SBE Turismo e Paisagens Cársticas

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SBE Turismo e Paisagens Cársticas

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Title:
SBE Turismo e Paisagens Cársticas
Series Title:
Tourism and Karst Areas
Alternate Title:
Tourism and Karst Areas
Publisher:
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Genre:
serial ( sobekcm )

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General Note:
Capa, Expediente, Sumário, Editorial, Dados do Volume 1l ARTIGOS ORIGINAISÁreas Cársticas, Cavernas e a Estrada Real Karst Areas, Caves and the Estrada Real Luiz Eduardo Panisset Travassos, Rose Lane Guimarães Isabela Dalle Varela Valoração Econômica das Cavernas da Microbacia do Rio Salobra, Bodoquena-MS Como Subsídio ao Planejamento Ecoturístico Economic Evaluation of Caves in the Watershed of the Salobra River, Bodoquena-MS, as Support for Planning of Ecotourism Luciana Ferreira Silva Rafael Rodrigues Camargo Espeleoturismo na Caverna Lapa Doce: Potencialidades Para um Turismo Sustentável no Município de Iraquara - Bahia Speleotourism in the Lapa Doce Cave: Great Potential for Sustainable Tourism in Iraquara Town - Bahia Rodrigo Alves Santos Uso da Cartilha "Aventura da Vida nas Cavernas" Como Ferramenta de Educação nas Atividades de Turismo em Paisagens Cársticas Use of the Booklet "Adventure of Life in Caves" as an Educational Tool in Activities for Tourism in Karst Regions Rodrigo Lopes Ferreira, Flávio Túlio M. C. Gomes Marconi Souza Silva A Gruta de São Cosme e Damião e a Umbanda, Cordisburgo, Minas Gerais The Cave of Saint Cosmas and Damian and the Umbanda, Cordisburgo, Minas Gerais Luiz Eduardo Panisset Travassos, Aurino José Góis, Rose Lane Guimarães Isabela Dalle Varela Grutas, Religião e Cultos: Exemplos de Portugal Caves, Worship and Religion: Some Portuguese Case Studies João Forte, Sérgio Medeiros, Gustavo Medeiros, Carlos Ferreira, Rita Lemos, Hugo Mendes, Cláudia Neves, Pedro Alves, Eduardo Guedes Paulo Barcelos RELATOS DE EXPERIÊNCIASSpeleotourism in Peninsular Malaysia Liz Price RESUMOS DE TESES E DISSERTAÇÕESO Lado Escuro do Paraíso: Espeleoturismo na Serra da Bodoquena, MS The Dark Side of the Speleotouristic Paradise in the Serra da Bodoquena, MS Heros Augusto Santos Lobo Características, Práticas e Motivações dos Visitantes de Cavernas Characteristics, Motives and Activities of Visitors to Caves Marcelo Augusto Rasteiro
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Vol. 1, no. 2 (2008)
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K26-03697 ( USFLDC DOI )
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Capa, Expediente,
Sumrio, Editorial, Dados do Volume 1l
ARTIGOS ORIGINAISreas Crsticas, Cavernas e a Estrada
Real Karst Areas, Caves and the Estrada Real Luiz Eduardo
Panisset Travassos, Rose Lane Guimares & Isabela Dalle
Varela Valorao Econmica das Cavernas da Microbacia do Rio
Salobra, Bodoquena-MS Como Subsdio ao Planejamento
Ecoturstico Economic Evaluation of Caves in the Watershed of
the Salobra River, Bodoquena-MS, as Support for Planning of
Ecotourism Luciana Ferreira Silva & Rafael Rodrigues
Camargo Espeleoturismo na Caverna Lapa Doce: Potencialidades
Para um Turismo Sustentvel no Municpio de Iraquara Bahia
Speleotourism in the Lapa Doce Cave: Great Potential for
Sustainable Tourism in Iraquara Town Bahia Rodrigo Alves
Santos Uso da Cartilha "Aventura da Vida nas Cavernas" Como
Ferramenta de Educao nas Atividades de Turismo em Paisagens
Crsticas Use of the Booklet "Adventure of Life in Caves" as an
Educational Tool in Activities for Tourism in Karst Regions
Rodrigo Lopes Ferreira, Flvio Tlio M. C. Gomes & Marconi
Souza Silva A Gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda,
Cordisburgo, Minas Gerais The Cave of Saint Cosmas and Damian
and the Umbanda, Cordisburgo, Minas Gerais Luiz Eduardo
Panisset Travassos, Aurino Jos Gis, Rose Lane Guimares &
Isabela Dalle Varela Grutas, Religio e Cultos: Exemplos de
Portugal Caves, Worship and Religion: Some Portuguese Case
Studies Joo Forte, Srgio Medeiros, Gustavo Medeiros, Carlos
Ferreira, Rita Lemos, Hugo Mendes, Cludia Neves, Pedro Alves,
Eduardo Guedes & Paulo Barcelos
RELATOS DE EXPERINCIASSpeleotourism in Peninsular
Malaysia Liz Price
RESUMOS DE TESES E DISSERTAESO Lado Escuro do Paraso:
Espeleoturismo na Serra da Bodoquena, MS The Dark Side of the
Speleotouristic Paradise in the Serra da Bodoquena, MS Heros
Augusto Santos Lobo Caractersticas, Prticas e Motivaes dos
Visitantes de Cavernas Characteristics, Motives and Activities
of Visitors to Caves Marcelo Augusto Rasteiro



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reas Crsticas, Cavernas e a Estrada Real Luiz Eduardo Panisset T ravasssos, Rose Lane Guimares & Isabela Dalle V arela V alorao Econmica das Cavernas da Microbacia do Rio Salobra, Bodoquena-MS Como Subsdio ao Plane jamento Ecoturstico Luciana Ferreira Silva & Rafael Rodrigues Camargo Espeleoturismo na Caverna Lap a Doce: Potencialidades Para um T urismo Sustentvel no Municpio de Iraquara Bahia Rodrigo Alves Santos Uso da Cartilha “A ventura da V ida nas Cavernas” Como Ferrament a de Educao nas Atividades de T urismo em Paisagens Crsticas Rodrigo Lopes Ferreira, Flvio Tlio M. C. Gomes & Marconi Souza Silva A Grut a de So Cosme e Damio e a Umbanda, Cordisburgo, Minas Gerais Luiz Eduardo Panisset T ravassos, Aurino Jos Gis, Rosa Lane Guimares & Isabela Dalle V arela Grut as, Religio e Cultos: Exemplos de Portugal Joo Forte, Srgio Medeiros, Gust avo Medeiros, Carlos Ferreira, Rit a Lemos, Hugo Mendes, Cludia Neves, Pedro Alves, Eduardo Guedes & Paulo Barcelos S peleotourism in Peninsular Malaysia Liz Price O Lado Escuro do Paraso: Espeleoturismo na Serra da Bodoquena, MS Heros Augusto Santos Lobo Artigos Originais Relatos de Experincias Resumos de T eses e Dissert aes Caractersticas, Prticas e Motivaes dos V isit antes de Cavernas Marcelo Augusto Rasteiro R www .sbe.com.br/turismo.asp ISSN 1983-473X V olume 1 Nmero 2 Dezembro 2008 I g r e j a d e N o s s a S e n h o r a d a L a p a e m S o u t e l o P o r t u g a l F o t o : J o o F o r t e

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008.

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 93 EXPEDIENTE Sociedade Brasileira de Espeleologia ( Brazilian Society of Speleology ) Diretoria 2007-2009 Presidente: Emerson Gomes Pedro Vice-presidente: Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Tesoureira: Elvira Maria Antunes Branco 1 Secretrio: Paulo Valsecchi do Amaral 2 Secretrio: Silmar Onofre de Oliveira Conselho Deliberativo 2007-2009 ngelo Spoladore Heros Augusto Santos Lobo Paulo Rodrigo Simes Rogrio Henry Bertuso Magalhes (Presidente) Thiago Faleiros Santos Suplentes Carlos Leonardo B. Giunco Carmen Vianna Seo de Espeleoturismo – SeTur/SBE Cesar Ulisses Vieira Verssimo rica Nunes (Comisso de Espeleo-incluso) Heros Augusto Santos Lobo (Coordenador) Jos Antonio Basso Scaleante Jos Ayrton Labegallini Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Marcelo Augusto Rasteiro Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas ( Research in Tourism and Karst Areas ) Editor-Chefe ( Editor-in-Chief ) MSc. Heros Augusto Santos Lobo Universidade Estadual Paulista “Jlio de Mesquita Filho” – IGCE/UNESP, Brasil Editor Associado ( Associated Editor ) Dr. Cesar Ulisses Vieira Verssimo Universidade Federal do Cear – UFC, Brasil Editor Executivo ( Executive Editor ) Esp. Marcelo Augusto Rasteiro Sociedade Brasileira de Espeleologia – SBE, Brasil

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 94 Conselho Editorial ( Editorial Board ) Dr. Andrej Aleksej Kranjc Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Angel Fernndes Corts Universidad de Alicante, UA, Espanha Dr. Arrigo A. Cigna Interntional Union of Speleology / Interntional Show Caves Association, Itlia Dr. Edvaldo Cesar Moretti Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD, Brasil Dr. Jersone Tasso Moreira Silva Universidade FUMEC, Brasil Dr. Jos Alexandre de Jesus Perinotto Universidade Estadual Paulista “Jlio de Mesquita Filho” – IGCE/UNESP, Brasil MSc. Jos Antonio Basso Scaleante Pontficia Universidade Catlica de Campinas – PUCCamp, Brasil MSc. Jos Ayrton Labegalini Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil Dra. Linda Gentry El-Dash Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Brasil MSc. Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Centro Universitrio Fundao Santo Andr – FSA, Brasil MSc. Luiz Eduardo Panisset Travassos Faculdade Promove/Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais – PUC/MG, Brasil Dr. Marconi Souza Silva Faculdade Presbiteriana Gammon – Fagammon/Centro Universitrio de Lavras – UNILAVRAS, Brasil Dr. Marcos Antonio Leite do Nascimento Servio Geolgico do Brasil – CPRM, Brasil Dra. Natasa Ravbar Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Paolo Forti Universit di Bologna, Itlia Dr. Paulo Cesar Boggiani Universidade de So Paulo – IGc/USP, Brasil Dr. Paulo dos Santos Pires Universidade Vale do Itaja – UNIVALI, Brasil MSc. Ricardo Jos Calembo Marra Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – IBAMA, Brasil Dr. Ricardo Ricci Uvinha Universidade de So Paulo – EACH/USP, Brasil Dr. Srgio Domingos de Oliveira Universidade Estadual Paulista “Jlio de Mesquita Filho” –UNESP/Rosana, Brasil Dr. Tadej Slabe Karst Research Institute, Eslovnia Dra. rsula Ruchkys de Azevedo CREA-MG, Brasil Dr. William Sallun Filho Instituto Geolgico do Estado de So Paulo – IG, Brasil Dr. Zysman Neiman Universidade Federal de So Carlos – UFSCAR, Brasil Comisso de Traduo ( Translation Committee ) Dra. Linda Gentry El-Dash – Ingls Esp. Gisele Neves Catarino – Espanhol

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 95 SUMRIO (CONTENTS) Editorial 96 ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES reas Crsticas, Cavernas e a Estrada Real Karst Areas, Caves and the Estrada Real Luiz Eduardo Panisset Travassos, Rose Lane Guimares & Isabela Dalle Varela 107 Valorao Econmica das Cavernas da Microbacia do Rio Salobra, Bodoquena-MS Como Subsdio ao Planejamento Ecoturstico Economic Evaluation of Caves in the Watershed of the Salobra River, Bodoquena-MS, as Support for Planning of Ecotourism Luciana Ferreira Silva & Rafael Rodrigues Camargo 121 Espeleoturismo na Caverna Lapa Doce: Pote ncialidades Para um Turismo Sustentvel no Municpio de Iraquara – Bahia Speleotourism in the Lapa Doce Cave: Great Pote ntial for Sustainable Tourism in Iraquara Town – Bahia Rodrigo Alves Santos 131 Uso da Cartilha “Aventura da Vida nas C avernas” Como Ferramenta de Educao nas Atividades de Turismo em Paisagens Crsticas Use of the Booklet “Adventure of Life in Caves” as an Educational Tool in Activities for Tourism in Karst Regions Rodrigo Lopes Ferreira, Flvio Tlio M. C. Gomes & Marconi Souza Silva 145 A Gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda, Cordisburgo, Minas Gerais The Cave of Saint Cosmas and Damian and the Umbanda, Cordisburgo, Minas Gerais Luiz Eduardo Panisset Travassos, Aurino Jos Gis Rose Lane Guimares & Isabela Dalle Varela 165 Grutas, Religio e Cultos: Exemplos de Portugal Caves, Worship and Religion: Some Portuguese Case Studies Joo Forte, Srgio Medeiros, Gustavo Medeiros Carlos Ferreira, Rita Lemos, Hugo Mendes, Cludia Neves, Pedro Alves, Eduardo Guedes & Paulo Barcelos 173 RELATOS DE EXPERINCIAS / REPORTS OF EXPERIENCES Speleotourism in Peninsular Malaysia Liz Price 183 RESUMOS DE TESES E DISSERTA'ES / MASTER AND DOCTORAL THESIS: ABSTRACTS O Lado Escuro do Paraso: Espeleot urismo na Serra da Bodoquena, MS The Dark Side of the Speleotouristic Pa radise in the Serra da Bodoquena, MS Heros Augusto Santos Lobo 189 Caractersticas, prticas e motivaes dos visitantes de cavernas Characteristics, Motives and Activities of Visitors to Caves Marcelo Augusto Rasteiro 191

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 96 EDITORIAL Chegamos ao final de nosso primeiro ano de vida. Os desafios de se editar uma revista no Brasil, sem recursos disponveis e com trabalho voluntrio de t odos os envolvidos so no mnimo instigantes. Mas pelo desenvolvimento da espeleologia e da turismologia que continuamos engendrando nossos esforos, com o vital apoio dos diversos articulistas que contribuem para este nmero – pesquisadores das mais variadas reas do conheci mento, o que reflete a pl uralidade e a amplitude dos estudos voltados ao turismo e as reas crsti cas. Alm disso, no podemos deixar de agradecer de antemo aos nossos revisore s, que auxiliam na manuten o da qualidade dos trabalhos publicados. Para a presente edio fomos brindados com seis artigos originais e um relato de experincia vindo do exterior. O artigo de aber tura encabeado por Luiz Eduar do Panisset Travassos, que trs uma anlise sobre a ocorrncia de cavernas ao lo ngo do roteiro turstico “Estrada Real”, nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. O segundo artigo, de autoria de Luciana Ferreira da Silva e Rafael Rodrigues Camargo, apresenta uma aplicao pioneira em nvel nacional de mtodos e tcnicas de valorao de recursos naturais em cavernas, tomando co mo estudo de caso a regio do Ri o Salobra, nos limites do Parque Nacional da Serra da Bodoquena – Mato Grosso do Sul. Na sequncia, o gegrafo Rodrigues Alves Santos apresenta uma anlise com base em critrios qualitativos e perceptivos sobre o uso turstico da Lapa Doce, em Iraquara, na Bahia. O quarto artigo apresenta o processo de confeco e os resultados obtidos para uma cartilha de educao ambiental com enfoque na vida cavern cola, encabeado pelo professor Rodrigo Lopes Ferreira. Trata-se de material inovador, com li nguagem acessvel ao pblico infanto-juvenil; muito embora em um formato pouco convencional em publicaes cientficas, mas julgado oportuno exatamente pela ruptura com as formas tradicionais de comunicao cientfica, alm da qualidade e originalidade da proposta. Os dois ltimos artigos versam sobre aspectos que ligam as cavernas religio. No trabalho de Travassos, Gis, Guimares e Varela, o enf oque dado umbanda, religio de origem afrobrasileira que reflete a pluralidade e o sincretism o religioso brasileiros. O ltimo artigo assinado por diversos pesquisadores portugueses, sob coor denao de Joo Forte. Ele nos apresenta um estudo sobre diversas formas de utilizao religiosa de cavernas em Portugal. A pesquisadora da IUCN, Liz Pric e, ainda nos apresenta um relato sobre a utilizao turstica de cavernas e demais formas crsticas na Malsia. Fecham este nmero dois resumos de trabalhos acadmicos, corroborando nossa poltica de disseminao da produo cientfica brasileira sobre os temas correlatos revista. Para o ano de 2009, algumas mudanas j so a nunciadas, tanto no formato de avaliao dos artigos quanto na composio de nosso Conselho Editorial. Edies temticas esto programadas – o nmero 1 do volume 2 ser sobre Geoturismo –, bem como a indexa o internacional da revista, que est em andamento. A revista Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas o seu canal de comunicao cientfica sobre os temas que trabalhamos. Colabore conosco, envia ndo artigos, sugestes e manifestando sua opinio sobre nosso trabalho. Heros Augusto Santos Lobo Editor-Chefe

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 97 SUMRIO DE TTULOS – VOLUME 1 (SUMMARY OF TITLES – VOLUME 1) ARTIGOS ORIGINAIS/ORIGINAL ARTICLES Narrativa Sobre a Efetivao de Um Pa rque e Algumas de Suas Humanidades Narratives on the Implementation of a Park and Some of Its Humanities Cludio Eduardo de Castro & Ana Maria Lopez Espinha 7 “Mal Para Ns, Bom Para o Mundo?” Um Olhar Antropolgico Sobre a Conservao Ambiental no Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira (PETAR) “Its Bad for Us and Good to the World?” An Anthropological Overview About Environmental Conservation in Alto Ribeira State Park (PETAR) Pedro Castelo Branco Silveira 19 Estudo das Transformaes da Estrutura Fsica do Bairro da Serra, Entorno do PETAR, em Decorrncia da Atividade Turstica Study of Physical Structure Transformations of Serra Disctrict, PETAR Surrounding Area, in Consequence of the Tourism Activity Isabela de Ftima Fogaa 29 Nveis de Radnio em Cavernas do Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira (PETAR) Radon Levels in Caves of Parque Esta dual Turstico do Alto Ribeira (PETAR) Simone Alberigi & Brigitte R. S. Pecequilo 43 Espeleoturismo e Educao Ambiental no PETAR – SP Speleotourism and Environmental Education in PETAR (SP) Zysman Neiman & Andra Rabinovici 57 Ecoturismo e Percepo de Impactos Socioambi entais sob a "tica dos Turistas no Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira – PETAR Ecotourism and the Perception of Socio-Environmental Impac ts From the Point of View of Tourists in the State Touristic Park of the Upper Ribeira River – PETAR Heros Augusto Santos Lobo 67 Incluso Social de Portadores de Necessidades Especiais (PNEs) e a Prtica do Turismo em reas Naturais: Avaliao de Seis Cavida des Tursticas do Estado de So Paulo Social Inclusion of Individuals With Special Needs and Tourism in Natural Areas: Evaluation of Six Tourist Cavities State of So Paulo rica Nunes, Cludia Santos Luz, Daniela Tomo chigue dos Anjos, Aymor Cunha Gonalves, Luiz Afonso Vaz de Figueiredo & Robson Almeida Zampaulo 77 reas Crsticas, Cavernas e a Estrada Real Karst Areas, Caves and the Estrada Real Luiz Eduardo Panisset Travassos, Rose Lane Guimares & Isabela Dalle Varela 107 Valorao Econmica das Cavernas da Microbacia do Rio Salobra, Bodoquena-MS Como Subsdio ao Planejamento Ecoturstico Economic Evaluation of Caves in the Watershed of the Salobra River, Bodoquena-MS, as Support for Planning of Ecotourism Luciana Ferreira Silva & Rafael Rodrigues Camargo 121

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 98 Espeleoturismo na Caverna Lapa Doce: Pote ncialidades Para um Turismo Sustentvel no Municpio de Iraquara – Bahia Speleotourism in the Lapa Doce Cave: Great Pote ntial for Sustainable Tourism in Iraquara Town – Bahia Rodrigo Alves Santos 131 Uso da Cartilha “Aventura da Vida nas C avernas” Como Ferramenta de Educao nas Atividades de Turismo em Paisagens Crsticas Use of the Booklet “Adventure of Life in Caves” as an Educational Tool in Activities for Tourism in Karst Regions Rodrigo Lopes Ferreira, Flvio Tlio M. C. Gomes & Marconi Souza Silva 145 A Gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda, Cordisburgo, Minas Gerais The Cave of Saint Cosmas and Damian and the Umbanda, Cordisburgo, Minas Gerais Luiz Eduardo Panisset Travassos, Aurino Jos Gis Rose Lane Guimares & Isabela Dalle Varela 165 Grutas, Religio e Cultos: Exemplos de Portugal Caves, Worship and Religion: Some Portuguese Case Studies Joo Forte, Srgio Medeiros, Gustavo Medeiros Carlos Ferreira, Rita Lemos, Hugo Mendes, Cludia Neves, Pedro Alves, Eduardo Guedes & Paulo Barcelos 173 RELATOS DE EXPERINCIAS / REPORTS OF EXPERIENCES Speleotourism in Peninsular Malaysia Liz Price 183 RESUMOS DE TESES E DISSERTA'ES/ MASTER AND DOCTORAL THESIS: ABSTRACTS Plano de Manejo Para Cavernas Tursticas: Procedimentos Para Elaborao e Aplicabilidade Speleologycal Management Plan: Procedures For Establishment And Applicability Ricardo Jos Calembo Marra 89 Caracterizao do Carste da Regio de Cordisburgo, Minas Gerais The Characterization of the Cordisburgo Karst Region, Minas Gerais Luiz Eduardo Panisset Travassos 91 O Lado Escuro do Paraso: Espeleot urismo na Serra da Bodoquena, MS The Dark Side of the Speleotouristic Pa radise in the Serra da Bodoquena, MS Heros Augusto Santos Lobo 189 Caractersticas, prticas e motivaes dos visitantes de cavernas Characteristics, motives and activities of visitors to caves Marcelo Augusto Rasteiro 191

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 99 NDICE DE ASSUNTOS – VOLUME 1 (INDEX OF SUBJECTS – VOLUME 1) A African cults, 165 Anthropology and Environment, 19 Antropologia e Meio Ambiente, 19 Atlantic Rainforest, 19 B Bairro da Serra, 29 Bioespeleologia, 145 Biospeleology, 145 C Capacidade de Carga, 89 Caracterizao Geogrfica, 91 Carrying Capacity, 89 Carso, 173 Carste, 91 Cartilhas educativas, 145 Caverna Lapa Doce, 131 Cavernas, 43, 77, 107, 191 Cavernas Tursticas, 89 Caves, 43, 107, 173, 191 Caving, 191 Conflitos Ambientais, 07, 19 Conservao, 145 Conservao Ambiental, 131 Conservao da Natureza, 189 Conservation, 145 Cordisburgo, 91 Cosmas and Damian, 165 Cosme e Damio, 165 Cultos afros, 165 D Demanda turstica, 121 Detectores Slidos de Traos Nucleares (SSNTD), 43 E Ecotourism, 07, 189, 191 Ecotourism planning, 121 Ecoturismo, 07, 67, 77, 189, 191 Ecoturismo Espeleolgico, 89 Educao Ambiental, 57, 145 Educational booklets, 145 Environmental Awareness, 67 Environmental Conflicts, 07, 19 Environmental Education, 57, 145 Environmental Impacts, 67 Environmental Perception and Interpretation, 57 Environmental Preservation, 131 Environmental Speleology Planning, 89 Environmental valuation, 121 Espeleismo, 191

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 100 Espeleologia, 191 Espeleoturismo, 57, 131, 189 Estrada Real, 107 F G Geographical Characterization, 91 Geotourism, 107 Geoturismo, 107 Grutas, 173 H I Impacts, 29 Impactos, 29 Impactos Ambientais, 67 Incluso Social, 77 Infra-estrutura, 77 Iraquara, 131 J K Karst, 91, 173 L Landscape, 29 Lapa Doce Cave, 131 Local and Global, 19 Local e Global, 19 M Management of Planning for Caves, 89 Map of Karst Phenomena, 91 Mapa de Fenmenos Crsticos, 91 Mata Atlntica, 19 Motivao, 191 Motivation, 191 N NatureÂ’s Conservation, 189 O P Paisagem, 29 Percepo Ambiental, 67 Percepo e Interpretao Ambiental, 57 Person With Special Needs, 77 PETAR, 07 Planejamento, 131 Planejamento Ambiental Espeleolgico, 89 Planejamento ecoturstico, 121 Planning, 131 Plano de Manejo Para Cavernas, 89

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 101 Populaes Tradicionais, 07 Portadores de Necessidades Especiais, 77 Portugal, 173 Protected Areas, 77 Q R Radon, 43 Radnio, 43 Religio, 173 Religion, 173 Religious syncretism, 165 Ribeira River Valley, 19 S Serra District, 29 Sincretismo religioso, 165 Social Inclusion, 77 Solid State Nuclear Tracks (SSNTD), 43 Speleology, 191 Speleology Ecotourism, 89 Speleotourism, 67, 77, 131, 189 Spelunking Tourism, 57 Suitable Structures, 77 Sustainability, 107 Sustentabilidade, 107 T Territorialidade Turstica, 189 Tourism, 29, 173 Tourism in Caves, 67, 89 Tourist demand, 121 Traditional Communities, 07 Turismo, 29, 171 Turismo em Cavernas, 67, 89 U Umbanda, 165 Unidades de Conservao, 07 Units of Conservation, 07 Urbanizao, 29 Urbanization, 29 V Vale do Ribeira, 19 Valorao ambiental, 121 Visitao, 191 Visitation [or caves], 191 W X Y Z

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 102 NDICE DE AUTORES – VOLUME 1 (INDEX OF AUTHORS – VOLUME 1) A Alberigi, 43 Alves, 173 Anjos, 77 B Barcelos, 173 C Camargo, 121 Castro, 07 D E Espinha, 07 F Ferreira, 145, 173 Figueiredo, 77 Fogaa, 29 Forte, 173 G Guedes, 173 Guimares, 107, 165 Gis, 165 Gomes, 145 Gonalves, 77 H I J K L Lemos, 173 Lobo, 67, 189 Luz, 77 M Marra, 89 Medeiros, 173 Mendes, 173 N Neiman, 57 Neves, 173 Nunes, 77

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 103 O P Pecequilo, 43 Price, 183 Q R Rabinovici, 57 Rasteiro, 191 S Santos, 131 Silva, 121, 145 Silveira, 19 T Travassos, 91, 107, 165 U V Varela, 105, 165 W X Y Z Zampaulo, 77

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 104 QUADRO DE AVALIADORES – VOLUME 1 (BOARD OF REVIEW – VOLUME 1) No ano de 2008, os originais recebidos fo ram avaliados pelos seguintes pesquisadores: Csar Ulisses Vieira Verssimo Universidade Federal do Cear (UFC) Edvaldo Cesar Moretti Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) Heros Augusto Santos Lobo Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) Jos Antonio Basso Scaleante Estao Floresta Turismo & Assessoria Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Fundao Santo Andr (FSA) Luiz Eduardo Panisset Travassos Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais (PUCMG) / Faculdade Promove Marconi de Souza Silva Faculdade Presbiteriana Gammom (FaGammom) / Centro Universitrio de Lavras (UNILAVRAS) Patrick Thomaz de Aquino Martins Universidade Estadual Paulista (UNESP) Paulo Csar Boggiani Universidade de So Paulo (USP) Ricardo Jos Calembo Marra Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) Srgio Domingos de Oliveira Universidade Estadual Paulista (UNESP) rsula Ruchkys de Azevedo CREA-MG William Sallun Filho Instituto Geolgico do Estado de So Paulo (IG/SMA) Zysman Neiman Universidade Federal de So Carlos (UFSCAR)

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 105 GESTO EDITORIAL Durante o ano de 2008, a revista Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas apresentou o seguinte fluxo editorial de avaliao de originais: Originais recebidos em 2008: 18 Originais publicados em 2008: 13 Originais reprovados em 2008: 02 Originais retirados da pauta de publicao em 2008: 01 Originais recebidos em 2008 em processo de avaliao: 02 Alm dos originais, a revista recebeu tambm 3 (trs) resumos de dissertaes de mestrado e 1 (um) de monografia de especializao, t odos publicados no Volume 1. Procedncia dos trabalhos publicados*: Portugal: 1 Malsia: 1 Brasil: 16, sendo: So Paulo: 6 Minas Gerais: 4 Bahia: 2 Mato Grosso do Sul: 2 Distrito Federal: 1 Maranho: 1 Considerando o vnculo institucional do primeiro auto r de cada trabalho. Inclui todas as sees da revista. Web site (no perodo de 01/01/2008 a 31/12/2008) Total de page views (pgina da revista): 2.873 Total de page views (pgina de cada nmero) Volume 1 Nmero 1: 1.020 Total de downloads (revista completa): Volume 1 nmero 1: 543 Total de downloads (por artigo): Volume 1 nmero 1 – p. 000-005: 122 Volume 1 nmero 1 – p. 007-017: 101 Volume 1 nmero 1 – p. 019-028: 97 Volume 1 nmero 1 – p. 029-042: 117 Volume 1 nmero 1 – p. 043-055: 213 Volume 1 nmero 1 – p. 057-065: 258 Volume 1 nmero 1 – p. 067-076: 542 Volume 1 nmero 1 – p. 077-088: 130 Volume 1 nmero 1 – p. 089-090: 218 Volume 1 nmero 1 – p. 091-092: 217 Heros Augusto Santos Lobo Editor-Chefe A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Es peleologia (SeTur/SBE). Pa ra submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008.

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 107 REAS CRSTICAS, CAVE RNAS E A ESTRADA REAL1 KARST AREAS, CAVES AND THE ESTRADA REAL Luiz Eduardo Panisset Travassos (1), Rosa La ne Guimares (2) & Isabela Dalle Varela (3) (1) PUC Minas/Programa de Ps-Graduao em Ge ografia Tratamento da Informao Espacial (2) Bolsista da FAPEMIG/Projeto Patrimnio Geol gico e Geocoservao do Quadriltero Ferrfero (3) Faculdade Promove e Faculdade Metropolitana de Belo Horizonte Belo Horizonte MG luizpanisset@uol.com.br Resumo Por todo o mundo muitas paisagens naturais so preser vadas devido a seus valores culturais e histricos, alm de sua importncia ambiental. Nesse contexto, a Estrada Real (antigo caminho de deslocamento de metais preciosos e gemas no Brasil Colnia) surge no cenrio nacional com o objetivo de incentivar o fluxo turstico e econmico dos municpios envolvidos. Esta investigao consistiu no registro preliminar de cavernas ao longo da Estrada Real. De um total de 4.485 cavernas registradas no Cadastro Nacional de Cavernas (CNC), puderam ser identificadas cerca de 126 em calcrio, dolomito, quartzito e granito. Vale a pena ressaltar que a identificao foi realizada em um contexto de reconhecimento geral, devendo ser ampliada e sistematizada em futuro prximo pelos pr prios autores ou por aqueles que se interessarem pela temtica. Este trabalho no pretende esgotar to rico tema em to pouco tempo, objetivando incluir esta nova abordagem nos estudos acadmicos sobre o geoturismo nacional. Palavras-Chave: cavernas, geoturismo, Estrada Real, sustentabilidade. Abstract Throughout the world, many natural landscapes have been preserved for their histor ical and cultural values, as well as their environmental importance. The Estrada Real (originally the historic route for the movement of precious metals and gemstones in colonial Brazil) has been re-opened to encourage the flow of tourists to the region and strengthen the economic basis of the municipalities involved. This paper provides a list of some 126 caves along this route registered in the Br azilian National Register of Caves (CNC). These caves are located in various lithologies: limestone, dolomite quartzite, and granite. This survey identified the caves, but should be extended systematically in the futu re. The topic is far from exhausted here, but should introduce a new approach for academic studies c oncerned with geotourism in the country. Key-Words: caves, geotourism, Estrada Real, sustainability. Introduo A palavra carste a verso portuguesa da palavra alem karst O termo originou-se na regio do Planalto de Kras, noroeste dos Blcs, na regio da Eslovnia e da Itlia. A paisagem regional, caracterizada por afloramentos calcrios, dolinas (depresses fechadas no terreno), poljes (extensas plancies de dissoluo circundadas por montanhas) e cavernas, foi inicialmente estudada por Jovan Cviji (1893) dando incio Carstologia, ou seja, o estudo das reas crsticas. Para Kohler (2003) e Travassos (2007a) as regies crsticas ocorrem em reas de rochas carbonticas (calcrios, dolomitos e evaporitos) e, de acordo com a literatura atual, tambm podem ocorrer em rochas menos solveis como os arenitos e quartzitos, por exemplo. Entretanto, vale a pena destacar que a utilizao do termo carste para regies carbonticas ou quartzticas/arenticas ainda motivo de muita controvrsia seja na comunidade nacional ou internacional. O mrito dessa questo, no entanto, no se constitui no objeto principal desse trabalho. Dessa forma, podemos afirmar que o termo pseudocarste tem sido utilizado para designar as regies desenvolvidas em rochas siliciclsticas passveis de desenvolver formas caractersticas similares ao “carste clssico” em calcrio como as dolinas, drenagem subterrnea e as cavernas. No entanto, a gnese dessas feies no pseudocarste ocorre por diferentes processos. Nessas reas a dissoluo da rocha ocorre de forma subordinada a processos mecnicos. Em escala global, as reas crsticas compreendem cerca de 10 a 15% da superfcie terrestre desenvolvidas, principalmente, em rochas

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 108 carbonticas como o calcrio e o dolomito (Ford & Williams, 2007). Tais regies vm sendo utilizadas desde os primrdios da humanidade como fontes de alimentos e abrigo. Foram locais para o estabelecimento dos primeiros assentamentos humanos devido disponibilidade tanto de gua potvel como de alimentos. Por todo o mundo possvel constatar que populaes inteiras so abastecidas por mananciais crsticos e, em vrias culturas, as cavernas ai nda so utilizadas como locais para a prtica de cu ltos religiosos (Travassos, 2007a). As rochas carbonticas dissolvem-se naturalmente pela ao da gua acidulada, dando origem s formas mencionadas anteriormente. As cavernas, parte importante desse sistema paisagstico maior, so testemunhos dessa ao erosiva ao longo de milhares de anos. sa bido que no Brasil as reas crsticas e as cavernas j eram utilizadas pelo homem pr-histrico. A confirmao desse uso se d pela existncia das pinturas rupestres encontradas em abrigos sob rocha e nas entradas das cavernas. Alm disso, so encontrados vestgios arqueolgicos como peas de cermica e instrumentos de caa e pesca. Desde o incio do Perodo Colonial a fins do sculo XVII as reas crsticas foram utilizadas principalmente para explotao do salitre, elemento necessrio para a fabricao de plvora. Ainda que o salitre tenha sido utilizado na conservao de carnes, o uso mais comum foi o militar. Destaca-se tambm o uso religioso desses ambientes. Nos fins do sculo XVII (1691), o peregrino Francisco de Mendona Mar estabeleceu-se em uma gruta s margens do Rio So Francisco, dando origem ao Santurio de Bom Jesus da Lapa, registro mais antigo de uso religioso de cavernas no Brasil. Em outras regies, j no sculo XVIII, ocorreriam aparies de imagens de Nossa Senhora, a exemplo da Lapa de Antnio Pereira e as Lapas de Vazante, em Minas Gerais (Travassos, 2007a). possvel identificar outras regies onde esse tipo de uso se faz presente, inclusive, com a construo de pequenas cavernas artificiais, oratrios pb licos ou particulares adornados por rochas. A importncia social das cavernas O conhecimento do fato de que os primeiros homens sobre a Terra teriam utilizado as reas crsticas e as cavernas como abrigo e expresso de idias atravs das pinturas rupestres nos leva a crer tambm que, aos poucos, foram se criando os primeiros assentamentos humanos. Na Amrica Central e do Sul, o desenvolvimento de grandes civilizaes como a dos Incas e dos Astecas, por exemplo, ocorreu a partir da relao simblica com as cavernas. Alm disso, como mencionado anteriormente, esses locais podem ser considerados importantes lugares de devoo em diversas culturas. Na histria das religies existem inmeros relatos onde importantes eventos ocorreram em cavernas. Dessa forma, milhares de pessoas so atrados para esses espaos sagrados ao longo dos anos, comprovando sua impor tncia na cultura e economia de uma regio em um processo conhecido como turismo religioso Para Travassos (2007b), no Brasil, as romarias s cavernas-igreja fazem parte desse contexto. A realidade percebida pelos romeiros parece estranha queles que no fazem parte do processo, refletindo a percepo do grupo social envolvido. Alm disso, as cavernas so aproveitadas turisticamente em diversas partes do mundo, com significativos impactos ambientais negativos. Entretanto, no se pode negar que em muitos pases a receita financeira total se ja altamente incrementada pelo turismo em cavernas, fazendo com que sua explorao seja ainda mais necessria. Para Travassos (2007a) nos pases desenvolvidos o problema da preservao das cavernas e da gerao de renda solucionado atravs de controles especficos que podem acarretar, inclusive, o fechamento das cavernas ou de sales e condutos. Em casos especiais de extremo valor cultural, podem ocorrer construes de rplicas artificiais para serem visitadas como a Caverna de Lascaux (Frana), por exemplo. No Brasil, tais mecanismos de controle ainda encontram-se em desenvolvimento e as cavernas tm se destacado no setor do turismo de aventuras como importantes monumentos do geoturismo que precisam ser protegidos. Para Hamilton-Smith (2006) a proteo deve, no entanto, permitir o acesso ao meio ambiente. No Brasil, o acesso e a proteo ao meio ambiente so garantidos pe la Constituio Federal. Em seu Captulo VI, art. 225 o documento afirma que “todos tm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder pblico e coletividade o dever de defend-lo e preserv-lo para as presentes e futuras geraes.” Para tanto, enumera diversas medidas que devero ser tomadas pelo poder pblico no sentido de garantir a efetividade desse direito. O objetivo de preservar, contudo, entra em conflito, na prtica, com o direito de acesso da populao ao ambiente natural. Sendo os dois

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 109 interesses, apesar de conflitantes, legtimos e protegidos constitucionalm ente, o poder pblico possui a difcil tarefa de proteger o meio ambiente sem isol-lo da populao. Cada vez mais tornam-se necessrias medidas inteligentes que cumpram o seu papel de proteo, porm, integrando o ambiente natural e a sociedade. A espeleologia O registro mais antigo no mundo de algum que tenha se aprofundado nos estudos sistemticos das cavernas (a Espeleologia) e da paisagem crstica se deu com os trabalhos pioneiros de Johann Weichard Valvasor (1641-1693), na Eslovnia. Para Shaw (2004) seus sucessores foram Joseph Anton Nagel (1717-1800), Adolf Schmidl (1802-1863), douard Alfred Martel (1859-1938) e Norbert Casteret (1897-1987). Para o autor, a escolha desses nomes se deu pelo fato de terem exercido significativos estudos regi onais abrangendo diversos campos de estudo, principalmente na Europa. Tambm no sculo XIX, porm, na Amrica do Sul, Urbani (2005) considera Alexander von Humboldt o “pai da espeleologia venezuelana” Esse renomado pesquisador apresentou pela primeira vez na regio, trabalhos iniciais sobre antropoespeleologia, bioespeleologia e geoespeleologia sendo possvel identificar as evidncias de seus estudos pioneiros em vrias de suas obras (Travassos, 2008). Com a evoluo das cincias naturais na Europa, a Espeleologia ganha foras e se espalha pelo mundo, ainda que de forma incipiente. Com a abertura dos portos brasileiros s naes amigas em 1810, inmeros naturalistas, ao apresentarem as paisagens do pas, identificam e descrevem regies crsticas e algumas cavernas nacionais. Assim, os novos exploradores presentes na colnia quebram os paradigmas da cincia consolidada no “velho mundo” com a introduo de novas descries e descobertas. Evoluindo no tempo, Travassos (2007a), afirma que entre os pesquisadores que viajaram pelo Brasil e que se dedicaram s pesquisas em reas crsticas e a um estudo mais sistemtico do interior das cavernas esto o dinamarqus Peter Wilhelm Lund (1801-1880) e o alemo Richard Krone (18611917). Para Dequech (2000), escolher entre Lund e Krone como fundador da Espeleologia nacional tarefa delicada. Para ta nto, no seria correto comparar os valores cientficos dos trabalhos de cada um, critrio que resultaria em Lund como o precursor. No entanto, deve-se comparar a natureza e a diversidade cientfica de suas atividades no interior das cavernas. Dessa forma, destaque dado a Richard Krone. Evoluindo no tempo, em 1937, possvel identificar a Sociedade Excursionista Espeleolgica (SEE) da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) como a primeira entidade dedicada ao estudo das cavernas brasileiras. Seu carter pioneiro no estudo das regies crsticas nacionais cria as condies favorveis para o aparelhamento de uma organizao nacional. Assim, em 1969, com o apoio de pesquisadores como Michel Le Bret, Pierre Martin e Guy-Christian Collet, a Sociedade Brasileira de Espleleologia (SBE) fundada. Desde ento, surgem inmeros outros grupos de espeleologia, principalmente, a partir da unio de alunos de cursos de graduao. Na capital mineira, destacam-se as presenas do Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas (GBPE), do Ncleo de Atividades Espeleolgicas (NAE) e do Guano Espeleo do IGC/UFMG. De acordo com o Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil da Sociedade Brasileira de Espeleologia (CNC) e o Cadastro Nacional de Cavernas (CODEX) da Redespeleo Brasil, existem cerca de 4485 cavernas conhecidas no pas, sendo possvel afirmar que uma infinidade de outras cavernas ainda est por ser descoberta e cadastrada. Dentre os Estados que compem a Estrada Real, Minas Gerais o que possui maior nmero de cavernas registradas, conforme demonstrado no grfico a seguir (Figura 1). 4485 1633 479 21 Brasil Minas Gerais So Paulo Rio de Janeiro Figura 1 : Nmero de cavernas cadastradas no Brasil. FONTE: SBE / Redespeleo Brasil, 2008. Ao observarmos o mapa das principais reas crsticas da Amrica do Sul (Figura 2) pode-se afirmar que dentre os pas es sul americanos, o Brasil o que possui o maior potencial em termos espeleolgicos. Em sua ma ioria, as cavernas esto

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 110 inseridas em regies calcrias, mas tambm podemos identificar importantes regies que apresentam significativas cavernas em arenito e em quartzito. Para Auler (2004a), em comparao com as reas carbonticas existentes em outros continentes, possvel afirmar que a Amrica do Sul concentra menos de 2%. Para o universo da pesquisa desse Atlas Digital, centrado basicamente na Estrada Real, foram consideradas algumas cavernas desenvolvidas tanto em carbonatos quanto em rochas menos solveis baseando-se, principalmente, nas informaes constantes na SBE e na Redespeleo Brasil Muitas dessas cavernas apresentam, independentemente de serem tursticas ou no, expressivo valor cientfico, cultural e turstico. Figura 2 : Principais reas crsticas na Amrica do Sul. Incluem aqui regies em calcrio e quartzito (Adaptado de AULER, A. Amrica, South. In: GUNN, J. Encyclopedia of cave and karst science New York: Fitzroy Dearbom, 2004. p.54) Trechos da Estrada Real encontram-se sobre os calcrios do Grupo So Joo Del Rei (MG) e os Dolomitos da Formao Gandarela e da Formao Fecho do Funil (prximas a Ouro Preto, MG). As formaes no-carbonticas encontradas so, principalmente, os quartz itos do Parque Estadual do Ibitipoca, de So Tom das Letras e de Carrancas (Grupo Andrelndia) e os quartzitos da Serra do Caraa (Grupo Caraa), entre outros. Para Auler (2004b) a importncia dessas reas quartzticas reside, principalmente, no fato de que nosso continente abriga o carste em quartzito mais bem desenvolvido do mundo com cavernas que ocupam posio de destaque no cenrio cientfico mundial. A Gruta do Centenrio (1 lugar), a Gruta da Bocaina (2 lugar) e a Gruta das Bromlias (4 lugar) encontram-se entre as 10 mais extensas cavernas quartzticas da Amrica do Sul. Alm disso, a Gruta do Centenrio e a Gruta da Bocaina ocupam o 1 e o 2 lugar, respectivamente, em relao sua profundidade (481m e 404m). Das trs cavernas citadas acima, apenas a Gruta das Bromlias pode ser considerada turstica, porm, sem infra-estrutura de visitao como passarelas e iluminao artificial. O Geoturismo e a Estrada Real Sob a tica do geoturismo, acredita-se que a Estrada Real surge como um campo promissor uma vez que, nas palavras de Brilha (2005), essa atividade baseada, principa lmente, na relao entre a geodiversidade de uma regio e a busca por sua geoconservao. No Brasil, basta viajarmos ou assistirmos programas de televiso para constatar o que afirmam Nascimento et al. (2007): no pas, a variedade do patrimnio natural favorece diversos segmentos do turismo e, principalmente o geoturismo Mesmo que os conceitos de geoturismo geodiversidade e geoconservao ainda sejam debatidos por vrios autores, acredita-se que os estudos devam estar voltados para a utilizao racional do espao, caminh ando para a conservao (geoconservao) e o uso sustentvel da paisagem, mais especificamente dos stios geolgicos. Atualmente, um grande nmero de trabalhos sobre essa temtica permeia o meio acadmico, principalmente queles em lngua inglesa realizados em regies da Europa e da sia. No Brasil, a mesma densidade no observada. Quando a temtica so as regies crsticas e pse udocrsticas e sua relao com o geoturismo, o nmero de trabalhos praticamente inexistente. Sobre o geoturismo nacional, destaque merece ser dado ao trabalho de Ruchkys (2007) que faz uma importante reviso sobre o tema e uma proposio de criao do geoparque no Quadriltero Ferrfero.

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 111 Assim, para a autora, o geoturismo pode ser entendido como um segmento da atividade turstica que tem o patrimnio geolgico como seu principal atrativo e busca sua proteo por meio da conservao de seus recursos e da sensibilizao do turista utilizando, para isto, a interpretao deste patrimnio tornando-o acessvel ao pblico leigo, alm de promover sua divulgao e o desenvolvimento das Cincias da Terra (RUCHKYS, 2007:23). Por essas caractersticas Nascimento, Ruchkys e Mantesso-Neto (2007) afirmam que a conservao do patrimnio geolgico ( geoconservao ) de um pas ou regio uma das tarefas mais complicadas das Cincias da Terra neste sculo XXI. Importantes cavernas da Estrada Real Oficialmente, a Estrada Real abrange um total de 177 municpios. Destes, 162 esto em Minas Gerais, 8 no Rio de Janei ro e 7 no Estado de So Paulo. O Instituto Estrada Real afirma que, originalmente, a Estrada foi criada com autorizao da Coroa Portuguesa a partir do sculo XVII, ligando as principais reservas de metais preciosos e o litoral, para garantir a fiscalizao dos fluxos destes metais. Devido ao intenso movimento, foram sendo construdos vilas, arraia is e povoados ao longo dos caminhos, com populao principalmente associada economia da minerao e outras a elas associadas. Atualmente, a Estrada Real, oficialmente dividida no Caminho Velho (que vai de Paraty a Ouro Preto), no Caminho Novo (que segue do Rio de janeiro tambm a Ouro Preto) e o Caminho dos Diamantes (que parte de Ouro Preto em direo Diamantina), conforme Figura 3. Assim, os mais de 1.400 km da Estrada Real so constantemente exal tados por proporcionarem opes de lazer na terra, gua e no ar. Entretanto, a estrutura para as aventuras no “subterrneo” ainda no est homognea e totalmente desenvolvida em termos de proteo aos turistas e ao prprio ambiente. Por essa razo, ainda existem inmeras cavernas que no fazem parte dos roteiros tradicionais da Estrada Real devido ao seu alto nvel tcnico ou por sua fragilidade ambiental. Como vimos no grfico anterior, possvel afirmar que a maioria das cavernas conhecidas no territrio nacional se localiza no Estado de Minas Gerais e, alm disso, encontram-se ameaadas por estarem prximas a centros urbanos. A seguir optou-se pela identificao de algumas cavernas desenvolvidas em calcrios e quartzitos que se destacam no cenrio espeleolgico nacional e nos roteiros da Estrada Real. importante ressaltar que no foram descritas todas as cavidades existentes e sim, aquelas que os autores classificaram como significativas em termos cientficos, histricos e culturais no Estado de Minas Gerais. Para uma tentativ a de esgotamento do tema, seria necessrio a elaborao de outro projeto para obteno de recursos e pessoal para esse fim. Ao todo, nos municpios da Estrada Real, cerca de 126 cavernas puderam ser identificadas atravs da pesquisa realizada nos cadastros da SBE e da Redespeleo Brasil (Figura 4). Nas listas, encontram-se cavernas em diferentes litologias (tipos de rocha) sendo importante ressaltar que muitas delas no so de fcil acesso ou abertas turisticamente. No estgio atual da espeleologia nacional, ambos cadastros pesquisados ainda no contam com todas as cavernas existentes dentro dos limites da Estrada Real. Existem cavernas que a tradio oral identifica sem, contudo, fazerem parte dos cadastros oficiais. As cavernas localizadas nas Unidades de Conservao normalmente podem ser visitadas com certa segurana e com prvia autorizao quando da entrada nos Parques. Outras, no entanto, somente devem ser visitadas com autorizao expedida pelo IBAMA/CECAV e junto a espelelogos treinados nesse tipo de ambiente. Muitas das cavernas esto fechadas visitao para a elaborao de planos de manejo para a atividade turstica. Empresas de turismo credenciadas normalmente possuem as autorizaes necessrias a esse tipo de visitao.

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 112 Figura 3 : Mapa da distribuio espacial da Estrada Real.

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 113 Figura 4 : Mapa da distribuio espacial de cavernas na Estrada Real.

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 114 Grutas em quartzito : Conceio do Ibitipoca, Distrito de Lima Duarte (MG) Sem dvida alguma, as cavernas mais conhecidas da Estrada Real encontram-se no Parque Estadual do Ibitipoca no municpio de Lima Duarte, Minas Gerais. A Serra do Ibitipoca localiza-se na poro sudeste do Estado de Minas Gerais, caracterizada por um complexo montanhoso composto de cnions, grutas, cachoeiras e inmeras espcies animais e vegetais caractersticos dos campos rupestres e de altitude. Sua altitude mdia de 1.500 m, tendo como ponto culminante o Pico da Lombada, com 1.784 m. Com a finalidade de conservar e preservar o conjunto de monumentos naturais da regio, em 1973, o Parque Estadual do Ibitipoca foi criado e conta com rea de 1.488 hectares sob a administrao do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais. Para Zimmerman (1996), foi a sabedoria indgena que batizou os contornos do Parque Estadual. Ibitipoca em tupi-guarani quer dizer ibi (pedra) e oca (casa, gruta, morada), ou ainda, ibitu (ventania) e pug (estalo, estrondo, pedra que explode), significados que traduzem com exatido o arcabouo montanhoso r ecortado em vales e cavernas atravs da ao milenar dos ventos e da gua. A regio conta com cerca de 14 cavernas. Alm da famosa Gruta das Bromlias, outra atrao do parque no que diz respei to ao uso humano recente das cavernas a Gruta do Fugitivo. Segundo a tradio oral, foi utilizada como abrigo por escravos fugitivos no passado. Caraa, Catas Altas, Mariana (MG) A regio destaca-se pelas cerca de 8 cavernas no tursticas em quartzito. Como dito anteriormente, duas delas destacam-se no cenrio cientfico internacional por sua extenso. Para o Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas (GBPE) a explorao e a descoberta das cavernas na serra do Caraa podem ser consideradas como um marco na histria da espeleologia em cavernas quartzticas. At a explorao dessas cavidades, o destaque quase absoluto neste tipo de rocha era os Tepuis Venezuelanos. Entretanto, desde o sculo XIX, as fendas do Pico do Inficionado j eram conhecidas por pesquisadores e naturalistas que j citavam a existncia de rios subt errneos na regio. Os primeiros registros espeleolgicos, no entanto, s ocorreram em 1952 quando os padres do Colgio do Caraa fizeram uma topografia rudimentar da Gruta do Centenrio. Do ponto de vista espeleolgico, o trabalho sistemtico somente voltou a ser realizado a partir de 1996, quando foram retomadas pelo Grupo Bambu as atividades de explorao, topografia e estudos das cavidades e fendas do pico e serra do Inficionado (GBPE, 2008). Municpio de So Tom das Letras (MG) O municpio de So Thom das Letras, localizado prximo ao circuito das guas do sul de Minas Gerais apresenta basicamente quatro cavernas envoltas por lendas e histrias fantsticas ao longo da evoluo histrica da cidade. A tradio oral afira que um escravo fugido que habitava uma das grutas da regio recebeu uma carta de um homem que afirmava ser So Tom. Alguns dias depois foi encontrada uma imagem do santo e “letras” gravadas na rocha. Em 1785, para oficializar o “milagre” uma igreja foi edificada uma capela nas proximidades da gruta, hoje tida como a Gruta de So Tom. Outra lenda que cerca uma gruta da regio a (im)possvel ligao entre a cidade e Machu Pichu, no Peru, atravs da Gruta do Carimbado I e II, com 33m e 212m, respectivamente. Outras cavernas importantes so a Gruta do ndio e a Gruta das Bruxas, no presentes nos cadastros consultados. A Redespeleo Brasil identifica a Gruta do Labirinto (MG-1681) com 226m e a Gruta Sobradinho (MG-1682) com 150m, ambas em quartzito. Municpio de Andrelndia (MG) A regio se destaca pela existncia de um importante stio arqueolgico que apresenta grutas e paredes de pinturas rupestres datados de cerca de 12.000 anos. As mais conhecidas cavernas so a Toca da Capoeira (MG-437) e a Toca do ndio (MG442). Municpio de Diamantina (MG) A regio de Diamantina, originalmente conhecida como Arraial do Tijuco (1713) foi fundada pelos Bandeirant es que procuravam ouro, prata e pedras preciosas. Pelo potencial econmico da regio, a Coroa Portuguesa decidiu, em 1730, estabelecer o Distrito Diamantino para melhor controle das riquezas minerais da regio. As grutas foram, historicamente, utilizadas para extrao de salitre para a fabricao de plvora. As mais conhecidas nos roteiros tursticos so a Gruta do Salitre e a Gruta Tromba D’Anta. Alm dessas, a pesquisa nos cadastros nos mostra a Lapa do Caboclo (MG-47), a Lapa do Passo Preto I (MG307) e a Lapa do Passo Preto II (MG-308).

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 115 Grutas carbonticas: Monjolos (MG) O uso das cavernas da regio remete ao sculo XVIII quando da extrao do salitre nas imediaes da Serra do Cabral, fato que incentivou a descoberta e degradao de muitas cavernas da regio (OLIVEIRA et al., 2007). A tradio oral tambm recorda uma missa dedicada Nossa Senhora de Ftima na dcada de 50, devido a uma suposta apario. Em relao ao carste da regio, Teixeira-Silva et al. (2005) executaram atividades preliminares de prospeco, explorao e caracterizao espeleolgica de 17 cavernas em compartimentos essencialmente carbonticos. Destaque deve ser dado ao trabalho de Oliveira et al. (2007) sobr e o tombamento municipal como instrumento de preservao de cavidades naturais subterrneas: sti o natural gruta Pau-Ferro. Para os autores, a gruta possui cinco entradas e uma clarabia distribudas ao longo de seu desenvolvimento de 701,8 metros com direo longitudinal preferencial SW-NE. Devido ao fato de seu fcil acesso e falta de orientao aos visitantes, Oliveira et al. (2007) identificaram espeleotemas quebrados e pichaes feitas em baixo relevo e com pigmento encontrados nas paredes prximas s entradas. So Joo Del Rei (MG) A literatura registra que os primeiros sinais da ocupao humana recente remontam o ano de 1704 com a descoberta de ouro no Ribeiro So Francisco de Xavier, ao norte da Se rra do Lenheiro. A regio conta com a presena de poucas cavernas conhecidas. A Gruta da Casa de Pedra, com cerca de 400 m de extenso, a mais famosa delas. Para Cassimiro e Renger (2005) a Gruta Casa da Pedra ou Gruta do Irabussu (IBGE, 1939: 240) a nica caverna carbontica da regio e atualmente integra uma rea de Proteo Permanente (APP) sob responsabilidade da Minerao Jundu Ltda. Para os autores, o engenheiro e naturalista lvaro Astolpho da Silveira (1867-1945) realizou, em 1894, um pioneiro levantamento topogrfico da Casa da Pedra, chegando soma de 403 metros de desenvolvimento horizontal. Os autores do presente trabalho, em suas pesquisas, no encontraram publicaes referentes Gruta Casa da Pedra posteriores do IBGE, em 1939. Ouro Preto e Antnio Pereira (MG) A literatura registra que os primeiros sinais da ocupao humana recente remontam o perodo entre 1693 e 1698. Cerca de sete cavernas so oficialmente registradas. Em termos de tamanho, destaque merece ser dado Gruta da Igrejinha e seus 938 m de projeo horizontal. A mais importante em termos culturais a Lapa de Antnio Pereira, distrito de Ouro Preto. Sobre a Lapa de Antnio Pereira, importante registrar um trecho da obra do Padre Manuel Aires de Casal (1817) onde a caverna, “obra da natureza, convertida pela devoo em uma capelinha dedicada a Nossa Senhora da Lapa, onde todos os sbados h missa cantada, e uma festividade a 15 de agosto” (Casal, 1976:170). Ainda hoje, ocorrem romarias em 15 de Agosto. A origem da romaria remonta a dois eventos: um em 1722 e outro em 1767, quando ocorreriam as supostas aparies de Nossa Senhora da Lapa. A regio est atualmente sendo pesquisada em uma tese de doutorado em Geografia. Consideraes finais Ainda so escassos ou inexistentes os trabalhos que abordam, especificamente, as cavernas ao longo da Estrada Real. Neste sentido, os autores realizaram uma primeira abordagem sobre o tema, baseando-se no conhecimento que dispunham at o momento em que foram convidados a escrever sobre o assunto para compor o Atlas Digital. Vale a pena ressaltar que a identificao das cavernas foi feita mais sob carter de reconhecimento geral, devendo ser ampliada e sistematizada em futuro prximo pelos prprios autores ou por aqueles que se interessarem pela temtica. Em nenhum momento foi a inteno dos autores esgotar to rico tema em to pouco tempo. O que se busca com o trabalho a incluso dessa nova abordagem nos estudos acadmicos sobre o geoturismo nacional. Referncias Bibliogrficas Auler, A. 2004a. Amrica, South. In: GUNN, J. Encyclopedia of cave and karst science New York: Fitzroy Dearbom. 59-60.

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 116 Auler, A. 2004b. Quartizite caves of South America. In: GUNN, J. Encyclopedia of cave and karst science New York: Fitzroy Dearbom. 611-613. Auler, A. & Zogbi, L. 2005. Espeleologia : noes bsicas. So Paulo: RedespeleoBrasil Auler, A., Rubbioli, E. & Brandi, R. 2001. As grandes cavernas do Brasil GBPE: Belo Horizonte. Brasil. 2005. Estrada Real : Turismo Ecolgico. So Paulo: Empresa das Artes. Brasil. Constituio (1988). Texto consolidado at a Emenda Constitu cional n 56 de 20 de dezembro de 2007. Braslia: Senado, 2007. Disponvel em: http://www.senado.gov.br/sf/legislacao/const/ Acesso em 01 de Mar. 2008. Brilha, J. Patrimnio Geolgico e Geoconservao: a conservao da natureza na sua vertente geolgica. Lisboa: Palimage-Imag em Palavra, 2005. Carvalho,V. do C., Silva, M.A.C. da & Oliveira, D.V. 2007. Potencialidades esp eleotursticas da rea crstica do Municpio de Luminrias. PASSOS – Revista de Turismo y Patrimonio Cultural, 5(3): 383390. Casal, M.A. de. 1976. Corografia braslica ou rela o histrico-geogrfica do Reiono do Brasil [pelo] Pe. Manuel Aires de Casal (1754-1821). Belo Horizonte/So Paulo: Itatiaia/EDUSP. Cassimiro, R. & Renger, F. 2005. Visita da Expedio Langsdorff Gruta Casa da Pedra, municpio de So Joo del-Rei Minas Gerais. O Carste, 17(1): 12-21. Dequech, V. 2000. O Fundador da Espeleologia no Brasil. O Carste 12(2): 84-87. Dutra, G.M., Rubbioli, E.L. & Horta, L.S. 2002. Gruta do Centenrio, Pico do Inficionado (Serra da Caraa), MG: A maior e mais profunda caverna quartzti ca do mundo. In: Schobbenhaus, C., Campos, D.A., Queiroz, E.T., Winge, M. & Berbert-Born, M. Stios geolgicos e paleontolgicos do Brasil (Edit.). Stios Geolgicos e Paleontolgicos do Brasil DNPM/CPRM-Comisso Brasileira de Stios Geolgicos e Paleobiolgicos (SIGEP) Braslia. 431-441. Disponvel em: http://www.unb.br/ig/sigep/sitio020/sitio020.pdf Acesso em 01 de Mar. 2008. GBPE – Grupo Bambu de Pes quisas Espeleolgicas. 2008. Projetos Pico do Inficionado Disponvel em: http://www.bambui.org.br/projetos.htm Acesso em 01 de Mar. 2008. Hamilton-Smith, E. 2002. Management assessment in karst areas. Acta Carsologica Ljubljana, 31(1): 13-20. Instituto Estrada Real. 2008 A Estrada Real Disponvel em: http://www.estradareal.org.br/estra_real/index.asp Acesso em: 11 de Jul. 2008. Kohler, H.C. 2003. Geomorfologia Crstica. In: Teixeira Guerra, A. J. & Cunha, S. B. da. Geomorfologia : uma atualizao de bases e conceitos. Rio de Jneiro: Bertrand Brasil. 309-334. Nascimento, A.L. do, Ruchkys, U.A. & Mantesso-Neto, V. 2007. Geoturismo: um novo segmento do turismo no Brasil. Global Tourism 3(2): 41-64. Oliveira, I.P.M.R. de, Mendes, B. de A., Figueiredo, P. & Bueno, A.P. 2007. Tombamento municipal como instrumento de preservao de cavidades naturais subterrneas: Stio Natural Gruta Pau-Ferro, Monjolos Minas Gerais. In: CONGRESSO BRA SILEIRO DE ESPELEOLOGIA, 29, 2007, Ouro Preto. Anais... 1 CD-ROM. Redespeleo Brasil. 2008. CODEX Cadastro Nacional de Cavernas 2008. Disponvel em: http://www.redespeleo.org Acesso em 01 de Mar. 2008.

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 118 21 Carrancas MG Toca da Zilda (MG-988) 2133'27.00" 4438'16.00" Quartzito 340m 22 Carrancas MG Gruta das Cortinas de Baixo (MG-1093) * Quartzito 34m 23 Catas Altas MG Gruta do Por do Sol (MG-1177) * Quartzito 60m 24 Catas Altas MG Gruta da Bocaina Inferior (MG-1179) * Quartzito 200m 25 Conceio do Mato Dentro MG Abrigo Pedra Re donda (MG-312) 1839'03.00" 4339'02.00" Quartzito 18m 26 Conceio do Mato Dentro MG Gruta da Bocain a (MG-989) 1905'02.00" 4334'21.00" Quartzito 174m 27 Datas MG Abrigo Cubas I (MG-111) 1835'02.00" 4338'54.00" Quartzito 115m 28 Datas MG Abrigo Cubas II (MG-112) 1835'02.00" 4338'54.00" Quartzito 15m 29 Diamantina MG Lapa do Caboclo (MG-47) 1817'14.00" 4351'24.00" Quartzito 80m 30 Diamantina MG Lapa do Passo Preto I (MG-307) 1817'53.00" 4344'30.00" Quartzito 10m 31 Diamantina MG Lapa do Passo Preto II (MG-308) 1817'53.00" 4344'30.00" Quartzito 150m 32 Diamantina MG Gruta do Salitre (MG-36 0) 1816'47,18" 4332'10,14" Quartzito 220m 33 Guveia MG Abrigo Brejo Gra nde (MG-41) * Quartzito 12m 34 Guveia MG Abrigo Contagem (MG-94) 1834'14.00" 4352'12.00" Quartzito 95m 35 Guveia MG Abrigo do Engenho (MG-132) Quartzito 25m 36 Guveia MG Abrigo Jambreiro II (MG-197 ) 1838'01.00" 4352'12.00" Quartzito 23m 37 Guveia MG Abrigo Jambreiro III (MG-198 ) 1838'01.00" 4352'12.00" Quartzito 20m 38 Guveia MG Abrigo do Salitre (MG-359) * Quartzito 40m 39 Itabirito MG Toca do Lobo (MG-1132) * Itabirito 10m 40 Itabirito MG Gruta do Cav III (MG-1178) * Calcrio 32m 41 Itabirito MG Gruta Ressurgncia da Casa Branca (MG-1410) * Calcrio 55m 42 Lima Duarte MG Gruta das Bromlias (M G-42) 2142'16.00" 4353'57.00" Quartzito 2342m 43 Lima Duarte MG Gruta dos Coelhos (M G-91) 2142'33.00" 4353'44.00" Quartzito 148m 44 Lima Duarte MG Gruta da Cruz (MG-10 8) 2141'40.00" 4353'45.00" Quartzito 50m 45 Lima Duarte MG Gruta das Dobras (MG-127) * Quartzito 36m 46 Lima Duarte MG Gruta do Martiniano (MG246) 2142'29.00" 4354'31.00" Quartzito 70m 47 Lima Duarte MG Gruta do Monjolinho (MG268) 2141'46.00" 4352'47.00" Quartzito 20m 48 Lima Duarte MG Caverna da Ponte de Pedra (MG-325) 2142'58.00" 4353'53.00" Quartzito 54m 49 Lima Duarte MG Gruta do Pio (MG-33 0) 2142'05.00" 4352'25.00" Quartzito 160m 50 Lima Duarte MG Gruta dos Viajantes (M G-429) 2142'15.00" 4352'33.00" Quartzito 300m 51 Lima Duarte MG Gruta das Casas (M G-438) 2141'60.00" 4352'60.00" Quartzito 52 Lima Duarte MG Gruta do Manequinho (M G-443) 2143'10.00" 4354'10.00" Quartzito 160m 53 Lima Duarte MG Gruta da Dolina (MG-448) * Quartzito 250m 54 Lima Duarte MG Gruta do Do Esse (MG-938) 2141'50.00" 4353'55.00" Calcrio 120m 55 Lima Duarte MG Gruta dos Gnomos (M G-939) 2142'40.00" 4353'40.00" Quartzito 32m 56 Mariana MG Gruta do Bloco Suspenso (MG-1077) 2008'07.00" 4326'57.00" Calcrio 200m 57 Mariana MG Gruta do Centenrio (MG-108 1) 2008'01.00" 4327'02.00" Quartzito 3790m 58 Mariana MG Gruta da Fumaa (MG-1085) 2008'53.00" 4326'59.00" Calcrio 100m 59 Mariana MG Gruta Alaouf (MG-1157) * Quartzito 1200m 60 Mariana MG Gruta do Avio (MG-1161) * Quartzito 350m 61 Mariana, Catas Altas MG Gruta da Bocaina (MG-1078) * Quartzito 3200m 62 Monjolos MG Gruta Carioc a (MG-66) * Calcrio 2300m 63 Monjolos MG Abrigo do Cocal (MG-89) 1828'13.00" 4357'54.00" Quartzito 87m 64 Monjolos MG Lapa da Fazenda Velha (MG153) 1816'32.00" 4406'23.00" Calcrio 15m 65 Monjolos MG Gruta da Gameleira (MG-165) * Calcrio 400m 66 Monjolos MG Gruta do Lameir o I (MG-212) * Calcrio 150m

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 119 67 Monjolos MG Gruta do Lameir o II (MG-213) * Calcrio 70m 68 Monjolos MG Gruta do Lameiro III (MG-214) * Calcrio 100m 69 Monjolos MG Lapa Olho D'gua (MG-287) * Calcrio 70 Monjolos MG Gruta do Pau Ferro (MG309) 1818'26.00" 4406'16.00" Calcrio 540m 71 Monjolos MG Gruta do Salobra (MG-365) 1816'21.00" 4406'40.00" Calcrio 56m 72 Monjolos MG Abrigo do Salobra I (MG366) 1816'21.00" 4406'16.00" Calcrio 18m 73 Monjolos MG Lapa de Santo Antnio (MG-374) * Calcrio 74 Monjolos MG Lapa da Covoada (MG-514) * Calcrio 359m 75 Monjolos MG Gruta da Lagoinha I (MG-532 ) 1823'48.00" 4408'06.00" Calcrio 100m 76 Monjolos MG Gruta da Lagoinha II (MG533) 1823'60.00" 4407'60.00" Calcrio 77 Monjolos MG Gruta Fazenda Olhos D'gua (MG-534) 1822'56.00" 4406'14.00" Calcrio 80m 78 Monjolos MG Nascente Crrego da Serragem (MG-535) * Calcrio 30m 79 Monjolos MG Gruta da Velha I (MG-536) 1816'28.00" 4406'20.00" Calcrio 100m 80 Monjolos MG Gruta da Velha II (MG537) 1816'38.00" 4406'14.00" Calcrio 40m 81 Ouro Preto MG Gruta da Igrejinha (MG-186) 2026'56.00" 4342'28.00" Calcrio 938m 82 Ouro Preto (Distrito de Antnio Pereira) MG Lapa de Antnio Pereira 2018’18.99" 4331’11.08” Dolomito 228m 83 Ouro Preto MG Gruta Kiva (MG-968) * Quartzito 84 Ouro Preto MG Gruta Cobrinha (MG-96 9) 2024'55.00" 4328'45.00" Quartzito 70m 85 Ouro Preto MG Gruta Roteiro (MG-970) * Quartzito 86 Ouro Preto MG Gruta da Cascata (MG-1404) * Calcrio 20m 87 Ouro Preto MG Gruta da Linha (MG-1406) * Calcrio 100m 88 Santa Rita do Ibitipoca MG Gruta da Cachoe ira (MG-49) 2140'00.00" 4352'00.00" Quartzito 89 Santa Rita do Ibitipoca MG Gruta do Fugitivo (MG-161) 2140'30.00" 4352'36.00" Quartzito 720m 90 Santa Rita do Ibitipoca MG Gruta dos Trs Ar cos (MG-403) 2140'30.00" 4352'45.00" Quartzito 240m 91 Santana do Pirapama MG Gruta da Fazenda do Comrcio (MG-381) * Calcrio 55m 92 Santana do Pirapama MG Gruta Fazenda Nagib I (MG-520) * Calcrio 45m 93 Santana do Pirapama MG Gruta Fazenda Nagib II (MG-521) * Calcrio 164m 94 Santana do Pirapama MG Gruta Fazenda Nagib III (MG-522) * Calcrio 129m 95 Santana do Pirapama MG Gruta Z Lopes (MG-1329) * Calcrio 640m 96 Santana do Riacho MG Gruta do Cano (MG-53) * Calcrio 60m 97 Santana do Riacho MG Gruta do Lapo I (MG-217) * Calcrio 10m 98 Santana do Riacho MG Gruta do Lapo II (MG-218) * Calcrio 70m 99 Santana do Riacho MG Gruta do Mata Capim II (MG-249) 1909'44.00" 4339'11.00" Calcrio 350m 100 Santana do Riacho MG Gruta Mata Capim I (M G-250) 1910'08.00" 4338'52.00" Calcrio 400m 101 Santana do Riacho MG Gruta dos Milagres (M G-260) 1909'46.00" 4338'50.00" Calcrio 87m 102 Santana do Riacho MG Lapa do Morro Vermelho (MG-271) * Calcrio 170m 103 Santana do Riacho MG Gruta Cavalo Marinho (MG-439) * Mrmore 104 Santana do Riacho MG Gruta Pierre Martin/ Gruta do Sacrrio (MG-444) 1918'28.00" 4336'48.00" Mrmore 200m 105 Santana do Riacho MG Gruta Revelao 31 (MG-445) * Mrmore 298m 106 Santana do Riacho MG Gruta da Sentinela (MG-512) * Calcrio 335m 107 Santana do Riacho MG Lapa de Jantar (MG-527) * Mrmore 200m 108 Santana do Riacho MG Abismo da Folha Seca (MG-528) * Mrmore 55m 109 Santana do Riacho MG Gruta Consolo do Raul (MG-529) * Mrmore 113m 110 Santana do Riacho MG Gruta do Coqueiro (MG-530) * Mrmore 220m 111 Santana do Riacho MG Gruta Boca de Cachorro (MG-953) 1917'41.00" 4336'46.00" Mrmore 112 Santana do Riacho MG Gruta de Dona Otlia (MG-954) 1917'54.00" 4336'17.00" Mrmore

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Travassos, et al. reas crsticas, cavernas e a Estrada Real Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 120 113 Santana do Riacho MG Gruta das Mes (M G-955) 1917'52.00" 4336'20.00" Mrmore 114 Santana do Riacho MG Gruta da Pata (MG-956) 1917'38.00" 4336'46.00" Mrmore 115 Santana do Riacho MG Gruta da Tereza I (MG-957) 1917'50.00" 4336'24.00" Mrmore 116 Santana do Riacho MG Gruta da Tereza II (MG-958) 1917'51.00" 4336'22.00" Mrmore 117 Santana do Riacho MG Lapa da Tubaro (MG-959) 1918'32.00" 4331'27.00" Quartzito 118 Santana do Riacho MG Gruta da Viola (MG960) 1917'42.00" 4336'25.00" Mrmore 604m 119 Santana do Riacho MG Sumidouro Duca Soares (MG-1354) * Calcrio 1120m 120 Santo Hiplito MG Lapa do Caetano (MG-51) 1828'06.00" 4406'26.00" Calcrio 136m 121 Santo Hiplito MG Lapa Pintada (MG-319) 1824'32.00" 4408'08.00" Calcrio 13m 122 Santo Hiplito MG Lapa de Santo Hiplito (MG-375) * Calcrio 123 Santo Hiplito MG Lapa da Vargem D'anta (MG-417) * Calcrio 124 Santo Hiplito MG Gruta da Fazenda Tiririca (MG-676) 1830'13.00" 4417'45.00" Calcrio 20m 125 So Tom das Letras MG Gruta do Labirinto (MG-1681) 2138'17.10" 4453'20.30" Quartzito 266m 126 So Tom das Letras MG Gruta Sobradinho (MG-1682) 2139'23.70" 4453'30.50" Quartzito 150m Dados inexistentes Fonte: CODEX Redespeleo Brasil ; CNC SBE (Compilado por Rose Lane Guimares) Fluxo editorial : Recebido em: 02.06.2008 Enviado para avaliao em: 05.06.2008 Enviado para correo ao autor em: 07.07.2008 Aprovado em: 10.09.2008 A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp 1 Uma verso desse trabalho foi apresentada para compor o Projeto da FAPEMIG “ O uso da tecnologia digital na proteo dos bens culturais da Estrada Real: um mapeamento interativo ” sob a coordenao do Prof.D r. Altino Barbosa Caldeira.

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Silva & Camargo. Valorao econmica das cavernas da microbacia do Rio Salobra... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 121 VALORAO ECONMICA DAS CAVE RNAS DA MICROBACIA DO RIO SALOBRA, BODOQUENA-MS COMO SUBSDIO AO PLANEJAMENTO ECOTURSTICO ECONOMIC EVALUATION OF CAVES IN THE WATERSHED OF THE SALOBRA RIVER, BODOQUENA-MS, AS SUPPORT FOR PLANNING OF ECOTOURISM Luciana Ferreira Silva1 & Rafael Rodrigues Camargo2 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Dourados MS lucianafsilva@uol.com.br Resumo Este artigo teve como objetivo analisar a demanda tur stica para as cavernas da microbacia do Rio SalobraBodoquena/MS e estimar o valor econm ico dos benefcios recreacionais que sero auferidos aos seus visitantes no futuro. Para captar esse valor foi utilizado o Mtodo de Va lorao Contingente, que dentre a literatura existente o mais indicado para valorar a tividades recreacionais. Os resultados provenientes da anlise da demanda turstica e da valorao serviro como parmetros para o planejamento ecoturstico do empreendimento em questo. Palavras-Chave: Planejamento ecoturstico, Demanda turstica, Valorao ambiental. Abstract This article was designed to analyze the demands for t ourism in the caves of the watershed of the Salobra River in Bodoquena, MS, and to establish an estimation of the economic value of the recreational benefits to be obtained by future visitors. The method of Contingen cy Evaluation was used to establish this value, since it seems the most appropriate of the available options in the existing literatu re for the evaluation of recreational activities. The results of the analysis of the de mands for tourism and of the estimated value will serve as parameters for the planning of ecotourism for the area. Key-Words: Ecotourism planning; Tourist dem and; Environmental valuation. Introduo As profundas transformaes econmicas, polticas, sociais e culturais vigentes na era da globalizao tem a todo instante estimulado a sociedade a repensar os paradigmas que envolvem as questes de desenvolvimento e conservao dos recursos naturais, o que te m implicado na sua maior conscientizao em relao escassez/esgotamento desses recursos. Diante dessa realidade, Sachs (1994) afirma que conferncias como o Clube de Roma em 1972, a Declarao de Estocolmo no mesmo ano e a Conferncia do Rio de Janeiro em 1992 cujo produto foi a Agenda 21, abriram a perspectiva de projetar e implementar estratgias ambientalmente adequadas na promoo de um desenvolvimento socioeconmico eqitativo inicialmente denominado de Ecodesenvolvimento e posteriormente definido como Desenvolvimento Sustentvel. Dessa forma, quando se coloca em discusso todos esses aspectos, importante compreender o conceito de desenvolvimento sustentvel, que tem sido definido, segundo Brundtland (1997) como o manejo do meio atravs de tcnicas preservacionistas, impedindo o desperdcio e cuidando para que seja satisfeita as necessidades da gerao presente sem comprometer as geraes futuras, dada a diversidade dos meios naturais e dos contextos culturais. Esse conceito vem, nos ltimos anos e em diversos pases agregando-se ao conceito de sociedade sustentvel, que segundo Viola (1997) aquela que conserva uma parte significativa do estoque natural, e substitui-compensa a parte usada atravs do capital tecnolgico, permitindo assim o desenvolvimento das geraes futuras. No entanto, vrios autores tm discutido o conceito de sustentabilidade e para Constanza (1997) esse conceito tem uma dimenso ecolgica, o que no implica condicionar a atividade econmica ao estado estacionrio mas sim manter constante a relao entre a taxa de crescimento da populao e da produo de produtos ma nufaturados. Nessa linha de raciocnio, para Constanza, op.cit. assegurar a

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Silva & Camargo. Valorao econmica das cavernas da microbacia do Rio Salobra... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 122 sustentabilidade dos sistemas econmicos e ecolgicos dependeria da nossa habilidade para construir objetivos e incentivos a curto prazo, respeitando o crescimento econmico local e interesses privados, consistentemente com objetivos a longo prazo Nesse contexto, o Governo Federal e o Estado do Mato Grosso do Sul, conscientes do papel de suma importncia que conferida ao setor turstico na economia brasileira, tm investido recursos no Estado do Pantanal atravs de programas como o PNMT, PDTUR, PRODETUR e o Programa Corredor Brasil Central do qual fazem parte Cear, Gois, Paran e Braslia. A regio da Serra da Bodoquena, considerado um dos locais mais paradisacos do planeta, por suas guas cristalinas repletos de peixes, grutas, cachoeiras e aqurios naturais, foi uma das regies do Estado a fazer parte do programa Corredor Brasil Central que tem como objetivo incentivar o turismo nestes estados. Nesse sentido, o Parque Nacional da Serra da Bodoquena foi dividido em fragmentos norte e sul, tomando pores de terras de quatro municpios (Bonito, Bodoquena, Jardim e Porto Murtinho), tendo como objetivo conservar ecossistemas de uma rea de remanescente de Mata Atlntica em transio com o Cerrado (IBAMA, 2004). A UC ainda no est aberta visitao pblica, em funo de seu plano de manejo estar em elaborao. Ao contrrio de outras UCs brasileiras, o Parque Nacional da Serra da Bodoquena tem como uma de suas premissas bsicas de gesto, permitir a visitao pblica apenas depois da definio, por meio de pesquisas, das reas prioritrias para uso e preservao, numa perspectiva conservacionista e sustentvel de manejo. (Lobo, 2006). Buscando auxiliar neste processo, a presente pesquisa delimitou-se na regio sudeste do fragmento norte do parque, especificamente na microbacia do Rio Salobra, rea com vegetao semi-decdua em processo de regenerao. Predominantemente de morros e encostas ngremes em formaes rochosas e afloramentos calcrios, formando um canal para a passagem do rio de guas cor de esmeralda e abundncia de peixes. Apresenta tambm forte incidncia de cavernas, as quais sero o objeto alvo desta pesquisa. (IBAMA, 2004). Figura 01 : Mapa de localizao

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Silva & Camargo. Valorao econmica das cavernas da microbacia do Rio Salobra... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 123 Esta regio foi escolhida devido ao aumento constante de sua projeo no que tange ao mercado nacional e internacional. A localizao do municpio, a existncia de linha de crdito de baixo custo financeiro, a poltica de incentivos do governo e as belezas naturais da Serra da Bodoquena, resultaram em um aumento significativo de empreendimentos privados que recebem um nmero de turistas muitas vezes superiores infra-estrutura local, que provoca uma explorao desordenada, que pode resultar em graves problemas como o esgotamento dos recursos naturais, elemento, este, imprescindvel para a manuteno do turismo na regio. Surge ento a importncia de estudos direcionados para a avaliao da demanda, ou seja, da relao funcional que traduz a quantidade a ser adquirida a preos diversos por determinada pessoa num dado perodo e local (Andrade, 2000), com o intuito de atender s necessidades dos turistas sem que os recursos naturais sofram um dano aqum de sua capacidade-suporte. Os resultados obtidos neste estudo nos dar o alicerce necessrio para o objetivo geral desta pesquisa que a avaliao dos benefcios econmicos de se manter o recurso das cavernas da microbacia do Rio SalobraBodoquena/MS em condies timas de preservao aliada a todas as atividades tursticas que podero ser desenvolvidas por esses empreendimentos. O termo valor econmico de um recurso ambiental ser entendido nesse artigo como a expanso monetria dos be nefcios obtidos de sua proviso, do ponto de vista pessoal de cada indivduo (Belluzzo,1995). Nesse contexto, valorar economicamente um recurs o ambiental significa determinar quanto melhor ou pior ficar o bem-estar das pessoas em funo da mudana na quantidade e qualidade de bens ou servios. O valor econmico de um recurso natural, n o mensurado pela teoria econmica tradicional, assume papel importante como medida protecionista do uso sustentvel dos recursos, como mecanismo de mensurao monetria das externalidades oriundas de projetos de investimentos, como mtodo de indenizaes judiciais, como forma de defesa tica do meioambiente e ainda como funo estratgica dos recursos naturais para o desenvolvimento dos pases (Mota, 2000). Alm da possibilidade do estabelecimento de indenizaes para os danos ambientais, a valorao das cavernas da microbacia do Rio SalobraBodoquena/MS servir como um mecanismo de auxlio aos planos de manejo e de anlise de custobenefcio para as diferentes alternativas de uso dessa rea natural, e nesse sentido que a economia ecolgica contribui para a identificao do ponto de equilbrio entre o meio ambiente e o desenvolvimento com enfoque ao desenvolvimento sustentvel. Outro aspecto importante a ser ressaltado que estudos dessa natureza comeam a apontar na literatura brasileira e o resultado desse poder se tornar um modelo referencial de valorao de ecossistemas para polticas regionais e para a economia das comunidades locais dado o potencial turstico do Estado de Mato Grosso do Sul. Objetivo Geral Estimar os benefcios econmicos de se manter o recurso das cavernas da microbacia do Rio Salobra, BodoquenaMS em condies timas de preservao, aliada a todas as atividades tursticas que podero ser desenvolvidas por esses empreendimentos. Objetivos Especficos Estimar e avaliar a demanda turstica potencial para as cavernas da microbacia do Rio Salobra – BodoquenaMS; Estimar o valor de uso do recurso natural que poder ser explorado pela atividade de recreao da rea em questo. Reviso de Literatura O Mtodo de Valorao Contingente Num enfoque econmico, vrias tcnicas vm sendo utilizadas por pases desenvolvidos para assegurar um valor de benefcios proporcionado pelas reas protegidas. Para a valorao das cavernas da microbacia do Rio Salobra – Bodoquena, MS, foi utilizado o Mtodo de Valorao Contingente (Clawson, 1966). Um mtodo bastante utilizado para valorar reas de recreao o Mtodo de Valorao Contingente (MVC), que permite captar, atravs de entrevistas realizadas com os visitantes no local de recreao, os valores pessoais para bens “sem preo” criando para isso um mer cado hipottico (Cummings et al., 1986). Dessa forma, o Mtodo de Valorao Contingente permite captar o valor de uso, o valor de existncia e ainda o valor de opo do recurso ambiental medida que capta a disposio a pagar das pessoas para assegurar um benefcio, a disposio a aceitar de abrir mo do benefcio, a

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Silva & Camargo. Valorao econmica das cavernas da microbacia do Rio Salobra... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 124 disposio a pagar para evitar uma perda e ainda disposio a aceitar uma perda (Pearce & Turner, 1990). No entanto, para que o mercado hipottico seja criado o mais prximo do real, informaes sobre as funes do recurso, seus substitutos, a forma de pagamento e o simbolismo do mtodo aplicado devem ser fornecidas aos entrevistados (Kristrom, 1997). Esses cuidados com o delineamento da pesquisa so fundamentais, porque se no forem considerados, o Mtodo de Valorao Contingente pode apresentar um conjunto de vieses de mensurao associados ao seu uso, o que pode comprometer a tomada de decises em polticas pblicas ambientais. As principais fontes de erro desse mtodo so classificadas como: vis estratgico, vis de informao, vis de instrumento e vis hipottico (Schulze et al., 1981; Abelson, 1996; Bowers, 1997). O vis estratgico ocorre quando os entrevistados percebem que as suas respostas podem influenciar o resultado da pesquisa de tal maneira que os seus custos iro diminuir ou os seus benefcios iro aumentar em relao ao esperado num mercado normal. Numa situao em que se pergunta ao indivduo sobre a sua disposio para pagar por uma melhoria da qualidade visual de uma rea prxima de sua casa e ele sabe que no ir pagar, mas que o projeto ser financiado por outras pessoas, este indivduo estar propenso a declarar um alto valor de disposio a pagar. No entanto, se considerado o caso contrrio, o valor que ele ir declarar ser muito menor. O vis de informao resulta principalmente do nvel da qualidade da informao dada aos entrevistados a respeito do recurso a ser valorado, visto que a natureza hipottica do mtodo exige informaes detalhadas d esse recurso. Desse modo, esse vis pode ser reduzido se no desenho da pesquisa forem utilizados recursos visuais, como fotografias, principalmente para os que no conhecem o recurso que est sendo valorado. J o vis de instrumento resulta da escolha do modo de pagamento da dis posio a pagar (DAP), pois algumas taxas so mais onerosas que outras e o uso delas influenciar o na resposta dos entrevistados. Esse vis pode ser neutralizado se forem oferecidas aos entrevistados outras maneiras de administrao da DAP, que, por exemplo, poderia ser realizada por intermdio de uma Sociedade de Protetores da Natureza ou alguma associao com o mesmo fim. E finalmente, mas no menos importante, o vis hipottico resultante das prprias diferenas entre o mercado real e o mercado hipottico, construdo para a aplicao do mtodo. No mercado real os indivduos se sujeitam a custos maiores quando erram o preo de um bem, o que no ocorre quando se trata de um mercado hipottico j que o entrevistado atribui um valor simblico para DAP. Um outro problema do mtodo diz respeito restrio oramentria dos entrevistados que muitas vezes no a levam em considerao no momento de declarar a sua disposio a pagar, exatamente por se tratar de uma situao hipottica. Entretanto, apesar dessas limitaes, que como foi visto podem ser neutralizadas, em muitos casos no existem outras tcnicas alternativas de valorao, sendo esse mtodo o mais adequado para estimar valores (Dixon & Shermann, 1990). Metodologia A pesquisa foi desenvolvida em vrias fases com as suas respectivas etapas como segue: 1 FASE (Reviso de literatura/ Reconhecimento e caracterizao do local) ETAPA 1: Reviso de Literatura A reviso de literatura foi feita com bases de dados especficas (Web of Science, EconomicEcologic, Biological-Abstracts...) e levantamento de dados socioeconmicos, am bientais, histricos e arqueolgicos bem como mapas, imagens de satlite, fotos etc existente para a rea em questo. Esse levantamento foi realizado em bibliotecas locais, rgos pblicos como COMTUR, EMBRATUR entre outros. 2 FASE (Operacionalizao da pesquisa) ETAPA 1: Elaborao do Instrumento de Pesquisa Os survey de pesquisa (Babbie, 1999) foram elaborados visando atender o Mtodo de Valorao Contingente e a anlise do potencial da demanda turstica. As questes focalizaram informaes referentes ao local de estadia do visitante, distncia viajada do turista, cidade onde tm residncia fixas, gastos totais, tempo de permanncia no local, meio de transporte utilizado, caractersticas scio econmicos, meio de hospedagem, avaliao das estruturas fsicas do local e questes referentes a percepo ambiental do turista.

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Silva & Camargo. Valorao econmica das cavernas da microbacia do Rio Salobra... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 125 ETAPA 2: Teste piloto Esta fase iniciou-se com 1 sada a campo, nos dias 22, 23 e 24 de agosto de 2007, a fim de fazer um reconhecimento da r ea a ser estudada e seu entorno. Na etapa 1, o que se referia as atividades de campo destinadas ao mapeamento da Gruta Crrego Azul III, utilizamos da topografia realizada em campo, em abril de 2007, pelos estudos da mestranda do Programa de Ps-Graduao em Ecologia e Conservao da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Lvia Medeiros Cordeiro, que est trabalhando com a distribuio da fauna caverncola em cinco cavernas, inclusive a Gruta Crrego Azul III. O resultado desta etapa se deu em outubro de 2007, com o Mapa Espeleolgico da Gruta Crrego Azul III, Bodoquena-MS, onde contm informaes de nome da caverna, localidade, localizao geogrfica (retiradas com auxlio de GPS), altitude, projeo horizontal da caverna, desenvolvimento linear, desnvel, grau de preciso, escala, nortes geogrfico e magntico e su as variaes, equipe de topografia e finalizao, alm do quadro de convenes para melhor compreenso das feies da caverna. O qual tambm poder servir como base para incluso de novas informaes, tais como, geolgicas, meteorolgicas, biolgicas, tursticas, entre outras. Iniciando a etapa 1, foi elaborado um questionrio piloto do Mtodo de Valorao Contingente – MVC. As questes contempladas no questionrio foram baseadas em estudos clssicos realizados por Mota (2000), Martins (2002), Schiavetti (2003) e tambm nas orientaes sobre Mtodos de Pesquisa de Survey por Babbie (1999). A etapa 2, a qual se referia a aplicao do questionrio piloto, tambm foi realizada na 2 sada a campo, em novembro de 2007, aplicando o questionrio em em 16 visitantes e moradores locais. Permanecendo com condies apenas os pesquisadores que atuam/atua ram na rea do parque, que totalizaram 30. 3a FASE: Anlise de Resultados ETAPA 1: Tabulao e Anlise de dados Aps a triagem crtica, os survey foram processados no programa de estatstica SPSS verso 8.0 para Windows. Resultados e Discusso Como as cavernas da microbacia do Rio Salobra, Bodoquena/Ms ainda no esto efetivamente abertas a visitao, a maior parte dos entrevistados (37%) foram de Dourados, sendo a outra grande parte (32%) os moradores locais. Para a avaliao da demanda turstica das cavernas do Rio Salobra, foi elaborado Survey de pesquisa subdivido em quatro grandes bloc os englobando assuntos distintos e de interesse para a pesquisa: percepo ambiental; objetivos da vi sita; avaliao do local e aspectos scio-econmicos. As questes deste bloco tiveram por objetivo avaliar a percepo do entrevistado em relao ao recurso natural potencial para visitao. Todos os entrevistados afirmaram ser importante a preservao do local, destes, 35,67% acham que as cavernas da microbacia do Rio Salobra tm de ser preserva do pelo simples fato de preservar, de deixar este ativo em bom estado de conservao para as geraes futuras; outros 26% admitem que fundamental a preservao das cavernas para a explorao potencial do Turismo; 11,63% afirmaram que o ser humano precisa da gua para a sua sobrevivncia, 11,63% referiram-se s belezas naturais existentes no empreendimento; outros 25,58 dividiram-se em menor escala entre patrimnio, fragilidade da natureza, gua, natureza, ecossistema e a peculiaridade do local. 34% 16% 12% 12% 7% 7% 12% preservao turismo vida depende da natureza belez ecossistema gua outros Figura 02 : A importncia da preservao 74% dos entrevistados so favorveis a explorao turstica das cavernas da microbacia do Rio Salobra desde que cause o mnimo de impacto possvel, 14% acham que os recursos naturais foram feitos para serem explorados e h aqueles 5% que acreditam que a utilizao dos recursos para o turismo, principalmente na regio das cavernas uma forma de se projetar o Estado para outros lugares.

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Silva & Camargo. Valorao econmica das cavernas da microbacia do Rio Salobra... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 126 14% 74% 2% 5% 5% deve ser explorado explorado com o mnimo de impacto divulgar o estado desde que com planejamento contraa Figura 03 : Opinio dos entrevistados a respeito da comercializao dos recursos naturais Anlise da funo de demanda potencial por turismo nas cavernas da Microbacia do Rio Salobra – Bodoquena/MS. Sero apresentados neste item os resultados referentes estimativa e anlise da funo de demanda potencial por turismo nas cavernas da microbacia do Rio Salobra, Bodoquena, MS, bem como os benefcios da atividade recreativa que poder ser proporcionada aos seus visitantes. Os resultados foram ana lisados considerando os dados agregados em ani s, o que permite estimar, de maneira simplificada, os benefcios auferidos aos visitantes, a partir dos respectivos locais de procedncia delimitados pelas faixas de distncia. O modelo que melhor ajustou os dados agrupados por anis foi o modelo log-log. O modelo estimado foi LNTV= -1,726 LNCPERCAP + 0,765 LNRENDA (-10,187) ( 6,426 ) Onde: LNTV o logaritmo natura l da taxa de visita, LNCPERCAP o logaritmo natural do custo total per capita por visita e LNRENDA o logaritmo natural do rendimento mdio dos visitantes. Nesse modelo, nenhuma varivel qualitativa foi significativa e a elasticidade custos sinaliza que para cada 10% de incremento nos custos de viagem haver uma queda de 18,25% da densidade de visitas e para um acrscimo de 10% na renda mdia dos visitantes haver um incremento de 8,97% na densidade de visitas. O benefcio anual ou excedente do consumidor, proporcionado pela atividade recreativa, representou o montante de R$ 2.876.674, 47. As cavernas da microbacia do Rio Salobra, Bodoquena, MS, a partir da estimativa das duas funes de demanda, foi validada na medida em que para os dados agrupados em anis foi possvel verificar, de modo simplificado, os excedentes, de acordo com as respectivas faixas de distncia ao atrativo. Mota (2000), na valorao do Plo Ecolgico de Braslia “Jardim Zoolgico” e Parque Nacional de Braslia “gua Mineral” obteve, respectivamente, excedentes anuais de R$832.000,00 e R$1.659. 730,40 que apesar da maior infra-estrutura tur stica apresentou valores inferiores aos encontrados nesta pesquisa as cavernas da microbacia do Rio Salobra, que ainda no esta aberta a visitao. Esse fato pode estar associado ao excessivo marketing que nos ltimos anos vem ocorrendo em tor no dos atrativos naturais da regio de da Serra da Bodoquena, o que faz com que aumente o interesse das pessoas em conhec-los e conseqentemente sua di sposio de pagar para manter a conservao do local. Alm disso, a oferta em Braslia mais diversificada que a oferecida aos residentes de Bodoquena. Os trabalhos desenvolvidos por Casimiro (1998), para as praias cearenses e por Grasso (1995), para o esturio de Canania resultaram em excedentes muito maiores dos encontrados por esta pesquisa. No entanto as reas valoradas pelos autores citados, embora sejam locais de recreao, so ecossistemas com caractersticas bastante distintas alm de representarem reas muito maiores, o que torna difcil comparar os estudos acima referidos com os resultados obtidos para as cavernas da microbacia do Rio Salobra. Nesse contexto, o valor econmico das cavernas da microbacia do Rio Salobra, Bodoquen, MS representado pelo excedente anual (R$2,8 milhes) poder, entre outras coisas, servir aos gestores ambientais como parmetro para cobrana de multas e/ou indenizaes, caso esse local venha a ser degradado. Alm disso, o excedente mdio per capita por visita pode ser utilizado como indicativo no estabelecimento de polticas tarifrias, na medida em que representa a dispos io a pagar das pessoas para usufruir do espao em questo. Tambm h que se considerar que a valorao econmica de recursos natu rais uma generalidade para algo que possui no apenas valor instrumental, como tambm valor esttico, moral, cultural, e de preservao de vida de todas as espcies. Mesmo no aliciamento do valor de uso, como, por exemplo no caso da recreao, questes que envolvem psicologia comportamental, risco ambiental, conduta moral e altrusmo em relao a causa ambiental devem ser objetos de observaao e anlise. Deste modo, a proposta de valorao, deste artigo, tem dimenso

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Silva & Camargo. Valorao econmica das cavernas da microbacia do Rio Salobra... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 127 sistmica, pois se valora o ativo ambiental, pela tica do usurio, porm atribuindo-se um sinal de preo, no qual se consideram variveis socioeconmicas, hbridas e de atitude. Portanto, o mtodo de valorao contingente, aqui usados, atenderam a esses apelos e responderam satisfatoriamente aos testes estatsticos aos quais foram submetidos Mesmo assim, na atribuio de um sinal de preo o usurio constant emente influenciado pela sociedade e pelo mercado, os quais, por sua magnitude, exercem forte influncia na tomada de deciso do usurio, gerando-lhe informao e necessidade. Com base nesse raciocnio, o usurio revela sua preferncia por uma cesta de consumo, formada a partir de restries socioeconmicas, de oramento e atitudes, permitindo mensurar o seu bem estar por meio do excedente do consumidor. Finalmente, a fim de aperfeioar o uso desses mtodos para a tomada de deciso pblica ambiental, desenhou-se um survey compatvel com a problemtica formulada, em que foram introduzidas variveis que refletissem as atitudes dos usurios, anularam-se os vieses, introduziram-se novos mecanismos de captao dos preos de referncia e de aliciamento dos usuri os e conclui-se que no existe diferena entre os excedentes estimados. Figura 04 : A. Atividades exploratrias na Gruta Crrego Sta Maria B. Onychophora Caverncola encontrado na Gruta Dente de Co C. Formaes encontradas na Gruta P de Balsamo D. Atividades de mergulho na Gruta Nascente do Salobrinha E. Atividade de mapeamento na Gruta Morro do Jeric F. Conduto principal (alagado) da Gruta Mina do Seu Jesus G. Salo principal da Caverna Crrego Seco H. Amblypygio encontrado na Caverna Nova Aliana I. Atividades exploratrias na Gruta Dente de Co J. Entrada da Gruta Crrego Azul I K. Formao encontrada na Gruta Crrego Azul III L. Vista area do vale do Rio Salobra Referncias Bibliogrficas Abelson, P. 1996. Project Appraisal and Valuation of the En vironment: General Principles and Six CaseStudies in Developing Countries Londres: Macmillan Press Ltd. Andrade, J. 2000. Fundamentos e dimenses 8 Edio, So Paulo,Editora tica.

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Silva & Camargo. Valorao econmica das cavernas da microbacia do Rio Salobra... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 128 Babbie, E. 1999. Mtodos de pesquisa de surveys traduo Guilherme Cesarino, Belo Horizonte, Editora UFMS. Belluzzo, W. 1995. Valorao de bens pblicos : o mtodo de avaliao conti ngente. So Paulo. Faculdade de Economia, Administrao e Contabilidade, Univ ersidade de So Paulo. Dissertao Mestrado. Bowers, J. 1997. Sustainability and Environmental Economics : An alternative Text. London. Longman. Brundtland, G, H. 1991. Nosso Futuro Comum : Comisso Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, 2 edio, Rio de Janei ro: Editora da Fundao Getlio Vargas. Casimiro Filho, F. 1998. Valorao monetria de benefcios ambientais : o caso do turismo no litoral cearense. Piracicaba,. 81p.– Escola Superior de Agri cultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de So Paulo. Dissertao Mestrado Clawson, M. 1994. Methods of Measuring the Demand for and value of Outdoor Recreation. In: OATES, W.E. The Economics of the Environment Great Britain: Elgar Critical Writings Reader Series. Costanza, R. 1997. Frontiers in Ecological Economics Cheltenham, UK: Edward Elgar Publishing Limited. Cummings, R. G.; Brookshire, D. S.; Schulze, W. D. 1986. Valuing environmental goods : an assessment of the contingent valuation method. Toto wa, New Jersey: Rowman & Allanheld, Dixon, J. A.; Sherman, P. B. 1991. Economics of protected areas Ambio, v.20, n.2, p.68-74. Grasso, M.; Tognella, M. M. P.; Schaeffer-Novelli, Y.; Comune, A. E. 1995. Aplicao de tcnicas de avaliao econmica ao ecossistema manguezal. In: May, P. T. (Org.) Economia Ecolgica : Aplicao no Brasil. Rio de Janeiro: Campus.. Ibama. Unidade: Parque Nacional da Serra da Bodoquena Braslia: IBAMA, 2004. Disponvel em: http://www.ibama.gov.br/siucweb/mostraUc.php?seqUc=142 Acesso em Agosto de 2006. Kristom, B. Pratical problems in Contingent Valuati on. 1997..In: Kopp, R. J.; Pommerehne,W.; Schwarz, N. Determining the value of Non Marketed Goods : Economic, Psychological, and Policy Relevant Aspects of Contingent Valuation Methods. Massachusetts: Kluwer Academic Publishers,. Lobo, H. A. S. 2006. Fundamentos bsicos do espeleoturismo Dourados: UEMS. Mimeo. Martins, E. C. O. 2002. Turismo como Alternativa de Desenvolvimento Sustentvel : O caso de Jericoacoara no Cear. Tese de Doutorado. ESALQ/USP. Piracicaba/SP: Mota, A. 2000. Valorao de ativos ambientais como subsdio deciso pblica Braslia, 262p. Tese (Doutorado)Centro de Desenvolvimento Sustentvel – UnB. Pearce, D. W.; Turner, R. K. 1990. Economics of. natural resources and the environment 2.ed. Baltimore: Johns Hopkins Univ. Press, Sachs, I. Estratgias de transio para o sculo XXI. P. 30-56. 1994. In: BURSZTYN, M. (org). Para pensar o desenvolvimento sustentvel So Paulo: Editora Brasiliense,. 161 p. Schiavetti, A. 2003. Aspectos da estrutura, funcionamento e manejo da reserva particular do patrimnio natural “Ecoparque Una” : regio cacaueira do Sul da Bahia. Tese de Doutorado. UFSCar. So Carlos/SP:. 126 p. Schulze, W. D.; D’arge, R. C.; Brookshire, D.S. 1 981. Valuing environmental commodities: Some recent experiments. Land Economics v.57, n.2, p.151-172. Viola, E. 1997. Reflexes sobre os dilemas do Br asil na segunda metade da dcada de 1990 e sobre uma agenda de polticas pblicas baseadas na democracia, na equidade, na eficincia e na sustentabilidade. p. 107-129. In: Contribuio para um novo modelo de desenvolvimento Goinia: Centro de Estudos Regionais da Universidade Federal de Gois.

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Silva & Camargo. Valorao econmica das cavernas da microbacia do Rio Salobra... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 129 Fluxo editorial : Recebido em: 02.09.2008 Enviado para avaliao em: 02.09.2008 Enviado para correo ao autor em: 21.10.2008 Aprovado em: 13.11.2008 A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp 1 Graduada em Matemtica pela UNESP Rio Claro, Mestrado em Desenvolvimento Sustentvel pelo Centro de Desenvolvimento Sustentvel da Universidade de Braslia, UnB e Doutorado em Economia Aplicada – Meio Ambiente, Espao e Desenvolvimento pelo Instituto de Econ omia da Unicamp. Docente da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS. 2 Aluno do 4 ano do curso de Turismo com nfase em Ambientes Naturais da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS. Bolsista de Inic iao Cientfica PIBIC/CNPq/UEMS

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 131 ESPELEOTURISMO NA CAVERNA LA PA DOCE: POTE NCIALIDADES PARA UM TURISMO SUSTENTVEL NO MUNICPIO DE IRAQUARA – BAHIA SPELEOTOURISM IN THE LAPA DOCE CAVE: GREAT POTENTIAL FOR SUSTAINABLE TOURISM AND IRAQUARA TOWN – BAHIA Rodrigo Alves Santos1 Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus IV Jacobina BA rodrigoa20@yahoo.com.br Resumo O presente trabalho tem como objetivo demonstrar a in trnseca relao existente entre as feies fsicas da paisagem crstica e suas potencialidades para a at ividade espeleoturstica em Iraquara, abrangendo sua estrutura de produo sob o iderio do ecoturismo sust entvel. Sero discutidos alguns conceitos acerca da atividade espeleoturstica nacional, regional e local, destacando o espeleotu rismo na Caverna Lapa Doce I e suas especificidades para o municpio de Iraquara. Fo ram tambm apontados alguns impactos ambientais negativos encontrados no Sistema Lapa Doce, tais como a mudana de colorao dos espeleotemas, devido infiltrao de argila, a grande concentrao de sedime ntos nas paredes e formaes da caverna, dentre outros, bem como sua relao com o espeleoturismo. Tais cons ideraes foram feitas atravs de pesquisas de campo e levantamento bibliogrfico de fo rma a permitir uma anlise ambiental do Sistema Lapa Doce e uma viso crtica da atividade turstica praticada em Iraquara. O trabalho de campo possibilitou ainda identificar as relaes existentes entre a filosofia ecoturstica, o turismo sustentvel e o espeleoturismo no municpio. Como resultados, apresentam-se algumas propostas a fim de que contribuam com as discusses acerca da conservao ambiental, desenvolvimento econmico e turismo sustentvel. Palavras-Chave: Espeleoturismo; Iraquara; Caverna Lapa Do ce; Conservao Ambiental; Planejamento. Abstract This work aims at demonstrating the existing clos e relation between physical appearances of the karst landscape and its potential for speleotourism activ ities in Iraquara, which covers its production structures under the so-called sustainable ecotour ism perspective. The physical charac terization of the studied area was the very first theoretical bases for the development of this study by de monstrating the main aspects of the karst features of Iraquara’s region with a focused attention to the Lapa Do ce system. It was also discussed some concepts of the speleo tourist activity in national, regional and local terms. It was highlighted the speleotourism in the Lapa Doce 1 Cave and its specificities in Iraquara. It was evident some negative environmental impacts in Lapa Doce, su ch as the changes in the speleotema s colour due to clay infiltrations together with a great concentration of soil on its walls and formations and also the relation to speleotourism itself. Field study and biographic study were applied in order to achieve these considerations mentioned above, but mainly to allow a more effective enviro nmental analysis of the Lapa Doce system and a critical view of the tourist activity practi ced in Iraquara. The field study was essential to identify the existing relations amongst an ecotourist philosophy, the su stainable tourism and the speleotourism in the surroundings of Iraquara. As a result, some possible ac tions are proposed in order to contribute in the discussions concerning environmental preservation, economical development and sustainable tourism. Key-Words: Speleotourism; Iraquara; Lapa Doce Cave; Environmental Preservation; Planning. Introduo O municpio de Iraquara conhecido por sua grande densidade de cavernas, sendo localizado em um dos mais expressivos c onjuntos paisagsticos do Brasil, a Chapada Diamantina. Estas redes de galerias existentes em todo o municpio, esculpidas em rochas carbonticas, fazem deste local um dos principais stios espeleolgicos do pas. Iraquara localiza-se na regio da Chapada Diamantina, poro Centro-Norte do Estado da Bahia. O municpio possui uma rea de 800 km e uma populao total estimada em 19.560 habitantes

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 132 (IBGE, 2007). A pesquisa desenvolveu-se no interior e entorno do sistema de cavernas Lapa Doce, tendo como foco principal a Caverna Lapa Doce I, inserida dentro do permetro da rea de Proteo Ambiental Marimbus – Iraquara. O acesso a Iraquara, que dista cerca 450 km de Salvador, feito pela BR – 242 (Rodovia Salvador-Braslia) at o entroncamento na localidade de Carne Assada, onde se percorre 27 km pela BA – 122 at a sede do municpio (fig. 1). As principais cidades da regio so: Seabra, que se localiza a aproximadamente 40 km a SW de Iraquara, e Lenis, cerca de 70 km a SE. A Chapada Diamantina a regio do Estado da Bahia que melhor representa o turismo voltado para a contemplao e conservao da natureza, denominado ecoturismo. O crescimento do ecoturismo em toda a regio vem tambm chamando a ateno para o aproveitamento dos diversos cenrios subterrneos, o chamado espeleoturismo. Nesse contexto, Iraquara se destaca por apresentar uma grande concentrao de cavernas. Atualmente, encontram-se registradas no municpio mais de uma centena de cavidades, constituindo, possivelmente, o local de maior densidade de galerias subterrneas por unidade de rea no Brasil (Auler & Farrant, 1996) apud (Cruz, Jr. & Laureano, 1999), destacando-se o Sistema Lapa Doce, pela sua extenso e importncia espeleoturstica. Esse sistema subdivide-se em Lapa Doce I e II, sendo que somente a primeira est aberta visitao turstica. O espeleoturismo implantado sem planejamento e sem os devidos estudos, pode gerar riscos aos visitantes e uma srie de impactos caverna, prejudicando todo o ecossistema caverncola e os usurios. No entanto, esta mesma atividade, conduzida de forma adequada e criteriosa, pode ser entendida como uma atividade econmica promissora para os municpios mais carentes. O espeleoturismo tambm pode ser um grande dinamizador da economia do municpio, gerando um aumento da oferta de trabalho e uma conseqente melhoria no quadro social. Reportando-se caverna Lapa Doce I, observa-se que o fluxo de turistas nesta cavidade no um fenmeno que possa passar despercebido, pois sua grande vantagem movimentar a economia de Iraquara. Pretende-se neste trabalho, discutir alternativas para o turismo em Iraquara, sob o iderio do ecoturismo sustentvel, enfatizando a grande importncia das cavernas para o municpio, tendo como foco principal a Caverna Lapa Doce I, por ser uma das grandes atraes tursticas da Chapada Diamantina. Figura 1: Mapa de localizao da rea pesquisada. Fonte: Cruz Jr. (1998) modificado pelo autor.

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 133 Metodologia Seguindo os objetivos do trabalho, de discutir a importncia do relevo crs tico e da caverna Lapa Doce para a atividade turstica em Iraquara, foram desenvolvidas as seguintes etapas norteadoras da pesquisa: Primeiro passo – levant amento bibliogrfico acerca do carste em Iraquara e dessa nova atividade turstica desenvolvida na regio, o espeleoturismo. Foram utilizados como embasamento terico deste trabalho, publicaes cientficas, em nveis gerais, a respeito da temtica estudada, trabalhos acadmicos (teses e dissertaes), artigos publicados sobre a rea, alm de publicaes em revistas e jornais. Segundo passo – atividades de campo destinadas observao e gerao dos dados necessrios complementao do acervo referencial. Foram feitas observaes sistemticas da paisagem, no interior e entorno da Caverna Lapa Doce I (roteiro turstico), bem como descrio e/ou caracterizao da cavidade e de alguns impactos ambientais existentes. Alm disso, foram feitas fotografias digitais da rea pesquisada e o levantamento do nmero de turistas que visitam a cavidade anualmente. Terceiro passo – entrevistas com moradores da comunidade, representantes do poder pblico municipal, guias de turismo, administradores da caverna e proprietrios de hotis e pousadas da cidade. Terminada a fase de coleta, o trabalho foi concludo com a tabulao e processamento dos dados. O carste no Brasil e o sistema Lapa Doce O Brasil possui cerca de 5 a 7% de seu territrio ocupado por carste carbontico, se constituindo como o maior potencial em termos de cavernas dentre os pases da Amrica do Sul (Karmann, 2000). Os carbonatos no Brasil esto concentrados em sua grande maioria, no leste do pas, principalmente nos Estados da Bahia, Minas Gerais e Gois, e em menores quantidades em So Paulo, Paran, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e em outros Estados das regies Nordeste e Sul. As cavernas so feies geomorfolgicas de um relevo conhecido internacionalmente como carste. O termo carste (karst) possui origem servocroata, significando “campo de pedras calcrias”. Atualmente a designao “carste” possui sentido mais amplo, abrangendo todos os aspectos morfolgicos oriundos de processos de dissoluo encontrados na topografia caracterstica das rochas calcrias ou dolomticas (Bigarella et al., 1994). A maioria das cavernas se desenvolve sobre essas rochas, tendo incio com estreitas fendas de dimenses milimtricas, normalmente preenchidas pela gua. O processo de dissoluo das rochas forma espaos vazios, permitindo a absoro da gua da chuva e dos rios para o subsolo. A circulao da gua nestes vazios origina as cavernas (Karmann & Beccari, 2002). Os relevos crsticos em carbonatos, a exemplo dos calcrios e dolomitos, por reagirem facilmente com solues cidas como o cido carbnico e o sulfrico, so os mais propcios chamada espeleognese – o processo de formao das cavidades naturais (V alle, 2004). De modo geral, so tambm os que formam as cavernas mais ornamentadas e extensas. Uma das conseqncias da espeleognese a formao dos espeleotemas – os depsitos de minerais das cavernas -, que se constituem em um conjunto de grandes atrativos tursticos do ambiente subterrneo. Para Hill & Forti (1995) apud Lobo (2006), os espeleotemas a ssumem formas diversas, variando em funo do grau de precipitao dos mecanismos hidrolgicos conhecidos em sua formao, tais como gotejamento, escorrimento, acmulos de gua, ressurgncia de canais, capilarizao, condensao e borrifamento. Os mais comuns so: as estalactites, as estalagmites, as cortinas, os coralides e os travertinos. O Estado da Bahia possui um rico patrimnio espeleolgico, desenvolvido principalmente sobre rochas carbonticas dos Grupos Bambu e Una. O maior nmero de cavidades subterrneas ocorre na regio central do Estado, sobre os carbonatos do Grupo Una, localizados na poro da Chapada Diamantina, no distrito espeleolgico de Iraquara, hoje com uma das maiores concentraes de cavernas por unidade de rea do pas (Karmann et al., 2000). As cavernas podem ser encontradas em todo o planalto crstico de Iraquara, no entanto, verifica-se uma maior distribuio na parte sul da rea, onde se localiza o si stema Lapa Doce (Ferrari, 1990). Caracterizao e morfologia do sistema Lapa Doce O Sistema Lapa Doce est situado na poro central da rea estudada, entre as extremidades do vale do Riacho gua de Re ga e o povoado da Santa Rita, passando por baixo da rodovia BA – 122. Esse sistema de cavernas, apontado por Rubbioli (1995)

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 134 como um dos dez maiores do pas, o maior da regio, possuindo desenvolvimento horizontal de cerca de 27 km de galerias mapeadas2, sendo separado espeleometricamente em Lapa Doce I e Lapa Doce II, com o argumento de que uma dolina de colapso interrompe a continuidade entre os dois ramos do sistema (Cruz Jr. & Laureano, 1999). A caverna Lapa Doce II, por ser uma rea de preservao permanente, no est aberta visitao turstica, somente aos estudos cientficos. No interior desta cavidade so realizados diversos estudos, que vo desde a formao de espeleotemas, at o abrigo de registros sedimentares nicos, que comprovam variaes ambientais e paleoclimticas ao longo de milhares de anos (Laureano, 1998). A caverna Lapa Doce I o segmento localizado na parte setentrional do sistema, e a cavidade mais visitada do municpio de Iraquara. Sua entrada principal localiza-se junto dolina que subdivide o sistema e corresponde ao incio do trajeto turstico. Sua galeria principal se apresenta com grandes dimenses e pouco acidentada, oferecendo poucos obstculos aos turistas. O padro morfolgico deste setor caracterizado pela presena de uma grande galeria com amplas dimenses, com at 60m de largura e 25m de altura, em um trajeto de cerca de 1,5 km at a prxima dolina, que marca o final do percurso no acidentado, coincidindo tambm com o final do percurso turstico (Bertoni, 2001). Um aspecto marcante na Lapa Doce I, alm da amplitude da galeria principal – em largura e altura a expressiva concentrao de espeleotemas, propiciando uma ornamentao com grandes variedades e formas. Predominam na caverna os espeleotemas do tipo estalactites, estalagmites, colunas, escorrimentos, cortinas, travertinos, entre outros, recobrindo teto, paredes e piso desta cavidade. Turismo em reas naturais Diversas correntes de estudo buscam identificar uma delimitao e definio para o que o turismo representa. Os conflitos so comuns, pois os estudos revelam normalmente as tendncias de pensamento em diversas reas do conhecimento a respeito do fenmeno. Um de seus entendimentos clssicos aponta para a limitao em torno das viagens ligadas ao lazer. Ruschmann (2002:09) ressalta a motivao do turismo sob a perspectiva do contato com a natureza para fins de lazer, momento este em que os turistas buscam a recuperao de seu equilbrio psicofsico. Para a Organizao Mundial do Turismo – OMT -, o turismo compreende “s atividades de pessoas que viajam para lugares afastados de seu ambiente usual, ou que neles permaneam por menos de um ano consecutivo, a lazer, a negcio ou por outros motivos” (OMT, 2003:20). O fluxo de turistas que visitam o pas se distribui por vrios estados da federao, em funo das muitas possibilidades tursticas do territrio nacional, em sua vastid o e variedade. Lobo, analisando tais fatos, afirma que: Os diferentes biomas, povos, costumes e culturas das regies brasileiras se constituem numa gama de atrativos que permite o desenvolvimento de diversos segmentos do mercado turstico. Do turismo de sol e praia s Unidades de Conservao da Natureza, passando pelo turismo cultural e de aventura, as opes so imensurveis, sobretudo em funo da dinmica do mercado turstico, sempre vido ao consumo de novas paisagens. Nesse sentido, as reas de natureza conservada no pas compem um dos maiores potenciais para o fortalecimento do turismo nacional. (Lobo, 2006:30-31). O turismo de natureza ou ecoturismo apontado por Leony (1999) como o segmento da atividade que utiliza, de forma sustentvel, o patrimnio natural e cultural, incentiva sua conservao e busca a forma o de uma conscincia ambientalista atravs da interpretao do meio ambiente, promovendo o bem estar das populaes envolvidas. Nesse sentido, Figueiredo (2000:55) acrescenta ainda que o ecoturismo no deve ser visto meramente como “uma pequena elite de amantes da natureza”, mas encarado como uma viagem responsvel a reas naturais, visando conservar o meio ambiente e promover o bem-estar da populao local. Para se conseguir atingir uma proposta mais harmoniosa do ecoturismo em relao conservao ambiental, Ruschmann (1993) apud Figueiredo (2000) recomenda que os seguintes itens sejam priorizados: desenvolvimento do turismo de forma sustentvel; determinao da capacidade de carga dos recursos naturais e das comunidades receptoras; zoneamento detalhado das potencialidades e limitaes dos recursos na turais; educao ambiental dos turistas e das comunidades receptoras; realizao de Estudos de Impactos Ambientais (EIA) e seus Relatrios de Impa ctos Ambientais (RIMA); intensificao da fiscalizao e capacitao de recursos humanos, sempre que possvel, integrando as populaes locais.

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 135 Espeleoturismo e conservao ambiental Espeleoturismo As cavernas inicialmente foram utilizadas pelo homem como moradia, abrigo e espao para expresso de sua arte. A espeleologia, palavra proveniente da expresso grega spelaion (cavernas) e logos (estudo), definida por Marra (2001:71) como a cincia que tem por finalidade procurar, explorar, observar e interpretar as cavernas, tendo como critrio de anlise o conhecimento de seu processo de formao, o meio que se insere e o ambiente propriamente dito. Para esse autor, a espeleologia objetiva o uso sustentvel do ambiente caverncola atravs de mecanismos que efetivamente contribuam para a conservao ambiental. Sob uma perspectiva mais atual, no que concerne atividade turstica em cavidades subterrneas, Figueiredo (1998) salienta que a visitao em cavernas, do ponto de vista da atividade ecoturstica, torna-se um interessante e peculiar tipo de paisagem a ser visitado, do qual tem ocorrido um aumento significativo da procura desta modalidade do ecoturismo, o chamado espeleoturismo. A experincia de visitar uma caverna descrita por Marra como uma atividade que desperta a curiosidade e a sensao de explorao em cada um que se lana neste propsito. A aventura reflete em benefcio direto na sociedade dos interesses dos jovens e adultos, onde em cada paisagem, em cada volta, desfruta-se de uma nova viso e a cada passo a uma diferente e nova perspectiva (Marra, 2001:71). Estabelecer uma definio terica para o que seria um espeleoturismo que buscasse um compromisso maior com a conservao do ambiente, da cultura e com os devidos benefcios sociais no tarefa fcil, sobretudo, por que mesmo em locais onde a visitao controlada os diversos impactos decorrentes do turismo continuam a existir. Para tanto, Lobo arrisca propor uma definio nesse sentido, apresentando o espeleoturismo como [...] um segmento turstico que busca atingir de forma equilibrada a conservao das cavidades naturais, a conscientizao e satisfao de todos os envolvidos no processo turstico e o desenvolvim ento econmico local. Utiliza para tanto o patrimnio espeleolgico, aproveitando as particul aridades do ambiente por meio de proposta s de diferenciao mercadolgica (Lobo, 2006:62). De acordo com Marra (2001:104), no contexto mundial, o turismo em cavidades naturais – espeleoturismo – se desenvolve j h muitos anos, tendo a Caverna Postojna, na Eslovnia, como uma das mais antigas a ser visitada para fins de turismo de contemplao. Esse mesmo autor aponta a Gruta de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, como o registro mais antigo no pas de adaptao de uma caverna para uso pblico, em funo das romarias religiosas realizadas desde os anos de 1690. O espeleoturismo pode ser desenvolvido de diversas formas. Exemplos mundiais vo desde cavernas que so totalmente descaracterizadas para a visitao, por meio da colocao de excessivas estruturas de acesso, entret enimento e segurana, at outras com mnimas interferncias fsicas ao ambiente. Lobo (2006:63) subdivide a atividade espeleoturstica em duas vertentes: as cavidades adaptadas ao turismo de massa e aquelas chamadas de ecotursticas. O primeiro grupo apresenta cavidades que possuem estruturas de visitao, muitas vezes construdas sem estudos prvios de impactos ambientais. So iluminadas artificialmente e recebem grandes fluxos anuais de visitao, a exemplo do modelo adotado pelas show caves3, tais como as cavernas: Postojna (Eslovnia); Frasassi (Itlia) e Marghret Jeita (Lbano). No Brasil, destacam-se a Caverna do Diabo (Eldorado/SP), a Gruta da Lapinha (Lagoa Santa/MG), a Caverna de Santana (Iporanga/SP) e a Gruta da Igreja (Bom Jesus da Lapa/BA). Tais fatores permitem afirmar que o espeleoturismo utilizado de forma massificada est longe de ser um modelo aceitvel e compatvel com a fragilidade ambiental das cavidades naturais. As cavidades naturais que desenvolvem um espeleoturismo com caractersticas de ecoturismo se pautam em aspectos como a inexistncia ou reduo ao mnimo necessrio de estruturas de visitao, apresentam limites espaciais e quantitativos de uso e podem ou no serem iluminad as artificialmente. So exemplos, a Gruta de So Miguel (Bonito/MS), a Caverna Casa de Pedra (I poranga/SP), a Gruta do Lago Azul (Bonito/MS) e a Caverna Poo Encantado (Itaet/BA). Conservao Ambiental O patrimnio espeleolgico pode ser um elemento essencial para o desenvolvimento turstico de um local ou regio. Contudo, ele extremamente frgil, sendo que algumas exploraes intensivas o alteram de forma irreversvel. Mesmo assim, preciso considerar sua utilizao para o turismo, indispensvel para o desenvolvimento scioeconmico de certas regies, cuidando para que este

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 136 no seja consumido inutilmente (Ruschmann, 2004:79). Sua conservao depende de uma poltica de turismo eficaz que deve considerar, entre outros fatores, a condio racional da ocupao territorial pelas instalaes tursticas e pelos equipamentos de lazer e o controle do seu crescimento desordenado, visando salvaguardar os recursos para as geraes futuras. A conservao do meio ambiente fundamental para garantir a sobrevivncia do turismo como atividade econmica. A dificuldade reside em demonstrar essa afirmao diante da constatao de que, apesar de o turismo necessitar de um meio sadio e dos esforos das associaes protetoras da natureza, as agresses provocadas pelos equipamentos tursticos e pela visitao que estimulam, criam graves problemas ao meio ambiente e s paisagens. O turismo ecolgico, entendido como uma forma de viajar que incorpora tanto o compromisso com a proteo da natureza, como a responsabilidade social dos viajantes para com o meio visitado, tem contribudo para diminuir os impactos negativos da atividade sobre as localidades tursticas (Ruschmann, 2003:62). Em se tratando do espeleoturismo, a situao no diferente. A concepo de uma caverna turstica deve ter como enfoque principal a sua conservao, muito acima de sua comercializao como normalmente se observa (Marra, 2001:96). Portanto, a importncia da preservao e conservao das cavernas, stios espeleolgicos e suas respectivas reas de influncias, refletem na necessidade de haver a conscincia sobre em que aspectos e condies estes ambientes sofrero interveno. Plano de Manejo e Impactos Ambientais do Espeleoturismo A simples presena humana em ambiente caverncola, desde que em quantidade superior quela que o sistema capaz de absorver, provoca impactos irreversveis sobre a biota, o macio rochoso e as formaes internas (Scaleante, 2003:10). De acordo com a legislao brasileira, considera-se impacto ambiental qualquer alterao das propriedades fsicas, qumicas e biolgicas do meio ambiente causada por qualquer forma de matria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente afetam: I – a sade, a segurana e o bem estar da populao; II – as atividades sociais e econmicas; III – a biota; IV – as condies estticas e sanitrias do meio ambiente; e V – a qualidade dos recursos ambientais (Resoluo CONAMA 001, de 23/01/1986). O espeleoturismo responsvel pela introduo de materiais estranhos como restos de alimentos e organismos externos, podendo ocasionar um desequilbrio na fauna e mesmo uma colonizao artificial no ambiente caverncola. Os impactos externos ou de superfcie so aqueles que resultam das alteraes no entorno da caverna para a instalao de toda infra-estrutura “necessria” atividade, como o desmatamento, a pavimentao do solo, a construo de novas instalaes (banheiros, hotis, centros de informaes), demarcao das trilhas etc. Alm disso, a impermeabilizao do solo na superfcie, com cobertura de cimento ou asfalto, produz nas cavidades naturais e em todo o carste uma srie de impactos, tais como mudanas na hidrologia, como desvio do curso d’gua provocado pela construo de passarelas; mudanas na atmosfera das cavernas; interferncia na permeabilidade natural do carste, que pode provocar alteraes no crescimento dos espeleotemas (reduo ou at eliminao); crescimento de plantas verdes (algas, musgos e samambaias), ocasionado pela iluminao contnua e aumento prolongado na concentrao de CO2 que pode afetar o equilbrio qumico dos espeleotemas etc (Scaleante, 2003). Como so ambientes muito especficos, com uma fauna nica e condies de temperatura e umidade muito constantes, as cavernas precisam de regras especiais de uso e proteo. Problemas como o excesso de visitantes podem ser muito destrutivos, seja pelo pisoteio ou depredao de espeleotemas, seja pelo abandono de lixo e restos de alimentos na caverna, atraindo insetos e provocando mau cheiro, ou at mesmo pelo excesso de gs carbnico, proveniente da respirao dos turistas. Para que sejam minimizados, todos esses impactos devem estar previstos no chamado Plano de Manejo Espeleolgico (PME). Aps os estudos preliminares para se definir pelo aproveitamento turs tico de uma caverna, deve ser elaborado um plano de manejo espeleolgico, que vise a minimizar os impactos promovidos pela ocupao humana em seu entorno e pela visitao intensiva. Marra prope um a definio de Plano de Manejo Espeleolgico como sendo [...] um instrumento de planejamento de grande aplicabilidade. Trata-se de um projeto dinmico e participativo, que utiliza tcnicas de planejamento espeleoconservacionistas, o qual ir indicar as estratg ias para implantao de infra-estruturas e aes na rea de influncia externa, bem como internas da caverna-alvo [...] Este visa disciplinar, orientar e atribuir um

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 137 sentido harmnico, lgico e possvel s intervenes planejadas [...] tendo como elemento principal o estabelecimento de critrios visando conservar, proteger e preservar as cavidades naturais subterrneas consideradas [...] (Marra, 2001:131-132). Segundo Ruschmann (2004:114) o turismo de massa tem contribudo acentuadamente para a destruio s vezes irreversvel, do meio ambiente. A causa maior desse mal, alm da ausncia de preocupao com a preservao dos locais visitados, reside no nmero excessivo de pessoas que constituem os grupos tursticos. Quando se trata do espeleoturismo mal planejado ou descontrolado, a situao no diferente, tornando-se perigoso ao usurio visitante e de gravidade considervel ao ecossistema caverncola. Pensar em manejar uma rea turstica , antes de tudo, levantar e considerar a capacidade do recurso suportvel e aceitvel pelo ambiente. Resultados e discusses Espeleoturismo em Iraquara O turismo em cavernas na Bahia centenrio, devido s romarias praticadas na Gruta do Bom Jesus da Lapa, no municpio homnimo, onde a atividade turstica caracterizada como do tipo religiosa. As rochas carbonticas ocupam extensas reas no Estado, fato que o torna bastante propcio para a atividade espeleoturstica, sendo a Chapada Diamantina a regio baiana que melhor representa o turismo voltado para a contemplao e explorao dos cenrios subterrneos. Esta nova atividade vem se desenvolvendo gradativamente na regio, com destaque para o municpio de Iraquara. Iraquara se destaca como um dos maiores parques espeleolgicos do Brasil, possuindo cerca de 200 cavernas catalogadas pelo Centro de Recursos Ambientais (CRA), constituindo, possivelmente, o local de maior densidade de galerias subterrneas por unidade de reas do pas (CRA, 1996). Situadas dentro da APA Marimbus-Iraquara, as cavernas contribuem com uma parcela significativa da economia do municpio4, onde o espeleoturismo representa uma das maiores fontes de rendas locais, apresentando ainda um grande potencial a ser explorado. Atualmente encontram-se exploradas visitao turstica no municpio, seis cavidades, sendo elas: a Gruta Lapa Doce I; Pratinha; Gruta Azul; Gruta da Fumaa; Manoel Ii e Gruta da Torrinha, sendo que as duas primeiras possuem as maiores demandas tursticas da regio. Contudo, nenhuma delas possui um plano de manejo organizado, ou uma fiscalizao eficaz contra os diversos impactos ambientais existentes. Atualmente Iraquara pode ser considerado um municpio com grande potencial para o ecoturismo, tanto na explorao de cavernas, como de outros atrativos histrico-pais agsticos, como rios, cachoeiras, serras e vilas histricas, com uma arquitetura caracterstica do perodo diamantfero da regio. Espeleoturismo na Ca verna Lapa Doce I O sistema Lapa Doce um dos mais extensos da regio, bem como um dos mais complexos, com mais de uma dezena de entradas (Bertoni, 2001:130). Lapa Doce I, o seguimento mais ao norte do sistema, a gruta mais visitada da regio de Iraquara, com sua galeria principal de grandes dimenses e pouco acidentada, oferecendo poucos obstculos aos turistas. Apenas em 1986 essas cavidades foram oficialmente exploradas e visitadas por espelelogos, integrantes de uma expedio franco-brasileira. Como em grande parte das cavernas de Iraquara, o sistema Lapa Doce foi utilizado inicialmente para suprir as necessidades de abastecimento hdrico da populao local. Em contrapartida, os estudos cientficos e a atividade turstica vm sendo desenvolvidos nesta caverna h aproximadamente 22 anos. A Lapa Doce I faz parte do roteiro turstico da Chapada Diamantina, recebendo um nmero crescente de visitantes ao longo dos anos, principalmente durante os feriados e nos perodos de alta estao. A evoluo da quantidade de turistas nesta cavidade pode ser percebida a partir da anlise do grfico 1. A visitao se faz acompanhada de guia local, ao longo do trajeto menos acidentado da galeria principal, em grupos de 12 a 14 pessoas, sob intervalos de 20 minutos. As reas mais sensveis so delimitadas e protegidas por cordes. A fazenda onde se localiza o sistema dispe de infra-estrutura que inclui guias de turismo, estacionamento, lanchonete, sanitrios, telefone e loja de artesanato. O acesso caverna se d, normalmente, pela dolina que a separa da Lapa Doce II, atingindo-se a galeria principal. Com at 60 metros de largura e 25 metros de altura, a galeria principal segue por cerca de 1,5 km at a prxima dolina, que marca o final do percurso no acidentado da cavidade, coincidindo tambm com o trajeto turstico. O tempo estimado para a realizao deste roteiro de 1:30h a 2:00hs.

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 138 Grfico 1: Mapa Evoluo da quantidade de visitantes na Caverna Lapa Doce I. Recentemente foi aberta visitao turstica mais uma galeria de 400 metros, paralela ao roteiro principal. Esse novo roteiro encontra-se menos impactado do que o trajeto principal, devido ainda a sua pouca explorao. Impactos ambientais enc ontrados no Sistema Lapa Doce A Gruta Lapa Doce I foi um dos primeiros atrativos abertos visitao turstica em Iraquara, desde o ano de 19865. Em funo de suas belezas paisagsticas e importncia histrico-geogrfica para a atividade turstica na regio, o sistema Lapa Doce considerado um dos cart es postais de Iraquara e da Chapada Diamantina. No entanto, sua posio de destaque no cenrio turstico estadual no fez com que se eliminasse a degradao ambiental, ou os impactos ambientais decorrentes das diversas atividades econmicas no municpio, dentre elas o espeleoturismo. Tanto em sua poro interna, como externa, foram observados alguns impactos considerveis ao ambiente caverncola, tais como os descritos a seguir: a. Iluminao e risco de aumento nos nveis de energia da caverna : as conseqncias da iluminao podem se dar de forma direta na caverna, por conta de se iluminar reas que so permanentemente escuras, bem como de forma indireta, pelo calor gerado pelas lanternas e lampies a gs, transportados pelos guias. “A fragilidade ambiental diretamente proporcional ao baixo nvel de circulao de energia, bem como alta potencialidade turstica” (Lobo, 2006. p. 67). Ou seja, a disperso de tais impactos ocorre de forma lenta, sobretudo em reas de menor circulao de energia. Alm disso, a energia gerada pela movimentao dos visitantes, pode alterar o ambiente da caverna, por se tratar de um ambiente fechado, frgil e delicado, onde parmetros como temperatura, umidade relativa e taxa de gs carbnico recebem poucas variaes em grandes escalas de tempo. Isso pode vir a ser desastroso se no for apresentado um manejo adequado e um limite estabelecido para as visitaes. b. Partculas em suspenso : os problemas de ordem fsica gerados pela visitao tambm so ameaas potenciais ao ambiente subterrneo analisado. Nesse contexto, destacam-se as micropartculas transportadas para o ambiente caverncola, ou mesmo a grande concentrao de sedimentos no local, originados ao longo dos anos pelo desgaste do solo e rochas gerado pelo expressivo nmero de visitantes na cavidade (Figuras 2 e 3). Esses sedimentos so facilmente transportados para os espeleotemas e paredes da caverna, mudando sua colorao (pigmentao avermelhada). Figuras 2 e 3 : Grande concentrao de sedimentos no solo da Caverna (2); Acmulo de sedimentos nas paredes da Caverna Lapa Doce I (3); Fotos: Rodrigo A. Santos. 11.847 12.222 13.759 10.500 11.000 11.500 12.000 12.500 13.000 13.500 14.000 Quantidade de visitantes 2005 20062007 2005 2006 2007

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 139 c. Captao de gua do aqfero crstico : a captao de gua na caverna e em seu entorno dever obedecer a critrios mais rigorosos, uma vez que em muitas grutas da regio existem animais que possuem habitat exclusivo em seus interiores (troglbios). Alm disso, um outro tipo de captao que vem apresentado problemas a drenagem do Riacho gua de Rega. Das proximidades da sede de Iraquara at a Fazenda Lapa Doce, ocorre uma grande concentrao de projetos de irrigao, que fazem suas captaes em poos tubulares. Sistematicamente, ano a ps ano, o volume de gua que ressurge na Caverna Pratinha vem diminuindo de volume, a ponto de tornar-se necessrio construir uma pequena barragem no rio Pratinha para aumentar a profundidade de sua lmina dgua. Ainda no foram feitos estudos precisos para se definir a origem da gua das Grutas Lapa Doce e Pratinha, m as provavelmente um dos contribuintes o Riacho gua de Rega. d. Desmatamento e Agricultura : o desmatamento generalizado e a utilizao de algumas prticas agrcolas ao longo dos anos na superfcie do sistema Lapa Doce e em toda a regio de Iraquara, vem provo cando desequilbrios ecolgicos no interior e entorno das cavernas. As conseqncias desse processo na caverna Lapa Doce I uma alterao na colorao dos espeleotemas, do branco para o avermelha do, cor predominante na superfcie dos latossolos da rea (Figura 4). Com o desmatamento e algumas atividades agrcolas desenvolvidas na superfcie da cavidade, as guas das chuvas esto levando atravs das fendas das rochas, grandes quantidades de argila, muitas vezes maior do que poderia ocorrer nos processos naturais, alterando a form ao de estalactites e estalagmites. Esse processo est tingindo de vermelho e enlameando os espeleotemas (CRA, 1996). Estudos sobre os diversos impactos ambientais nas cavernas de Iraquara ainda so muito incipientes. Para tanto, torna-se necessrio a elaborao de diversas pesquisas nessa rea. Os resultados podero contribuir sobretudo, para uma melhor utilizao destas cavidades, e para a elaborao do plano de manejo espeleolgico. Figura 4 : Contaminao do espeleotema por argila supe rficial (detalhe do lo cal de infiltrao); Foto: Rodrigo A. santos.

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 140 Por lei, qualquer cavidad e natural subterrnea penetrvel pelo homem patrimnio cultural brasileiro e, como tal, ser preservada e conservada, de modo a permitir estudos e pesquisas de ordem tcnico-cientfica, bem como atividades de cunho espeleolgico, tnico-cultural, turstico, recreativo e educativo (Decreto Federal n. 99.556 de 01/10/1990, art. 1 parg. nico, tendo em vista a C.F. arts. 20 e 216). Tal decreto acrescenta que a utilizao das cavidades natura is subterrneas e de sua rea de influncia deve fazer-se somente dentro de condies que assegurem sua integridade fsica e a manuteno do respectivo equilbrio ecolgico, sendo obrigatria a elaborao de Estudos de Impactos Ambientais (EIA ) para as aes que posam ser lesivas direta ou indiretamente a essas cavidades (CPRM, 1995). Uma das formas mais apropriadas para se desenvolver qualquer atividade econmica no interior e entorno de cavernas, atravs de um plano de manejo espeleolgico. Esse instrumento de planejamento ambiental responsvel por explicitar os procedimentos, mtodos e desgnios do relacionamento entre preservao da caverna-alvo, o acesso e o uso pretendido (Marra, 2001:97). Contudo, nenhuma caverna de Iraquara, ou da Chapada Diamantina, dispe de plano de manejo, sendo geridas por orientaes determinadas pelo IBAMA/CECAV, atravs da portaria n 015, de fevereiro de 2001, que estabelece algumas orientaes para que as reas crsticas subterrneas no sofram tantas agresses e ofeream segurana aos visitantes. Propostas para dinamizar o espeleoturismo em Iraquara A Chapada Diamantina, com seus relevos contornados de grande beleza cnica, seus vrios ecossistemas e stios pr-histricos e coloniais, vem cada vez mais se destacando no cenrio turstico nacional. Essa atividade se configura de forma extremamente territorializada e polarizada, sobretudo na cidade de Le nis, dona da melhor infra-estrutura turstica da regio. Iraquara, mesmo dispondo de grande potencial para o turismo ecolgico, principalmente para a atividade espeleoturstica, sai em desvantagem frente a esse arranjo territorial dete rminado por uma poltica polarizadora construda na Chapada Diamantina. Nesse sentido, visando uma maior circulao de capital e um conseqente aumento na oferta de trabalho no municpio, algumas alternativas podem ser discutidas, com o intuito de aumentar o tempo de permanncia do turista em Iraquara, tais como: Melhorias em infra-estrutura : a cidade possui uma infra-estrutura ainda precria, principalmente quando se trata de restaurantes de qualidade e estrutura hoteleira. A sede do municpio depe de apenas trs hotis/pousadas, sendo elas, a Pousada das Grutas, possuindo 85 leitos; o Hotel Poo Azul, com 62 leitos; e a Pousada MKE, com 38 leitos. Alm destas, existem prximos aos atrativos tursticos, mais trs pousadas de menor porte, como a Pousada do Major, situada na Fazenda Pratinha; a Pousada Torrinha, situada no povoado de Santa Rita (entre as Grutas da Torrinha e Lapa Doce) e a Pousada Algaroba, localizada no povoado de Caldeiro. Para aumentar a permanncia dos visitantes em Iraquara, deve-se melhorar, dentre outros aspectos, a estrutura hoteleira da cidade, uma que a maior parte dos ecoturistas que visitam a regio procura alm de cenrios paisagsticos, uma boa estrutura de atendimento e acolhimento na cidade. Para tanto, necessrio um maior interesse por parte do poder pblico local e proprietrios dos hotis/pousadas, a fim de melhorarem tanto a infraestrutura fsica, quanto o atendimento ao turista. Divulgao : a divulgao uma das principais ferramentas utilizadas quando se trata de despertar o interesse das pessoas para visitar um local turstico. A divulgao dos atrativos de Iraquara est muito vinculada aos roteiros prestabelecidos por Lenis, uma vez que no se anuncia o municpio, mas somente algumas cavidades subterrneas pontuadas. Para tanto, torna-se necessrio valorizar Iraquara, apresentando o municpio como um possuidor de belos atrativos tursticos. Algumas medidas j esto sendo tomadas por parte do poder pblico (municipal e estadual) para reverter esse quadro, a exemplo do Festival Latino Americano de Cinema e Vdeo Scio-ambiental de Iraquara, que se tornou uma grande alternativa para despertar o interesse dos turistas pelo municpio. Porm, este poderia estar mais integrado com a atividade turstica local. Uma outra forma de se divulgar o municpio seria atravs dos festejos de So Joo. Trata-se de uma comemorao cultural tradicional de Iraquara, e poderia tambm ser organizada em conjunto como a atividade ecoturstica. Melhorias nos acessos aos atrativos : a maioria dos atrativos tursticos de Iraquara esto localizados distantes da sede, a exemplo das cavernas Lapa Doce, Pratinha, Torrinha, Gruta da Fumaa e vilas histricas como Iraporanga e gua de Rega. Seus acessos so feitos por estradas no pavimentadas, dificultando o percurso em direo aos locais

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 141 tursticos. Uma alternativa para minimizar esse problema seria exatamente a melhoria nas condies de acesso aos atrativos, atravs de uma manuteno peridica das estradas. Agncias de turismo : uma das principais deficincias da atividade turstica em Iraquara, e que leva esse municpio a uma maior dependncia da infra-estrutura de Lenis a inexistncia de agncias de turismo. Estas so responsveis, dentre outros servios, pelo acolhimento e locomoo dos visitantes, sendo uma das peas fundamentais para um turismo ordenado. De acordo com a diretora municipal de meio ambiente, Sr. Mara Lima, existe a pretenso, por parte do poder pblico municipal, de se inaugurar at o final do corrente ano, uma agncia de turismo em Iraquara6. Entretanto, esta precisa ser organizada de forma a no servir apenas como uma simples agncia para receptivo, dispondo tambm de uma estrutura de agenciamento, transporte e apoio aos turistas. Propostas para um espeleoturismo sustentvel em Iraquara O surgimento de um iderio de turismo sustentvel vai ao encontro da quebra dos paradigmas da atividade turstica em sua relao com a natureza (Lobo, 2006:44). Percebe-se que o turismo, dependendo de como realizado, to danoso quanto qualquer outra atividade. Com isso, surge um esforo no sentido de identificar formas de turismo que sejam menos prejudiciais natureza, sendo esta a base para a execuo de grande parte de suas modalidades. “Considerar o termo representa compreender a possibilidade de identificar determinados parmetros pa ra a existncia de um turismo que, se no vier a ser sustentvel em seu sentido mais amplo, ao menos venha a ser menos predatrio e mais responsvel” (Lobo, 2006:47). O turismo em Iraquara est concentrado principalmente nas cavidad es naturais subterrneas, beneficiando principalmen te os “proprietrios” desses atrativos, e em menor quantidade os guias de turismo. Aos administradores da Fazenda Lapa Doce, que esto diretamente ligados prtica e ao planejamento do espeleoturismo, cabe o papel de oferecer o suporte necessrio, visando satisfazer as necessidades e expectativas dos visitantes. Ao mesmo tempo, torna-se necessrio o compromisso com uma administrao voltada para a preservao, conservao e manuteno do patrimnio espeleolgico, seja pela preocupao da interdependncia entre hom em e ambiente natural, seja para garantir a longevidade da atividade. Para que o desenvolvimento turstico se encontre calcado nos princpios de sustentabilidade, a melhoria da qualidade de vida das populaes locais deve ser um dos principais objetivos almejados. inegvel o potencial existente no municpio de Iraquara, pr incipalmente para a atividade espeleoturstica. Contudo, no se percebe no municpio, uma poltica, que incentive a prtica de um espeleoturismo sust entvel, atitude que iria favorecer principalmente a populao local. Um aspecto importante a ser discutido a incluso da populao na atividade turstica do municpio. Para aqueles residentes no entorno dos atrativos, deve-se fazer com que se sintam participativas e envo lvidas na atividade espeleoturstica, atravs de maiores incentivos ao artesanato local, pouco incentivado no municpio, a exemplo do artesanato com ardsia rocha abundante na regio – ou da confeco de bolsas, chapus e esteiras feitas a partir da palha do licurizeiro7. Em contrapartida, a inic iativa no deve partir somente do poder pblico, mas tambm da prpria comunidade. Esta poderia se organizar tambm, na forma de associaes de artesos municipais, com o objetivo de atribuir maior valor a seus produtos, gerar renda e divulgar a prpria cultura local. Sendo assim, para que se tenha efetivamente a garantia da implantao de um verdadeiro ecoturismo auto-sustentvel em Iraquara, a participao da comunidade local uma condio sumariamente necessria. E, para que a populao realmente participe, dever fornece-lhes condies, isto , dot-la de informaes, esclarecimentos, e principalmente da condi o de cidados, pea fundamental para um planej amento turstico que vise o desenvolvimento social, cultural e ambiental de uma regio. Consideraes finais O espeleoturismo desponta no municpio de Iraquara como uma atividade econmica e uma alternativa vivel para a melhoria da qualidade de vida das comunidades locais. Apesar de alguns aspectos negativos, como a irregularidade nos perodos de visitao – gerando pocas de baixa estao – e as alteraes que causam nos ambientes crsticos com os quais interage, o espeleoturismo se apresenta como uma atividade menos predatria que outras formas de apropriao dos recursos naturais. De modo geral, percebe-se que a tendncia popularizada para o ecoturismo se aproxima da explorao de lugares pouco ou nada conhecidos,

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 142 como o caso de muitas cavidades naturais, pois a existncia da atividade es peleoturstica, com base ecoturstica, depende do ambiente em estado prximo ao natural. Pode-se perceber tambm, que dos diversos elementos presentes na regio crstica de Iraquara, os mais utilizados pelo turismo de forma geral so as cavernas, devido a uma diversidade de motiva es espeleotursticas. O uso recreativo das grutas de Iraquara deve ter o objetivo de demonstrar aos visitantes e populao do municpio, a importncia da conservao das cavernas e de sua rea crstica. Todo esse processo, para bem funcionar, precisa ser norteado e conduzido por polticas pblicas claras, executveis e que privilegi em uma relao ecolgica entre visitantes e lugares visitados, com um compromisso responsvel com o plano de manejo espeleolgico. Para tanto, o espeleoturismo praticado em Iraquara e em toda a Chapada Diamantina, precisa ser acompanhado de um plano de manejo que contemple as particularidades de cada local e que norteie a execuo da atividade de forma que privilegie a interpretao, a educao ambiental e a sustentabilidade. A anlise de alguns aspectos da produo espeleoturstica no municpio de Iraquara permite afirmar que o turismo ali desenvolvido no pode ser classificado como sustentvel em todas as suas dimenses. Para que um di a o turismo seja chamado de sustentvel – numa perspectiva mais ampla de anlise – como destaca Lobo (2006), os aspectos sociais, ecolgicos, econmicos e polticos precisam ser igualmente privilegiados. Nesse sentido, para que haja um turismo sustentvel, preciso primeiro existir uma sociedade sustentvel, fato que parece estar distante da realidade de uma sociedade consumista, onde a consci ncia ambiental posta em segundo plano, frente a um discurso de crescimento econmico desenfreado. Mesmo assim, torna-se necessrio insistir com o discurso de turismo sustentvel, uma vez que este, mesmo sendo apresentado por alguns como uma utopia, desperta a preocupao para a existncia de uma atividade turstica, que mesmo se no vier a ser sustentvel em sua essncia, ao menos que venha a ser mais inclusiva, no que concerne s comunidades locais, e menos predatrias e mais responsvel quando se trata do ambiente natural. O espeleoturismo responsvel pode vir a se firmar em Iraquara, em funo do grande potencial de cavernas no municpio que ainda no foram exploradas e daquelas que j possuem seus roteiros consolidados, como a Lapa Doce I. Para que essa atividade no se torne mais uma atrao predatria do mercado turstico, o espeleoturismo na Gruta Lapa Doce I e nas demais cavernas de Iraquara deve possuir um controle de visitao e limitaes definidas de acordo com os nveis de energia das cavidades, devendo estar presente no item capacidade de carga espeleolgica, do futuro plano de manejo espeleolgico. Reforando algumas anlises acerca da atividade espeleoturstica em Iraquara, pode-se concluir que a noo de qualidade de servios de turismo em cavernas se associa noo de qualidade ambiental. Nesse sentido, alguns instrumentos de gesto podem auxiliar na administrao dessa atividade no municpio, sendo sugeridos pelo CECAV no seu Plano de Mane jo Espeleolgico, tais como: zoneamento ambiental espeleolgico; estudo de capacidade de carga; e um programa de educao ambiental que envolva t odos os indivduos que, direta e indiretamente desfrutem dessa atividade. Assim, ser de grande importncia para um projeto ordenado de espeleoturismo no municpio de Iraquara, que se desenvolva um plano de manejo espeleolgico para as atividades praticadas na Gruta Lapa Doce I, envolvendo tambm as demais cavernas exploradas para esta atividade na regio. Referncias Bibliogrficas Bertoni, D. L. 2001. Lapa Doce I In: Auler, A. Rubbioli, e. Brandi, R. As Grandes Cavernas do Brasil Belo Horizonte: GBPE, p. 130-131. Bigarella, J.J.; Decker, R. D.; Santos, G. F. dos. 1994. Estrutura e origem das paisagens tropicais e subtropicais Florianpolis Editora da UFSC. Campanha de Pesquisa de Recu rsos Minerais (CPRM). 1995. Projeto Mapas Municipais de Morro do Chapu (Ba) : Informaes Bsicas para o planejamento e administrao do meio fsico. Salvador: CPRM.

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 143 Centro de Recursos Ambientais (CRA). 1996. Termos de Referncia para zoneamento ambiental : relatrio n ERCDO 14/96 – APA Marimbus-Iraquara. Seabra BA. Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). 1986. Resoluo CONAMA 001/1986 Dispe sobre critrios bsicos e diretrizes gerais para o Relatrio de Impacto Ambiental – RIMA. Braslia: CONAMA. Disponvel em http://www.mma.gov.br/port/c onama/res/res04/res34704.xml Acesso em 14 jun. 2007. Cruz Jr, F. W. da. 1998. Aspectos geomorfolgicos e geoespeleo logia do carste da regio de Iraquara, centro norte da Chapada Diamantina, Estado da Bahia So Paulo, USP, 1998. Tese de Doutorado, Instituto de Geocincias, Univer sidade de So Paulo. 108 p. Cruz Jr. F. W. da.; Laureano, F.V. 1999. Grutas de Iraquara (Iraquara, Seabra e Palmeiras, Ba ). In: Schobbenhaus, C.; Campos, D.A.; Queiroz, E.T. Winge, M.; Berbert-Born, M (Edit.) Stios Geolgicos e Paleontolgicos do Brasil Publicado na Internet em 30/09/1999 no endereo http://www.unb.br/ig/sigep/sitio 018/sitio 018.htm Ferrari, J. A. 1990. Interpretao de feies crsticas na regio de Iraquara-Bahia Salvador, UFBA, 1990. Dissertao de Mestrado, Curso de Ps-graduao em Geocincias, Universidade Federal da Bahia. 96 p. Figueiredo, L. A. V. 1998. Cavernas Brasileiras e seu potencial ecoturstico : um panorama entre a escurido e as luzes. In: Vasconcelos, F. P. (org). Turismo e Meio Ambiente Fortaleza: Editora Funece. Figueiredo, L. A. V. 2000. Ecoturismo e participao popular no manejo de reas protegidas : aspectos conceituais, educativos e reflex es. In: Rodrigues, A. B. (org). Turismo e Desenvolvimento Local So Paulo: Hucitec, p. 55-58. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE). Contagem da Populao 2007. Disponvel em http://www.ibge.gov.br/home/estatis tica/populao/contagem2007/default.shtm Acessado em agosto de 2008. IBAMA/CECAV. PORTARIA n. 015 de 23/02/2001. Disponvel em http://www.ibama.gov.br/cecav Acesso em 21 maio de 2007. Karmann, I. 2000. Ciclo da gua : gua subterrnea e sua ao geolgica. In: TEIXEIRA, W. (org). Decifrando a Terra So Paulo: Oficina de Texto, p. 113-127. Karmann, I.; Beccari, . 2002. O Brasil subterrneo : cientistas, aventureiros e turistas descem as profundezas para desvendar as belezas e mistrio s das grutas brasileiras, 2002. Disponvel em http://galileu.globo.com/e dic/92/nossa_terra2.htm Acesso em 15 dez. de 2007. Karmann, I.; Pereira, R. G.F.A.; Mendes, L.F. 2000. Caverna do Poo Encantado, Chapada Diamantina, Bahia : patrimnio geolgico e biolgico. In: Schobbenha us, C.; Campos, D.A.; Queiroz, E.T. Winge, M.; Berbert-Born, M (Edit.) Stios Geolgicos e Paleontolgicos do Brasil Publicado na Internet no endereo http://www.unb.br/ig/sigep/sitio091/sitio9.htm Laureano, F. V. 1998. O registro sedimentar clstico associado aos sistemas de cavernas Lapa Doce e Torrinha, municpio de Iraquara, Chapada Diamantina, BA So Paulo, USP, 1998. Tese de Doutorado, Instituto de Geocinci as, Universidade de So Paulo. Leony, . 1999. Circuito do Diamante : uma abordagem do ecoturismo na Bahia. In: RODRIGUES, A. B. (org). Turismo e Ambiente : Reflexes e Propostas. So Paulo: Hucitec. Lobo, H. A. S. 2006. O lado escuro do paraso : espeleoturismo na Serra da Bodoquena, MS. Aquidauana, UFMG/ CEUA, 2006. Dissertao de mestrado.

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Santos. Espeleoturismo na Cavern a Lapa Doce: potencialidad es para um turismo... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 144 Marra, R. 2001. Espeleoturismo : Planejamento e Manejo de Cavernas. Braslia: Ed. WD Ambiental. Organizao Mundial do Turismo 2003. Guia de desenvolvimento do turismo sustentvel Traduo Sandra Netz. Porto Alegre: Bookman. Rubbioli, E. L. 1995. Iraquara – um novo paraso espeleolgico. O Carste v. n.3, p. 4-10. Ruschmann, D. V. de M. 2002. Turismo no Brasil : anlise e tendncias. Barueri: Manole, p. 165. Ruschmann, D. V. de M. 2004. Turismo e planejamento sustentvel : a proteo do meio ambiente. 11 ed. Campinas: Papirus. (Coleo Turismo). Scaleante, J. A. 2003. Avaliao do Impacto de Atividades Tursticas em Cavernas Campinas: Instituto de Geocincias, Universidade Estadual de Campinas, 2003. Dissertao Mestrado. Valle, M. A. 2004. Hidrogeoqumica do Grupo Una (Bacias de Irec e Salitre) : Um Exemplo da Ao do cido Sulfrico no Sistema Crstic o. So Paulo, USP, 2004. Tese de Doutorado, Instituto de Geocincias, Universidade de So Paulo Fluxo editorial : Recebido em: 30.10.2008 Enviado para avaliao em: 11.11.2008 Enviado para correo ao autor em: 10.12.2008 Aprovado em: 22.12.2008 A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp 1 Graduado em Geografia pela Universidade do Estado da Bahia UNEB Campus IV. 2 Dados do IBAMA/CECAV (Instituto Brasileiro do Meio Am biente e dos Recursos Naturais Renovveis/Centro Nacional de Estudo, Proteo e Manejo de Cavernas ). Disponvel em: (www.Iba ma.gov.br/cecav) acesso em: 06/02/2007. 3 Modelo de visitao em cavernas, onde so implantadas diversas estruturas artif iciais ao ambiente caverncola, tais como passarelas, corrimos, sistemas de iluminao artificiais, msica ambiente etc. Neste modelo de visitao o ambiente caverncola totalmente alterado (Lobo, 2006:54-55). 4 O espeleoturismo considerado o segundo principal segmen to econmico de Iraquara (Mara Lima, diretora de meio ambiente de Iraquara, informao verbal, 2007). 5 Claudia Lima (proprietria da Fazenda Lapa Doce, inform ao verbal, 2007). 6 Informao verbal (2007). 7 Espcie de palmeira abundante na regi o, tambm conhecido como ouricuri.

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Ferreira, et al. Uso da cartilha “Aventura da vid a nas cavernas” como ferramenta... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 145 USO DA CARTILHA “AVENTURA DA VIDA NAS CAVERNAS” COMO FERRAMENTA DE EDUCAO NAS ATIVIDADES DE TURISMO EM PAISAGENS CRSTICAS USE OF THE BOOKLET “ADVENTURE OF LIFE IN CAVES” AS AN EDUCATIONAL TOOL IN ACTIVITIES FOR TOURISM IN KARST REGIONS Rodrigo Lopes Ferreira (1), Flvio Tlio M. C. Gomes (2) & Marconi Souza Silva (3) (1) Departamento de Biologia/Setor de Zool ogia – Universidade Federal de Lavras. (2) IBAMA/CECAV. (3) Centro Universitrio de Lavr as / Faculdade Presbiteriana Gammon. Lavras MG drops@ufla.br Resumo O objetivo do presente trabalho apresentar um material informativo em forma de cartilha ilustrada sobre o ambiente das cavernas e alguns dos impactos que pode m atuar sobre o mesmo. A cartilha voltada para o pblico infantil, tendo inteno de despertar, desde cedo, o inter esse pela preservao das cavernas. O material foi construido a partir das informaes bi olgicas e de alteraes ambientais obtidas em 103 cavernas inseridas em diferentes litologias presentes nos domnios da Mata Atlntica Brasileira. Foram utilizados representantes de animais que freqentemente ocorrem nas cavernas como personagens de uma estria que relata alteraes que acontecem nestes am bientes em funo da atividade humana e as provveis conseqncias destas alteraes para as cavernas e su a fauna. Alm da estria, a cartilha apresenta alguns conceitos bsicos referentes fauna subterrnea, bem como atividades de carter ldico, como jogos, que ajudam a fixar a informao apresenta da. Assim, a cartilha tem a funo de mostrar ao pblico infantil a necessidade de conciliar uso e preservao de cavernas. Palavras-Chave: Bioespeleologia, educao ambienta l, cartilhas educativas, conservao. Abstract The objective of this paper is to present an illustrated booklet providing information about the environment of caves and some of the impacts which may be felt there. The booklet was designed to awaken the interest of children in the preservation of caves. The material was developed on the basis of biological information and environmental alterations obtained from 103 caves in various lithologies present in the Brazilian Atlantic Coastal Forest. The booklet provides a story line, with ani mals frequently found in caves as characters. It presents changes in the cave envi ronment as a function of hum an activity and introduces the probable consequences of these changes for th e caves and their fauna. In addition to the story, thebooklet introduces basic concepts related to underground fauna, as well as recreational games and activities to help assimilation of the information included. Key-Words: Biospeleology, environmental educat ion, educational booklets, conservation. Introduo Diferentes paisagens crsticas ao longo do mundo exibem uma considervel geodiversidade e biodiversidade (Pinto-daRocha, 1995, Culver & Sket, 2000, Ferreira, 2005, Lobo et al, 2007). As necessidades em identificar e proteger cavernas e sistemas crsticos ameaados pelas atividades humanas tem ganhado fora ao longo dos tempos (Van Beynen & Townsend, 2005, Ferreira, 2005). Impactos naturais ou antrpicos que alteram as condies naturais de permanente escurido, temperatura constante, umidade elevada e disponibilidade de recu rsos alimentares das cavernas, podem ser prejudiciais biodiversidade subterrnea (Ferreira & Horta, 2001, Ferreira & Martins, 2001, Elliott, 2000). Muitas atividades humanas, como o desmatamento no entorno das cavernas, poluio de rios, mineraes ou explorao turstica, podem causar srios danos fauna subterrnea, em es pecial reduzindo o nmero de espcies (Ferreira & Martins, 2001). No Brasil cavernas so adaptadas ao turismo de massa h mais de 40 anos, sendo que muitas alteraes como iluminao, construes e

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Ferreira, et al. Uso da cartilha “Aventura da vid a nas cavernas” como ferramenta... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 146 compactao do solo so observadas (Lino, 2001). Aquelas cavernas tursticas localizadas prximas a centros urbanos ou unidades de conservao (geralmente com fcil acesso) recebem milhares de visitantes durante um ano (Lino, 2000, Lobo, 2005). Por outro lado, existem poucos trabalhos acerca dos provveis impactos causados pelo turismo em ambientes de cavernas (Cigna & Burri, 2000, Lobo, 2005, Van Beynen & Townsend, 2005, Lobo, 2008). Alm disso, existem incentivos do governo, do meio acadmico e da sociedade, no intuito de promover uma maior difuso das atividades tursticas no ambiente de cavernas em todo o Brasil. A carncia de profissionais capacitados a exercerem e coordenarem atividades tursticas, de forma sustentvel, em ambientes caverncolas evidente. Assim, a criao de planos de visitao a cavernas essencial para que os visitantes possam extrair uma maior quantidade possvel de informaes e compreender a necessidade de reduzir as depredaes ou alteraes oriundas de inmeras atividades antrpicas. Neste contexto, a educao ambiental surge como uma importante prtica para formao de visitantes conscientes das necessidades de preservao e minimizao de impactos em cavernas (Dias, 2004). A e ducao ambiental pode tornar as visitas mais instrutivas, a partir de prticas de formao e informao orientadas para o desenvolvimento da conscincia critica sobre questes ambientais. Alm disso, atividades que envolvam a participao da comunidade so essenciais para a preservao do ambiente de cavernas. Desta forma, no que concerne educao, claramente visvel a necessidade de estudos que visem a formulao de materiais e planos para o ensino e divulgao da dinmica do ambiente de cavernas visando o uso sustentvel destas cavidades. Tal prtica poder fornecer populao atividades que articulem seus conhecimentos em conjunto, construindo, em cada um, uma viso completa deste ambiente e, com isto, despertando o interesse por sua conservao. Neste contexto, aqui apresentado um material informativo sobre o ambiente das cavernas e alguns dos impactos que podem atuar sobre o mesm o. Tal material foi elaborado enfocando um pblico infantil, tendo inteno de despertar, desde cedo nas pessoas, o interesse pela preservao das cavernas. Consideraes sobre a elaborao da cartilha A cartilha ilustrada foi elaborada a partir das informaes biolgicas e de alteraes ambientais obtidas em 103 cavernas que foram caracterizadas durante os anos de 2003 e 2006. Tais cavernas esto inseridas em diferentes litologias presentes nos domnios da Mata Atlntica brasileira, principalmente em regie s biogeogrficas costeiras como corredores de biodiversidade da Serra do Mar, corredor Central e corredor Nordeste (Galindo-Leal & Cmara, 2005, Souza-Silva, 2008). A partir das informaes de campo, foram utilizados representantes de animais que frequentemente ocorrem nas cavernas como personagens de uma estria que relata alteraes que acontecem nestes ambientes em funo da atividade humana e as provveis conseqncias destas alteraes para as cavernas e sua fauna. Os impactos mostrados na estria correspondem queles mais frequentemente observados nas cavernas (e seu entorno) durante os anos de coletas de dados. Ao final da estria, so apresentadas solues para as alteraes ambientais, mostrando que possvel conciliar a explorao com a conservao das cavernas. Alm da estria, a cartilha apresenta alguns conceitos bsicos referentes fauna subterrnea, bem como atividades de carter ldico, como jogos, que tm como objetivo fixar o conhecimento apresentado na cartilha. O principal objetivo da cartilha consiste em alertar o publico infantil da necessidade da preservao das cavernas, mostrando o quanto os ambientes subterrneos so suceptveis s alteraes que ocorrem no meio externo. Alm disso, o material fornece ao leitor a idia de que existem solues para quase todos os problemas, e que as cavernas certamente podem ser espaos capazes de conciliar uso e preservao.

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Ferreira, et al. Uso da cartilha “Aventura da vid a nas cavernas” como ferramenta... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 147 Resultados: apresentao da cartilha

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Ferreira, et al. Uso da cartilha “Aventura da vid a nas cavernas” como ferramenta... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 158 PERSONAGEMS:

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Ferreira, et al. Uso da cartilha “Aventura da vid a nas cavernas” como ferramenta... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 162 Discusso e concluses Como componentes do relevo crstico, as cavidades naturais subterrneas possuem inmeras caractersticas biticas e abiticas que as fazem atrativos ao uso antrpico. Entretanto, ao mesmo tempo em que so atrativas para a visitao, ambientes de cavernas apresentam muitas fragilidades em relao s atividades antrpicas (Lobo et al, 2007). Atividades de minerao, ocupao urbana, desmatamentos, agropecuria, turismo em massa ou espeleolgico, realizadas de forma inadequada em reas crsticas e pseudocsrticas, so prejudiciais s cavernas (Lino, 2001). Neste contexto, a educao ambiental surge como uma prtica por meio da qual as pessoas aprendem como funciona o ambiente, como dependemos dele, como o afetamos e como promovemos a sua sustentabilidade (Dias, 2004). Prticas de educao voltadas ao meio ambiente constituem estratgias funda mentais para se alcanar os objetivos da conserva o de paisagens crsticas. Nenhum recurso natural te r seus componentes e funes mantidas se no houver compromisso da sociedade em querer preserv-lo (Marra, 2001). Dentro destas necessidades, a cartilha apresentada neste estudo surge como um material que busca informar sobre o funcionamento dos componentes biolgicos das cavernas e as conseqncias da sua desestruturao. O intuito mostrar componentes frgeis dos ambientes subt errneos e enfatizar que mesmo para algumas alteraes ambientais existem solues. Assim, possvel conciliar uso e preservao de cavernas com atividades de lazer e desenvolvimento. Inmeros setores da sociedade (setor espeleolgico, religioso, faculdades, escolas de ensino fundamental e mdio, prefeituras, empresas de turismo, etc) so importantes veculos na realizao e divulgao do turismo ou visitao em cavernas (Lobo et al, 2007). No Brasil, o uso religioso foi o primeiro a incentivar a visitao em massa de cavenas (iniciado na dcada de 1960 na Lapa de Bom Jesus, BA). Os visitantes, nestes casos, so mais atrados pela f do que pela beleza cnica. O turismo em massa em funo da beleza cnica teve inicio no Brasil em 1967, na gruta de Maquin (Cordisburgo, MG). Atualmente, no Brasil, existem mais de cinqenta cavernas com turismo regular, incluindo o religioso (Lino, 2001). A visitao de cavernas mostra-se tambm muito importante nas prticas pedaggicas de campo, para os ensinos Fundamental, Mdio e Superior (Marra, 2001). Alm disso, Morgado et al. (1996) mencionam a importncia da utilizao do conhecimento informal dos alunos sobre as cavernas na elaborao de prticas que visem a utilizao dos ambientes subterrneos como base para o ensino de disciplinas do ensino fundamental e mdio. Inmeras associaes podem ser realizadas entre processos ocorrentes em cavernas com contedos de diversas disciplinas como histria, geografia, biologia, qumica e fsica. Nestes casos, os educadores devem extrair dos alunos seus conhecimentos preliminares, obtidos a partir de suas vivncias. Da a importncia da elaborao de materiais educativos, como a cartilha aqui apresentada, para auxiliar na fixao destes conhecimentos “informais”. Uma vez que os estmulos visitao de cavernas no Brasil tm crescido consideravelmente nos ltimos anos, essenc ial que profissionais do turismo, escolas e prefeituras estejam preparados para exercer prticas de visitao voltadas para a educao, de forma a minimizar alteraes antrpicas. Instrutores e visitantes bem informados sobre o ambiente so essenciais para o desenvolvimento de atividades turstico-didticas em cavernas. Na transmisso do conhecimento formal, fatores importantes como a interdisciplinaridade e o conhecimento informal devem ser amplamente explorados (Morgado et al, 1995, Morgado et al, 1996). Materiais didticos voltados educao ambiental devem ser facilmente utilizveis tanto na educao formal quanto informal (Dias, 2004). O discurso formal pode ser adquirido em livros e revistas cientficas. Todavia, nestes veculos, temas relacionados s cavernas so geralmente tratados de forma especfica, sendo pouco difundidos nas comunidades. Algumas informaes bsicas sobre a biologia de cavernas, por exemplo, podem ser encontradas em artigos elaborados por Ferreira & Martins (1999, 2001) e publicados na revista Cincia Hoje. Entretanto, apesar de serem artigos de divulgao, os mesmos so apresentados em uma linguagem parcialmente tcnica, e a informao acaba no sendo acessvel a todos os pblicos, em especial o infantil. A educao, a percepo e o ldico devem ser utilizados para possibilitar a expanso de uma conscincia conservacionista, atravs do envolvimento afetivo das pessoas com a natureza (Neiman & Rabinovici, 2008). A literatura ilustrada e voltada para a informa o do pblico infantil pode ter um excelente efeito principalmente quando apresentada de forma ldica. No entanto, a disponbilidade atual deste tipo de material no Brasil

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Ferreira, et al. Uso da cartilha “Aventura da vid a nas cavernas” como ferramenta... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 163 escassa e aqueles existentes so pouco informativos em relao aos temas de conservao (Bambui, 2008, IBAMA-CECAV, 2008, Domingos & Santos, 2002, Branco, 2000). Deste modo, a cartilha “Aventura da vida nas cavernas” surge como um material indito que poder ser utilizado por profissionais que atuam na rea de educao e turismo na conscientizao de visitantes de cavernas e paisagens crsticas. Divulgando informaes tcnicas de forma ldica, o uso de cartilhas cria uma forte parceria entre os meios de produo e os meios de divulgao do conhecimento, alm da melhoria na qualidade do trabalho oferecido por estes profissionais da educao e turismo. Referncias Bibliogrficas Bambu, 2008. Vamos conhecer as cavernas, Grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas Disponvel em: http://www.bambui.org.br/ Acesso em 01 de Agosto de 2008. Branco, S. M. 2000. O ambiente das cavernas Editora: Moderna, primeira edio, 48 pp. CECAV 2008. Dinho e a caverna, Centro Nacional de Estudo, Proteo e Manejo de Cavernas (CECAV) Disponvel em: http://www.ibama.gov.br/cecav/ Acesso em 01 de Agosto de 2008. Cigna, A. A. & Burri, E. 2000. Development, Management and Econom y of Show Caves. International Journal of Speleology 29 (01): 01-27. Culver D. C. & Sket B. 2000. Hotspots of Subterranean Biodiversity in Caves and Wells. Journal of Cave and Karst Studies 62 (1):11-17. Dias, G. F. 2004. Educao ambiental princpios e prticas 9 edio, So Paulo, GAIA, 551pp. Domingos, M. D. & Santos, A. C. A. 2002. Cavernas Editora: tica, terceira edio, 48 pp. Elliott W. R. 2000. Conservation of the American cave and Karst biota Pages 671-695 in: Wilkens, D. C. Culver and Humphreys, editors. Subterranean Ecosystems. Elsevier, Oxford, United Kingdom Ferreira R. L. 2005. A vida subt errnea nos campos ferruginosos. O Carste 3(17):106-115. Ferreira, R. L. & Horta, L.C.S. 2001. Natural and human impacts on invertebrate communities in Brazilian caves. Revista Brasileira de Biologia 61(1):7-17. Ferreira, R. L. & Martins, R. P. 1999. Gua no de morcegos: fonte de vida nas cavernas. Cincia Hoje (25):3440. Ferreira, R. L., & Martins, R. P. 2001. Cavernas em risco de ‘extino’. Cincia Hoje (29):20–28. Lino F. 2001. Cavernas; O fascinante Brasil subterrneo 288pp. Editora Gaia LTDA. So Paulo. Lobo, H.A.S. 2005. Consideraes preliminares para a reestruturao turstica da Caverna de Santana – PETAR, Iporanga, SP. In: Congresso Brasileiro de Espeleologia 28, Campinas. Anais 77-87. Disponvel em: http://www.sbe.com.br/anais 28cbe/28cbe_077-087.pdf Acesso em 01 de Agosto de 2008. Lobo, H. A. S. 2008. Ecoturismo e percepo de imp actos socioambientais sob a tica dos turistas no Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira – PETAR. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(1):6775. Disponvel em: http://www.sbe.com.br/ptpc/ptpc_v1_n1_067-076.pdf Acesso em 01 de Agosto de 2008.

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Ferreira, et al. Uso da cartilha “Aventura da vid a nas cavernas” como ferramenta... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 164 Lobo, H. A. S., Verssimo C. U. V., Sallum-Filho W., Figueiredo L. A. V. & Rasteiro, M. A. 2007. Potencial geoturstoco da paisagem crstica. Global Tourism 2(3). Disponvel em: http://www.periodicodeturismo.com.br/site/arti go/pdf/Potencial%20Geotu rstico%20da%20Paisagem %20Crstica2.pdf Acesso em 01 de Agosto de 2008. Marra, R. J. C. 2001. Espeleoturismo : planejamento e manejo de cavernas, Editora W. D. Ambiental, 224 pp. Morgado, A. C.; Ferreira, R. L. & Neto, V. C 199 5. A formao da caverna. A formao do educador. Monografia apresentada na disciplina: Prtica de Ensino de Cincias Biolgicas da Universidade Federal de Minas gerais 49pp. Morgado, A. C.; Ferreira, R. L. & Neto, V. C. 1996. Como ensinar espeleologia em esco la de 1 e 2 graus? O carste Volume 8 (3) 65 Neiman, Z. & Rabinovici, A. 2008. Espeleot urismo e educao ambiental no PETAR – SP Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 1(1): 57-65. Disponvel em: http://www.sbe.com.br/ptpc/ptpc_v1_n1_057-065.pdf Acesso em 01 de Maro de 2008. Souza-Silva, M. 2008. Ecologia e conservao das comunidades de invertebrados caverncolas na mata atlntica brasileira Tese apresentada ao Instituto de Cinci as Biolgicas da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para a obten o do ttulo de doutor em Ecologia, Conservao e Manejo da Vida Silvestre. 250 pp. Van Beynen, P. & K. Townsend, 2005: A di sturbance index for karst environments.Environmental Management 36 (1), 101-116. Fluxo editorial : Recebido em: 11.11.2008 Enviado para avaliao em: 11.11.2008 Enviado para correo ao autor em: 25.11.2008 Aprovado em: 11.12.2008 A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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Travassos, et al. A gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 165 A GRUTA DE SO COSME E DAMIO E A UMBANDA, CORDISBURGO, MINAS GERAIS THE CAVE OF SAINT COSMAS AND DAMIAN AND THE UMBANDA, CORDISBURGO, MINAS GERAIS Luiz Eduardo Panisset Travassos (1), Aurino Jos Gis (2), Rosa Lane Guimares (3) & Isabela Dalle Varela (4) (1) PUC Minas/Programa de Ps-Graduao em Ge ografia Tratamento da Informao Espacial (2) Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais (3) Bolsista da FAPEMIG/Projeto Patrimnio Geol gico e Geocoservao do Quadriltero Ferrfero (4) Faculdade Promove e Faculdade Metropolitana de Belo Horizonte Belo Horizonte MG luizpanisset@uol.com.br Resumo O texto apresenta e documenta os materiais e objetos religiosos encontrados em uma gruta na regio de Cordisburgo, Minas Gerais. Os achados comprovam o uso de tais espaos para a realizao de algum tipo de ritual religioso, identificado pelos pesquisadores como sendo rituais relacionados a cultos afros, mais especificamente a Umbanda. Embora as evidncias sejam aqui demonstradas, os pesquisadores compreendem que esta primeira abordagem deve ser ainda mais aprofundada em estudos posteriores ainda mais abrangentes. Palavras-Chave: sincretismo religioso, cultos afros, umbanda, Cosme e Damio. Abstract This paper presents and documents the material and relig ious artifacts found in a cave in the area of Cordisburgo, Minas Gerais. The artifa cts found prove that these spaces we re used for the realization of some sort of religious ritual, and this ritual has b een linked to African cults, especially Umbanda. Although evidence is presented here, the researchers realize that this initial investigation must be extended to greater depth in later, more inclusive, studies. Key-Words: religious syncretism, African cults, umbanda, Cosmas and Damian. Introduo comum em diversos artigos acadmicos a meno da relao humana com as cavernas desde os seus primrdios pr-hi stricos. So amplamente estudadas como locais de abrigo e expresso da arte, atravs das pinturas rupestres. Achados arqueolgicos as descrevem como locais de prticas rituais na Amrica Central, como templos Budistas no Sudeste Asitico ou como cavernas-igreja na Europa e no Brasil, por exemplo. Na maioria dos lugares, as cavernas surgem tambm associadas a lendas e mitos de alto valor simblico que refletem o temperamento de um grupo social. No Brasil, vrios so os exemplos de cavernas onde ocorrem prticas catlicas que, muitas vezes, fomentam o turismo religioso local. O presente artigo tem como objetivo a identificao de uma pequena gruta no municpio de Cordisburgo, Minas Gerais, provavelmente utilizada para ritos da Umbanda. Ind cios encontrados em seu interior comprovam a utilizao da gruta para rituais religiosos relacionados aos cultos afro-brasileiros. Sendo assim, o presente trabalho destaca uma forma de uso religioso menos comum (ou menos documentada) relacionado s religies de matriz africana e as cavernas. Religies afro-brasileiras Entre as chamadas religies de matriz no crist que se desenvolveram no Brasil ao lado do catolicismo e do protestantismo, h um grupo que se destaca por sua posio em relao cultura nacional: as religies afro-brasileiras Para Prandi (2004) e Gaarder et al. (2000; 2006) os cultos afro-brasileiros surgiram no Brasil, a partir de tradies trazidas pelos escravos originrios da frica. Funcionavam at meados do sculo XX como uma espcie de instituio de

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Travassos, et al. A gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 166 resistncia cultural primeiramente dos africanos e depois, dos afro-descendentes. O surgimento das relig ies afro-brasileiras est relacionado ao desenvolvimento histrico do sculo XIX, quando o catolicismo (religio oficial do estado portugus) era a nica religio tolerada e imposta na Colnia. Dessa forma, era freqente a represso aos cultos dos negros africanos. Para se viver no Brasil Colonial era indispensvel ser catlico. Por essa razo, os negros que recriaram no pas as religies africanas se diziam catlicos e se comportavam como tais, freqentando tanto os rituais de seus ancestrais como os ritos catlicos (Prandi, 2003). A devoo aos santos como Santo Antnio, So Sebastio, So Jorge, So Cosme e Damio e a Virgem Maria em suas vrias denominaes, foi uma das caractersticas desse catolicismo que teve influncia na formao das religies afro-brasileiras (Silva, 2007). Acredita-se que por preconceito ou desinformao, muitos autores no utilizam o termo religio preferindo adotar o termo rituais afro. A evoluo das religies afro-brasileiras se mistura com a histria nacional, formando-se em vrios Estados. “ Assim, por terem se formado em diferentes perodos, adquirem diferentes formas rituais ” (Gaarder et al., 2006:312). Manifestam-se de maneira distinta, em di ferentes pontos do pas: o candombl e demais modalidades religiosas conhecidas pelas denominaes regionais em Pernambuco de xang no Maranho, de tambor-demina ; na Amaznia de pajelana ; na Paraba e no serto de catimb ; no Rio Grande do Sul de batuque e no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, de macumba (Bastide, 1973; Lima, 1979; Gaardner, 2000; Prandi, 2001; 2003; Silva, 1994). A Umbanda e as cavernas Para Gaarder et al. (2006), considerada como uma religio tipicamente brasileira, a Umbanda se destaca no grupo dos cultos afro-brasileiros por ter menos apego a suas “razes” ou s marcas africanas originais. Comporta-se, portanto, como uma religio universal. Surgida na dcada de 20, no Rio de Janeiro, disseminou-se pelo territrio nacional a partir dos anos 30 e 40, tornando-se uma religio no restrita aos afro-descendentes sendo, portanto, aberta a todos que desejassem participar. Desde o incio a Umbanda se mostrou visivelmente multitnica com uma forte presena de brancos. Para Prandi (2003:5) ela “(...) j nasceu num processo de branqueamento e ruptura com smbolos e caractersticas africanas, propondo-se numa religio para todos”. A Umbanda uma crena dinmica, resultado do encontro cultural das crenas e prticas do antigo candombl da Bahia, dos smbolos e dos espritos dos povos indgenas e do espiritismo kardecista, chegado da Frana no final do sculo XIX. A unio desses elementos constitui seu sincretismo religioso (Valente,1955; Paolo, 1979; Silva, 1994; 1995; Gaardner, 2000; Maggie, 2001; Prandi, 2001; 2003; 2004; Tognolli, 2007), embora alguns praticantes de diferentes vertentes espritas no concordem com esses autores. A Umbanda uma prtica ritualstica mais sincrtica do que o candombl, adotando desse ltimo tambm as influncias catlicas. Mais do que o simples reconhecimento de traos catlicos, ela incorporou em suas prticas as preces, as devoes e alguns valores do catolicismo (Prandi, 2004). Para Prandi (2004), in icialmente, a Umbanda se imaginou como religio tnica, capaz de fazer a distino entre o bem e o mal moda ocidental crist. Entretanto, acabou criando para si uma armadilha ao separar o campo do bem e do mal, povoando o bem com seus guias de caridade, os caboclos, pretos-velhos e crianas e o mal com os exus e pombagiras, entidades que em sua ambivalncia podem reali zar tanto o bem quanto o mal quando necessrio. Assim, entre escolher pela regulao moral da conduta, e ser uma religio estritamente ritual voltada para a manipulao mgica do mundo, a Umbanda optou pelo caminho do meio (Gaarder et al., 2006). Os rituais umbandistas so normalmente realizados em “ terreiros” lugares sagrados “ para os Umbandistas, onde acontecem o culto aos orixs e as “giras”, sesses em que os mdiuns incorporam espritos e atendem o pblico” (Tognolli, 2007:52). No entanto, algumas cerimnias ou rituais podem tambm ser realizados em locais como matas, rios, praias, cachoeiras, estradas, encruzilhadas, entre outros. Nos terreiros existem altares com imagens de Nossa Senhora, Santa Brbara, So Cosme e Damio e So Jorge, dentre outros. Silva (2007) identifica algumas cerimnias e rituais umbandistas em homenagem a So Jorge, em So Paulo, festas para Iemanj na virada do Ano Novo nas praias de Copacabana e cerimnias de batismo realizadas em cachoeiras. Silva citado por Morais (2006) afirma que os rituais tambm podem ser realizados fora dos terreiros, nos chamados domnios mticos identificados como as matas, os rios ou pedreiras. Morais (2006) aponta que, como conseqncia da

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Travassos, et al. A gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 167 crescente urbanizao e a diminuio da falta de espaos naturais, houve uma procura por outros espaos onde as divindades poderiam ser cultuadas perto da natureza, como forma de adaptao a esse novo ambiente, extrapolando os limites dos terreiros. Para a autora, locais naturais anteriormente utilizados para realizao dos rituais ou para depsito de trabalhos, oferendas ou ebs foram gradativamente substituda por outros lugares como as lagoas, encruzilhadas e praas, por exemplo. Alm destes rituais, existem outros que podem ser realizados fora dos terreiros em grupo ou individualmente. So os despachos ou oferendas como parte integrante dos cultos da Umbanda. Segundo Silva (2007:10) um despacho consiste na “oferenda alimentar ou sacrifcio de animal feitos em homenagem a divindades para obter uma ajuda e proteo na soluo de problemas”. Nos locais onde so realizados os despachos podem ser encontradas, entre outros elementos, velas, flores de plstico, garrafas de bebidas, pratos e comidas necessrios para a realizao dos cultos. Nas religies afro-brasileiras a alimentao tem funo simblica primordial. Surgem como forma de manuteno do ax (fora vital) do orix e do fiel. “ Oferecem-se alimentos aos orixs e a outras divindades para fortalec-los, simbolicamente, nutrindo-os de ateno, respeito, reconhecimento, amor e confiana” (Silva, 2007:68). Segundo Teixeira Neto (1969) as oferendas so a forma encontrada pelo praticante para agradar, homenagear e oferecer aos deuses ou s entidades espirituais sua devoo. Normalmente so realizadas para obteno de favores (para “abrir caminhos”, melhorar a condio de vida e de sade, desmanchar trabalhos realizados, afastar situaes difceis da vida, doenas, etc.) e, tambm, o agradecimento pela realizao dos pedidos. No Brasil, a existncia de cavernas voltadas s prticas afro-descendentes no muito documentada. Ao contrrio, inmeros so os casos documentados de pequenas cavernas dedicadas a santos catlicos, funcionando como oratrios prximos a trilhas ou estradas. Materiais e Mtodos O trabalho, de cunho terico-prtico, teve seu desenvolvimento atravs de reviso bibliogrfica e levantamento de dados sobre a temtica. O trabalho de campo coincidiu com os trabalhos de Travassos (2007), onde a gruta foi descoberta casualmente. O mapa de localizao da regio de estudos foi gerado utilizando o soft ware ArcGIS 9.2 do Laboratrio de Estudos Ambientais do Programa de Ps-Graduao em Geografia – Tratamento da Informao Espacial da PUC Minas. A base digital definida (cartas topogrficas e bases digitais do IBGE, em escala 1:100.000) foi complementada e atualizada. A localizao geogrfica da caverna foi propositalmente suprimida para evitar manifestaes de intolerncia e preconceito contra os praticantes ou contra o local de culto. Figura 1 : Fluxograma da metodologia desenvolvida PRODUTO FINAL

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Travassos, et al. A gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 168 Resultados e discusses O municpio de Cordisburgo (Fig. 2) localizase a cerca de 110 km a noroeste da capital mineira. A regio servida pelas rodovias BR-040 e a MG231, acesso sede municipal. Estima-se que sua populao seja de cerca de 8.574 habitantes (IBGE, 2000) distribudos irregularmente em uma rea de 823 km2. A Gruta de So Cosme e Damio (Fig. 3) encontra-se s margens da rodovia MG-231. Est inserida em uma regio de carste tropical ainda pouco pesquisada que carece de mais trabalhos sobre o meio fsico, bitico e cultural regional. Trata-se de uma importante rea com expressivas formas crsticas como cavernas, m acios, dolinas e poljes. Esse conjunto paisagstico revela importantes feies crsticas de grande significado no mbito histrico e cultural. A regio considerada como o bero da unio da pale ontologia, arqueologia e espeleologia nas Amricas. Figura 2: Mapa de localizao do municpio de Cordis burgo (MG) e seus m unicpios limtrofes

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Travassos, et al. A gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 169 Figura 3: Vista da entrada da gruta (Foto: Luiz Eduardo Panisset Travassos, 2007). O carste da regio de Cordisburgo apresentase como um dos mais belos exemplares de carste tropical, palco de importantes descobertas cientficas por parte de Peter Wilhelm Lund, na segunda metade do sculo XIX. So conhecidas e exploradas na regio, cerca de 16 cavernas, com maior destaque Gruta da Morena (4.620m), Lapa Nova do Maquine (1.312m), Gruta do Salitre (1.098m) e Gruta do Tobog (1.000m). Na dcada de 50, o municpio foi tambm cenrio para as obras literrias de Joo Guimares Rosa (Travassos, 2007). A poro conhecida do endocarste de Cordisburgo composta por 16 cavernas ou, como em termos legais, cavidades naturais subterrneas Tal definio, no entanto, no reflete necessariamente a realidade quando as definem como “todo e qualquer espao subterrneo penetrvel pelo homem com ou sem abertura identificada, popularmente conhecida como caverna” (Decreto n 99.556 de 1 de Outubro de 1990). Embora tal definio tenha mrito quando se leva em conta o fato de que as investigaes cientficas ocorrem nessas cavernas, tal viso antropocntrica pode levar a erros conceituais significativos, principalmente quanto sua gnese. Dessa forma, deve ser vista com cautela. Na geomorfologia crstica, o termo caverna utilizado para designar os espaos existentes dentro da rocha calcria na zona vadosa desde os primeiros momentos da espeleognese. Para Palmer (1991; 2002) e Ford e Williams (2007), uma caverna crstica deve ser definida como abertura originada pela dissoluo da gua e com dimetro suficiente para a produo de energia cintica para a fase de escoamento da gua. Tal fase consiste na formao de vazios de 5 a 15 mm que permitem a mudana do fluxo de lento para turbulento e, conseqentemente, o favorecimento da dissoluo. Por esse motivo, adotou-se o termo gruta comum na regio, para de signar a cavidade natural estudada. A gruta possui cerca de 5 m de projeo horizontal, na forma de um pequeno oratrio em cpula. Em termos geolgicos, a rea investigada insere-se no contexto da unidade geotectnica do Supergrupo So Francisco, Grupo Bambu, Subgrupo Paraopeba (Pedrosa Soares, 1994), composta por compartimentos rochosos de idades diversas. Para Almeida (1977) a provncia geotectnica do Crton So Francisco limitada pelo bloco arqueano/paleoproterozico do Quadriltero Ferrfero, pelo bloco do Espinhao

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Travassos, et al. A gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 170 (Proterozico Mdio) e pela extensa bacia metassedimentar do Grupo Bambu (Proterozico Superior). Em Cordisburgo predominam rochas do Subgrupo Paraopeba, Form ao Lagoa do Jacar. So comuns as ardsias, os calcrios, os filitos, folhelhos e metassiltitos depositados sobre a superfcie irregular do embasamento cristalino da unidade primria composta por granitos e gnaisses (Noce e Renger, 2005). Acredita-se ser possvel a ocorrncia de calcrios da Formao Sete Lagoas. Na caverna foi possvel encontrar indcios da realizao de prtica religiosa individual ou coletiva de pequenos grupos: uma im agem de So Cosme e Damio, uma pomba branca de gesso representativa do Esprito Santo, velas e cacos de garrafas de bebidas alcolicas, elementos comuns umbanda. Tanto a imagem de So Cosme e Damio, quanto a pomba foram encontrados danificadas. Jornais com a data de janeiro de 2006 foram encontrados no interior A tradio oral identifica So Cosme e Damio como os gmeos Acta e Passio, nascidos entre os anos 280 e 287. Considerados mdicos propagadores do Cristianismo na Sria e Armnia, por volta do ano 300 foram perseguidos e levados perante a um tribunal, acusados de se entregarem prtica de feitiaria e de usar meios diablicos para disfarar as curas que realizavam. Em 303 foram decapitados e, em funo do martrio, foram canonizados pelo vaticano. Seu culto propagou-se primeiramente pelos pases da Europa e em outros pases. No Brasil, em 1530, foi construda uma igreja em Pernambuco em sua homenagem. So Cosme e Damio tm tambm um lugar muito especial na Umbanda, onde so cultuados e festejados no dia 27 de setem bro. So sincretizados Beiji ou Ibeji (Valente, 1955; Felix, 1965; Ortiz, 1978; Silva, 2007) Segundo Tognolli (2007) as crianas ou ers so espritos infantis que representam a inocncia e a pureza de sentimentos. Para Ortiz (1978) possuem uma dimenso divina, e tambm representam a idia de pureza e inocncia, dando ao culto umbandista uma dimenso de alegria. Para Teixeira Neto (1969) e Lima (1979), as oferendas So Cosme e Damio so depositadas em jardins ou em praas, usualmente compostas por balas, bombons e outros doces. Alm disso, os praticantes acreditam que ao acenderem velas, seus caminhos espirituais sero iluminados. Sabe-se da ligao das cavernas com a histria do homem na Terra. Por essa razo, so elementos importantes na evoluo de diferentes civilizaes e culturas. No de se estranhar, portanto, que so importantes panos de fundo em lendas e mitos de criao, por exemplo. Tanto na Europa, quanto no Brasil e em diversas partes do mundo as cavernas tm sido utilizadas como santurios, entre outras co isas. Muitas das cavernas santurio, encontram-se “sacrificadas” mas, dificilmente sero deixadas para a prtica em outros locais. inegvel que tais prticas causam determinados impactos ao ambiente, assim como a presena de pesquisadores ou turistas em seu interior tambm causam. Tais cavernas-igreja (ou cavernastemplo) devem continuar a existir, pois no afetam gravemente o patrimnio espeleolgico como um todo. Figura 4 : Em “A”, pedaos da imagem de So Cosme e Damio en contrada no interior da gruta. A tampa da mquina representa a escala de 6 cm (Foto: Luiz Eduardo Panisset Travassos, 2007). Em “B”, imagem nova de So Cosme e Damio para comparao com a imagem encontra da (Foto: Rose Lane Guimares 2007).

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Travassos, et al. A gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 171 Figura 5 : Em “A”, pedaos de uma pomba branca, representativa do Esprito Santo e embalagem de velas utilizadas no ritual. Em “B’, garrafa vazia de bebida alcolica encontrada no interior da gruta A tampa da mquina representa a escala de 6 cm (Foto: Travassos, 2007). No Brasil, das quase 5.000 cavernas conhecidas, apenas cerca de 15 podem ser consideradas de uso religioso e, portanto, no acreditamos ser necessria uma interveno no sentido de proibir ou forar uma disciplina que vai contra sculos de tradio. Deve-se buscar o dilogo com os diversos atores sociais envolvidos e desencorajar o uso de outras cavernas para esse fim. Isto nos parece o mais correto e tambm o mais simples, pois quando um espao se torna um lugar sagrado a “migrao” para outros dificilmente ocorre. Tomemos como exemplo Bom Jesus da Lapa que utilizada como Igreja desde 1691 e a Gruta de Lourdes na Frana, desde 1854. Consideraes finais Os materiais e os smbolos religiosos aqui mencionados foram encontra dos no interior de uma caverna e, certamente, assinalam o uso desses espaos para algum tipo de culto ou ritual a eles associados. Em nosso estudo, identificamos essas religies como sendo de matriz africana, mais especificamente relacionada Umbanda. Todavia, um estudo da religiosidade do entorno das grutas permitiria uma possvel identificao dos grupos ou comunidades religiosas diretamente relacionadas com esse uso ou a apropriao deste espao natural para seus cultos. Tarefa esta que nos propomos na continuidade de nossas investigaes. importante ressaltar que as concluses, apesar das evidncias demonstradas, podem ainda ter um carter exploratrio se considerarmos a diversidade dos cultos umbandsticos provenientes de sua amplitude sincrtica. Por este motivo, afirmamos que um estudo etnolgico da religiosidade da regio nos ajudaria a melhor interpretar o os achados. Espera-se que, em futuro prximo, possamos oferecer aos leitores um estudo ainda mais detalhado e rico e, dessa forma, contribuir neste campo de investigao, ainda incipiente: o da investigao de cultos religiosos de matriz africana em cavernas. Referncias Bibliogrficas Almeida, F. F. M. 1977. O Crton do So Francisco. Revista Brasileira de Geocincias 7(4): 349-364. Felix, C. E. 1965. Cartilha da umbanda Rio de Janeiro: Eco. Ford, D.C. & Williams, P.W. 2007. Karst geomorphology and hidrology United Kingdom: Wiley. Gaarder, J., Hellern, V. & Notaker, H. 2006. O livro das religies So Paulo: Companhia de Bolso. Gaarder, J., Hellern, V. & Notaker, H. 2000. O livro das religies So Paulo: Companhia das Letras. Lima, D. B. de F. F. 1979. Malungo : decodificao da umbanda : contribuio histria das religies. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira. 241p. Morais, M. R. de. 2006. O candombl na metrpole : a construo da identidade em dois terreiros de Belo Horizonte. Dissertao (Mestrado) Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais, Programa de Ps-Graduao em Cincias Sociais. 131p.

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Travassos, et al. A gruta de So Cosme e Damio e a Umbanda... Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 172 Noce, C.M. & Renger, F.E. 2005. A histria ecolgica da bacia hidrogrfica. In: Goulart, E.M.A. (Org.) Navegando o Rio das Velhas das Minas Gerais Belo Horizonte: Instituto Guaiacuy-SOS Rio das Velhas/Projeto Manuelzo-UFMG. 241-263 Ortiz, R. 1978. A morte branca do feiticeiro negro : umbanda: integrao de uma religio numa sociedade de classes. Petrpolis: Vozes. Palmer, A. N., 2002. Speleogenesis in carbonate rocks. In: Gabrovšek, Franci (Ed.). Evolution of Karst : from prekarst to cessation. Postojna/Ljubljana: Inštitut za Raziskovanje krasa, ZRC SAZU, 43-60. Palmer, A.N. 1991. Origin and Morphology of Limestone Caves. Geological Society of America Bulletim ,103: 1-21. Paolo, P. di. 1979. Umbanda e integrao social : uma investigao sociolgica na Amaznia. Dissertao (Mestrado em Sociologia) – Universi dade Federal do Par, Belm. Prandi, J. R. 2001. O Candombl e o tempo: concepes de tempo, saber e autoridade da frica para as religies afro-brasileiras, Revista Brasileira de Cincias Sociais 16 (47): 43–47. Prandi, J. R. 2003. As religies afro-brasileiras e seus seguidores. Civitas, Revista Brasileira de Cincias Sociais. Porto Alegre, PUC-RS, 3(1):15-34. Prandi, J.R. 2004. O Brasil com ax : candombl e umbanda no mercado re ligioso. Estudos Avanados, So Paulo, 18(52): 51-66. Pedrosa Soares, A.C. 1994. Mapa geolgico metalogen tico e de ocorrncias minerais do Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: Secretaria de Recursos Minerais e Energticos-SEME/COMIG. 1 mapa: color. Escala 1:1.000.000 Silva, V. G. da. 1994. Candombl e umbanda : caminhos da devoo brasileira. So Paulo: tica. Silva, V. G. da. 1995. Orixs da metrpole Petrpolis, RJ: Vozes. Silva, V. G. da. 2007. A criao da umbanda. Histria Viva Grandes Religies: Cultos Afros. So Paulo, 6: 34-39 Teixeira Neto, A.A. 1969. Despachos e oferendas na umbanda Rio de Janeiro: Eco Guanabara. Travassos, L.E.P. 2007. Caracterizao do carste de Cordisburgo, Minas Gerais Dissertao (Mestrado) Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gera is, Programa de Ps-Graduao em Geografia – Tratamento da Informao Espacial. 95p. Tognolli, C. J. 2007. A nova cara da umbanda. Galileu 195: 46-57. Valente, W. 1955. Sincretismo religioso afro-brasileiro So Paulo: Nacional. Fluxo editorial : Recebido em: 02.06.2008 Enviado para avaliao em: 25.06.2008 Enviado para correo ao autor em: 15.07.2008 Aprovado em: 19.08.2008 A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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Forte, et al. Grutas, religio e cultos: exemplos de Portugal. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 173 GRUTAS, RELIGIO E CULTO S: EXEMPLOS DE PORTUGAL CAVES, WORSHIP AND RELIGION: SOME PORTUGUESE CASE STUDIES Joo Forte (1), Srgio Medeiros (1), Gustavo Mede iros(1), Carlos Ferreira(1), Rita Lemos(1), Hugo Mendes(1), Cludia Neves(1), Pedro Alves( 1), Eduardo Guedes (1) & Paulo Barcelos (2) (1) Grupo Proteco Sic (2) Os Montanheiros – Sociedade de Explorao Espeleolgica Ansio/Portugal joaopauloforte@gmail.com Resumo A relao entre grutas e religio um tema novo em Portugal, no tendo inclusive sido encontradas quaisquer referncias bibliogrficas antes ou durante o decorrer deste trabalho agora apresentado, no que se refere a esta temtica. So apresentados seis exemplos desta relao no territrio que compreende Portugal continental e Arquiplago dos Aores, exemplos estes diferenciados na sua tipologia e, portanto, representativos do caso portugus. A falta de elem entos foi umas das maior es dificuldades para a prossecuo deste trabalho, fato que foi colmatado atra vs de um extenso trabalho de campo que teve como objetivo principal dialogar com as poucas pessoas de idade que tm efetivamente o conhecimento associado s lendas e tradies que caracterizam os seis casos enunciados. Esta info rmao foi complementada com os poucos documentos escritos existentes. Este arti go mostra que apesar do esquecimento que as grutas e algares tm sido alvo por parte das autoridades portuguesas nas ltimas dcadas h um potencial diversificado nesta rea, o qual pode ser aproveitado entr e outros para fins tursticos, permitindo desta forma um reaproximar do cidado espeleologia, contri buindo decisivamente para a proteo deste vasto patrimnio, o qual afinal a metade esquecida do carste. Palavras-Chave: Portugal; Grutas; Religio; Turismo; Carso Abstract The relationship between caves and religion is a new t opic in Portugal. No references concerning this new subject have been found in the literature. Six case studies involving this relationship are presented for Portugal, not only for the continental area but also fo r the archipelago of Azores, They are all different, but represent at the same time the Portu guese situation. The lack of informa tion was the main problem in this research, but the problem was solved during our field work, when older people told us stories and legends concerning these special places. Some written docum ents were also used as an essential source of information. This article shows that despite the fa ct that caves have been of little interest to national authorities for several decades, there is a diversified pot ential in this area that could be take in consideration for purposes such as tourism, allowi ng citizens to develop or renovate an interest in speleology, the forgotten half of karst. Key-Words: Portugal; Caves; Religion; Tourism; Karst. Introduo Neste artigo os autores apresentam alguns dos exemplos da relao entre grutas e religio em Portugal continental, incluindo tambm o arquiplago dos Aores em pleno oceano Atlntico. Apenas o arquiplago da Madeira no foi includo nesta breve comunicao, devido falta de elementos sobre o mesmo. Este ltimo aspecto, a falta de elementos, foi o maior problema que nos surgiu durante as pesquisas e respectivo trabalho de campo com vista descoberta de mais elementos que pudessem complementar os casos em anlise no territrio portugus. Apesar disto so apresentados seis exemplos e lendas diferenc iados na sua tipologia, que nos podem levar a uma melhor compreenso de quo importante e interessan te pode ser esta relao entre dois temas: as grutas e a religio. Apesar de Portugal ser um pas de pequena dimenso, quando comparado com outros pases europeus como a Frana ou Alemanha, um pas com uma enorme diversidade de Norte a Sul, na qual podemos encontrar muitos fatos e aspectos

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Forte, et al. Grutas, religio e cultos: exemplos de Portugal. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 174 interessantes que representam muitos sculos de histria at a atualidade. Portugal encontra-se dividido em trs unidades morfoestruturais principais: o Macio Hesprico, as Orlas Mesocenozicas (Ocidental e Meridional) e as Bacias Tercirias do Tejo e Sado. O Macio Hesprico constitudo por rochas prmesozicas, em sua maioria metamrficas e gneas, enquanto que as Orlas Meso cenozicas e as Bacias Tercirias do Baixo Tejo e Sado, so constitudas por rochas sedimentares. O objetivo principal do trabalho no o da discusso exclusiva de fatos relativos geologia ou geomorfologia, mas sim a apresentao e descrio das histrias e lendas associadas a grutas ou cavidades em territrio portugus que estejam fortemente ligadas a cerimnias religiosas ou prpria em um pas predominantemente cristo desde a sua fundao em 1143. No territrio de Portugal continental existem entre 2.000 a 3.000 grutas ou algares sendo que mais de metade delas ocorre no Macio Calcrio Estremenho (Abreu, 2006), na regio centro-oeste de Portugal. Esta regio muito conhecida tambm no domnio cientfico associado investigao de regies crsticas. A nvel nacional no existe nenhum inventrio de cavidades, alm do fato de muito menos existir algum gnero de registro acerca de cavidades relacionadas a alguma forma com cerimnias ou culto religioso. Em muitos dos casos, so apenas informaes orais de pessoas mais velhas que guardam na sua memria as informaes relacionadas a esta temtica. Em outros casos, existem apenas pequenas brochuras ou panfletos que contam a histria ou a lenda associada a determinada caverna, grutas ou algar de variadas tipologias. Entretanto, a boa vontade e o forte esprito de unio existente em algumas associaes de espelelogos tm conseguido agitar a apatia que a cincia espeleolgica vem sofrendo nos ltimos anos em Portugal. Muitas das instituies e organismos estatais responsveis por algum tipo de ao de estudo, apoio ou proteo das vrias cavidades, no tm tido efeito prtico, levando a temtica a cair no esquecimento, mesmo que seja conhecido o potencial em termos espeleolgicos, culturais, cientficos e tursticos de algumas das ocorrncias. Em alguns casos no s a boa vontade de algumas associaes de espelelogos, mas tambm o capital investido por eles tm levado a algumas descobertas muito relevantes no panorama nacional, como foi o caso do sistema espeleolgico do Duea, na regio das “Terras de Sic” no centro de Portugal. Sendo assim, esse trabalho apresenta-se como uma pequena contribuio dos autores para a temtica do uso das cavernas nas prticas religiosas, representando a boa vontade de alguns homens e mulheres que por si prprios promoverem de alguma forma a manuteno da herana geolgica, geomorfolgica e cultural do pas. A Nossa Senhora da Lapa – Aldeia da Lapa Situada na aldeia da Lapa, concelho de Sernancelhe, situa-se a gruta de Nossa Senhora da Lapa mais conhecida de Portugal. Segundo os moradores mais velhos, teve incio nessa localidade o culto Nossa Senhora da Lapa, sendo difundido por todo o mundo o culto. Em 2008 celebram-se os 510 anos desde o incio do culto a imagem de Nossa Senhora da Lapa. Esta regio era conhecida no sculo XV, como uma extensa rea de pastagens, onde a principal caracterstica da paisagem era o predomnio de blocos gr anticos mssicos. Em um desses blocos, localizava-se a gruta na aldeia da Lapa. De acordo com a lenda, em 1498 uma pequena pastora de doze anos (Joana), muda desde o nascimento, vinha com o gado de um lugar chamado de Quintela. Certo dia, teria entrado por uma pequena fissura na rocha e avistado ao fundo uma imagem de Nossa Senhora. Depois desta descoberta, limpou a imagem e iniciou o culto, preparando um pequeno altar com flores selvagens. A partir desse momento em diante, voltava a este local todos os dias com o gado, at que sua mes o teria descoberto, obrigando-a a procurar outro local para o gado pastar. Apesar disso, a filha no aceitou a imposio e passou a levar a imagem consigo, improvisando altares em outros locais. noite levava consigo a im agem para casa, onde a vestia de forma mais apresentvel. Um dia, aborrecida com o fato da filha estar perdendo muito tempo com o que ela supunha ser apenas uma boneca, a me atirou a imagem ao fogo. Nesse momento a criana, antes muda, disse “Me, o que voc fez! a Nossa Senhora da Lapa!”. Imediatamente a criana retirou a imagem do fogo sem ser queimada enquanto que o brao de sua me ficou paralisado. Depois de ambas terem rezado Nossa Senhora, a me foi curada. Aps o milagre ter se difundido pela regio, teve incio o culto imagem de Nossa Senhora da

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Forte, et al. Grutas, religio e cultos: exemplos de Portugal. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 175 Lapa e os peregrinos comearam a se reunir no local do milagre. Sabendo deste milagre, padre de Quintela sugeriu que a imagem deveria ser levada para a igreja local, onde poderia ser adorada pelos peregrinos, mas logo aps a imagem ter chegado, desapareceu misteriosamente aparecendo no lugar original, a Lapa da aldeia da Lapa. Quando voltaram a colocar a imagem de novo na igreja de Quintela, o fenmeno se repetiu, sendo considerado como um sinal de que a Nossa Senhor a da Lapa quereria ficar no seu lugar original e no levada para outros locais, mesmo que de culto. At hoje muitos so os milagres atribudos Nossa Senhora da Lapa. Origem da Imagem e do Santurio da Nossa Senhora da Lapa Muitos historiadores afirmam que o mistrio da imagem escondida na Lapa tem um motivo. No ano de 882, o general Mouro, Almanor, ao avanar para Trancoso aps o seu exrcito ter destrudo a vila de Lamego, destruiu tambm o convento de Sismiro. No local, teriam torturado muitas das freiras ali residentes. Algumas teriam conseguido escapar escondendo a imagem de Nossa Senhora em uma gruta na Serra da La pa, onde a imagem estaria livre de qualquer profanao. A imagem ficou esquecida no local por mais de 500 anos. Corria o ano de 1576, quando foi atribuda Companhia de Jesus a rea pastoral que compreendia a rea da lapa. Logo que perceberam a quantidade de peregrinos que iam adorar a imagem da Nossa Senhora da Lapa descoberta por Joana, os jesutas iniciaram a construo de uma residncia para os dois padres, permitindo que dessem acompanhamento aos peregrinos que para l se deslocavam. Posteriormente, foi construdo o santurio, mantendo a lapa dentro da igreja. Um elemento importante desta histria tem a ver com a origem da devoo Nossa Senhora da Lapa que, de forma direta ou indireta, espalhou-se pelo mundo. reconhecido que o culto Nossa Senhora da Lapa tenha tido origem neste santurio derivados da disperso dos jesutas pelo mundo inteiro (Amorim, 2006). Figura 1 : Vista externa e interna da Igreja da Lapa, Portugal (Foto: Gustavo Medeiros) Figura 2 : Vista interna da Igreja da Lapa, Portugal. possvel notar que a Igreja foi construda incrustada na rocha grantica, mantendo o culto na lapa original onde a imagem foi encontrada. (Foto: Gustavo Medeiros)

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Forte, et al. Grutas, religio e cultos: exemplos de Portugal. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 176 So Macrio – So Pedro do Sul A capela de So Macrio localiza-se no concelho de So Pedro do Sul, a poucos quilmetros de Viseu. Nesta regio a Serra de So Macrio faz parte do Macio da Gralheira, constitudo por uma srie de serras nas fregu esias de Sul e So Martinho das Moitas. As lendas e tradies locais associam a serra ao culto de So Macrio, local de romaria ao Santo que ocorre sempre no ltimo sbado do ms de Julho. Antes da abertura da estrada que nos leva at ao topo da serra de So Macrio, os peregrinos tinham de comear o caminho na quinta-feira anterior, retornando apenas depois de cumprirem suas promessas. Figura 3: Vista geral da Serra de So Macrio (acima) e a entrada da Capela de So Macrio (abaixo) (Foto: Gustavo Medeiros) Outra tradio conhecida o fato de algumas pessoas se deslocarem a So Macrio no ltimo sbado de Agosto, no denominado “sbado derradeiro” A capela, ou ermida de So Macrio de Baixo, foi edificada por ordem do abade Joo de Melo Abreu Falco em 1769. Foi responsvel pela fundao da parquia da freguesia do Sul por mais de quarenta anos, falecendo em Janeiro de 1795 em So Pedro do Sul. Esta capela foi construda junto a uma gruta onde se acredita ter vivido o penitente e glorioso So Macrio. Existe tambm um pequeno anexo que teria sido construdo para ele. Dentro da capela existe uma pequena galeria que nos leva ao “nicho” onde se venera a imagem de So Macrio. Figura 4 : Interior da Capela de So Macrio direita (Foto: Gustavo Medeiros) Gruta e Capela da Nossa Senhora da Estrela – Pombal Situada na serra de Poios, na freguesia da Redinha, est a gruta da Nossa Senhora da Estrela. A freguesia da Redinha uma das freguesias mais tursticas do concelho de Pombal, um dos maiores de Portugal continental. Esta gruta ocupa uma posio dominante na escarpa de falha da Senhora da Estrela, escarpa que conta com mais de duzentos metros. rea includa nas “Terras de Sic” por ser regio muito importante do ponto de vista cultural e paisagstico. O Macio de Sic (Cunha, 1990) uma regio crstica muito conhecida e reconhecida pelas suas caractersticas paisagsticas. Outro atributo paisagstico muito peculiar a existncia de uma srie de “buracas” de variadas dimenses, ditas artificiais, nas proximidades da

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Forte, et al. Grutas, religio e cultos: exemplos de Portugal. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 177 gruta. Destacam-se pelas suas particularidades geolgicas e geomorfolgicas compondo o Vale das Buracas e o Vale dos Poios, locais visitados por centenas de pessoas ao longo do ano. Figura 5 : Vista geral da Serra que abriga a Capela e gruta de Nossa Senhora da Estrela (Foto: Gustavo Medeiros) A capela da Nossa Senhora da Estrela provavelmente o resultado de um culto remoto, da qual a sua origem desconhecida, mas que pode estar relacionado de alguma forma analogia ao tero materno, j que a prpria entrada para a gruta nos lembra esse fato (Caetano, 2001). A entrada da gruta resulta do alargamento de uma diclase, onde se abre uma galeria de dimenso razovel. O final da galeria est obstruda por sedimentos e teria, no passado, funcionado como uma rea de descarga. A antiga entrada da gruta ainda visvel, e possui um arco manuelino com vestgios de uma tranca que impedia o acesso gruta. Mais tarde, no sculo XVII, a capela foi ampliada para a dimenso atual pela mo do padre Jo o Ribeiro de Oliveira, filho do capito Joo Ribeiro, estando ambos sepultados nesta capela. Diz a lenda que, em tempos remotos, toda esta rea estava coberta pelo mar. Um dia, quando um pescador saiu para o mar em busca de uma boa pescaria, abateu-se sobre ele uma enorme tempestade que levou sua embarcao deriva durante vrios dias. Colocado nesta situao complexa, que poderia lev-lo morte, o pescador fez uma promessa de que construiria uma capela no exato local onde atracasse caso voltasse so e salvo terra. Nesse momento surgiu-lhe uma estrela no cu, mostrando-lhe o caminho para casa. Assim, cumpriu a sua promessa e construiu a capela de Nossa Senhora da Estrela. Figura 6 : Vista do interior da Capela de Nossa Senhora da Estrela com detalhe ao local onde esto enterrados o padre Joo Ribeiro de Oliveira e seu pai, o capito Joo Ribeiro ( esquerda). direita, vista do alta. (Foto: Gustavo Medeiros)

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Forte, et al. Grutas, religio e cultos: exemplos de Portugal. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 178 Nossa Senhora da Lapa – Tomar Perto da cidade de Tomar, na freguesia de Alm-da-Ribeira, alm da Nossa Senhora da Lapa, existem tambm duas outras grutas com valor arqueolgico substancial. Em termos culturais, uma importantssima. No que concerne Nossa Senhora da Lapa, esta gruta conhecida desde 1892, quando foi mencionado em jornal local. Esta cavida de tem valor arqueolgico reconhecido, sendo que foram efetuadas inmeras escavaes, que tiveram incio em 1988. Foi identificado uma sepultura individual datada da Idade do Bronze alm de serem recuperados ossadas, conchas e variados tipos de cermicas. A lenda de Nossa Senhora da Lapa associada a esta gruta em particular, comprovada pela existncia de uma pequena capela, recentemente ampliada e transformada sem que a obra fosse sequer acompanhada por um especialista em arqueologia. O resultado disso foi a destruio de importantes vestgios arqueolgicos anteriores s edificaes. A lenda da Nossa Senhora da Lapa, na freguesia de Alm-da-Ribeira, teve o seu incio quando um pastor que andava por este local cheio de precipcios, descobriu uma cavidade, na qual o cho estava coberto por flores silvestres. Ao olhar em seu interior, viu uma imagem de Nossa Senhora que irradiava uma luz celestial. Logo que os habitantes das aldeias mais prximas souberam do acontecido e iniciaram a romaria. Com o passar dos anos e o crescimento do nmero de devotos, ergueu-se uma pequena capela em frente gruta onde tinha sido encontrada a imagem. Figura 7 : Vista da entrada da Lapa de Tomar (Foto: Carlos Ferreira) Nossa Senhora da Lapa – Soutelo A capela de Nossa Senhora da Lapa, situada na freguesia de Soutelo, perto da vila de Vieira do Minho, Norte de Portugal. O nico documento existente que nos relata a histria desta Lapa e da Nossa Senhora um documento escrito datado de 1851. Tal documento encontra-se emoldurado num quadro dentro da Lapa do Soutelo. Os idealizadores da capela foram Joo Gonalves e a sua esposa, a senhora Margarida da Silva, oriundos da freguesia de Santo Adrio de Soutelo, em 1694. Depois da capela ter sido erigida, a imagem de Nossa Senhora foi ali mantida e adorada com tal devoo que, em 1697, os peregrinos requereram Roma uma irmandade com jubileu perptuo. Apesar disso, em 1788, a imagem foi levada para a freguesi a de Outeiro, onde outra capela tinha sido edificada. O motivo da

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Forte, et al. Grutas, religio e cultos: exemplos de Portugal. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 179 transferncia seria o fato de que o local original era um lugar remoto e sujeito a profanao por parte de ladres. No lugar original foi construdo um pequeno muro ao redor da cavidade e foi colocada uma cruz no topo do enorme bloco grantico, mostrando desta forma que este local era sagrado e que desta forma no seria esquecido. Decorria o ano de 1805, quando Nossa Senhora da Lapa surgiu diante de uma pequena pastorinha, no local onde inicialmente a imagem tinha surgido. Sabendo do oc orrido, o pai da criana deslocou-se ao local a fim de constatar o ocorrido. Quando a sua filha apontou para o local da apario, l estava a Nossa Senhora novamente. Rapidamente a notcia da apario se espalhou pelas localidades mais prximas, iniciando as romarias no primeiro dia do ms de Junho. Em 1 de Junho de 1805 reuniram-se mais de quinhentas pessoas neste local. Dado o enorme fluxo de peregrinos, o abade Rodrigues Ramos ordenou a construo de um altar por debaixo do bloco gran tico onde a imagem de Nossa Senhora tinha surgido. Ordenou tambm que a rea em redor fosse convenientemente preparada de forma a receber o maior fluxo de peregrinos possvel. Mais tarde, a mando do abade Manuel Gonalves o altar passou por melhorias assim como a tribuna, enquanto que outr os arranjos posteriores foram feitos por Antnio Jos Rodrigues, entre outros. Hoje em dia, so muitos os que visitam esta bela regio onde se situa Soutelo e a sua bela capela, a qual est fechada a maior parte do tempo, abrindo apenas para algumas cerimnias religiosas. Figura 8: Vistas externas da Igreja de Nossa Senhora da Lapa, em Soutelo (Foto: Joo Forte) Figura 9 : Vistas do interior da Igreja de Nossa Senhora da Lapa, em Soutelo (Foto: Joo Forte)

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Forte, et al. Grutas, religio e cultos: exemplos de Portugal. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 180 A gruta do Natal no arquiplago dos Aores O arquiplago dos Aores constitudo por nove ilhas de origem vulcnica, fato que as torna um caso muito particular na temtica abordada pelo trabalho, no que concerne ao caso portugus. Este arquiplago tem mais de duzentas e cinqenta cavidades conhecidas, entre grutas vulcnicas, algares ou grutas de eroso. As primeiras cavidades vulcnicas a serem observadas nestas ilhas pe los primeiros colonos, foram alguns tubos de lava, pelas cavidades criadas pela eroso marinha e pela atividade ssmica, muito presente neste arquiplago. Outras grutas foram descobertas quando do colapso do teto dos tubos de lava, bem como aquelas criadas atravs da passagem da lava. A mentalidade mais conservadora dos primeiros colonos favoreceu um distanciamento com as cavernas da regio, vistas como locais obscuros e a ltima opo de entrada por parte das pessoas. Passada esta fase de temor, as cavernas comearam a adquirir alguma importncia na sociedade, principalmente quanto aos aspectos de permitirem se transformar em abrigo, locais de depsito de materiais do dia-a-dia e abastecimento de gua, por exemplo. Menos correto era o uso desses locais para despejo de lixo. Mais tarde, tais locais passaram a ter significado religioso. A gruta mais conhecida no arquiplago dos Aores a Gruta do Natal, na ilha Terceira, com 697 metros de extenso. Inicialmente chamava-se “galeria negra” e mais tarde “gruta do cavalo ”, j que haviam sido encontradas ossadas desse animal em seu interior. Em 1969, arcebispo de Goa, D.Jos Vieira Alvernaz a batizou com o nome atual. A primeira cerimnia religiosa numa ilha vulcnica em Portugal, ocorreu na Gruta do Natal, em 25 de Dezembro de 1969. Cerca de 500 fiis estiveram presentes. Para que a reunio ocorresse, foi aberta uma estrada de acesso gruta, bem como o respectivo parque de estacionamento, alm da construo de escadas de madeira dentro da gruta, um altar e uma cruz. Um ano mais tarde ocorreu outra missa, onde foram colocadas uma srie de rvores de natal iluminadas ao longo da gruta, sendo que nesta cerimnia estiveram presentes mais de 700 pessoas. Figura 10 : Vistas do interior da Gruta do Natal em Missa celebrada em 1971 (Foto: Os Montanheiros) Tambm na Gruta do Natal, em 1971, ocorreu a primeira cerimnia de batismo da regio, sendo que outra s foi realizada em 1983. Em 2003, a gruta foi o cenrio do primeiro casamento “subterrneo” de Portugal. Outra caverna muito conhecida no arquiplago dos Aores a Gruta dos Montanheiros. Localizada na ilha do Pico, abrigou em 1971, uma cerimnia religiosa organizada por uma associao de espelelogos.

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Forte, et al. Grutas, religio e cultos: exemplos de Portugal. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 181 So conhecidos outros eventos ocasionais em outras cavidades da regio, mas apenas pessoas locais tm conhecimento delas. No so sequer referenciadas em jornai s locais, dificultando em muito sua divulgao. Figura 11 : Cerimnia de batizado na Gruta do Natal em 1971 (Foto: Os Montanheiros) Figura 12 : Cerimnia de casamento na Gruta do Natal em 2003. Primeiro registro oficial de tal cerimnia em uma caverna portuguesa (Foto: Margarida Quinteiro)

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Forte, et al. Grutas, religio e cultos: exemplos de Portugal. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 182 Consideraes finais Apesar de Portugal ser um pas de reduzida dimenso, quando comparado a outros, um pas onde a diversidade paisagstica e cultural uma das principais caractersticas observadas. Existem ainda outros inmeros registros de grutas ou outras cavidades relacionadas com cerimnias religiosas, mas pouca informao a respeito. Esta temtica, extrem amente nova, deve ser discutida por especialistas portugueses, pois apresenta um potencial ainda pouco explorado no s por cientistas e espelelogos, mas tambm pelo publico leigo interessado por esta temtica. Acredita-se que uma boa oportunidade de se aproximar o cidado cincia uma vez que se refere s relaes entre a natureza humana e os aspectos geolgicos e geomorfolgicos de uma regio. Ao aproximarmos os indivduos cincia, acreditamos que a cincia espeleolgica possa novamente despertar o interesse da sociedade em Portugal para seu desenvolvimento. Estudar a ligao entre as cavernas e religio apenas mais uma das muitas formas de desenvolvimento social e cientfico. Agradecimentos Os autores gostariam de agradecer ao senhor Jos Carlos Barros Vieira, de Soutelo e tambm senhora Matilde, da aldeia dos Poios. Aos amigos do CEPPRT Centro de Estudos e Proteco do Patrimnio da Regio de Tomar, nosso reconhecimento pelo auxlio na elaborao do trabalho. Referncias Bibliogrficas Amorim, J. 2006. Nossa Senhora da Lapa : Sntese histrica de uma devoo multissecular. Santurio da Lapa: Viseu. Caetano, M. 2001. Santurio de Nossa Senhora da Estrela Comisso Fabriqueira de Redinha: Pombal, 2001. Cavidades vulcnicas dos Aores/Azores volcanic ca ves. 2002. GESPEA. Direco Regional do Ambiente. Cunha, L. 1990. As Serras Calcrias de Condeixa-Sic-Alvaizere Instituto Nacional de Investigao Cientfica: Coimbra. Jornal Ecos de Tomar, Tomar, 29 de Janeiro de 1925. Jornal A Unio. Edies de 19 e 27 de Dezembro de 1969; 6 de Janeiro de 1970; 8 de Junho de 1971; 27 de Dezembro de 1971 e 22 de Dezembro de 2001. Pessoas e Lugares. 2006. Jornal de Animao da Rede Portuguesa LEADER +. II Srie, n.38. Revista Pingo de Lava. 1993. Edio n 23 dos Mont anheiros/Sociedade de Explorao Espeleolgica. Revista Pingo de Lava. 1995. Edio n 31 dos Mont anheiros/Sociedade de Explorao Espeleolgica. Fluxo editorial : Recebido em: 11.11.2008 Enviado para avaliao em: 12.11.2008 Aprovado em: 10.12.2008 A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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RELATO: Price. A speleotourism in peninsular Malaysia Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 183 Relatos de Experincias A SPELEOTOURISM IN PE NINSULAR MALAYSIA Liz Price1 IUCN/WCPA Working Group on Cave and Karst Protection lizprice@hotmail.com Malaysia has some of the biggest and longest caves in the world, some caves are archaeological sites, others are beautiful with stunning stalagmites and stalactites, and maybe underground rivers. Some caves are home to a wide variety of cave fauna such as bats, swiftlets, snakes, and invertebrates. The caves in the Gunung Mulu National Park, Sarawak, are internati onally known. Mulu was inscribed as a World Heritage site in 2001. Some of the caves there are world record holders, such as Gua Nasib Bagus, which houses the world's largest chamber, Sarawak Chamber. Clearwater Cave is currently 11th longest in the world, at 151 km. Deer Cave is one of the world's largest cave passages. Niah Caves, also in Sarawak, is a famous archaeological site, where a 40,000 year old human skull was found and rock paintings that have been dated at 1200 years old. Sabah has caves well known for their birdsÂ’ nest industry, Gua Gomantong being the most famous. Malaysia is divided into two parts, the peninsula, and east Malaysia which is situated on the island of Borneo. Sabah a nd Sarawak are in Borneo. In the peninsula, the caves are smaller, especially in length, compared to those in east Malaysia. The peninsula lies at the end of the southeast Asian mainland and the limestone mostly occurs as steep tropical karst towers rising from the valley floor. The last major outcrop of limestone is the Batu Caves, a famous hill located outside the capital of Kuala Lumpur. It is estimated that only one third of the surface of the peninsula is limestone. In Peninsular Malaysia there are very few show caves open to the public. Speleotourism is not a common concept, and recreational caving is not a popular pastime. There are very few cavers in Malaysia. The best known show cave is Gua Tempurung in Perak. It is located in the Kinta Valley south of Ipoh. The Kinta Valley extends about 20 kilometres both north and south of Ipoh and some 47 steep isolated hills, mostly of Permian limestone, rise precipitously from the valley floor to over 600m. Gua Tempurung is a fine river cave with some large chambers, and was opened as a show cave around 10 years ago. It has suffered from lack of care and maintenance since being handed over to local authorities to manage. Another well known show cave is Gua Kelam in Perlis near the Thai border. The cave is a 370m long tunnel through a hill. In 1935 a wooden suspension bridge was built through the cave, to allow tin miners to transport the ore. This walkway has since been used by pedestrians and motorcyclists to avoid the long detour up and over the hills. In later years the cave was fitted with electric lighting and turned into a tourist attraction. Other caves in this area have been mined for tin and still contain many relics left by miners. Attempts have been made to turn one cave into a tourist attraction. Other caves in the country, generally located in forest reserves and state parks, are used for adventure caving activities. Some have been fitted with walkways and lighting. Architectural tourism, and paleontological tourism relating to caves is a possibility that has not been developed. Many caves are known archaeological sites. In Kelantan there are a group of caves along the Nenggiri River where artifacts dating from the Hoabinhian and Neolithic periods have been found. The Lenggong Valley in Perak has revealed the oldest complete human skeleton found, dated around 11,000 years. These bones, called Perak Man, were found in a cave. Perak Woman was found more recently and dated ar ound 8000 years. Several other caves have revealed stone tools and jewellery. In the same area, but not in a cave, a stone workshop was discovered and thought to be 74,000 years old. Nearby Bukit Jawa has been dated at around 200,000 years which makes it one of MalaysiaÂ’s oldest Paleolithic sites. The Lenggong Valley is an important area and could be the first human settlement in Malaysia. A museum was opened in Lenggong to display the archaeological information. Also in Perak are the rock paintings of Gua Tambun. These Neolithic paintings are about 2000 years old, and the oldest known in Malaysia. They

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RELATO: Price. A speleotourism in peninsular Malaysia Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 184 were discovered in 1959 and feature some 25-30 haematite drawings of animals. Although a tourist signboard was erected some decades ago, no attempt has been made to preserve the paintings, which are exposed to the elements. The need for protection often occurs in the media, but still nothing is done. Again in Perak, in Gua Naga Mas, is a unique example of paleofauna. A fossil of a mammal is embedded in the cave wall. Found in 1992 no real tests have been done, but the fossil is thought to be a leopard or some other cat, and may date back to the Pleistocene, 1.8 million to 10,000 years BP. The Department of Museums and Antiquities erected a signboard at the base of the steps leading to the cave but now the place is totally overgrown and the sign has gone. Also pieces of the fossil have been removed, presumably for use in magic. Nothing has been done to protect the fossil. Cave temples are found in many places in Peninsular Malaysia. Batu Caves is a famous Hindu temple where the annual Thaipusam festival is held, which attracts almost one million devotees and visitors. Around the city of Ipoh are many cave temples. Some are more than 100 years old and have some intricate murals painted on the cave walls. In others, the cave walls have turned black from the decades of burning incense sticks. A few of these older temples have some interesting wooden structures built onto the cliff face and into the caves. Nothing is being done to preserve these, instead people prefer to build a new temple in front, and to cover up or destroy the old wooden historical frameworks. And many of the older temples seem to be loosing their appeal. More caves and rock shelters are being converted into new temples, and the latest trend seems to be Thai style cave temples. Maybe the old gods of the Taoist, Buddhist and Chinese beliefs have become less attractive. A lot of money is put into cave temples. Some caves are developed for tourism, but often are not well maintained. But little is done to save some sites that have archaeological or paleontological interest. In Malaysia archaeology can sometimes be a sensitive issue due to the religion and culture. Therefore some sites are not really recognised as being important. It is a great pity when such natural treasures are not recognised and could disappear over time. Foto 1 : Limestone hills in Perlis

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RELATO: Price. A speleotourism in peninsular Malaysia Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 185 Foto 2 : Naga Mas fossil Foto 3 : Nam Loong Ngam temple, Perak

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RELATO: Price. A speleotourism in peninsular Malaysia Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 186 Foto 4 : Nam Thean Tong temple, Perak Foto 5 : Painting in cave temple

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RELATO: Price. A speleotourism in peninsular Malaysia Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 187 Foto 6 : Racer eating a bat Foto 7 : Rubbish in Gua Tempurung show cave Fluxo editorial : Recebido em: 28.10.2008 Aprovado em: 31.10.2008 A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp 1 Vicechair, IUCN/WCPA Working Group on Cave and Karst Protection. Collabo rator for Malaysian input to UIS Speleological Abstracts.

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008.

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RESUMO: Lobo. O lado escuro do paraso: espeleot urismo na Serra da Bodoquena, MS Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 189 Resumos de Teses e Dissertaes O LADO ESCURO DO PARASO: ESPELEOTURISMO NA SERRA DA BODOQUENA, MS THE DARK SIDE OF THE SPELEOTOURISTIC PARADISE IN THE SERRA DA BODOQUENA, MS Heros Augusto Santos Lobo Resumo O presente trabalho apresenta uma anlise da apr opriao do patrimnio espeleolgico da Serra da Bodoquena pelo turismo, abrangendo sua estrutura e pr oduo, sob o enfoque do iderio de ecoturismo e turismo sustentvel. As bases tericas para a constru o da pesquisa se iniciaram na gnese do turismo a nvel mundial e nacional, bem como de sua apropri ao da concepo de paraso intocado. Em seguida, foram consideradas as especificidades do espeleotu rismo, levando em conta as diversas dimenses do patrimnio espeleolgico enquanto pr odutoras de identidades e territoria lidades tursticas distintas. Foram tambm apontados os impa ctos ambientais negativos do espeleoturi smo e algumas de suas possibilidades de manejo. Tais premissas foram consideradas nas pesquisas de campo, executadas de forma a permitir a anlise do espeleoturismo praticado na Serra da Bodoq uena. O trabalho de campo possibilitou tambm a identificao das relaes ex istentes entre as formas de produo do turismo e os preceitos de ecoturismo, turismo sustentvel e espeleoturismo na rea pesqui sada. Como concluses, a pontam-se dois caminhos que contribuem para a conciliao entre a produo do espe leoturismo e a conservao ambiental do patrimnio espeleolgico na Serra da Bodoquena: o da tcnica e o da emoo. Pela vertente t cnica, foram apresentadas propostas que permitem a ampliao e a conso lidao efetivas do espeleoturismo e toda sua representatividade metodolgica e conceitual. Quanto emoo, sugere-se que as sensaes geradas durante o processo de visitao espeleoturstica sejam ampliad as ao mximo, utilizando para tanto os elementos do imaginrio das cavidades naturais dur ante a experincia turstica. Palavras-Chave: Ecoturismo; Espeleoturismo; Territorialidad e Turstica; Conservao da Natureza. Orientador: Prof. Dr. Edvaldo Cesar Moretti. Abstract This thesis presents an analysis of the exploitation of th e speleological patrimony of the Serra da Bodoquena in relation to ecotourism and sustainable tourism. The research is based on the development of tourism of a national and international nature, as well as the use of the concept of untouched paradise. The specificities of speleotourism are considered, including the various di mensions of the speleological patrimony in relation to identity and the issue of territorial rights. Nega tive impacts of speleotourism on the environment are identified, and some of the possibilities for managing these are discussed. In the field, the speleotourism practiced in the Serra da Bodoquena was analyzed; this research revealed the relati ons which exist between the kind of tourism and concepts and beliefs from the poi nt of view of ecotourism, sustainable tourism, and speleotourism. In conclusion, two paths are iden tified which can help in reconciling the practice of speleotourism with the conservation of the speleol ogical and environmental patrimony of the Serra da Bodoquena: techniques and emotion. In relation to techniques, proposals are presented to permit an increase in speleotourism, as well as the effective definition of concepts and methodology. In relation to emotion, it is suggested that the sensations and thr ills potentially inherent in visiting caves be enhanced as much as possible, including the exploitation of the imaginario involving natural cavities. Key-Words: Ecotourism; Speleotourism; Touris t Territory; NatureÂ’s Conservation. Advisor: Prof. Dr. Edvaldo Cesar Moretti.

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RESUMO: Lobo. O lado escuro do paraso: espeleot urismo na Serra da Bodoquena, MS Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 190 Referncia LOBO, Heros Augusto Santos. O lado escuro do paraso : espeleoturismo na Serra da Bodoquena. Aquidauana: UFMS, 2006. Dissertao (Mestrado em Geografia), Departamento de Geocincias, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. 2006. A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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RESUMO: Rasteiro. Caractersticas, prticas e motivaes dos visitantes de cavernas Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, 1(2), 2008. 191 Resumos de Teses e Dissertaes CARACTERSTICAS, PRTICAS E MO TIVA'ES DOS VISITANTES DE CAVERNAS CHARACTERISTICS, MOTIVES AND ACTIVITIES OF VISITORS TO CAVES Marcelo Augusto Rasteiro Resumo O presente trabalho traz como assunto a visitao de cavernas, motivado pela presente tendncia de regulamentao destas atividades e enquadramento dos visitantes em classificaes inadequadas que no levam em considerao a diversidade de caractersticas, motivaes e necessidades dos visitantes. Para tanto o trabalho se desenvolve atravs da investigao histrica do relacionamento homem x caverna, na experincia pessoal do autor e em pe squisa semi-estruturada com visitant es da atualidade, caracterizando-os e analisando criticamente as motivaes encontradas (n atureza, aventura e conhecimento) e as praticas desenvolvidas nestes ambientes. Palavras-Chave: Ecoturismo, espeleologia, espeleismo, cavernas, visitao, motivao. Orientador: Prof. Me. Fbio Alberti Cascino. Abstract The present paper is concerned with the question of cave visitation, motivated by the present-day tendency to regulate these activities, but to classify the visitors inadequately due to a failure to consider the diversity of characteristics, motives, and needs of these visitors. Th e paper furnishes a historical view of the relationship between man and caves, and provides a classification of present-day visitors and their reasons for visiting such environments (nature, adventure, and knowledg e), as well as the activities developed, based on semistructured interviews. Key-Words: Ecotourism, speleology, caving, caves, visitation [or caves], motivation. Advisor: Prof. Msc. Fbio Alberti Cascino. Referncia RASTEIRO, Marcelo Augusto. Caractersticas, prticas e motivaes dos visitantes de guas de So Pedro: Senac-ASP, 2004. Trabalho de Concluso de Curso (Especializao em Ecoturismo), Faculdade Senac de Turismo e Hotela ria de guas de So Pedro. 2004. A Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologi a (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp


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