Citation
SBE Turismo e Paisagens Cársticas

Material Information

Title:
SBE Turismo e Paisagens Cársticas
Series Title:
Tourism and Karst Areas
Alternate Title:
Revista Científica da Seção de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publisher:
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Genre:
serial ( sobekcm )

Notes

General Note:
Capa, Expediente, Sumário e Editorial ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLESmpactos socioculturais e econômicos do turismo no bairro da Serra, Iporanga-SP, destino espeleoturístico de São Paulo Socio-cultural and economic impacts of tourism on Serra district, Iporanga-SP, a speleo tourist destination of São Paulo Mário Donizeti Domingos, Maria do Carmo Calijuri, Simone Benassi Giordana Doria Registros de Peter W. Lund sobre a região do carste de Lagoa Santa, Minas Gerais: possibilidades para o turismo pedagógico e científico Records of Peter W. Lund about the Lagoa Santa karst region, Minas Gerais: possibilities for pedagogical and scientific tourism Isabela Braichi Pôssas, Luiz Eduardo Panisset Travassos Bruno Durão Rodrigues RESENHA / REVIEWMOREIRA, Jasmine Cardozo. Geoturismo e interpretação ambiental. Ponta Grossa: Editora da UEPG, 2011 Lilian Carla Moreira Bento DADOS DO VOLUME 5 / DATA VOLUME 5Sumário de títulos; Índice de autores; Quadro de avaliadores; Gestão editorial
Restriction:
Open Access - Permission by Publisher
Original Version:
Vol. 5, no. 1 (2012)
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Source Institution:
University of South Florida Library
Holding Location:
University of South Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
K26-03704 ( USFLDC DOI )
k26.3704 ( USFLDC Handle )
12640 ( karstportal - original NodeID )
1983-473X ( ISSN )

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Capa, Expediente,
Sumrio e Editorial
ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLESmpactos
socioculturais e econmicos do turismo no bairro da Serra,
Iporanga-SP, destino espeleoturstico de So Paulo
Socio-cultural and economic impacts of tourism on Serra
district, Iporanga-SP, a speleo tourist destination of So
Paulo Mrio Donizeti Domingos, Maria do Carmo Calijuri, Simone
Benassi & Giordana Doria Registros de Peter W. Lund sobre a
regio do carste de Lagoa Santa, Minas Gerais: possibilidades
para o turismo pedaggico e cientfico Records of Peter W. Lund
about the Lagoa Santa karst region, Minas Gerais: possibilities
for pedagogical and scientific tourism Isabela Braichi Pssas,
Luiz Eduardo Panisset Travassos & Bruno Duro Rodrigues
RESENHA / REVIEWMOREIRA, Jasmine Cardozo. Geoturismo e
interpretao ambiental. Ponta Grossa: Editora da UEPG, 2011
Lilian Carla Moreira Bento
DADOS DO VOLUME 5 / DATA VOLUME 5Sumrio de ttulos;
ndice de autores; Quadro de avaliadores; Gesto
editorial



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Campinas, SeTur /SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 1 EXPEDIENTE Sociedade Brasileira de Espeleologia ( Brazilian Speleological Society ) Endereo ( Address ) Caixa Postal 7031 Parque Taquaral CEP: 13076 970 Campinas SP Brasil Contatos ( Contacts ) +55 ( 19) 3296 5421 turismo@cavernas.org.br Gesto 20 11 201 3 ( Management Board 20 11 201 3 ) Diretoria ( D irection ) Presidente: Marcelo Augusto Rasteiro Vice presidente: Ronaldo Lucrcio Sarmento Tesoureir o : Pa vel Carrijo Rodrigues 1 Secretrio: Ro berto Rodrigues 2 Secretrio: Henrique Simo Pontes Conselho Fiscal ( Supervisory B oard ) Linda Gentry El Da sh Jefferson Esteves Xavier Luciano Emerich Faria

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Campinas, SeTur /SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 2 TOURISM AND KARST AREAS ( Formalmente/ F ormally : Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas ) Editor Chefe ( Editor in Chief ) Dr Heros Augusto Santos Lobo Sociedade Brasileira de Espeleologia Brasil Editor Associado ( Associated Editor ) Dr. C esar Ulisses Vieira Verssimo Universidade Federal do Cear UFC, Brasil Editor Executivo ( Executive Editor ) Esp. Marcelo Augusto Rasteiro Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil Conselho Editorial ( Editorial Board ) Dr. Andrej Aleksej Kra njc Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Angel Fernndes Corts Universidad de Alicante, UA, Espanha Dr. Arrigo A. Cigna Interntional Union of Speleology / Interntional Show Caves Association, Itlia Dr. Edvaldo Cesar Moretti Universidade Federal da Grande Dourados UFGD, Brasil Dr. Jos Alexandre de Jesus Perinotto IGCE/UNESP, Brasil MSc. Jos Antonio Basso Scaleante Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil MSc. Jos Ayrton Labe galini Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil Dra. Linda Gentry El Dash Universidade Estadual de Campinas UNICAMP, Brasil MSc Lvia Medeiros Cordeiro Borghezan Universidade de So Paulo USP Brasil Dr Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Cent ro Universitrio Fundao Santo Andr FSA, Brasil Dr Luiz Eduardo Panisset Travassos Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais PUC/MG, Brasil Dr. Marconi Souza Silva Faculdade Presbiteriana Gammon Fagammon/Centro Universitrio de Lavras U NILAVRAS, Brasil Dr. Marcos Antonio Leite do Nascimento Universidade Federal do Rio Grande do Norte DG/UFRN, Brasil Dra. Natasa Ravbar Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Paolo Forti Universit di Bologna, Itlia Dr. Paulo Cesar Boggiani Universi dade de So Paulo IGc/USP, Brasil Dr. Paulo dos Santos Pires Universidade Vale do Itaja UNIVALI, Brasil Dr Ricardo Jos Calembo Marra Centro Nacional de Estudo, Proteo e Manejo de Cavernas I CMBio/CECAV Brasil Dr. Ricardo Ricci Uvinha Universi dade de So Paulo EACH/USP, Brasil Dr. Srgio Domingos de Oliveira UNESP/Rosana, Brasil Dr. Tadej Slabe Karst Research Institute, Eslovnia Dra. rsula Ruchkys de Azevedo CREA MG, Brasil Dr. William Sallun Filho Instituto Geolgico do Estado de So Paulo IG, Brasil Dr. Zysman Neiman Universidade Federal de So Carlos UFSCAR, Brasil Comisso de T raduo ( Translation Committee ) Dra. Linda Gentry El Dash Ingls

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Campinas, SeTur /SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 3 SUMRIO (CONTENTS) Edito rial 04 ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES I mpactos socioculturais e econ micos do turismo no bairro da Serra, Iporanga SP destino espeleoturstico de So P aulo S ocio cultural and economic impacts of tourism on Serra district, I poranga SP a speleo t ourist destination of So Paulo Mrio Donizeti Domingos, Maria do Carmo Calijuri, Simone Benassi & Giordana Doria 07 R egistros de Peter W Lund sobre a regio do carste de Lagoa Santa, Minas Gerais: possibilidades para o turismo pedaggico e cientfico Re cords of Peter W. Lund about the Lagoa Santa karst region, Minas Gerais: possibilities for pedagogical and scientific tourism Isabela Braichi Pssas, Luiz Eduardo Panisset Travassos & Bruno Duro Rodrigues 25 RESENHA / REVIEW MOREIRA, Jasmine Cardozo. Ge oturismo e interpretao ambiental Ponta Gros sa: Editora da UEPG, 2011 Lilian Carla Moreira Bento 35 DADOS DO VOLUME 5 / DATA VOLUME 5 Sumrio de ttulos / Summary of titles 39 ndice de a ssuntos / Index of subjects 40 ndice de autores / Index of au thors 41 Quadro de avaliadores / Board of review 42 Gesto editorial / Editorial m anagement 43

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Campinas, SeTur /SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 4 EDITORIAL A revista Tourism and Karst Areas encerra com esta edio o seu 5 ano de atividades, um marco fundamental para a literatura na rea de manejo, conservao e turismo, em reas crsticas e cavernas, no Brasil e, cada vez mais, no mundo. Nesse perodo (incluindo a presente edio), foram publicados 42 artigos originais, 7 resumos de teses e dissertaes, 1 relato de experincias e 1 resenha, abordando diversas reas do conhecimento com interface nos temas em que aborda, em com abrangncia espacial no limitada ao Brasil. Tambm foram publicadas 3 edies temticas, tratando de reas crsticas consagradas no Brasil ou mesmo temas emergentes para as reas de enfoque do peridico. Dos trabalhos publicados, 5 so contribuies estrangeiras, o q ue relevante, considerando que a divulgao do peridico fora do Brasil ainda limitada. Os desafios so muitos, e continuaremos a enfrent los, na tentativa de manter sua periodicidade e qualidade. Na presente edio, dois artigos e uma resenha brindam o leitor com um contedo amplo e elucidativo. A edio aberta com o artigo de Mrio Donizeti Domingos, Maria do Carmo Calijuri, Simone Benassi e Giordana Doria. Que enfoca os impactos culturais e socioeconmicos no bairro da Serra, ora caracterizado com o lugar fundamental no receptivo turstico associado ao Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira (PETAR SP). O artigo de Isabela Braichi Pssas, Luiz Eduardo Panisset Travassos e Bruno Duro Rodrigues apresenta uma proposta de explorao de novos enfoques tursticos para o carste de Lagoa Santa, MG, sob o enfoque pedaggico e cientfico, a partir do vasto material registrado sobre o trabalho do paleontlogo Peter W. Lund. Finalizando, Lilian Carla Moreira Bento apresenta uma resenha sobre o livro Geoturism o e Interpretao Ambiental de autoria de Jasmine Cardozo Moreira, publicado em 2012 pela Editora da UEPG. Desejamos uma excelente leitura, e aproveitamos o ensejo para, mais uma vez, agradecer aos leitores, autores, revisores e conselheiros que fazem da Tourism and Karst Areas um legtimo canal de divulgao da produo tcnico cientfica da rea. Heros A. S. Lobo E ditor Chefe

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Campinas, SeTur /SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 5 EDITORIAL Tourism and Karst Areas finishes its 5th year of activities with the present edition. It is a fundamental mark about the literature of management and tourism in karst areas, both in Brazil and around the world. In this period (including this edition), 42 articles, 7 abstracts of thesis, 1 report and 1 book review were published, focusing a broad range of knowledge areas and not limited to the Brazilian territory. Three thematic editions were also published, addressing specific Brazilian karst areas and current issues in the themes of the journal. From the total of papers, 5 are from foreign authors: a relevant result, considering the lack of wide divulgation of th e journal in a worldwide basis until the present. We still have a lot of challenges, and we will keep facing them to maintain the periodicity and quality of the journal. In this issue, two articles as also one book review brings to the readers one high qua lity content. The first article, of Mrio Donizeti Domingos, Maria do Carmo Calijuri, Simone Benassi and Giordana Doria focus in the cultural and socioeconomic impacts of the tourism in the bairro da Serra, in the surrounding area of the Parque Estadual Tu rstico do Alto Ribeira (PETAR), So Paulo state a highlighted Brazilian karst area. The article of Isabela Braichi Pssas, Luiz Eduardo Panisset Travassos and Bruno Duro Rodrigues presents a proposal of new focus to the tourism in the Lagoa Santa karst reas, (Minas Gerais state), under the context of scientific and pedagogic based on the rich literature about the paleontologist Peter W. Lund. Finishing this edition, Lilian Carla Moreira Bento presents a review of the book Geoturismo e Interpretao Amb iental (available just in Portuguese), with the authorship of Jasmine Cardozo Moreira, published in 2012 by the UEPG publishing house. We wish to all an excellent reading, and we enjoyed the opportunity to thank all the readers, authors, reviewers and advi sors which make the Tourism and Karst Areas a legitimate channel for dissemination of the technical scientific production about manage ment and tourism in karst areas Heros A. S. Lobo Editor in Chief TOURISM AND KARST AREAS ( formally / formalmente: Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas) Brazilian Speleological Society / Sociedade Brasileira de Espeleologia ( SBE) www.cavernas.org.br/turismo.asp

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 7 IMPACTOS SOCIOCULTURAIS E ECONMICOS DO TURISMO NO BAIRRO DA SERRA, IPORANGA SP, DESTINO ESPELEOTURSTICO DE SO PAULO SOCIO CULTURAL AND ECONOMIC IMPACTS OF TOURISM ON SERRA DISTRICT, IPORANGA SP, A SPELEO TOURIST DESTINATION OF SO PAULO Mrio Donizeti Domingos (1) Maria do Carmo Calijuri (2) Simone Benassi (3) & Giordana Doria (4 ) ( 1) Universidade de Santo Amaro (Unisa) Programa de Ps Graduao em Ecologia (2) Universidade de So Paulo ( USP ) Departamento de Hidrulica e Saneamento da Escola de E ngenharia de So Carlos (3) Itaipu Binacional ( 4) Universidade de Santo Amaro (Unisa) Aluna do Curso de Cincias Biolgicas So Paulo SP mdd@osite.com.br Resumo A bacia do rio Betari est localizada em uma das poucas reas ainda preservadas do Estado de So Paulo e apresenta caractersticas particulares quanto a sua geologia e geomorfologia (carste) e a Mata Atlntica Tambm importante o fluxo de turistas que aumentou at o final da dcada de 90, provocan do a ocupao sem planejamento. Parte da bacia ocupada pelo Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira PETAR. Foram feitas entrevistas com questes abertas em 82 residncias e nos meios de hospedagem existentes no Bairro da Serra no ano 2000, o principa l agrupamento humano na bacia, para determinao dos impactos econmicos e socioculturais. Os resultados mostram esses impactos, positivos e negativos provocados pelo turismo sobre a populao residente. A comunidade Serrana apresentou desenvolvimento soci oeconmico, graas ao turismo, gerao de emprego e renda, uso da infra estrutura, fixao dos jovens na rea rural e gerao de empregos para mulheres. Por outro lado a especulao imobiliria e novos hbitos de consumo ocorreram. Porm a falta de planeja mento pode comprometer a atividade e os ecossistemas regionais, criando uma barreira sustentabilidade regional Palavras Chave: Bairro da Serra; rio Betari; impactos do turismo; PETAR Abstract The Betari River basin is located in one of the few areas s till preserved in the State of So Paulo and presents specific characteristics regarding geology and geomorphology (karst) and the Atlantic Rain Forest occu pation without planning. Part of the basin is occupied by the Tourist State Park of Alto Ribeira PETAR. A study of the economic and socio cultural impacts was conducted in the year 2000 over the Serra district, the main group of people in the basin. The results show that the economic and socio cultural impacts related to tourism were detected, both positive and negative onto the resident population. The Serrana community presented socio economic development through tourism by generating employment and in come, making usage of the infrastructure, retaining the youth in rural areas and generating jobs to the women. On the other hand, speculation and new consumption habits have occurred. However, the lack of planning can compromise the activity and regional e cosystems, creating a barrier to regional sustainability K ey Words: Serra district, Betari River, tourism impacts; PETAR 1. INTRODUO A deteriorao da qualidade de vida nos grandes centros tem levado a populao a buscar, cada vez mais, o contato com a natureza nos momentos de lazer. Isso tem contribudo para o contnuo aumento da atividade turstica. Como comentam Lindberg e Hawkins (1995), na atividade turstica existe um custo socioambiental inserido: os impactos, principalmente devido ao rpido cre scimento sem planejamento e administrao inadequada dos locais visitados, preferencialmente em reas ecolgicas e culturalmente frgeis. Porm, dentre as atividades humanas, o turismo pode ser considerado a que propicia maiores possibilidades de sustent abilidade, por ser uma atividade que

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 8 oferece servios, e no bens. A prpria continuidade do servio oferecido depende da manuteno de um ambiente socioeconmico, cultural e natural sadios. Segundo Schlter (1999), os impactos do turismo ocorrem devido s caractersticas das atividades desenvolvidas, implantao e manuteno de infraestrutura bsica, para prestao de servios e prtica de atividades e devido ao desenvolvimento local induzido. A bacia hidrogrfica do rio Betari o principal destino no est ado de So Paulo para o espeleoturismo e pode trazer riscos para a bacia e a populao residente. O desmatamento que ocorre (apesar das leis ambientais de proteo), o risco de instalao de mineradoras (atualmente existem algumas desativadas, mas com res duos de lavra expostos s intempries) e os projetos hidroeltricos, esses fatores somados aos efeitos diretos e indiretos causados pelo turismo podem comprometer uma rea extremamente rica em informaes ainda desconhecidas e verdadeiras relquias cientf icas e culturais. O crescimento da atividade turstica na bacia sem planejamento levou construo de pousadas sem estrutura de saneamento bsico, e frequente o despejo de resduos lquidos a cu aberto ou diretamente nos crregos e rios como observou G iatti (2004). Esse efeito contraditrio, pois o turismo, ao que tudo indica, a forma mais adequada de desenvolvimento econmico regional de maneira sustentvel. A anlise dos impactos socioculturais e econmicos do turismo um instrumento importante p ara subsidiar o planejamento dessa atividade, as polticas de desenvolvimento, a urbanizao da regio e para policiar essa importante rea natural. Este trabalho teve por objetivo determinar impactos socioculturais e econmicos, potenciais e reais, do esp eleoturismo na populao do bairro da Serra e sugerir aes para a sustentabilidade da regio. 1.1 rea de estudo A regio do Alto Vale do Ribeira uma das ltimas reas ainda no atingidas pela explorao econmica desenfreada que ocorreu no estado de So Paulo, mantendo muitas de suas caractersticas originais. Nessa regio, encontram se a maior concentrao de cavernas conhecidas no Brasil, muitas de grandes dimenses e formaes nicas. A regio apresenta, ainda, stios arqueolgicos e paleontolgico s e formaes geolgicas, crsticas, de grande interesse cientfico e cnico (GT PETAR/CENIN, 1980; Sanchez, 1984). Parte significativa da vegetao Atlntica remanescente do estado de So Paulo encontra se nessa rea, abrigando espcies em risco de exti no. Deve se destacar a fauna caverncola, muito frgil e especializada, que pode desaparecer com mudanas no meio epgeo. A fauna subterrnea especialmente sensvel a alteraes nos fatores abiticos do meio, como temperatura e umidade. Alteraes na d inmica trfica desses sistemas podem pr em risco esses organismos. A distribuio restrita das populaes troglbias, suas pequenas densidades e baixa capacidade de reposio, tornam nas muito vulnerveis a alteraes ambientais (Trajano, 1986). O bairro da Serra o maior aglomerado humano na bacia hidrogrfica do rio Betari, um afluente do rio Ribeira de Iguape (Figura 1) e onde a maioria dos turistas que visitam as cavernas se hospeda. Segundo Rossi (1996), 35,33% dos turistas que visitaram o Ncleo Santana do Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira PETAR em 1996, hospedou se no bairro da Serra, e outros 30,43% acamparam no prprio ncleo. Nesse bairro, 29,23% se hospedaram em casas particulares, 30,76% em uma das trs pousadas de pessoas do prpr io bairro e 35,39% em outras duas pousadas, cujos proprietrios no so pessoas residentes no bairro. Em 1998, 24.100 turistas visitaram o Ncleo Santana (Secretaria do Meio Ambiente do Estado de So Paulo, 1999) e em 2006, 27.443 turistas (So Paulo, 2010 ) o que permite inferir o volume de pessoas que se hospedaram no bairro da Serra. Segundo De Blasis (1996), essa rea apresentava originalmente um padro de ocupao disperso, com pouca visibilidade entre as casas, separadas por roas, pomares e capoeiras altas. Esse padro de assentamento era devido ao estilo de vida tradicional dos moradores da regio. Os ncleos familiares apresentavam controle sobre as parcelas em que baseavam sua subsistncia. Atualmente, o padro de ocupao j apresenta caracterstic as de ncleos urbanos, com maior adensamento de construes. O aumento demogrfico e de rea construda deve se ao crescimento vegetativo, ao retorno de parentes que tentaram oportunidades em centros maiores, migrao de pessoas das redondezas e as casas d e turistas, que permanecem por grande parte do ano desocupadas (De Blasis, op. cit .). Esse crescimento gerou um ncleo de urbanizao com praa, iluminao, posto de sade, escola, ponto de nibus e onde se concentram 53% das casas do Bairro da Serra. Outr o foco de adensamento ocorre um quilmetro acima deste ncleo, com 25% das casas na margem direita do rio Betari, e um terceiro

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 9 foco na outra margem, com 9% das casas. Cabe ressaltar que De Blasis obteve esses dados em 1994 e hoje a situao outra, com e sses adensamentos mais populosos e maior rea construda. Fogaa (2008), em estudo que analisa as transformaes fsicas ocorridas no bairro da Serra devido atividade turstica, constatou a existncia de aproximadamente 200 casas no bairro, construdas n os mesmos espaos que as casas existentes no final dos anos 90 ocupavam, provocando adensamento e a verticalizao. Em 1998, a situao se modificou ainda mais, devido a problemas com rea de demarcao do PETAR, que faz limite com o bairro da Serra e ocup a parte da bacia hidrogrfica. Muitas reas embargadas voltara m a ser construdas, numa tentativa de oportunismo por parte de algumas pessoas. Grande parte desses problemas foi resolvido em um processo iniciado em 1998 e concludo em 2005, quando houve o d esafetao da rea do PETAR que se sobrepunha ao bairro da Serra e a anexao de outra rea na poro oeste do Parque (So Paulo, 2010). Como em outros destinos, o turismo tem gerado impactos positivos e negativos. O impacto econmico positivo que parte da populao do bairro obtm ou complementa a renda familiar graas atividade turstica. Isso levou alguns moradores a vislumbrarem uma fonte de renda a mais ou serem donos de seu prprio negcio, construindo quartos (pousadas), alugando quintais para c ampistas ou quartos para hspedes. Por outro lado, do ponto de vista sociocultural e ambiental, os impactos podem ser negativos, pois esse crescimento econmico est ocorrendo sem planejamento e tem como consequncias a descaracterizao cultural, desmatam Giatti (2004), Giatti e Rocha (2001) e Giatti et al (2004) verificaram a contaminao por esgotos domsticos e elevados ndices de coliformes fecais no rio Betari e apontam a falta de saneamento bsico com risco para ambiente, populao local e visitantes. Domingos (2002), alm da presena de coliformes fecais no mesmo rio, verificou aumento da quantidade de slidos em suspenso a jusante do bairro da Serra e associou com exposio do solo devido a ocupao da r ea. 2. MATERIAL E MTODOS A determinao da percepo popular e dos impactos do turismo no ano 2000 foi feita atravs de entrevista estruturada, com questes abertas e fechadas, na qual um entrevistador fazia perguntas pr determinadas aos moradores do ba irro. Segundo Mattar (1996), os questionrios estruturados tm por objetivo que os entrevistados respondam sempre a mesma pergunta, j que se uma pergunta for formulada de forma diferente, poder gerar uma resposta diferente. F igura 1 Localizao do bairro da Serra na bacia hidrogrfica do rio Betari com os limites do PETAR no estado de So Paulo. Adaptado de Domingos (2002). Bairro da Serra

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 10 Inicialmente foi realizada uma entrevista preliminar avaliativa (piloto), a partir da qual foi elaborada a definitiva, com 40 questes abertas. Um entrevistador batia porta das residncias e entrevistava um morador. Foram aplicados 82 questionrios, um em cada uma das residncias ocupadas por moradores fixos do bairro da Serra e em todos os meios de hospedagem (pousadas e campi ngs). Somente em uma residncia com moradores fixos no foi realizado a entrevista. Isso permitiu verificar as caractersticas demogrficas da populao. Quanto a percepo pessoal, as 82 entrevistas correspondeu a 20,3% da populao residente em 2000. As questes objetivaram analisar: a estrutura etria e o local de origem de cada famlia ou grupo de moradores; a escolaridade e a atividade que exerciam; a frequncia de trabalho dos monitores; a expectativa criada por esta atividade; se o turismo j foi fon te de renda e no mais para algum morador; o impacto econmico positivo da hospedagem de turistas, o nmero de leitos, a demanda e alguns servios oferecidos; expectativa de renda gerada pela hospedagem; os efeitos da especulao imobiliria; as questes sanitrias; a percepo dos moradores frente atividade turstica e aos turistas; os benefcios que o turismo trazia aos moradores e a existncia de integrao destes com os turistas; a viso dos moradores em relao ao PETAR; as atividades de lazer dos moradores; a satisfao dos moradores com a situao e se tinham outras expectativas; o engajamento dos moradores em alguma associao ou organizao no governamental e indicativos do nvel socioeconmico (Mattar, 1996). Nas pousadas e campings foram anal isadas demanda real, taxa de ocupao, destinos do lixo e efluentes lquidos. 3. RESULTADOS Atravs das entrevistas realizadas em 2000 foi possvel evidenciar diversos aspectos sobre a demografia, o saneamento, o comportamento e a percepo sobre o turism o pelos residentes no bairro da Serra 3.1 Populao do bairro da Serra No ano 2000, constatou se que existiam 130 casas no bairro da Serra, sendo que destas, 83 eram ocupadas por moradores residentes. Das restantes, 38 pertenciam a turistas, ocupadas es poradicamente ou, a pessoas que j residiram no Bairro e se mudaram, mantendo a posse das casas. Nove proprietrios tinham duas casas no bairro. Foram realizadas entrevistas em 98,8% das casas de moradores residentes (82 casas), sendo que somente em uma da s 83 residncias ocupadas do bairro o morador no foi encontrado e no foi feita a entrevista. A maioria das entrevistas foi realizada em residncias cujo proprietrio era morador. Somente 4 residncias no pertenciam aos entrevistados. Tambm no foi con statada a venda de imveis por nenhum dos entrevistados do bairro. A populao fixa estimada para o ano 2000 foi de 404 pessoas, e nas entrevistas foram obtidas informaes referentes a 401 moradores. A populao feminina observada foi de 139 pessoas e a masculina, de 262 pessoas. Destes, 78,6% nasceram no bairro da Serra, 10% nasceram em Iporanga, 8,4% em cidades vizinhas. A maior parte dos moradores ou nasceu no bairro, ou mora va l h mais de 20 anos (86%) e somente 4% resid ia a menos de 05 anos. O bai rro da Serra apresentou uma populao jovem. A faixa etria entre 0 e 12 anos a que apresentou maior nmero de pessoas, 29% da populao, seguido de 13 a 21 anos com 25%, 22 a 40 anos com 24%, 41 a 65 anos com 18%, e acima de 66 anos com 4%. Da populao amostrada, 29,5% no apresentaram nenhum grau de escolaridade, e a se incluem aqueles que no estudaram (17,7% da populao) e as crianas em idade pr escolar (11,8% da populao). Uma parcela de 5,1% da populao havia concludo o nvel fundamental 7, 1% o ensino mdio e 1% nvel superior ou ps graduao. 47% estavam cursando ou no concluram o nvel fundamental e 10,2% estavam cursando ou no concluram o nvel mdio. 3.2. Moradia e saneamento bsico O estudo evidenciou que o abastecimento de gua d a maioria das casas (80,5%) era feito pela SABESP, porm 11% das casas utilizavam gua captada de cavernas (1 residncia da caverna Alambari e 8 residncias da caverna Ouro Grosso) e 8,5% das residncias utilizavam nascentes para abastecimento de gua. J em relao ao esgoto, 79,3% das casas possuam fossas negras, 9,8% fossas spticas, 9,8% lanavam diretamente em rios e 1,2% na prpria rua. Quanto ao destino dos resduos slidos, a maioria das casas utilizava de coleta pblica para descarte (79,2%), 6,1% reciclavam parte do lixo, mas algumas residncias

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 11 queimavam seu lixo. Somente em uma residncia o lixo era disposto em qualquer local. 3.3. Empregos A anlise da ocupao da populao mostrou que 50,6% da populao residente entrevistada trabalhava. O c ultivo de roas ainda era uma atividade bastante praticada, e tambm se pde observar que 46,3% da populao economicamente ativa trabalhava diretamente com atividades tursticas (monitor, pousadas, camping ) ou em empregos gerados indiretamente pelo turism o (pedreiros e comrcio) como pode ser observado na Tabela 1. Tabela 1 Ocupao principal dos moradores no bairro da Serra em 2000 Ocupao Nmero % Roa 31 15,3 Monitor 25 12,4 Funcionrio de cousada 19 9,5 Funcionrio da prefeitura 12 5,9 Diaris ta em domiclios 11 5,5 Diarista de pousada 8 3,9 Dono de pousada 8 3,9 Comrcio 7 3,5 Pedreiro 6 3 Funcionrio de camping 3 1,5 Funcionrio do PETAR 3 1,5 Dono de camping 1 0,5 Outros servios 69 34 Total 203 100 A parcela da populao que no trabalhava, 49,4% era constituda, em sua grande maioria, por jovens com menos de 18 anos. O trabalho em meios de hospedagem correspondia uma parte significativa dos empregos (18,9%), sendo que destes postos de trabalho, 23 eram ocupados por mulheres e 18 por homens. J o trabalho de monitor era prioritariamente masculino, com somente 3 postos ocupados por mulheres e outros 22 por homens. A atividade de monitor ambiental contribua com 12,4% da ocupao principal dos trabalhadores, sendo que 1,8% dos trabal hadores tinham a atividade de monitor como ocupao secundria. Esse tipo de trabalho se concentrava nos fins de semana, j que somente 10% dos monitores trabalham diariamente na atividade, e outros 42% trabalham apenas nos fins de semana. Havia ainda mais 7%, que trabalhavam esporadicamente como monitores. A expectativa em exercer a atividade era grande, uma vez que 17,1% dos entrevistados, que no eram monitores, gostariam de exercer essa atividade, porm isso pode no exprimir os desejos da populao com o um todo, somente dos residentes entrevistados (82 moradores). A hospedagem de turistas era uma expectativa de 50% dos entrevistados (41 residncias). Alguns gostariam de hospedar em casa, outros em camping e um estava construindo uma pousada. 3.4. Popul ao residente e turismo N o Quadro 1 so apresentados os modos de a populao residente no bairro da Serra ver o turismo. A maioria dos residentes entrevistados considerou o turismo positivo e acreditou que ele traz benefcios. Em relao ao Parque Estadua l Turstico do Alto Ribeira, a maioria tambm considerou positiva a sua existncia, porm com pequena rejeio, j que 5% dos entrevistados no gostavam, e outros 5% eram indiferentes existncia do PETAR. curioso o fato de 4% dos entrevistados no conh ecerem o parque. Quadro 1 Modos de ver o turismo pelos 82 residentes entrevistados do bairro da Serra Moradores que gostavam do turismo 96% Moradores que disseram que tanto faz 4% Moradores que acreditavam que o turismo traz benefcios 98% Moradores que disseram que no traz benefcio 1% Moradores que disseram que no muda em nada 1% Acreditavam que o turismo no mudou o meio ambiente 58% Acreditavam que o turismo mudou o meio ambiente para pior 20% Acreditavam que o turismo mudou o meio ambiente para melhor 12% Acreditavam que o turismo mudou, mas no sabiam explicar porque 10% Disseram que o turismo no mudou seu modo de vida 56% Disseram que mudou para melhor 32% Disseram que mudou para pior 7% Disseram que mudou um pouco, mas no to signi ficativamente 5% Disseram que o turismo no mudou o modo de vida das pessoas 37% Disseram que o turismo mudou a vida das pessoas para melhor 31% Disseram que o turismo mudou a vida das pessoas para pior 12% No souberam responder 21% Gostavam do PETAR 86% No conheciam o PETAR 4% No gostavam do PETAR 5% Gostavam mais ou menos 5%

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 12 3.5. Necessidades da populao residente As necessidades para melhoria das condies de vida dos moradores, de acordo com a viso deles, mostrou que emprego, saneamento b sico e sade foram os fatores mais importantes citados: 22%, 19% e 13%, respectivamente. Deve se ressaltar que 3% dos moradores consideraram que as condies de vida eram boas e 12% no souberam identificar uma necessidade para melhorar a condio de vida no bairro. O contato da populao residente com o turista se dava de vrias formas, no somente nas relaes de trabalho, mas nos seus momentos de lazer, como mostrado na Tabela 2. Aparentemente no existe segregao clara entre populao local e turis ta. Muitos dos encontros ocorriam nos locais destinados diverso e lazer da comunidade do bairro. Tabela 2 Locais frequentados pela populao residente e pelos turistas. Frequncia de respostas % Telefone pblico 50 33 Mercearia 23 15,7 Bar JJ 23 15,7 PETAR 19 12,5 Pastelaria 12 7,9 Bar do Saturnino 8 5,3 Pousadas 7 4,6 Beira do rio 2 1,3 Ruas 2 1,3 Cavernas 2 0,7 Bar do Pedrinho 2 0,7 Barraca de sorvete 1 0,7 Loja 1 0,7 Total 152 100 Na Tabela 3 so mostradas as formas de lazer e dive rso da populao do bairro da Serra. O PETAR, cavernas e o rio, eram locais de lazer da populao residente, onde o encontro com turistas era quase certo. A igreja parece ter um papel importante na vida social da comunidade. Alguns se deslocavam para outr as cidades, como Apia ou Iporanga e at mesmo para So Paulo, em busca de divertimento. A Associao Serrana Ambientalista (ASA), organizao no governamental local com finalidade conservacionista, contava com a participao de moradores de 53,7% das res idncias. Alguns moradores no tinham interesse em participar e somente um respondeu que no havia sido convidado a participar. Esse veio de So Paulo e montou uma pousada no bairro. Em relao ao nvel socioeconmico da populao, alguns indicativos foram coletados. Existiam 16 residncias com automveis (1 para cada 25 moradores). Geladeira, banheiro e TV no estavam presentes em 7, 6 e 21 residncias, respectivamente. Existiam 7 residncias com aparelho de vdeo cassete e 17 com mquinas de lavar roupas Tabela 3 Como se divertiam os moradores do bairro da Serra. Frequncia de respostas % PETAR 18 12,4 Outras cidades 16 11 Iporanga 15 10,3 Igreja 14 10 No sai 13 9 Rio Betari 10 6,9 Escola 8 5,5 Jogando bola 8 5,5 Cavernas 6 4,1 Passeios na mata 5 3,4 Comrcio 4 2,8 TV 3 2,1 Forr 3 2,1 Cachoeira 3 2,1 Quermesse 3 2,1 Festas 3 2,1 Casa dos parentes 3 2,1 So Paulo 2 1,4 Andando pelo Bairro da Serra 2 1,4 Praia 2 1,4 Com crianas 1 0,7 Com turistas 1 0,7 Leva gado para passear 1 0,7 Total 145 100 Em 2000 existiam no bairro 10 pousadas e 5 campings sendo que desses ltimos, somente dois funcionavam quando os demais meios de hospedagem estavam cheios, e no apresentavam nenhuma infraestrutura para acampamento, somente a rea par a armao das barracas, e duas residncias que alugam quartos. Estavam disponibilizados 496 leitos no bairro, excluindo a possibilidade de acampamento. O tempo de permanncia nos meios de hospedagem era, na maioria das vezes, de 2 a 3 dias, predominantemen te, nos fins de semana e feriados. No Quadro 2 so apresentados os dados referentes aos meios de hospedagem. Pode se observar que no existia um controle do nmero de hspedes e que alguns meios de hospedagem eram ocupados somente nos feriados, quando a d emanda era muito grande. A maioria recebia grupos de excurses de estudantes. Alm dos donos que tambm trabalhavam, as pousadas empregavam 25 pessoas (6,2% da populao). Os resduos slidos eram retirados pela coleta pblica, mas o esgoto era descartado em fossas negras (4

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 13 pousadas, 2 campings e nas casas que alugavam quartos), fossas spticas (4 pousadas) e no rio (2 pousadas). Quadro 2 Caracterizao dos meios de hospedagem no bairro da Serra (dados coletados em outubro de 2000) Meios de Hospedagem Frequncia de ocupao N Leitos Demanda mensal Tamanho do Grupo Tempo de permanncia Oferece refeies N Funcionrios Destino do Lixo Destino do Esgoto Pousa da Fifi F 24 ? GP 3 dias sim N CP R Pousada do Saturnino E 38 6 GP/C 3 dias sim N CP R Pousad a do Quiririm F 39 15 GP 2 a 4 dias sim 7 a 9 D CP/CS FSp Pousada do Ablio FS 38 ? GP/C 2 a 4 dias sim N CP/CS FN Pousada da Idati FS 30 ? GP/Ex 2 a 5 dias sim 1 D CP/CS FN Pousada do Cido S 23 50 GP/Ex 3 dias sim 1 D CP/CS FSp Pousada das Cavernas S 80 200 Ex 3 a 4 dias sim 3 D e 3 M CP/CS FSp Pousada Rancho da Serra F 38 40 GP 4 dias sim 2 D e 2 M CP FN Pousada do Didi S 36 ? GP 3 dias sim N CP FN Pousada da Diva FS 130 200 GP/Ex 3 dias sim 4 D CP FSp Camping do Joo F ? ? C/Ex 3 dias sim N CP F N Camping do Dema F ? ? GP/C 3 dias no N CP FN Legenda: E Eventualmente ; F Feriados ; FS Fins de semana ; C Casais ; ? No sabiam responder ; GP Grupos pequenos de at 15 pessoas ; C Casais ; R Rio ; FSp Fossa sptica ; FN Fossa negra ; CP Coleta pblica ; CS Coleta seletiva ; S Sempre ; N Nenhum ; D Diaristas ; M Mensalista 4. D ISCUSSO 4.1. Impactos econmicos do turismo no bairro da Serra O municpio de Iporanga est localizado na regio mais carente do Estado de So Paulo. Segu ndo Veiga e Romo (1998), no Vale do Ribeira, a renda per capita menor que a do Nordeste. Com uma rea de 1160,21 Km 2 Iporanga tem 6% do seu territrio utilizado para agricultura e outra parte significativa compreende unidades de conservao, o que limi ta o seu uso e justifica a baixa densidade populacional de 3,93 hab/m 2 Apesar disso, 54,5% da populao (2488 pessoas), segundo censo de 2000, residiam em rea rural, em condies muitas vezes bastante precrias (IBGE, 2001). Em 2000, residiam no bairro da Serra 16,2% da populao rural do municpio, com uma qualidade de vida um pouco melhor que o restante da populao rural. Isto proporcionado pelo turismo uma vez que a maioria dos visitantes do PETAR se hospeda no bairro trazendo benefcios econmicos (Rossi, 1996). De acordo com So Paulo (2010) residem hoje no local 151 famlias, com 556 pessoas aproximadamente, sendo 270 homens e 286 mulheres; 25% esto entre 0 e 14 anos; 15% entre 15 e 19 anos; 42% entre 20 e 49 anos e 18% da populao tem acima de 50 anos, com crescente queda na taxa de natalidade. Segundo Bonduki (1997), existiam no bairro da Serra 10 meios de hospedagem, 5 bares, 4 quituteiras, uma loja de equipamentos para prtica de espeleologia e uma barraca de caldo de cana. Em 2000, como ess e estudo evidenciou, os nmeros mudaram. Alm dos 5 bares que se mantiveram, surgiu uma pastelaria, uma barraca de sorvetes, uma loja e mais 5 meios de hospedagem, totalizando 15, o que demonstra um pico de crescimento em um intervalo de poucos anos e que no parou. Hoje so 20 meios de hospedagem, 15 pousadas e 5 campings, num total de 735 leitos e 308 locais para instalao de barracas (So Paulo, 2010). A gerao de empregos diretos e indiretos um dos principais impactos econmicos do turismo. Como es se estudo evidenciou, o turismo gerou e mantinha a maior parte dos empregos no bairro e ainda existia a expectativa de gerar mais empregos e

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 14 renda, como as entrevistas indicaram. Os moradores demonstraram grande aceitao pela atividade turstica, demonstr aram expectativa de aumento de renda hospedando turistas, ou ainda pela gerao de mais empregos. Essa viso positiva, de certa forma mascarava a identificao de problemas por parte da populao, como a degradao ambiental. Isso tambm indica que os ser vios oferecidos tendiam a aumentar, j que novos pontos de comrcio e prestao de servios poderiam ser abertos. Estudos posteriores comprovaram essa hiptese. Segundo Castro e Espinha (2008) em 1991, 9,3% da populao local era formalmente empregada em atividades tursticas. J em 2003 esta porcentagem aumentou para 51,62%, e, em 2006, passou a 85,13%. Esse crescimento de oferta ocorre sem uma avaliao de demanda real, que poder levar ao fechamento de vrios empreendimentos no futuro. Silveira (2008) aponta que o bairro da Serra tem sua capacidade de recepo esgotada e no ser capaz de oferecer empregos suficientes, frustrando expectativas, gerando descontentamento e acentuando a estratificao social. Cabe ressaltar que a atividade econmica turismo no foi uma opo da populao, mas sim uma imposio, frente a legislao ambiental que restringe o uso das reas ocupadas pela Mata Atlntica e a criao da unidade de conservao voltada para turismo. Como observa Silveira (2008) isso provocou interru po de formas costumeiras de sociabilidade e produo, como a agricultura e de outras atividades agroextrativistas. Por outro lado uma nova atividade se desenvolveu, a de monitor ambiental. Como o presente estudo evidenciou essa atividade importante em termos de gerao de renda para parte da populao do bairro da Serra. Bonduki (1997) observou que a demanda de monitores no Bairro da Serra era pouco regular e no regulamentada, o que criava incertezas. Castro e Espinha ( op cit .) comentam que houve um d emanda por parte dos prprios moradores para formao de monitores na dcada de 90 e apontam a mudana no sistema produtivo local, da produo em pequenas roas para a prestao de servios, a mediao entre visitante e meio natural. Como apontado pelos autores, isso contribuiu para sensao de pertencimento ao lugar por parte da comunidade, sendo inclusive incorporado ao seu universo simblico. No presente trabalho, foi observado que a maior demanda por monitores ocorria nos fins de semana e que existia uma competio com monitores de Apia e Iporanga, que tambm tentam se organizar. Hoje a AMOIR Associao dos monitores de Iporanga e Regio tenta organizar os monitores que atuam nas cavernas e em outros atrativos da regio (So Paulo, 2010). O turismo tem sido responsabilizado pela fixao do homem no campo. Segundo Zimmermann (2000), uma das funes do turismo rural e, tambm do ecoturismo, a manuteno de atividades agrcolas tradicionais e, consequentemente, a manuteno da famlia rural no campo. Segundo Campos (1990), no incio dos anos 90, era grande o xodo dos jovens do bairro da Serra para outras regies em busca de empregos e melhores condies de vida, comportamento que poderia ser alterado com o aumento da oferta de trabalho proporcionado p elo crescimento turstico. Dez anos depois, as previses parecem ter se concretizado. grande a populao de jovens no bairro e pode se verificar que existe expectativa de trabalho para eles, favorecendo a fixao no local. Um aspecto importante que deve ser frisado a gerao de empregos para mulheres, principalmente nas pousadas, permitindo uma maior participao feminina na populao economicamente ativa. Por outro lado, essa atividade modifica um padro familiar patriarcal. Campos (1990) citou que as mulheres trabalhavam em casa e na roa, sem fim de semana; umas poucas comeam a trabalhar fora, em funo do turismo. Em So Carlos de Bariloche, Argentina, o aumento de empregos para mulheres foi considerado um fator importante no desenvolvimento local ( Schlter, 1999), permitindo equilbrio numrico entre sexos, uma vez que o nmero de homens era superior ao de mulheres, e muitas delas imigraram para trabalhar em hotis. Deve se observar que a maioria da populao do bairro da Serra do sexo masculino, fato que poderia contribuir para a emigrao de homens. Um impacto positivo do turismo o aquecimento da economia. Swarbrooke (2000) economia, sendo o dinheiro gasto pelos turistas, circulado em ondas na eco nomia local. Assim, o dinheiro gasto pelo turista em hospedagem, vesturio, diverso, refeies, guias, etc., gera uma segunda onda de gastos, provocados pelos empreendedores e assalariados, que por sua vez, movimenta todos os setores econmicos. Por outro lado, a fuga do capital gerado pelo turismo um impacto negativo frequente em pases em desenvolvimento, cuja economia baseada na produo primria ou na venda do meio ambiente

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 15 natural. Em escala regional, isso ocorre no bairro da Serra e em Iporanga, locais com poucos recursos. A aquisio de mercadorias para consumo dos turistas feita em cidades com economia mais desenvolvida, onde a oferta de produtos mais variada e, muitas vezes, o preo menor. No caso do bairro da Serra, as cidades de Apia e Registro so beneficiadas, uma vez que donos de pousadas fazem compras de mercadorias nesses municpios. Isso contribui para fuga de capital e assim diminui circulao do dinheiro gasto pelos turistas na economia local. Outro impacto econmico negativo d ecorre da sazonalidade. No bairro da Serra, isto pode ser observado quando a demanda diminui nos meses de maro e agosto (So Paulo, 2010). Segundo os proprietrios das pousadas, a maioria dos turistas chegam em grupos, geralmente escolares. Em fevereiro e julho a demanda existe graas presena de turistas que visitam a regio por conta prpria. Outro fator importante o clima que influencia a sazonalidade. Nos perodos chuvosos, alm da diminuio do nmero de turistas, existe o problema do acesso. Em 1997, uma enchente praticamente isolou o bairro e o municpio de Iporanga, erodindo estradas, provocando desmoronamentos e interditando a ponte que d acesso pela Rodovia Rgis Bittencourt. A oscilao do nmero de visitantes no PETAR um indicativo de efeitos sazonais e tambm de outros no previsveis como modismos e inerentes administrao do parque. Os esportes de aventura foram motivo de grande procura no incio dos anos 2000, assim o PETAR se tornou um destino da moda. Segundo Sano (2007), em 20 02 o PETAR recebeu 48.693 visitantes e de acordo com Lobo (2005) em 2004 esse nmero cai para 30.271 visitantes. J em 2008 o Parque foi fechado por problemas relacionados gesto e comprometeu a atividade econmica no bairro da Serra (So Paulo, 2010). A especulao imobiliria parece ter sido mais intensa em outros perodos. Em 2000, o estudo demonstrou que 29,2% das casas do bairro pertenciam a turistas ou a ex moradores, mas no foi encontrado nenhum morador que confirmou ter vendido suas posses e ain da mora no bairro. De Blasis (1996) citou que ocorreu adensamento populacional nos pontos iluminados do bairro e que casas de turistas foram construdas, permanecendo a maior parte do tempo vazias. Campos (1990) mencionou que inmeros moradores venderam p equenos lotes e Silveira (1998) cita que alguns lotes foram vendidos para construo de pousadas. Essa opo menos problemtica, uma por um de prestao de servio (hospedagem). Fogaa (2008) tambm aponta a especulao imobiliria no bairro da Serra como um dos impactos provocados pela atividade turstica. Sem dinheiro para investir no turismo e por no conhecerem a atividade alguns moradores venderam suas terras para morar em outros locais. A autora ressa lta que a venda de lotes de pequeno tamanho, sem adequao a geomorfologia do terreno, contribui para degradao ambiental, provocando o desmatamento e favorecendo eroso e assoreamento de rios. 5.2. Impactos socioculturai s do turismo no bairro da Serra Apesar da maioria dos moradores no considerar que o turismo tenha modificado seu modo de vida, ou se mudou foi para melhor, o efeito demonstrao deve estimular hbitos de consumo. Isso ocorreu quando foi inaugurada uma loja de artigos para prtica de esp ortes de aventura no bairro, para atender turistas, mas que num primeiro momento atendeu aos moradores, principalmente, os mais jovens. O contato com turistas tambm pode aumentar o consumo de bebidas alcolicas, principalmente, nos momentos em que eles in teragem com turistas nos bares do bairro. Fogaa (2008) aponta que novas demandas surgiram pelo desenvolvimento turstico e os moradores comearam a comprar coisas que no fazem parte do seu cotidiano e acumulam capital simblico. A alterao no padro arq uitetnico local tambm mudou. Influenciados pelos meios de comunicao e por considerarem as casas de pau a pique menos confortveis, durveis e de manuteno difcil, as casas de alvenaria, inclusive com dois pavimentos comearam a ser construdas, segun do Fogaa ( op cit .). Isso foi favorecido pelo desenvolvimento que o turismo promoveu. Como cita Swarbrooke (2000), a indstria da construo civil uma das primeiras a se desenvolver junto a atividade turstica. A ascenso social proporcionada pela melhor ia das condies econmicas no deve ser descartada como mudana nas condies de vida e gerador de conflitos com os atores que no conseguem essa ascenso. Campos (1990) observou que no existiam diferenas sociais pelo nvel de renda no bairro na dcada de 80. J o presente estudo mostrou modificao na estrutura social do bairro. Fogaa ( op cit .) aponta conflitos no bairro. Segundo a autora, as pousadas e a rea de comrcio do bairro, com melhor infraestrutura, esto

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 16 concentradas na margem direta, assim os moradores da margem esquerda so sob esse aspecto, excludos Muitas mudanas ocorreram em 20 anos. Campos (1990) observou que, no final da dcada de 80, s existia no bairro um telefone que recebia recados p ara todos os moradores. Geladeiras eram raras e a televiso passou a ser um atrativo, quando pousadas possuam telefone e algumas residncias geladeira. Hoje existem vrios telefones na via principal e acesso telefonia para vrias residncias (So Paulo, 2010). Como foi observado nesse estudo, muitos atrativos e estabelecimentos comerciais eram usados por turistas e moradores. Isto favorece a populao local criando novos locais de diverso, porm, cada vez m ais, o turismo envolve a populao. Todos os entrevistados frequentavam pelo menos um local em comum com turistas. Alguns entrevistados relataram comportamentos dos turistas que os escandalizavam, como banhos nus e o uso de drogas, fato j observado por B onduki (1997) anteriormente. O presente estudo evidenciou o baixo grau de instruo da populao, o que de certa forma est relacionado ao isolamento do bairro, principalmente, levando em considerao a frao mais idosa da populao que teve menos oportun idades. No bairro s existe uma escola de ensino fundamental, e o ensino mdio s oferecido a 17 km, no centro urbano de Iporanga. Campos (1990) comentou que o ensino era muito fraco no municpio e Bonduki (1997) citou que a evaso escolar era grande. Ho je, os jovens tm mais facilidades para frequentar a escola; uma delas so os meios de transporte. O turismo tambm contribuiu para a melhoria do grau de instruo dos jovens. Como o trabalho de monitor ambiental procurado por essa faixa etria, a Associ ao Serrana Ambientalista (ASA), uma organizao no governamental do bairro, que junto Secretaria do Meio Ambiente organiza e seleciona os alunos do curso de monitores, exige que eles tenham concludo o ensino mdio para serem aceitos, incentivando, de sta forma, a frequncia escolar. Hoje, a ASA, que dentre outras preocupaes e objetivos ajuda na capacitao de monitores ambientais, alm de lutar por questes relativas comunidade junto a Associao de Moradores do bairro da Serra AMOR, criada quand o do fechamento de cavernas atravs do embargo administrativo do PETAR em 2008 (So Paulo, 2010). Um dos primeiros meios de produo do bairro foi a roa, que em 2000 contribua com 15,3% das ocupaes. Alguns entrevistados consideraram que o turismo melho rou seu modo de vida por permitir o abandono da roa, ao propiciar um trabalho menos desgastante e mais rentvel. Por outro lado, 6% dos entrevistados citaram que a implantao de roas uma necessidade para melhoria da regio. Bonduki ( op. cit .) observou que alguns moradores abandonaram as roas para trabalhar como monitor. Apesar de ser uma forma de fixar o homem no campo, isso implica modificaes de hbitos culturais. O impedimento do plantio foi uma das causas do descontentamento dos moradores mais an tigos com a implantao do PETAR, uma vez que os limites do Parque se superpunham rea do bairro. Segundo Silveira (1998), quando os limites do parque foram definidos em 1958, ele cortava o bairro da Serra. O parque se tornou vilo, j que muitas pessoas foram impedidas de obter recursos, aumentando ainda mais a pobreza do local. Na dcada de 90, o turismo modificou este cenrio e o perodo de estagnao pareceu ter terminado (Bonduki, op. cit .). Os turistas e seus recursos, trazidos pelos atrativos do pa rque, mudaram essa viso. Mesmo assim, a rejeio em relao ao PETAR ainda existe como foi observado nesse estudo. Figueiredo (2000) tambm verificou que a comunidade do bairro da Serra via o turismo como alternativa s restries geradas pela unidade de conservao. Os conflitos, gerados pela implantao de unidades de conservao em reas ocupadas por populaes tradicionais, tm sido estudados no Brasil. Diegues (1996) apontou que o modelo de preservao americano, adotado no Brasil, em que os espaos p reservados so vazios, e no se permite a presena de moradores, est em desacordo com a realidade das florestas tropicais, onde as populaes nativas desenvolveram formas de uso e ocupao dos recursos naturais, com sistemas de manejo de fauna e flora, pr otegendo e at aumentando a biodiversidade. Exemplos desse descaso com o saber tradicional e com seus criadores foram demonstrados na Reserva Ecolgica da Joatinga, no Rio de Janeiro, por Diegues e Nogara (1994). Diegues (1998) citou, ainda, estudos realiz ados pelo Ncleo de Apoio Pesquisa sobre Populaes Humanas e reas midas (NUPAUB), focando a relao entre reas protegidas e populaes humanas, em Guaraqueaba (Paran), Juria Itatins (So Paulo), Pantanal Matogrossense, complexo estuarino lagunas d e Iguape Canania (So Paulo), dentre outros. Em relao ao turismo, Diegues (1997) mencionou a incompreenso dos moradores tradicionais ao verem turistas nas reas protegidas de

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 17 onde foram retirados, sendo que foram os responsveis pela manuteno da inte gridade dos ecossistemas. O PETAR um lugar de lazer importante para a populao local, assim como a igreja. Segundo Bonduki (1997), a igreja passou a ter o papel de encontro social que anteriormente ocorria no trabalho rural em mutiro. A demanda interna por recursos naturais para o lazer, como foi observado, um fator importante na valorizao e conservao do meio ambiente. Do ponto de vista socioambiental alguns aspectos devem ser considerados. A estagnao criada, quando o parque foi implantado, levo u muitos moradores a se tornarem palmiteiros, problema revertido com o aumento da demanda turstica e que volta a se intensificar com o embargo de 2008 (So Paulo, 2010). Por outro lado, outros problemas ambientais surgiram. O elevado nmero de turistas le va produo de grande volume de lixo e esgotos. Magro (1999) citou que os efeitos da visitao em parques podem parecer insignificantes, quando comparado a outros problemas ambientais (por exemplo, os gerados nos ecossistemas urbanos ou pelas atividades agrcolas). Mas, a crescente demanda por recreao e lazer em reas naturais tem aumentado a presso sobre essas reas. Como foi observado nesse estudo e ainda ocorre (SIAB, 2009), o lixo , na maioria dos casos, coletado pela prefeitura e levado para um l ixo. Uma pequena parte dos moradores enterra ou queima seu lixo, provocando poluio do solo e do ar. O esgoto da maior parte das pousadas lanado em fossas negras, que podem contaminar o lenol fretico, ou so lanados nos rios. Segundo praticantes de boia cross em alguns locais do rio Betari pode se sentir Com o aumento da demanda, esse problema pode agravar se. Giatti (2004) evidenciou a necessidade de adequao do saneamento do bairro da Serra ao encontrar indicativos de poluio por esgotos domsticos no trecho do rio Betari que est sobre influncia do bairro, sendo que dois de seus afluentes se encontravam bastante poludos e em inconformidade com a legislao ambiental. Observou ainda que o lix o coletado no bairro levado a outro local e disposto incorretamente, externalizando os impactos do bairro. Os rios so utilizados para lazer da populao e dos turistas, e para dessedentao de animais. Algumas residncias so abastecidas com gua de ca vernas, que podem ter sua qualidade comprometida, devido ao aumento da visitao. Os moradores tm conscincia do problema, como foi verificado nas entrevistas desse estudo. Saneamento bsico foi o item mais citado para melhoria do bairro, depois dos empre gos. A aceitao do turismo como algo positivo, que promove o desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida, como observado no bairro da Serra, um fenmeno comum nos locais que esto se desenvolvendo recentemente. A Ilha de Cotijuba, localizada na ba a de Maraj, na grande Belm do Par, passou por situao semelhante. Dados de 1995, obtidos por Cruz (1996), demonstraram o crescimento do nmero de empregos e a aceitao do turismo. Novas formas de lazer surgem, como conversas com outras pessoas, por m existe, por parte dos moradores, a conscincia dos impactos negativos que o turismo pode trazer. O bairro da Serra parece u se encontrar numa fase de euforia em relao ao turismo; o positivismo e as expectativas da comunidade local nos levam a acreditar nisso, o que corresponde ao estgio inicial proposto por Mathieson e Wall (1988). Segundo esses autores, existe nessa fase um sentimento de satisfao mtua, gerada pelo crescimento econmico. H uma segunda fase, caracterizada por uma apatia, em que a for malidade das relaes comerciais predomina. Numa terceira fase, a incapacidade de atender as exigncias da demanda e a saturao da atividade provoca irritao. O antagonismo caracteriza a quarta fase, em que os problemas, agora evidentes, so de responsab ilidade dos turistas, que passam a ser hostilizados. Finalmente, a quinta fase a do conformismo, em que a populao ter que conviver com o turismo nas propores em que possa crescer. Prez (1999) observou uma atitude neutra por 50% da populao local, e positiva por outros 30% da populao da Villa La Angostura (Argentina). Segundo o autor, os impactos econmicos so percebidos como positivos, e geram aceitao do turismo, porm, com o aumento da atividade, os impactos negativos, ambientais e sociocult urais, comeam a ser percebidos, gerando opinies neutras ou negativas em relao ao turismo, confirmando tambm a existncia de uma faixa de tolerncia por parte da populao local. As pessoas envolvidas com turismo so as que acham positivo o desenvolvim ento da atividade, mesmo sendo as que sofrem maiores impactos. Atravs dos estudos de Souza e Viera Filho (2011) no arquiplago de Fernando de Noronha possvel observar efeitos da atividade turstica muito semelhante aos observados no Bairro da Serra. Am bos atraem o turista por seus atrativos naturais. Como o arquiplago, o bairro ficou isolado do desenvolvido sudeste brasileiro por suas reas protegidas e pela dificuldade de acesso.

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 18 Como no bairro da Serra, em Fernando de Noronha (Souza e Viera Filho, o p. cit.) a gerao de renda para comunidade da ilha vista como principal fator promotor da aceitao turstica pela populao local. A grande maioria da populao (83,3%) considera que o turismo traz benefcios e apontam a infraestrutura como ponto basta nte positivo. Ao comparar a situao da ilha hoje, com o passado, os autores verificaram que 75,3% consideram que est melhor, graas ao turismo. Tambm apontam a mudana de hbitos, vesturios e linguagem dos mais jovens, como reflexo do contato com turis ta, inclusive o consumo de lcool e drogas. Citam tambm a mudana no uso do espao urbano e atrao de migrantes que trabalham com turismo. Por outro lado apontam que o turismo mudou suas vidas. Se sentem excludos de benefcios advindos da atividade, em relao aos migrantes, devido ao contraste socioeconmico. Tem a percepo de que esses novos moradores modificaram a ilha e se sentem ameaados. Existe uma caracterstica importante em relao ao desenvolvimento turstico pelo qual passa o bairro da Serr a. Os atrativos naturais da regio trazem os turistas, e a comunidade se empenha em aproveitar essa procura. Apesar da falta de investimentos por parte das instituies pblicas e da falta de uma poltica governamental de desenvolvimento, ocorre o crescime nto econmico e melhorias das condies de vida com usufruto de infraestrutura e absoro de mo de obra local. As decises quanto criao de empreendimentos e investimentos partem exclusivamente da populao do bairro e as decises so tomadas pela pr pria populao, dentro de um modelo local. Empregadores e empregados so moradores do bairro uma situao diferente de muitas outras reas onde as decises so tomadas do topo para a base, sem envolvimento das populaes locais, nem observao de suas nece ssidades, com mo de obra importada. No Quadro 3 apresenta se um resumo dos impactos do t urismo no bairro da Serra. Quadro 3 Resumo dos impactos reais e potenciais do turismo no bairro da Serra evidenciados nesse estudo. Positivos Negativos Impactos E conmicos Aumento da oferta de empregos diretos e indiretos Sazonalidade Melhor distribuio de renda Evaso de divisas Fixao do homem no campo Especulao imobiliria Melhoria da infraestrutura (coleta de lixo, comrcio) Expectativa de melhoria das condies econmicas nem sempre atingida Maior arrecadao de impostos Alterao dos padres tradicionais de produo Atrao de mo de obra de outras localidades (impacto potencial) Impactos Scio Culturais Interao com outras culturas Alterao de padres morais (bebida) Ascenso social Conflitos sociais entre moradores Lazer Doenas de veiculao hdrica devido a falta de saneamento Organizao comunitria (ASA, AMOR AMAIR) Estimulo hbitos de consumo Colocao da mulher no mercado de trabalh o Alterao do padro familiar patriarcal Envolvimento da populao local Comportamentos considerados ofensivos por parte dos turistas (uso de drogas e banhos nus) Impactos ambientais Valorizao e preservao do meio natural pela populao local e por turistas Lanamento de esgoto nos crregos e rios Aceitao do PETAR Produo de resduos slidos Desmatamento Eroso e assoreamento Ocupao desordenada 5.3. Propostas para o desenvolvimento sustentvel do turismo no bairro da Serra fundamenta l a elaborao de um plano de desenvolvimento turstico para o municpio de Iporanga e bairro da Serra. Novos atrativos devem ser criados e atividades incrementadas, em vez de serem construdas pousadas que passaro a maior parte do tempo desocupadas. Uma opo estimular, de forma planejada, o turismo no bairro do Betari. Isso diminuir a presso em algumas reas

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 19 muito visitadas, como as cavernas do parque, e gerar mais empregos. Estimular a produo agrcola em pequenas roas, por parte dos moradores, p ara comercializao com as pousadas, ajudar na manuteno das tradies, fixar o homem no campo, propiciar renda a esses produtores e diversificar a produo. Devem se utilizar reas antropizadas, com baixa declividade, obedecendo legislao ambienta l, para implantao dessas roas. fundamental a preparao da populao para a gesto do turismo e melhoria dos servios e instalaes, contribuindo para maior satisfao do turista e arrecadao por parte dos empreendedores. Devem ser feitos investimen tos em meios de transporte e estradas, assim como num sistema de sade mais eficiente e at mais prximo do bairro da Serra. necessrio implantar um sistema de coleta e tratamento de esgoto, antes que os cursos de gua estejam comprometidos. Cada residn cia deve possuir sua fossa sptica e pousadas com maior nmero de leitos podem investir em pequenos sistemas de tratamento de esgoto. A populao deve ser ouvida para que suas necessidades sejam atingidas, mesmo porque, trata se de uma comunidade particula r, de certa forma fechada, e imposies dificilmente seriam aceitas. Tudo isso contribuir para a melhoria das condies de vida dos moradores do bairro e preservao ambiental, e garantir a sustentabilidade da atividade e do ambiente. Segundo Hall (2001) o planejamento turstico no se refere apenas ao desenvolvimento do setor, mas tambm promoo de melhoria ou maximizao econmica, social e ambiental. Para que a regio se desenvolva de modo sustentvel, uma srie de aes devem ser implementadas, em que governo, iniciativa privada e comunidade local devem trabalhar conjuntamente. A seguir so sugeridas aes e responsabilidades para desenvolvimento da infraestrutura e servios (Quadro 4), desenvolvimento dos recursos humanos (Quadro 5), dos aspectos legais, de vigilncia e controle (Quadro 6) e aspectos tursticos (Quadro 7). Quadro 4 Proposta para desenvolvimento e adequao da infraestrutura e servios do bairro da Serra Ao Responsabilidade Objetivo Efeito Melhoria dos acessos Governos Estad ual e municipal Facilitar os acessos para turistas e populao residente Aumento da demanda, diminuio da sazonalidade Tratamento de Esgoto Governos Estadual e Municipal e iniciativa privada Minimizar impactos ambientais Proteo dos corpos d'gua Hospi tal ou Ambulatrio Governos Estadual e Municipal Atendimento populao local e aos turistas Melhoria das condies de vida Programa de coleta seletiva Governo Municipal, iniciativa privada e comunidade Minimizar impactos ambientais Proteo dos corpos d 'gua e do solo rea de Lazer Governo Municipal Atender populao Fixao da populao Desenvolvimento turstico de outros bairros do municpio Governo municipal e iniciativa privada Dispersar o turista para novos atrativos Diminuio da presso sobre o bairro da Serra e melhoria das condies de vida de outras reas Melhoria das Telecomunicaes Iniciativa privada Atender populao e demanda turstica Facilidade de comunicao Quadro 5 Proposta para desenvolvimento de recursos humanos no bairro da Se rra Ao Responsabilidade Objetivo Efeitos Treinamento em Hospedagem e Hotelaria Governo Municipal e iniciativa privada Melhorar atendimento e eficincia Aumento da demanda Educao para o turismo (formal e no formal) Governo Municipal e iniciativa pri vada Conscientizar os jovens sobre a importncia e consequncias do turismo Melhor entendimento entre populao residente e turista; minimizar impactos Criar Central de monitores ASA (Associao Serrana Ambientalista), AMAIR (Associao de monitores ambie ntais de Iporanga e regio) Melhor distribuio de trabalho Melhor distribuio de renda e gerao de novos empregos

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 20 Quadro 6 Aspectos legais, de vigilncia e controle que devem ser implementados no Municpio de Iporanga para favorecer o desenvolvimento turstico Ao Responsabilidade Objetivos Efeitos Legalizao das empresas Governo Municipal Regularizar o funcionamento dos equipamentos Melhorar condies de atendimento e arrecadao de recursos Criao das Leis Municipais de Turismo Governo Municipa l e comunidade Regularizar a atividade turstica no municpio Normatizar a atividade, a fiscalizao e responsabilidades, de acordo com a realidade local Vigilncia Sanitria Governo Municipal e Estadual Regularizar o atendimento para alimentao Melhorar condies de atendimento Fiscalizao e controle de uso e ocupao do solo Governos Estadual e Municipal Evitar degradao ambiental e criar critrios de urbanizao Manuteno das condies ambientais e desenvolvimento urbano planejado Aplicao da Age nda 21 para o Vale do Ribeira Todos os setores Desenvolvimento sustentvel da regio Proteo ambiental, desenvolvimento social e econmico Regularizao fundiria Governo Estadual Regularizar propriedades e demarcao do parque Legalizar posses e evitar conflitos de uso da terra Implementao do Plano de Manejo do PETAR e do Plano de Manejo Espeleolgico das cavernas do PETAR Governo Estadual, Municipal e iniciativa privada Adequao s prerrogativas dos Planos de Manejo e reas tampo Compatibilizao d o uso dos recursos naturais e atividade turstica Quadro 7 Propostas de adequao de equipamentos e atividade turstica no bairro da Serra. Ao Responsabilidade Objetivos Efeitos Criao de novos atrativos Iniciativa privada e Governo Municipal Divers ificar atrativos Diminuir presso de visitao em algumas reas, distribuio de renda Adequao dos meios de hospedagem Iniciativa privada Melhoria das condies de hospedagem Aumento de opes de hospedagem e satisfao dos turistas Elaborao de diret rizes para turista Iniciativa privada, comunidade e Governos Municipal e Estadual Minimizar impactos Auxilia turista e diminui os impactos Recomposio da mata ciliar Todos os setores Restaurao das caractersticas ecolgicas Manuteno da integridade do s ecossistemas aquticos 6. CONCLUS'ES A atividade turstica gera impacto econmico positivo no bairro da Serra. O nmero de meios de hospedagem aumentou nas dcadas de 90 e continua aumentando, e a maioria dos empregos da populao do bairro est liga da atividade do turismo. Existe expectativa da gerao de mais empregos e renda, e por isso que a populao v o turismo positivamente. Os empregos, principalmente como monitores ambientais, favorecem a fixao dos jovens no bairro e as mulheres esto trabalhando em pousadas. Modificaes na renda de moradores tm gerado diviso social, um fator gerador de conflitos, uma vez que, a maior parte da populao do bairro no tem perspectivas de ascenso social. O crescimento do turismo propiciou lazer para a populao residente, j que equipamentos e servios (bares) podem ser utilizados pela comunidade local. Por outro lado, novos hbitos de consumo foram inseridos. Como o turismo visto positivamente e o PETAR o principal atrativo, o parque tambm acei to hoje, fato que no ocorreu quando de sua implantao. A populao pode estar passando por uma fase de euforia em relao ao turismo devido aos impactos econmicos. O planejamento turstico da rea fundamental para manuteno da qualidade ambiental e m elhoria das condies de vida da populao local. So necessrias aes em relao

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 21 infraestrutura, recursos humanos, atividade turstica e aspectos legais para garantir o desenvolvimento sustentvel da regio com a atividade turstica REFERNCIAS BIBL IOGRFICAS Bonduki, M. I., 1997. O turismo como agente transformador do Bairro da Serra Iporanga SP Trabalho de Concluso de Curso, ECA USP, 77 p. Campos, A.C.E., 1990. Bairro da Serra diretrizes para crescimento e participao comunitria Trabal ho de Concluso de Curso, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP, So Paulo. 63 p. Castro, C. E. & Espinha, A.M.L., 2008. Narrativa sobre a estruturao de um parque e algumas de suas humanidades. Pesquisa em Turismo e Paisagens Crsticas 1(1), 29 41 Disponvel em www.cavernas.org.br/ptpc/ptpc_v1_n1_007 017.pdf acessado em 06 jan 2012. Cruz, S. H. R., 1996. Turismo na Ilha de Cotijuba sob a percepo de seus residentes. Turismo em anlise 7(1): 79 90. De Blasis, P. A. D., 1996. Bairro da Serra em trs tempos: arqueologia, uso do espao regional e continuidade cultural no mdio vale do Ribeira Tese de Doutoramento, Universidade de So Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ci ncias Humanas, 166 p. Diegues, A. C. S. & Nogara, P. J., 1994. O nosso lugar virou parque: estudo scio ambiental do Saco do Mamangu Parati Rio de Janeiro So Paulo, NUPAUB/USP, 184 p. Diegues, A.C., 1996. O mito moderno da natureza intocada Editora H ucitec, So Paulo, 169 p. Diegues, A.C., 1997. As reas naturais protegidas, o turismo e as populaes tradicionais. In Viagens natureza Serrano, C.M.T. & Bruhns, H.T. (orgs.). Papirus Editora, Campinas, p. 85 102. Diegues, A. C., 1998. A questo soci ocultural nas reas protegidas. Os conflitos sociais gerados pelo modelo tradicional de conservao. Debates Scio Ambientais 3(9): 6 8. Domingos, M.D., 2002. Limnologia do Rio Betari (Iporanga SP) e a relao com estado de conservao de sua bacia hidr ogrfica subsdios para o desenvolvimento sustentvel da regio Tese de Doutorado. Escola de Engenharia de So Carlos USP, So Carlos, 272 p. Figueiredo, L.A.V., 2000 sociais de preservao e desenvolvimento; desvelando a pedagogia de um conflito no Vale do Ribeira (Iporanga SP) Dissertao de Mestrado. Faculdade de Educao, UNICAMP, Campinas SP. 612 p. Fogaa, I.F., 2008. Estudo das transformaes da estrutura fsica do bai rro da Serra, entorno do PETAR, em decorrncia da atividade turstica. Pesquisa em Turismo e Paisagens Crsticas 1(1): 7 17. Disponvel em www.cavernas.org.br/ptpc/ptpc_v1_n1_029 042. pdf acessado em 20 jan 2012. Giatti, L. L., 2004. Ecoturismo e impactos ambientais a regio de Iporanga Vale do Ribeira So Paulo Tese de Doutorado, Faculdade de Sade Pblica USP, So Paulo, 210 p. Giatti, L.L. & Rocha, A.A. 2001. I mpactos Ambien tais do Turismo na Regio do PETAR Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira So Paulo Brasil. In Proccedings 13 th International Congress of Speleology, 4 th Speleological Congress of Latin America and Caribbean; 26 th Brazilian Congress of Speleology Brasilia. Disponvel em www.cavernas.org.br/anais26cbe/26CBE_711 715.pdf acessado em 06 jun 2012. Giatti, L.L., Rocha, A.A., Santos, F.A., Bitencourt, S.C. & Pieroni, S.R.M., 2004. Condies de Saneamento Bsico em Iporanga, Estado de So Paulo. Rev. Saude Pblica 38(4): 571 7.

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Domingos, Calijuri, Benassi & Doria I mpactos socioculturais e econmicos .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 23 Ambiental no Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira (PETAR). Pesquisa em Turismo e Paisagens Crsticas 1(1): 19 28. Disponvel em www.cavernas.org.br/ptpc/ptpc_v1_n1_029 042.pdf acessado em 06 jun 2012. Souza, G.M.R. & Vieira Filho, N.A.Q., 2011. Impactos socioculturais do turismo em comunidades insulares: um estudo de caso no arquiplago de Fernando de Noronha PE. Observatrio de Inovao do Turismo Revista Acadmica v. 6, n. 4, Rio de Janeiro. 18 p. Disponvel em app.ebape.fgv.br/revistaoit/asp/dsp_lst_artigos_edica o.asp?coded=129 acessado em 10 mai 2012. Swarbrooke, J., 2000. Turismo sustentvel: conceitos e impacto ambiental Vol. 1., Editora Aleph, So Paulo, 140 p. Trajano, E., 1986. Vulnerabilidade dos troglbios a perturbaes ambientais. Espeleo T ema 15: 19 24. Veiga, J. E. R. & Romo, D. A. 1998., O Ecoturismo como estratgia de desenvolvimento regional. In Turismo e Meio Ambiente Vasconcelos, F. P. (org.) Vol. 3, Fortaleza, 169 185 p. Zimmermann, A., 2000. Planejamento e organizao do turismo rural no Brasil. In Turismo rural e desenvolvimento sustentvel Almeida, J.A., Froehlich, J.M. & Riedl, M. (orgs.), Papirus Editora, Campinas, 127 142 p Editorial flow / Fluxo editorial : Received / Recebido em: 23 03 201 2 Corrected / Corrigido em: 18 .0 7 .201 2 Acce pted / Aprovado em: 24 .0 8 .201 2 TOURISM AND KARST AREAS ( formely /formalmente: Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas) Brazilian Speleological Society / Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) www. cavernas.org.br/turismo.asp

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Pssas, Travassos & Rodrigues R egistros de Peter W. L und sobre a regio .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 25 REGISTROS DE PETER W. LUND SOBRE A REGIO DO CARSTE DE LAGOA SANTA, MINAS GERAIS: POSSIBILIDADES PARA O TURISMO PEDAG"GICO E CIENTFICO RECORDS OF PETER W. LUND ABOUT THE LAGOA SANTA KARST REGION, MINAS GERAIS: POSSIBILITIES FOR PEDAGOGICAL AND SCIENTIFIC TOURISM Isabela Braichi Pssas (1) Luiz Eduardo Panisset Travassos (2) & Bruno Duro Rodrigues (3 ) ( 1) Graduanda em Geografia, Bolsista PUC/FAPEMIG (2) Professor Adjunto I V do Programa de Ps Graduao em Geografia da PUC Minas (3) Doutorando em Geogra fia do Programa de Ps Graduao em Geografia da PUC Minas Bolsista CAPES Belo Horizonte MG isabelabraichi@gmail.com Resumo O presente texto baseou Memrias sobr e a paleontologia brasileira apresentado deve ser visto como uma contribuio para aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre o naturalista dinamarqus que tanto contribuiu para a paleontologia, arqueologia e espeleologia Americanas. Os autores buscaram ilustr homenagem ao Prof. Dr. Heinz Charles Kohler a fim de proporcionar ao leitor uma melhor compreenso dos fenmenos ou lugares descritos. Tambm busca se com o trabalho, destacar a importncia das pesquisas de Peter W. Lund para o desenvolvimento da Carstologia brasileira e fornecer subsdios para o desenvolvimento do turismo pedag gico e do turismo cientfico na regio Palavras Chave: Carstologia brasileira; Peter W. Lund; Minas Gerais, Brasil Abstract Memories of Brazilian Paleontology 1836 1844 and translated by Carlos de Paula Couto in 1950. Thus, the work should be seen as a contribution to those who wish to learn more about the Danish naturalist who contributed greatly to the fields of paleontology, archeology and speleology in the Americas. The authors soug ht to illustrate it with places described. It is in tended to highlight the importance of the work of Peter W. Lund for developing Brazilian Karstology, as well the possibility of developing educational and scientific tourism in the region K ey Words: Brazilian Karstology ; Peter W. Lund; Minas Gerais, Brazi l 1. INTRODUO Muito se tem discutido nas ltimas dcadas sobre conceitos relacionados geomorfologia crstica, especialmente se levarmos em considerao aplicao de terminologias especficas da Carstologia. Entretanto, nota se que as bases epistemo lgicas ou mesmo as origens de tais estudos tem sido negligenciadas em alguns casos. Assim sendo, o presente trabalho busca demonstrar como o carste e seus fenmenos foi registrado por Peter W. Lund nas Memrias sobre a paleontologia brasileira, escrita en tre 1836 e 1844, e traduzida por Carlos de Paula Couto em 1950. A escolha pelo nome deste naturalista se deu, entre outros motivos, pelo fato do naturalista dinamarqus ter contribudo para o incio dos estudos paleontolgicos, arqueolgicos e espeleolgi cos Americanos. Busca se, portanto, destacar a importncia dos trabalhos de Peter W. Lund para o desenvolvimento de uma ainda recente Carstologia brasileira. Ao longo de aproximadamente 10 anos de estudos em Minas Gerais, o naturalista lanou as bases de um novo conhecimento e novas explicaes para a origem e evoluo da Terra, da flora, da fauna e do ser humano, (...) buscando criar uma viso STERLL, 2011, p.17). Para esta difcil tarefa, Lund contou com as cavernas, importantes repositrios de

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Pssas, Travassos & Rodrigues R egistros de Peter W. L und sobre a regio .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 26 informaes do passado. Para Holten e Sterll (2011, p.19), o naturalista procurou a sabedoria mais No trabalho em questo, Lund buscou discursar sobre a Paleontologia brasileira e Carlos de Paula Couto, paleontlogo do Museu Nacional, e foi dividido em dezesseis captulos. Na verdade, muitos dos captulos so memrias do dinamarqus que fo ram escritas em anos diferentes. Ao longo da obra, Lund discorre sobre as cavernas em calcrio do interior do Brasil, a fauna das cavernas, os mamferos extintos do Brasil, a antiguidade do Homem de Lagoa Santa e as ossadas humanas encontradas dentro de um a caverna especfica. Peter Wilhelm Lund nasceu em Copenhague, em junho de 1801. Filho de um comerciante de tecidos terminou seus estudos da educao bsica e, em 1818, ingressou no curso de Medicina da Universidade de Copenhague. Sobre a infncia de Lund Holten e Sterll (2011, p. 37) afirmam que pela natureza, que era partilhado por toda a famlia, e da indicao de sade fraca, o que lhe acompanhou ao longo de toda a vida, mesmo que ele tenha vencido cond Talvez por esse indicativo, teria abandonado a Medicina aps a concluso do curso, para se dedicar Histria Natural, especialmente aos campos da botnica e da zoologia. Influenciado por diversos Naturalistas de seu tempo, em especial, por Alexander von Humboldt, realizou inmeras viagens e escavaes e, consequentemente, importantes descobertas. Devido sua boa condio financeira, tido sequer um dia de trabalho a (HOLTEN; STERLL, 2011, p. 37). Paula Couto (1950) nos lembra que foi no stio brasileiro de outro dinamarqus, Peter Claussen, que Lund viu pela primeira vez os ossos fsseis das grutas calcrias do vale do rio das Velhas. A primeira caverna vi sitada foi a Lapa Nova de Maquin, que o deslumbrou com sua extraordinria beleza e que lhe forneceu grande quantidade de ossos. 2. ASPECTOS GERAIS DOS TRABALHOS DE PETER WILHELM LUND Na coletnea de textos analisada, no Captulo I, As obras de Lund no B rasil Paula Couto (1950) destaca que a primeira estadia de Lund no pas durou trs anos, indo de 1825 a 1828. Destaca se que nestes trs anos, o naturalista se dedicou ao estudo da fauna e da flora nos arredores do Rio de Janeiro. Alm disso, realizou du as excurses: uma para Nova Friburgo e outra para Campos. Desta permanncia no Brasil, foram publicadas trs obras: 1) Estudo do gnero Eunope [aves destitudas de papo]; 2) Descrio dos costumes das formigas brasileiras e 3) Memria sobre o involucro dos ovos de Moluscos gastrpodes. Como podemos perceber com os ttulos dos trabalhos, so contribuies para o campo da zoologia. Contudo, nada de significativo para a rea em que se tornou mundialmente famoso. No segundo momento de sua viagem pelo Brasil, Pe ter W. Lund aportou no Rio de Janeiro em 1833. Planejou um roteiro de viagem que atravessaria o estado de So Paulo at chegar a Gois, passando por Minas Gerais margeando o rio So Francisco. Da retornaria ao Rio de Janeiro. Em 1838, publica as Notas sob re as plantas das estradas e ervas bravas do Brasil. Ao chegar a Ouro Preto, Lund escreveu algumas outras memrias sobre os Campos Gerais e que foram enviadas Sociedade de Cincias de Copenhague. Foram, posteriormente, consideradas como uma espcie de in troduo de seus trabalhos. Segundo o prprio naturalista, essas memrias tratavam, principalmente, da vegetao dos planaltos do Brasil e o perodo geolgico de suas formaes (LUND, 1838a apud PAULA COUTO, 1950). Aqui j possvel perceber um interesse maior para os estudos da geografia fsica brasileira. Lund tinha plena conscincia sobre a importncia de todos seus achados e trabalhos e isso pode ser percebido em trecho de uma carta escrita ao seu irmo Ferdinand. O documento foi traduzido e transcrit o por Holten e Sterll (2011, p. 37): Tem cuidado para que nada disso se perca ou seja emprestado; o mesmo vale para todas as coisas que enviei e ainda enviarei. Os manuscritos que envio no podem ser mostrados a nenhum estranho e, em nenhuma condio, pod em ser emprestados para fora de casa, para ningum. Os desenhos que mando podem ser mostrados, mas, assim como os manuscritos, no podem ser emprestados. Conserva os tu na tua escrivaninha com todo o cuidado possvel. Eu no quero, por nada, fiques sabendo perder os frutos de meu penoso trabalho. (LUND, 1830 apud HOLTEN; STERLL, 2011, p. 37) Destaca se, tambm, que sua permanncia no Brasil coincidiu com o que Holten e Sterll (2011,

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Pssas, Travassos & Rodrigues R egistros de Peter W. L und sobre a regio .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 27 os naturalistas viajaram pelo Brasil e Lund acompanhou um deles em especial: Auguste Saint Hilaire. Suas pesquisas e a forma de estudar o Brasil tambm o influenciaram. A importncia da presena destes naturalistas para o desenvolvimento dos trabalhos de L und pode ser traduzida pelo fato de um conterrneo, Peter Claussen, ter sido companheiro de viagem de Friederich Sellow, naturalista Alemo. Foi por causa subterrneo e todas as suas possibilidades de novas descober tas. Ainda que o encontro tenha sido casual, sua importncia no pode ser negada. Em 1835, aps visitar a Lapa Nova de Maquin, a Lapa do Saco Comprido e a Lapa do Mosquito, Lund decide escrever um trabalho intitulado Cavernas existentes no calcrio do int erior do Brasil, encerrando algumas delas ossadas fsseis. Paula Couto (1950) menciona, ainda, que o naturalista publicou outras memrias sobre as cavernas no Brasil em 1837, 1838, 1839, 1841 e 1844. Esta ltima obra aborda os Documentos fornecidos, para o conhecimento do mundo animal preexistente ultima revoluo do globo, pelas cavernas exploradas em 1844, e nas quais se acharam ossadas. Mais uma vez destaca se a importncia das cavernas como importantes evolu o da Terra. O Captulo II das Memrias sobre a paleontologia brasileira destaca as Cavernas existentes no calcrio do interior do Brasil, contendo algumas delas ossadas fsseis na primeira e na segunda memria sobre as cavernas do Brasil que a Lapa No va de Maquin extensamente descrita. Nesta caverna o naturalista encontrou ossos inteiros e quebrados, dentes de pequenos mamferos, fragmentos de calcrio e uma argila muito fina (LUND, 1836). Posteriormente, faz um relato sobre a Lapa de Cerca Grande, onde tambm encontra ossadas fsseis. O captulo trs, chamado de Primeira memria sobre a fauna das cavernas (LUND, 1837b) traz um relato sobre a grande variedade de restos de animais encontrados nas cavernas exploradas, em especial, sobre a mastofauna regional. As condies dos achados, desde o tipo de rocha ao estado de conservao so ressaltados por ele. Nos captulos IV e V, Segunda e terceira memria sobre a fauna das cavernas Mamferos Lund faz relatos de suas coletas em perodo seco e apresen ta descries minuciosas sobre os fsseis englobando ordem, famlia e espcie dos indivduos. Em alguns momentos apresenta descries detalhadas acerca do calcrio em que foram encontradas as ossadas. Segundo Lund (1837c; 1838), a superfcie desse calcrio muita frequncia acidentes de natureza singular, consistentes em pequenas cavidades redondas que se descrio nos faz lembrar as formas de dissoluo da rocha, comuns em cavernas com diversos e stgios de formao. Do captulo VI ao captulo XI, alm do captulo XV, Lund elabora um relato no qual descreve outras descobertas sobre a antiga fauna brasileira. Tratando de gneros e espcies novas, corrige e amplia os estudos j realizados. No captul o XII sobre a Antiguidade do homem em Lagoa Santa o cientista afirma que chegou a examinar cerca de 200 cavernas. Em 115 delas afirma ter encontrado vestgios fsseis de mamferos, mas ainda no tinha tido a oportunidade de encontrar vestgios de indivdu os da espcie humana. Entretanto, aps sete anos de pesquisa, tais vestgios foram encontrados junto com ossos de outros animais. Sua idade no podia ser medida uma vez que a caverna encontrava se prxima de uma lagoa cujas guas aumentavam o nvel levando novos sedimentos para dentro da caverna. Tal descrio adequada com o que se conhece da Lapa do Sumidouro prxima Lagoa do Sumidouro em Lagoa Santa (Figura 1). Segundo seus relatos, por meio das anlises dos fsseis encontrados como os crnios, conse guiu identificar de que raa esse indivduo pertenceria: processos zigomticos, o ngulo facial, a forma da maxila e da orbita, tudo faz com que esses crnios se classifiquem entre os mais caractersticos d a raa No cap tulo seguinte, o XIII Notcia sobre ossadas humanas fsseis achadas numa caverna do foi publicada parte de uma carta que Lund enviou para a Sociedade Real dos Antiqurios do Norte, em Copenhague. Ne la o naturalista atualiza o nmero de cavernas que explorou, chegando a quantidade de 800 cavernas. Registra que em apenas seis ele teria encontrado ossadas humanas. Segundo Lund (1844), as ossadas encontradas pertenciam a pelo menos 30 indivduos de difer entes idades.

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Pssas, Travassos & Rodrigues R egistros de Peter W. L und sobre a regio .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 28 Figura 1 Vista panormica da Lagoa do Sumidouro. O mirante encontra se localizado sobre o macio calcrio onde se localiza a gruta ou lapa do Sumidouro (Foto: Luiz E. P. Travassos) O captulo XIV fornece Novas observaes sobre a ant iguidade do homem em Lagoa Santa, e que podem ser consideradas como elementos complementares ao captulo anterior onde amplia suas prprias anlises iniciais. No ltimo captulo, o XVI, Lund elabora uma Comunicao sobre o material das cavernas de ossadas exploradas em 1844 e sobre sua contribuio para o conhecimento da vida animal no Brasil antes da ltima revoluo do globo Aqui, Lund faz uma descrio da caverna em que ele encontrou o maior nmero de materiais fsseis, alm de outras consideraes sobr e os fsseis de mamferos encontrados. Segundo o vertical, de 24 ps de profundidade e 36 ps de 3. S OBRE AS CAVERNAS EXISTENTES NO CALCRIO DO INTERIOR DO BRASIL: POSSIBILIDADES PARA O T URISMO PEDAG"GICO E CIENTFICO termos turismo pedaggico e turismo cientfico podem ter significados diferentes para o leigo ou para aquele indivduo que se dedica ao campo do turismo. Normalmente as pessoas identificam como sendo o turismo cientfico cientistas ou grupos de cientistas que realizam a atividade turstica buscando alguma ligao com seus campos de estudo ou trabalho. J o turismo pedaggico comumente entendido como aquele tipo de turismo realizado pelas escolas e universidades e que propiciam ao aluno um contato mais concreto com o lugar. Assim sendo, acredita se que da mesma forma Caminhos de Darwin Janeiro, seria possvel a existncia de um turismo pedaggico e cientfico co m base nos caminhos trilhados por Lund na regio de Curvelo, Cordisburgo e na rea de Proteo Ambiental Carste de Lagoa Santa. Ainda que o Governo do Estado tenha se empenhado na criao da chamada Rota Lund para fomentar o turismo no Circuito das Grutas, seria interessante o uso sistemtico das informaes contidas nas obras de Lund a fim de fomentar tais segmentos do turismo. A importncia regional do carste mineiro e suas feies foi demonstrada pelo naturalista que es que contriburam para desenvolver os conhecimentos dos naturalistas da Europa sobre este importante assunto so, certamente, as cavernas no calcrio, contendo 68). Tendo iniciado seus trabalhos na regi o de Curvelo, Lund teria se encantado pela Lapa Nova do Maquin, no atual municpio de Cordisburgo. Limitou caverna mais notvel das que explorei, acompanhando a de algumas observaes sugeridas pela explorao (. ..); a caverna deste nome aparece sobre a encosta meridional de uma depresso que forma uma bacia na cadeia de montanhas p.68). Segundo ele, mesmo no possuindo observaes baromtricas exatas, (...) foi possvel fixar a altitude da caverna [Fig.2] acima do nvel do mar comparando a com a de alguns pontos conhecidos nas circunvizinhanas, como Sabar e Abaet, bem como observando o declive dos rios. se avali la em 2.500 ps a 1836, p.69). Fazendo se a converso das unidades para metros, tem se 762 m acima do nvel do mar, medio quase exata quela apresentada no Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil da Sociedade

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Pssas, Travassos & Rodrigues R egistros de Peter W. L und sobre a regio .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 29 Brasileira de Espeleologia (CNC/S BE) que indica 800 m. Isso demonstra a seriedade e o rigor cientfico deste pesquisador do sculo XIX que se manteve fiel aos seus antecessores europeus a exemplo do gegrafo alemo, Alexander von Humboldt que primava pela quase perfeio. Sobre o tipo de calcrio da regio, a Formao calcrio em que se acha a caverna pardo escuro, cristalino, de gros finos, tornando se muitas vezes mais claro na presena de partculas de slica e Na verdade, nos calcrios desta Formao, predominam rochas pelito carbonticas onde so comuns as ardsias, os calcrios, os filitos, folhelhos e metassiltitos (NOCE; RENGER, 2005). Estudos iniciais de espelognese e espelometria foram conduzidos pelo na turalista que norte para sul, tendo em sua maior extenso 1.440 ps [438,91 metros], (...) essencialmente horizontal, no subindo coisa alguma e descendo apenas um pouco para terminar se numa fenda verti cal que parece fechar p. 70). Lund destaca a presena de espeleotemas lugar formao de diversos compartimentos ou cmaras, ligadas entre si por corredores de larguras v p.70). Os microtravertinos ou travertinos de tamanho mdio so identificados e tidos como cavidades menores e superfcie da crosta se torna rugosa e semelhante superfcie das aguas, quando ligeiramente Mesmo com suas observaes iniciais sobre a caverna, no perde o foco do o bjetivo principal de sua explorao espeleolgica. O que tornava a caverna notvel, mais do que a prpria feio em si, (LUND, 1836, p.71). A profuso de micro fsseis nos sedimentos caverncolas des tacada quando (LUND, 1836, p.72). Figura 2 Aspecto geral de um salo da Lapa Nova do Maquin, em Cordisburgo, Minas Gerais. Nesta caverna Lund teria se encantado com as belezas do subterrneo mineiro, bem como se despertado para as possibilidades de novas pesquisas no pas (Foto: Luiz E. P. Travassos)

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Pssas, Travassos & Rodrigues R egistros de Peter W. L und sobre a regio .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 30 se supor que a gua comeou por penetrar do exterior no calcrio (...) e seguiu os planos de contato das camadas e as outras fendas acidentais que existiam na rocha, dissolvendo pelo caminho as partculas do calcrio com o qual se pusera em contato; deste modo, teria sido escavada gradualmente, por ao dissolvente de milhare s de anos, a passagem quase 1836, p. 77). Posteriormente, como nos lembram Holten e Sterll (2011), pouco a pouco, a medida em que seus conhecimentos sobre a geologia das grutas aumentava, Lund apresentava melho res hipteses para a evoluo das cavernas. Ainda assim, em todas elas a gua era o fator primordial. Saindo de Curvelo/Cordisburgo em direo regio da atual APA Carste de Lagoa Santa, Lund descreve uma campina baixa e com partes pantanosas que se esten esquerda do rio das Velhas, do qual separada por alguns montculos esparsos (...). Ao norte e a oeste limita a um planalto de declive suave e, ao sul, os ltimos ramos da elevada crista do planalto central a serra do Espinhao (. ..). Na campina encontra se (LUND, 1837a, p. 94). A lapa encontra se no macio de mesmo nome localizado no que Koh ler (1989, p. 44) convencionou chamar de planalto de dolinas Tal compartimento apresenta uma viso panormica diversificada, mostrando macios com suas janelas, torres, lagos, dolinas e ouvalas [uvalas], o conjunto recoberto por fl oresta semi decdua, verde no vero p.44). O macio de Cerca Grande, localizado ao norte de Mocambeiro trata se, nas palavras de do mais espetacular edifcio crstico da regio Lund lembra que ele ca minhava em direo de mais em mais se espessava; de sbito, abre se a mata e vemos diante de nos uma plancie maravilhosa, de rara e pitoresca beleza. direita e a esquerda prolongam se as orlas da florest a, formando um arco de circulo e cercando a plancie como uma sebe viva. Em frente, eleva se uma muralha vertical de calcrio, que limita a plancie ao sul, atravessando 1837a, p. 94). Na regio de Lagoa Santa, Cerca Grande fo i uma das primeiras grutas a ser pesquisada por Lund e, tambm, tema de seu segundo tratado, em 1837. Na rocha Lund viu pela copiou para seu tratado (HOLTEN; STERLL, 2011, p. 160) (Figura 5). Figura 3 Vista panormica do macio de Cerca Grande em desenho de Andreas Brandt. Embora no interior de Maquin sua imaginao tenha produzido alguns erros, nessa viso de Cerca Grande possvel observar enorme semelhana com a reali dade apresentada na Figura 4. (Fonte: HOLTEN; STERLL, 2011, p. 146).

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Pssas, Travassos & Rodrigues R egistros de Peter W. L und sobre a regio .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 31 Figura 4 Vista panormica do macio de Cerca Grande pelas lentes do P rof. Dr. Heinz Charles Kohler. Neste lugar todos os elementos da morfologia exocrstica tpicos na regio (KOHLER, 1989, p. 46). Existem paredes com mais de 20 m de altura, seixos de quartzo rolado sobre poro de cimeira, solos vermelho escuro recobrindo o calcrio, lapiezamentos horizontais, Cavernas, sumidouros e ressurgncias fsseis e atuais, superfcie topogrfica embutida ao nvel das janelas e recoberta por solos vermelhos, travertinos, preenchendo os janeles e vestgios arqueolgicos, p aleontolgicos e pinturas rupestres (KOHLER, 1989 apud TRAVASSOS, 2010) Figura 5 esquerda, gravura que mostra Brandt copiando as pinturas rupestres em Cerca Grande. direita, detalhe de parte do painel rupestre. A image m no centro tem cerca de 50 cm. (Fonte da gravura: HOLTEN; STERLL, 2011, p. 160; Foto: Luiz E.P. Travassos) Travassos (2010) destaca que o macio de Cerca Grande foi transformado em Parque Estadual pelo Decreto n 45.398 de 14 junho de 2010. De acordo co fica criado o Parque Estadual da Cerca Grande, no Municpio de Matozinhos, integrante do Sistema de reas Protegidas do Vetor Norte da Regio Metropolitana de Belo Horizonte SAP Vetor Norte, com rea de 134.1915ha e comprovando sua importncia como um dos mais belos exemplos de feio crstica carbontica tropical. comprimento por 200 [60,96 m] de largura. No meio do seu comprimento, apresenta uma fenda, e um desfiladeiro em p lano inclinado, coberto de arvoredo, permite que seja atravessado at a parede situada ao p, era, at os ltimos quatro anos, inundada periodicamente. Porm, em poca mais remota, ali existiu um lago cujo nvel s e elevava a uma altura muito mais considervel. Este nvel esta indicado sobre a parede vertical do rochedo, pois que se v, a 70 ps [21,33 m] acima da superfcie do solo e em toda a extenso da parede, uma linha horizontal mais ou menos aparente, abaixo da qual a rocha se acha escavada e corroda de diversos Alm de abordar somente as questes do meio fsico em uma provvel trilha pedaggica, possvel abordar questes histricas e sua relao com a geografia fsica. Devemos lembrar que na poca de Lund no Brasil, o fornecimento de salitre havia sido interrompido da Europa devido s Guerras Napolenicas. Por essa razo, criou se a necessidade de produo local desta matria prima para a fabricao da plvora. Assim sendo, a gr ande quantidade de terra retirada das grutas para a extrao desse material revelou grande quantidade

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Pssas, Travassos & Rodrigues R egistros de Peter W. L und sobre a regio .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 32 STERLL, 2011, p. 117). Outro ponto de interesse e que pode ser ainda mais explorado pelo turismo cientfico a gruta do Lagoa do Sumidouro (...) foram encontrados, alm de alguns restos de animais, dois esqueletos extraordinariamente velhos de humanos em uma apud HO LTEN; STERLL, 2011, p. 164). Aspectos da prtica inadequada de extrao de salitre ou do uso do solo so mencionados por Lund conforme demonstram Holten e Sterll (2011, p. to importante no carter dos bra sileiros, anuncia se tambm na elaborao desse ramo da indstria. Se a gruta esvaziada fosse abastecida com nova camada de terra solta, esta ficaria (a experincia provou isso), mais cedo ou mais tarde, impregnada novamente com salitre; mas assim como o s istema de cultura agrcola dos brasileiros tem como consequncia que a cada ano uma parte das mais belas e frteis extenses de terra seja transformada em deserto, dessa forma ele trabalha despreocupado com o futuro, tambm aqui, com um sistema que, com o tempo vai levar a fonte desse ramo da (LUND, 1841 apud HOLTEN; STERLL, 2011, p. 177). 4. CONCLUSO O presente texto baseou se em trabalhos de Peter Wilhelm Lund escritos durante sua estadia no Brasil. O obj etivo do trabalho foi o de destacar as principais contribuies do naturalista e sua importncia para o desenvolvimento da Carstologia brasileira, ainda que no to forte quanto quela desenvolvida na mesma poca na Europa. Levando se em considerao os c onceitos o turismo pedaggico e o turismo cientfico, defende se a possibilidade de proposio dos do turismo, pois suas obras apresentam informaes importante s sobre a fauna e a flora sua poca, alm de abordar questes do meio fsico, questes histricas e sua relao com a geografia fsica REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS HOLTEN, B.; STERLL, M. Peter Lund e as grutas com ossos em Lagoa Santa Belo Horizonte, U FMG, 2011. Traduo de Luiz Paulo Ribeiro Vaz. KOHLER, H. C. Geomorfologia APA Carste de Lagoa Santa. In: IBAMA/CPRM. Meio Fsico/APA Carste de Lagoa Santa, MG Belo Horizonte: IBAMA/CPRM, 1997, v. 1. KOHLER, H. C. Geomorfologia crstica na regio de Lag oa Santa 1989. 113f. Tese (Doutorado) Universidade de So Paulo. LUND, P.W. (1836). Cavernas existentes no calcrio do interior do Brasil, contendo algumas delas ossadas fsseis: primeira memria Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1950. Notas revistas e comentadas por Carlos de Paula Couto. Cap. II, 67 93 p. LUND, P.W. (1837a). Cavernas existentes no calcrio do interior do Brasil, contendo algumas delas ossadas fsseis: segunda memria Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1950. Notas revistas e comentadas por Carlos de Paula Couto. Cap. II, 93 106 p. LUND, P.W. (1837b). Primeira memria sobre a fauna das cavernas Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1950. Notas revistas e comentadas por Carlos de Paula Couto. Cap. III, 107 13 0p. LUND, P.W. (1837c). Segunda memria sobre a fauna das cavernas Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1950. Notas revistas e comentadas por Carlos de Paula Couto. Cap. IV, 131 203p. LUND, P.W. (1838). Terceira memria sobre a fauna das cavernas Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1950. Notas revistas e comentadas por Carlos de Paula Couto. Cap V, 207 250 p. LUND, P.W. (1842). Sobre a antiguidade do homem em Lagoa Santa Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1950. Notas revistas e comentadas por Carlos de Paula Couto.Cap XII, 457 463p.

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Pssas, Travassos & Rodrigues R egistros de Peter W. L und sobre a regio .. Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 33 LUND, P.W. (1844). Notcia sobre ossadas humanas fsseis achadas numa caverna do Brasil Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1950. Notas revistas e comentadas por Carlos de Paula Couto. Cap XIII 465 488 p. LUND, P.W. Memrias sobre a Paleontologia Brasileira Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1950. Notas revistas e comentadas por Carlos de Paula Couto. 552 p. Tourism in Science or S cience in Tourism? Acta Geoturistica v.2, n.1, p.41 45, 2011 NOCE, C.M.; RENGER, F.E. A histria ecolgica da bacia hidrogrfica. In: GOULART, E.M.A. (Org.) Navegando o Rio das Velhas das Minas Gerais Belo Horizonte: Instituto Guaiacuy/SOS Rio das Velh as/Projeto Manuelzo UFMG, 2005. p.241 263 TRAVASSOS, L.E.P.; PSSAS, I.B.; RODRIGUES, B.D.; GUIMARES, R.L.; AMORIM, M. S. M. A. de.; SANTOS, E. B. (Org..). Projeto Memria da Geomorfologia Crstica Mineira Belo Horizonte: Tradio Planalto, 2012. 1 DVD Rom. TRAVASSOS, L.E.P. Contribuies cientficas do professor Dr. Heinz Charles Kohler para a Geomorfologia Crstica Tropical brasileira. Sociedade & Natureza (Online) Uberlndia, v .22, n.3, 2010. Disponvel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1982 45132010000300016&lng=en&nrm=iso Acesso em 01 Ago. 2012 Editorial flow / Fluxo editorial : Receive d / Recebido em: 04 09 201 2 Accepted / Aprovado em: 19.12 .201 2 TOURISM AND KARST AREAS ( formely /formalmente: Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas) Brazilian Speleological Society / Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) www.cavernas.org.br/turismo.asp

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Bento. Resenha: Geoturismo e interpretao ambiental Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 35 Res enha / R eview Lilian Carla Moreira Bento Doutoranda em Geografia pela Universidade Federal de Uberlndia Uberlndia MG liliancmb@yahoo.com.br MOREIRA, Jasmine Cardozo. Geoturismo e interpretao ambie ntal Ponta Grossa: Editora da UEPG, 2011. 157 p Palavras Chave : Turismo; Educao; Conservao Key Words : Tourism. Education. Conservation Resenha lanado pela Editora da UEPG em 2011 um dos poucos livros publ icados no Brasil sobre o trinmio (geodiversidade, geoconservao e geoturismo). De autoria de Jasmine Cardozo Moreira, renomada especialista na rea de turismo com nfase em geoturismo, que recebeu em 2011 o prmio Capes de Teses pelo seu excelente trabal ho Conservao: atividades interpretativas, educativas e pesquisas voltadas ao trinmio, acompanhando um tendncia que j se faz marcante no exterior. Dividido em trs captulos, bem elaborados, ilustrados e de fcil entendimento, a autora trabalha no apenas na perspectiva de elucidar conceitos tericos acerca da temtica, como trazer exemplos reais do que vem acontecendo em mbito internacional e nacional, contextuali zando o assunto. anlise mais ampla sobre o turismo, segmentos tursticos, turismo de base natural e geoturismo, com nfase nas distines entre ecoturismo e geotur ismo, bem como a premente necessidade do planejamento na garantia de um turismo sustentvel. Nesse incio notvel a preocupao em se mostrar que a atividade turstica est em franca expanso, fazendo com que surjam novos segmentos tursticos. Alm de si nalizar para as interfaces existentes entre os diferentes segmentos tursticos, propiciando uma visitao mais rica e com enfoque sistmico. Ainda sobre isso a autora destaca o potencial de outros segmentos tursticos para abordar aspectos ligados a geodiv ersidade, como o caso do turismo de aventura, demandando meios que levem esse conhecimento aos turistas. Mais ao final do captulo, o geoturismo abordado individualmente, numa tentativa de esclarecer o seu surgimento, conceito, objetivos etc. Apesar de o conceito ser recente e ainda em construo, desde o sculo XIX j aconteciam viagens motivadas por paisagens ligadas ao patrimnio geolgico. O conceito associado ao meio cientfico est ligado a Thomas Hose em 1995, mas o mesmo o aprimorou em 2000, sen do bastante utilizado nos dias atuais. Ainda hoje se percebe certa confuso com relao ao prefixo geo da palavra geoturismo, levando muitos a relacionarem com os aspectos geogrficos, enquanto que na verdade este reflete uma juno entre turismo e geologi a. Moreira na pgina 28 traz uma definio segmentao turstica sustentvel, realizado por pessoas que tm o interesse em conhecer mais os aspectos geolgicos e geomorfolgicos de um determinado local, se ndo essa a sua principal Considerando essas pessoas que fazem geoturismo, Hose (2000 apud p. 29), esclarece que podem ser dedicados ou casuais, os primeiros so motivados basicamente por propsitos educativos e os ltimos, por prazer, principalmente. Independente do tipo de geoturista, o carter educativo uma das principais caractersticas que norteiam esse segmento, devendo existir meios interpretativos que possibilitem o entendimento, a compreenso dos lugares visitados. Ainda no p rimeiro captulo comentado alguns fatores condicionantes que podem favorecer ou limitar o desenvolvimento do geoturismo, assim como os impactos positivos e negativos advindos de sua implantao, os quais sero sempre potenciais j que dependem da forma c omo a atividade foi planejada.

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Bento. Resenha: Geoturismo e interpretao ambiental Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 36 E sobre planejamento, j no final do captulo, so sugeridas algumas fases a serem implementadas em parceria com o setor pblico e privado, objetivando transformar o geoturismo num turismo sustentvel: inventrio dos pontos d e interesse; definio de objetivos e metas; desenvolvimento de aes e, finalmente, gerenciamento, avaliao e monitoramento. Da pgina 37 a 70, no segundo captulo geolgico, unidades de conservao, relevncia e relao entre patrimnio geolgico e unidades de conservao e, ao final, sobre geoparques (o que so, origem, benefcios...). Inicialmente Moreira traz o conceito de patrimnio geolgico e logo depois tra balhada a importncia de se conservar esse patrimnio, tendo por justificativa, entre muitos outros, o fato de que a histria da humanidade e da natureza no pode ser contada, reconstruda sem sua base geolgica, da a importncia da geoconservao. Geocon servao um termo recente, bastante utilizado aps 2004 com a criao da Rede Global de Geoparques e est associado conservao de exemplares da geodiversidade que apresentem indiscutvel valor a sociedade, mas valor que no seja apenas considerado em sua vertente econmica, mas sim intrnseco, ecolgico, cientfico, educativo etc. Tambm nesse captulo analisado outro conceito relacionado ao trinmio: geodiversidade, o qual, assim como os demais relacionados ao trinmio, pouco divulgado e, nesse ca so, h duas principais justificativas: deu se maior visibilidade ao conceito de biodiversidade nas grandes conferncias internacionais sobre a temtica ambiental e, se usa pouco os termos geolgicos na linguagem cotidiana. Nesse sentido percebida uma urg ncia: necessidade de humanizao da geologia, criao de uma cultura geolgica para que termos como geodiversidade e geoconservao sejam no apenas conhecidos, mas principalmente compreendidos pela sociedade em geral. Aqui a autora traz como exemplo o Pa rque Nacional de Yellowstone nos EUA que dentre tantas outras atividades voltadas interpretao do patrimnio geolgico oferece tambm visitas guiadas, atravs das quais os guarda parques do explicaes sobre os locais visitados, traduzindo a paisagem p ara os visitantes, oportunizando um raro momento em que contemplao e educao se encontram. Logo depois apresentado um panorama das reas protegidas e proteo do patrimnio geolgico no Brasil. Foi efetivamente aps a implantao do SNUC em 2000 que h ouve um avano na proteo ambiental no Brasil, este objetivando no apenas a preservao e conservao da biodiversidade, mas tambm a proteo da geodiversidade, sendo que em grande parte dos parques nacionais os atrativos esto relacionados justamente a esse aspecto da natureza, como exemplificado pela autora nos parques Estadual de Vila Velha e Nacional dos Campos Gerais. Para que as unidades de conservao de fato cumpram com seus objetivos imprescindvel a realizao do plano de manejo. Este deve nortear todo o trabalho do gestor, estabelecendo o zoneamento, normas de uso da rea, manejo dos recursos naturais etc. Na seqncia, uma anlise sobre algumas iniciativas de conservao ambiental de mbito internacional, com destaque para o Convnio para a Proteo do Patrimnio Mundial Cultural e Natural (1972) e Rede Global de Geoparques (2004). Em se tratando da lista de patrimnio da humanidade existem atualmente 10 critrios a serem atendidos e pelo menos um deve ser obedecido. Em especfico ao stio geolgico ou geomorfolgico deve atender ao critrio VII. Ainda existem poucos stios de interesse geolgico, dos 890 inscritos em 2010 apenas 8,5% esto relacionados, demonstrando que preciso se dar mais visibilidade a essa vertente abitica da natureza Tendo em vista esta realidade, foi criada outra iniciativa voltada mais especificamente a questo do patrimnio geolgico (mas no apenas), os geoparques. O diferencial dos geoparques que eles buscam o desenvolvimento sustentvel das comunidades locais a partir da conservao e uso ordenado do patrimnio geolgico, tendo como premissas a educao, a pesquisa geocientfica e o turismo. Em princpio ocorreu a criao da Rede Europia de Geoparques em 2000 (Frana, Grcia, Alemanha e Espanha) e apenas em 2 004 foi criada oficialmente a Rede Global de Geoparques, formada atualmente por 77 geoparques em 25 pases, sendo que um est localizado no Brasil: Geopark Araripe. Assim como para integrar a lista do patrimnio mundial preciso respeitar alguns critrios com a Rede Global de Geoparques no

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Bento. Resenha: Geoturismo e interpretao ambiental Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 37 os pontos principais para se integrar a essa rede, como deve ser o dossi encaminhado a UNESCO, entre outros, al m de destacar quais os benefcios de se fazer parte dessa rede. No Brasil, em conformidade com os objetivos da Rede Global de Geoparques, foi proposto pelo Servio Geolgico do Brasil (CPRM) em 2006 o Projeto Geoparques, o qual tem como metas a identifica o, descrio e divulgao de propostas nacionais. interpretao ambiental voltada aos aspectos geocientficos: atividades geoeducativas, Moreira trabalha no incio aspectos conceituais de educao e interpretao ambiental, sua relao com o patrimnio geolgico e encerra abordando os meios interpretativos passveis de serem realizados. Sobre educao ambiental citada duas conceituaes, uma do Tratado de Educao Ambiental para Sociedades Sustentveis e Responsabilidade Global (1993) e outra da Lei 9.975/99. O que h de relevante a se ressaltar sobre educao ambiental que ela deve ser encarada como um processo, contnuo e demorado, podendo acontecer em qualquer lugar, sem estar atrelada apenas a ambientes escolares e, por fim, considera se que o ato de preservar, conservar e gerenciar o ambiente faz parte do exerccio da cidadania local e global. Diante dessa constatao percebe se o potencial transformador da ed ucao ambiental, no deixando de incluir a geodiversidade nos programas educativos para no incorrer no risco de se proporcionar uma viso incompleta da natureza, sendo as unidades de conservao excelentes cenrios para sua compreenso. Nesse ponto a aut ora aborda a questo da geoeducao, citando exemplos aonde o patrimnio geolgico vem sendo utilizado com sucesso nesse tipo de atividade e mais adiante ela refora o fato da sociedade no ser sensvel s questes relativas ao patrimnio geolgico, indica ndo formas de se trabalhar essa temtica no Ensino Fundamental, Mdio e Superior. Indica, ainda, a possibilidade de realizao de cursos com professores, estimulando os a abordar o patrimnio geolgico e colocar os alunos em contato direto com a geodiversi dade atravs dos trabalhos/sadas de campo. Quanto interpretao ambiental, Tilden (1957) foi o primeiro a defini la, tendo por objetivo a conservao ambiental mediante a sensibilizao dos visitantes para a paisagem contemplada, fornecendo informaes, entre elas do patrimnio geolgico, de forma atrativa, para que se consiga promover o entendimento e, espera se, a valorizao destes lugares. Referente aos meios interpretativos eles podem ser classificados em meios personalizados ou no personalizados s endo que para cada tipo de meio interpretativo abordado facultado explicaes gerais como caractersticas principais, objetivos e exemplos, fornecendo ao leitor fundamentao suficiente que o ajuda a compreender melhor esta temtica e, se for o caso, a e scolher por um ou outro segundo seus objetivos. educativas visando a interpretao do ambiente em so indicados alguns procedimentos. A primeira ao indicada o esta belecimento de pontos de interesse geolgico ou geodidtico que podem ser utilizados tanto por professores como condutores, pesquisadores, visitantes, entre outros. Para a seleo destes pontos sugerem se as seguintes etapas: (a) estudo prvio e inventrio (b) descrio, (c) classificao e (d) elaborao de mapa com os pontos de interesse. O objetivo direcionar o olhar do visitante e facilitar o entendimento dos aspectos geolgicos, sendo necessrio, para isso, que sejam disponibilizados meios interpret ativos em cada ponto, como painis e material impresso. Outra ao a realizao de cursos para condutores, citando como estudo de caso o curso de condutor de geoturismo realizado no Parque Nacional do Iguau e no Parque Nacional Marinho de Fernando de No ronha. Entre as propostas de geoeducao a autora indica as atividades geoeducativas com algumas sugestes para o Ensino Fundamental e Mdio; as sadas de campo; os kits pedaggicos e a realizao de cursos e eventos. A autora conclui na expectativa de que sua obra sensibilize gestores de unidades de conservao, planejadores tursticos, visitantes e comunidade quanto necessidade e importncia da educao e interpretao ambiental, ressaltando tambm a premncia da incluso de temticas relacionadas ao pa trimnio geolgico nessas mesmas atividades. Vale a pena salientar que ao final oferecido ao leitor diversificado referencial, oportunizando

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Bento. Resenha: Geoturismo e interpretao ambiental Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 201 2 38 que a reflexo sobre esta temtica seja enriquecida e aprofundada, tencionando a divulgao, entendimento e valor izao de uma natureza integrada e no dicotomizada em bio e geodiversidade. livro de notvel valia para todos aqueles que so solidrios e sensveis a questo do patrimnio geolgico, apresentando ferramentas t eis na luta pela incluso dessa temtica nos projetos de educao e interpretao ambiental realizadas em reas protegidas, bem como no currculo de disciplinas ofertadas nos diferentes nveis de ensino Editorial flow / Fluxo editorial : Received / Recebido e m: 22 02 201 2 Accepted /Aprovado em: 03 .0 4 .201 2 TOURISM AND KARST AREAS ( formely /formalmente: Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas) Brazilian Speleological Society / Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) www.cavernas.org.br/turismo.asp

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Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 39 SUMRIO DE TTULOS VOLUME 5 (SUMMARY OF TITLES VOLUME 5 ) ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES I mpactos socioculturais e econ micos do turismo no bairro da Serra, Iporanga SP destino espeleoturstico de So P aulo S ocio cultural and economic impacts o f tourism on Serra district, I poranga SP a speleo tourist destination of So Paulo Mrio Donizeti Domingos, Maria do Carmo Calijuri, Simone Benassi & Giordana Doria 07 R egistros de Peter W Lund sobre a regio do carste de Lagoa Santa, Minas Gerais: poss ibilidades para o turismo pedaggico e cientfico Records of Peter W. Lund about the Lagoa Santa karst region, Minas Gerais: possibilities for pedagogical and scientific tourism Isabela Braichi Pssas, Luiz Eduardo Panisset Travassos & Bruno Duro Rodrigue s 25 RESENHA / REVIEW MOREIRA, Jasmine Cardozo. Geoturismo e interpretao ambiental Ponta Gros sa: Editora da UEPG, 2011 Lilian Carla Moreira Bento 35

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Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 40 NDICE DE ASSUNTOS VOLUME 5 ( INDEX OF SUBJECTS VOLUME 5 ) B Bairro da Serra 7 Betari River 7 Brasil 25 Brazil 25 Brazilian Karstology 25 C Carstologia brasileira 25 Conservao, 35 Conservation 35 E E ducao 35 Education 35 I Impactos do turismo 7 M Minas Gerais 25 P PETAR 7 Peter W. Lund 25 R Rio Betari 7 S Serra district 7 T Tourism impacts 7 Tourism 35 Turismo, 35

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Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 41 NDICE DE AUTORES VOLUME 5 (INDEX OF AUTHORS VOLUME 5 ) B Benassi 7 Bento 3 5 C Calijuri 7 D Domingos 7 Doria 7 P Pssas 2 5 R Rodrigues, 2 5 T Travassos 2 5

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Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 42 QUADRO DE AVALIADORES VOLUME 5 ( BOAR D OF REVIEW VOLUME 5 ) No ano de 20 1 2 os originais recebidos foram avaliados pelos seguintes pesquisadores: Dr. Heros Augusto Santos Lobo Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) Dr. Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Centro Universitrio Fundao Santo Andr (CUFSA) Dra. Isabela de Ftima Fogaa Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ ) Dr. Zysman Neiman Unive rsidade Federal de So Carlos ( UFSCAR )

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Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 43 GESTO EDITORIAL 20 1 2 ( EDITORIAL MANAGEMENT 201 2 ) Durante o ano de 20 1 2 a revista Tourism na Karst Areas apresentou o seguinte fluxo editorial de avaliao de originais: Originais recebidos em 2012: 05 Originais publicados em 2012: 03 Originais reprovados em 2012: 01 Originais recebidos em 2012 em processo de avaliao: 01 Procedncia dos trabalhos publicados *: Brasil: 03, sendo: So Paulo: 01 Minas Gerais: 02 Considerando o vnculo institucional do primeiro autor de cada trabalho. Inclui todas as sees da revista. Web site (no perodo de 01/01/2012 a 31/12/2012) T otal de page views (pgina da revista): 4.558 Total de page views (pgina de cada nmero) Volume 4 Nmero 2: 1.276 Volume 4 Nmero 1: 1.063 Volume 3 Nmero 2: 793 Volume 3 Nmero 1: 899 Volume 2 Nmero 2: 667 Volume 2 Nmero 1: 761 Volume 1 Nmero 2: 1.064 Volume 1 Nmero 1: 697 Total de downloads (revista completa): Volume 4 Nmero 2: 972 Volume 4 Nmero 1: 433 Volume 3 Nmero 2: 386 Volume 3 Nmero 1: 583 Volume 2 Nmero 2: 536 Volume 2 Nmero 1: 443 Volume 1 Nmero 2: 1.735 Volume 1 Nmero 1: 925 Total d e downloads (por artigo): Volume 4 nmero 2 p. 065 069: 190 Volume 4 nmero 2 p. 071 088: 380 Volume 4 nmero 2 p. 089 105: 376 Volume 4 nmero 2 p. 107 119: 358 Volume 4 nmero 2 p. 121 130: 303 Volume 4 nmero 2 p. 131 139: 166 Volume 4 nmer o 1 p. 000 006: 197 Volume 4 nmero 1 p. 007 016: 301 Volume 4 nmero 1 p. 017 025: 312 Volume 4 nmero 1 p. 027 031: 461 Volume 4 nmero 1 p. 033 044: 244 Volume 4 nmero 1 p. 045 053: 970 Volume 4 nmero 1 p. 055 063: 362 Volume 3 nmero 2 p. 049 053: 170 Volume 3 nmero 2 p. 055 065: 222 Volume 3 nmero 2 p. 067 077: 211 Volume 3 nmero 2 p. 079 089: 231 Volume 3 nmero 2 p. 091 092: 120 Volume 3 nmero 1 p. 093 097: 128 Volume 3 nmero 1 p. 000 004: 191 Volume 3 nmero 1 p. 005 010: 254 Volume 3 nmero 1 p. 011 019: 183 Volume 3 nmero 1 p. 021 030: 282 Volume 3 nmero 1 p. 031 043: 274 Volume 3 nmero 1 p. 045 046: 267 Volume 3 nmero 1 p. 047 048: 192 Volume 2 nmero 2 p. 097 100: 107 Volume 2 nmero 2 p. 101 112: 765 Volume 2 nmero 2 p. 113 129: 289 Volume 2 nmero 2 p. 131 137: 190 Volume 2 nmero 2 p. 139 145: 146 Volume 2 nmero 1 p. 000 004: 290 Volume 2 nmero 1 p. 005 015: 945 Volume 2 nmero 1 p. 017 025: 303 Volume 2 nmero 1 p. 027 039 : 667 Volume 2 nmero 1 p. 041 055: 1.479 Volume 2 nmero 1 p. 057 068: 801 Volume 2 nmero 1 p. 069 077: 179 Volume 2 nmero 1 p. 079 096: 3.017 Volume 1 nmero 2 p. 093 105: 194 Volume 1 nmero 2 p. 107 120: 1.179 Volume 1 nmero 2 p. 121 1 29: 247 Volume 1 nmero 2 p. 131 144: 616 Volume 1 nmero 2 p. 145 164: 968 Volume 1 nmero 2 p. 165 172: 1.303 Volume 1 nmero 2 p. 173 182: 1.026

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Campinas, SeTur/SBE. Tourism and Karst Areas 5 ( 1 ), 20 1 2 44 Volume 1 nmero 2 p. 183 187: 292 Volume 1 nmero 2 p. 189 190: 176 Volume 1 nmero 2 p. 191 1 91: 179 Volume 1 nmero 1 p. 000 005: 372 Volume 1 nmero 1 p. 007 017: 160 Volume 1 nmero 1 p. 019 028: 251 Volume 1 nmero 1 p. 029 042: 328 Volume 1 nmero 1 p. 043 055: 198 Volume 1 nmero 1 p. 057 065: 352 Volume 1 nmero 1 p. 067 076: 640 Volume 1 nmero 1 p. 077 088: 3.326 Volume 1 nmero 1 p. 089 090: 223 Volume 1 nmero 1 p. 091 092: 287 Heros Augusto Santos Lobo Editor Chefe Marcelo Augusto Rasteiro Editor Executivo TOURISM AND KARST AREAS ( formally /formalmente: Pesqu isas em Turismo e Paisagens Crsticas) Brazilian Speleological Society / Sociedade Brasile ira de Espeleologia (SBE) www.cavernas.org.br/turismo.asp