. So feies salientes e pontiagudas presentes nos topos dos paredes de arenito (fig. 4e), decorrentes dos processos erosivos que combinam a dissoluo e a remoo mecnica dos gros, estes corroem as partes frgeis e deixam ressaltar as partes mais resistentes da rocha. Essas feies irregulares do aos arenitos aspectos de torres de castelos e de fortificaes, lembrando em seu conjunto uma cidade em runas, denominada de relevo ruiniforme (Melo, 2006). 7Torre e pilares Distncia percorrida: 1057m Altitude: 902m Valores: cientfico, didtico e turstico Coordenadas UTM (Zona 22J) E:0601049 N:7206728. So colunas de arenito com o topo alargado e a base estreita, ocasionadas pelo aprofundamento de feies como a garrafa que propiciaram a separao dos blocos devido remoo do contedo rochoso ao seu redor, por meio de eroso diferencial que tem como principal agente erosivo o escoamento das guas pluviais responsvel pela remoo mecnica dos gros antecedida por dissoluo dos minerais solveis. Comumente fraturas condicionam o isolamento dessas feies. Constituem exemplos clssicos a Taa (fig. 4f) e a Proa do navio (Melo, 2006). Figura 4 AFeies cncavas basais; Bformas de garrafa; Calvolos; Dmicro-espelotemas; Epinculos; Ftorres e pilares. 8Tneis anastomosados e cones de eroso – Distncia percorrida: 1227m Altitude: 902m Valores: cientfico e didtico Coordenadas UTM (Zona 22J) E: 060’1105 N: 7206816. Os tneis anastomosados referem-se a pequenos tneis escavados de maneira entrelaada nos arenitos ao longo de descontinuidades prprias da estrutura sedimentar. Os cones de eroso so pequenas colunas e cones que separam os tneis(fig. 5a). A gua das chuvas ao infiltrar nas pores elevadas da plataforma ar entica encontra caminhos de escape atravs das estruturas sedimentares controladoras da formao dessas feies que

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 12 incluem a dissoluo e remoo mecnica dos gros e de fragmentos de rochas (Melo, 2006). 9Caneluras ou canaletas Valores: cientfico e didtico So sulcos provenientes do escoamento concentrado da gua das chuvas sobre os arenitos (fig. 5b), que tem seu poder corrosivo acentuado pela presena de cidos orgnicos, estes agem, sobretudo na destruio do cimento da rocha e posterior remoo mecnica dos gros (Melo, 2006). Compartimento da Fortaleza: abrange os aceiros que partem do mirante de Vila Velha at o contato discordante com a Formao furnas, proporciona visualizao de afloramentos tanto do arenito Vila Velha como das rochas indiferenciadas do Grupo Itarar abaixo das anteriores, uma estrutura denominada como “Falha da Fortaleza” soergueu o bloco da fortaleza colocando-o cerca de 100m acima do bloco de Vila Velha (Trzaskos et al., 2006) 10Juntas poligonais – Distncia percorrida: 2238m Altitude: 940m Valores: cientfico e didtico Coordenadas UTM (Zona 22J) E: 0601492 N:7207491. So feies tpicas de superfcies rochosas orientadas para a regio com maior incidncia de radiao solar, originando formas hexagonais devido ao fraturamento pelos fenmenos de expanso e contrao sucessivas (Melo, 2006). Em alguns casos as juntas poligonais so orientadas por sistemas paralelos de fraturas preexistentes, correspondentes (NW-SE) e associadas (E-W e NE-SW) ao Arco de Ponta Grossa (Melo, 2006). 11Panelas ou bacias de dissoluo – Distncia percorrida: 2438m Altitude: 950m Valores: cientfico e didtico Coordenadas UTM (Zona 22J) E: 0601580 N: 7207604. So cavidades formadas sobre a plataforma rochosa (fig. 5c), devido ao acumulo de gua das chuvas acidificadas pela decomposio de organismos que se proliferam nessas poas, favorecendo a desagregao do arenito, principalmente na dissoluo do cimento que mantm o arenito coeso. Esto frequentemente associadas a outras feies de relevo ruiniforme como as caneluras e as juntas poligonais (Melo, 2006). 12Plat da Fortaleza Distncia percorrida: 4367m Altitude: 1008m (na base) Valores: cientfico, didtico e turstico Coordenadas UTM (Zona 22J) E: 0601493 N: 7209072. um morro testemunho como plat de Vila Velha, se destacam no terreno por serem um pouco mais resistente a eroso, que consumiu as partes mais frgeis do arenito, estas cobriam grande extenso conectando todos os afloramentos do arenito Vila Velha, recebem este nome por terem testemunhado a eroso e a sua antiga extenso. (Melo, 2006). 13Lapas – Valores: cientfico e didtico. So abrigos naturais que ocorrem, sobretudo, nas rochas da Formao Furnas nas quais as marcantes estruturas sedimentares favorecem a remoo de blocos rochosos por diversos processos como a dissoluo, a remoo mecnica, a ao do peso dos blocos e a eroso de canais fluviais. So comumente sitos arquelgicos (Melo, 2006). 14Parablica Distncia percorrida: 6858m Altitude: 1017m Valores: cientfico, didtico e turstico Coordenadas UTM (Zona 22J) E:0601487 N: 7210092. A parablica um curioso bloco suspenso (fig. 5d), provavelmente originado pela eroso diferencial que consumiu as partes mais frgeis do arenito seguindo a orientao das estruturas sedimentares do arenito. Compartimento Furnas: abrange os principais elementos da Formao Furnas, desde o contato discordante com as rochas do Grupo Itarar at as Furnas e Lagoa Dourada. 15Rio Quebra-Perna Distncia percorrida: 8555m Altitude: 780m Valores: cientfico e didtico Coordenadas UTM (Zona 22J) E: 599858 N:7210019. O Rio Quebra-Perna corre encaixado por longo trecho nos arenitos da Formao Furnas, sobre a Falha do Quebra-Perna que devido variao de resistncia e de ao de estruturas, tanto sedimentares como estruturais, forma pequenos cnions, corredeiras e panelas de dissoluo em seu leito. Alm disso, constitui um importante corredor ecolgico na regio atravs de sua mata ciliar relativamente preservada. 16Furnas Valores: cientfico, didtico e turstico. As furnas (fig. 5e) se formam pela ao das guas pluviais acidificadas em presena dos gases atmosfricos (CO2) e da matria orgnica presente no solo. A infiltrao desses fludos facilitada, atravs de uma imensa rede de fraturas, bastante acentuada por esforos tectnicos no passado, destroem lentamente a ligao entre os gros de areia (de quartzo) e o cimento (Caulinita) que mantm a rocha coesa. Is to possibilita a remoo

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 13 mecnica desses materiais, pela circulao da gua no interior do arenito, resultando na escavao de cavidades ocas (abbodas) subterraneamente, principalmente no cruzamento das fraturas. O crescimento das abbodas ocorre em direo superfcie (eroso inversa), provocando ao longo do tempo geolgico o desabamento do teto rochoso remanescente, com a pe rda de estabilidade do terreno. Ainda no foi confir mada a interferncia de rochas carbonticas do embasamento pertencentes ao Grupo Itaiacoca, o que bem possvel. (Soares, 1989; Melo, 2006; e Mineropar, 2009). 17Lagoa Dourada Valores: cientfico, didtico e turstico. A Lagoa Dourada (fig. 5f) uma furna assoreada que se encontram na plancie de inundao do Rio Guabiroba, foi entulhada por uma grande quantidade de sedimentos provenientes da desagregao das outras furnas e continua em constante processo de assoreamento durante os perodos de inundao do rio. Constitui um verdadeiro aqurio natural, onde os peixes do Rio Guabiroba se refugiam e se reproduzem calmamente (Melo et al. 2000). Figura 5 ATneis anastomosados e cones de eroso; Bcaneluras; Cpanelas de dissoluo; Dparablica; Efurnas, Fonte: Wikimapia (2009); Flagoa dourada. Recomendaes para a conservao do roteiro geoturstico As geoformas apesar de terem geralmente um aspecto robusto, o arenito Vila Velha, especialmente, muito su scetvel ao desgaste principalmente pelo pisoteio. E um fluxo desordenado de visitantes pode levar ao invs da conservao dessas feies geolgicas a sua perda definitiva, dessa maneira propem-se as seguintes recomendaes para conservao do Patrimnio Natural em geral presente durante o percurso do Roteiro Geoturstico de Vila Velha: A visitao deve ser precedida por orientaes sobre o percurso e deve basear-se nos princpios da conduta consciente de mnimo impacto em reas naturais Todo o percurso deve ser acompanhado por pessoal treinado para conduzir grupos no Roteiro Geotursitico de Vila Velha O nmero de visitantes deve ser limitado a no mximo 10 visitantes para um condutor e 15 para dois condutores A trilha deve conter um folheto explicativo que poder ser transportado pe lo visitante durante o percurso, evitando a poluio visual do ambiente sem perder a qualidade de transferncia de informaes. Consideraes finais As geoformas apresentadas neste trabalho so tpicas da regio, constitui ndo um sitio geolgico singular que coloca a regio no mesmo nvel de importncia de parques naci onais brasileiros como a Chapada dos Guimares (MT), Chapada Diamantina (BA), Sete Cidades (PI) e outros (Melo et al 2007). Essas feies indicam expressivos processos de dissoluo dos minerais constituintes dos arenitos, sobretudo os feldspatos e os cimentos, xidos de

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 14 ferro e mangans, no caso do Arenito Vila Velha e a caulinita no caso das roch as da Formao Furnas; geralmente conjugados como a remoo mecnica dos gros ( Soares, 1989 e Melo, 2002). Tais caractersticas no podem ser negligenciadas e implicam em considerarmos as feies geomorfolgicas de Vila Velha com um exemplo de Relevo crstico em rochas quartzosas. As furnas situadas no parque e tambm nas proximidades (como o Buraco do Padre ou as Furnas Gmeas) situam-se em uma regio com elevado nmero de falhas e fraturas, algumas das quais coincidentes com estruturas das rochas do embasamento pertencentes ao Grupo Itaiacoca, unidade subjacente s rochas da Formao Furnas. Alguns autores acreditam que tanto os lineamentos estruturais como a presena de rochas carbonticas de fcil dissoluo do Grupo Itaiacoca exeram influncia na formao das furnas, o que bem possvel, mas ainda no tem sua existncia confirmada. Essas questes somente podero ser desvendadas com novas investigaes, atravs de estudos de detalhe em profundidade. Dessa maneira pode-se admitir que os processos de dissoluo e remoo mecnica dos gros no prprio arenito tenham um papel concreto na formao desses “poos de desabamento”, uma vez que existem muitas evidncias disso na regio, como: os sumidouros que abrem caminhos no interior do arenito onde tambm esto preservados tneis secos elevados em relao ao leito atual do rio, que sugerem paleodut os subterrneos (Silva et. a l, 2005), as panelas de dissoluo intercomunicantes do Rio QuebraPerna e a diferena de sedimentos na Lagoa Dourada que na sua regio de ressurgncia, norte (N), apresenta areias quartzosas caractersticas da Formao Furnas, diferentemente da sua parcela sul (S), onde se tem a comunicao como Rio Guabiroba que apresenta sedimentos silte -argilosos resultantes dos perodos de inundao do rio (Melo et al. 2000). O Parque Estadual de Vila Velha apresenta um Patrimnio Geolgico nico como as Furnas, poos de desabamento escavados naturalmente em grandes profundidades no arenito, exibindo o lenol fretico e o relevo ruiniforme esculpido em arenitos avermelhados identificados somente na regio de Vila Velha. Este Patrimnio precisa ser inventariado, classificado, conservado, valorizado e disponibilizado ao pblico para visitao, sustendo em estratgias responsveis que mantenham sua conservao. Includo na demarcao dos Stios Geolgicos e Paleontolgicos do Paran o Stio Geolgico de Vila Velha faz parte tambm do Projeto Geoturismo na Rota dos Tropeiros, iniciado em 2005 e que se encontra em andament o, organizado pela MINEROPAR prope, fundamentalmente associar as geocincias e o turismo. Com a associao entre vrias instituies que podem contribuir com as pesquisas, como a UFPR, UEPG, ECOPARAN, PARAN TURISMO, SECRETARIA DA CULTURA, IAP, AMCG e prefeituras, a proposta de realizar a difuso dos stios geolgicos e paleontolgicos em 17 cidad es que ficam na rota dos tropeiros, visando o desenvol vimento turstico da regio e a conseqente gerao de cultura, emprego e renda (Piekarz & Liccardo, 2007). Alm disso, o parque pode vir a abrigar a sede do “Geoparque dos Campos Gerais”, para o qual a UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) em parceria com a MINEROPAR (Minerais do Paran S/A) vem realizando esforos no sentido de que a regio possa estar apta a receber o selo de geoparque da Rede Mundial de Geoparques da UNESCO (Organizao das Naes Unidas para a Cincia, Educao e Cultura). Sendo assim, o “Geoturismo em Vila Velha’’ poder iniciar a abertura de uma nova fase do turismo em Vila Velha, resgatando sua verdadeira razo de ser, presente em seus monumentos geolgicos e aproximando os visitantes dos conhecimentos das cincias da terra Referncias ASSINE, M.L.. 1996. Aspectos da estratigrafia das seqncia s pr-carbonferas da Bacia do Paran no Brasil. Instituto de Geocincias, Universidade de So Paulo, So Paulo, Tese de Doutorado, 207 p. BRILHA, J.. 2005. Patrimnio Geolgico e Geoconservao: A c onservao da Natureza na sua Vertente Geolgica. Palimage Editores, Braga. 183 p.

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Letenski, et al. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 15 FRANA, A.B.; WINTER, W.R. & ASSINE, M.L.. 1996. Ar enitos Lapa-Vila Velha: um modelo de trato de sistemas subaquosos canal-lobos s ob influncia glacial,Grupo Itarar (C-P), Bacia do Paran. Rev. Bras. Geoc. 26 :43-56. LICCARDO, A.; PIEKARZ, G.F. & SALAMUNI, E.. 2008. Geoturismo em Curitiba. MELO, M.S.; BOSETTI, E.P.; GODOY,L.C. & PILATTI,F.. 2002. Vila Velha, PR Impressionante relevo ruiniforme. In: Schobbenhaus,C.; Campos,D.A. ; Queiroz,E.T.; Winge,M.; Berbert-Born,M.L.C. ( Edits ) Stios Geolgicos e Paleontolgicos do Bras il. Brasilia: DNPM/CPRM Comisso Brasileira de Stios Geolgicos e Paleobiolgic os (SIGEP), 2002, 01: 269-277. MELO, M.S. de.; MORO, R.S. & GUIMARES, G.B.. 2006. Patrimnio Natural dos Campos Gerais do Paran. UEPG Ponta Grossa. 230 p. MELO; M.S.. 2006. Formas Rochosas do Parque Estadual de Vila Velha UEPG Ponta Grossa. 157 p. Ministrio do Meio Ambiente. 2008. Conduta Con sciente em Ambientes Naturais. Disponvel em: http://www.mma.gov.br/port/sbf/dap/comopart.html acesso em: 08 de dezembro de 2008. NASCIMENTO, M.A.L.; AZEVEDO, U.R. & MANTESSO NETO, V.. Geodiversidade, Geoconservao e Geoturismo: trinmio importante para a proteo do patrimnio geolgico, 2008 SBGeo, 84p. NASCIMENTO, M.A.L.; AZEVEDO, U.R. & MANTESSO NETO, V.. 2007. Geoturismo: um novo segmento do turismo no Brasil. Revista Global Tourism, 3: PIEKARZ, G.F.; LICCARDO, A.. Turismo Geolgico na Rota dos Tropeiros, Paran. Revista Global Tourism, 3: 01-18, 2007. Mi neropar, Curitiba, 122 p. SALLUN FILHO, W.; KARMANN, I.. 2007. Dolinas em ar enito da Bacia do Paran: evidncias de carste subjacente em Jardim (MS) e Ponta Grossa (PR). Revista Brasileira de Geocincias, 37: 551-564. SILVA, A.G.C.; MELO M.S. & PARELLADA, C.I.. Pinturas rupestres em abrigo sob rocha no sumidouro do Rio Quebra-Perna, Ponta Grossa, Paran. Publicatio UEPG, 12: 23-31. SOARES, O.. 1989. Furnas dos Campos Gerais Scientia et Labor, Curitiba. 82 p. TRASKOS, B.; VESELY, F.F. & ROSTIROLLA, S.P.. 2006 Eventos Tectnicos recorrentes impressos no arcabouo estratigrfico do Grupo Itarar na regi o de Vila Velha, Estado do Paran Boletim Paranaense de Geoci ncias, 58/59: 89-104. Wikimapia. 2009. Parque Estadual de Vila Velha Furnas. Disponvel em: http://wikimapia.org/#lat=25.2214425&lon=50. 0412655&z=15&l=9&m=b& search=ponta%20grossa acesso em: 10 de fevereiro de 2009. Fluxo editorial : Recebido em: 30.04.2009 Enviado para avaliao em: 27.05.2009 Enviado para correo aos autores em: 27.07.2009 Aprovado em: 10.08.2009 A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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Travassos. A caverna do eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 17 A CAVERNA DO EREMITA, PARQ UE KOZJANSKO, ESLOVNIA THE ERMIT’S CAVE, KOZJANSKO PARK, SLOVENIA Luiz Eduardo Panisset Travassosi Sociedade Brasileira de Espeleologia – SBE; Pontifcia Universidade Catlica de Min as Gerais PUC Minas; Faculdade Promove Belo Horizonte MG luizpanisset@uol.com.br Resumo O texto apresenta e documenta um parque regional es loveno e sua importncia para o desenvolvimento do geoturismo. Atravs de um breve histrico sobre a ocupao do territrio esloveno e sua compartimentao geogrfica o autor tem por objetivo demonstrar a estr utura de funcionamento bsica do Parque Kozjansko. Com um passado geolgico diversific ado, o Parque foi concebido para receber turistas interessados em trilhas geolgicas, ecolgicas e culturais. Em relao aos estudos fsicos e humanos das cavernas, destaque dado utilizao de cavernas para o armazenamento de produtos, bem como Caverna do Eremita utilizada como local de recluso. Palavras-Chave: parque natural, trilhas educativas, geoturismo, cavernas, carste Abstract This paper presents and documents a Slovenian regional park and its importance for the development of geotourism. Through a brief history about the occupa tion of the Slovenian territory and its geographical compartments the author aims to dem onstrate the basic structure of opera tion of the Kozjansko Park. With a diverse geological past, the park was designed to receive t ourists interested in geological, ecological and cultural trails. For the physical and human studies of caves, emphasis is given to the use of caves for products storage, and the Hermit's Cave used as a place of reclusion. Key-Words: natural park, educational trails, geotourism, caves, karst. Introduo e Breve Histrico A Eslovnia j apareceu anteriormente em edies do Informativo SBE como o bero dos estudos do carste e das cavernas. Devido ao fato de grande parte de seu te rritrio se desenvolver em rochas carbonticas, essa a caracterstica mais marcante do pas. Alm dessa caracterstica principal, o pas possui parques que so utilizados para a prtica do geoturismo. Considerado o pas mais jovem da Europa, a Eslovnia, atravs de um referendo, obteve sua independncia da Iugoslvi a em 1991. Nas palavras de Kolšek (2008), o sonho esloveno de 1.000 anos finalmente havia se concretizado. Em 2004, tornou-se parte da Unio Europia, fazendo com que seu nome se tornasse mais conhecido no mundo. Entretanto, Kolšek (2008) afirma que mesmo com sua incluso no bloco, o reconhecimento do pas ainda continua pouco diferente de antes. A dita Europa ocidental ainda pouco sabe sobre a Eslovnia. Entretanto, tal situao diferente no chamado “Leste Europeu” uma vez que esses pases estavam sob a mesma “Cortina de Ferro”. Kolšek (2008) ainda afirma que o pouco conhecimento das pessoas em relao ao pas pode ser atribudo tambm sua juventude como nao independente e ao seu tamanho, situao que vem se modificando devido ao crescimento do turismo e tambm do geoturismo. De acordo com a literatura possvel afirmar que como nao, a Eslovnia existiu por cerca de 1.400 anos e junto com sua lngua, representa um dos mais antigos territrios tnicos europeus. Repe (2008) afirma que uma rea aproximadamente trs vezes maior do que o atual territrio esloveno j era ento ocupada. Registros arqueolgicos do conta da ocupao h 200.000 anos. Kolšek (2008) ainda afirma que os ancestrais Eslavos ocuparam a regio entre os Alpes e o Mar Adritico desde o sculo VI ao sculo X. Entretanto, com a influncia germnica e romana, rapidamente o tamanho desse territrio foi reduzido. Assim, consider ando o fato de que os eslovenos perderam sua nobreza relativamente cedo, nunca tiveram reis e sua prpria administrao e

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Travassos. A caverna do eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 18 como nao agrcola foram sempre dominados por interesses polticos durante sculos, a preservao de sua identidade nacional e da lngua pode ser considerado um “milagre tnico europeu”. Para o Conselho de Turismo da Eslovnia e o Ministrio do Meio Ambiente e Planejamento Espacial (2008), o pas ta mbm o local de encontro de quatro grandes estruturas naturais europias: os Alpes, o Mediterrneo, a Plancie Pannia e o Carste. Em termos de unidade s naturais em nvel nacional, o pas possui um Parque Nacional (o Parque Nacional Triglav ), dois Parques Regionais (o Parque Kozjansko e as Cavernas de Škocjan ), trs Parques Paisagsticos/Naturais (Parque Natural Salinas Se ovlje Parque Strunjan e Parque Gori ko ) e uma Reserva Natural ( Škocjanski zatok ). Em nvel municipal, um parque foi estabelecido (o Parque Regional de Notranjska ) e existem outros 34 parques naturais espalhados pelo territrio esloveno. Nesse breve texto, trataremos do Parque Kozjansko localizado em Podsreda a cerca de 120km da capital Ljubljana (Figura 1). Figura 1 – Mapa de localizao dos parques naturais mais importantes da Eslovnia (Fonte: Slovenian Tourism Board and Ministry of Environment and Spatial Planing, 2006). O Parque Kozjansko De acordo com Ploštajn er (2006), o Parque Kozjansko localiza-se ao leste da Eslovnia, sendo uma de suas mais antigas e extensas reservas naturais. Estendendo-se ao longo de 206 km2, um mosaico natural composto pelas colinas sub-Alpinas de Posavsko pelas colinas vincolas e as plancies ao longo do Rio Sotla Criado em 1981, como o Parque Memorial de Treb e (Lei n 01/81), a rea importante centro cultural da antiga Iugoslvia. Marija Javeršek me do ex-presidente Josip Broz (Tito), nasceu em Podsreda Assim, Josip Broz passou parte de sua infncia na vila. Posteriormente, antes e durante a Grande Guerra Mundial, Broz passou muito tempo com sua tia em Treb e A rea foi, ento, gradualmente tornando-se conhecida como o Parque Kozjansko por razes profissionais, sistmicas e promocionais. Em 1999, o nome oficial atual foi dado por fora da Lei de Proteo Natural (Kozjanski Park, 2008). Em razo da diversidade natural e da rica herana cultural, o visitante pode caminhar por trilhas educativas, entre elas as de Rudnica e Virštanj com seus 10 km de extenso. O Castelo de Podsreda (Figuras 2 e 3) outro ponto de referncia

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Travassos. A caverna do eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 19 histrica da regio servindo como um centro cultural e social. Por esse motivo, o local atrai cerca de 35.000 visitantes por ano (Ploštajner, 2006; Kozjanski Park, 2008). O castelo do sculo XII um dos mais belos exemplos da arquitetura de estilo romnico na Eslovnia. Principalmente nos meses de vero, abriga atividades cultura is e at casamentos podem ser realizados em seu interior. Figura 2 e 3 – Vistas do Castelo de Podsreda (Fonte: Slovenian Tourism Board and Ministry of Environment and Spatial Planning, 2006 e L.E.P. Travassos, 2008). Geologia, Geomorfologia e Hidrologia Em linhas gerais, a rea do parque desenvolve-se em rochas do Paleozico (perodos Carbonfero e Permiano), do Mesozico (perodos Trissico, Jurssico e Cretceo) e do Cenozico (perodos Negeno e Quaternrio). H maior quantidade de rochas Trissicas e Negenas marcando a regio. Entretanto, as rochas mais antigas datam de aproximadamente 300 milhes de anos. Pelo fato da compr eenso da histria geolgica da Terra ser essencial para o entendimento da estrutura litolgica do Parque, existem diversas trilhas educativas sobre a temtica. Dessa forma, o visitante capaz de compreender que a configurao atual do Parque o resultado da interao entre as foras geolgicas internas e externas ao longo da histria geolgica do Planeta. As rochas mais antigas do parque datam de aproximadamente 300 milhes de anos, no Paleozico. So as ardsias, argilas, arenitos siliciclsticos e conglomerados. As rochas do Mesozico so as variadas e numerosas rochas trissicas encontradas em Vetrnik Orlica e Rudnica Os exemplos mais comuns so os arenitos marrons, arenitos com calcrios oolticos, dolomitos e mrmores. Alm dessas rochas existem tambm diabsios e cinzas que comprovam a atividade vulcnica na regio. Sedimentos negenos de um antigo mar epicontinental tambm podem ser encontrados e perfazem grande parte da rea do Parque. So perfis litolgicos, cavernas, abismos, ressurgncias, tufas e regi stros de animais marinhos incrustados nas rochas. Sedimentos quartenrios tambm esto presentes, principalmente na forma de seixos, areias, argilitos e argilas (Kozjanski Park, 2008). Em relao tectnica do Parque, sua superfcie foi dobrada e dividida em “torres” menores por inmeras falhas tectnicas. Do norte ao sul existem muitas estruturas de anticlinais e sinclinais, e os eixos dos dobramentos orientam-se predominantemente de leste a oeste. Recentemente, no ano de (1974) a regio foi atingida por um terremoto (Kozjanski Park, 2008). Quanto Geomorfologia possvel afirmar que ela determinada pelos vales anticlinais e sinclinais e pela geologia. A regio dividida em unidades geomorfolgicas compostas por colinas, pequenos morros e vales: 1) as Colinas de Posavje ao leste; 2) os pequenos morros que ocorrem na rea entre Sotla e Bistrica e ao sul de Orlica e 3) os vales de Bistrica e Sotla Alm desses compartimentos, para a administrao do parque, inmeros outros fenmenos geomorfolgi cos originados pelos processos intempricos, erosivos e de carstificao so explorados para o turismo. Entre eles destacamse algumas cavernas e os seguintes stios mostrados na figura 4 (a-b-c). Em resumo, a estrutura geolgica diversificada do parque composta por rochas impermeveis e permeveis tambm favorece o surgimento de grande nmero de vales e ravinas. Alm disso, tais rochas so tambm responsveis por uma significativa rede de drenagem. Nas palavras da administrao do Parque, sua ambio promover ainda mais a divulgao de suas trilhas. Para tanto, o parque foi concebido com

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Travassos. A caverna do eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 20 cerca de 50 km de trilhas e pontos bem marcados que podem ser facilmente seguidas com o uso de folders e guias impressos. A rede de trilhas compreende 4 caminhos principais a saber: Trilha de aprendizado geolgico de Rudnica e Virštanj (10 km); Trilha educativa no Vetrnik (2 km); Trilha de Podsreda (32 km) e Trilha de Pilštanj (4 km). Para o escopo dessa edio do peridico, as mais significativas seriam as Trilhas de Aprendizado Geolgico de Rudnica e Virštanj Elas levam o visitante em torno da parte mais ao norte do Parque. Embora sejam relativamente pequenas, extremamente diversificada e perfeita para apresentar o desenvolvimento geolgico e estrutural do Parque. Alm disso, o visitante capaz de observar toda a herana histrica da regio com suas igrejas, monastrios e stios arqueolgicos. A trilha possui 21 pontos de informao e pode durar de 4 a 6 horas. Figura 4 (a) – Vistas Ajdovska ena (Mulher Ajdovska) – Pilštanj: uma formao antr opomorfa em dolomito de 12 metros de altura por 2 metros de largura que se assemelha a uma mulher segu rando uma criana em seus braos. De acordo com a lenda, ela teria se transformado em rocha aps ter amaldioado o Sol (Foto: Kozjanski Park, 2008). Figura 4 (b) The Bistrica gorge (Desfiladeiro de Bistrica): O rio Bistrica flui por uma garganta de 3 km entre Treb e e Zagaj O desfiladeiro torna-se ainda mais estreito e intransponvel entre Rebrija e Tisovec Suas margens so ngremes, rochosas e florestadas. A regio considerada o ecossistema fluvial mais bem conservado do leste Esloveno (Foto: Kozjanski Park). Figura 4 (c) Zelenjak gorge (Desfiladeiro de Zelenjak): O rio Sotla escavou a vertente leste de Oslica e criou essa garganta dolomtica de 1,5 km que vem a se alargar somente em Cesarsko brdo, na Crocia. Esse fenmeno geomorfolgico considerado de importncia nacional bem como objeto de cooperao alm fronteiras entre a Eslovnia-Crocia (Foto: Kozjanski Park, 2008). Do ponto de vista arqueolgico, as pesquisas realizadas no parque logo aps o final da Segunda Guerra Mundial identificaram importantes achados: machados de pedra do Perodo Neoltico bem como vestgios que apontam para a Idade do Ferro (Perodo Hallstatt). Assentamentos romanos tambm foram identificados e seus vestgios provavelmente ainda esto escondidos no subterrneo aguardando serem descobertos. A presena germnica confirmada por pequenos ach ados. (Kozjanski Park, 2008). Do ponto de vista etnogrfico, cultural e histrico, as cavernas escavadas em arenitos na regio de Brezovica foram utilizadas pela populao

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Travassos. A caverna do eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 21 devido umidade (95%) e temperatura (8 C) constantes. Tais condies so extremamente favorveis para sua utilizao como adegas. (Kozjanski Park, 2008). Para os pesquisadores do Instituto de Pesquisas do Carste, a visita ao Parque foi uma oportunidade de estudar uma rea de “carste isolado”. Na regio, foi possvel a aplicao de traadores para comprovar uma possvel ligao subterrnea regional (Figuras 5 e 6). Figura 5 Uma das colinas carbonticas da regio. O carste regional bem menor que o encontrado no Planalto de Kras no oeste esloveno, limitando-se aqui a “pequena s ilhas” carbonticas (Foto: L.E.P. Travassos, 2008). Figura 6 – Pesquisadores do Instituto de Pe squisas do Carste aplicando traad ores para comprovao de conexo entre este crrego e a ressurgncia de Gruska lado oposto da posio em que a foto foi tirada (Foto: L.E.P. Travassos, 2008).

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Travassos. A caverna do eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 22 A Caverna do Eremita (Puš avnikova Jama ou Gruska Jama) A caverna localiza-se no centro do Parque Kozjansko e considerada a mais antiga e documentada feio natural da regio. J em 1988 estava includa como um dos mais importantes pontos de interesse geomorfolgico, hidrolgico e cultural do parque. Por muitos anos, o pocket valley na qual se encontra, foi utilizado como um depsito ilegal de lixo. A remediao da rea foi realizada pelo Clube Espeleolgico rni galeb de Prebold apoiado por empresas da regio. O vale recebe o nome de Gruska derivado da antiga vila mercantil de Grozka. Goršak, Kunst e Ploštajner (2005) lembram uma lenda publicada em 1883 que mencionava a supos ta origem do vale ou da dolina: diz a lenda que os habitantes da vila, muito ricos, tinham o costume de sempre realizar festas memorveis. Celebravam fosse Quaresma ou Advento. Uma vez, em plena Sexta-feira Santa, festejavam desde as primeiras horas da manh quando noite um velho surgiu e lembrou-lhes o verdadeiro significado da data. Mesmo assim, j bbados, riram e no se importaram com o homem. De repente, a terra tremeu e toda a cidade desapareceu, dando origem ao vale que existe hoje (Figuras 7 e 8). Figura 7 – Ortofoto em escala 1:50.000 forneci da pelo Geopedia.si / Društvo za di gitalizacijo Slovenije, Geopedia. O nmero 1 identifica o local onde foi aplicado o traador e 2 o vale de Gruska (F oto: Geopedia.si, 2008). Como comum na relao do homem com o carste, o imaginrio d origem a estrias fantsticas. Nesse caso, o vale em que a caverna se encontra foi provavelmente criado por uma dolina de abatimento e possvel que uma ressurgncia denominada Gruska Spring (Figura 9) possua conexo com o curso d’gua mostrado na figura 6. A Caverna do Eremita ou Gruska Jama desenvolve-se em calcrios do Mioceno, em tpica morfologia de uma caverna vadosa inativa. Sua entrada foi visivelmente intemperizada e, no passado, foi tambm uma r essurgncia ativa. Possui apenas 22 metros de comprimento e desnvel de 2 metros. Escorrimentos e estalactites existem, mas no em abundncia. Para Go ršak, Kunst e Ploštajner (2005), durante e aps a Primeira Guerra Mundial, Valentin Podstenšek passou a viver solitariamente no local, tornando-se um eremita. Por esse motivo a caverna tambm conhecida como Puš avnikova Jama derivado de puš avnik que significa eremita.

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Travassos. A caverna do eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 23 Figura 8 – Vista da entrada Gruska Jama do alto da dolina (Foto: L.E.P. Travassos, 2008). Figura 9 – Ressurgncia de Gruska A ressurgncia uma pequena caverna de cerca de 26 m de comprimento, 5 m de largura e 1,2 m de altura que vai diminuindo at terminar em um sifo no explorado. Desenvolve-se em calcrios estratificados do Mioceno (Foto: L.E.P. Travassos, 2008; Croqui da Caverna: Gospodari e Mela kar, 1977a).

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Travassos. A caverna do eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 24 Conforme demonstrado nas figuras 10 e 11, a grandiosidade da paisagem local um convite ao visitante para a explorao independente dos atrativos. Como comum a diversos parques que possuem atraes geolgicas, ao longo das trilhas placas levam aos turistas variadas informaes geolgicas. Para o leigo, a motivao que o leva a visitar a caverna a curiosidade. Muitos decidem visitar o local devido s est rias que cercam o lugar. Figura 10 – esquerda, em foto tirada do fundo do vale possvel ver o Dr. Gabrovšek como escala usando uma jaqueta azul prximo entrada da Gruska Jama e indicado pela seta. direita, vemos o caminho at a entrada da Gruska Jama Ao fundo, indicado pelo crculo, nossa escala o Dr. Bojan Otoni ar (Foto: L.E.P. Travassos, 2008). Figura 11 – Vista da entrada da Gruska Jama e mapa da caverna (Foto: L.E.P. Travassos, 2008; Croqui da Caverna: Gospodari e Mela kar, 1977b). Consideraes Finais O trabalho de campo no Parque Kozjansko foi mais uma oportunidade forn ecida pelo Instituto de Pesquisas do Carste e uma tima chance de conhecer uma regio de carste isolado em territrio esloveno. Sua estrutura de uso e ocupao do solo nos lembra uma organizao similar ao sistema das APAs (reas de Proteo Ambiental) no Brasil. Relativamente extenso em rea, o Parque conta com ocupao humana e a preocupao em conviver da forma mais harmnica possvel com os aspectos abiticos e biticos da regio. O que mais chama a ateno a vontade da administrao em aliar o estudo desses aspectos fsicos com a varivel cultural e humana. Agradecimentos O autor agradece ao In stituto de Pesquisas do Carste ( Inštitut za raziskovanje krasa), ao Ministrio de Educao Superior, Cincia e Tecnologia da Repblica da Eslovnia ( Ministrstva za visoko šolstvo, znanost in tehnologijo Republike Slovenije ) e ao Centro de Pesquisas Cientficas da Academia Eslovena de Cincias e Artes ( Znanstvenoraziskovalni Center Slovenske Akademije Znanosti in Umetnosti ) pelas bolsas de estudos em territrio esloveno.

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Travassos. A caverna do eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 25 Referncias GOSPODARI R.; MELA KAR, F. 1977a. Gruska – Izvir (Resgistro do Karst Research Institute). GOSPODARI R.; MELA KAR, F. 1977b. Gruska Jama 1374 (Resgistro do Karst Research Institute). GORŠAK, B.; KUNST, M.; PLOŠTAJNER, B. 2005. Gruska Cave : natural monument. Kozjan: Kozjanski Park. KOLŠEK, P. 2008. Slovenia today. In: HROARSSON, B.; KERMAN, D. Slovenia Today Ljubljana: Agencija Baribal. 11-17. KOZJANSKI PARK. 2008. Kozjanski Park Disponvel em: http://www.kozjanski-park.si Acesso em 17 Dez 2008. PLOŠTAJNER, B. 2006. A harmonious coexistence of man and nature : Kozjanski park. Ljubljana: Kozjanski Park. REPE, B. 2008. Slovenia, the crossroads of Europe. In: HROARSSON, B.; KERMAN, D. Slovenia Today Ljubljana: Agencija Baribal. 27-33. SLOVENIAN Tourism Board and Ministry of Environment and Spatial Planing. Parks in Slovenia 2006. Kranj: Slovenian Tourism Board and Ministry of Environment and Spatial Planing. Fluxo editorial : Recebido em: 01.03.2009 Enviado para avaliao em: 10.03.2009 Enviado para correo aos autores em: 04.04.2009 Aprovado em: 27.07.2009 A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp i Gegrafo, Coordenador da Seo de Histria da Espeleol ogia da SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia) e da Comisso de Antropoespeleologia da SBE. Doutorando em Geografia – Tratamen to da Informao Espacial pela PUC Minas e Doutorando em Carstologia pela University of Nova Gorica (Eslovnia). Professor da Faculdade Promove.

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 27 GEOTURISMO: UMA NOVA FORM A DE ATRAO TURSTICA – ESTUDO DE CASO NA ALTA B ACIA DO RIO CORUMBATA, SO PAULO, BRASIL GEOTOURISM: NEW WAY OF TOURIST ATTRACTION – CASE STUDY AT THE CORUMBATAI RIVER REGION, SO PAULO, BRAZIL Andr Riani Costa Perinottoi Universidade Federal do Piau – Chefe do Curso de Turismo Parnaba PI perinotto@ufpi.edu.br Resumo O objetivo deste artigo apresentar subsdios geolgicos dos atrativos tursticos existentes e potenciais, alm de tratar a questo da gesto do geoturismo regional, tendo como vetor de desenvolvimento o aproveitamento racional dos recursos hdricos. Alm disso, contribuir para discusso do processo de planejamento do turismo na regio, que possui grande potencial. Tomou-se como estudo de caso a regio da Alta Bacia do rio Corumbata, que est includa numa unidade de conservao protegida por lei: a rea de Preservao Ambiental (APA) Corumbata, Botucatu e Tejup. A rea aflorante do Aqfero Guarani o principal objeto de conservao nesta APA. Partiu-se de um “inventrio turstico”, com a caracterizao do municpio de Analndia e da atividade turstica na rea de estudo para realiz ar um diagnstico qualitativo suficiente para definir objetivos e diretrizes. Palavras-Chave: Turismo; Geoturismo; Alta Bacia do Rio Corumbata. Abstract This paper presents geologic argumen ts for touristic places both establis hed or potential. Besides it deals with sustainable regional tourism activities which ha ve as focus the water resources rational usage. The region under analysis has high potential for natural tourism activities. As a case study it was taken the Cuestas region that belongs to the Environmenta l Preservation Area “Corumbata-Botucatu-Tejup” (protected by State and Federal Laws). The Guarani Aquifer recharge area is the most important to be protected in this region as a whole. This case study started with a touristic inventory that recorded all the natural characteristics of the Analndia region includ ing the touristic activities in order to get a qualitative diagnostic, enough to define objectives and strategies. Key-Words: Tourism; Geotourism; Corumbatai River Region. Introduo O artigo tem como objetivos principais: 1. Apresentar subsdios geolgicos dos atrativos tursticos existentes e potenciais da regio em foco, alm de tratar a questo da gesto sustentvel do geoturismo regional, tendo como vetor de desenvolvimento o aproveitamento racional dos recursos hdricos. 2. Contribuir para discusso do processo de planejamento do turismo na regio da alta bacia do rio Corumbata, que possui grande potencial. O municpio de Analndia, estncia climtica, fica em uma rea de proteo ambiental (APA) denominada “APA de Corumbata, Botucatu, Tejup”, no permetro Corumbata, o que deve ser considerado junto aos setores que exploram o turismo, pois h limitaes de usos nesse espao. Trata-se de uma rea de paisagem notvel, com mananciais ainda bem preservados e numerosos cursos d’gua. Vale ress altar que h 83 quedas d’gua na regio at agora catalogadasii, porm 90% dessas ficam localizadas em fazendas e propriedades privadas, sem nenhuma sinalizao ou facilidade na visitao, alm de formas de relevo especificas, como morros testemunhos, cavernas, bem como caractersticas climticas que propiciam conforto e bem-estar aos visitantes. Esse conjunto de fatores permite que setores da referida rea se constituam em relquias de flora e fauna, contemplando, em seu conjunto, algumas espcies em extino. Portanto, de grande importncia a elaborao de pesquisas como esta, pois este

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 28 trabalho oferece informaes e dados que podero fundamentar futuras intervenes municipais pblicas e privadas no setor turstico, uma das opes de desenvolvimento do municpio de Analndia. A regio possui um grande potencial de crescimento em relao ao turismo, embora ainda sem muita explorao, comportando uma melhor definio de estratgias de planejamento dentro de uma perspectiva de turismo sustentvel, econmica e socialmente, protegendo a fauna e a flora, alm dos mananciais existentes. H necessidade de se ativar e dinamizar a gesto turstica natural do municpio de Analndia (pblica e privada), redirecionando o atual uso desordenado do meio. A seqncia da pesquisa aqui realizada enfatiza fatores como a demanda, destacando-se bases tericas e conceitos, tais como: turismo; geoturismo. Geoturismo O perfil do turismo como setor econmico apresentou mudanas fundamentais em termos de estrutura e planejamento nos ltimos anos. At a dcada de 80 o turismo clssico era de visitas a destinos, com o planejamento todo voltado para hotelaria e pacotes para o lazer litorneo. O turismo moderno no mais somente o turismo de destino, mas tambm o turismo de experincia ou experimentao. Novas variantes como o turismo gastronmico, turismo de aventura ou turismo cultural vm ao encontro do novo turista, mais exigente e mais informado, que procura, acima de tudo, informao com lazer e conscincia. O geoturismo e o turismo mineral j existem h vrios anos em pas es da Europa e Estados Unidos, definindo um produt o turstico de grande valor e sem limitao de durabilidade como os produtos artificiais. Geoturismo a oferta de informaes sobre os processos de formao e ambientes passados em pontos de visitao paisagstica. Turisticamente o Brasil tende a privilegiar o seu litoral, principalmente o nordeste, para o desenvolvimento da infra-estrutura de turismo. Em se tratando de belezas naturais e histria, outras regies apresentam um interessante conjunto de caractersticas que podem ser oferecidas como produtos tursticos alm dos tradicionais, e que possuem, atualmente, uma crescente demanda. A histria do povoamento ligado minerao em muitas cidades ou os cenrios naturais conhecidos podem ser oferecidos como fator de turismo cultural, ecoturismo ou mesmo turismo de compras, em alguns casos. Desde 1996, a UNESCO vem preparando o programa Geoparks reas protegidas com limites bem definidos que contm lugares de interesse geolgico de especial importncia cientfica, singularidade ou beleza, que so representativos da histria geolgica de uma regio ou de eventos e processos que os formaram. Em pases desenvolvidos, como uma demonstrao de respeito ao planeta, os monumentos geolgicos so tombados e, muitas vezes, transformados em museus ao ar livre, com a colocao de painis informativos sobre sua evoluo geolgica. Considerando-se a evoluo da atividade de turismo nas ltimas dcadas, o termo geoturismo pode ser vinculado ao conceito de desenvolvimento sustentvel do turismo. Conforme pesquisa realizada pela Travel Industry Association of America (TIA) e pela National Geographic Traveler em 2002, o geoturismo consolida-se como modalidade de viagem. "Viajantes procuram destinos que preservam a cultura, a ecologia e a paisagem local. Est aumentando, consideravelmente, a quantidade de pessoas interessadas no geoturismo, termo que h pouco tempo identificava um nicho de mercado". A pesquisa realizada cons tatou que, nos Estados Unidos, 55 milhes de pessoas se classificam como "geoturistas. Trata-se de um elo de ligao entre o ecoturismo, que teve seu auge no final da dcada de 90, caracterizado pelo contato com a natureza e pela busca de experincias e sensaes, e o turismo cultural, cujo principal atrativo o contedo de conhecimentos agregado ao destino turstico, como em museus, igrejas e conjuntos arquitetnicos. A proposta do geoturismo agregar o conhecimento geocientfico ao patrimnio natural. Em pontos tursticos na turais j estabelecidos, como Foz do Iguau ou Corcovado, a informao geolgica apresentada de maneira didtica e palatvel faz com que o turista leve essa informao ao seu pas ou local de origem, contribuindo imensamente com a divulgao do ponto visitado, com o acrscimo cultural e aumento da conscincia ambiental do visitante e, em ltima instncia, com melhorias na economia local. Outra situao do geoturismo a possibilidade de transformar um ponto de interesse geolgico em atrativo turstico. O melhor exemplo, no Paran, so as estrias glaciais na Colnia Witmarsum, municpio de Palmeira, includo na Rota dos Tropeiros. Um afloramento de arenito

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 29 mostrando marcas da existncia de geleiras no passado da regio recebeu a implantao de infraestrutura da comunidade local e painis informativos e folders da Mineropar, com a explicao dos processos e eventos geolgicos que ali aconteceram. Esse afloramento, antes ameaado de destruio por falta de informao, passou a ser visitado por turistas, estudantes e visitantes especializados de vrios lugares do mundo. por meio de aes mais adequadas, focadas na sustentabilidade e uma legislao vigente, podese aproveitar o turismo na regio da Cuesta que possui, em sua maioria, terras de cunho rural. Metodologia de Anlise De acordo com Ghemawat (2000), o objetivo atual de uma anlise SWOT – Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats – (pontos fortes; pontos fracos; oportunidades e riscos [ameaas]) definir estratgias para manter os pontos fortes, reduzir a intensidade de pontos fracos, aproveitando as oportunidades e protegendo-se de riscos (ameaas). Sendo assim, diante da predominncia de pontos fortes ou fracos e de oportunidades ou riscos, podem-se adotar propostas de estratgias que busquem a manuteno, crescimento ou desenvolvimento de uma organizao ou localidade. Montana e Charnov, (1998 apud GHEMAWAT, 2000), explicam que esta abordagem avalia os pontos importantes para o planejamento. So realizadas pesquisas e os resultados obtidos so organizados em uma matriz SWOT. De acordo com Dornelas (2005), atualmente a anlise ambiental, baseada na SWOT um fator fundamental na estruturao de um plano de marketing e turstico que d o retorno esperado para a localidade. Uma vez identificadas as principais oportunidades e ameaas enfrentadas pela localidade, possvel caracterizar sua atratividade global. Alm disto, a anlise deste tipo foi escolhida, dentre vrias alternativas, para representar a anlise final do trabalho por ser muito usual no mercado das consultorias em atividades tursticas, seja pblico ou privado, alm de fcil entendimento e demonstram certos resultados relevantes e rpidos. Segue abaixo uma anlise do tipo SWOT, com a matriz SWOT: pontos fortes; pontos fracos; oportunidades e riscos (ameaas). Anlise da Matriz SWOT Descrio A rea estudada bero do rio Corumbata, atravs de mltiplas nascent es, localizadas na Serra de Santana, a cerca de 800 m de altitude. Dentre os cursos fluviais que constituem a alta bacia encontram-se os crregos do Veado, do Retiro, do Vavaleio, da Nova Amrica, So Francisco, Olaria, Santa Terezinha e outros menores. O rio Corumbata desgua no rio Piracicaba que afluente do rio Tiet, uma das principais artrias fluviais do Estado de So Paulo. Aspectos ambientais O alto curso do rio Corumbata encachoeirado e flui em vales estreitos e profundos, proporcionando paisagens notveis e a prtica de esportes radicais como, por exemplo, o cannyoning As freqentes rupturas topogrficas existentes ao longo dos canais fluviais que integram a alta bacia do rio Corumbata possibilitam a ocorrncia de inmeras quedas d’gua que so consideradas patrimnios naturais por seus atrativos tursticos. Estas feies comuns na regio constituem-se no principal potencial a ser explorado racionalmente. De acordo com Guerra e Guerra (1997) existem diferentes tipos de quedas d’gua: Saltos: (Corredeiras) denominao genrica dada a todos os tipos de desnivelamento ou degraus encontrados no perfil longitudinal; alguns autores definem salto como sendo apenas uma queda sbita das guas de um rio, como havendo uma separao da parte superior da inferior. Cascatas: sucesso de pequenos saltos em um curso d’gua onde aparecem blocos de rochas. Cachoeiras: queda d’gua no curso de um rio, ocasionada pela existncia de um degrau no perfil longitudinal do mesmo. Cataratas: quebra ou degrau no perfil longitudinal de um rio, produzindo grande queda d’gua.

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 30 Figuras 1 e 2 – Localizao da rea em relao aos compartimentos de relevo do Estado de So Paulo De acordo com Zaine (1995), nos canais fluviais que integram a bacia do rio Corumbata, so encontradas rupturas do tipo cachoeira e corredeira. As dificuldades encontradas para se vislumbrar uma queda d’gua na regio so grandes, pois os donos de terras fecham os acessos a elas, ou desviam as trilhas j existentes para locais no demarcados em mapas, fazendo assim com que a rea perca parte de seu atrativo. Outros atrativos tm gr ande importncia como a paisagem notvel representada pelas escarpas da cuesta e pelos morros testemunhos. Localizao aproximada da rea de estudo Oceano Paran SP – So Paulo RC – Rio Claro Cp – Campinas Esboo Geolgico/ Geomorfolgico do Estado de So Paulo (IPT, 1981) e extrusivas RC C p SP

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 31 Convm esclarecer que, geomorfologicamente, cuesta significa uma forma de relevo esculpida em rochas sedimentares, em estruturas concordantes e sub-horizontal (at 35). A Serra de Santana, inserida em parte do municpio de Analndia, constitui-se num relevo de cuesta. Os morros testemunhos so relquias que indicam reas preteritamente ocupadas pela cuesta antes desta recuar, paralelamente a elas mesmas, pela ao da dinmica erosiva. Os rios da alta bacia do rio Corumbata tm seu regime fluviomtrico controlado pelas precipitaes pluviais que, na rea, tm o seu mximo entre outubro e maro, perodo este que corresponde primavera e ao vero. O perodo de seca compreende os meses de abril a setembro, perodo este que corresponde ao outono e o inverno (BRINO, 1973). Analndia encontra-se sob um “clima tropical de altitude CWa que, segundo Keppen, caracterizado por apresentar temperaturas mdias entre 18 e 23C” (TOREZAN, 1994), podendo ter um inverno com temperaturas abaixo de 18C, em mdia. De acordo com Brino (1973), o clima encontra-se subordinado a dois tipos de massas de ar de dinmica antagnicas: uma quente e mida vinda do Atlntico e outra fria e seca (polar) que, ao chegar na regio, perde a fora, porm causa frio e costuma estacionar na regio proporcionando um clima agradvel e ameno. Com relao aos tipos litolgicos, segundo Zaine (1995), ocorrem na rea, siltitos, argilitos, arenitos e conglomerados, estes dispostos em manchas, que cobrem um intervalo de tempo que se estende do Permiano ao Quaternrio. Os terrenos vinculados alta bacia do rio Corumbata, encontram-se relacionados s formaes Corumbata posicionada em setores restritos do setor sul da bacia, Pirambia, Botucatu, Serra Geral e Itaqueri que aflora mais para o noroeste da rea. A Formao Corumbata, cuja gnese pertence ao perodo Permiano, caracterizada por litologias intercaladas, entre as quais argilitos (folhelhos cinza-arroxeados), siltitos e arenitos finos. A Formao Pirambia, que data do Trissico, constituda, predominantemente, de arenitos com matriz argilosa, com estratificaes cruzadas de pequeno a mdio porte. A Formao Botucatu, do Jurssico/Eocretceo, caracteriza-se, marcantemente, por seus arenitos com estratificaes cruzadas de grande porte, representando paleodunas em ambientes desrticos e, subordinamente, sedimentos flvio-torrenciais e lacustres. Exposies desta formao podem ser observadas na Serra do Cuscuzeiro, que um marco e grande atrao de Analndia; j na Formao Serra Geral, cuja origem data do Cretceo inferior, o basalto se encontra intercalado com o arenito, propiciando as maiores elevaes regionais e as quedas d’gua (figura 1). A relao entre as unidades estratigrficas mencionadas uma das responsveis pelo aparecimento das quedas de gua e das cavernas. No contexto dos compartimentos geomorfolgicos do Estado de So Paulo, a rea particularizada na presente pesquisa, encontra-se nos limites das Cuestas Baslticas com a Depresso Perifrica (figura 2). A cuesta constitui-se num tipo de relevo dissimtrico, constitudo por uma sucesso de camadas com diferentes resistncias ao desgaste e que se inclinam numa direo, formando um declive suave e um corte abrupto ou ngreme na chamada frente de cuesta (GUERRA, 1969 apud TOREZAN, 1994). Parte da rea insere-se na Depresso Perifrica que constituda basicamente por sedimentos paleozicos com reas expressivas de intruses de rochas bsicas que refletem em sua topografia, um compartimento rebaixado, com amplitudes topogrficas pequenas, mas ligeiramente superiores s do planalto (TOREZAN, 1994). Segundo Zaine (1995): A faixa de cuesta ocorre acompanhando o limite Oeste da Bacia do rio Corumbata na Serra de Itaqueri e os limites Noroeste e Norte, na Serra de Santana (dos Padres) e Serra do Cuscuzeiro. Estas feies proeminentes no relevo, com desnveis de 100 a 300 m, atingem cotas de at 1.000 m nas Serras de Itaqueri (Ipena, Itirapina) e do Cuscuzeiro De acordo com Fernandes, (1994) A rea possui solos arenosos e argilosos (litlicos), escarpas caracterizadas por alta declividade, fraturamento intenso devido a movimentos verticais e alvios horizontais com os mais diferentes tipos de solos: latossolo roxo; latossolo vermelho-amarelo; podzlico vermelho-amarelo; terra roxa estruturada; areias quartzosas; litlicos e o plintolossolo concrecionrio Este mesmo autor enfatiza que os solos profundos predominam na rea de estudo e so de baixo potencial nutricional fazendo com que o Cerrado seja predominante na rea. O cerrado tpico caracteriza-se por apresentar um estrato de rvores e arbustos, geralmente tortuosos, enegrecidos pelo fogo e

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 32 de casca espessa, dispersos sobre a camada contnua de gramneas que reveste o terreno. Porm existem vrias outras fisionomias de vegetao dentro da extensa rea de domnio do cerrado, que vo desde o campo limpo at as formaes florestais (BITENCOURT e MENDONA, 2004) Segundo Coutinho (1978 ) o cerrado um complexo de formaes vegetais que apresentam fisionomias e composio florstica variveis: campestres (campo limpo), savnicas (campo sujo, campo cerrado e cerrado strictu sensu ), e florestais (cerrado), formando um mosaico ecolgico. Ainda de acordo com Goodland e Ferri (1979), o cerrado uma mistura de rvores baixas e um bem desenvolvido estrato herbceo rasteiro. Segundo Baldini (1993), a vegetao de cerrado constitui-se em uma formao savnica lenhosa, de rvores, em geral retorcidas e raquticas, de casca grossa e folhas coriceas, encontradas dispersas em um revestimento de gramneas e subarbustos. A flora do cerrado no completamente conhecida, embora grande nmero de espcies j tenha sido descrito (GOODLAND e FERRI, 1979). Estima-se que a biodiversidade do cerrado possa alcanar entre quatro mil e dez mil espcies vasculares, superior grande parte de outras floras mundiais (AZEVEDO, 1995). Apesar de ser o segundo bioma brasileiro em extenso geogrfica o cerrado est sob uma frgil proteo legal, resumindo-se apenas ao disposto no Cdigo Florestal e a algumas Unidades de Conservao. Diferentemente das Matas Tropicais, como a Atlntica e a Amaznica (BITENCOURT e MENDONA, 2004). De acordo com Zaine e Perinotto (1996) as reas de vegetao natural representam cerca de 6% da rea total de toda bacia do rio Corumbata e seu valor incontestvel para o equilbrio de todo o ecossistema da bacia. Saraiva (1993) esclarece que na rea so poucas as ervas, e h muitas plntulas e indivduos de pouca altura das espcies lenhosas mais comuns, indicando que est ocorrendo regenerao da vegetao arbrea e arbustiva, o que se constitu num bom sinal para o ecossistema da regio e tambm para o turismo. Segundo Toledo Filho (1984), apesar da baixa fertilidade dos solos onde se desenvolve o cerrado a proximidade dos centros consumidores e a topografia plana, que predomina nestas reas, facilitam sua mecanizao e recentemente suas reas esto sendo ocupadas por a tividades agropecurias, principalmente cana-de-ucar, citricultura e gado bovino. O solo em Analndia , grandemente, ocupado por pastagens, cultura da cana-de-acar e pequena parte ocupada por reflorestamento de eucaliptos, porm a regio do alto curso do rio Corumbata ainda preserva e possui a mata ciliar e partes da mata nativa que so patrimnios naturais, incluindo o cerrado em sentido genrico. Os aspectos paisagsticos da regio de estudo devem ser interpretados tendo-se o entendimento da complexidade que envolve os diversos elementos que os compem (NOMURA, 1994). neste cenrio que est inserida a APA Corumbata, Botucatu e Tejup que est subdividida em trs permetros: Permetro Corumbata – rea: 272.692,09 ha; Permetro Botucatu – rea: 218.306,00 ha; Permetro Tejup – rea: 158.258,70 ha. Esta rea de proteo foi criada em 1983, atravs do Decreto Estadual n 20.960. Representa uma ampliao da rea da AP A Piracicaba-Juqueri-Mirim por acrescentar pores dos municpios de Descalvado, Pirassununga e a totalidade de guas de So Pedro. Incluiu, ainda reas de mananciais do municpio de Itirapina, Brotas, Mineiros do Tiet, Dois Crregos, Torrinha, So Carlos, Analndia, So Pedro e Charqueada. A APA Corumbata, Botucatu e Tejup foi criada para proteger as cuestas baslticas, os remanescentes de vegetao de Cerrado e Mata Atlntica e as reas de recarga do aqfero Guarani. Como unidade de uso sustentvel, tem sua base econmica centrada, principalmente, no reflorestamento, na pecuria e agricultura e, recentemente, se tornado um novo plo de citricultura. Uma das caractersticas peculiares desta APA o fato de estar em uma regio onde aflora o aqfero Guarani. De acordo com o Atlas das Unidades de Conservao Ambiental do Estado de So Paulo (1998), 33% da rea de afloramento deste reservatrio abrangem os trs permetros desta APA. “Como na regio os solos de areia quartzosas so freqentes, o abastecimento do lenol favorecido pela permeabilidade do solo, armazenando as guas pluviais, em contrapartida, so terras onde a vulnerabilidade e suscet ibilidade aos processos erosivos se tornam fato presente” (FERREIRA, 2005) O permetro que interessar para fins de pesquisa neste trabalho o, da era Nordeste, do municpio de Analndia, onde o rio Corumbata (principal rio da regio) nasce (nascente principal) na Fazenda Estrela, percorrendo aproximadamente,

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 33 130 km at a foz (no rio Piracicaba). A rea da bacia do rio Corumbata de, aproximadamente, 170.000 ha e conforme a legislao vigente, com dados obtidos pelo IPEF (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais) deveria apresentar: – Uma reserva legal (20%) dos 34.000 hectares para a mata ciliar no rio Corumbata, ou seja, 1.580 hectares, considerando uma faixa de 50 metros em cada lado; – Mata ciliar da rede hidrogrfica da bacia (exceto o rio Corumbata), ou seja, 985 hectares, considerando uma faixa de 30 metros em cada lado. Alguns estudos mostram que pouco resta da vegetao original, cerca de 6% da rea total da bacia, dos quais sua maioria no municpio de Analndia, local da nascente do rio, com mananciais ainda bem conservados. Recursos e atrativos naturais: explorao, problemas e perspectivas Nos itens a seguir poder-se- notar que h intensa paisagem notvel na localidade, onde os recursos naturais ainda em bom estado de conservao tm grande potencial turstico, com grande interesse para visitao, observao e para cunho cientifico. Morro do Cuscuzeiro Segundo Guerra (1997), morro significa, “monte pouco elevado, cuja altitude de aproximadamente de 100 a 200 metros” e neste contexto que se enquadra o morro do Cuscuzeiro. Situa-se a 2206’55.8’’S e a 4740’28.3’’W (UTM 0222.359 / 755.1900). Seu acesso, em estrada de terra, d-se por uma entrada de propriedade privada, onde uma placa foi colocada pela Prefeitura Municipal de Analndia alertando aos visitantes dos perigos que o morro oferece, como abelhas e pedras soltas. O Cuscuzeiro (marco e Carto Postal da Cidade), uma "pedra" inte rnacionalmente conhecida pelos praticantes de montanhismo e escalada, formado por arenitos da Formao Botucatu e preservados por endurecimento devido ao contato com os basaltos da Formao Serra Geral, forma uma feio geomorfolgica denominada morro testemunho. Com seus 200 metros de altura pode oferecer inmeras atividades tursticas, tais como: observao da paisagem notvel da natureza, caminhadas ( trekking ), escaladas/montanhismo. (Figura 3) A estrutura turstica e a conservao ambiental esto sendo melhor formuladas, pois o nmero de turistas no local, quase todo final de semana, crescente e se torna cada vez mais popular. O projeto “Pedra Viva”, para proteo e conservao do morro do Cuscuzeiro, criado em 2001, consiste no desenvol vimento de uma rea, com pequena infra-estrutura, para recebimento e cobrana para visitao, junto ao morro. A sua principal finalidade de proteger e conservar o local, mantendo e melhorando as condies do meio ambiente e, conseqentemente, das paisagens. Oferece uma infra-estrutura para a recepo dos visitantes, com uma rea toda ajardinada e arborizada, onde existe uma lanchonete, recepo, banheiros com chuveiros, um estacionamento com 4.000 m2. Uma rea de 5.000 m2, destinada para camping, tambm arborizada, utilizar a mesma estrutura da portaria e esto em fase de construo 12 chals rsticos. Atualmente, h um espao para camping selvagem, isto , para pessoas que possuem suas prprias barracas e estiverem preparadas para um acampamento com uma infra-estrutura bsica (estacionamento, gua, banheiro e campo roado). Figura 3 – Morro do Cuscuzeiro, smbolo de Analndia e regio (Andr Perinotto, 2008)

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 34 A preocupao com a conservao est cada vez maior, devido importncia que o morro do Cuscuzeiro tem para a comunidade, no s da localidade, mas para as pessoas que apreciam a natureza e os esportes de ao. Hoje, s se encontra preservada a mata nativa no sop do morro, onde no se podia ter mais o pasto. Preocupado com a seguida degradao do morro, o projeto Pedra Viva vem credenciando todas as pessoas que acessam o morro, fazendo-as assinarem um termo de responsabilidade na portaria. Toda pessoa que acessar o morro ter direito a assinar o livro Projeto Pedra Viva, podendo, assim, plantar sua rvore e ficar com o seu nome (para sempre) registrado. O projeto decidiu tomar algumas providncias, tais como: – Organizao das trilhas que permitem o acesso ao morro, de modo que sejam diversificadas e margeadas (protegidas) por pedras e madeira para evitar desmoronamentos e eroses, promovendo o revezamento das mesmas. – Plantio e conservao das rvores nativas (espcies predominantes na regio), em todas as reas observadas nas encostas do morro, bem como um nmero bastante expressivo nas proximidades do morro. – Controle do acesso, sempre que possvel com guias, que orientam sobre o uso das trilhas em atividade, evitando que haja um fluxo desordenado de pessoas nas encostas do morro. Morro do Camelo O morro do Camelo mais uma feio geomorfolgica, constituindo num esporo do front cuestiforme. Com seus 80 metros de altura, situa-se a 226’37’’S e a 4741’18’’W (UTM 222.643 / 7552.514). de mesma formao litolgica do morro do Cuscuzeiro, estando prximo deste. (Figura 4) O acesso ao morro via estrada de terra batida, fcil e sinalizada. Logo na entrada da propriedade onde se localiza, encontra-se uma placa explicativa e um local para se colocar o lixo. A infra-estrutura para receber turistas ainda precria. No h banheiros, setor de alimentao nem hospedagem, apesar de alguns visitantes acamparem no local, mesmo com a proibio. Prximo ao p do morro encontra-se uma ravina, um incio de vo orocamento, que de acordo com Guerra (1997) quer dizer incio de “uma escavao ou rasgo do solo ou de rocha decomposta, ocasionado pela eroso do lenol de escoamento superficial”, que pode comprometer a estrutura viria. Torna-se necessrio um estudo dos impactos dos visitantes, protegendo ao mximo a mata nativa, evitando criar novas trilhas que desgastam o solo, deixando-o propcio eroso. Como no morro do Cuscuzeiro, a mata nativa s preservada no sop do morro, pois no h como utilizar este espao para o pasto, devido s formaes rochosas. Dois afloramentos rochosos prximos ilustram as relaes entre as rochas baslticas da Formao Serra Geral com os arenitos da Formao Botucatu. Os basaltos conferem uma dureza maior aos arenitos tornando-os mais resistentes eroso. A eroso diferencial posterior produz formas como a dos morros em foco. Figura 4 – Morros do Camelo ( esquerda) e do Cuscuzeiro. Ao fundo, viso parcial da Depresso Perifrica Paulista. Notar estrada em leito argiloso vermelho, de dif cil trnsito quando chove. (Andr Perinotto, 2008)

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 35 Pode-se praticar no morro do Camelo as seguintes atividades: caminhada nas trilhas, observao da natureza e das cidades prximas (Rio Claro, por exemplo), alm da escalada. A trilha realmente um desafio, com eroso, pedras, obstculos, uma pequena escalada. Sua subida de, aproximadamente, 25 metros. Por ser de mais livre acesso que o Cuscuzeiro, o morro do Camelo requer maior ateno quanto aos aspectos de proteo. Salto Major Levy Catalogado de acordo com a ficha utilizada na categoria de queda d’gua do tipo salto. Situa-se na entrada da cidade de Analndia, tendo como coordenadas geogrficas 227’59’’S e 4739’42’’W (UTM 225.390 / 7550.102), a uma distncia de 1,5 km do atual centro da cidade. (Figura 5) Queda d’gua do rio Corumbata de, aproximadamente, 25 m de altura, propiciando uma paisagem notvel no stio urbano da cidade, que ocorre no contato do basalto da Formao Serra Geral (ZAINE, 1995). O salto j possui certa infraestrutura no local, com banheiros e uma churrascaria, porm, de baixa qualidade. H muito lixo espalhado no local. No fim do ano de 2002 houve a transposio do esgoto que desgua diretamente no rio, que agora pode ser aproveitado para banho, alm disso, podese admirar a paisagem notvel que ela proporciona. Neste setor, a mata ciliar relativamente conservada em uma faixa muito estreita nas margens do rio. O acesso queda fcil e sinalizado, e o desnvel transposto por escadas, inviabilizando o acesso a pessoas com certa deficincia fsica. Figura 5 – Salto Major Levy, na entrada da cidade de Analndia, onde turistas banham-se. direita, parte da escada e via de acesso. (Andr Perinotto, 2008). Cachoeira da Bocaina Uma queda d’gua, com uma altura mdia de 45 m em forma de chuveiro (esguicho). As paredes verticais so de arenitos da Formao Botucatu, em tons de vermelho-amarron zado. Densa e agradvel mata nativa envolve este acidente geogrfico, possibilitando tambm a prtica de caminhada. Para se chegar ao p da cachoeira, preciso 15 minutos de descida ngreme, s vezes com lama no caminho. Segundo alguns esportistas da regio, essa uma descida de qualidade tcnica. (Figura 6) A cachoeira encontra-se a 225’12’’ de latitude S e a 4743’52’’de longitude W, estando a 8 km no sentido WNW do centro da cidade de Analndia, com acesso por estrada em terra, sem sinalizao, situada em um a propriedade particular. No existe nenhuma infra-estrutura. Tambm aqui o camping proibido. Ainda h uma certa preocupao com a manuteno e conservao da mata nativa no local. No foi aqui realizada nenhuma anlise quanto a sua

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 36 qualidade, mas, no p da cachoeira a gua de aparncia limpa e cristalina. O topo da cachoeira sobre rochas baslticas da Formao Serra Geral de difcil acesso, porm, de l se observa uma paisagem notvel, com paredes rochosos e um vale bem verde (paisagem notvel). Na cachoeira podem-se praticar diferentes atividades tais como: cannyoning ( rapel ), observao das paisagens notveis e caminhadas ( trekking ). Figura 6 – Viso a partir do topo da cachoeira da Bocaina. Pare des, abruptos, rochosos, rebordo de planalto, e vale com mata nativa no sop que compem a paisagem notvel. (Andr Perinotto, 2003) Cavernas em arenito Caverna: toda e qualquer cavidade natural subterrnea penetrvel pelo homem, incluindo seu ambiente, seu contedo mineral e hdrico, as comunidades animais e vegetais ali agregadas do corpo rochoso onde se insere. (BRASIL, 1986). “Caverna um termo genrico que define qualquer cavidade natural, independentemente de qualquer restrio (tamanho, existncia de curso d’gua, desnvel, ornamentao, afoticidade)” (ZAINE e PERINOTTO, 1996). As cavernas em arenitos so menos comuns do que as formadas em calcrios. Estas cavernas em arenito no so to profundas e so formadas com forte controle estrutural, por meio da percolao de guas atravs de fraturas com dissoluo do material, gerando uma eroso subterrnea (processo de “ pipping ”). A maioria das cavidades, da regio prxima de Analndia, apresenta falhas, fraturas e grandes descontinuidades (planos de falha sem estrias) com orientao norte nordeste (N30), as cavernas apresentaram orientaes de seus condutos principais para noroeste (N280) e nordeste (N30-50) e algumas tocas apresentaram condutos principais orientados para oeste/ noroeste (N270 -285). Estes trends foram correlacionados com os grandes alinhamentos de carter regional. As orientaes regionais NE e NNE esto controladas pelos lineamentos NE que caracterizam reativaes tectnicas ao longo dos tempos. A orientao para NW nas grandes cavernas e algumas tocas est ligada ao controle estratigrfico ( sets das estratificaes cruzadas dos arenitos). Na regio as cavernas esto relacionadas aos arenitos da Formao Botucatu (Zaine, 1995). Segundo Zaine e Perinotto (1996), cavernas so feies freqentes nas escarpas arenitobaslticas das serras do Cuscuzeiro e de Itaqueri. Nos arquivos da SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia) esto cadastradas duas cavernas no municpio de Analndia, denominadas de Toca e Retiro. Consideraes Finais Segundo Irving (2002), promover o turismo sustentvel no representa apenas controlar e gerenciar os impactos nega tivos. Mais do que isso, o turismo, na contemporaneidade, ocupa uma posio privilegiada da economia globalizada para gerar

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 37 benefcios ao desenvolvimento local e promover a responsabilidade de proteo da natureza. Assim, para o planejamento turstico, desenvolvimento e proteo de recursos renov veis no podem mais ser interpretados como foras opostas e contraditrias, mas como aspiraes comuns que podem ser mutuamente reforadas. Polticas e aes para planejamento turstico devem ser desenhadas, de maneira a otimizar e promover os benefcios e reduzir os custos e impactos negativos das atividades vinculadas, em sentido amplo. O turismo, consequentemente o geoturismo, imprescindvel hoje para o municpio, pois se trata de uma atividade de servio em que h direta e indiretamente gerao de empregos, traz maior preocupao com a questo ambiental e a conservao dos atrativos e recursos naturais e seus potenciais tursticos. Porm, existe ainda a especulao imobiliria que crescente no municpio, provocada por turistas que compram terrenos, casas ou mesmo chcaras, com a finalidade de aproveitar finais de semana e feriados. Assim, o turismo deve ser melhor aproveitado em gestes com funes sociais, econmicas e de proteo ambiental. Para a efetivao do geoturismo como atividade sustentvel na regio da Cuesta, preciso a participao da comunidade, porm, no incio da adoo de Analndia como uma estncia, houve rejeio por parte dos moradores e da comunidade local, talvez com medo de perder seus patrimnios naturais. O esforo em sensibilizao da sociedade para o turismo sustentvel , portanto, essencial para a construo de novos paradigmas de desenvolvimento turstico, envolvendo alm da capacitao das comunidades locais, o investimento nas potencialidades de uma regio e a discusso dos riscos e benefcios que o turismo pode trazer para um determinado destino. Alm disso, temas relacionados educao, cultura e formas de organizao social devem estar incorporados discusso, de maneira que as comunidades de destino possam se organizar e se qualificar para a gesto do turismo. De acordo com as observaes realizadas, percebe-se que o turismo muito importante para a regio e para o municpio de Analndia e que a proteo ambiental e conservao so feitas algumas vezes, visto que a rea est inserida em uma APA de significativo tamanho e importncia para o equilbrio ambiental da regio. Pelo fato da regio estar inserido numa APA, seria mais significativo como atividade econmica, a implantao de um projeto turstico que no promova alteraes ambientais significativas. Acredita-se que isto possa ser viabilizado por meio de estudos prvios que se apliquem adequadamente investigao do meio ambiente, considerando os diferentes fluxos de energia e matria advindos da natureza e sociedade, seguindo as relaes sociedade-natureza com bases sustentveis e atuando em diferentes campos com equipes multi e interdisciplinares para um trabalho mais coeso e equilibrado. Tendo tais procedimentos como norteadores de um planejamento turstico regional com bases sustentveis, possvel se chegar a uma interpretao confivel do ambiente em questo A resoluo dos conflitos ambientais por meio da construo do consenso e a antecipao aos danos afiguram-se como um caminho seguro na implementao do desenvolvimento sustentvel, visando sempre o equilbrio homem versus meio ambiente e a relao entre os seres humanos. Referncias AZEVEDO, G. 1995. De gro em gro, o cerrado perde espao (Cerrado – Impactos do processo de ocupao). WWF-POR-CER, Braslia/DF. BALDINI, S. M. 1993. Fungos filamentosos encontrados em Lato ssolo Vermelho-Amarelo textura mdia sob vegetao de Cerrado, no m unicpio de Corumbata, SP. 1993. Monografia, IB Instituto de Biocincias, UNESP, Rio Claro/SP, BITENCOURT, M. D.; MENDONA, R. R. (Org.). 2004. Viabilidade de conserva o dos remanescentes de cerrado no Estado de So Paulo Annablume, So Paulo/SP: FAPESP. BRASIL. Resoluo Conselho Nacional do Meio Ambien te (CONAMA), n 001 de 23 de janeiro de 1986. 1986. Estabelece as definies, as responsabilidades, os critrios bsicos e as diretrizes gerais para

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 38 uso e implementao da Avalia o de Impacto Ambiental como um dos Instrumentos da Poltica Nacional do Meio Ambiente. Braslia/DF. BRINO, W. C. 1973. Contribuio Definio Climtica da Baci a do Corumbata e Adjacncias (SP), dando nfase Caracterizao dos Tipos de tempo. 1973. Tese, Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras, UNESP, Rio Claro/SP, COUTINHO, L. M. 1978. O conceito de cerrado. Revista Brasil. Bot., So Paulo/SP, v. 1, p.17-24. DORNELAS, J. 2005. Anlise de Mercado no Plano de Negcios. Artigos do Plano de Negcios, So Paulo/SP. FERNANDES, J. R. 1994. Caracterizao geo-ambiental do setor No rdeste da rea de proteo ambiental de Corumbata (SP). 1994. Monografia, IB – Instituto de Biocincias, UNESP, Rio Claro/SP. FERREIRA, R. V. 2005. Utilizao de Sistemas de Informaes Geogrficas na Identificao de Unidades Geoambientais no Municpio de Analndia – SP 2005. Dissertao, UNICAMP, Campinas/SP. GOODLAND, R; FERRI, M. G. 1979. Ecologia do cerrado Itatiaia; EDUSP, So Paulo/SP. GHEMAWAT, P. 2000. A estratgia e o cenrio dos negcios: textos e casos. Bookman, Porto Alegre/RS. GUERRA, A. T.; GUERRA A. J. T. 1997. Novo Dicionrio Geolgico-Geomorfolgico. Bertrand Brasil, Rio de Janeiro/RJ: 652p. IRVING, M. A. 2002. Turismo, tica e educao am biental novos paradigmas em planejamento In: IRVING, M. A. e AZEVEDO, J. Turismo: o desafio da sustentabilidade. Futura, So Paulo/SP. NOMURA, R. 1994. Caracterstica Geomorfolgica da Alta Bacia do rio Corumbata. UNESP – IGCE Departamento de Planejamento Regional, Projeto de Iniciao Cientfica. Rio Claro/SP. SARAIVA, L. C. 1993. Biologia da Reproduo de arbustos e r vores do Cerrado em Corumbata, Estado de So Paulo. 1993. Tese, IB, UNESP, Rio Claro/SP. SO PAULO (Estado) Secretaria do Meio Ambiente. 1998. Atlas das unidades de conservao ambiental do estado. Coordenadoria de Planejamento Ambiental, So Paulo/SP. TOLEDO FILHO, D. V. 1984. Composio florstica e estrutura fito ssociolgica da vegetao de cerrado no Municpio de Lus Antnio (SP). 1984. Dissertao, UNICAMP, Campinas/SP. TOREZAN, F. E. 1994. Planejamento de uma trilha interpretativ a para o parque municipal de AnalndiaSP. 1994. Monografia. IB, UNESP, Rio Claro/SP. ZAINE, M. F. 1995. Patrimnios naturais da regio de Rio Claro, Ipena e Serra dos Padres. Anlise da compatibilidade com a ocupao atual e cons ideraes sobre sua explorao e conservao. UNESP. Relatrio-Parcial. Rio Claro/SP. ZAINE, M. F.; PERINOTTO, J. A. 1996. Patrimnios Naturais e histria Geolgica da Regio de Rio Claro – SP. Cmara Municipal, Arquivo pblico e histr ico do municpio de Rio Claro. Rio Claro/SP.

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Perinotto. Geoturismo: uma nova forma de atra o turstica – estudo de caso... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009. 39 Fluxo editorial : Recebido em: 28.03.2009 Enviado para avaliao em: 04.04.2009 Enviado para correo aos autores em: 27.07.2009 Aprovado em: 05.08.2009 A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp i Bacharel em Turismo pela UNIMEP – Piracicaba/SP; Especialista em Doc ncia para Turismo e Hotelaria pelo SENAC/SP; Mestre em Geografia (Organizao do Espao) pela UNESP – Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” ii GeoTrainning, empresa de esportes radicais, sediada no municpio de Brotas.

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 41 ANLISE GEOL"GICA, GEOMORFOL"GICA E TURSTICA DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DOS MARTRIOS ANDORINHAS: POTENCIAL PARA O GEOTURISMO GEOLOGICAL, GEOMORPHOLOGICAL AND TOURISTIC ANALISES OF PARQUE ESTADUAL DA SERRA DOS MARTRIOS ANDORINHAS: POTENTIAL FOR GEOTOURI SM Silvio Lima Figueiredo (1) & Paulo Sergio de Sousa Gorayeb (2) Universidade Federal do Par UFP A (1) Ncleo de Altos Estudos Amaznicos ( 2 ) Instituto de Geocincias B elm PA gorayebp@ufpa.br Resumo Estudo s de planejamento turstico, espeleolgicos, geolgicos, geomorfolgicos e arqueolgicos, entre outros, foram realizados no Parque Estadual da Serra dos Martrios Andorinhas localizado no sudeste do estado do Par, fronteira com o Tocantins, sendo objeto d a edio de um livro com resultados de pesquisas de carter multidisciplinar dos ltimos 10 anos. O Parque situado em um ambiente serrano destaca se no relevo isolado na plancie do rio Araguaia, na regio de transio Floresta Amaznica Cerrado. Rene gra nde diversidade da fauna e flora com sistemas aquticos diversificados, stios arqueolgicos com impressionantes gravuras rupestres; pedrais, ilhas e corredeiras no rio Araguaia que com toda a beleza cnica potencializam a regio para o ecoturismo e que, s omados s caractersticas arqueolgicas e geolgicas renem todas as condies para transformar se em um Geoparque Palavras Chave: Parque Estadual da Serra dos Martrios Andorinhas; Geoturismo, Cinturo Araguaia, Neoproterozico, Par; Brasil Abstract T ourism planning, speleological, geological, geomorphological and archaeological studies, among others, were carried out at Parque Estadual da Serra dos Martrios Andorinhas located in the southeastern of Par state. This park shows a mountain relief, isola ted on the Araguaia Mesopotamian. The region is located on Amazon Forest Savanna transition brings a great flora and fauna biodiversity, diverse aquatic systems, rocks formation, rapids and islands in the Araguaia River and all the scenic beauty potentiali ty the region for ecotourism and has archaeological and geological characteristics to become a Geopark K ey Words: Parque Estadual da Serra dos Martrios Andorinhas; Geotourism; Araguaia Belt; Neoproterozoic; Par; Brasil Introduo Os recursos geolgico s associados a outros recursos naturais so comumente explorados em parques e unidades de conservao em vrios locais do mundo, particularmente quando h destaque de relevo. Alguns exemplos so: o Grande Cnion/USA; Itatiaia/Serra da Mantiqueira; Parque N acional de Sete Cidades/Piau, Chapada Diamantina/Bahia; Parque Nacional de Ubajara/Cear; Chapada dos Guimares/Mato Grosso; Parque Estadual de Vila Velha; etc., e despertam grande atrao turstica. Entretanto, no Brasil, apesar do grande potencial dispo nvel, o lado geolgico tem sido pouco explorado e, quando dado este enfoque ele superficial, no agregando o conhecimento cientfico. Por outro lado, o Servio Geolgico do Brasil CPRM, baseado no conceito de geoparque da UNESCO criou o projeto GEOPAR QUES Parques Geolgicos do Brasil, no qual Geoparque definido como “regio com limites bem definidos, envolvendo um nmero de stios do patrimnio geolgico paleontolgico de especial importncia cientfica, raridade ou beleza, no apenas por razes geol gicas, mas tambm em virtude de seu valor arqueolgico, ecolgico, histrico ou cultural”. Segundo esta diretriz seu plano de gesto dever ser auto sustentvel (e provavelmente baseado no geoturismo), demonstrando mtodos de conservao

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 42 e propiciando o e nsino de disciplinas geocientficas e ambientais. Qualquer geoparque dever fazer parte de uma rede global que ir demonstrar e partilhar as melhores prticas com respeito conservao da herana da Terra e sua integrao em estratgias de desenvolvimento sustentvel. No final da dcada de 90 reuniu se uma comisso com representantes de vrias associaes cientficas e organismos governamentais (Petrobrs, DNPM, Academia Brasileira de Cincias, ABEQUA, IBAMA, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica Instituto do Patrimnio Histrico e Artstico Nacional, Sociedade Brasileira de Espeleologia, Sociedade Brasileira de Geologia, Sociedade Brasileira de Paleontologia) tendo sido criada a SIGEP Stios Geolgicos e Paleobiolgicos do Brasil, cuja principal atribuio foi elencar os stios brasileiros e o gerenciamento de um banco de dados com atualizao permanente e disponibilizado em site (www.unb.br/ig/sigep), que atualmente tem editado livros destacando alguns stios geolgicos e paleontolgicos do Bras il para ampla divulgao nacional e internacional. Os estudos realizados por pesquisadores da Universidade Federal do Par e Museu Paraense Emilio Goeldi no Parque Estadual da Serra dos Martrios Andorinhas localizado no sudeste do estado do Par, fronteir a com o Tocantins, e apresentados no livro Parque Martrios Andorinhas: conhecimento, histria e preservao (Gorayeb 2008), revelaram importantes caractersticas do Parque em que destacam formaes geolgicas do Neoproterozico e Arqueano, variadas feie s do relevo, stios arqueolgicos, cavernas, grande biodiversidade em ambientes de cerrado ou floresta, nascentes de rios, cachoeiras, alm do rio Araguaia com toda a sua beleza cnica, destacando o grande potencial para o ecoturismo (Figueiredo et al. 200 8, Gorayeb 2009), e mais ainda, para o geoturismo. Todos esses fatores potencializam o Parque Martrios Andorinhas para o enquadramento como mais um stio geolgico do Brasil: o Geoparque Andorinhas. Apresentam se no trabalho as caractersticas geomorfolg icas da rea, seus grupos e formaes geolgicas do Cinturo Araguaia, suas feies geomorfolgicas e aplicam se metodologia s de identificao de potencialidade para o geoturismo, principalmente as possibilidades de interpretao relacionadas s caracters ticas intrnsecas das formaes geolgicas. Tambm se prope a identificao de uma zona especifica para o geoturismo no Parque Martrios Andorinhas, a zona geolgica, dentro da perspectiva de zoneamento de unidade de paisagem ou rea protegida. As forma es geolgicas da Serra das Andorinhas A Serra das Andorinhas faz parte da unidade geotectnica denominada de Cinturo Araguaia (Hasui et al. 1984, Alvarenga et al. 2000), de idade Neoproterozico (perodo geolgico compreendido entre 1.000 e 550 milhes de anos). O Cinturo Araguaia se situa no centro norte do Brasil demarcando uma larga faixa de rochas metamrficas na direo Norte Sul com dimenso estimada em 1200 km de comprimento por 100 km de largura e uma orientao estrutural geral submeridiana. O Ci nturo Araguaia em toda a sua grande extenso composto por rochas derivadas de sucesses sedimentares, predominantemente, e rochas magmticas em menor quantidade, que foram transformadas em rochas metamrficas (ardsias, filitos, micaxistos variados, mr mores e rochas clcio silicticas, quartzitos, metabasaltos, metagabros, anfibolitos e serpentinitos) que representam depsitos em pleo bacias ocenicas. O conjunto rochoso em toda a sua extenso foi reunido na unidade denominada Supergrupo Baixo Araguaia subdividido no Grupo Estrondo com as formaes Morro do Campo e Estrondo e no Grupo Tocantins com as formaes Pequizeiro e Couto Magalhes (Abreu 1978). As principais unidades geolgicas expostas na Serra das Andorinhas e entorno so as formaes Morro do Campo e Xambio (Gorayeb et al. 2008a), a seguir descritas. Grupo Estrondo Formao Morro do Campo As rochas desta formao esto sobrepostas a um conjunto de gnaisses de idade Arqueana (2,8 bilhes de anos) reunidos no Complexo Colmia, que se encontr am expostos no ncleo da estrutura dmica de Xambio. Esta formao composta, predominantemente, por quartzitos intercalados com muscovita quartzito, quartzo muscovita xisto, cianita xisto, quartzito feldsptico e magnetita quartzito. A ocorrncia mais e xpressiva das rochas da Formao Morro do Campo sustenta a Serra das Andorinhas, com altitudes de quase 600 metros, onde o Parque Estadual da Serra dos Martrios Andorinhas est estabelecido. A se destaca uma espessa camada de quartzitos orientada na dire o NW SE deitada em baixo ngulo para NE. Em direo sudeste, passando pela localidade de Remanso dos Botos e adentrando o Estado do Tocantins, esta camada de quartzito se estreita e orienta se na direo N S.

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 43 Formao Xambio A Formao Xambio, conforme descrita regionalmente constituda por micaxistos de composio variada, xistos feldspticos, mrmores, rochas clcio silicticas e anfibolitos. Na rea do entorno do Parque ela ocorre em forma de colinas, grandes lajedos ou reas de relevo pouco expres sivo. O conjunto de rochas est assentado concordantemente sob os quartzitos da Formao Morro do Campo, em situao claramente observada na estrutura dmica de Xambio. Por outro lado, nos flancos oeste, sudoeste e sul da Serra das Andorinhas os micaxisto s fazem contato por meio de uma zona de cavalgamento (falha geolgica) com direo NW SE, com baixo valor de mergulho para NE, em que os quartzitos esto sobrepostos ao conjunto de xistos, caracterizando uma inverso na posio estratigrfica dessas forma es geolgicas. A Formao Xambio representada basicamente por muscovita biotita quartzo xistos, biotita xistos, granada micaxistos com ou sem cianita e estaurolita e, localizadamente grafita xistos, mrmores e anfibolitos que ocorrem como camadas lenti formes de tamanhos variados intercalados com os micaxistos. Expressivas ocorrncias de veios de quartzo e ametista, muitos com qualidades gemolgicas so comuns na regio que, historicamente, explora cristal de rocha. Eles apresentam se na forma de lentes, veios e bolses, s vezes constituindo enormes concentraes de cristais de quartzo leitoso, encaixados predominantemente em xistos ou quartzitos. Grupo Tocantins O Grupo Tocantins a unidade superior do Supergrupo Baixo Araguaia. Ocorre ao longo da por o oeste do Cinturo Araguaia, tendo sido dividido nas formaes Pequizeiro e Couto Magalhes (Abreu 1978). A Formao Pequizeiro conforme descrita por Gorayeb (1981) em sua rea tipo composta principalmente por clorita muscovita quartzo xistos com inte rcalaes subordinadas de clcio xistos, quartzitos e magnetita muscovita filitos. Por sua vez, a Formao Couto Magalhes constituda por filitos, ardsias, metapelitos, metapsamitos, cherts, lentes de calcrio e metagrauvacas (Gorayeb 1981), entretanto esta formao no est exposta na regio. Formao Couto Magalhes Na poro oeste da Serra das Andorinhas ocorre um conjunto de rochas de baixo grau metamrfico representado por filitos, meta arenitos e metasiltitos. Os filitos so de composio peltica tm colorao cinza esverdeada e so constitudos basicamente por sericita, clorita e quartzo. Os filitos grafitosos definem uma extensa lente orientada na direo norte sul situada a noroeste da cidade de So Geraldo do Araguaia. O contato desta unidade com a Formao Xambio feito de maneira brusca, atravs de uma superfcie de cavalgamento (falha geolgica) orientada aproximadamente norte sul a qual colocou em contato rochas de graus metamrficos contrastantes (filitos da Formao Couto Magalhes com biotita quartzo xistos da Formao Xambio). No presente caso a situao contrasta com o quadro regional, no havendo registro, portanto, da Formao Pequizeiro, supostamente devido ao processo tectnico da zona de cavalgamento descrita acima. A Geomorfo logia da Serra das Andorinhas A Serra das Andorinhas constitui um relativamente pequeno macio de rochas quartzticas de alta resistncia aos processos erosivos, que se salienta no sudeste do Par acima do nvel geral das colinas do vale do mdio baixo rio Araguaia, com altitudes mximas de quase 600 metros (Gorayeb et al. 2008a). Esta serra representa um dos ltimos remanescentes do Sistema Cordilheiriano que se projeta do centro norte do Tocantins em direo ao sudeste do Par, aproximadamente no meridian o 48 50Â’ WGr, desaparecendo logo a seguir em direo confluncia Araguaia Tocantins (Figura 1). A Serra sustentada por quartzitos, predominantemente, com altitudes que variam entre 200 e 590 m. A Serra das Andorinhas, em sua configurao maior, tem fo rma ovalar grosseira com rebaixo central correspondente ao vale do Ribeiro Sucupira. Seu eixo maior de direo NW SE tem aproximadamente 36 km de comprimento e sua largura mxima perfaz 18 km (Figura 2). A Serra se estreita para sul atingindo apenas 2,5 k m de largura em sua continuidade no Estado do Tocantins, tomando orientao norte sul por vrios quilmetros O sistema serrano apresenta no geral altitudes entre 250 e 500 metros com picos destacados de quase 600 metros e desnveis mximos de 360 metros. E xibem forte declividade das encostas com inclinaes acima de 45, entretanto, nos flancos oeste das cristas destacam escarpas subverticais em paredes de quartzitos estratificados com desnveis superiores a 60 metros, ao longo dos quais esto instaladas v rias cachoeiras como as do Riacho Fundo, Trs Quedas, Spaner e Caldeiro.

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 44 Figura 1 – Principais expresses de relevo da regio sudeste do Par e noroeste do Tocantins em imagem SRTM obtida em novembro de 2005, destacando os planaltos residuais e a depr esso perifrica do sudeste do Par. Notar a Serra das Andorinhas no norte da Cordilheira do Centro Norte do Tocantins. O domnio de serras e morros apresenta morfologia de cristas e ravinas, caracterizando uma rea fortemente dissecada que aproveitou o sistema de fraturas ortogonal s direes principais dos quartzitos da Serra das Andorinhas. Na poro oeste h uma contnua crista quartztica de orientao N S demarcando um divisor de guas das bacias dos ribeires Sucupira e Xambio. No domnio leste a situao se repete com a crista orientada NNW SSE dividindo as bacias do ribeiro Sucupira com a do ribeiro Gameleira e rio Araguaia. Um deles representado pelos pontos mais altos da Serra, que formam picos isolados acima de 500 metros. As feies de r elevo diferenciam se por apresentarem topos aplainados em rochas quartzticas, contudo, fortemente dissecados em determinados trechos. Neste caso, caracteriza se o relevo ruiniforme com representatividade em trs pontos da rea, e cujo exemplo mais bem con hecido o Complexo Ruiniforme Pedra da Bigorna (587 metros). Outras feies existentes na Serra das Andorinhas esto relacionadas aos processos de desenvolvimento da morfologia do tipo ruiniforme, responsveis tambm pela formao de cavernas; abrigos, fe ndas, portais, janelas, colunas e torres rochosas, cujas feies de dissecao acompanham sistemas de fraturas subverticais que se cruza com os planos subhorizontais de foliao/acamadamento presente nos quartzitos. Outra feio que merece destaque o cha mado Pedral do Araguaia que apresenta interessantes formas erosivas estabelecidas sobre extensas camadas de quartzitos sub horizontais que se projetam da Serra das Andorinhas ao leito do rio Araguaia, em que os quartzitos esto fortemente erodidos pela din mica das correntes fluviais. Caracteriza se por formas erosivas diversificadas, dominantemente conchoidais, esculpidas nos quartzitos acamadados. As superfcies das rochas so polidas e, em muitas partes, esto cobertas por pelculas de hidrxidos de ferr o de cor caramelo. A interpretao sobre a origem da Serra das Andorinhas indica a atuao de dois processos principais, o primeiro est relacionado aos sistemas tectnicos de cavalgamento (falhas geolgicas), durante a evoluo crustal do Cinturo Araguai a, que rompeu e deslocou camadas de quartzitos da Formao Morro do Campo para nveis superiores da crosta e projetou as sobre camadas de micaxistos da Formao Xambio no Neoproterozico (Gorayeb et al. 2008a). O segundo est relacionado modelagem do re levo durante o Cenozico, acompanhando o soerguimento vertical da regio afetando mais especificamente os dois conjuntos principais de rochas (xistos e quartzitos), que, por eroso diferencial dissecou o conjunto de xistos (menos resistente aos processos e rosivos), realando os quartzitos devido a grande resistncia fsica deste tipo de rocha eroso.

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 45 Figura 2 – Imagem SRTM ressaltando a variao de altimetria (paleta de cores) da Serra das Andorinhas e reas adjacentes, e microbacias hidrogrficas Turismo no Parque Martrios Andorinhas As formaes geolgicas expostas na regio da Serra das Andorinhas, aliadas a uma fauna e flora singular, caractersticas de regies de transio (Floresta Amaznica/Cerrado); ao importante patrimnio arqueolgico (pi nturas, gravuras rupestres e outros vestgios de povos pr histricos) e histria da regio, propiciaram a criao do Parque Estadual da Serra dos Martrios/Andorinhas em 1996, atravs da Lei n 5.982. O Parque localiza

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 46 se integralmente no municpio de S o Geraldo do Araguaia, sudeste do Par, em uma rea de aproximadamente 25 mil hectares. Os objetivos principais que motivaram a sua criao foi o de preservar ecossistemas naturais e utiliz los para fins cientficos, culturais, educacionais, recreativos e tursticos, em razo da regio ser uma das frentes principais do desmatamento da Amaznia. Tambm em 1996, pela lei n 5.983, foi criada a rea de Proteo Ambiental de So Geraldo do Araguaia (APA Araguaia), circundando o Parque, que funcionaria como an teparo das aes de interferncia para sua melhor conservao. Os primeiros registros do local foram feitos por Cunha Matos, em 1824, e Francis Castelnau, em 1844 (Pereira 2003). Mais tarde, em 1868, o cientista alemo Paul Ehrenreich descreveu e registrou as inscries rupestres da ilha dos Martrios (hoje um dos maiores stios arqueolgicos da regio), que s voltaram a ser estudadas em 1958, por H. D. Barruel de Lagenest. O naturalista Henri Coudreau e sua esposa tambm percorreram a regio descrevendo s uas principais caractersticas na viagem pelo Tocantins e Araguaia de 1896 a 1897 (Mattos & Mattos 2008, Figueiredo et al. 2008). A regio sempre foi objeto de especulao, explorao e conflitos agrrios, tendo sido rea de garimpo de cristal de rocha e d iamante ou de explorao extrativista de Castanha do Par, fato que propiciou o surgimento das cidades de Xambio e So Geraldo do Araguaia. Outra referncia marcante da regio o de ter sido local onde os protagonistas da Guerrilha do Araguaia se instala ram na dcada de 70 durante o governo militar brasileiro. Apesar disto, os aspectos naturais so marcantes, configurando a rea em questo e influenciam no seu aproveitamento para o uso turstico, tais como: a) Clima Equatorial Quente mido com temperatu ras mdias anuais de 24 C com variaes mdias entre 30 e 20 C e precipitao mdia anual de 1.750 mm 3 ; b) Hidrografia O rio Araguaia, de grande porte, o principal curso d’gua, com pequenos afluentes condicionados pela Serra das Andorinhas, como o r ibeires Sucupira, Jatob e Gameleira; c) Vegetao – compreendida na zona de transio Cerrado Floresta Amaznica associando se Floresta Ombrfila Densa (rvores de grande porte), Floresta Ombrfila Aberta, Floresta Estacional Decidual – Carrasco, (vegeta o caduciflia), Mata Galeria (ao longo dos vales das drenagens, Cerrado e Floresta Secundria. Nos arredores do Parque h o manejo de agricultura e pastagens no extensivas (IDESP 1996). Todas essas caractersticas da regio do Parque Martrios – Andorinha s so propcias para o desenvolvimento de vrios tipos de turismo, como o Ecoturismo, Turismo de Aventura, Arqueoturismo, e para o Geoturismo, que compreende uma nova categoria que tem sido estudada e aplicada em vrios parques no mundo. O Ecoturismo se co nforma como o grande segmento, no qual a maior parte dos tipos de turismo em reas naturais se enquadra. considerado como uma nova forma de aproveitar os recursos naturais de uma determinada rea, devendo ser feita a partir da valorizao da paisagem, da flora e da fauna (Figueiredo 1999b). Ceballos Lascurain ( apud Boo 1990) o considera como a "execuo de uma viagem a reas naturais que esto relativamente sem distrbios ou contaminao com o objetivo especfico de estudar, admirar e desfrutar o panorama junto a fauna e flora silvestres, assim como qualquer manifestao cultural (passada ou presente) que se encontre nessas reas". Assim, o ecoturismo caracterizado por uma srie de atividades (estudar, admirar) realizadas em uma “natureza preservada” e t em como atrativos a paisagem, a floresta, a cultura e demais recursos da rea. Boo (1995) faz tambm uma diferenciao importante, em que o ecoturismo seria "viagem natural que favorece a conservao e refora o desenvolvimento sustentvel" e surge da uni o da indstria de viagem com a conservao de espaos naturais, enquanto que a autora caracteriza a simples viagem a reas naturais como turismo tradicional. Segundo tais conceitos, o ecoturismo tem uma ntida idia de esprito conservacionista que vai dif erenci lo do turismo tradicional, que no possui esse esprito e, no caso do turismo de massa, at se ope a ele, alm de contribuir para a construo de prticas de desenvolvimento sustentvel em reas naturais (Figueiredo 1999b). A tradio norte americ ana com a prtica do ecoturismo provocou o surgimento da Sociedade do Ecoturismo de onde proveio o conceito de Ecoturismo como “viagem responsvel a reas naturais, visando preservar o meio ambiente e promover o bem estar da populao local”. Alm disso, e ste conceito est sendo redefinido como turismo de natureza em pequena escala para estabelecer se como um conjunto de princpios aplicveis a qualquer turismo que se relacione com a natureza (Wester 1995).

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 47 De outra forma, considera se o ecoturismo como um tipo de turismo em que localizao das reas para essa prtica deveria estar distante do meio urbano/industrial; o ecoturismo caracteriza se tambm pela realizao de determinadas atividades como passeios, roteiros e outras atividades para observar, fotogr afar, visitar, proteger, conservar, conscientizar, etc. reunidas sob a denominao de Educao Ambiental. Os equipamentos e facilidades para a prtica do ecoturismo so especficos, como lodges trilhas interpretativas, mirantes e todo o suporte adiciona l. O quantitativo de visitantes deve ser dimensionado capacidade de carga da rea a ser explorada e esse um dos fatores que indicam sua sustentabilidade (Figueiredo 1999b). Porm, apesar dessas consideraes, o ecoturismo pode ainda promover alteraes problemticas ao meio ambiente e s sociedades receptoras. O processo de planejamento se apresenta sob diversas formas, porm, resumidamente, a despeito da infinidade de grficos, passos e fluxogramas encontrados em livros sobre turismo, esse processo pod e ser apresentado da seguinte forma: a) Pesquisa (inventrio dos recursos tursticos; estudo da demanda); b) Pr Zoneamento turstico ecolgico; c) Seleo de reas prioritrias; d) Elaborao de projetos infra estruturais (infra estrutura bsica, infra es trutura turstica); e) Avaliao de impactos e clculos de capacidade de carga; f) Plano de manejo turstico (com zoneamento definitivo); g) Execuo e controle do projeto. O Turismo de Aventura e o Arqueoturismo em razo das suas caractersticas possuem g rande potencial na rea do Parque Martrios Andorinhas, e o Geoturismo seguramente uma alternativa, se compreendido como o segmento do turismo que tem como finalidade a visitao a recursos naturais representados pelas formaes geolgicas do Neoproteroz ico e Arqueano, as variaes da geomorfologia serrana, os stios arqueolgicos, os recursos da hidrografia (rio Araguaia, ilhas, corredeiras e pedrais), a biodiversidade da fauna e flora e muitos outros aspectos. Como tema novo, mas com alguma discusso, geoturismo foi apresentado conceitualmente como “a proviso de facilidades interpretativas e servios para promover o valor e os benefcios sociais de lugares e materiais geolgicos e geomorfolgicos e assegurar sua conservao, para uso de estudantes, tur istas e outras pessoas com interesse recreativo ou de lazer" (Hose apud Nascimento et al. 2007). A existncia de geoformas de aspectos paisagsticos nicos, ou de grande beleza cnica, ou ainda de grande importncia geolgica e geomorfolgica para pesquisa e estudos configura o principal recurso para o Geoturismo, no entanto, importante que nessas viagens a tais locais com determinadas caractersticas geolgicas e geomorfolgicas, se organize atividades que suscitem a interpretao do patrimnio geolgico explicito no conceito citado. A visitao a esses locais proporcionou a caracterizao do que pode ser chamado de “stio geolgico” e principalmente, a patrimonizao desses stios, criando se assim o conceito de patrimnio geolgico, dentro do conceito de patrimnio natural, e as preocupaes com sua conservao. Dessa forma, e apesar de existirem outros conceitos de geoturismo, a interpretao acima orientou a anlise dos recursos do Parque. Recursos tursticos, no sentido utilizado no presente texto, d iz respeito aos recursos ambientais (acidentes geogrficos, unidades de paisagem, etc.) ainda no explorados adequadamente pela atividade turstica, como lembrado em Gunn (1965) e Swarbrooke (1995) citados por OMT (2001). Os principais recursos naturais pa ra utilizao turstica j catalogados no Parque Martrios Andorinhas e adjacncias so as cachoeiras Santa Izabel, Riacho Fundo, Spaner, Trs Quedas, Caldeiro, a Praia da Fundao, os pontos culminantes como a Pedra da Bigorna e seu entorno, o Brejo dos Padres; a Ilha dos Martrios e diversas outras ilhas no rio Araguaia; as corredeiras e o Pedral do Araguaia, os stios arqueolgicos, as cavernas, as variaes da fauna e flora, e as belezas cnicas da interao rio relevo vegetao animais, ao longo de di a e dos perodos climticos (Figueiredo 2003, Figueiredo et al. 2008, Gorayeb 2008). Um dos principais motivadores da visitao a Serra das Andorinhas sem dvida os stios arqueolgicos que se encontram no Parque. A quantidade e a variedade de inscries nos stios surpreendem e a atratividade de locais com inscries e pinturas rupestres, associado a suas outras caractersticas, potencializa a rea para diversos segmentos da atividade turstica. Alm da arqueologia, cultos religiosos tradicionais realiza dos nos limites do Parque, como a Festa do Divino, realizada na Casa de Pedra (conjunto de abrigos rochosos que foram ocupados por grupos pr histricos, alguns com pinturas rupestres) outro recurso importante, que, no entanto causa impactos nos stios p rximos. Tradio iniciada nos anos 70, a festa composta por rezas, teros, procisses e cantorias realizadas

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 48 pelos devotos, na comemorao do pentecostes em junho (Mattos 1999). Anlise dos Recursos Tursticos e Zoneamento Trilhas Existem quatro trilha s principais no Parque, que vem sendo exploradas aleatoriamente, e necessitam de aes para estrutur las adequadamente para o seu aproveitamento de acordo com os conceitos descritos anteriormente. a) Trilha para a Cachoeira Spaner Esta trilha com destin o Cachoeira inicia na Vila Santa Cruz dos Martrios, percorre locais com inscries rupestres e se caracteriza como uma trilha de alto impacto, com escaladas e descidas em solo escorregadio, sem qualquer estrutura para diminuir as dificuldades e auxiliar a visitao. A trilha tem formato irregular, mas o retorno da cachoeira feito por outro caminho. A Cachoeira Spaner possui uma queda d’gua de aproximadamente 70 m, com formaes rochosas de xistos e quartzitos e um lago com gua fria adequado ao banho. Os principais aspectos desta trilha so: mata aberta na encosta da serra; mata de galeria, acompanhando o rio Araguaia; caminho com inclinaes suaves e tambm ngremes; mata em rea limpa, com a presena de macacos como Guaribas ( Alouatta belzebul ), e r vores de Copaba ( Copaifera multijuga ) e outras rvores; faixa de cerrado com ao antrpica; amplitude de aproximadamente 45 de viso para o rio Araguaia; trilha semi aberta; presena de Bromlias, de variadas espcies; vegetao de Cerrado. A trilha tem grande potencial para o turismo, caracterizada pela grandeza cnica e a diversidade de ambientes, entretanto no existe nenhuma estrutura para dinamizar a visitao; b) Trilha Brejo dos Padres – esta trilha classificada como de mdio impacto, sem estrut uras para facilitar a visitao dos atrativos, mas com qualidade visual muito grande e diversidade de ecossistemas. Ela tem o traado linear, obrigando o visitante a retornar pelo mesmo caminho. Possui aproximadamente 12 km e atravs dela se chega Pedra da Bigorna, destaque de quartzitos com formaes ruiniformes, numa altitude de aproximadamente 587 metros. Na trilha possvel observar as formaes rochosas que constituem o relevo, representado basicamente por quartzitos e micaxistos aflorantes, princip almente nas altitudes acima de 400 m (Gorayeb et al. 2008). Ao longo do percurso, possvel encontrar grande quantidade de cursos d’gua que potencializam a paisagem, at chegar ao local chamado Brejo dos Padres, que apresenta vrias formaes rochosas e cachoeiras, que formam a chamada “Piscina dos Padres”. A vegetao oscila entre pastagens e floresta aberta, com muitas rvores Babau ( Orbygnia speciosa ), com variao para floresta densa, sendo que o cerrado vai ficando mais comum medida que a altitude aumenta. A vista proporcionada do alto da Pedra da Bigorna um dos principais potenciais tursticos desse local; c) Trilha Cachoeira Riacho Fundo – Esta trilha inicia na margem do rio Araguaia a aproximadamente 8 km ao sul da vila Santa Cruz dos Martrio s e percorre um trecho leste oeste at a cachoeira. O caminho feito em vales rochosos e lajeados do leito do Riacho Fundo. Neste caso, a cachoeira mais importante que a trilha, podendo suportar uma interveno maior para uso turstico e de lazer. A tri lha linear. A Cachoeira Riacho Fundo est localizada em rea de encosta da Serra das Andorinhas, dividindo se em trs saltos d’gua, sendo um bem extenso e os outros dois mais curtos, com guas lmpidas e frias. Inmeras outras cachoeiras e cascatas apre sentam se em locais com forte gradientes de relevo, caracterizando ambientes propcios ao lazer durante as caminhadas em direo serra; d) Trilha da foz do Sucupira – Essa trilha inicia na confluncia do Ribeiro Sucupira com o rio Araguaia, tendo como o bjetivo principal a visitao ao abrigo com pinturas rupestres. O trecho do ribeiro prximo ao abrigo propcio a banhos no rio Sucupira em determinadas pocas do ano. Ilha dos Martrios e Pedrais Outro grande recurso, a Ilha dos Martrios, tem um grande potencial, e no entanto nenhuma estrutura para visitao. Trata se de um enorme lajedo plano no meio do rio Araguaia com muitas inscries rupestres. O Pedral do Araguaia, que faz tambm parte desse complexo, e composto por formaes rochosas de quartzi tos placosos, que em funo de seus formatos, cor e textura proporcionam uma grande e peculiar beleza cnica. Criado por processos erosivos fluviais, o Pedral s pode ser visualizado na poca do ano em que o rio Araguaia est mais seco, geralmente entre os meses de junho a outubro. Em barcos ou lanchas possvel visitar a Ilha dos Martrios e o Pedral, pois o rio Araguaia proporciona uma grande quantidade de atividades, desde banhos em praias sazonais, at passeio de barcos, pesca esportiva e canoagem nas suas corredeiras. A paisagem da Serra das Andorinhas e seu entorno analisada de acordo com metodologia

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 49 proposta em Figueiredo & Manhi (2005). A rea mais utilizada para visitao, que compreende a parte leste da Serra, incluindo o rio Araguaia, a Praia d a Fundao, a Ilha dos Martrios e os Pedrais, foi utilizada como rea de coleta de dados, analisando se os elementos da paisagem observados e utilizados por turistas e veranistas. Antes de qualquer anlise foi preciso compreender os perodos da verifica o do nvel da gua do canal do rio Araguaia: a cheia do rio novembro a maio; e a seca do rio junho a outubro. Essas duas situaes proporcionam aspectos diferenciais paisagem cenrio da regio. No perodo de estiagem, identificam se os elementos que compem essa paisagem, na margem esquerda do rio Araguaia: vegetao arbustiva e matas de encostas, paredes rochosos, praia extensa com areia branca e fina, com palhoas construdas para permanncia de pessoas e proteo do sol intenso. Na margem direita do rio: a continuao das formaes rochosas da Serra, no Estado do Tocantins, com predominncia de pastos e plantaes em reas de fazenda. No leito do rio Araguaia, a diminuio do fluxo de gua faz aflorar galerias de rochas quartzticas e xistosas, e u ma variedade de canais navegveis, por entre o “Pedral do Araguaia”, que segundo Gorayeb et. al. (2008) constitudo por processos erosionais de fluxo aquoso e atrito de areias e seixos. No sudeste da Vila de Santa Cruz dos Martrios localiza se a Ilha do s Martrios, que no perodo de estiagem, apresenta sem obstculos seu conjunto de inscries rupestres, exposta s na superfcie de um grande laj eiro no meio do rio Araguaia. Rio Araguaia, Ribeires e Crregos O rio Araguaia de guas verdes cristalinas, nav egado por Henry Coudreau durante suas viagens pelo Brasil, composto de elementos que qualificam sua paisagem como bela, pois a disposio desses elementos faz com que seja possvel desvelar uma paisagem que impressiona o visitante, com o cortejo rochoso em seu leito e encostas da Serra das Andorinhas. No perodo de cheia dos rios, possvel tirar proveito das cachoeiras do interior da Serra, mas o Pedral fica submerso, cedendo lugar a corredeiras, favorecendo por outro lado a prtica da canoagem, aps pe squisas especficas. As praias se reduzem, cobrindo em grande parte a Ilha dos Martrios. Nota se, portanto que as caractersticas paisagsticas tm um grau elevando de potencial de atratividade e de agradabilidade viso. O complexo formado em frente p raia da Fundao importante na configurao identitria da regio A representao dos elementos da paisagem, com suas linhas, formas, e manchas, est relacionada intrinsecamente com a geologia e a geomorfologia do local, com as cristas, veios, vales, e relevo ruiniforme. Ressalta se a configurao mpar do rio Araguaia no perodo de estiagem, que proporciona a beleza da paisagem representada, estabelecendo o perodo da estiagem (junho a outubro ) como o principal perodo de realizao de atividades ligada s ao turismo e ao ecoturismo. Essa configurao s se altera no final do perodo, quando as queimadas realizadas na regio prejudicam a visibilidade e tornam a paisagem diferente, com pouca luminosidade e altera as cores dos atrativos. Em todo caso, muit o difcil preparar um lugar para ecoturismo quando se apresentam queimadas na vegetao, e esta contradio chega a um impasse difcil de ser resolvido. Zoneamento Para um zoneamento turstico da rea, preciso, preliminarmente, observar todas essas carac tersticas, mas principalmente a possibilidade de existncia de zonas que estejam ligadas ao arqueoturismo e ao geoturismo. Essas reas corresponderiam a uma zona arqueolgica e uma zona geolgica, embora em alguns casos elas se superponham. a) Zona Arqueo lgica (Zona histrico cultural) As pinturas e gravuras rupestres, que representam um dos principais recursos da rea, com apelo inclusive internacional, deve ser um dos principais aspectos no estudo da relao visitao versus preservao. A Ilha dos Ma rtrios, que administrativamente pertencente ao Estado do Tocantins, deve ser um caso a parte. A partir de estudos arqueolgicos aprofundados, necessrio que se ofeream condies de promover a conservao da ilha e seu patrimnio arqueolgico. A turisti ficao da Ilha dos Martrios permitir a administrao da mesma e o controle de visitantes. O clculo de capacidade de carga diz respeito, inicialmente, ao estudo arqueolgico da rea (Pereira 2003, 2008, Figueiredo & Pereira 2005), com metodologia adequa da ao uso turstico da grande quantidade de inscries na superfcie das rochas da ilha. b) Zona Geolgica – A zona pode ser compreendida pelo conjunto de formaes geolgicas destacadas no relevo, suas feies, pelas variaes das formas de relevo inclusi ve o relevo ruiniforme, como as formaes rochosas da Pedra da Bigorna, que formam uma grande rea rochosa, com muitos afloramentos, e com aspectos paisagsticos e cnicos de considervel importncia. Alm disso,

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 50 se inclui as variaes de tipos de rochas e suas estruturas, bem como as cavernas, os aspectos da dinmica fluvial como os depsitos quaternrios de areia branca, cascalhos e argilas, e a formao e destruio de ilhas, sazonalmente. Da mesma forma, a estrada que liga a sede do municpio de So Ger aldo vila de Santa Cruz e que passa por dentro do parque, contornando a serra, pode ser interpretada como zona geolgica, pois a perspectiva de visualizao de formaes geolgica muito freqente. Essa zona possui as linhas e as formas com movimentao acima da mdia e cores diferenciais, produzidas pelas suas feies, e suscitam possibilidades interpretativas relacionadas formao das rochas, eroso, relao rochas/ambiente, morfologia da paisagem, aos solos e hidrografia do lugar. Consideraes F inais O uso turstico de reas naturais um fato, mas torna se necessrio criar mecanismos de incremento para a organizao e visitao de reas que tenham como tema os aspectos geolgicos, geomorfolgicos e arqueolgicos de um lugar. As trilhas e os cami nhos devem inicialmente ter o objetivo de aproximar o homem da natureza, mas com possibilidades de fazer com que os visitantes possam realmente aproveitar as sensaes de experincia que as paisagens associadas ao geoturismo possam provocar. Conforme Figue iredo & Manhi (2005) e Figueiredo (1999b) o planejamento turstico dever fazer parte de um planejamento maior que inclui o zoneamento da rea, que deve ser anterior explorao da atividade turstica e deve possibilitar a participao da comunidade do en torno, conscientizada da preservao e conservao ambiental. Neste caso, muito mais comprometida sendo uma unidade de conservao da natureza. A metodologia exposta em Boo (1995) identifica trs fases no planejamento de reas protegidas: a fase da avalia o da situao atual e do potencial turstico; a fase da criao do plano, a partir da definio do tipo e nvel de turismo desejado; e a fase em que o plano deve ser estruturado e colocado em prtica. Para que o Parque Estadual da Serra dos Martrios Ando rinhas possa cumprir com seus objetivos de preservao, educao e visitao so necessrias a implantao de equipamentos e estruturas que possam potencializar os recursos do Parque, e o desenvolvimento do Ecoturismo, Geoturismo e Arqueoturismo. Essas est ruturas devem seguir as propostas de zoneamento, e os equipamentos devem ter a preocupao com indicadores de sustentabilidade. O que se verifica at o presente com a visitao do Parque Martrios Andorinhas a predominncia de pessoas da prpria rea cir cunvizinha, que utilizam a regio de So Geraldo do Araguaia para o turismo regional, em locais utilizados tambm para o lazer da populao residente. Grande parte dos visitantes adulta, com predominncia de estudantes e professores em frias escolares, que viajaram ao municpio para o turismo, assim como, em menor quantidade, para realizar negcios. A divulgao e veiculao dos atrativos da regio so incipientes ou inexistem quaisquer aes ou planejamentos para isso, a visita dos turistas difundida pelas informaes individuais de amigos. Em pesquisa recente, metade dos visitantes da regio conhece o Parque e destacam a beleza do lugar. Entretanto um ndice relativamente alto (23%) no conhece e nunca ouviu falar do Parque. Finalmente, avalia se que os aspectos geolgicos que conformam o Parque Estadual da Serra dos Martrios Andorinhas tm alto potencial para a atrao de novas demandas de visitantes e constitui uma excelente regio para o estudo dos processos geolgicos que formaram o Cinturo Aragu aia no Neoproterozico, e seu substrato Arqueano. Uma vez implantado o seu plano de manejo pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Estado do Par, o planejamento para o uso do Geoturismo e a abertura para visitao deve atender aos critrios mnimos p ara reduo de impactos, para que a conservao dos patrimnios geolgicos, arqueolgicos, biolgicos e de todo o patrimnio natural ali existente, seja realmente implementado em sua integralidade

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 51 Figura 3 A, B, D – feies do relevo de serras e veg etao; C, E rio Araguaia em deferentes ambientes; F – Cavidades com drenagem subterrnea; G – Feies erosivas no Pedral do Araguaia; H – Praia em Santa Cruz dos Martrios em frente ao Sitio Arqueolgico Ilha dos Martrios.

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 52 Figura 4 – Aspectos gerais do Parque Martrios Andorinhas: A, B, C – Gravuras e pinturas rupestres; D, E – Destaque de arbustos e orqudeas floradas; F – Ponto culminante da trilha Brejo dos Padres, G – Trilha Santa Cruz – Brejo dos Padres em trecho de cerrado e mata de galeria; H – Cena ao entardecer no cerrado do alto da Serra das Andorinhas.

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 53 Figura 5 Aspectos gerais do Parque Martrios Andorinhas: A, B, D – Cachoeiras e crregos nas encostas da Serra das Andorinhas; C – Morador da Vila Santa Cruz dos Martrios aps pescaria; E espcie de papagaio da regio, F – relevo ruiniforme no alto da Serra das Andorinhas; G Rio Araguaia com a Serra das Andorinhas sua margem com floresta, rochedos e pssaros mergulhes

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 54 Referncias ABREU F.A.M. 1978. O Supergrupo Baixo Araguaia. In: 30 Congresso Brasileiro de Geologia, Anais Recife, v. 2, p. 539 545. ALVARENGA C.J.S., MOURA C.A.V., GORAYEB P.S.S. 2000. Paraguay and Araguaia belts. In: U.G. Cordani, E.J. Milani, A. Thomaz Filho, D.A. Campos (Eds.), Tectonic Evolution of South Americ a. SBG, p.183 193. BOO E. 1990. Ecoturismo: potenciales y escollos Word Wildlife Fund and the Conservation Fundation Washington, Lancaster. BOO E. 1995. O Planejamento ecoturstico para reas protegidas. In: K. Lindenberg, D. Hawkins. (Org.). Ecoturismo: um guia para planejamento e gesto So Paulo: Ed. SENAC. BOULLON R. 1986. Planificacion del espacio turistico Mxico, Trillas. IDESP – Instituto do Desenvolvimento Econmico Social do Par 1996. Projeto de Geminao de um parque estadual no estado do Par e um parque natural em Portugal – Relatrio Final (verso preliminar). Belm. 293p. SIGEP. Projeto Geoparques. Braslia (http//www.unb.br/ig/sigep). FIGUEIREDO S. L. 1999a. Ecoturismo, festas e rituais na Amaznia Belm. Ed. NAEA/UFPA. FIGUEIREDO S. L. 1999b. Ecoturismo e desenvolvimento sustentvel: alternativa de desenvolvimento para a Amaznia? In. : S. L. Figueiredo (Org .). O ecoturismo e a questo ambiental na Amaznia Belm. Ed. NAEA/UFPA. FIGUEIREDO S. L. 2003. Parque da Serra das Andorinhas, ges to e participao In: M. H. Gimenes (org .). Oportunidades e investimentos em turismo So Paulo, Ed. Rocca. FIGUEIREDO S. L. GORAYEB J.G., REDIG J. C., SOUZA JNIOR. 2008. Estudos de planejamento turstico do Parque Martrios Andorinhas. In: P.S.S. Goray eb (Ed.). Parque Martrios Andorinhas: conhecimento, histria e preservao Belm, EDUFPA, p.322 345. FIGUEIREDO S. L. MANHI. C. 2006. Anlise comparativa de paisagem em turismo: sistemas de referncia. In: D. Ruschmann, K. Solha (Eds). Princpios do plan ejamento turstico: teoria e prtica So Paulo. Ed. Manole. FIGUEIREDO S.L. PEREIRA E. 2005. Arqueologia e turismo na Amaznia, problemas e perspectivas. Cadernos do LEPAARQ (UFPEL), Pelotas, 2 : 21 36. GORAYEB J.G. 2009. Parque Martrios Andorinhas: uma p roposta de gesto para o ecoturismo. Monografia (Especializao em Gerenciamento Ambiental) UFPA. GORAYEB P.S.S. 1981. Evoluo geolgica da regio de Araguacema Pequizeiro. Universidade Federal do Par, Belm, Dissertao (Mestrado em Geologia). 100p. GOR AYEB P.S.S. 2008 Parque Martrios Andorinhas: conhecimento, histria e preservao. Belm, EDUFPA, 375p. GORAYEB P.S.S., COSTA F.R., SOUZA FILHO P.W.M. 2008a. Geomorfologia da Serra das Andorinhas. In: P.S.S. Gorayeb (Ed.). Parque Martrios Andorinhas: co nhecimento, histria e preservao Belm, EDUFPA, p. 78 93.

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Figueiredo & Goray eb A nlise geolgica, geomorfolgica e turstica do Parque.. C ampinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 55 GORAYEB P.S.S., MOURA C.A.V. ABREU F.A.M. 2008b. Geologia do Parque Martrios Andorinhas e regio adjacente. In: P.S.S. Gorayeb (Ed.). Parque Martrios Andorinhas: conhecimento, histria e preser vao. Belm, EDUFPA, p. 50 75. HASUI Y., COSTA J.B.S., ABREU F.A.M. 1984. Provncia Tocantins. Setor setentrional. In: F.F.A. de Almeida & Y. Hasui, (eds). O Precambriano do Brasil So Paulo, Edgard Blcher. p.137 204. MATTOS M.V.B, MATTOS A.V.B.. 2008. Importncia histrica da Serra das Andorinhas. In: P.S.S. Gorayeb (Ed.). Parque Martrios Andorinhas: conhecimento, histria e preservao. Belm, EDUFPA, p.38 49. NASCIMENTO, M.A.L. RUCHKYS U.A. MANTESSO NETO V. 2007. Geoturismo: um novo segmento do turis mo no Brasil Global Tourism V. 3:2. OMT. 2001. Introduo ao turismo. So Paulo. Ed. Rocca. PEREIRA, E. 2003. Arte rupestre na Amaznia So Paulo. Ed. UNESP. PEREIRA, E. 2008. Arqueologia na regio da Serra das Andorinhas In: P.S.S. Gorayeb (Ed.). Parqu e Martrios Andorinhas: conhecimento, histria e conservao. Belm, EDUFPA, p.130 153. PINHEIRO R.V.L., ARCANJO S.H.S., KERN D.C., ALMEIDA A. S., ATZINGEN N., GORAYEB P.S.S. 2008. As cavernas da Serra das Andorinhas. In: P.S.S. Gorayeb (Ed.). Parque Mart rios Andorinhas: conhecimento, histria e preservao. Belm, EDUFPA, p. 118 127. RUSCHMANN D. M. 1994. O Planejamento do turismo e a proteo do meio ambiente. So Paulo. Universidade de So Paulo. Tese (Doutorado em Turismo). RUSCHMANN D. M. 2004. Turism o e planejamento sustentvel: a proteo do meio ambiente Papiros, Campinas, 199p. WESTER D. 1995. Definindo ecoturismo. In: K. Lindberg, e D. Hawkins, (org.). Ecoturismo: um guia para planejamento e gesto So Paulo, Ed. SENAC Fluxo editorial : R ecebid o em: 26 0 5 .200 9 Enviado para avaliao em : 27 0 5 .200 9 Enviado para correo aos autores em: 27 .0 7 .2009 Aprovado em: 14 0 8 .200 9 A Pesquisa s em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleolog ia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009.

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 57 GEOMORFOLOGIA FLUVIAL E GEOTURISMO O POTENCIAL TURSTICO DE QUEDAS D’GUA DO MUNICPIO DE INDIAN"POLIS M INAS G ERAIS i FLUVIAL GEOMORPHOLOGY AND GEOTOURISM – THE TOURIST POTENTIAL OF WATER FALLS IN INDIAN"POLIS DISTRICT MINAS GERAIS Lilian Carla Moreira Bento & Slvio Carlos Rodrigues Universidade Federal de Uberlndia – UFU Uberlndia MG liliancmb@yahoo.com.br Resumo crescente o nmero de visitas para ambientes naturais e neste contexto emerge um novo segmento turstico que tem os aspectos geolgicos e geomorfolgicos como seus atrativos – o geoturismo. Dentro das potencialidades exploradas pelo geoturismo, formas topogrficas erosivas de ambientes fluviais, como as quedas d’gua, so muito procuradas devido sua beleza cnica e tambm pela oportunidade que gera de proporcionar ao turista um entendimento da geologia e geomorfologia locais. A Geomorfologia Fluvial , portanto, um ramo da Geomorfologia que tem ntima relao com o geoturismo, fornecendo co nhecimentos para a identificao, classificao, aproveitamento e gesto de belezas naturais relacionadas dinmica dos rios. Este trabalho tem por objetivo principal identificar, analisar e mapear as quedas d’gua do municpio de Indianpolis, localizado no Tringulo Mineiro, visando subsidiar posteriores projetos voltados conservao dos fatores abiticos encontrados no municpio, alm de sua divulgao enquanto atrativos geotursticos. A metodologia empregada restringiu se a reviso bibliogrfica pert inente ao tema e realizao de trabalhos de campo. A partir desta metodologia depreendemos que a rea de estudo apresenta diversas quedas d’gua que podem ser aproveitadas pelo geoturismo, devendo, no entanto, ocorrer um planejamento que contemple e ordene a atividade turstica no municpio de Indianpolis Palavras Chave: Geoturismo. Geomorfologia Fluvial. Indianpolis Abstract The visitation to the natural environments is growing up and in this context begins a new segment of tourism, that holds geologi cal and geomorphological aspects as its attractive – the geotourism. In the potentialities explored by the geotourism, erosive topographic forms of the fluvial environments, as the water falls, are very visited because of its natural beauties and also beca use of the opportunity of taken some knowledge about geology and geomorphology of that place. The fluvial geomorphology is a singular part of this science which has relations with the geotourism, supplying experiences to the identification, classification, the use and management of the natural beauties related to the river dynamics. This paper shows the partial results of a master degree project and the mainly objective is to identify, analyses and to map the water falls in Indianpolis district, located in Tringulo Mineiro, aiming supply future projects related to the conservation of non biotic factors found in the district, beyond of its divulgation as geotouristics attractions. The methodology applied was restricted to the bibliographic review and visits to some water falls. With this methodology was observed that the study area shows a lot of water falls, which can be used by the geotourism. However, it is necessary to develop a severe planning which make possible the visits and at the same time, the con servation of the natural environments in Indianpolis K ey Words: Geotourism, Gluvial Geomorphology, Indianpolis Introduo Atualmente tem aumentado o nmero de visitas para ambientes naturais, revelando segmentos tursticos que proporcionam a aprecia o e o entendimento da paisagem natural. O geoturismo um segmento turstico recente que busca priorizar os aspectos naturais negligenciados pelo ecoturismo: geologia e geomorfologia, como cavernas, stios paleontolgicos, macios rochosos, quedas d’gua e tc. Para Silva e Perinotto (2007, s.p.), o geoturismo

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 58 [...] a atividade do turismo com conotao geolgica, ou seja, a visita organizada e orientada a locais onde ocorrem recursos do meio fsico geolgico que testemunham uma fase do passado ou da histri a da origem e evoluo do planeta Terra. Tambm se inclui, nesse contexto, o conhecimento cientfico sobre a gnese da paisagem, os processos envolvidos e os testemunhos registrados em rochas, solos e relevos Devido a beleza e gama variada de atividades educativas e de aventura que podem ser realizadas em quedas d’gua, esses locais despontam com grande potencial para serem aproveitados pela atividade turstica. Nesse sentido, torna se evidente a relao entre o geoturismo e a geomorfologia, esta ltima tendo seu objeto de estudo apropriado pelo primeiro e sendo, ao mesmo tempo, referncia no entendimento da paisagem e na realizao de projetos de planejamento turstico. O objetivo do presente estudo identificar, mapear e analisar as quedas existentes n o municpio de Indianpolis, buscando evidenciar o potencial desses locais para a prtica do geoturismo e sua relao com a cincia geomorfolgica. Metodologia A metodologia empregada neste trabalho envolveu dois procedimentos: documentao indireta e doc umentao direta. A primeira ficou restrita ao levantamento, localizao, compilao e fichamento das obras pertinentes ao tema. A documentao direta envolveu a realizao de trabalhos de campo realizados com a contribuio de servidores pblicos da Pref eitura Municipal de Indianpolis que ajudaram a identificar as quedas d’gua existentes no municpio. Procedeu se aos mapeamentos da rea de estudo e das quedas d’gua, este ltimo elaborado tendo como base os diversos trabalhos de campo que permitiram co letar as coordenadas geogrficas de cada ponto visitado e efetuar tambm o registro fotogrfico das reas visitadas. Para a produo do mapa das quedas d’gua foram utilizados, especificamente, dois softwares: AutoCad 2004 e ArcView Gis 3.1. No primeiro pr ograma foi digitalizada a base cartogrfica do municpio de Indianpolis, com a localizao da rede de drenagem presente na rea de estudo. Posteriormente, essa base foi importada para o segundo programa, no qual foi feito o georreferenciamento das cachoei ras. Resultados e Discusses Geoturismo: um conceito em construo O turismo uma atividade permeada de mltiplos conceitos, sendo a definio da Organizao Mundial do Turismo (OMT) a mais aceita no meio acadmico. Segundo essa organizao, o turismo en globa todas [...] as atividades que as pessoas realizam durante suas viagens e estadias em lugares diferentes do de sua moradia habitual, por um perodo de tempo contnuo inferior a um ano, com fins de lazer, por negcios ou outros motivos, no relacionado s com o exerccio de uma atividade remunerada no lugar visitado (Aguiar & Dias, 2002, p. 24). Inserido no setor tercirio da economia, o turismo a atividade econmica que mais cresce no mundo, respondendo por grande movimentao de divisas e gerando cerc a de 204 milhes de empregos (Duque, 2006). O crescimento da atividade turstica vem sendo analisado por diversos pesquisadores, tendo como principais causas o avano tecnolgico, o desenvolvimento e expanso dos meios de transporte e comunicao, o aument o do tempo livre, a remunerao das frias, entre muitos outros. Aliado a esses fatores, Naisbitt acrescenta outros de ndole subjetiva e pessoal, pois [...] por mais sofisticada que se torne a infra estrutura de telecomunicaes ou por maior que seja o n mero de atividades comerciais ou de lazer passveis de ser realizado no conforto de nossas salas de estar, a maioria de ns continuar se levantando de suas poltronas, pois no existe substituto para a experincia real (Naisbitt, 1994 apud Trigo, 2005, p. XXIII). Esse “levantar de suas poltronas” para conhecer lugares diferentes tem base em motivaes variadas, levando a classificao do turismo em diversas modalidades: natureza, gastronomia, cultural, cientfico etc. Nos dias atuais, as modalidades e seus respectivos segmentos tursticos realizados em reas naturais tm sido as mais procuradas, sinalizando dois processos inter relacionados: deteriorizao da qualidade de vida urbana e busca pela

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 59 reaproximao de reas naturais sadias, seguras e tranqilas. Dos segmentos tursticos que tm a natureza como matria prima o geoturismo o mais recente, fazendo com que o seu conceito ainda esteja em construo, sendo reelaborado e enriquecido com a contribuio de estudiosos de todo o mundo. O primeiro conceito r elacionado a essa nova segmentao turstica foi criado por Thomas Hose em 1995 e aprimorado em 2000, significando “ a proviso de facilidades interpretativas e servios para promover o valor e os benefcios sociais de lugares e materiais geolgicos e geomo rfolgicos e assegurar sua conservao, para o uso de estudantes, turistas e outras pessoas com interesse recreativo ou de lazer ” (Hose, 2000 apud Nascimento et al., 2007b, p. 3, destaque nosso). O geoturismo est relacionado, portanto, com os recursos nat urais muitas vezes negligenciados pelo ecoturismo, os aspectos geolgicos e geomorfolgicos, ou seja, os fatores abiticos e pode ter, basicamente, trs motivaes: recreao, lazer e aprendizado, todos contribuindo para a conservao de atrativos como cac hoeiras, cavernas, afloramentos rochosos etc. Hose no foi o nico a tentar definir geoturismo, aps ele surgiram muitos outros estudiosos e instituies nessa mesma empreitada, alguns priorizando os aspectos geolgicos, outros os geomorfolgicos e ainda o utros que ampliaram o seu leque de abrangncia. A TIA Travel Industry Association of America e a NGS National Geographic Society, por exemplo, conceituam geoturismo mais abrangentemente, estendendo o prtica turstica que privilegia as caracterstica s geogrficas de um lugar, tanto o meio natural como “a cultura, esttica, patrimnio e bem estar de seus residentes” (Steve et al., 2002 apud Nascimento et al., 2007a, s.p). Dowling e Newsome (2006 apud Nascimento et al., 2007a, s.p.), reforam as caracte rsticas geolgicas e geomorfolgicas como atrativos desse novo segmento turstico, estes estando implcitos no prefixo GEO da palavra geoturismo. Vieira e Cunha ([20 -]), bem como Boivin (1990), destacam o patrimnio geomorfolgico dentro do geoturismo, v alorizando “os aspectos cnicos da paisagem, sobretudo as feies geomorfolgicas, como o principal atrativo turstico ou como oferta agregada ao turismo (...)” (Boivin, 1990 apud Silva, 2007, p. 33). J Azevedo (2007) v no aspecto geolgico a base do geo turismo, definindo o como [...] “ um segmento da atividade turstica que tem o patrimnio geolgico como seu principal atrativo e busca sua proteo por meio da conservao de seus recursos e da sensibilizao do turista, utilizando, para isto, a interpreta o deste patrimnio tornando o acessvel ao pblico leigo, alm de promover a sua divulgao e o desenvolvimento das cincias da Terra ”. (Rocha & Nascimento, 2007, s.p.). Aqui se faz pertinente acrescentar que o patrimnio geolgico a soma de um ou mais aspectos da geodiversidade ii englobando outros tipos de patrimnio, como o paleontolgico, mineralgico, geomorfolgico, hidrolgico, petrolgico etc. Nesse sentido, depreende se o quo abrangente e diversificados so os atrativos do geoturismo. Manosso r essalta que apesar desse segmento turstico ser associado aos patrimnios geomorfolgico e geolgico no deve ficar restrito s feies mais belas, devendo o geoturismo ser entendido como “qualquer visita turstica de uma pessoa ou um grupo a um lugar cujo objetivo apreciar, entender ou se interar com a paisagem” (Manosso, 2007, p. 48). Se os objetivos do geoturismo no so meramente contemplativos, possvel associar essa nova forma de turismo com a educao ambiental, este apresentando tambm uma final idade didtica. Esse o caso de Geremia et al. (2004 apud Silva, 2007, p.35) que afirmam que o geoturismo “possibilita a interpretao da herana natural da paisagem quando se desfruta e reconhece as suas particularidades geolgicas e geomorfolgicas”. Ne sse sentido, Reynard e Pralong (2004 apud Silva, 2007, p. 35) frisam que “a problemtica do geoturismo inscreve se no campo do turismo didtico, por constituir uma nova forma que oferece instrumentos de interpretao que permitem interrogar e compreender o s stios visitados ou descobertos”. O geoturismo excita uma integrao entre o turismo e a cincia, principalmente as Cincias da Terra, e alguns pesquisadores explanam que quando isso ocorre [...] novas oportunidades emergem, quer para a cincia porque al cana nova audincia, quer para o turismo porque proporciona novas oportunidades para melhorar a experincia dos turistas ao oferecer uma viso diferente da paisagem [...], fazendo com que permaneam

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 60 mais tempo numa regio e gastem conseqentemente mais di nheiro, o que estimula a economia local (Monro, 2004 apud Arajo, 2005, p. 40). Inferimos, diante da riqueza de conceitos existentes, que o geoturismo um segmento turstico que veio preencher uma lacuna do ecoturismo, dando ateno aos fatores abiticos da paisagem como elementos geolgicos e/ou geomorfolgicos, buscando sua apreciao, interpretao e/ou conservao. A preocupao em identificar e visitar reas com atrativos geotursticos tem como respaldo a necessidade de ser conservar e valorizar aspe ctos da geodiversidade que permitem entender, entre outros, a formao do planeta Terra e a gnese das formas de relevo, atribuindo ao turismo no s um carter de contemplao, mas tambm um carter cientfico (Silva & Oka Fiore, 2008). Geoturismo & Geom orfologia Fluvial Segundo Christofoletti (1980), a geomorfologia fluvial estuda os processos e as formas relacionadas com a ao dos rios, haja vista que estes so os agentes mais importantes no transporte, eroso e sedimentao de detritos. Cunha (1995 ap ud Guerra & Cunha, 1995) lembra que a Geomorfologia Fluvial tem grande destaque dentro da cincia geomorfolgica, pelo fato da sociedade ter sua vida intimamente relacionada com a distribuio e abundncia da gua, dependendo dos estudos engendrados por es se ramo da cincia. As formas de relevo geradas em ambientes fluviais esto relacionadas, portanto, a dois processos: sedimentao e eroso. Aqui enfocaremos apenas os processos erosivos, estes englobando “os processos que resultam na retirada de detritos do fundo do leito e das margens, fazendo com que passem a integrar a carga sedimentar (Christofoletti, 1981, p. 236). A eroso fluvial realizada atravs de trs processos principais: corroso, corraso e cavitao. A corroso engloba todo e qualquer proc esso qumico que se realiza como reao entre a gua e as rochas superficiais que com ela esto em contato. A corraso o desgaste pelo atrito mecnico, geralmente atravs do impacto das partculas carregadas pela gua. [...] O terceiro processo, a cavita o, ocorre somente sob condies de velocidades elevadas da gua, quando as variaes de presso sobre as paredes do canal facilitam a fragmentao das rochas (Christofoletti, 1980, p. 74 75). A partir desses processos so originadas formas topogrficas e rosivas, sendo as marmitas, as corredeiras e as quedas d’gua as mais comuns. Estudar e entender essas formas topogrficas, principalmente as quedas d’gua, no tarefa fcil devido a complexidade do fenmeno e escassez de pesquisas que buscam compreender no s essas formas, como os processos que a elas deram origem. A primeira dificuldade em classificar as quedas d’gua em cachoeira, salto, cascata ou catarata, visto que em muitos lugares estes termos so tidos como sinnimos. De acordo com a Enciclop dia Barsa (2004), catarata resulta da ruptura violenta do perfil longitudinal de um rio caudaloso; cascata quando h o escalonamento de rochas; cachoeiras so caracterizadas por um declive abrupto, formando borbulhes e salto quando um rio precipita di reta e verticalmente por um abismo rochoso. No Dicionrio Geolgico Geomorfolgico essas definies so ainda mais simples: catarata seria um degrau no perfil longitudinal de um rio, produzindo grande queda d’gua; cascata refere se a sucesso de pequenos saltos em um curso onde aparecem blocos de rochas; cachoeiras so quedas provocadas devido a existncia de um degrau no perfil longitudinal do mesmo e o salto considerado sinnimo dos exemplos acima citados (Guerra, 1972). Ambas classificaes ainda care cem de critrios mais objetivos, sendo muitas vezes difcil identificar o tipo de queda com base s nessas caractersticas, porm, Guerra (1972) ressalta que mais significativo que o termo empregado na descrio de quedas d’gua a explicao para a forma o das mesmas. De maneira abrangente, quedas d’gua “so locais onde a gua do rio cai de maneira subvertical, descolando se da rocha do leito” (Christofoletti, 1981, p. 241) devido a existncia de um degrau no perfil longitudinal do mesmo (Guerra, 1994 a pud Jatob & Lins, 1998). Essas quedas podem ser de trs tipos, considerando sua formao: 1 Quedas d’gua de origem erosiva: so formadas durante o entalhamento do curso d’gua devido ao potencial erosivo diferencial das rochas. Podem ser: a) Localizadas sobre camadas horizontais ou com suave inclinao: ocorre quando uma formao litolgica mais resistente recobre camadas mais fracas. Nesse caso, tem incio o solapamento do

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 61 material menos resistente deixando a camada superior sem sustentao, provocando a queda de blocos, num processo denominado de eroso regressiva. Esse tipo de eroso avana montante, mantendo a verticalidade do desnvel da queda (Christofoletti, 1981). b) Localizada sobre barras rochosas verticais: ocorrem quando afloramentos de diqu es, camadas inclinadas verticalmente, justapem rochas de erodibilidade diferente ao longo de contatos verticalmente orientados. 2 Quedas d’gua de origem erosiva, exceto eroso diferencial: ocorrem devido a descontinuidades do prprio macio rochoso de m esma litologia, como escarpas de falha ou vales tributrios suspensos (Silva, 2004). 3 Quedas d’gua criadas pela deposio de calcita: surgem em locais onde h rochas crsticas e ocorre sua decomposio e posterior deposio de calcita pela precipitao da soluo em gua subterrnea. Atualmente o estudo sobre as quedas d’gua comea a ser mais valorizado, existindo mais estudos voltados ao aproveitamento sustentvel dessas reas pela atividade turstica e, nesse aspecto, torna se visvel a relao da Geo morfologia com o Geoturismo, revelando que, de fato, as caractersticas geolgicas e geomorfolgicas de determinadas reas, como quedas d’gua, podem ser transformadas em atrativos tursticos. As quedas de gua, alm da grande beleza cnica, so locais ond e possvel visualizar os tipos litolgicos, permitindo a interpretao e o entendimento dos processos formadores no s da geologia como da geomorfologia, sendo excelentes atrativos geotursticos. Essa relao entre o Geoturismo e a Geomorfologia, aqui r epresentada pela Geomorfologia Fluvial, inequvoca e precpua, proporcionando aos turistas no apenas o “desfrutar” e contemplar os lugares, mas compreender sua origem e evoluo. Outro aspecto importante nessa relao entre o turismo e a geomorfologia que esta ltima, alm de conferir cientificidade contemplao turstica, serve tambm como instrumento de planejamento, ajudando a ordenar a atividade turstica e a torn la mais vivel e sustentvel. Soares e Silva declaram que [...] a Geomorfologia ap licada ao turismo pode ser de grande valia para que essa atividade possa crescer, com aproveitamento mximo das belezas naturais de uma determinada rea: rios, cachoeiras, falsias, lagos, praias, cavernas, desertos, enfim, uma grande variedade de ambiente s que a Geomorfologia vem estudando h algum tempo, podendo o turismo utilizar esses conhecimentos para uma melhor gesto desse tipo de atividade, sem que aconteam impactos negativos, podendo chegar se de fato ao turismo sustentvel ( Apud Guerra & Maral, 2006, p. 3). rea de estudo Localizao O municpio de Indianpolis tem uma rea de 833, 870 km 2 e est localizado no Tringulo Mineiro, oeste de Minas Gerais, entre as coordenadas geogrficas 18 51’ 06” e 19 07’ 13” de latitude Sul e 47 39’ 42” e 48 06’ 09” de longitude Oeste (Figura 01). Geologia e Geomorfologia Localizado no Tringulo Mineiro, Indianpolis se insere na morfoestrutura da Bacia Sedimentar do Paran, num conjunto de relevo denominado de planaltos e chapadas. Baccaro explica que essa bacia sedimentar apresenta dois tipos bsicos de rochas: sedimentares e vulcnicas e esse conjunto rochoso “representa a superposio de pacotes depositados, no mnimo, em trs ambientes tectnicos, decorrentes da dinmica tectnica de placas, que conduzi u evoluo do supercontinente de Gondwana, no tempo geolgico” (Zaln et al 1990 apud Baccaro et al, 2004, p. 7). De forma geral, “o quadro paisagstico das chapadas definido pela presena de relevo suave ondulado com topos planos, com vertentes long as e convexizadas” (Feltran Filho, 1997, p. 152). No conjunto de relevo do oeste mineiro, onde inserem se as chapadas, visualiza se os Grupos Arax, So Bento e Botucatu, alm do Complexo Goiano e dos sedimentos inconsolidados do Cenozico, sendo que na rea em estudo o Grupo Bauru tem como representante apenas a Formao Marlia (quadro 01). Baccaro et al (2004), considerando a geologia e os nveis de dissecao do relevo, inclui o municpio de Indianpolis em duas unidades morfoesculturais: Canyon do Rio Araguari e Planalto Tabular. A unidade geomorfolgica Canyon do Rio Araguari vem sendo dissecada por seus afluentes, formando vertentes com feies cncavas, convexas e retilneas, alm de cachoeiras e corredeiras (figura 02).

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 62 B r a s i l M i n a s G e r a i s 6 0 0 0 6 0 0 K i l o m e t e r s N E W S L e g e n d a 8 0 8 0 6 0 6 0 4 0 4 0 2 0 2 0 0 0 F O N T E : I B G E ( 2 0 0 2 ) O R G S A N T O S M r c i a A n d r i a F e r r e i r a ( 2 0 0 8 ) A r a g u a r i U b e r l n d i a U b e r a b a E s t r e l a d o S u l N o v a P o n t e L i m i t e s m u n i c i p a i s I n d i a n p o l i s M u n i c p i o s l i m t r o f e s 6 0 0 6 0 K i l o m e t e r s N E W S 5 0 5 0 2 0 2 0 L E G E N D A F O N T E : I B G E ( 2 0 0 2 ) O R G : S A N T O S M r c i a A n d r i a F e r r e i r a ( 2 0 0 8 ) M i n a s G e r a i s I n d i a n p o l i s 0 3 0 0 K i l o m e t e r s N E W S L E G E N D A F O N T E : I B G E ( 2 0 0 2 ) O R G : S A N T O S M r c i a A n d r i a F e r r e i r a ( 2 0 0 8 ) 4 0 4 0 2 0 2 0 Figura 01 Localizao d o Municpio de Indianpolis/MG Quadro 01 Litoestratigrafia da Ch apada Oriental do Oeste Mineiro ERA GRUPO FORMAO CARACTERSTICAS MEMBRO CARACTERSTICAS Cenozica Sedimentos inconsolidados (seixos de quartzo, quartzitos e slex). Mesozica Bauru Marlia Arenitos pouco consolidados e conglomerados superpostos a camadas carbonticas. Aparecem geralmente concrees de calcrio. Ponte Alta Arenitos calcferos. Restrita ao leste do Tringulo Mineiro. Serra da Galga Sedimentos arenosos conglomerado s. Aparece em quase todo o topo das chapadas. So Bento Serra Geral Basaltos originados de derrames (3 5) com 20 a 150 m de espessura, cor cinza escuro. Botucatu Arenitos rseos e avermelhados, elicos, com estratificaes cruzadas de pequeno a gran de porte, comumente silicificados. Pr Cambriano Grupo Arax Anfibolitos, mrmores e micaxistos deformados pela ao tectnica. Aparece nos fundos de vale. Complexo Goiano Granitos, gnaisses, migmatitos. Localizados nas margens do rio Araguari. Fonte: Adaptado de Feltran Filho (1997); Ferreira (2004).

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 63 Figura 02 Vale representando a unidade geomorfolgica Canyon do Rio Araguri Autor: Ribeiro, 2008. Essa unidade apresenta duas pores distintas, a primeira mais elevada (700 800 m), com top os planos e alongados e a outra mais rebaixada (640 700 m), sendo separada da primeira por rupturas de declives mantidas por derrames de basalto. A geologia nesse compartimento envolve os arenitos da Formao Marlia nos topos, os basaltos na Serra Geral e, prximo aos vales dos rios, as rochas do Grupo Arax. Os autores supracitados (2004) ressaltam que comum tambm encontrar o arenito Botucatu em contato com essas rochas. A Unidade Planalto Tabular tem por caracterstica principal as formas de relevo do tipo denudacional tabular, com modelados suavemente ondulados (figura 03). Referente geologia predomina a Formao Marlia que parcialmente coberta por sedimentos do Cenozico. Com altitudes variando entre 900 e 1000 m, comum o aparecimento de ver edas. Esses locais “so vales amplos com fundo plano, com presena de sedimentos colvio aluviais compostos por argilas e materiais orgnicos, em ambiente hidromrfico. So recobertas por vegetao de gramneas e ciperceas, com grande destaque para a palm eira buriti” (Lima, 1996 apud Rodrigues et al, 2004, p. 30 31). (Figura 04) Figura 03 Planalto Tabular de Indianpolis Autor:Ribeiro, 2008. Figura 04 Veredas encontradas em Indianpolis Autor: Ribeiro, 2008. As principais caractersticas desses compartimentos geomorfolgicos do municpio de Indianpolis podem ser visualizadas no quadro abaixo: Quadro 02 Sntese das caractersticas dos compartimentos de relevo de Indianpolis COMPARTIMENTO DE RELEVO SEGMENTO DE RELEVO CARACTERSTICAS DAS VERT ENTES TIPOS DE SOLO TIPOS DE ROCHA Canyon do Rio Araguari Patamares Convexas e co m declividades inferiores a 10%. Terra roxa com textura argilosa. Arenitos e basaltos. Vales fortemente entalhados Cncavas e retilneas, organizadas em anfiteatros. Cambis solos e litossolos. Arenitos, micaxistos e mrmores. Planalto Tabular Interflvios tabulares. Superfcies horizontais e suavemente inclinadas. Latossolo vermelho escuro. Arenitos da Formao Marlia. Fonte: Adaptado de Rodrigues et al 2004, p. 41.

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 64 Pot encial das quedas d’gua de Indianpolis A arquitetura geolgica e geomorfolgica de Indianpolis, aliada interao destes com outros fatores naturais e com o homem, revela paisagens singulares, destacando se as quedas d’gua. Foram identificadas e map eadas 20 quedas d’gua no municpio de Indianpolis, estas estando distribudas por todo o territrio, desde as reas mais rebaixadas s mais elevadas, ocupando canais principais e secundrios. Destas, trs foram classificadas em saltos, uma cascata, quatr o saltinhos e doze cachoeiras (figura 05). Figura 05 Localizao das quedas d’gua de Indianpolis/MG A principal explicao para a formao das quedas encontradas em Indianpolis est relacionada ao substrato rochoso do municpio que apresenta roc has com diferencial erosivo (basalto em contato com o arenito), o que confere condies propcias ao aparecimento de quedas e corredeiras. Nesse municpio identificamos duas classes de queda d’gua, uma em que a explicao da formao est no potencial ero sivo do substrato rochoso de diferentes litologias e a outra refere se tambm ao potencial erosivo, porm pelas descontinuidades do prprio macio rochoso de mesma litologia. No primeiro caso aparecem quedas d’gua muito comuns na Bacia Sedimentar do Paran , quando h o contanto de derrames de basalto com arenitos (arenito Botucatu), rocha mais facilmente erodida. Nessa situao iniciada a eroso remontante, tendncia que as quedas tm de regredir rio acima, devido ao solapamento da base menos resistente, formando sulcos profundos chamados de canhes (Leinz & Amaral 1995). (Figura 06) No segundo caso, o potencial erosivo ocorre devido a algum tipo de descontinuidade num mesmo tipo litolgico. Especificamente no municpio de Indianpolis, observa se que es se tipo de descontinuidade tem como explicao a presena de soleiras ou de derrames de basalto com caractersticas distintas. Quando uma soleira interpe o curso de um rio a velocidade da gua aumenta ao transp la e isso faz com que a gua se concentre e m um curso mais estreito que o amplo a montante e, consequentemente, seu poder erosivo tambm aumentado. Com mais fora, esse fluxo de gua tende a desalojar blocos de basalto, propiciando o aparecimento de quedas d’gua (Bartorelli, 1997). (Figura 07) B archa e Arid (1975) explicam que pode acontecer tambm de blocos de basalto serem removidos pelo rio quando a eroso, mas acentuada na base, destri o basalto amigdalide ou o basalto fraturado horizontalmente que ai ocorrem.

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 65 Figura 06 Salto do Mirand o expondo o canho e uma camada de arenito sob o basalto/Autor: Ribeiro, 2008. Bartorelli (1997) em seus estudos sobre a origem das cachoeiras da Bacia do Alto Paran identificou esse tipo de situao e ressalta a idia dos autores supracitados (1975), ex plicando que dentro de um mesmo tipo litolgico, no caso os derrames de basalto, pode haver diferenciao no processo erosivo devido ao comportamento interno do prprio derrame de basalto. Figura 07 Presena de soleira ao longo de cursos d’gua de Indi anpolis/Autor: Ribeiro, 2008. Isso acontece quando camadas baslticas intertrapeanas mais delgadas, vesculo amigdaloidais e com diaclasamento horizontal so erodidas, permitindo que a fora da gua atinja a parte central dos derrames. A partir de ento h a formao de uma queda devido ao desabamento de grandes colunas de basalto que so isolados, por diaclasamento vertical, expondo abruptos paredes (figura 08). Figura 08 Basalto colunar encontrado em Indianpolis/Autor: Ribeiro, 2008. Outro elemen to que tem ajudado no deslocamento de blocos ao longo das cachoeiras o intemperismo biolgico, sendo as razes das rvores grandes responsveis pela desintegrao das rochas, tornando as mais susceptveis atuao de outros processos de alterao fsica e/ou qumica (figura 09). Figura 09 Ao das razes das plantas prximas de quedas d’gua/Autor: Ribeiro, 2008. O potencial geoturstico dessas quedas extremamente relevante, visto que a identificao dos tipos litolgicos expostos nesses locais p ossibilita associ lo com sua formao estratigrfica, revelando informaes, entre outras, sobre a idade das rochas, o tipo de ambiente onde ela foi gerada e a relao desta com o modelado da superfcie, contribuindo, portanto, para entender os aspectos g eolgicos e geomorfolgicos locais e regionais. Alm disso, so reas importantes do ponto de vista biogeogrfico, pois criam condies ambientais especficas, “sendo um ambiente muito propcio ao surgimento de espcies endmicas de plantas e animais, tudo isto em funo da umidade do ar, no solo e nas paredes rochosas” (Rodrigues & Oliveira, 2007, p. 28), permitindo uma visita onde se integre a viso geral dos aspectos biticos e abiticos da

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 66 natureza, unindo o geoturismo com o ecoturismo e estes com os es portes de aventura. Concluso O municpio de Indianpolis est inserido numa regio que devido suas caractersticas fsicas proporcionou, ao longo do tempo geolgico, o aparecimento de inmeras quedas d’gua. Essas quedas so locais que impressionam devi do sua beleza cnica e so importantes, pois possibilitam o entendimento da geologia e geomorfologia locais, sendo reas que tm grande potencial para serem aproveitadas pelo geoturismo. Entretanto, o municpio ainda precisa proceder ao planejamento da ati vidade turstica antes de divulgar essas quedas, do contrrio, esses locais correm o risco de serem degradados e perderem, gradativamente, sua atratividade. A Geomorfologia uma cincia que muito pode contribuir nessa etapa de planejamento, este amparando se nos instrumentos legais hoje existentes, haja vista que “ o relacionamento do turismo com o meio ambiente est longe de ser simples. Numerosas situaes de conflito so registradas e, diante de sua fragilidade, cada medida ou precauo pode gerar um ef eito perverso, difcil de controlar. O desafio reside em encontrar o equilbrio entre o desenvolvimento da atividade e a proteo ambiental ” (Ruschmann, 1997, p. 82). Depreendemos que inegvel a riqueza e potencial das quedas d’gua existentes no municp io de Indianpolis, estas revelando, cada uma com um tipo de beleza e com uma caracterstica distinta que possibilita a compreenso da geologia e geomorfologia, locais de grande importncia no cenrio ambiental e econmico. Entretanto, esses locais, apesar de toda importncia e potencial, devem ser mantidos preservados at que um planejamento garanta seu aproveitamento sustentvel, com o menor impacto para a populao local e para a manuteno do equilbrio ecolgico desses locais to belos e frgeis. Agra decimentos Agradecimentos ao CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico pela bolsa de mestrado Referncias AGUIAR, M. R.; DIAS, R. 2002. Fundamentos do Turismo Campinas: Alnea. 287 p. ARAJO, E. L. da S.2005. Geoturismo: conc eptualizao, implementao e exemplo de aplicao ao Vale do Rio Douro no Setor Porto Pinho 2005. 219 f. Dissertao (Mestrado em Cincias do Ambiente) – Escola de Cincias, Universidade do Minho, Minho. BACCARO, C. A. D. 1991. Unidades geomorfolgicas do Tringulo Mineiro – estudo preliminar. Sociedade e Natureza, Uberlndia, 3: 5 – 6, p. 37 42. ______. 2004. et al. Mapeamento geomorfolgico da Bacia do Rio Araguari (MG). In: LIMA, S. do C.; SANTOS, R. J. (Orgs.). Gesto Ambiental da Bacia do Rio Aragua ri – rumo ao desenvolvimento sustentvel. Uberlndia: EDUFU, p. 1 19. BARCHA, S. F.; ARID, F. M. 1975. Origem das cachoeiras da Bacia do Alto Paran. Revista Brasileira de Geocincias, So Paulo, 5: 2, p. 120 135. BARTORELLI, A. As grandes cachoeiras da Ba cia do Paran e sua relao com alinhamentos tectnicos. 1997. 190 f. Tese (Doutorado em Geologia) – Instituto de Geocincias e Cincias Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro. CORSI, A. C. Compartimentao morfoestrutural da regio do Tringulo Mineiro (MG): aplicado a explorao de recursos hdricos subterrneos. 2003. 253 f. Tese (Doutorado em Geocincias) – Instituto de Geocincias e Cincias Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro. CHIOSSI, N. J. 1975. Geologia aplicada engenhari a. So Paulo: Grmio Politcnico. p. 306 308.

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 67 CHRISTOFOLETTI, A. 1980. Geomorfologia. 2 ed. So Paulo: Edgard Blucher. p. 65 101. ______. 1981. Geomorfologia fluvial So Paulo: Edgard Blucher. 313 p. DUQUE, R. C.; MENDES, C. L. 2006. O planejamento turst ico e a cartografia. Campinas: Alnea. 92 p. FELTRAN FILHO, A. 1997. A estruturao das paisagens nas Chapadas do Oeste Mineiro. 1997. 252 f. Tese (Doutorado em Geografia) – Departamento de Geografia, Universidade de So Paulo, So Paulo. FERREIRA, I. L. 2 005. Estudos geomorfolgicos em reas amostrais da Bacia do Rio Araguari MG. Uma abordagem da cartografia geomorfolgica. 2005. 141 f. Dissertao (Mestrado em Geografia) – Instituto de Geografia, Universidade Federal de Uberlndia, Uberlndia. GUERRA, A. T. 1972. Dicionrio Geolgico Geomorfolgico. 4 ed. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia. 439 f. LEINZ, V.; AMARAL, S. E. 1995. do. Geologia Geral 6 ed. So Paulo: Companhia Editora Nacional. 360 p. NASCIMENTO, M. A.; RUCHYS, U. A. de; MANT ESSO NETO, V. 2007a. Geoturismo: um novo segmento do turismo no Brasil. Global Tourism [s.l.], 3: 2. Disponvel em: http://www.periodicodeturismo.com.br Acessado em 01 mar. 2008. ______. 2007 b. Geotur ismo: um novo segmento do turismo. Revista de Turismo Belo Horizonte, 2: 3. Disponvel em: http://www.turismo.pucminas.br Acessado em 01 mar. 2008. MANOSSO, F. C. 2007. Geoturismo: uma proposta terico metod olgica a partir de um estudo de caso do municpio de Apucarana PR. Caderno Virtual de Turismo Rio de Janeiro, 7: 2. Disponvel em: http://www.cvt rj.net Acessado em: 10 out. 2008. QUEDA d’gua. In: ENCICLOPDIA BARS A. So Paulo: Barsa Planeta Internacional, 2004, v. 12. p. 144. ROCHA, J. C. A. da; LEITE DO NASCIMENTO, M. A. 2007. O Pico do Cabugi como produto ecoturstico e geoturstico no Rio Grande do Norte. Global Tourism [s.l.], 3: 2. Disponvel em: http://www.periodicodeturismo.com.br Acessad o em: 01 mar. 2008. RODRIGUES, S. C.; OLIVEIRA, P. C. A. de. 2007. Programa de registro de patrimnio natural – Complexo Energtico Amador Aguiar. Araguari: Zardo. 90 p. ______. et al. 2004. Cartografia geomorfolgica e os condicionantes hidrogeomorfolgicos de eroso em reas amostrais na Bacia Hidrogrfica do Rio Araguari. In: LIMA, S. do C.; SANTOS, R. J. (Orgs.). Gesto Ambiental da Bacia do Rio Araguari – rumo ao des envolvimento sustentvel. Uberlndia: EDUFU. p.21 43. RUSCHMANN, D. 1997. Turismo e planejamento sustentvel – a proteo do meio ambiente. Campinas: Papirus. 199 p. SILVA, F. R. 2007. A paisagem do Quadriltero Ferrfero, MG: Potencial para o uso tursti co da sua geologia e geomorfologia. 2007. 144 f. Dissertao (Mestrado em Geografia) – Departamento de Geografia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. Disponvel em: http://www.biblioteca digital.ufmg.br Acessado em 20 ago. 2008. SILVA, J. R. B. da. 2004. Contribuies da geologia para o desenvolvimento sustentvel do turismo no municpio da Estncia Turstica de Paraguau Paulista (SP) 2004. 118 f. Dissertao (Mestrado em Geocincias e Meio Ambiente) – Instituto de Geocincias e Cincias Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro.

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Bento & Rodrigues Geomorfologia fluvial e geoturismo – o potencial turstico.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 68 SILVA, J. M. F. da; OKA FIORI, C. 2008. Geomorfologia e turismo: potencial da Escarpa da Esperana, Centro Sul do Estado do Paran. In: SIMP"SIO NACION AL DE GEOMORFOLOGIA, 7, 2008, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: Instituto de Geocincias, Universidade Federal de Minas Gerais. TRIGO, L. G. G. 2005. Anlises regionais e globais do turismo brasileiro So Paulo: Roca. 934 p. VIEIRA, A.; CUNHA, L. Patrimnio geomorfolgico – tentativa de sistematizao Disponvel em: http://www.geografia.uminho.pt Acessado em 10 mar. 2008. Fluxo editorial : R ecebido em: 30 0 4 .200 9 Enviado para avaliao em: 05 0 5 .200 9 Enviado para correo aos autores em: 17 .0 8 .2009 Aprovado em: 2 6 0 8 .200 9 A Pesquisa s em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp i Artigo adaptado do trabalho apresentado no XIII Simpsio Brasileiro de Geografia Fsica Aplicada, 06 a 10/07/2009, Viosa/MG. ii “Variedade natural de aspectos geolgicos (rochas, minerais e fsseis), geomorfolgicos (formas de re levo, processos) e do solo” (Gray, 2004 apud Arajo, 2005, p. 25).

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Barros O desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 69 O DESENVOLVIMENTO DO GEOTURISMO NO MUNICPIO DE PORTO PATRIMNIO GEOL"GICO POTIGUAR GEOTOURISM DEVELOPMENT IN THE DISTRICT OF PORTO DO MANGUE/RN BASED IN THE HERITAGE Luis Felipe Fernandes Barros i Universidade Federal do Rio Grande do Norte / Programa de Educao Tutorial (P.E.T.) Natal RN luisbarros.geo@hotmail.com Resumo O presente trabalho tem como o bjeto de estudo uma das mais importantes unidades geoambientais do litoral potiguar, as dunas costeiras. No trecho setentrional da faixa litornea norte rio grandense encontra se o peculiaridades de seus aspectos naturais (morfolgicos, pedolgicos, hidrolgicos, vegetacionais, climtico) a rea pouco conhecida e a produo cientfica ainda mais escassa havendo uma enorme lacuna bibliogrfica sobre este lugar. Nem mesmo em obras especializadas sobre os temas inerentes a rea, nem tampouco em atlas a nvel mesmo estadual essas dunas recebem sequer uma meno. Desta forma, sabendo se das potencialidades j verificadas em campo e devidamente registradas atravs das fotografias, este artigo pretende abordar a temtica do desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue/RN tendo como sustentao peculiaridades potencialmente atrati vas, as justificativas para o desenvolvimento desse segmento turstico no desenvolvimento desta prtica na rea aqui evidenciada Palavras Chave: Geotur ismo; dunas costeiras; Porto do Mangue Abstract The present paper has as its subject of study one of the most important geo environmental units of the Potiguar coast, the coastal dunes. In the northern stretch of the coastal range of the state of Rio Gran de do its natural aspects (morphological, pedological, hydrological, vegetational, climatical) the area is little known and the scientific product ion is even more scarce, resulting in a huge bibliographical gap about this place. Not even in specialized works about the themes inherent to the area, nor even in atlases at state level, these dunes receive at least some mention. Thus, aware of the potent ialities already observed in field and appropriately registered through photographs, this paper intends to approach the topic of the geoturism development in the district of Porto do Mangue/RN having as the base for such task the area then known as Identifying, therefore, the potentially attractive peculiarities, the reasons for the development of this touristic segment in the district, the environmental problems, and also analyzing what of this practice in the area here outlined K ey Words: Geotourism; coastal dunes; Porto do Mangue Introduo O presente artigo tem como objeto de estudo uma das mais importantes (bem como uma das mais antropizadas) unidades geoambientais da zona litorn ea do estado do Rio Grande do Norte, as dunas costeiras. Estas reas ocorrem em abundncia ao longo dos 400 km de faixa litornea presente em territrio potiguar e se constituem em um dos mais conhecidos atrativos naturais do estado. Apenas como exemplos m ais emblemticos podemos citar o morro do careca na praia de Ponta Negra (municpio de Natal/RN) e/ou a Praia de Genipabu (Municpio de Extremoz/RN) com seus lenis de areia, onde possvel percorr los atravs dos famosos passeios de buggy sendo conheci dos at mesmo internacionalmente. Porm, o objeto especfico de abordagem do presente trabalho est localizado a cerca de 240 km

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Barros O desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 70 da capital potiguar, Natal. A rea em questo est inserida em quase sua tota lidade no municpio de Porto do Mangue/RN. As Dunas do Rosado se constituem em uma ampla rea com mais de mil hectares composta por imensos lenis de areia, que atravs do transporte elico produzem as mais diversas formas estruturais possveis, apresenta ndo belas paisagens e se constituindo assim em uma rea de grande potencial geoturstico para o estado e para o municpio. moradores, est localizado na faixa litornea da regio nordeste do Brasil, especificamente na costa setentrional do estado do Rio Grande do Norte e incluso dentro dos limites territoriais do municpio de Porto do Mangue/RN (figura 1), em rea prxima a divisa com o estado do Cear. Figura 1 Localizao geogrfica do municpio de Porto do Mang ue em territrio potiguar. Fonte: IBGE, 2008. Adaptado por Anderson Penha, 2009. Este municpio faz parte da chamada Zona Homognea Mossoroense delimitad a pelo Instituto de Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA/RN, 2008). Desde o ano de 20 05 esta comuna faz parte de um consrcio de municpios que buscam uma maior dinamizao de suas economias atravs da atividade turstica, e desta forma, a partir do decreto n. 18.187, de 14 de Abril de 2005 a ento governadora Wilma de Faria, consolidou o consrcio e o projeto do corredor e plo turstico denominado de Plo Costa Branca sendo composto por 16 municpios dos quais Porto do Mangue um deles. A partir da n osso objetivo com este artigo analisar como tem se dado o desenvolvimento da ativida de turstica no municpio de Porto do Mangue/RN com base nas Dunas do Rosado, ou seja, o turismo fundamentado em uma rea de forte potencial geoturstico, visto que as dunas aqui referidas se tratam de um monumento geolgico de valor cnico paisagstico. N ossa inteno avaliar quais medidas esto sendo tomadas para o desenvolvimento da atividade na rea; quais procedimentos esto sendo adotados para proteo do patrimnio geolgico natural; quais os aspectos peculiares e potenciais visitao; entre outr as abordagens. Portanto, nossa justificativa para tal artigo estrutura se em 2 pontos base. Um deles a lacuna bibliogrfica sobre a rea em questo podendo ser amenizada com esta publicao, como j citado acima. E o outro ponto o padro de turismo a podendo esta rea de dunas ser um forte produto turstico estadual e municipal, para dinamizao da economia local com a gerao de emprego e renda a partir da visitao desse lugar, inserindo se principalme nte como um novo plo de geoturismo do estado visto que a visitao estaria fortemente fundamentada na "vivncia" de um patrimnio geolgico e paisagstico. Para a elaborao deste trabalho alguns procedimentos foram selecionados, considerando os como os m ais eficazes na obteno de informaes e na anlise do objeto pretendido, que sero descritos a seguir. Basicamente optamos pela histria oral com os moradores das vilas e comunidades na rea do entorno ao grande campo de dunas, descobrindo histrias, cur iosidades, a evoluo do adensamento populacional, as transformaes paisagsticas entre outros aspectos locais. Para isso foi preciso tambm visitas in loco com a conseqente elaborao do que estamos considerando um vasto registro fotogrfico, composto p or 540 imagens da rea. Dessa forma, confrontamos as teorias contidas nas obras bibliogrficas com o que foi observado em campo e discutido durante as entrevistas, para a realizao da anlise correta dos dados e para a interpretao da nova realidade loca l que busca se constituir como atividade permanente Diante de tal contexto almejamos atravs deste trabalho, mesmo que de forma modesta, poder contribuir com a divulgao desta rea que at o momento encontra sendo conhecida nem mesmo pela prpria populao do estado onde se acha situada. A maior prova disto foi o resultado da eleio elaborada pelo Jornal Dirio de Natal que propunha ade as dunas aqui mencionadas estiveram concorrendo. Aps o resultado o que se deu foi a no incluso de

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Barros O desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 71 um dos maiores patrimnios naturais do estado na lista, perdendo at mesmo para um dos estdios de Isto d enota o desconhecimento da populao norte rio grandense diante deste lugar, alm da falta de identificao (territorialidade), na qual presenciamos to forte, por exemplo, por parte dos cearenses com Jericoacoara ou dos maranhenses em relao aos Grandes Lenis. Outro objetivo nosso seria poder contribuir com a prpria Geografia do estado que carente de estudos sobre a costa norte. Uma rpida busca em livros consagrados sobre turismo ou os especializados em Geologia e Geomorfologia percebe se a neglig ncia com as Dunas do Rosado que se apresentam como o maior campo de dunas do estado do Rio Grande do Norte, no havendo referncias nem mesmo em atlas estaduais sejam eles voltados para o ensino bsico ou superior. Aspectos Climticos e Morfoestruturais da rea Devido sua localizao geogrfica no recurvo do continente sul americano o municpio e a rea das dunas, por conseguinte, obtm caractersticas morfoclimticas bastante peculiares, o que tambm se estende por uma ampla regio. Seguindo a classi ficao climtica de Kppen, d iante dos aspectos de precipitao, mdias trmicas e a relao com a vegetao existente tem se para o municpio a definio assinalando assim um semi rido com curta estao chuvosa no vero outono, com concentrao das precipitaes pluviais no meses de Maro e Abril Esta sigla representa clima muito quente, com mdias mensais sempre acima dos 24C. O IDEMA/RN (2008) define para a localidade valores de temperatura estab elecidos em: 32C para a mxima mensal (Novembro), 21C de mnima (Maro) e mdia anual de 27,5C, com 66% de umidade relativa do ar (em mdia) e cerca de 2400 horas de insolao por ano. Os nveis da precipitao situam se entre os 400 e 500 mm anuais, re velando desta forma um grande dficit hdrico. Em relao aos solos temos basicamente na rea das dunas dois tipos: as Areias Quartzosas Marinhas ( Amd ) ( Neossolos Quartzarnicos EMBRAPA, 1971, 1999) e os Latossolos Vernelho Amarelo ( LVe2 ) (EMBRAPA, 1971, 1999). O que ocorre de fato na regio a sobreposio dos terrenos sedimentares um pouco mais antigos como so os latossolos, por terrenos sedimentares de origem mais recente representados na rea pelas dunas costeiras. Alis, deste aspecto que se orig ina a denominao do campo de dunas aqui evidenciado. Como as areias so de granulometria menor do que os gros dos latossolos e por isso so mais passveis de transporte pelos ventos ou seja, sofrem de forma mais evidente a ao do transporte elico, ela s avanam sobre os terrenos avermelhados dos latossolos e dos afloramentos do Grupo Barreiras. Assim, quando h a combinao de cores entre os sedimentos esbranquiados das dunas com os terrenos avermelhados e alaranjados dos latossolos e do Barreiras, tem figura 2. Figura 2 Aspecto das Dunas do Rosado: cores e formas Fonte: Acervo do autor, 2008. Outro aspecto peculiar na rea a vegetao predominante. Tpico de reas interi oranas nordestinas o bioma da Caatinga neste ponto do litoral brasileiro avana at bem prximo linha de praia, sem que haja entre os dois ambientes (a vegetao xerfila e a praia) nenhuma vegetao de transio, representando o mais prximo que se enco ntram em territrio brasileiro. Na verdade h a um ponto de vista divergente. No sabemos ao certo se a Caatinga avana do interior at o litoral ou se na verdade a partir deste ponto ela se desenvolveu e progrediu at terras interioranas. O fato que e m raros locais do mundo este fenmeno acontece, sendo mais um elemento peculiar e que a prtica do geoturismo pode tornar acessvel ao pblico leigo o entendimento sobre estas questes. Segundo o IDEMA/RN (2005, p. 35 e 36) essa vegetao que estamos abord ando est classificada como Caatinga Hiperxerfila Arbustiva Arbrea Rala Distribuem se em rea exatamente posterior as dunas ii em geral com porte

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Barros O desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 72 mdio de 3m e fixadas sobre solo raso e pedregoso. Apesar de no parecer de imediato, a vegetao est intim amente relacionada com o campo de dunas aqui estudado, pois toda a cobertura vegetal existente se configura como uma barreira que impede o avano cada vez maior dos sedimentos para o continente. de dunas e vita que a areia se desloque em direo s plantaes e at mesmo a poos de petrleo, o que prejudicaria assim a produo. Todos estes elementos citados esto em perfeita harmonia, pois esto diretamente relacionados entre si: clima especfico facilitando o transporte das dunas e a reproduo das plantas adaptadas, solos equivalentes ao tipo de material disponvel, que fornece ento a base das plantas e assim sucessivamente at que todos os elementos estejam em comunho, par t indo do pressuposto de uma anl ise sistmica da paisagem. Dunas do Rosado: Propriedades Fsicas e seu Potencial Geoturstico O municpio de Porto do Mangue/RN est localizado devidamente s margens do Rio das Conchas, um dos cincos rios que formam a desembocadura do Rio Piranhas/Au co nforme o estudo de Menezes (2003). devido localizao geogrfica que o campo de dunas teve origem, tanto facilitado pelos elementos climticos (elevadas temperaturas e ventos fortes) como pela existncia Este aspecto explica em grande parte a existncia de um campo de dunas to amplo situado exatamente naquela poro do estado. Como se sabe, sedimentos aos oceanos, alis, grande parte da gua salgada dos oceanos se d pela oferta de sedimentos e dos mais variados elementos qumicos despejados pelos rios distribudos pelo mundo. Assim, h uma estreita relao entre a enorme carga de sedimentos provenientes da vazo do Rio Piranhas/Au em sua foz, a conseqente deposio nas praias adjacentes e a migrao dos sedimentos finos e portanto leves, para as reas continentais ou interioranas. Esse um dos esquemas possveis de explicao para a origem do grande campo de dunas do Rosado, mesmo que de forma bastante simplificado como aqui exposto. Essa migrao de sedimentos no se d de qualquer maneira e no caminho para o interior do continente produzem formas diversas entre elas as intrigantes dunas do tipo barcanas (figura 3). As dunas desse tipo no so to abundantes em t erritrio potiguar estando circunscritas de forma mais visvel na costa setentrional entre os municpios de Guamar/RN; Macau/RN; Areia Branca/RN; Galinhos/RN e tambm em Porto do Mangue/RN. Figura 3 Modelo das dunas tipo barcanas. Fonte: Elaborao do autor (baseado nos Painis Geolgicos do Rio Grande do Norte CPRM ) Como explicado na figura acima essas dunas ser composta por uma face de barlave nto (de menor inclinao e voltada na direo dos ventos predominantes); uma face de sotavento (de maior representando a parede de areia em si) e os dois prolongamentos que os autores alternam em denomin (Nordstrom, Psuty e Carter, 1990). Diante de tamanha carga arenosa, os ventos tm a possibilidade de esculpir formas diversas, da surgirem as barcanas como corpos isolados umas das outras e surgirem tambm, entres as dunas, afloramentos avermelhados do Grupo Barreiras. Tambm nesse ecossistema surgem s lagoas interdunares, de guas cristalinas e de temperatura agradvel, sendo portanto, uma rea que muito tem a oferecer atividade geoturstica crescente. Somente estando in loco para perceber a magnitude do campo de Dunas do Rosado, pois no interior dessa rea ocorrem diversas paisagens e elementos morfolgicos que a fazem um lugar de valor cnico paisagstico incontestvel. Mas afinal, o que estamos definindo como potencial geoturstico? O segmento turstico do Geoturismo um dos que mais crescem no Brasil facilitado pela possibilidade de engajamento com outro segmento, este sim j praticamente consolidado, que o Ecoturismo. A nvel de Brasil um excelente trabalho sobre o tema foi produzido

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Barros O desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 73 por Nascimento, Ruchkys e Neto (2007) abordando as principais linhas de pensamento sobre o turismo em questo, com conceitos, tendncias, obras e etc. Segundo a definio de Ruchkys o geoturismo se caracteriza por ser: um segmento da atividade turstica que tem o patrimnio geolgico como seu principal atrativo e busca sua proteo por meio da conservao de seus recursos por meio da sensibilizao do turista, utilizando, para isto, a interpretao deste patrimnio tornando o acessvel ao pblico leigo, alm promover a sua divulgao e o desenvolvimento das cincias da Terra (Ruchkys, 2007: 5) Nessa definio a autora argumenta sobre o geoturismo em relao visita um local selecionado que seja detentor de alguma peculiaridade geomo rfolgica e/ou geolgica. Dessa forma abandona um pouco a idia de Hose citado no mesmo trabalho quando este tambm aborda a questo da que em nosso entendimento de fundamental importncia, pois antes mesmo de ser trabalhado a questo da como aborda o mesmo autor, necessrio que se tenham servios de divulgao e principalmente transporte para os locais visitados. Estamos tratando desta discusso por entender que os patrimnios geolgicos, ou as peculiaridades geolgicas e/ou geomorfolgicas quase sempre so de difcil acesso e desconhecidas pelo pblico geral, sendo necessrios servios adicionais para que haja uma verdadeira impulso da atividade. No caso das Dunas do Rosado, por exemplo, a prpria populao urbana de Porto do Mangue desconhece as riquezas da rea, poucos j visitaram, menos ainda so aqueles que freqentam as dunas, isso quando avaliado a nvel municipal. Se estendermos o problema da divulgao e do acesso a nvel estadual e brasileiro, a podemos dizer que a rea encontra se visivelmente estagnada em relao ao turismo, mesmo com todos estes aspectos peculiares e em potencial visitao, como aqui j descritos. Dunas do Rosado e a Economia Porto manguense Como abordado no item 3, utilizamos em nossa concepo de Geoturismo as idias de Ruchkys (2007). Nessa mesma definio a autora coloca na ltima frase a sua preocupao em relao ao desenvolvimento das cincias da Terra, e j a Geografia aborda o mesmo segmento turst ico por outra linha de pensamento. Como nossas preocupaes esto voltadas para as formas de produo do espao geogrfico ou territrio usado, entendemos sim que atravs desse ramo turstico que, tanto a atividade turstica como as cincias da Terra pod em sofrer uma impulso em termos de desenvolvimento, mas principalmente a populao local e a economia estadual e municipal podem se desenvolver com a maior divulgao e visitao ao grande campo de dunas porto manguense, aproveitando se assim do seu poten cial geoturstico. Sabemos que o Rio Grande do Norte mesmo sendo detentor de belas serras e reas interioranas, optou desde o incio de sua expanso turstica (por volta da dcada de 60 do sculo passado) por orientar se primordialmente para o litoral. Mas no todo o litoral, principalmente as praias urbanas da capital, e nas ltimas dcadas para trechos mais afastados chegando at ao extremo sul com o rpido crescimento imobilirio e de servios (restaurantes, bares, pousadas, hotis, postos de gasolina) d as praias de Tibau do Sul, Pipa, Barra de Cunha e Sagi O padro ento adotado pelos governos estaduais para o direcionamento dos investimentos fundamentou se (assim como corre at os dias do Plo Costa B ranca iii do qual Porto do Mangue/RN faz parte, isto um aspecto positivo. Muitos municpios do plo possuem quilmetros de costa e com a presena do clima semi rido tem se um perodo de insolao por ano muito extenso, poucas chuvas, elevadas temperaturas e quilmetros de praias desertas com dunas a perder de vista, devido imensido dos campos de areia. Aspectos Soci ais do M unicpio de Porto do Mangue/RN Apesar de participar da produo de trs dos principais produtos da economia potiguar: Sal Marinho, Carcinicultura (produo de camaro tipo exportao) e Petrleo em terra, o governo local justificou seu ingresso no Plo Costa Branca para dinamizao da economia e a promessa de gerao de emprego e renda. As trs primeiras atividades no absorvem mo d e obra significativa pelo fato de exigirem mo de obra bastante qualificada para o tipo de servio, algo que no se encontra facilmente no municpio. Da o turismo ser uma alternativa vivel O setor que abarca o maior nmero de trabalhadores assalariados a pesca, pois o setor de servios bastante incipiente, mesmo na rea urbana. Isso faz com que, dos 167 municpios do

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Barros O desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 74 estado do Rio Grande do Norte, Porto do Mangue esteja em quarto lugar em nmero de trabalhadores empregados neste setor. O total da ri queza produzida no municpio anualmente est avaliado em cerca de R$ 203.384.000,00 conforme dados do IBGE (2008), sendo este valor bastante varivel devido ao tipo da produo. Com este P.I.B. bruto o ndice per capita chega os R$ 41.000, o que se observa na prtica, ser um valor que cria iluses estatsticas. H no municpio alguns ndices alarmantes em relao renda, escolaridade, pobreza, saneamento e com isso julgamos a atividade turstica como eventual potencializadora na gerao de emprego e renda para a populao local, alm da possibilidade de futuros investimentos. Para isso o poder pblico deve a atividade turstica no deve ser vista como um fim em si, mas como uma das alavancas que podem impulsionar o desenvolvimento regional e local. p. 43) O desenvolvimento do turismo em Porto do Mangue/RN pode ser alavancado com a divulgao mais intensa do maior campo de dunas estadual, apresentando suas formas, cores, elementos peculiares e atrativos, sendo um forte produ to geoturstico. O mais importante que esta renda seja revertida tambm em melhorias sociais e que a populao local seja o setor mais abarcado com os lucros gerados atravs da explorao e do uso dessa rea. Problemas Ambientais Novamente atentando pa ra a definio de Ruchkys (2007) para o que seja Geoturismo, observamos tambm a preocupao com o patrimnio geolgico, pois a atividade proteo por meio da conservao de seus recursos Concordamos com a autora em relao validade da preservao dos lugares atravs da sensibilizao do visitante, pois acreditamos que quanto mais afinidades se constroem, quanto mais se sabe e quanto mais se vive um lugar qualquer, o sentimento de preservao daquel e estado em que tal ambiente se encontra passa a ser natural nas pessoas, isso em relao aos patrimnios ainda preservados Sugerimos apenas que antes mesmo da sensibilizao do turista seja realizado por parte da gesto municipal a sensibilizao (tambm preferimos esta palavra a usar conscientizao ) da populao local, principalmente das vilas e comunidades no entorno das dunas. Ocorre que por desconhecimento e pela falta de coleta de resduos de forma habitual, os moradores dessas reas esto depositan do seus resduos em ambiente dunar de grande fragilidade ambiental (figura 4). Posteriormente isso pode vir a se reverter em um grave caso de sade pblica pelo fato de que a mesma populao que despeja seus resduos em ambiente sedimentar se utiliza de g uas extradas do aqfero subterrneo, atravs de poos escavados. Figura 4 A ) Depsito de resduos slidos em Pedra Grande. B ) Depsito de resduos slidos na Vila do Rosado Fonte: Acervo do autor, 2008 Neste caso fica claro que questo ambient al sociedade permeia este ambiente e vive nele. No caso das vilas aqui referidas, Pedra Grande e Rosado, a comunidade se abastece diretamente dessa gua subterrnea que salientamos ser preciso avaliaes r egulares por tcnicos capacitados O turismo ou o geoturismo no caso da rea das dunas, pode vir portanto a alavancar a renda de muitas pessoas ali residentes, mas quanto sensibilizao, reiteramos nossa sugesto de que a populao local necessita antes de um auxlio nesse sentido, pois comete atos incorretos pelo simples desconhecimento da relao sistmica entre os elementos da paisagem. A B

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Barros O desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 75 Em virtude do rpido processo de expanso imobiliria identificado, bem como a expanso de outros problemas como: as saltos e drogas, alm da degradao ambiental anunciada, o governo decretou a rea de Preservao do Rosado (figura 5) inibindo ou buscando controlar a intensificao das edificaes que causam a poluio do lenol fretico com suas fossas subterrneas, en tre outras questes. Assim, foi instalado e inaugurado em 2009 o Ecoposto do IDEMA/RN, composto por um centro de visitao e alojamentos para agentes de fiscalizao, os guardas florestais, sendo esta uma das maiores medidas at ento criadas para a prote o deste lugar. Figura 5 Imagem area do grande campo de dunas do Rosado Fonte: Software Google Earth Consideraes F inais Diante do exposto podemos concluir que a rea das Dunas do Rosado possui os atrativos necessrios para a efetivao do geot urismo no estado. Pelos seus aspectos naturais, morfolgicos, pedolgicos, vegetacionais, hidrolgicos, e demais caractersticas, as Dunas do Rosado se constituem em verdadeiro patrimnio geolgico estadual (figura 6) e tanto pode como deve ser aproveitado para a minimizao da situao de pobreza dos municpios membros do Plo Costa Branca, principalmente Porto do Mangue/RN. Abordamos durante o texto a discusso dos servios prestados ao turismo. nesse ponto que se constitui o principal investimento real izado no territrio de Porto do Mangue/RN desde o seu ingresso no Plo Costa Branca em 2005. que no ano de 2007 foi inaugurado o trecho prolongado da rodovia estadual RN 404, ligando a cidade de Porto do Mangue (sede municipal) a Vila de Ponta do Mel, no limtrofe municpio de Areia Branca. Isto facilitou o fluxo de veculos e conseqentemente de turistas e investimentos para a rea. Porm, para os que trafegam na rodovia no necessrio obrigatoriamente adentrar ao espao urbano da cidade de Porto do Ma ngue, pois a sada para as outras localidades at um pouco distante da cidade, portanto, verifica se na prtica que no existe fluxo de turistas na sede municipal por este fato As dunas tambm so pouco visitadas segundo os vigilantes do Ecoposto de ac ordo com as entrevistas realizadas, quando este ainda estava em construo, evidenciando portanto, a estagnao das

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Barros O desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 76 Dunas do Rosado diante do turismo em geral, que dir de um segmento especfico como o geoturismo. Por isso mesmo a atividade na rea deve se r estimulada e trabalhada, impulsionando a visitao desse patrimnio geolgico. Figura 6 Dunas do Rosado: patrimnio geolgico potiguar Fonte: Acervo do autor, 2008. Diante do quadro de estagnao turstica, dos problemas ambientais e sociais aqui apresentados, e levando em considerao os conceitos j observados sobre o segmento do geoturismo, ousamos aplicar a nossa definio para a atividade, entendida por ns como : um segmento do ramo turstico nacional e internacional, caracterizado por ter o patrimnio geolgico natural como principal atrativo, promovendo assim o acesso ao pblico leigo atravs de servios especializados e facilidades interpretativas a elucidao dos fenmenos, processos e formas desse patrimnio, sensibilizando o turista (ou mero visitante) para a sua preservao e divulgao, afastando se do turismo meramente contemplativo Em nossa definio apontamos para a importncia dos servios especializados, atentando para no caso da necessidade do rapel, ou da utilizao de materia is que no sejam de acesso ao turista, e at mesmo veculos de transporte especiais, para terrenos em que os carros comuns no possam trafegar. No caso das dunas, a sensao trmica em determinadas horas do dia torna invivel a prtica de caminhadas e isso deve ser levado em considerao na hora do planejamento turstico para o lugar. Para encerrar gostaramos de esclarecer que em relao rea aqui evidenciada muitos estudos ainda havero de ser realizados, pois se a costa norte que um macro compartimen to carece de estudos, o que dizer de reas especficas como esta? Atravs da associao entre o ecoturismo o geoturismo e o turismo de aventura, possvel que o interesse pela rea cresa e que novos estudos venham a ser produzidos, seja em Geografia, ou mesmo pela Geologia Biologia, Ecologia ou demais ramos do saber Referencial Bibliogrfico EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisas de Solos (Rio de Janeiro, RJ), Sistema Brasileiro de Classificao de Solos Braslia: Embrapa Produo de Informaes: Emb rapa Solos. 1999, xxvi, 412p. EMBRAPA. Mapa Exploratrio Reconhecimento de solos do municpio de Porto do Mangue MA/EMBRAPA/SUDENE. 1971. da C. (orgs.). Sem i rido: diversidades, fragilidades e potencialidades Sobral: Sobral Grfica, 2006. 213p. IDEMA/RN. Atlas Para a Promoo do Investimento Sustentvel no Rio Grande do Norte. Mdulo I Zona Homognea Mossoroense Natal, 2005. 205 p. IDEMA/RN. Estudos Sci o econmicos. Perfil Seu Municpio. Porto do Mangue Disponvel em http://www.idema.rn.gov.br Acesso em: 10 dez. 2008. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica. Banco de Dados. Cidades @ Disponve l em http://www.ibge.gov.br Acesso em: 03 ago. 2008

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Barros O desenvolvimento do geoturismo no municpio de Porto do Mangue.. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 77 MENEZES, Paulo Roberto de. Relao do Barramento do Rio Piranhas/Au (RN) com as Alteraes Ambientais em seu Baixo Curso e Zona Costeira Natal, RN. Monografia (Ba charelado em Geografia). 2003. 117 f. NORDSTROM, Karl; PSUTY, Norbert; CARTER, Bill. Coastal Dunes: Form and Process John Wiley & Sons Ltd., Baffins Lane, Chichester, West Sussex PO19 1UD, England. 1990. 392 p. RUCHKYS, rsula Azevedo; NASCIMENTO, Marcos Antnio Leite; NETO, Virgnio Mantesso GEOTURISMO UM NOVO SEGMENTO DO TURISMO NO BRASIL Disponvel em http://www.periodicodeturismo.com.br Acesso em: 07 mar. 2008. SILVEIRA, Marcos Aurlio Tarlomban Polticas Pblicas e o Lugar do Turismo Braslia: UNB. Departamento de Geografia. Ministrio do Meio Ambiente, 2002. 380 p. Fluxo editorial : R ecebido em: 04.05.2009 Enviado para avaliao em: 27.05.2009 Reprovado em: 20.08.2009 Re submetido em: 31.08.2009 Aprovado em: 03.09.2009 A Pesquisa s em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp i Aluno de graduao do curso de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN. Bolsista efetivo do Programa de Educao Tutorial P.E.T. do Departamento d e Geografia ii dunares torna se bastante rduo. Nas areias essa carga de troca catinica (CTC) ocorre em nveis muito modestos e por este motivo so raras as espcies de vegetais que se desenvolvem em terrenos desta natureza. iii comunas de So Rafael/RN e Apodi/RN que esto situados a vrios q uilmetros da costa. Em contrapartida, o nome Costa branca se deve em aluso s inmeras montanhas de sal marinho e aos campos de dunas existentes.

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 2(1), 2009.

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 79 O TURISMO DE NATUREZA COMO ATRATIVO TURSTICO DO MUNICPIO DE PORTALEGRE, RIO GRANDE DO NORTE NATURE TOURISM AS TOURIST ATTRACTION OF THE PORTALEGRE, RIO GRANDE DO NORTE Fernanda Cauper Viana & Marcos Antonio Leite do Nascimento Universidade Feder al do Rio Grande do Norte – UFRN Natal RN caxexa@yahoo.com.br Resumo O Municpio de Portalegre, no Rio Grande do Norte, possui um rico acervo histrico, cultural e ambiental, apresentando recursos potenciais e infra e strutura viveis economicamente para o turismo. O presente trabalho tem como objetivo principal analisar a aplicabilidade do turismo de natureza, com nfase no ecoturismo, geoturismo e turismo de aventura no referido municpio. Na tentativa de diversificar a atividade turstica no interior do Rio Grande do Norte, investigar e analisar a existncia do turismo de natureza no Estado, bem como avaliar a situao atual da atividade turstica em Portalegre, com a finalidade de conhecer quais as perspectivas refer entes a este segmento. Para tal diagnstico foram utilizados dados obtidos atravs de fontes secundrias (bancos de dados, bases de dados), observao in loco, bem como atravs de entrevistas com o poder pblico e com a populao. A partir de um conjunto d e aes j formulados no Municpio – da populao, da iniciativa privada e pblica – possvel aproveitar de forma sustentvel os atrativos tursticos da localidade, garantindo benefcio a todos os atores do processo. No entanto, necessrio que as autor idades competentes, bem como os investidores do setor promovam uma mudana na conduta turstica vigente, atingindo nveis sociais elevados, para que dessa forma o processo turstico transcorra at atingir os objetivos ambientais, sociais e econmicos desej ados. Para que essas metas sejam alcanadas foram elaboradas sugestes pertinentes ao processo, que alteram a estrutura fsica e organizacional atual, saudvel a implantao do presente trabalho Palavras Chave: Portalegre, Turismo de Natureza, Ecoturismo Geoturismo, Turismo de Aventura Abstract The City of Portalegre, in the Rio Grande do Norte, possess a rich historical, cultural and ambient quantity, presenting viable potential resources and infrastructure economically for the tourism. The present wor k has as objective main to analyze the applicability of the nature tourism, with emphasis in the ecotourism, geotourism and adventure tourism in the related city. In the attempt to diversify the tourist activity in the interior of the Rio Grande do Norte, to investigate and to analyze the existence of the tourism of nature in the State, as well as evaluating the current situation of the tourist activity in Portalegre, with the purpose to know which the referring perspectives to this segment. For such diagno sis they had been used given gotten through secondary sources (data bases, databases), comment in I lease, as well as through interviews with the public power and the population. From a set of formulated actions already in the City of the population, of the private and public initiative it is possible to use to advantage of sustainable form attractive tourist of the locality, being guaranteed the benefit to all the actors of the process. However, it is necessary that the competent authorities, as well a s the investors of the sector promote a change in the effective tourist behavior, reaching high social levels, so that of this form the tourist process flows until reaching the ambient, social and economic objectives desired. So that these goals are reache d had been elaborated pertinent suggestions to the process, that modify current the physical and organizacional structure, healthful the implantation of the present work K ey Words: Portalegre, Nature Tourism, Ecotourism, Geotourism, Adventure Tourism In troduo O A atividade turstica, nas ltimas dcadas, desenvolveu um crescimento bastante significativo, favorecido por fenmenos culturais, econmicos e sociais. De acordo com Ansarah (1999, p. 17), o desenvolvimento tecnolgico dos transportes, o maior tempo livre e as

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 80 melhores condies das pessoas, aliados s necessidades de evaso, de fuga dos grandes centros (como forma de recuperao do equilbrio fsico e espiritual de seus moradores), alteram o setor turstico. Como resultado obteve se o acrscimo no nmero, de pessoas que viajam e o desenvolvimento da infra estrutura e dos equipamentos tursticos No Brasil, somente h duas dcadas o turismo comeou de fato a desenvolver se como atividade econmica. A modificao da postura da sociedade frente a tividade turstica fez com que o governo formulasse uma poltica nacional de turismo, destacando a insero do pas no cenrio mundial, impulsionando dessa forma a economia nacional. Essa poltica propunha o fomento turstico por intermdio de programas a serem difundidos por todas as regies, entre eles est o PNMT – Programa Nacional de Municipalizao do Turismo – e que atualmente, na vigncia do Governo do Presidente Lula, foi reformulado e renomeado para PNT – Plano Nacional de Turismo – com o Programa de Regionalizao do Turismo – Roteiros do Brasil que tem como pretenso transformar os municpios com potencial turstico em plos capacitados para a gesto compartilhada com a iniciativa privada e esferas do Governo Federal, na tentativa de minimizar os problemas financeiros encontrados nessas reas e superar a dificuldade da gesto centralizada (Ministrio do Turismo, 2004). nesse contexto que o Rio Grande do Norte est inserido, uma vez que se for feita uma anlise quanto ao desenvolvimento da sua at ividade turstica, percebe se que o mesmo esteve ligado, durante sua evoluo em sua maioria Grande Natal, dando um enfoque especial ao “Turismo de Sol e Praia” – segmento do Turismo praticado em regies litorneas. No entanto, indiscutvel a capacidad e turstica do Estado, visto que existem paisagens diversificadas que variam desde praias desertas at regies de altitude formadas por serras, picos e montanhas. Sendo assim, surge a necessidade de buscar e apresentar ao mercado um produto diferenciado, i ncrementando o leque de atividades oferecidas ao turismo potiguar. Diante deste cenrio, compreende se a importncia para a economia local a implantao de um novo segmento da atividade turstica: o Turismo de Natureza – no nosso caso com nfase no ecoturi smo, geoturismo e turismo de aventura. Assim, uma das formas de promover a interiorizao do turismo no Estado atravs da prtica do turismo de natureza, visto que o Rio Grande do Norte dispe de ambientes propcios para o desenvolvimento desta atividade O municpio de Portalegre, situado no Alto Oeste do Estado, apresenta recursos potenciais que podem ser viabilizados economicamente pelo turismo aspectos ligados natureza, como vegetao, clima, relevo e hidrografia, bem como atrativos histricos e c ulturais diversificando os atrativos oferecidos a nvel estadual, alm de vir a dinamizar a economia local em um perodo compreendido pela baixa estao na regio litornea do Estado, amenizando assim, o antigo problema da sazonalidade. Com isso, neces srio elaborar um planejamento que vise a sustentabilidade desse ambiente, aliando o crescimento do fluxo contnuo at atingir a capacidade de carga, com fiscalizadores (os prprios moradores e funcionrios do setor) que protejam o meio ambiente, sendo est e o principal atrativo do municpio. Turismo de Natureza De acordo com McKerher (2002), o turismo de natureza engloba ecoturismo, turismo de aventura, turismo educacional e uma profuso de outros tipos de experincias proporcionadas pelo turismo ao ar liv re e alternativo. o segmento de mais rpido crescimento na indstria turstica em diversos pases. O turismo baseado na natureza em muitos pases uma componente chave da indstria turstica (EAGLES, 2001). Segundo o mesmo autor, este setor do turismo d epende fundamentalmente de duas componentes: nveis de qualidade ambiental e nveis de satisfao do consumidor, tendo j crescido suficientemente para que possa ser subdividido em vrios segmentos de mercado diferentes. Neste mbito, Eagles (2001) utiliza ndo uma metodologia baseada nas motivaes, reconhece pelo menos quatro nichos de mercado no turismo baseado na natureza: ecoturismo, turismo de aventura, vida selvagem e campismo (Figura 1). Porm, segundo esse mesmo autor, outros segmentos podem ser iden tificados. Estes nichos de mercado encontram se em diferentes estgios no ciclo empresarial, encontrando se o ecoturismo e o turismo de aventura num estgio ainda com um grande potencial de crescimento, o turismo relacionado com a vida selvagem num estgio em que j atingiu o mximo potencial de crescimento e o campismo num estgio em que j se encontra em declnio (EAGLES, 2001).

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 81 Figura1 – Nichos de mercado do turismo baseado na natureza. Fonte: Eagles, 2001. Para alm dos quatro nichos de mercado identificados no turismo da natureza por Eagles (2001), outras sugestes so apresentadas, como a subdiviso deste tipo de turismo em apenas dois nichos de mercado, sendo eles o ecoturismo e o turismo de aventura (Figura 2). Nesta perspectiva, o ecoturismo bem como o turismo de aventura, so subsegmentos do turismo da natureza, embora s o ecoturismo estabelea ligaes com o turismo rural e cultural, o que no sucede com o turismo de aventura (WOOD, 2002). Apesar do ecoturismo constituir a verso mais su stentvel do turismo da natureza certo que todas as atividades tursticas, sejam elas em frias, negcios, conferncias, congressos, feiras, de promoo da sade e do bem estar ou de aventura devem ter como meta a sustentabilidade (WOOD, 2002) Utilizando tal como Eagles (1995), o critrio da motivao na distino dos nichos de mercado enquadrados no turismo da natureza, Wood (2002) refere que enquanto no ecoturismo a principal motivao a observao e apreciao dos elementos naturais e culturais, no turismo de aventura o exerccio fsico e as situaes de desafio em ambientes naturais. Neste artigo optou se por trabalhar dentro do turismo de natureza os segmentos do ecoturismo e do turismo de aventura. Contudo, ser acrescentando ao ecoturismo um no vo nicho de mercado que vem se despontando no Brasil, mas que j bastante conhecido (e praticado) na Europa e Estados Unidos, o chamado Geoturismo. Figura 2 – Posicionamento do ecoturismo no amplo mercado do turismo. Notar a ligao entre o ecoturis mo com o turismo rural e cultural, o que no ocorre com o turismo de aventura. Fonte: Wood, 2002. O Ecoturismo Muito j foi escrito sobre ecoturismo, mas pouco o consenso sobre o seu significado, devido principalmente a muitas formas em que as atividad es do ecoturismo so oferecidas por uma grande diversidade de operadores, praticadas por uma variedade ainda maior de tipos de turistas. Muitas tambm so as definies para o termo ecoturismo. Um dos primeiros a utilizar e definir a atividade ecoturstica foi Ceballos Lascurin, na dcada de 1980, conceituando ecoturismo como: A realizao de viagens para reas naturais no perturbadas ou contaminadas, com o objetivo de admirar, gozar e estudar a paisagem, sua flora e fauna assim como as culturas passadas e presentes em tais reas. (CEBALLOS LASCURIN, 1987).

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 82 Nos ltimos anos tem se percebido um grande avano em termos de publicaes sobre ecoturismo no Brasil, com destaque para as obras de Lindberg e Hawkins (1998), Pires (1998), Wearing e Neil (2001), Cos ta (2002), Fennell (2002), Kinker (2002), Rodrigues (2003), Mendona e Neiman (2005) e Machado (2005). Nessas publicaes inmeras so as definies sobre ecoturismo. Em Fennell (2002) so citadas, por exemplo, quinze diferentes definies para o termo eco turismo. Cuja comparao o referido autor resume na tabela 1. Esta tabela possibilita uma comparao entre as definies, atravs dos principais princpios. Tabela 1 – Comparao entre as definies de ecoturismo Principais princpios de definio a Defi nies 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Interesse na natureza X X X X X X X X X X Contribuio conservao X X X X X X X X X X Apoiado em parques e reas protegidas X X X X X X X X X Benefcios da populao local/longo prazo X X X X X X X X Educao e estudo X X X X X X X Baixo impacto/no predatrio X X X X X tica/responsabilidade X X X X Gesto X X X X Sustentabilidade X X X X Usufruto/apreciao X X X Cultura X X X Aventura X Pequena Escala X X Fonte: 1. Ceballos Lascurin (1987); 2. Laarman e Durts (1987) b ; 3. Halbertsma (1998) b ; 4. Kutay (1989); 5. Ziffer (1989); 6. Fennell e Eagles (1990); 7. CEAC (1992); 8. Valentine (1993); 9. Sociedade de Ecoturismo; 10. Western; 11. Estratgia Nacional Australiana de Ecoturismo; 12. Brandon (1996); 13. Goodwin (1996); 14. Wallace e Pierce (1996); 15. Fennell (2002). a Variveis classificadas segundo a freqncia da respos ta. b Definies de turismo na natureza. Pires (1998) fez um levantamento e anlise dos conceitos existentes, elaborados pelos diversos setores da sociedade com interesse no desenvolvimento do ecoturismo que tendem a conceber sua prpria idia de ecoturi smo em funo de seus prprios interesses: os organismos oficiais ligados ao turismo; o trade turstico (operadoras, agncias, promotores, empresas de viagens etc ); o meio acadmico e finalmente a rea governamental. Das entidades representativas do Trade “ O ecoturismo a prtica de turismo de lazer, esportivo ou educacional, em reas naturais, que se utiliza de forma sustentvel dos patrimnios natural e cultural, incentiva a sua conservao, promove a formao de conscincia ambientalista e garante o be m estar das populaes envolvidas ” (IEB INSTITUTO DE ECOTURISMO DO BRASIL, 1996). Dos acadmicos O ecoturismo representa “ as viagens realizadas por empresas especializadas com o objetivo de proporcionar ao turista o convvio direto com a natureza, respei tando os princpios do desenvolvimento scio econmico das destinaes, promovendo a educao ambiental e a sustentabilidade dos meios visitados ” (RUSCHMANN, 1994). Aborda o ecoturismo sob a denominao de turismo ecolgico afirmando que “ este atrai aquel es que procuram a natureza para desfrutar de seus recursos no tempo livre, e que este, o turismo de aventura e outras formas criativas so modalidades dirigidas para uma demanda especfica e tem sua procura apoiada em recursos naturais

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 83 primrios e pouco ex plorados (...)” (TULIK, 1993). Da rea governamental “ Ecoturismo um segmento da atividade turstica, que utiliza, de forma sustentvel, o patrimnio natural e cultural, incentiva sua conservao e busca a formao de uma conscincia ambientalista atravs da interpretao do ambiente, promovendo o bem estar das populaes envolvidas ” (GRUPO DE TRABALHO INTERMINISTERIAL EM ECOTURISMO – EMBRATUR, 1994). Este ltimo representa o conceito oficial brasileiro e ser utilizado daqui por diante, neste trabalho. Es ta definio obtida pela EMBRATUR foi concebida durante as reunies que deram origem as Diretrizes para uma Poltica Nacional de Ecoturismo. As definies colocadas aqui enfatizam a utilizao do recurso natural original ou pouco explorado como cenrio par a o desenvolvimento do ecoturismo. Alm de levantar princpios no qual esta atividade deve se desenvolver: sustentabilidade dos recursos, participao da comunidade e a conscincia ecolgica por meio da educao e interpretao ambiental. Assim, o ecoturi smo se caracteriza por ser um segmento do turismo de natureza que utiliza o patrimnio natural de forma sustentvel e que busca sua proteo por meio da sensibilizao e da educao ambiental. Porm, o termo patrimnio natural vai muito alm dos aspectos r elacionados ao meio bitico (ou a biodiversidade). Na verdade o patrimnio natural envolve formaes biolgicas e geolgicas, porm no ecoturismo as formaes geolgicas no so tratadas com mesmo grau de profundidade, no entanto, embora os aspectos associ ados ao meio abitico, especialmente o relevo, tambm sejam atrativos para o ecoturismo, o maior apelo para este segmento so, sem dvida, os atrativos relacionados ao meio bitico – fauna e flora. Considerando esta caracterstica marcante, de privilegiar os atrativos associados ao meio bitico, pesquisadores preocupados em valorizar e em conservar o patrimnio associado ao meio abitico vm promovendo a divulgao do geoturismo como um novo segmento do turismo de natureza. Apesar de ainda no estar bem def inido, muitos autores preferem usar o termo geoturismo como um (sub)segmento do ecoturismo (Buckley, 2003; Brilha, 2005; Dowling e Newsome, 2006). O que no deixa de ser verdade. Assim, entende se que o ecoturismo trataria mais especificamente do meio bit ico (fauna e flora – a biodiversidade) como atrativo turstico, enquanto que o geoturismo teria o meio abitico (a geodiversidade) como principal atrao turstica. Lembrando que ambos os segmentos sempre se desenvolvendo de forma a promover a conservao do patrimnio natural, histrico e cultural da regio visitada. O Geoturismo A terminologia “geoturismo” passou a ser comumente utilizada a partir de meados da dcada de 1990 e uma primeira definio amplamente divulgada foi elaborada por Hose (1995) como sendo: A proviso de servios e facilidades interpretativas que permitam aos turistas adquirirem conhecimento e entendimento da geologia e geomorfologia de um stio (incluindo sua contribuio para o desenvolvimento das cincias da Terra), alm de mera ap reciao esttica Em 2000, o autor faz uma reviso no conceito de geoturismo e achou mais adequado utilizar o termo para designar: A proviso de facilidades interpretativas e servios para promover o valor e os benefcios sociais de lugares e materiais g eolgicos e geomorfolgicos e assegurar sua conservao, para uso de estudantes, turistas e outras pessoas com interesse recreativo ou de lazer (Hose 2000). Mais recentemente, Ruchkys (2007) baseada nas definies da EMBRATUR para segmentos de turismo esp ecficos e nas definies j existentes, definiu geoturismo como sendo: Um segmento da atividade turstica que tem o patrimnio geolgico como seu principal atrativo e busca sua proteo por meio da conservao de seus recursos e da sensibilizao do turis ta, utilizando, para isto, a interpretao deste patrimnio tornado o acessvel ao pblico leigo, alm de promover a sua divulgao e o desenvolvimento das cincias da Terra. Sobre geoturismo, um segmento relativamente recente, ainda existe pouca produo bibliogrfica, mesmo em nvel internacional. No exterior, muito do que se escreveu sobre esse assunto foi publicado em peridicos/revistas pouco acessveis no Brasil.

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 84 At o momento, sabe se que existem apenas dois livros que tratam do assunto diretamente, um em italiano, escrito por Matteo Garofano (presidente da Associazione Geoturismo ), em 2003, intitulado Geoturismo: scoprire le bellezze della Terra viaggiando Nele so apresentados os principais pontos geotursticos da Itlia proporcionando ao leitor um a viagem por aquele pas, alm de apresentar sua geologia e trazer sugestes de como organizar uma viagem geoturstica. Mais recentemente, no incio de 2006, foi lanado o livro Geotourism: sustainability, impacts and management editado por Ross Dowling e David Newsome (ambos da Austrlia). O livro alm de trazer os conceitos bsicos sobre este segmento do turismo, tambm leva o leitor a conhecer a prtica do geoturismo em diversos pases do Mundo, tais como: Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, Espanha, C hina, frica do Sul, Austrlia e Iran. Finalmente, este livro contempla informaes com relao aos diferentes geoparques espalhados pelo mundo e mostra sua importncia para o uso sustentvel do geoturismo. Como se pode observar a partir das definies, o geoturismo uma atividade baseada na geodiversidade, podendo despertar no pblico um fascnio pelo que genuno. A histria do Planeta Terra, sem dvida, possui esta qualidade. O Brasil, por sua diversidade, possui inmeras feies geolgicas e distintas que podem ser utilizadas com fins tursticos e conservacionistas (Nascimento et al 2005; 2006). Porm, at o momento, nenhuma ao do Poder Pblico (seja qual for a esfera nacional, estadual e/ou municipal) ainda permitiu uma melhor caracterizao acer ca do Geoturismo no Pas. Aes isoladas, principalmente de pesquisadores de universidades (UFRN e PUC Minas, por exemplo), vm promovendo as primeiras discusses acerca do tema aqui no Brasil. No ecoturismo, por exemplo, utiliza se a paisagem apenas como mera contemplao. A inteno de utilizar a paisagem (e seu relevo) como atrao geoturstica vem da necessidade de cobrir uma lacuna do ponto de vista da informao. A idia permitir que o turista no s contemple essas paisagens, mas entenda um pouco a respeito dos processos geolgicos responsveis pela sua formao, o que levaria a uma maior valorizao do cenrio. O Turismo de Aventura Inicialmente entendido como uma atividade associada ao ecoturismo, o segmento do turismo de aventura, atualmente, po ssui caractersticas e consistncia mercadolgicas prprias e, conseqentemente, seu crescimento vem adquirindo um novo enfoque de ofertas e possibilidades. A definio de turismo de aventura inicialmente aceita e utilizada no Brasil foi produto da Oficina para a Elaborao do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentvel do Turismo de Aventura, realizada em Caet MG, no ms de abril 2001, pela ento, EMBRATUR. O turismo de aventura : Segmento de mercado turstico que promove a prtica de atividades de a ventura e esporte recreacional, em ambientes naturais e espaos urbanos ao ar livre, que envolvam riscos controlados exigindo o uso de tcnicas e equipamentos especficos, adoo de procedimentos para garantir a segurana pessoal e de terceiros e o respeit o ao patrimnio ambiental e scio cultural Atualmente, a definio adotada pelo Ministrio do Turismo que: Turismo de aventura compreende os movimentos tursticos decorrentes da prtica de atividades de aventura de carter recreativo e no competitivo ( Ministrio do Turismo, 2006). Este conceito fundamenta se em aspectos que se referem atividade turstica e ao territrio em relao motivao do turista, pressupondo o respeito nas relaes institucionais, de mercado, entre os participantes e com o amb iente. Entendem se como atividades de turismo de aventura aquelas oferecidas comercialmente, usualmente adaptadas das atividades esportivas de aventura, que tenham ao mesmo tempo o carter recreativo e envolvam riscos avaliados, controlados e assumidos. importante ressaltar que as atividades de turismo de aventura podem ser conduzidas em ambientes naturais, rurais ou urbanos. De forma abrangente, o turismo de aventura no Brasil evoluiu pelo mesmo caminho do turismo de natureza, conseqncia de uma consci ncia crescente sobre os conceitos e prticas do desenvolvimento sustentvel, a qual foi fortemente estimulada pela realizao da Rio 92. A dcada de 1990 foi de grandes mudanas; o ecoturismo passou a constituir um segmento do turismo com organizaes prp rias. E dentro do ecoturismo, o turismo de aventura foi se diferenciando, adquirindo caractersticas prprias e tornando se inclusive objeto de eventos de referncia como a Adventure Sports Fair (www.adventuresportsfair.com.br), em So Paulo.

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 85 O turismo de aventura no Brasil realizado em diversos destinos tursticos, sendo, muitas vezes, um dos fatores de induo do desenvolvimento de destinos importantes como o caso de Bonito (MS), Brotas (SP), entre muitos outros. A atividade caracterizada por: Estar na maioria das vezes associada ao turismo de natureza, praticada em ambientes naturais preservados (unidades de conservao e seu entorno) ou relativamente bem preservados, forte interseo com o ecoturismo, sendo muitas vezes confundido como tal; diversid ade de modalidades oferecidas e praticadas; como atividade econmica, possui forte participao de empresas de pequeno e mdio porte; e envolvimento de empresrios que optam pelo empreendimento como estilo de vida e no pela gesto do negcio. importante ressaltar que o desenvolvimento do turismo de aventura no Brasil relativamente recente. As primeiras iniciativas de atividades comerciais datam do incio da dcada de 1990 e a primeira abordagem do poder pblico para o tema foi realizada nas oficinas de planejamento da Embratur, que duraram de abril de 2001 at abril de 2003. S em julho de 2003, as empresas deram o primeiro passo para a organizao de entidade ou grupo de referncia para o segmento, constituindo o Grupo de Empresrios de Turismo de Aven tura. A expanso mercadolgica foi espontnea e abrangente; hoje o turismo de aventura est amplamente disseminado no Brasil e uma grande variedade de empresas e prestadores de servio se estabeleceram em todo o territrio nacional. A diversidade de prti cas de aventura que materializam este segmento varia sob diferentes aspectos, em funo dos territrios em que so operadas, dos equipamentos, habilidades e tcnicas exigidas em relao aos riscos que podem envolver e da contnua inovao tecnolgica. A se guir, h uma lista (no completa) com as mais conhecidas prticas do mercado do turismo de aventura. Ela est agrupada em terra, gua e ar, com base em normas reconhecidas internacionalmente. a) Terra Arvorismo = locomoo por percurso em altura instalada em rvores e outras estruturas construdas; Atividades ciclisticas = percurso em vias convencionais e no convencionais em bicicletas, tambm denominadas de cicloturismo; Atividades em cavernas = observao e apreciao de ambientes subterrneos, tambm c onhecidas como caving e espeleoturismo; Atividades eqestres = percursos em vias convencionais e no convencionais em montaria, tambm tratadas de turismo eqestre; Atividades fora de estrada = percursos em vias convencionais e no convencionais, com trech os de difcil acesso, em veculos apropriados. Tambm denominadas de Turismo Fora de Estrada ou off road ; Bungue jump = salto com o uso de corda elstica; Cachoeirismo = descida em quedas dÂ’gua utilizando tcnicas verticais, seguindo ou no o curso da gu a; Canionismo = descida em cursos dÂ’gua transpondo obstculos aquticos ou verticais com a utlizao de tcnicas verticais. O curso dÂ’gua pode ser intermitente; Caminhadas = percursos a p em itinerrio pr definido; Curta durao = caminhada de um dia. Tambm conhecida por hiking ; Longa durao = caminhada de mais de um dia. Tambm conhecida por trekking ; Escalada = ascenso de montanhas, paredes artificiais, blocos rochosos utilizando tcnicas verticais; Montanhismo = caminhada, escalada ou ambos, prati cada em ambiente de montanha; Rapel = tcnica vertical de descida em corda. Por extenso, nomeiam se, tambm, as atividades de descida que utilizam essa tcnica; e Tirolesa = deslizamento entre dois pontos afastados horizontalmente em desnvel, ligados por cabo ou corda. b) gua Bia cross = descida em corredeiras utilizando bias inflveis. Tambm conhecida como acqua ride ; Canoagem = percurso aquavirio utilizando canoas, caiaques, ducks e remos;

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 86 Mergulho = imerso profunda ou superficial em ambientes su bmersos, praticado com ou sem o uso de equipamento especial; e Rafting = descida em corredeiras utilizando botes inflveis. c) Ar Asa delta = vo com aeroflio impulsionado pelo vento; Balonismo = vo com balo de ar quente e tcnicas de dirigibilidade; P arapente = vo de longa distncia com o uso de aeroflio (semelhante a um pra quedas) impulsionado pelo vento e aberto durante todo o percurso, a partir de determinado desnvel; Pra quedismo = salto em queda livre com o uso de pra quedas aberto para ate rrisagem, normalmente a partir de um avio; e Ultraleve = vo em aeronave motorizada de estrutura simples e leve. No momento, esto em discusso as normas para a prtica do turismo de aventura. O Projeto de Normalizao e Certificao visa identificar os aspectos crticos da operao responsvel e segura desse segmento e subsidiar o desenvolvimento de um sistema de normas para as diversas atividades. Iniciado em dezembro de 2003, o Projeto uma iniciativa do Ministrio do Turismo, que tem como entidade ex ecutora o Instituto de Hospitalidade (IH). Ao todo sero desenvolvidas 19 normas, que abordaro assuntos como as competncias mnimas para condutores das diversas atividades de turismo de aventura, as especificaes dos produtos utilizados nessas atividade s, a gesto da segurana e as informaes mnimas que o cliente deve receber antes de iniciar a prtica de uma atividade de turismo de aventura. Todo o processo de desenvolvimento das normas participativo, buscando envolver todos os interessados nas disc usses. Depois de publicadas pela Associao Brasileira de Normas Tcnicas (ABNT), as normas brasileiras para o turismo de aventura passaro a ser utilizadas pelo Ministrio do Turismo como instrumento de definio de polticas pblicas, incluindo a regula mentao de atividades do setor. Elas tambm serviro de referncia para a certificao de pessoas e organizaes. Os Atrativos Naturais de Portalegre A seguir sero relacionados os atrativos naturais (aqueles que proporcionam um contato direto com a natu reza) encontrados em Portalegre. Ao final de cada descrio ser comentado sua relao com os diferentes segmentos do turismo de natureza aqui abordados – ecoturismo, geoturismo e turismo de aventura. A Cachoeira do Pinga: Distando 2,5 km do centro da cida de, descendo a Serra rumo a Viosa, ao lado direito da estrada encontra se um dos atrativos naturais mais conhecidos do Municpio de Portalegre, a Cachoeira do Pinga (Figura 3). Chegando ao local observa se uma placa que indica a trilha que conduz cachoe ira, onde foram construdas pontes de madeira para facilitar o acesso. Encontram se tambm lixeiras e placas informativas a respeito da preservao ambiental do local. O percurso orientado pelos crregos de gua e pela mata nativa. A Cachoeira tem cerca de 30 metros de altura por onde desce a gua pura e cristalina. Figura 3 – Viso panormica da Cachoeira do Pinga. Foto: Fernanda Cauper A fauna e a flora nativa, caracterstica do Brejo de Altitude ou Floresta Serrana (proveniente da Mata Atlntica), com biodiversidade diferenciada da vegetao semi rida que a cerca, oferecem atrativos para o ecoturismo, enquanto que as rochas

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 87 (granitos) e a geomorfologia da rea permitem a prtica do geoturismo. O turismo de aventura pode ser praticado atravs do ra pel, da escalada e do cachoeirismo, no entanto, pertinente alertar o perigo ali existente para a prtica desse segmento do turismo, em virtude da insegurana encontrada, j que ela frgil e composta por rochas soltas. Vale salientar que a nascente da gua que forma a Cachoeira do Pinga encontra se em outro atrativo, conhecido como Fonte da Bica (VIANA, 2006). A Secretaria municipal de Turismo e Meio Ambiente a responsvel pela manuteno da trilha em questo, onde a cada quinzena, funcionrios respons veis percorrem o caminho e verificam os possveis problemas. A Cachoeira do Sobrado : Distante cerca de 4 km do centro da cidade, na direo sul, prximo localidade de Sobrado e aps longa caminhada por entre rochas, riachos e mata virgem, chega se a Cac hoeira do Sobrado, de onde pode se ver as demais serras da regio e a Serra do Martins ao fundo (VIANA, 2006). Semelhante a Cachoeira do Pinga, o ecoturismo contemplado atravs da descoberta de uma fauna e flora mpar, apenas reconhecida na Floresta Serr ana (ou Brejo de Altitude). As rochas associada ao relevo que permitem a formao da Cachoeira possibilita a prtica do geoturismo. O turismo de aventura outra atividade que pode ser praticada desde que bem planejada e com equipamentos seguros e pessoal devidamente capacitados (VIANA, 2006). A Fonte da Bica: A Fonte da Bica dista 400m do centro da cidade (Figura 4) e est inserida com o Terminal Turstico da Bica. composta por vrias nascentes de gua pura e cristalina que brotam naturalmente do solo, referencial para nativos e visitantes (Figura 5). Ainda encontra se no local vegetao nativa – o quase extinto, Brejo de Altitude. No local possvel praticar o ecoturismo atravs dos atrativos biticos. A biodiversidade da rea marcada por fauna e fl ora do Brejo de Altitude. A flora bem identificada pelas inmeras rvores e outros tipos de plantas. Interessante que muitas delas so identificadas por meio de pequenas placas contendo o nome popular da espcie em portugus e ingls. As principais rv ores encontradas so: Timbaubeira, Ingazeira, Cajazeira, Eucalipto, Maria Preta, Jatobazeira e Espinheiro. A Bica, ao longo dos anos, passou por diversas transformaes estruturais e paisagsticas. Atualmente, em virtude do processo turstico do Municpio, ela conta com infra estrutura turstica munida de estacionamento, restaurante e banho de bica. Alm disso, a preocupao com a conservao do local evidenciada atravs das placas encontradas no local. Excelente iniciativa da Prefeitura, em especial da S ecretaria de Turismo e Meio Ambiente. Figura 4 – Entrada principal do Terminal Turstico da Bica. Foto: Juan Aldatz. Figura 5 – Fonte de gua encontrada no terminal turstico. Foto: Marcos Nascimento. Alm do ecoturismo, a rea contempla atrativos h istricos e culturais. Segundo uma lenda da cidade, este local foi palco de acontecimento que desencadeou a tradio lendria da ndia Luza Cantofa e sua neta Jandy. A lenda conta que Cantofa foi assassinada no momento em que rezava o Ofcio de Nossa Senh ora, tendo Jandy presenciado a tudo e conseguido escapar ilesa, mas no sendo mais encontrada. Em funo disso contam que o local mal assombrado. noite e pela madrugada, ouve se um som semelhante voz de quem canta ou chora. Dizem os nativos, ser a vo z de Cantofa e o choro de Jandy. A Fonte do Brejo : Bem prximo ao centro da cidade, na direo leste, tem se a Fonte do Brejo, representando, junto com a Fonte da Bica, os

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 88 primeiros marcos delimitadores das terras de Portalegre. A beleza do lugar formada pelo riacho que corre tranqilo por entre as rochas e que em conjunto com a vegetao do local permite perfeitamente a prtica do geoturismo e ecoturismo, respectivamente. Seguindo o curso do riacho observa se uma extraordinria viso panormica do serto potiguar que se estende por toda a encosta da serra. Infelizmente, a falta de sensibilizao ambiental permitiu que o local ao longo dos anos fosse descaracterizado. Foi feita uma pequena barragem no local, onde a comunidade pega gua para consumo. O Laje do Ponta da Serra : Localizado no Stio Belo Monte, a norte de Portalegre, cerca de 6 km do centro da cidade, encontra se a Ponta da Serra. Representa um enorme lajedo situado literalmente na ponta da serra e, devido ao relevo irregular formado por depress es na superfcie, a gua se acumula na poca de chuva formando piscinas naturais, que atraem nativos e visitantes a agradveis banhos bem como deslumbram a plancie sertaneja e um belssimo pr do sol. O local tambm ideal para a prtica do camping A prt ica do geoturismo se faz importante nesse atrativo. Aqui possvel reconhecer rochas formadas por granitos, semelhantes as que ocorrem na Cachoeira do Pinga, porm diferente das que so encontradas na regio das Torres (outro atrativo a ser apresentado ma is adiante). A eroso diferenciada nesses granitos adicionados a fraturas (quebramento das rochas) permite a formao das depresses que so utilizadas como “piscinas naturais”, em poca de chuva. Dos antigos moradores ainda restam as runas de uma casa e um engenho de farinha de mandioca. A Ponta da Serra: Localizado a norte de Bom Sucesso, a cerca de 5 km do centro da cidade, encontra se outro atrativo com a denominao de Ponta da Serra. No local existem rochas granticas que servem como ponto para conte mplao da paisagem, formado por serras (Martins e Patu) e pela depresso sertaneja (serto), alm das cidades na base da Serra de Portalegre, como Riacho da Cruz, Viosa, Apodi e Taboleiro Grande. Apesar de no ser um atrativo efetivamente trabalhado, p ossvel praticar os segmentos relacionados ao turismo de natureza. As Torres : Este atrativo natural est situado a 3 km, a leste, a partir do centro da cidade de Portalegre. Na verdade, as Torres so formaes rochosas que atravs da eroso diferenciada em rochas sedimentares (arenitos) ocorrido ao longo do tempo geolgico permitiu chegar configurao atual (Figura 6). Essas rochas sedimentares so mais susceptveis eroso (desgaste das rochas atravs da ao do vento e das guas) do que as outras rocha s que ocorrem na regio (no caso, os granitos que so rochas magmticas). A feio geomorfolgica to peculiar que lembra realmente verdadeiras torres de castelos medievais, da sua denominao. O acesso feito atravs de uma trilha de 3 km, a partir do centro da cidade, e dura aproximadamente 40 minutos de caminhada, passando por uma casa de farinha, onde se pode ver todo o processo de fabricao de tal iguaria. As Torres encantam pelo tamanho e pelas crateras e fendas formadas nas rochas. Elas esto situadas a cerca de 645 metros de altitude e de l se tem uma vista panormica do serto potiguar e das demais serras vizinhas (Figura 7). Figura 6 – Viso parcial de uma das torres encontrada no local. Foto: Marcos Nascimento. Figura 7 – Viso geral da cidade de Viosa (ao fundo), observada de cima das Torres. Foto: Marcos Nascimento No local possvel praticar o ecoturismo, principalmente ao longo da trilha que d acesso s Torres. Ao longo do caminho a flora exuberante contendo inmeras flores de diferentes cores. J o geoturismo se destaca, principalmente devido aos

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 89 aspectos geomorfolgicos (que do origem ao cenrio principal – as Torres) e presena de rochas diferentes daquelas que ocorrem na Cachoeira do Pinga e na Ponta da Serra. Ao cont rrio do que muitos pensam, o local no propcio para a prtica do turismo de aventura. A rea no est propensa prtica do rapel, nem a escalada, em virtude da sua fragilidade. No percurso realizado ao longo da trilha existem algumas pequenas placas q ue mostram a preocupao com a conservao do local (e com a sensibilizao ambiental) e permitem a orientao rumo s Torres, bem como ao Stio Arqueolgico do Letreiro. O caminho at este ltimo atrativo permite a prtica do ecoturismo e do geoturismo. O Stio Arqueolgico Pedra do Letreiro : Apesar desse Stio fazer parte dos atrativos histrico culturais, optou se por inclu lo nos atrativos naturais, pois no mesmo permite a prtica do ecoturismo e principalmente do geoturismo. O acesso ao Stio Arqueol gico Pedra do Letreiro se d atravs da mesma trilha que leva s Torres. Porm, prximo a chegada das Torres h um desvio que leva ao Stio Arqueolgico. Esse local foi descoberto por pesquisadores do Ncleo de Arqueologia da Universidade Estadual do Rio G rande do Norte, no entanto nativos j tinham conhecimento acerca do local. O local est situado a cerca de 643 metros de altitude, na beira de um precipcio, o qual proporciona uma viso panormica do serto e das demais serras da regio. Para se chegar a o local onde ocorrem essas gravuras necessrio entrar numa pequena gruta originada pela queda da rocha, cuja entrada tem cerca de 60 centmetros de altura por 2 metros de largura. No Stio Arqueolgico so encontradas gravuras rupestres em baixo relevo ( Figuras 8 e 9). Essas gravuras, provavelmente esto relacionadas com as gravuras da Tradio Itaquatiaras, por ser essa tradio a nica que se apresenta sob a forma de gravuras. As demais tradies de registros rupestres (Nordeste e Agreste) so encontrad as como pinturas nas rochas. Os registros rupestres so fortes indcios da presena humana no Rio Grande do Norte pr histrico. As gravuras da Tradio Itaquatiaras, segundo Martin (1997), aparecem em blocos ou rochas. Nelas so comuns grafismos puros e s inais tridgitos, crculos, linhas e quadrados, semelhante queles encontrados no Stio Arqueolgico Pedra do Letreiro. Essa tradio a que mais tem prestado interpretaes fantsticas e fantasiosas (Martin, 1997). Um dos exemplos clssicos dessas gravur as a Pedra do Ing, na Paraba. Figuras 8 e 9 – Exemplos das gravuras rupestres encontradas no Stio Arqueolgico Pedra do Letreiro. Foto: Marcos Nascimento. A prtica do ecoturismo neste local pode ser dada observando a fauna e a flora existente a o longo da trilha. Porm o geoturismo o principal segmento do turismo de natureza a ser praticado no local. O atrativo est associado geologia e geomorfologia da regio, denotado pelas rochas onde se encontram as gravuras e a bela paisagem encontrada no local, definida por serras de topo irregular (formada por rochas magmticas e metamrficas) e de topo plano (formada pelas rochas sedimentares) (Figura 10). O Stio Arqueolgico Furna do Pelado: Da mesma forma que o Stio anterior, este aqui tambm se enquadra na proposta de associao com o turismo de natureza. O mesmo tambm foi descoberto pelo Ncleo de Estudos Arqueolgicos da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Nele so encontradas gravuras rupestres semelhantes quelas citadas no Stio A rqueolgico Pedra do Letreiro. Encontra se situado beira de um precipcio, a uma altitude mais elevada que a do Stio anterior, a cerca de 679 metros em relao ao nvel do mar, proporcionando uma viso panormica do serto e demais serras ao fundo. O ac esso feito por trilhas e est situado no

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 90 Stio Serrinha, a uma distncia de 13 km do centro da cidade, na direo oeste, sentido oposto ao Stio descrito anteriormente. A trilha para se chegar a esse stio permite a prtica do ecoturismo, enquanto que o geoturismo est diretamente relacionado ao meio fsico encontrado, evidenciado, principalmente, pelas rochas sedimentares (arenitos) l expostas. A Trilha Portalegre Martins Portalegre : Essa trilha corresponde ao antigo caminho realizado pelos agentes dos Correios. O acesso no muito fcil por se tratar de uma trilha quase inexplorada. O percurso de 12 km, a partir do centro da cidade, rumo a leste, pode ser feito a p ou a cavalo, e marcado por descidas e subidas ngremes. A paisagem encontrada nessa t rilha encanta e compensa qualquer esforo, contemplando se ao longo do trajeto o Morro dos Urubus e o divisor natural da Serra de Portalegre e de Martins – o Riacho da Forquilha; e nas proximidades deste riacho, tem se como parada obrigatria, uma fazendo praticamente abandonada, mas que suas rvores frutferas convidam a saborear seus frutos, observando as runas de uma de suas poucas casas e um estbulo, herana dos antigos moradores (VIANA, 2006). Ao longo da caminhada o ecoturismo pode ser praticado atr avs da observao da variao existente entre a flora do Brejo de Altitude e a da Caatinga. Observar pssaros tambm pode ser uma atividade muito interessante no percurso da trilha. Reconhecer os diferentes tipos de rochas, bem como a variao do relevo, saindo de uma regio de alta topografia, passando por um baixo topogrfico (onde corre o Riacho da Forquilha) e retornando a um outro alto topogrfico possibilita deslumbrar cenrios belssimos para a prtica do geoturismo. A caminhada em si j considera da uma prtica do turismo de aventura, que neste caso est relacionada a de curta durao, por no ser superior a um dia. A atividade eqestre tambm pode ser realizada, sendo mais uma atrativo do turismo de aventura. A Trilha do Varelo : Esta trilha encont ra se prxima ao Stio Pga a cerca de 6 km do centro da cidade, no sentido oeste. O local ideal para momentos de paz e harmonia com a natureza. Por entre enormes rochas, corre gua, proveniente de riachos e aude circunvizinhos, onde a vegetao surge p or entre fendas abertas nas rochas. Associar o ecoturismo ao geoturismo permitir nessa trilha conhecer mais sobre a fauna e flora tpica do local, alm de descobrir porque as rochas servem de conduto/passagem para os riachos. A caminhada por si s permit e a prtica do turismo de aventura. O Talhado : este atrativo localiza se no Stio Bom Jardim, a 7 km do centro da cidade, na direo oeste. Este local um dos mais recomendados prtica do turismo de aventura, uma vez que l possvel desenvolver trilha s marcantes e a prtica do rapel. Nos perodos chuvosos, melhor perodo para visitar o local, h corredeiras, onde se formam pequenas e grandes quedas de gua. Novamente pertinente fazer ressalvas quanto ao rapel, j que para a prtica de tal atividade s o necessrias s presenas de profissionais capacitados e equipamentos de segurana, e o Municpio no dispe de tais elementos no momento. Recentemente, a Prefeitura de Portalegre abriu uma trilha que pode ser feita sem ir pelo crrego, local onde as roc has com gua escorregam como sabo. Com a nova trilha, a distncia a p ao Talhado deve ficar em torno de 15 minutos. Figura 10 – Viso panormica observada a partir do Stio Arqueolgico Pedra do Letreiro em direo a Serra de Martins. A variao da geomorfologia (relevo) dada pela presena de rochas sedimentares (em topo plano – no centro da foto) e as metamrficas (em topo irregular – a esquerda da foto). Na poro de nvel topogrfico mais baixo encontra se o Riacho da Forquilha. Foto: Marcos Nas cimento. Riacho da Forquilha

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 91 A Cova da ndia : Este atrativo encontra se prximo Fonte da Bica, a cerca de 1 km do centro da cidade, podendo tambm pode ser visto do Mirante da Boa Vista. O acesso feito por uma trilha que termina prximo ao p da serra que se destaca na p aisagem por no apresentar vegetao no seu entorno. Apesar de no estar diretamente relacionada prtica de nenhum segmento do turismo de natureza, importante citar esse atrativo, pois o mesmo tem uma relao com atrativos ligados ao ecoturismo (flora da serra) e geoturismo (geomorfologia). Alm disso, parte de uma lenda local, onde relatado que durante os conflitos entre portugueses e os silvcolas (os habitantes originais), pela ocupao do Municpio. A ndia Cantofa teria sido assassinada na fre nte de sua neta Jandy enquanto rezava o ofcio de Nossa Senhora. Tendo sido ela, a ndia Cantofa, enterrada no local denominado “Cova da ndia” e, por isso, l no nasce vegetao. A localidade oferece uma bela viso da serra e do serto logo abaixo. O Mir ante da Boa Vista : Apesar de ser considerado um equipamento turstico (Figura 11 e 12), o local situado a cerca de 1 km do centro, no sentido noroeste, permite a contemplao de uma paisagem belssima, onde possvel verificar a mudana da topogrfica sai ndo de uma serra com topo plano (planalto) at chegar regio de cota topogrfica baixa, chamada de depresso sertaneja. O relevo associado vegetao adensada possibilita contemplar numa nica viso atrativos do geoturismo e do ecoturismo. Figura 11 – Aspecto geral do Restaurante no Mirante da Boa Vista. Foto: Marcos Nascimento. Figura 12 – Viso panormica observada a partir do Mirante da Boa Vista. Notar nas laterais a Serra de Portalegre com topo plano e ao fundo a depresso sertaneja, regio da caatinga, com fauna e flora diferente da encontrada no alto da serra. Foto: Marcos Nascimento. Avaliao dos Atrativos Naturais como Potencial Turstico Diante do exposto, observa se que entre os diferentes atrativos encontrados em Portalegre, aqueles r elacionados com a natureza so os mais importantes e passveis de transformao em produto turstico. Eles podem ser bem exemplificados atravs do Mapa Turstico para os atrativos do Turismo de Natureza, proposto neste trabalho (Figura 13). A Secretaria M unicipal de Turismo e Meio Ambiente de Portalegre j sabe do potencial turstico que o municpio tem com relao natureza. As belezas naturais so as principais atraes encontradas, por exemplo, no folder promocional de turismo da Prefeitura. Porm no adianta somente saber que existem tais belezas. importante tambm compreender como elas podem se tornar produto turstico na concepo do turismo sustentvel, permitindo assim que esses potenciais atendam as necessidades da

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 92 gerao atual sem comprometer os recursos naturais para a satisfao das geraes futuras. Seguindo exemplos de sucesso importante os gestores pblicos do municpio adotar e seguir o lema inicial para a prtica do turismo de natureza em Bonito (MS) “manter hoje para ter sempre”. As sim se resume o respeito de Bonito aos princpios da sustentabilidade para garantir atrativos e conquistas singulares, sendo hoje considerado pela sexta vez o melhor destino para se praticar o ecoturismo no Brasil. Figura 13 – Proposta de Mapa Tur stico para os atrativos do Turismo de Natureza encontrados em Portalegre (VIANA, 2006).

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 93 A individualizao do turismo de natureza em diferentes segmentos permite trabalhar melhor, e de forma sustentvel, a natureza e compreender os diferentes processos q ue do origem a tais segmentos. A Tabela 2 mostra os atrativos naturais e sua relao com os diferentes segmentos associados ao turismo de natureza, em Portalegre. Tabela 2 – Relao entre os segmentos do turismo de natureza com os atrativos naturais en contrados no Municpio de Portalegre. Atrativo Natural Ecoturismo Geoturismo Turismo de Aventura Cachoeira do Pinga Cachoeira do Sobrado Fonte da Bica Fonte do Brejo Lajedo Ponta da Serra Ponta da Serra – Bom Sucesso Torres St io Arqueolgico Pedra do Letreiro Stio Arqueolgico Furna do Pelado Trilha Portalegre Martins Portalegre Trilha do Varelo Talhado Cova da ndia Mirante Boa Vista Recentemente, Aldatz (2005) estudando as potencialidades do Mun icpio de Portalegre sugeriu inmeros atrativos para a prtica do ecoturismo. Contudo, o mesmo abordou apenas a biodiversidade da regio. O presente artigo vem, portanto, complementar os estudos realizado por Aldatz (2005), permitindo assim uma compreenso maior acerca do patrimnio natural do Municpio de Portalegre. Consideraes Finais Diante do que foi exposto ao longo deste artigo percebe se que Portalegre um municpio rico em natural, apresentando recursos potencias que podem ser viabilizados econo micamente pelo turismo. No municpio o turismo ainda uma atividade nova, tendo o incio de sua prtica h apenas alguns poucos anos. Todavia, os atores do processo – populao, iniciativa, pblica e privada – tm interesse em desenvolver a atividade tur stica. A populao portalegrense deseja a insero de novas atividades econmicas em sua regio; realmente conhecem a atividade turstica e sabem do potencial de seu municpio para tal atividade, no entanto no se sentem motivados a participar do processo, no acreditam que o turismo possa se desenvolver em sua plenitude no Municpio. No por motivos pessoais ou por falta de incentivo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo, mas por um conjunto de fatores, entre os quais se destacam: questes pol ticas e financeiras, falta de capacitao da mo de obra, ausncia de um calendrio fixo de eventos e a m divulgao do Municpio dentro do Estado. O Governo Municipal desenvolve o Turismo de acordo com os subsdios que dispe, mas falta apoio e incenti vo no mbito Estadual e Federal, que finda gerando problemas no decorrer do processo. Apesar da atividade no ser amplamente desenvolvida, a estrutura bsica de equipamentos tursticos existentes no Municpio composta por elementos expressivos, como hot el de mdio porte, pousadas, restaurantes, lanchonetes, clubes, reas de lazer, entre outros. Como o Municpio j dispem de um acervo bsico de infra estrutura turstica, como tambm possui uma grande diversidade de atrativos naturais, proporcionando o de senvolvimento dos segmentos tursticos, tais como: o Ecoturismo, que incentivado dentro de suas possibilidades, com aes que do condies ao manuseio desses cenrios, como a manuteno das trilhas, infra estrutura bsica lixeiras, pontes de acesso ao s locais mais difceis, placas informativas (ainda que primrias, necessitando de melhorias), entre outros; o Geoturismo, que ainda um termo desconhecido pela populao e colaboradores do setor, no entanto, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turis mo

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Viana & Nascimento O turismo de natureza como atrativo turstico do municpio ... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 1 ), 200 9 94 detm conhecimento acerca do tema e sabe do potencial que o Municpio possui; no Turismo de aventura, o Municpio possui potencial para a prtica de alguns esportes – atividades ciclsticas, eqestres, fora de estrada, caminhadas, montanhismos, tirolesa balonismo, parapente, entre outros – no entanto, a secretria de turismo, a Senhorita Maria Aucely da Costa fez algumas ressalvas sobre a prtica do Rapel e Escalada. Ela relatou casos de turistas e autctones que sofreram acidentes por no possuir o con hecimento e experincias necessrias para a execuo de tais esportes. Outra considerao a ser feita sobre este assunto a fragilidade dos recursos naturais l existentes, que torna ainda mais inadequada a prticas desses esportes. Para que o Turismo de Natureza seja praticado de forma sustentvel indispensvel a educao ambiental. Para tanto o Municpio desenvolve projetos nas escolas, onde os alunos so estimulados e esclarecidos acerca de aes que promovam a conservao do meio ambiente, tais como coleta seletiva de lixo, reciclagem, limpeza urbana, entre outros. Alem desta ao promovida nas escolas, h a expanso desta conscientizao ambiental para a comunidade como um todo, com aes de contato individual com cada cidado. Observou se que ainda falta e indispensvel trabalhos/aes que tambm permitam o conhecimento sobre os diferentes cenrios naturais encontrados no municpio, compreendendo melhor o que biodiversidade, geodiversidade entre outros temas importantes. A partir deste conjunto d e aes possvel implantar a referida estratgia de marketing citada ao longo desse trabalho, e em destaque no captulo VI a I SAvEP – Semana de Aventura e Ecoturismo de Portalegre/RN onde possvel aproveitar de forma sustentvel a garantir os benef cios advindos com o turismo para todos os atores envolvidos. Fortificando a identidade cultural e ambiental, para que a auto estima da populao seja restabelecida, uma vez que este um dos principais motivos que levam a comunidade a se sentir excluda d o cenrio turstico estadual. necessrio que as autoridades competentes, bem como os investidores do setor promovam uma estruturao turstica mais elaborada e profunda, que atinja nveis sociais mais elevados, para que dessa forma o processo turstico f lua at atingir as metas ambientais, sociais e econmicas desejadas. Sugestes Para que o Turismo de Natureza seja implantado de forma sustentvel no Municpio de Portalegre/RN so necessrias algumas alteraes em sua estrutura fsica e organizacional vi gente. Seguem algumas sugestes: Sinalizar com placas todos os atrativos tursticos e/ou melhorar aqueles que j se encontram sinalizados; Equipar de forma planejada os atrativos tursticos, levando em considerao a amenizao do impacto ambiental; Desenv olver um programa de educao ambiental a nvel municipal (e quem sabe, estadual), comeando com as escolas at atingir a sociedade local como um todo; Inserir programas de capacitao para os colaboradores do processo, atravs de parcerias da iniciativa p blica e privada; Promover palestras e oficinas para a populao, com temas variados – ambientais, sociais, administrativos, entre outros; Incentivar a abertura de novos empreendimentos no Municpio, desde que estejam firmados com base no desenvolvimento s ustentvel; Incentivar parcerias com a iniciativa privada e pblica municipal e estadual; Promover um roteiro turstico permanente, ajustvel de acordo com a poca do ano; e Desenvolver uma campanha de marketing mais elaborada, que atinja todo o Estado e i ncentive a prtica do Turismo de Natureza Referncias ALDATZ, J.P. 2005. Avaliao da potencialidade do municpio de Portalegre/RN para a prtica de ecoturismo Natal, UFRN, 2005. Trabalho de concluso de curso, Departamento de Botnica, Ecologia e Zool ogia, Curso de Cincias Biolgicas, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 43p. ANSARAH, M.G.R. 1999. Turismo: segmentao de mercado So Paulo: Futura. BRANDON K. 1996. Ecotourism and Conservation: A Review of Key Issues. Artigo do Environment Dep artment No. 23, Washington, DC: Banco Mundial.

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