SBE Turismo e Paisagens Cársticas

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SBE Turismo e Paisagens Cársticas

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Title:
SBE Turismo e Paisagens Cársticas
Series Title:
Tourism and Karst Areas
Alternate Title:
Revista Científica da Seção de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publisher:
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Genre:
serial ( sobekcm )

Notes

General Note:
Capa, Expediente, Sumário e Editorial ARTIGOS ORIGINAISSugestão de Inventário e SIG Turísticos Para o Município de Mambaí-GO Suggestion of Inventory and GIS Tourist Municipality of Mambaí-GO Laíze Leite Vieira Lanny Markes Leite Vieira Zoneamento Ambiental Espeleológico (ZAE): Aproximação Teórica e Delimitação Metodológica Environmental Zoning of Caves: Theoretical Approach and Methodological Delimitation Heros Augusto Santos Lobo Investigação do Potencial Para o Espeleoturismo na Região da Serra do Iuiu - BA Investigation of the Potential for Speleotourism in the Region of Iuiu - BA Diana Michelle da Silva DADOS DO VOLUME 2(Balanço 2009) Sumário de títulos; Índice de assuntos; Índice de autores; Quadro de avaliadores; Gestão editorial
Restriction:
Open Access - Permission by Publisher
Original Version:
Vol. 2, no. 2 (2009)
General Note:
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Source Institution:
University of South Florida Library
Holding Location:
University of South Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
K26-03699 ( USFLDC DOI )
k26.3699 ( USFLDC Handle )
8813 ( karstportal - original NodeID )
1983-473X ( ISSN )

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Capa, Expediente,
Sumrio e Editorial
ARTIGOS ORIGINAISSugesto de Inventrio e SIG Tursticos
Para o Municpio de Mamba-GO Suggestion of Inventory and GIS
Tourist Municipality of Mamba-GO Laze Leite Vieira &
Lanny Markes Leite Vieira Zoneamento Ambiental Espeleolgico
(ZAE): Aproximao Terica e Delimitao Metodolgica
Environmental Zoning of Caves: Theoretical Approach and
Methodological Delimitation Heros Augusto Santos Lobo
Investigao do Potencial Para o Espeleoturismo na Regio da
Serra do Iuiu BA Investigation of the Potential for
Speleotourism in the Region of Iuiu BA Diana Michelle da
Silva
DADOS DO VOLUME 2(Balano 2009) Sumrio de ttulos;
ndice de assuntos; ndice de autores; Quadro de avaliadores;
Gesto editorial



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Sugesto de Inventrio e SIG T ursticos Para o Municpio de Mamba-GO Laze Leite V ieira & Lanny Markes Leite V ieira Zoneamento Ambient al Espeleolgico (ZAE): Aproximao T erica e Delimit ao Metodolgica Heros Augusto Santos Lobo Investigao do Potencial Para o Espeleoturismo na Regio da Serra do Iuiu – BA Diana Michelle da Silva Artigos Originais R www .sbe.com.br/turismo.asp ISSN 1983-473X V olume 2 Nmero 2 Dezembro 2009 Map a T urstico da AP A das Nascentes do Rio V ermelho com indicao dos princip ais atrativos tursticos identificados pelo inventrio V ieira & V ieira

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 200 9

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9. 97 EXPEDIENTE Sociedade Brasileira de Espeleologia ( Brazilian Society of Speleology ) Diretoria 2009 2011 Presidente: Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Vice presidente: Ronaldo Lucrcio Sarmento Tesoureira: Delci Kimie Ishida 1 Secretrio: Luiz Eduardo Pani sset Travassos 2 Secretrio: Pvel nio Carrijo Rodrigues Conselho Deliberativo 2009 2011 Rogrio Henry B. Magalhes (Presidente) Heros Augusto Santos Lobo Carlos Leonardo B Giunco Angelo Spoladore Thiago Faleiros Santos Suplentes Paulo Rodrigo Simes E merson Gomes Pedro Seo de Espeleoturismo – SeTur/SBE Cesar Ulisses Vieira Verssimo rica Nunes (Comisso de Espeleo incluso) Heros Augusto Santos Lobo (Coordenador) Jos Antonio Basso Scaleante Jos Ayrton Labegallini Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Mar celo Augusto Rasteiro Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas ( Research in Tourism and Karst Areas ) Editor Chefe ( Editor in Chief ) MSc. Heros Augusto Santos Lobo Universidade Estadual Paulista “Jlio de Mesquita Filho” – IGCE/UNESP, Brasil Editor As sociado ( Associated Editor ) Dr. Cesar Ulisses Vieira Verssimo Universidade Federal do Cear – UFC, Brasil Editor Executivo ( Executive Editor ) Esp. Marcelo Augusto Rasteiro Sociedade Brasileira de Espeleologia – SBE, Brasil

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9. 98 Conselho Editorial ( Editorial Board ) Dr. Andrej Aleksej Kranjc Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Angel Fernndes Corts Universidad de Alicante, UA, Espanha Dr. Arrigo A. Cigna Interntional Union of Speleology / Interntional Show Caves Association, Itlia Dr. Edvaldo Cesar Moretti Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD, Brasil Dr. Jos Alexandre de Jesus Perinotto Universidade Estadual Paulista “Jlio de Mesquita Filho” – IGCE/UNESP, Brasil MSc. Jos Antonio Basso Scaleante Sociedade Brasileira de Espeleologia S BE, Brasil MSc. Jos Ayrton Labegalini Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil Dra. Linda Gentry El Dash Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Brasil MSc. Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Centro Universitrio Fundao Santo Andr – FSA, B rasil MSc. Luiz Eduardo Panisset Travassos Faculdade Promove/Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais – PUC/MG, Brasil Dr. Marconi Souza Silva Faculdade Presbiteriana Gammon – Fagammon/Centro Universitrio de Lavras – UNILAVRAS, Brasil Dr. Marco s Antonio Leite do Nascimento Universidade Federal do Rio Grande do Norte DG/UFRN, Brasil Dra. Natasa Ravbar Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Paolo Forti Universit di Bologna, Itlia Dr. Paulo Cesar Boggiani Universidade de So Paulo – IGc/USP Brasil Dr. Paulo dos Santos Pires Universidade Vale do Itaja – UNIVALI, Brasil Dr Ricardo Jos Calembo Marra Centro Nacional de Estudo, Proteo e Manejo de Cavernas – I CMBio/CECAV Brasil Dr. Ricardo Ricci Uvinha Universidade de So Paulo – EACH/US P, Brasil Dr. Srgio Domingos de Oliveira Universidade Estadual Paulista “Jlio de Mesquita Filho” – UNESP/Rosana, Brasil Dr. Tadej Slabe Karst Research Institute, Eslovnia Dra. rsula Ruchkys de Azevedo CREA MG, Brasil Dr. William Sallun Filho Instit uto Geolgico do Estado de So Paulo – IG, Brasil Dr. Zysman Neiman Universidade Federal de So Carlos – UFSCAR, Brasil Comisso de T raduo ( Translation Committee ) Dra. Linda Gentry El Dash – Ingls

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 2008 99 SUMRIO (CONTENTS) Editorial 100 ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES Sugesto de Inventrio e SIG Tursticos Para o Municpio de Mamba GO Suggestion of Inventory and GIS Tourist Municipality of Mamba GO Laze Leite Vieira & Lanny Markes Leite Vieira 101 Zoneamento Ambiental Espeleolgico (Z AE): Aproximao Terica e Delimitao Metodolgica Environmental Zoning of Caves: Theoretical Approach and Methodological Delimitation Heros Augusto Santos Lobo 1 13 Investigao do Potencial Para o Espeleoturismo na Regio da Serra do Iuiu – BA Investig ation of the Potential for Speleotourism in the Region of Iuiu – BA Diana Michelle da Silva 1 31 Dados do Volume 2 139

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 2008 100 EDITORIAL Eis mais uma edio da revista Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas, uma pub licao feita por espelelogos, turismlo gos e outros pesquisadores, de forma voluntria, com grande empenho e qualidade, visando ampliar e registrar o conhecimento sobre o espeleoturismo. Com est e j so quatro nmeros publicado s e seguimos trabalhando para ampliar o volume de trabalhos de qual idade, alm de manter a periodicidade semestral. Neste nmero so trs trabalhos, dois voltados ao levantamento de atrativo s mas com abordagens diferentes, e um dedicado ao zoneamento de cavernas para o uso pblico O trabalho de Vieira & Vieira, faz um i nventrio dos atrativos e equipamentos tursticos da regio crstica de Mamba, no nordeste do estado de Gois, uma regio ainda pouco explorada para o turismo, mas de grande potencial e que, com os dados e indicaes levantadas neste trabalho, pode implem entar a atividade visando compatibilizar a conservao do patrimnio espeleolgico e o desenvolvimento scio econmico. O destaque especial a utilizao de Sistema de Informaes Geogrficas (SIG) no trabalho, uma importante ferramenta na documentao do s atrativos e no planejamento do turismo. O trabalho de Lobo apresenta o uma ferramenta inovadora para o Zoneamento Ambiental de Espeleolgico (ZAE), adaptando conceitos e mtodos utilizados em outros ambientes alm de propor novas abordagens, para seu us o com cavernas, permitindo a incorporao de distintos aspectos nas tomadas de deciso inerentes ao manejo de cavernas. O trabalho de Silva traz um levantamento investigativo do potencial turstico da Serra do Iuiu, no noroeste da Bahia, apresentando fei es c rsticas e stios arqueolgicos identificados em atividades de campo da Sociedade Excursionista e Espeleolgica (SEE). Uma importante contribuio do grupo de espeleologia e do turismlogo na documentao dos atrativos da regio. No final deste nmero h um balano editorial para o ano de 2009, mostrando o crescimento qualitativo da revista e o mais importante o crescimento no volume de acessos Entre edi es complet as e artigos, s em 2009 foram mais de 15.000 downloads isso sem contar a (re)dist ribuio da revista por e mail, como anexo De nada adiantaria todo o esforo de publicao, sem o retorno mais importante, o dos leitores e o volume de acessos mostra que e stamos no caminho c erto. Em nome de todos envolvidos com a revista, renovo o convi te aos pesquisadores para que submetam seus trabalhos e nos ajude a ampliar o conhecimento sobre o turismo em paisagens crsticas! Marcelo Augusto Rasteiro E ditor Executivo A Pesquisa s em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Esp eleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 101 SUGESTO DE INVENTRIO E SIG TURSTICOS PARA O MUNICPIO DE MAMBA GO 1 SUGGESTION OF INVENTORY AND GIS TOURIST MUNICIPALITY OF MAMBA GO Laze Leite Vieira 2 & Lanny Markes Leite Vieira 3 C entro Federal de Educao Tecnolgica de Gois – CEFET GO Goinia GO laizeturismo@gmail.com Resumo Uma das atividades econmicas mais rentveis atualmente, o Turismo cria destinos que podem crescer pela demanda de visitantes, desconsiderando o planejamento da atividade. E ntretanto, se bem planejado, ele gera benefcios para as localidades. Este estudo contribui com o desenvolvimento do turismo no municpio de Mamba GO, atravs da aplicao de ferramentas do planejamento turstico e geoprocessamento inventrio e Sistema de Informaes Geogrficas (SIG) produtos que identificam atrativos tursticos, permitem a visualizao do espao territorial e orientam a tomada de decises. A escolha do municpio ocorreu por desejarmos propor alternativas de desenvolvimento para a Reg io Nordeste do Estado de Gois. Outro aspecto relevante foi a presena de recursos naturais viveis ao Turismo Sustentvel, contrastando o cenrio de degradao do Cerrado. Durante a pesquisa, foi necessrio incorporar elementos de escalas que extrapolava m os limites municipais, dada a impossibilidade de negligenciar aspectos regionais no Turismo. O inventrio facilita o acesso a informaes dos atrativos locais, sendo fundamental nos planejamentos em turismo. Os dados registrados neste estudo no so fim em si mesmos, mas incentivam o desenvolvimento de novas alternativas em turismo, colaborando na divulgao das potencialidades do Nordeste Goiano, por meio de ferramentas viveis ao desenvolvimento scio econmico e cultural do municpio de Mamba Palavr as Chave: Inventrio turstico; Geoprocessamento; SIG; Mamba Abstract One of the most profitable economic activities nowadays, the Tourism creates destinations that can grow up by the demand of visitors, disregarding the planning of the activity. However if well planned, the Tourism generates benefits to the localities. This study contributes to the development of tourism in the municipality of Mamba GO through the application of the touristic planning tools and geoprocessing inventory and Geographic Information System (GIS) products that identify touristic attractive, allowing the visualization of the territorial space and guiding the decision making. The choice of the municipality occurred because we wanted to propose alternative development for th e Northeast Region of the State of Gois Another relevant aspect was the presence of natural resources viable to sustainable tourism, contrasting with the scenario of degradation of the Cerrado. During the search, it was necessary to incorporate elements o f scales that go beyond the municipal limits, given the impossibility of neglecting the regional aspects of tourism. The inventory facilitates access to information of the attractive local and is essential in the planning of the tourism. The data recorded in this study are not end in themselves, but they encourage the development of new opportunities in tourism, collaborating in the dissemination potential of Northeast Goiano, through viable tools to the development socio economic and cultural of the city o f Mamba K ey Words: Tourist Inventory; Geoprocessing; GIS; Mamba Introduo Ramo do conhecimento relativamente novo, o turismo tambm um fenmeno scio espacial, alm de uma atividade econmica entendida como uma das mais rentveis atualmente, fato e xplicado pelos extraordinrios nmeros relativos aos aspectos econmico financeiros que apresenta em todo o mundo. Mas, uma observao mais acurada mostra que os nmeros proporcionados pelo turismo escondem dados importantes quanto interao entre o tur ista e o local visitado. A exemplo, temos o grande nmero de destinos tursticos crescendo unicamente pela demanda de visitantes, sem que sejam levados em considerao aspectos voltados para o planejamento dessa atividade.

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 102 O oposto deste cenrio mostra que o turismo planejado pode gerar grandes benefcios para o desenvolvimento de uma localidade. Diante disso, deparamo nos com a necessidade de contribuir com o desenvolvimento do turismo em Gois, especialmente na regio Nordeste do Estado, uma das regies m ais isoladas das iniciativas governamentais. A populao do Nordeste Goiano aposta no turismo como alternativa para o desenvolvimento da regio, conforme dados da pesquisa SERPES publicados na Agenda Gois – Regio Nordeste 2005 e divulgados no jornal O P opular, de 07 de julho de 2005, que mostravam que 28% dos moradores do Nordeste Goiano apostam no ecoturismo como caminho para o futuro, ao passo que 15% acreditam na indstria e 10% acreditam na agricultura. Um outro aspecto relevante, publicado no cadern o Cerrado – A Fraude das Reservas Legais, do jornal O Popular de 04 de setembro de 2005, mostra um cenrio preocupante quanto degradao do cerrado goiano, informando que 52% dos municpios de Gois tm hoje menos de 19% de reas de Cerrado nativo prese rvado. Segundo a reportagem, os trinta municpios com menor IDH esto no Norte e Nordeste do Estado, onde ainda h 80% da cobertura vegetal nativa. O desenvolvimento da atividade turstica planejada e sustentvel pode apresentar se como um caminho para a m anuteno do Cerrado existente na regio Nordeste. Diante disso, escolhemos a regio da APA das Nascentes do Rio Vermelho e, mais especificamente, o municpio de Mamba, como campo de pesquisa, dada sua realidade econmico social e a presena de recursos n aturais viveis ao desenvolvimento do Turismo Sustentvel. Essa variedade de recursos naturais nos levou a propor a elaborao de um inventrio turstico que identifica as potencialidades do municpio, facilitando o acesso a informaes sobre os atrativos e contribuindo com a elaborao de atividades planejadas em turismo. No intuito de enriquecer o trabalho, elaboramos tambm um mapeamento turstico dos atrativos identificados e a estruturao de um Sistema de Informaes Geogrficas SIG, elaborado atra vs da aplicao de tecnologias de Geoprocessamento, rea do conhecimento que identifica situaes envolvendo o espao territorial, disponibilizando informaes georreferenciadas por meio de produtos cartogrficos da rea estudada. Mamba situa se a norde ste da capital do Estado, Goinia, distando aproximadamente 509 km desta e a 301 km a nordeste da capital do pas, Braslia, dois grandes emissores de turistas do Centro Oeste brasileiro, sendo ligada s duas capitais pela BR – 020. Sua sede est situada pel as coordenadas geogrficas 14 29’ 16”S e 46 06’ 47” W. O acesso a Mamba d se pelas BR 060, BR 020, GO 108 e GO 236. Metodologia Foi realizada com base em pressupostos metodolgicos de Magalhes (2002) que sugere um mtodo que consiste na realizao d e trs fases bem definidas e indispensveis ao municpio que apresenta potencialidade para o desenvolvimento da atividade turstica sustentvel, baseada em princpios de planejamento. Essas fases so: Conhecimento dos aspectos formadores do espao do munic pio, realizada por meio de pesquisas sobre os dados histricos, econmicos, sociais e ambientais, com vistas a respeitar a organizao territorial e determinar a atratividade local; Organizao do espao em parceria com a populao e o poder pblico para elaborao de diagnstico que identificar as caractersticas do local para posteriores propostas; Organizao de roteiros e trilhas e mapa turstico, para permitir a visualizao espacial dos atributos tursticos locais. O Inventrio Turstico, proposto n este estudo, parte da segunda fase desta proposta metodolgica e consiste em “uma lista detalhada de todas as estruturas, servios, equipamentos e atrativos relacionados rea de interesse do planejamento turstico” Stigliano & Csar (2005:05). As ativi dades realizadas para ele, basearam se no preenchimento de fichas que levantaram as especificidades dos atrativos, das manifestaes populares, bem como dos servios disponveis, permitindo aos pesquisadores e aos moradores conhecer e valorizar as riquezas encontradas. A terceira fase da proposta de Magalhes traz como objetivo principal a elaborao de um produto que permita visualizar espacialmente os atrativos. Para isso, a autora sugere a criao de roteiros e trilhas distribudos em um mapa turstico. Entretanto, durante a pesquisa, nos deparamos com fatores que inviabilizavam a criao destes roteiros e trilhas. O principal deles consiste no fato de que as trilhas de acesso aos locais – construdas pelos moradores que exploram esses atrativos – tm al to grau de dificuldade e esto sendo estudadas formas de substitu las ou facilit las. Existindo ento uma forte tendncia de mudana na configurao dos acessos existentes, entendemos que no seria cabvel neste momento, aplicar integralmente esta fase d a

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 103 proposta da autora, considerando ainda o fato de no termos conhecimentos amplos de todos os potenciais atrativos da regio. Desse modo, adaptamos esta fase, permanecendo a sugesto de Magalhes para o mapa, acrescida da elaborao de um Sistema de Infor maes Geogrficas – SIG, voltado para os aspectos tursticos do municpio. Estes documentos foram construdos a partir da base cartogrfica em arquivos shapefile, fornecida pelo Sistema Estadual de Estatstica e de Informaes Geogrficas do Estado de Goi s, SIEG GO, locao de informaes e atrativos tursticos em campo, com uso de GPS Garmim Etrex, posterior georreferenciamento e interpretao de imagens do satlite CBERS 2, Sensor CCD, Bandas 2 (azul), 3 (vermelho) e 4 (verde), para edio e digitaliz ao sobre a imagem, gerando vetores (linhas, polgonos e pontos) com coordenadas conhecidas. O software utilizado para processamento destes dados foi o ArcView 3.2, que, segundo Ferreira, “se caracteriza por possuir uma interface fcil de usar e em pouco tempo, mesmo um usurio com pouca experincia em Geoprocessamento, pode utiliz lo sem maiores problemas” (s/d: 12). Para elaborar os produtos citados foram utilizadas as seguintes extenses do software ArcView 3.2: Projection Utility Wizard; Arc Topology Administrator; Geoprocessing; Graticules and measured Grids; JPEG (JFIF) Image Support; Image Analisys; Hotpotato e X Tools 6/1/01. As extenses citadas contriburam para o processo de criao, digitalizao e edio das seguintes layers (camadas), em esca las de projees diversificadas (com o mnimo de 1:500.00 e mximo de 1:30.000), drenagem (curso d’gua), malha viria, limites municipais, limite da APA, serra, permetro urbano, aerdromo e atrativos tursticos. No mapa foram inseridas as layers para loc alizao da rea estudada, conforme a Figura 1, passando pelos seguintes passos: Conferncia dos dados colhidos pelo aparelho GPS com o georreferenciamento da base cartogrfica; Edio de topologia, conferindo vetores e pontos com sua posio real, formato de sua representao grfica, direo e extenso; Toponmia, que significa a alimentao das tabelas das layers inserindo e corrigindo nmeros e textos. O mapa gerado deste processo passou a possuir ento os seguintes itens: As layers da base cartogrfi ca, aps digitalizao sobre a imagem de satlite passou a conter dados com escala de 1:30.000, representando drenagem, malha viria, limites municipais, limites do Estado de Gois, limite da APA, serra, permetro urbano, aerdromo e atrativos tursticos; Legenda; Escala; Norte geogrfico; Grade de coordenadas no Sistema de projeo UTM (Universal Transversa de Mercator) com unidade de referncia em metros; Pictogramas simbolizando os atrativos tursticos conforme Guia Nacional de Sinalizao Turstica; T tulo, projeo cartogrfica, Datum e zona UTM. O produto final em que resultou o mapa turstico foi impresso em formato A3, com uma escala de projeo de 1:200.000. O SIG conhecido como um sistema de informaes geogrficas, onde a estruturao de banco de dados de fontes diversificadas, georreferenciados ao local de origem, correlacionam se, gerando uma viso espacial sobre a disperso das informaes, atravs de mdias analgicas como mapas e tabelas impressos e ou mdias digitais, como servidores da we b, que informam dados espacializados ao usurio, a partir de informaes iniciais fornecidas. Desta forma, torna se possvel que o SIG atualize informaes j existentes e gere novos dados relevantes ao conhecimento espacial da localidade. Neste trabalho, para estruturar o SIG, usamos o mesmo projeto (conforme Figura 1), mantendo os dados com as layers j processadas, para gerar o banco de dados, aps o processo de atualizao cartogrfica por digitalizao. A diferena essencial entre o SIG e o Mapa Turst ico, reside no fato de que o mapa o resultado da inter relao dos dados obtidos, gerando no SIG, modelos de informaes referenciadas ao terreno geograficamente. Por se tratar de um sistema digital, o SIG viabiliza a insero de outros dados, como a lay er de atrativos tursticos, fotografias e imagens de satlites. Para estes dados seguiram se os passos: Adicionamos um arquivo geotiff com a imagem de satlite CBERS 2 com resoluo espacial de 20m por pixel, representando toda a APA;

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 104 Adicionamos uma layer de pontos de atrativos tursticos, composta de dados tabulares de coordenadas de latitude e longitude dos pontos de atrativos tursticos; Adicionamos fotografias retiradas no local (hotpotato); Hotpotato, extenso que permite anexar nas layers links com fotos, texto, pgina de internet e vdeo, identificando cada item apontado. Esta extenso foi utilizada para as informaes dos atrativos tursticos, representando visualmente cada atrativo. Destacamos a importncia do registro das fotografias, essenciais tanto para o Turismo quanto para o Geoprocessamento, pois retratam a real diversidade de atrativos existentes na regio, produzindo uma viso geral do espao. Figura 1 : Estrutura das layers no ArcView Resultados e Discusses O levantamento dos dado s do Inventrio Turstico teve como escala de anlise principal o municpio de Mamba. No desenrolar da pesquisa em campo, sentimos a necessidade de incorporar a este inventrio, elementos de outras escalas que extrapolam os limites do municpio, visto que dada a impossibilidade de negligenciar os aspectos regionais quando falamos em Turismo, j que “o planejamento turstico indissocivel da perspectiva de desenvolvimento regional”, conforme Irving (2002: 70). No caso em questo, a escolha dos atrativos de outros municpios limitou se aqueles que esto localizados dentro da rea de abrangncia da APA das Nascentes do Rio Vermelho. Assim, hora ou outra, aparecem atrativos que esto fora do municpio de Mamba, mas que, em nosso entendimento, no invalida a escolha de um municpio como referencial de anlise. Atrativos Naturais Na pesquisa em campo, pudemos reconhecer alguns atrativos, onde foram coletadas coordenadas geogrficas, observando os tipos de atividade que

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 105 poderiam ser realizadas e avaliando o e stado de conservao de cada atrativo. Os acessos foram criados pelos prprios jovens que exploram estes pontos e so considerados provisrios em alguns casos. No h nenhum tipo de atividade turstica sendo desenvolvida em nenhum deles, portanto no h e quipamentos ou servios disponveis. Seguem se os principais atrativos naturais encontrados: 1)Vale Senhor dos Anis 4 Coordenadas UTM: 372.373 S / 8.399.105 E Localizao : prximo a Agrovila Mamba, o vale situa se ao longo do Rio Vermelho. Grau de dificu ldade: mdio. Acessibilidade: durante todo o ano. Atrativos: O Vale possui aproximadamente 90 metros de altura, tornando possvel a prtica de tirolesa e rapel, permitindo tambm atividades de espeleoturismo, devido presena da Caverna do Boi e do Senhor dos Anis, esta com grande ornamentao. O entorno dessas cavernas possui vegetao nativa preservada. Outra atividade possvel seria a travessia do Vale por meio de uma ponte pencil a ser construda, com aproximadamente 170 m de extenso. Avaliao: O Va le do Senhor dos Anis tem grande beleza cnica, com cerrado preservado. H presena de paredes e formaes crsticas, o que confere a este atrativo um alto grau de potencialidade turstica, necessitando apenas de infra estrutura. 2) Gruna da Tarimba Coo rdenadas UTM: 373.366 S / 8.406.396 E Localizao: municpio de Mamba, mais precisamente nos fundos da fazenda que lhe empresta o nome, em meio a uma rea de cultivo de milho e cana de acar. Grau de dificuldade: alto. A gruna tem dimenses de pequenas propores que dificultam o acesso ao interior da caverna, conforme estudos realizados pelo Grupo Espeleolgico Goiano – GREGO. Acessibilidade: desaconselhvel a execuo de trabalhos exploratrios em estaes chuvosas, visto que nesta poca, os cinco p equenos cursos d’gua desta caverna recebem grande volume de gua pluvial, elevando seus nveis rapidamente e resultando em risco tanto para a visitao tcnica quanto para turstica. Atrativos: Em vrios pontos das galerias e sales da Gruna da Tarimba ex iste grande riqueza, em quantidade e diversidade de espeleotemas. De uma forma bem distribuda, esta caverna apresenta, caprichosamente, trechos com ornamentaes especficas, s encontradas nestes respectivos pontos. Trata se de uma caverna singular entre todas as outras, por sua extenso, nmero de sales e entradas, por seus desnveis e cursos d’gua. Em uma das sadas, encontra se um paredo de aproximadamente 17m de altura, formando uma queda d’gua conhecida como Cachoeira da Recompensa. Neste ponto possvel a prtica de rapel e banho, em uma gua transparente e temperatura agradvel, formando um belo cenrio para o visitante. Avaliao: com status de maior caverna de regio de Mamba e adjacncias (aproximadamente 8km de extenso), as entradas da Gr una da Tarimba possuem uma vegetao relativamente conservada, porm, o avano de da atividade agropecuria vem se alastrando na regio. Contudo, a variedade de ornamentaes e a beleza da Cachoeira da Recompensa conferem a este atrativo um grande potencia l turstico. 3) Lapa do Penhasco Coordenadas UTM: 367.846 S / 8.403.719 E Localizao: municpio de Buritinpolis, inserida na rea das fazendas Barro Preto e Olho d’ gua. Esta caverna possui duas entradas conhecidas, uma no Crrego das Dores 5 e outra n a ressurgncia do mesmo crrego, prximo do Rio Vermelho. Grau de dificuldade: mdio. Acessibilidade: durante todo o ano. Atrativos: esta lapa trabalhada em toda sua extenso pelo Crrego das Dores, apresentando grande quantidade e variao de espeleotem as. Sua entrada apresenta um pequeno lago, onde os visitantes passam com a gua na altura do peito, e varias quedas d’gua que fluem entre blocos abatidos que proporcionam uma paisagem interessante nos primeiros metros da caverna. Durante o percurso, em se u interior, possvel perceber vrios atrativos, como uma pequena cachoeira, praias de areias brancas e finas e um segundo lago com espeleotemas. Avaliao: a vegetao no entorno formada por mata calcria ainda preservada, entretanto, h

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 106 vestgios do a vano de cultivo de subsistncia, em rea determinada por lei como sendo preservao permanente. Estudos do GREGO esclarecem que por ocasio da elaborao do plano de manejo espeleolgico, que regulamentar a abertura da Lapa do Penhasco ao turismo, alguns stios desta cavidade devero ser classificados com reas intangveis, ora visando a proteo de ornamentaes, ora a proteo de uma espcie de peixe trogfilo ali encontrado, ou ainda determinadas situaes visando manuteno da prpria integridade f sica dos visitantes. 4) Lapa do Crrego das Dores Coordenadas UTM: 368.469 S / 8.404.394 E Localizao: na regio da Fazenda Olhos D’gua, no municpio de Buritinpolis. Grau de dificuldade: leve Acessibilidade: ocorre durante o ano todo Atrativos: sua ca vidade apresenta um conjunto de belos espeleotemas de dimenses variadas em suas paredes e teto. Avaliao: esta lapa comporta duas entradas de grandes propores, sendo que a primeira onde o curso d’gua adentra a caverna apresenta dimenses de 30m de alt ura por 25m de largura. A segunda entrada apresenta dimenses similares primeira boca. Apesar da presena de uma mata galeria preservada, seu entorno possui cultivos de cana de acar, milho e hortalias. A Lapa do Crrego das Dores proporciona um passei o tranqilo e sem riscos pela facilidade de acesso as suas entradas e principalmente pela caminhada ao seu interior, fazendo desta caverna uma tima opo para o aproveitamento turstico. 5) Caverna dos Revolucionrios Coordenadas UTM: 364.847 S / 8.419.7 11 E Localizao: no municpio de Posse, inserida em rea da fazenda So Borges, ao fundo de uma grota, num grande coletor de guas pluviais drenado at o Crrego So Pedro. Grau de dificuldade: O acesso a qualquer uma das entradas fcil, apresentando pi so geral plano, o que possibilita um passeio seguro por suas galerias e sales bem ornamentados. Acessibilidade: durante todo o ano. Atrativos: em alguns locais da cavidade, a variedade e quantidade de espeleotemas chegam a ser impressionantes, como estala ctites, estalagmites e colunas de vrios tamanhos. Segundo relatos da populao, j foram encontrados vestgios paleontolgicos (ossos fsseis) em alguns pontos dessa caverna, entretanto, no encontramos registros que pudessem comprovar esta informao. Es tima se ainda que esta caverna tenha sido usada como refgio de revolucionrios da “Coluna Prestes” 6 em passagem pela regio. Entendemos que os relatos da comunidade sugerem que sejam realizados estudos paleontolgicos nesta caverna, a fim de investigar a veracidade das informaes, para comprovar ou refutar as mesmas. Avaliao: esta caverna possui nove entradas conhecidas, porm, pelo fcil acesso, apenas a entrada I utilizada, tratando se de uma pequena boca de 7m de largura por 1,7m de altura. Seu ent orno tomado por uma mata calcria em bom estado de conservao, entretanto, possvel observar o avano antrpico de sua vegetao que est sendo substituda por pastagens. A Caverna dos Revolucionrios possui caractersticas incomuns, se comparada s d emais reas da APA Nascentes do Rio Vermelho, graas a uma srie de fatores como: arranjo de suas galerias, quantidade e beleza de seus espeleotemas. Trata se de uma caverna com bom potencial para adaptao visitao turstica. 6) Caverna do Rio Vermelh o I Coordenadas UTM: 378.803 S / 8.393.210 E Localizao: a Caverna do Rio Vermelho I est localizada entre os municpios de Mamba e Damianpolis, inserida em rea da fazenda Bonina e caracteriza se principalmente pela drenagem do Rio Vermelho e Rio das Pedras, intercalando trechos de cnions profundos. Grau de dificuldade: alto. Acessibilidade: durante o ano todo. Atrativos: Sua entrada, somada beleza do local um belo vale – e a existncia em suas imediaes de bons locais para banho de rio, formam u m conjunto de atrativos tursticos que no pode ser ignorado. Avaliao: a Caverna do Rio Vermelho I possui apenas uma entrada, localizada ao fundo de um grande vale com paredes que chegam a medir 40m de altura, por onde adentra o Rio Vermelho. Trata se de uma abertura de 8m de largura por 5m de altura, esta entrada localiza se na base do paredo ao fundo do vale. Na boca da caverna e seu entorno observa se a presena de vegetao de mata ciliar bem preservada. Esta caverna no possui espeleotemas e corta da e trabalhada em toda sua extenso pelo rio que lhe empresta o nome. Trata se de curso d’gua com volume considervel principalmente no perodo

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 107 chuvoso. Entretanto, a Caverna do Rio Vermelho I apresenta alguns fatores de risco que devem ser observados, t ais como grande volume de correnteza das guas em seu interior, tornando o passeio muito cansativo, principalmente no seu retorno, existindo ainda o risco de pessoas serem arrastadas para o final da galeria, onde o teto abaixa abruptamente, impedindo por c ompleto a passagem. 7) Lapa da Cachoeira do Funil Coordenadas UTM: 375.925 S / 8.399.403 E Localizao: no municpio de Mamba, inserida em rea da Fazenda Funil. Grau de dificuldade: leve. O acesso caverna se d atravs de um percurso de cerca de 30 m inutos de vegetao bastante antropizada. Acessibilidade: no aconselhada em perodos de chuva. Atrativos: a entrada principal da Lapa do Funil impressiona pela sua imponncia e beleza. Com suas paredes abruptas, sua entrada drena todo o volume de gua do Crrego Ventura, caindo em seu interior numa queda livre de 18m de altura. Possui duas entradas, sendo que a principal drenada pelo Crrego Ventura. J, dentro da boca II, no cnion, temos intercalao de mata calcria e mata ciliar em bom estado de cons ervao, formando um ambiente propcio a pratica de trecking A Lapa do Funil apresenta ornamentaes apenas na galeria formada aps a boca II. Avaliao: partindo da segunda entrada, o crrego segue encaixado em grande cnion, com paredes de aproximadame nte 40m de altura. Na boca principal, temos uma vegetao ciliar bem conservada. No perodo chuvoso, devido ao fato de estar sujeita a sifonamento, seria aconselhvel a interdio visitao. A Lapa do Funil possui um dos conjuntos de maior beleza da regi o. A presena dos bandos de andorinhes ( Streptoprocne zonaris ), que se abrigam atrs da cachoeira e seu belo vale formado ao final da mesma, formam um roteiro turstico como poucos. Seu percurso no apresenta altos riscos, favorecendo a visitao pblica 8) Crrego Chumbada Coordenadas UTM: 372.101 S / 8.396.651 E Localizao: na divisa do municpio de Damianpolis. Grau de dificuldade: leve. Acessibilidade: durante todo o ano. Atrativos: Podem ocorrer atividades de banho, descanso e apreciao da paisa gem. Avaliao: o Crrego Chumbada possui vrias corredeiras, com formaes de pequenos poos e a temperatura da gua agradvel. Seu entorno possui vegetao preservada. Classifica se a potencialidade turstica deste atrativo como de grau mdio. 9) Rio Vermelho Coordenadas UTM: 371.040 S / 8.401.718 E Localizao: o curso do Rio Vermelho passa pelas divisas dos municpios de Buritinpolis, Damianpolis e Mamba. Grau de dificuldade: leve. Acessibilidade: durante o ano todo. Atrativos: Podem ocorrer ativ idades relacionadas a banho, descanso, apreciao da paisagem, bia cross e rafting. Avaliao: o Rio Vermelho possui uma forte correnteza que permite a prtica do bia cross e do rafting. A gua apresenta um aspecto turvo e a temperatura fria, sendo o e ntorno do rio de cerrado preservado. Classifica se a potencialidade turstica deste atrativo como de grau mdio 10) Poo Azul Coordenadas UTM: 365.200 S / 8.402.780 E Localizao: no municpio de Damianpolis. Grau de dificuldade: muito alto. Acessibilida de: durante o ano todo. Atrativos: Podem ser realizadas atividades como banho, descanso e apreciao da paisagem. Avaliao: o Poo Azul formado pelo Crrego Barreiro e possui uma queda dÂ’gua de aproximadamente 13m de altura. A temperatura da gua bas tante agradvel, seu entorno possui vegetao preservada. Classifica se a potencialidade turstica deste atrativo como de grau mdio. 11) Crrego Ventura Coordenadas UTM: 373.032 S / 8.400.640 E Localizao: no municpio de Mamba. Grau de dificuldade: le ve. Acessibilidade: durante o ano todo.

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 108 Atrativos: Poder seu utilizado em fins tursticos para banho, descanso, apreciao da paisagem, bia cross e rafting. Avaliao: o Crrego Ventura possui vrias corredeiras, com formaes de pequenos poos e a temper atura da gua agradvel, seu entorno possui vegetao preservada. Um pouco mais a frente no curso do crrego esta a cachoeira do Funil. Classifica se a potencialidade turstica deste atrativo como de grau mdio. Equipamentos ou Servios de Apoio ao Turi smo, Manifestaes e Usos Tradicionais Como j citado anteriormente, este estudo reconhece o municpio de Mamba como sede de um trabalho que deve ser analisado regionalmente. A aplicao prtica desta anlise encontra se no fato de Mamba constituir se em um ponto de articulao entre seus potenciais atrativos e os atrativos dos municpios limtrofes, podendo resultar em futuro roteiro de pontos tursticos na regio. Desse modo, entendemos que a presena ou ausncia de equipamentos e servios tursticos em Mamba tambm deve ser observada. Partindo desse princpio, identificamos aqueles servios ou equipamentos que mais se aproximavam dos considerados tursticos, visto que no encontramos nenhum que houvesse sido criado para atender ao turismo inicialmente, visto que os usurios so moradores ou trabalhadores das carvoarias, vindos do Estado da Bahia, no caso dos hotis e dormitrios. Observamos, em relao a estes equipamentos e servios, que os mesmo no possuem condies mnimas para atender ao turismo, c onsiderando se que no foram criados para este fim. Portanto, caso a atividade turstica em Mamba pudesse ser viabilizada, haveria a necessidade de construo de equipamentos e servios que atendessem primeiramente a populao local de modo satisfatrio, para s ento serem criadas estruturas capazes de receber possveis turistas, com condies adequadas de conservao, higiene, infra estrutura e conforto. Sobre as manifestaes culturais, os moradores contam que havia em Mamba a tradio de comemorar, no dia 08 de dezembro, a Festa da Padroeira da cidade – Imaculada Conceio. Contudo, as ltimas administraes municipais se descuidaram desta questo, fazendo com que a tradio ficasse esquecida. Atualmente, destacam se a realizao da Festa do Peo, no ms de julho e a Festa do Pequi, no ms de janeiro, sendo que esta ltima vem alcanando reconhecido espao, tanto junto aos moradores de Mamba, quanto aos municpios vizinhos. Com uma mdia de pblico de 3000 pessoas, a Festa do Pequi foi idealizada pelo Sr. Jeov Jos de Sousa e tem como objetivos principais, valorizar o Cerrado brasileiro; criar uma tradio no municpio; conscientizar a populao quanto preservao do Cerrado; contribuir para o turismo local e ser uma opo de lazer para a populao. Nela ocorre exposio de comidas tpicas, shows musicais, premiao da Rainha do Pequi e palestras informativas sobre preservao do Cerrado. Quanto ao artesanato local, foram encontrados entre os moradores, amantes dos artigos artesanais, cujos nomes e e specializao seguem no Apndice deste artigo, bem como, uma listagem dos equipamentos e servios de apoio identificados. Mapa Turstico Segue abaixo o mapa turstico (Figura 2) proposto com base na metodologia sugerida por Magalhes (2002). Consideraes Finais O Turismo pode no ser vivel ou desejvel em determinados locais, contudo, se bem planejado, ele apresenta se como uma tima ferramenta para o desenvolvimento de comunidades que ficaram isoladas ou distanciadas das preocupaes governamentais, com o o caso do municpio em questo e de sua regio. O Inventrio Turstico item fundamental nos planejamentos em turismo e contribui com o acesso a informaes sobre os atrativos tursticos de dada localidade. No municpio de Mamba, ele explicitou a pot encialidade local para o desenvolvimento do turismo, conforme vm apontando as pesquisas junto comunidade local. Contudo, necessrio que o Turismo seja colocado na pauta das prioridades a serem atendidas na regio pesquisada. Qualquer iniciativa at mesmo o Inventrio proposto com este estudo, ser isolada e no contribuir com benefcios contnuos para o municpio, caso no haja vontade poltica para isso. Os dados registrados neste estudo no constituem fim em si mesmos, mas servem como incentivo pa ra desenvolvimento de novas alternativas em turismo para o local. Este estudo pretendeu chamar ateno para as potencialidades do Nordeste Goiano, por meio do Inventrio Turstico e do SIG, ferramentas alternativas ao desenvolvimento econmico e sociocultu ral do municpio de Mamba

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 109 Figura 2 : Mapa Turstico da APA das Nascentes do Rio Vermelho com indicao dos principais atrativos tursticos identificados pelo inventrio.

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 110 Referncias Bi bliogrficas Assuno, M. 2005. Cerra do: a fraude das reservas legais O Popular Goinia: 04 set. 2005. Especial Cerrado, p.02 – 09. Brasil. IPHAN, DENATRAM E EMBRATUR. Guia Brasileiro de Sinalizao Turstica. Disponvel em: http://institucional.turismo.gov.br/sinalizacao/conteudo/basemenu.html Acessado em 10 maios 2006. Dorian, Hamu & Hirose. 2005. Regio Nordeste: a riqueza vem da natureza. O Popular Goinia: 07 jul. Agenda Gois, Ed. n. 2. p. 2 – 15 Ferreira, N. C. Introduo ao ArcView 3.2. Goinia: CEFET – GO, s/d. Go is. Grupo Espeleolgico Goiano – GREGO. 2002. Cadastro das Cavernas de Mamba Goinia. Irving, M. de A. 2002. Refletindo sobre o turismo como mecanismo de desenvolvimento local. Rev ista de Desenvolvimento Econmico – RDE Salvador: dez. ano IV, n. 7, p. 70. Magalhes, C. F. 2002. Diretrizes para o Turismo Sustentvel em Municpios. Roca. So Paulo. 187 p. Stigliano & Csar. 2005. Inventrio Turstico: primeira etapa da elaborao do plano de desenvolvimento turstico Alnea. Campinas. 93 p. APNDICE Equipamentos ou Servios de Apoio ao Turismo Hotis e Dormitrios Hotel Mamba Endereo: Rua 07 de Setembro Telefone: (62) 3484 1212 Horrio de funcionamento: 24h Capacidade: 32 hsp edes Dormitrio do Antnio Endereo: Rua 31 de Maro – 22 Centro Horrio de funcionamento: 07 s 23h Capacidade: 16 hspedes Dormitrio da Nair Endereo: Rua o3 de Maio Centro Especializao ou servio: Hospedagem Horrio de funcionamento: 24h Capacid ade: 17 hspedes Hotel Bahia Endereo: Av. Castelo Branco Centro Especializao ou servio: Hospedagem Horrio de funcionamento: 24h Capacidade: 40 hspedes Restaurantes Restaurante Modelo Endereo: Av. Castelo Branco – Centro Telefone: (62) 34 84 1316 Especializao ou servio: Self service e pizzas Horrio de funcionamento: 07 s 23 h Capacidade: 160 pessoas Lanchonete e Pizzaria Grafitt Endereo: Av. Castelo Branco Centro Especializao ou servio: Lanches e pizzas Horrio de funcion amento: 07 s 23h Capacidade: 40 pessoas Lanchonete do Levi Endereo: Av. Castelo Branco Centro Especializao ou servio: Salgados, pizzas e sucos. Horrio de funcionamento: 07 s 20h Capacidade: 10 pessoas

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 111 Sorveterias Sorveteria Tropical Endere o: Av. Jos Moreira dos Santos – Centro Telefone: (62) 3484 1128 Especializao ou servio: Sorvetes Horrio de funcionamento: 07h 30 s 23h Capacidade: 20 pessoas Sorvete Italiano Endereo: Av. Castelo Branco Centro Especializao ou servio: Sorvet es Horrio de funcionamento: 07 s 20h Capacidade: 15 pessoas Boates Sunset Dance Club Endereo: Av. Castelo Branco Centro Especializao ou servio: Danceteria Horrio de funcionamento: Sexta feira, sbado e domingo a partir das 20h Capacidade: 8 0 pessoas Entretenimento Ginsio de Esportes Riacho Endereo: Praa de Esportes Especializao ou servio: Quadra poliesportiva Horrio de funcionamento: Segunda feira a sbado a partir das 19h Capacidade: 150 pessoas Cyber Locadora Endereo: Av. Castelo Branco – Centro (62) 3484 1509 Especializao ou servio: Aluguel de DVDs e internet Horrio de funcionamento: A partir das 8h Capacidade: 10 pessoas Alanews Endereo: Rua Central Centro Especializao ou servio: Jogos e Internet Horrio de fun cionamento: 09 s 00 h Capacidade: 20 pessoas Manifestaes e Usos Tradicionais Artesanato Zezinho Endereo: Rua Costa e Silva Especializao ou servio: bordados em ponto de cruz de toalhas de mesa. Maria Eleuza Endereo: Av. Castelo Branco Especializa o ou servio: Bordados em ponto cruz, pintura, croch, peas em tocos de madeira, doces de frutos do Cerrado. Dorinha Endereo: Av. Castelo Branco Especializao ou servio: peas em tocos de madeira e bonecas em palha de milho e bucha vegetal. Iolanda End ereo: Rua Costa e Silva Especializao ou servio: Pintura em aquarela, bordado, croch, peas em tocos de madeira, ornamentao de festas. Servios Bsicos no Ncleo Urbano Taxistas: Delmiro Francisco Dourado Horrio: 07 s 24h Ponto: Av. Brasil Centra l Manoel dos Reis Oliveira Horrio: 24h Ponto: Rodoviria Moto Taxista: Vanderley Rodrigues de Araujo Horrio: 7 s 20h Ponto: Av. Brasil central Correios : Endereo: Rua Brasil Central Horrio de Funcionamento: 8 s 17h Telefone: (62) 3484 – 1103 Hospit al : Endereo: Rua Costa e Silva Horrio de Funcionamento: 24h Leitos: 15 Telefone: (62) 3484 – 1201 Posto de Sade : Endereo: Rua 31 de Maro Horrio de Funcionamento: 24h Telefone: (62) 3484 – 1565

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Vieira & Vieira Sugesto de inventrio e SI G tursticos para o municpio de Mamba GO Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 112 Farmcias : Posto de Medicamento Mamba Endereo: Rua Co sta e Silva Horrio de Funcionamento: 8 s 20h Telefone: (62) 3484 – 1213 Planto: 3484 – 1181 Posto de Medicamento Silveira Endereo: Rua Brasil Central Horrio de Funcionamento: 8 s 19h Telefone: (62) 3484 – 1232 Planto: 3484 – 1230 Oficinas Mecnicas Oficina Mamba Endereo: Trevo da Cidade Horrio de Funcionamento: 7 s 20h Telefone: (62) 3484 – 1271 Planto: (62) 3484 – 1271 JS Injees Eletrnica E ndereo: Rua Castelo Branco Horrio de Funcionamento: 7 s 20h Telefone: (62) 3484 – 1443 Planto: (62 ) 3484 – 1443 Fluxo editorial : R ecebido em: 12 11 .2008 Enviado para avaliao em: 12 11 .2008 Enviado para corre o ao autor em: 02.01.2009 Aprovado em: 11.05.2009 A Pesquisa s em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urism o da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp 1 O presente artigo baseou se no trabalho de concluso de curso (graduao) intitulado Diagnstico do Municpio de Mamba GO e Mape amento da APA das Nascentes do Rio Vermelho para Planejamento do Turismo Sustentvel, apresentado s coordenaes dos cursos de Turismo e de Geoprocessamento do CEFET GO, em nov. 2006 2 Tecnloga em Turismo pelo CEFET GO e Especialista em Gesto em Turism o Cultural e Ambiental pela Faculdade Araguaia – Goinia GO 3 Formando em Tecnologia em Geoprocessamento pelo CEFET GO e Projetista em Geoprocessamento da Hidrocon – Consultoria e Engenharia Ltda – Goinia – GO 4 Segundo os moradores, o Vale recebeu e ste nome por lembrar muito um cenrio visto no filme “O Senhor dos Anis”. 5 De acordo com o mapa da Diretoria de Servios Geogrficos do Exrcito DSG, este crrego tem o nome de Crrego Serragem. 6 Movimento ocorrido entre 1925 e 1927, encabeado por l deres tenentistas que empreenderam grandes jornadas para o interior do pas pregando reformas polticas e sociais e procurando fazer insurgir o povo contra o regime oligrquico no perodo da Repblica Velha.

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 113 ZONEAMENTO AMBIENTAL ESPELEOL"GICO (ZAE): APROXIMAO TE"RICA E DELIMITAO METODOL"GICA ENVIRONMENTAL ZONING OF CAVES (ZAE): THEORETICAL APPROACH AND METHODOLOGICAL DELIMITATION Heros Augusto Santos Lobo P rograma de Ps Graduao em Geocincias e Meio A mbiente – IGCE/UNESP Rio Claro SP heroslobo@hotmail.com Resumo O uso pblico de cavernas requer estudos prvios de diagnstico que permitam um planejamento das atividades humanas com base: no potencial turs tico; nos riscos ao visitante e ao ambiente; e na fragilidade do ambiente subterrneo presena humana. Estes elementos foram organizados de modo a permitir uma anlise multicritrio como suporte deciso, com enfoque na produo do Zoneamento Ambiental Espeleolgico – ZAE. Este mtodo foi concebido de forma a englobar diferentes categorias de uso de uma caverna, divididas em funo de caractersticas intrnsecas – como as fragilidades – e extrnsecas – como os tipos de uso pblico desejados. Os resultado s permitiram a integrao do ZAE com princpios bsicos de manejo de visitantes, como as escalas de visitao, o coeficiente de rotatividade e, por fim, uma proposta prvia de capacidade de carga. As concluses ressaltam que, em se tratando de uma proposi o metodolgica, apenas o seu uso em situaes distintas, quer de ambiente, quer de equipes de planejamento, poder validar e ampliar o formato proposto. Por fim, ressaltam que o ZAE condiciona um uso racional do ambiente subterrneo, sem, no entanto, a pr etenso de eliminar definitivamente os impactos ambientais negativos Palavras Chave: Conservao Ambiental; Espeleoturismo; Plano de Manejo Espeleolgico; ZAE; Zoneamento Ambiental Espeleolgico Abstract The public use of caves requires previous studies of diagnosis to allow the planning of human activities based: in the tourist use potential; in the risks to the visitor and to the environment; in the fragilities of underground environment to human presence. These topics was organized to allow a multi cr iteria analysis and decision support, culminating on the production of Environmental Zoning of Caves – ZAE. The method was designed to encompass different categories of use of a cave, divided according to characteristics intrinsic – as the fragilities – an d extrinsic – such as the possibilities of public use. The results allowed the integration of ZAE with basic principles of management of visitors, like the scales of visitation, the coefficient of rotation and, finally, a preliminary proposition of carryin g capacity. The conclusions highlight that only its use in different situations, such as kinds of cave environments or teams of planning, who will validate and expand the theoretical method proposed. Finally, emphasize that the ZAE makes possible the ratio nal the use of the underground environment, without, however, the pretension of permanently eliminate the negative environmental impacts K ey Words: Environmental Conservation; Speleotourism; Plan of Speleological Management; ZAE; Environmental Zoning of C aves Introduo O manejo de cavernas para fins de uso pblico vem recebendo maior ateno no Brasil, face obrigatoriedade legal de existncia de um direcionamento para o uso e conservao do ambiente subterrneo. Com isso, amplia se a necessidade de de senvolvimento de um corpo terico e metodolgico adequado realidade dos sistemas subterrneos e em consonncia com as polticas conservacionistas nacionais. Em outros pases, no entanto, trata se de um procedimento consolidado, focado no uso racional das cavernas afetadas pelo turismo e na conservao de parcelas representativas dos sistemas crsticos. Dentre as diversas tendncias mundiais sobre estudos do tema, destacam se no presente trabalho

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 114 trs delas, em funo do embasamento que fornecem proposta realizada. A primeira tem sua origem nos trabalhos do costarriquenho Miguel Cifuentes Arias, que desenvolveu mtodos para o manejo de trilhas com base em preceitos de capacidade de carga (Cifuentes Arias et al., 1999). Esta linha largamente empregada no Brasil, com exemplos prticos na gruta do Lago Azul, em Bonito MS (Boggiani et al., 2007) e na caverna de Santana, em Iporanga SP (Lobo, 2008). Fora do Brasil, identificou se tambm o seu uso na gruta Terciopelo, na Costa Rica (Carranza et al., 2006). Out ra linha considerada encabeada pelo trabalho de Cigna & Forti (1988), que propem um escopo mnimo para o manejo de uma caverna com vistas ao uso pblico. Experincias semelhantes nesse sentido, do ponto de vista terico, j foram feitas no Brasil, como o trabalho de Sgarbi (2003). Do exterior, o plano de manejo da Wind cave (NPS, 2007), nos Estados Unidos, trouxe tambm contribuies fundamentais para o presente trabalho, principalmente acerca da prioridade na delimitao dos roteiros de visitao. Este tema se consolida no presente estudo na terceira linha de trabalho, que consiste no zoneamento de uma caverna com base no caminhamento, proposta j defendida no Brasil por Boggiani et al. (2007), sob influncia do mtodo de Cifuentes. Do ponto de vista pr tico, considerou se tambm a metodologia proposta no Roteiro Metodolgico de Planejamento do Ibama (2002), que define zonas de manejo para Unidades de Conservao. Desta forma, partiu se do seguinte problema: como adaptar o zoneamento de Unidades de Conse rvao, que so reas amplas e de maior dinmica ambiental, para a realidade espacial e trfica proporcionalmente mais restrita das cavernas? Buscando contribuir para a soluo deste problema – sem, no entanto, ter a pretenso de esgot lo por completo – este artigo tem como objetivos: Apresentar um mtodo de suporte deciso, desenvolvido para o zoneamento de cavernas Condicionar o zoneamento ambiental espeleolgico – ZAE – ao caminhamento estabelecido para a visitao e s possibilidades de uso pblico Fornecer uma diretriz inicial para a obteno de um limite de uso de cada roteiro de visitao, por meio de uma capacidade de carga turstica preliminar Possibilitar o uso do ZAE no somente como ferramenta de manejo, mas sim, como ponto de partida para a gesto da caverna afetada. Referencial terico O desenvolvimento do presente mtodo partiu da necessidade de identificao de um procedimento que permitisse, de modo unificado, atender a algumas necessidades bsicas de manejo, como: a) a integrao de dia gnsticos temticos; b) a definio de zonas de manejo; e c) direcionar a obteno da capacidade de carga de uma caverna. A experincia do autor no desenvolvimento de mtodos de anlise integrada culminou em uma opo no determinstica, sob o enfoque da r elao entre os insumos do processo e seu produto final. Embora mtodos determinsticos sejam interessantes para facilitar o processo decisrio – conforme se observa em Lobo & Asmus (2007), por exemplo – o manejo de uma caverna no pode prescindir uma dis cusso entre os interessados. Muitas das possibilidades de manejo dependem da flexibilidade dos tcnicos envolvidos, dos interesses dos atores sociais afetados e, principalmente, da capacidade do rgo gestor em implantar mecanismos de planejamento e gest o que sejam conciliatrios de interesses aparentemente conflitantes. Assim, optou se por um mtodo com mais condies de oferecer suporte deciso, mas sem indicar uma resposta definitiva, o que permite que os cenrios existentes em cada realidade de mane jo possam ser considerados e discutidos pelos planejadores envolvidos. Diversos estudos acadmicos e marcos regulatrios apresentam definies sobre o que o zoneamento ambiental espeleolgico. Na compreenso do gegrafo Ricardo J. C. Marra, trata se de u ma ferramenta que busca estabelecer a demarcao de reas que, dividindo o seu interior, sero definidas em zonas especficas, visando identificar as categorias de uso em cada um destes setores. [...] representa um recurso aplicado para se alcanar o objet ivo do manejo, de forma que facilite o gerenciamento de atividades possveis em cada zona, orientando as intervenes e as formas de uso nas reas delimitadas, ou mesmo evitando atividades indesejveis pela inexistncia de zonas apropriadas, ou ento no p ermitindo aquelas outras prejudiciais que pudessem colocar em risco a segurana de usurios e do ambiente caverncola (Marra, 2001, p. 136). Para o bilogo Edwil B. Piva, o ZAE

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 115 “ indicar no mnimo os sales abertos visitao, os diferentes usos de cada a mbiente, as restries inerentes a cada caverna, indicao de pontos crticos e atrativos etc ” (Piva, 2006, p. 26 27). O tambm bilogo Marcelo Sgarbi acrescenta que “ o zoneamento demonstra em termos gerais se a caverna vivel ou invivel ao contato da a tividade turstica ” (Sgarbi, 2003, p. 21). Sob a tica dos marcos regulatrios, a Resoluo CONAMA 347/2004 define, para efeitos de sua prpria compreenso, que o zoneamento espeleolgico a “ definio de setores ou zonas em uma cavidade natural subterrn ea, com objetivos de manejo e normas especficos, com o propsito de proporcionar os meios e as condies para que todos os objetivos do manejo sejam atingidos ” (CONAMA, 2004, s.p.). Por fim, o CECAV, apesar de citar e concordar com a definio do CONAMA, acrescenta ainda que o zoneamento constitui um instrumento de ordenamento territorial, usado como recurso para se atingir melhores resultados em planos de manejo de cavidades naturais subterrneas. Estabelece usos diferenciados para cada zona, segundo os o bjetivos a serem atingidos (CECAV, 2006, p. 8). No se pretende neste trabalho estabelecer um juzo de valor acerca das definies, nem tampouco classific las ou mesmo optar por uma delas. Em sntese, guardando se as variaes entre uma e outra, depreende se que as definies apontam para situaes que permitam: a) a diviso do espao subterrneo em fraes lgicas; b) o uso de caractersticas intrnsecas ao ambiente para a classificao das fraes obtidas; c) o uso pblico racional, com diretrizes para a implantao de benfeito ria s e diretrizes para a gesto; e d) a obteno de melhores resultados na elaborao de planos de manejo espeleolgico. Do ponto de vista da aplicao metodolgica, a base para o presente mtodo ZAE depende, em um primeiro momento, da elaborao de materiais como os mapas temticos de fragilidade ambiental (e.g. GBPE, 2003; Piva, 2006) e o mapa de potencialidades de visitao (Lino, 1988; Lobo, 2007). Alm destes, o presente estudo acrescenta ainda os mapas: de fragilidades mximas e de anlise integrada das fragilidades; e o mapa de riscos ao visitante – este ltimo, sugerido para os planos de manejo espeleolgico das cavernas do estado de So Paulo (CIAPME, 2008). Para cada trecho – conduto, salo – de uma caverna, estes materiais fornecem multicritrios distintos para a definio das reas mais adequadas para a preservao e para o uso. Soares & Souza (2009), afirmam que o apoio multicritrio deciso constitui, como indica seu nome, uma ferramenta que permite ao responsvel pela tomada de deciso progredir na resoluo de questes decisrias nas quais vrios pontos de vista, normalmente contraditrios, devem ser considerados. [...] A constatao que deve ser feita quando se aborda tal tipo de problema que no existe, em geral, u ma deciso (soluo, ao etc) que seja concomitantemente a melhor sob todos os pontos de vista (Soares & Souza, 2009, p. 208). Partindo deste pressuposto, o mtodo proposto enfoca na produo dos materiais citados, que permitem uma relao direta entre o s estudos de diagnstico ambiental e o ZAE. Em um segundo momento, prioriza o ordenamento da leitura e processamento destes materiais, de forma a permitir uma discusso equilibrada entre os diversos interesses que culminam no manejo de uma caverna. Para a elaborao da ZAE, primeiramente, considerou se que a matriz para o manejo do ambiente dada por meio de aspectos intrnsecos ao objeto em estudo (Cigna & Forti, 1988; Lobo, 2007), partindo de, no mnimo, trs dimenses de anlise: ecolgica, cultural e s ocial. Nesse sentido, a dimenso ecolgica considerada, primordialmente, para a manuteno dos sistemas essenciais para a vida (cf. Pires, 2002) e para a geoconservao (cf. Nascimento et al., 2008). Desta forma, o ambiente das cavernas, em muitos casos, determina restries aos diversos tipos de uso pblico, em funo: de sua fragilidade inerente (cf. Cifuentes Arias et al., 1999; Boggiani et al., 2007) e de suas limitaes para a disperso de impactos antrpicos (Heaton, 1986; Lobo & Zago, 2007; Lobo, 2 008). Por sua vez, a dimenso cultural incluiu princpios de conservao para os vestgios de ocupao pretrita das cavernas e sua rea de entorno e projeo em superfcie sem, no entanto, abrir mo da dinmica de relacionamento e dependncia das popula es locais atuais – quer em suas relaes com o meio, quer nas interaes sociais derivadas do uso das cavernas. Outra premissa adotada quanto ao tipo de turismo a ser praticado nas cavernas. Para tanto, partiu se do princpio que o ecoturismo, da forma c omo postulado em Brasil (1994), deve ser tomado como princpio filosfico norteador da visitao, independente das diversas motivaes identificadas nos trabalhos de Scaleante (2005), El Dash & Scaleante (2005), Lobo (2007), Nunes et al. (2008) e Lobo & Za go (2009): espelelogos, aventureiros, contempladores, religiosos, msticos, estudantes, pesquisadores, mergulhadores e portadores de necessidades especiais, entre outros. De uma forma geral, todas estas atividades so classificadas no

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 116 mbito deste trabalh o como espeleoturismo, dado que este, conforme definio de Lobo (2008 ), carrega os preceitos do ecoturismo e se remete toda e qualquer motivao de uso pblico do ambiente subterrneo. Assim, as prticas propostas devem ser pautadas a partir das diretri zes do ecoturismo e do espeleoturismo – em essncia, o uso de baixo impacto – incluindo as atividades de planejamento e gesto, pesquisa, espeleologia, fiscalizao e uso pblico. O perfil dos visitantes deve ser analisado em conjunto com a escala de visi tao pretendida para a caverna sob manejo. De um modo geral, a escala, o volume e o fluxo de visitao de cada caverna devem ser determinados por suas fragilidades, potencialidades, estrutura de visitao, segurana e tipo de pblico (Cigna & Forti, 1988; Cifuentes Arias et al., 1999; Lobo, 2006). Mas no Brasil, de um modo geral, estudos apontam para o ecoturismo como uma atividade inerentemente restrita (e.g. Pires, 2002). Todavia, o presente mtodo considerou a possibilidade de uso pblico ecoturstico e m quatro escalas distintas de uso, considerando, inclusive, a possibilidade de ecoturismo de larga escala (cf. Lck, 2002) para algumas atividades e ambientes especficos. Resultados Do zoneamento de Unidades de Conservao para o Zoneamento Ambiental Esp eleolgico – ZAE: adequao metodolgica O zoneamento em cavernas no difere muito, em termos tcnicos, do zoneamento de uma Unidade de Conservao. O objetivo maior do zoneamento criar um sistema que busque conciliar o uso antrpico – no qual se inclui o turismo – com a conservao da natureza. Para tanto, parcelas significativas de determinados sistemas subterrneos devem ficar to isolados quanto possvel da presena humana constante e/ou em larga escala. Para se pensar no ZAE, partiu se das categorias de zoneamento delimitadas no documento Roteiro Metodolgico de Planejamento: Parque Nacional, Reserva Biolgica, Estao Ecolgica editado pelo IBAMA (2002). As zonas de manejo definidas neste documento foram analisadas em sua essncia, tendo em vista a realidade espacial e trfica dos sistemas subterrneos, de modo a verificar a sua aplicabilidade nas cavernas. Os resultados so apresentados no Quadro 1. Quadro 1 – Comentrios sobre as categorias de Zoneamento (IBAMA, 2002) para a proposta de ZAE CATEG ORIAS DE MANEJO APLICVEIS AO ZAE? COMENTRIOS SIM NO I – Zona Intangvel X II – Zona Primitiva X III – Zona de Uso Extensivo X IV – Zona de Uso Intensivo X V – Zona Histrico Cultural X VI – Zona de Recuperao X VII – Zona de Uso Especial X Salvo raras excees. Destina se a construo de estruturas administrativas que, no caso das cavernas, podem ficar fora delas. VIII – Zona de Uso Conflitante X Para o zoneamento externo, mas de pouca utilidade prtica. VIII – Zona de Us o Conflitante X Para o zoneamento interno, suas caractersticas conflitam com o manejo conservacionista, dado que se pressupe a inexistncia de moradores dentro da caverna. IX – Zona de Ocupao Temporria X Idem anterior. X – Zona de Superposio Ind gena X XI – Zona de Interferncia Experimental X Poderia ser adaptada de forma muito interessante ao manejo de cavernas, pressupondo a construo de laboratrios subterrneos (exemplos de sucesso so encontrados na Frana e Eslovnia). XII – Zona de Amortecimento X

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 117 Posterior anlise da essncia de cada zona, uma leitura mais enfocada no seu contedo demonstrou que, em sua maioria, os textos eram inadequados para os sistemas subterrneos. Isto porque foram concebidos para exprimir a realidade d e conservao de reas naturais sob outra dinmica ambiental e sujeita a um espectro mais amplo de vetores de presso antrpica. Assim, foi desenvolvido um processo de reclassificao e reconstruo das zonas originais, com a redao dos textos das zonas p ara o ZAE (Quadro 2) e a proposio de escalas de visitao e perfis de visitantes para cada uma delas (Quadro 3). Quadro 2 – Zonas para o ZAE ZONA E COR DA LEGENDA DESCRIO GERAL Intangvel (ZI) rea preservada, sem quaisquer tolerncias a alteraes humanas perceptveis. Representa o mais alto grau de preservao para a caverna em questo. Trata se de uma zona dedicada proteo integral dos sistemas subterrneos, ao monitoramento ambiental e pesquisa tcnico cientfica. Uso Restrito (ZUr A/B) r ea preservada, com pequena ou mnima interveno humana, contendo elementos ou processos significativos dos sistemas subterrneos. O objetivo de manejo permitir a pesquisa tcnico cientfica e o uso em escala restrita para determinados tipos de roteiros tursticos. Nestes casos, o caminhamento previamente delimitado. ZUr A: sem visitao turstica restrita ZUr B: com visitao turstica restrita Histrico Cultural (ZHC) reas onde so encontradas amostras do patrimnio histrico/cultural, arqueolg ico ou paleontolgico, que sero preservadas, estudadas, restauradas e interpretadas para o pblico, servindo pesquisa, educao e uso cientfico. O objetivo geral do manejo o de proteger tradies histrico culturais, bem como stios histricos, cultu rais, paleontolgicos ou arqueolgicos. Recuperao (ZR) reas consideravelmente danificadas pelo uso humano e passveis de recuperao, tanto por processos naturais quanto induzidos. Zona provisria, uma vez restaurada ser reclassificada. O objetivo ger al de manejo deter a degradao dos recursos ou restaurar a rea. Esta Zona permite uso pblico em escala restrita, para fins de pesquisa tcnico cientfica ou estudo do meio. Interferncia Experimental (ZIE) reas delimitadas para o desenvolvimento de pesquisas e implantao de laboratrios subterrneos, correspondendo ao mximo de 1/3 do desenvolvimento total da caverna. O seu objetivo o desenvolvimento de pesquisas comparativas em reas preservadas, bem como o estudo do meio e as aulas de campo. Us o Extensivo (ZUe) reas de caminhamento e pontos interpretativos de disperso controlada onde o ambiente mantido o mais prximo possvel do natural, contendo algumas facilidades de acesso construdas com materiais inertes e benfeito ria s que resguardem a segurana do ambiente e dos visitantes. Em alguns casos, o uso de banheiros qumicos deve ser considerado. O objetivo geral de manejo facilitar o espeleoturismo em pequena, mdia ou larga escala, dependendo do tipo e da proposta de uso. Uso Intensivo ZU i) reas de caminhamento e pontos interpretativos de disperso controlada onde o ambiente mantido o mais prximo possvel do natural, podendo conter: benfeito ria s de acesso construdas com materiais inertes, iluminao artificial e outras facilidades, co mo banheiros qumicos. O objetivo geral do manejo o de facilitar a maior quantidade de formas permitidas de espeleoturismo em larga escala. rea de Influncia (AdI) O entorno imediato e a rea correspondente em superfcie de uma caverna – em um raio mn imo de 250m – bem como sua rea de recarga autognica e alognica. Trata se de uma rea onde as atividades humanas esto sujeitas a normas e restries especficas, com o propsito de minimizar os impactos negativos sobre os sistemas subterrneos. Fonte: Lobo (2010).

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 118 Quadro 3 – Escalas de visitao no ZAE Zona Tipos de Uso Pblico Tcnico cientfico 1 Espeleoturismo 2 Estudo do meio e aulas de campo Intangvel Uso Restrito Uso Extensivo Uso Intensivo Histrico Cultural Recuperao Interferncia Experimental LEGENDA – ESCALAS DE VISITAO (LIMITE MXIMO POR ZONA) Sem visitao Mdia (at 20 pessoas) Restrita (at 6 pessoas 3 ) Alta (at 30 pessoas) Baixa (at 10 pessoas) Notas: 1 – inclui pesquisa cientfica, trabalho s espeleomtricos, fotogrficos e de prospeco; 2 – inclui a maioria das modalidades de espeleoturismo, com exceo das aulas de campo e estudo do meio, que recebem trato diferenciado em funo de suas especificidades e finalidades; 3 – o total de pessoas inclui tanto visitantes quanto guias e monitores locais. A legenda refere se aos valores mximo sugeridos por escala de visitao, sem, no entanto, tentar sugerir nmeros ideais de visitantes por grupos. A proposta apresentada nos Quadros 2 e 3, alm d e considerar a classificao das zonas com base em caractersticas intrnsecas aos sistemas subterrneos e sua relao com as diferentes intensidades de uso pblico, agrega um componente de gesto sua existncia, dado que cada zona de uma caverna j carr ega consigo dois pressupostos: I) a escala mxima de visitao permitida; II) uma prvia da capacidade de carga da caverna, a partir da soma das possibilidades mximas de visitao de todas as zonas estabelecidas. Sobre a escala alta de visitao, precis o contextualizar que grupos de trinta pessoas, se comparados relativamente com outras atividades tursticas – mesmo em cavernas, como alguns exemplos na China, Eslovnia e Itlia (Cigna & Burri, 2000) – ainda so pequenos e no deveriam ser enquadrados for malmente como ecoturismo de larga escala (cf. Lck, 2002) ou turismo de massa (cf. Scaleante, 2005; Labegalini, 2007). Todavia, no contexto brasileiro de manejo turstico de reas naturais, sabe se de antemo da dificuldade de planejadores e gestores ambie ntais de aceitar volumes maiores de visitantes, ao que se prope, neste mtodo, uma possvel quebra deste paradigma. Por consequncia do proposto no Quadro 3, o mtodo ZAE inverte o pressuposto inicial adotado em sistemas tradicionais de capacidade de carg a, como o de Cifuentes Arias et al. (1999) e a capacidade pelo controle de parmetros ambientais (cf. classificao de Lobo et al., 2009a) – baseada na variao por causa antrpica de uma varivel, como a temperatura do ar (e.g. Calaforra et al., 2003). As sim, alm do mapa de potencialidades, a prpria escala de visitao j auxilia na definio de hipteses e cenrios a serem testados no processo de cruzamento de dados. Mapa de potencialidades e riscos ao visitante O primeiro material necessrio para a ob teno do ZAE de uma caverna o seu respectivo mapa de potencialidades de uso pblico. Ele deve conter todas as possibilidades de visitao a serem consideradas, principalmente sob o enfoque do uso turstico, bem como considerar os riscos associados as pr opostas levantadas. As potencialidades de uso para pesquisa e espeleologia no so to necessrias nesta fase, j que podem ser executadas, em sua maioria, mesmo nas reas de uso mais restrito. No mbito das atividades que efetivamente devem ser representa das no mapa de potencialidades, podem ser citadas as seguintes: Turismo de contemplao Turismo de aventura Espeleovertical Mergulho em cavernas Turismo adaptado Turismo histrico cultural Turismo mstico e/ou religioso Estudo do meio e/ou aulas de campo

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 119 I niciao espeleolgica. A maioria destas atividades prescinde uma anlise tcnica especfica, de modo que sejam ilustrados e/ou justificados os indicadores ou motivos que levam a classificar uma determinada rea de uma caverna como detentora de potencial p ara visitao. A anlise deve tambm mencionar se a proposta direcionada para o uso extensivo ou intensivo, de modo a anlise integrada de modo mais direcionado. A ttulo indicativo, metodologias desenvolvidas para anlises de potencial turstico de cave rnas foram observadas nos trabalhos de Lino (1988), Lobo (2007) e Scaleante et al. (2009). Alm disso, o mapa tambm deve apresentar uma avaliao de riscos, no com o intuito de delimitar as reas de uso pblico em funo do menor ou maior grau de risco. Sua finalidade consiste basicamente em direcionar: O tipo de pblico, dado que reas de maior risco so adequadas para perfis mais aventureiros, enquanto reas de menor risco atendem pblicos mais amplos, incluindo, entre outros, portadores de deficincias – motora, mental, visual etc A escala de visitao. O risco de uma determinada rea pode ser atenuado se o grupo de visitantes for menor A quantidade de guias/condutores necessrios A zona de manejo. Em reas de maior risco em que se pretende uma visita o em escala mais ampla, j se identifica a necessidade de implantao de benfeito ria s, o que remete a determinadas categorias do ZAE, como o uso intensivo ou extensivo. A Figura 1 apresenta um exemplo de mapa de potencialidade e risco. Figura 1 – Mapa de potencialidade (caminhamento indicado pela linha verde) associado aos riscos de visitao das grutas do Chapu Mirim I e II, Iporanga SP. Neste caso, no existe a necessidade de elaborao de benfeito ria s para o roteiro proposto. Todavia, quando necess rio, estas tambm devem ser indicadas, para permitir uma anlise aprofundada de mrito, risco, custo e benefcio da proposta. Elaborado pel o autor sob mapa base de riscos (Viana Jnior & Farias, 2009) do plano de manejo espeleolgico das cavidades citadas. Alm do mapa com a representao grfica dos roteiros potenciais e riscos, de suma importncia a produo de cenrios possveis de visitao. Estes cenrios permitem aos analistas ambientais responsveis pelos diagnsticos de fragilidades um olhar mai s direcionado em funo das possibilidades sugeridas, considerando: a) as escalas de visitao por grupo, com base nas

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 120 possibilidades apresentadas no Quadro 3; b) o coeficiente de rotatividade (cf. Lobo et al., 2009a) desejado, indicando a somatria total de visitas dirias para cada roteiro; c) a perspectiva do responsvel pelo manejo da rea, seja este de natureza jurdica pblica ou privada, de modo a respeitar os seus anseios e sua capacidade de manejo e gesto. Mapas temticos de fragilidade ambiental A identificao das fragilidades do ambiente deve ser feita por cada estudo temtico em etapas de diagnstico, ou mesmo a partir de material j existente sobre a caverna em questo, como artigos, dissertaes e teses. Metodologias teis para esta finalida de j foram comentadas ou utilizadas nos trabalhos de GBPE (2003) e Piva (2006). A tcnica no pressupe uma classificao absoluta do ambiente, tal como pretendido por sistemas de avaliao de relevncia de cavernas. A fragilidade deve ser dimensionada em funo das possibilidades de uso pblico que a caverna pode receber, considerando, desde o princpio, as escalas de visitao possveis (Quadro 3) e o respectivo coeficiente de rotatividade mencionado nos cenrios anexos ao mapa de potencialidades. Dentre os diversos estudos possveis para o diagnstico ambiental de uma caverna (Figura 2), os mapas de fragilidade devem priorizar aqueles que permitam anlises de nexo causal, de modo a serem identificados fatores limitantes ao uso pblico, conforme preconiza m Cifuentes Arias et al. (1999). Figura 2 – Principais estudos temticos de diagnstico ambiental em cavernas (adaptado de CECAV, 2006 e Lobo, 2007) Para a obteno de mapas de fragilidade, os indicadores ou parmetros adotad os no precisam ser idnticos, desde que a escala final de todos os mapas seja a mesma. Isto necessrio para permitir o cruzamento das informaes visando a obteno do mapa de anlise integrada. Para tal, preciso estabelecer os nveis de fragilidade, que devem representar a detrao ao uso pblico que determinada em funo de caractersticas do ambiente subterrneo. Para o ZAE, foram estabelecidos preliminarmente quatro nveis de fragilidade: I. Absoluto: se baseia em indicadores ou motivos que demonstr am a incompatibilidade da rea com o uso pblico constante ou concentrado. II. Alto: se baseia em indicadores ou motivos que demonstram a alta fragilidade da rea em relao ao uso pblico. III. Mdio: se baseia em indicadores ou motivos que demonstram a mdia frag ilidade da rea em relao ao uso pblico. IV. Baixo: se baseia em indicadores ou motivos que demonstram a baixa fragilidade da rea em relao ao uso pblico. Toda rea classificada deve ter algum nvel de fragilidade, com raras excees para fragilidade inex istente (e.g. fragilidade nula em um mapa de fragilidade arqueolgica para um salo ou caverna que no possuam vestgios dessa ordem). Para estabelecer uma base de comparao e ponderao, foram agregados pesos aos nveis de fragilidade, de modo a padroniz ar a anlise em uma escala percentual, como apresentado na Tabela 1. Esta ponderao de pesos deve ser aplicada tanto aos mapas de fragilidades quanto ao mapa de anlise integrada. Tabela 1 – Faixas de corte dos nveis de fragilidade NVEL PESO (%) COR DA LEGENDA Absoluto 75,01 100 Preta Alto 50,01 75 Vermelha Mdio 25,01 50 Amarela Baixo 0 0,01 25 Verde No classificado 0 Branca Note se que para a pontuao especfica de cada nvel de fragilidade, sempre se adota o maior valor da faixa de co rte. Assim, para a fragilidade baixa, por exemplo, embora o seu peso varie entre 0,01 e 25%, sempre se adota que a nota inicial estipulada o nvel superior da faixa, ou seja, 25%. Com isso, se refora no ZAE o princpio bsico de precauo, dado que os p esos relativos sempre tendem ao aumento dos nveis de fragilidade. Classificao dos indicadores de fragilidade Para a descrio os nveis de fragilidade por meio de indicadores, o que recomendado para diminuir a subjetividade do processo, estes podem s er divididos em duas categorias bsicas, conforme o Topografia Arqueologia Geoespeleologia Bioespeleologia Paleonto logia Hidrologia Microclima Risc o (de vida e para o ambiente) Turismo/Uso Pblico Vetores de doenas Fragilidades e potencialidades espeleoturstic as

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 121 tipo de resposta possvel de se obter a partir da anlise realizada. A primeira categoria de indicadores permite apenas dois tipos de resposta: “sim” ou “no”, ou ainda, “presena” ou “ausncia”. Por sua vez, a segunda categoria permite classificar o parmetro sob anlise em at quatro classes de resposta, de forma a se remeter diretamente escala apresentada na Tabela 1. Para os indicadores do primeiro tipo, com apenas duas respostas possveis, o primeir o passo a avaliao de sua hierarquia dentro da escala de fragilidade, de modo que a confirmao represente um peso especfico na escala geral. Exemplos: Presena de fauna troglbia: 75% de fragilidade para o local especfico onde foi encontrada ou para toda a caverna (se no for possvel estabelecer uma zona limite para a locomoo da espcie). Neste caso, o indicador “fauna troglbia” apresenta uma fragilidade “alta” dentro da escala hierrquica apresentada na Tabela 1 Presena de espeleotemas frgeis: 100% de fragilidade para o local especfico onde foi encontrado. Neste caso, o indicador “espeleotemas frgeis” apresenta uma fragilidade “absoluta” dentro da escala hierrquica apresentada na Tabela 1. Quanto aos indicadores do tipo II, a obteno dos nv eis de fragilidade dever ser feita a partir de uma das duas possibilidades abaixo: Relativizao do indicador em relao ao ambiente. Ex.: Espeleotemas frgeis: a) no cho = absoluta; b) ao alcance das mos = alta; c) no teto = baixa Diviso do valor mxi mo do indicador dentro dos nveis de fragilidade. Ex.: Diversidade de fauna: a) at 1 = baixa (fragilidade, no diversidade); b) de 1,01 1,3 = mdia; c) de 1,31 1,7 = alta; d) acima de 1,71 = absoluta. Na continuidade, a fragilidade total de cada zona classificada dentro da caverna – ou dela como um todo, no caso da impossibilidade de se obter anlises por reas especficas – ser dada pela fragilidade mxima identificada em um dos mapas temticos, conforme preceitos de identificao de fatores limitant es – gargalos – j comentados em Lobo et al. (2009). Para tanto, entende se que o uso pblico deve ser analisado primeiramente face prioridade de fragilidade da caverna, passvel de anlise por meio do mapa integrado de fragilidades mximas de cada tema. Exemplos de mapas de fragilidade e de mapa integrado de fragilidades mximas so apresentados na Figura 3 A ps esta etapa, o resultado obtido pela soma das respostas dadas aos indicadores ilustrar o nvel de fragilidade da rea em anlise, o qual, invar iavelmente, se enquadrar em uma das faixas apresentadas na Tabela 1. Em alguns tipos de diagnstico, a formulao de indicadores de fragilidade e sua respectiva classificao e produo do mapa temtico so inviveis, por caractersticas intrnsecas ao es tudo em questo. Nestes casos, recomenda se a substituio do material por uma descrio sucinta das recomendaes de manejo decorrentes da anlise realizada. Anlise Integrada por meio da fragilidade O mapa de fragilidade integrada da caverna ser obtido pela soma dos diversos mapas temticos de fragilidade ponderados entre si, tal como apresentado na Equao 1: (1) Onde: F z = Fragilidade total da zona especfica da caverna; FT 1, 2, 3, n = Fragilidades obtidas por meio dos estudos temtic os; utilizados para se obter o mapa final, considerando, para cada zona, apenas as reas classificadas. Para tanto, preciso considerar que cada nvel de fragilidade possui uma pontuao especfica, conforme apres entado na Tabela 1. Posteriormente, preciso identificar quantas zonas so possveis de se obter a partir dos mapas temticos de fragilidade, o que corresponder ao mapa com maior detalhamento em nmero de zonas. Partindo do exemplo citado na Figura 3.B, com os mapas de fragilidade temtica da gruta do Fogo (B1 B3), observa se a possibilidade de composio de quatro zonas distintas, cujas equaes especficas de clculo de fragilidade ponderada so apresentadas abaixo e na Figura 4.A. Neste caso, o meio fsico foi pontuado com um nvel de fragilidade de 24%. Os demais diagnsticos – microclima e fauna – no apresentaram pontuaes especficas para os nveis de fragilidade adotados. Neste caso, admite se os valores mximos de cada nvel classificado: 25% p ara baixa; 50% para mdia; 75% para alta e 100% para absoluta.

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 122 Zona I (2) F z I = 75% Zona II (3) F z II = 41,33% Zona III (4) F z III = 41,33% Zona IV (5) F z IV = 58% Figura 3 – Exemplos d e aplicao dos indicadores de fragilidade: A) a figura A1 ilustra um mapa de zonas termoclimticas da caverna de Santana, localizada no PETAR SP (Lobo et al., 2009b), a partir do qual foi elaborado o mapa de fragilidade climtica (A2) com base nos indicad ores propostos em Rocha et al. (2009); B) quatro mapas de fragilidade temtica da gruta do Fogo, localizada no Parque Estadual Intervales SP. B1 – fragilidade do meio fsico (Viana Jr. & Farias, 2009); B2 – fragilidade do microclima (Rocha et al., 2009); B 3 – fragilidade da fauna (Trajano et al., 2009); B4 – mapa integrado das fragilidades mximas de cada zona da caverna. Neste caso, prevaleceu a classificao do microclima. A Figura 4 ilustra que o mapa de fragilidades integradas amplia o total prelimina r de zonas de uma caverna, em funo de considerar todas as possibilidades de anlise para cada zona em separado. No exemplo ilustrado, as Zonas II e III ficaram com a mesma pontuao, se tratando de mera coincidncia. A Zona I apresentou a maior pontuao especfica de fragilidade – 75% – o que precisa ser interpretado com bastante cautela. Neste caso, este valor no resulta da combinao de diversos estudos, mas sim, da falta de classificao dos estudos de meio fsico e fauna para esta regio. Desta form a, a rea da caverna que , de fato, mais frgil sob a tica da interao multicritrios, a Zona IV, com uma pontuao total de 58,33%. Outro aspecto importante observado a necessidade de se classificar o mximo possvel da rea disponvel da caverna, de forma a no deixar lacunas excessivas de reas no classificadas. Isto ficou ntido por meio da Zona I da caverna

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 123 exemplificada, uma rea de fragilidade alta do ponto de vista microclimtico, mas que no foi classificada por outras equipes. Desta forma, a nota de um determinado estudo tende a prevalecer. Figura 4 – Comparao entre o mapa de fragilidades integradas (A) e o mapa de fragilidades mximas (B). Note se que em A, houve uma ampliao da zona de fragilidade mdia da caverna, se estendendo pa ra o seu interior se comparada com B. O teste de hipteses de visitao e a obteno do ZAE A partir dos materiais apresentados foi estabelecida uma lgica de trabalho que parte dos roteiros elencados no mapa de potencialidades, entendendo cada uma deles como uma hiptese de uso pblico a ser testada. Esta opo foi adotada por permitir o enfoque nos cenrios desejados, de forma a test los individualmente e j obter, alm do ZAE, um quadro de respostas com as reais possibilidades de uso pblico de cada c averna, classificadas: a) por tipo de pblico; b) por escala de intensidade de visitao; e c) pela prvia da capacidade de carga – coeficiente de rotatividade – da caverna. Para facilitar ainda mais este trabalho, alguns cuidados bsicos devem ser tomados no teste de hipteses: Todas as hipteses de visitao devem estar atreladas ao caminhamento fixo e previamente delimitado, de modo a evitar um maior impacto no ambiente pela disperso exacerbada de pessoas em todo o trecho visitvel. As reas de dispers o, para fins de explanaes acerca do ambiente, tambm devem ser delimitadas Iniciar pelos roteiros mais prximos das entradas/acessos da caverna. Se houver restrio na entrada, toda a caverna ou uma parte considervel de seu desenvolvimento j podem ser vetados para uma parcela significativa do uso pblico, no havendo, assim, necessidade de se testar as demais hipteses de visitao nestes caminhos A partir da definio do ordenamento espacial das hipteses a serem testadas, priorizar os roteiros em fun o da escala de visitao, em ordem crescente ou decrescente Para facilitar a discusso, o mapa integrado de fragilidades mximas pode nortear o teste de hipteses de visitao. No caso de no se atingir o consenso entre os especialistas, o mapa de fragili dades integradas pode ser utilizado na forma de fator de correo (cf. Cifuentes Arias et al., 1999) em relao ao roteiro e/ou volume de visitao propostos. O teste de hipteses deve ser realizado por meio da discusso entre especialistas das reas envol vidas, de modo a permitir uma anlise mais

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 124 aprofundada dos possveis problemas gerados: para a conservao; para a segurana do visitante; para um uso mais amplo da caverna manejada. Para tanto, devero ser feitas perguntas chave, geradoras de debate, de f orma a se obter o consenso para cada hiptese levantada, como por exemplo: I. Quais os nveis de fragilidade – por tema e geral – da rea da caverna sob interesse de uso? II. Quais os riscos ao ambiente associados visitao? III. Em funo das fragilidades e dos ris cos, qual a escala mxima de visitao permitida para esta rea? Respondidas estas trs questes em sequncia, pode se remeter aos resultados do Quadro 3, que apontam limitaes para cada zona ambiental em funo do total mximo de visitantes permitidos. I sso, em conjunto com a informao do status de conservao de cada rea e do nvel de presso antrpica proposto, delimita qual a zona mais adequada para o enquadramento da caverna no ZAE. O Quadro 4 e a Figura 5 apresentam uma sntese dos aspectos analisa dos, de forma a facilitar na identificao das zonas de manejo de uma caverna a partir dos principais diagnsticos e da fragilidade integrada. Quadro 4 – Relao sugerida entre os nveis de fragilidade (escala colorimtrica padro) e as possibilidades do ZAE Enquadramento preferencial das zonas de uso subterrneo Mapas de Fragilidade Meio Fsico e Bitico, Microclima Paleo e Arqueo Fragilidade Integrada Intangvel, Uso Restrito, Interferncia Experimental, ou Recuperao Uso Extensivo Uso Intensivo Histrico Cultural Figura 5 – Relao sugerida entre o ZAE, o estado de conservao identificado e o nvel de presso antrpica propostos

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 125 A anlise dos Quadros 3 e 4 e da Figura 5 fundamental para a obt eno das respostas do teste de hipteses, sobretudo no que tange terceira pergunta sugerida – quando ento j se verificou a fragilidade temtica e integrada e os riscos associados visitao. Aps o trmino do teste de hipteses de visitao, a respos ta final para cada zona ambiental j fornecer um subsdio inicial para a obteno da capacidade de carga preliminar da caverna, que ser composta pela somatria de todos os roteiros considerados possveis e suas respectivas escalas de intensidade de visit ao. Com isso, modifica se a premissa de obteno de um coeficiente de rotatividade (cf. Lobo et al., 2009a) a partir da capacidade de manejo do gestor ou da relao total entre espao linear e tempo disponveis – este ltimo, a Capacidade de Carga Fsica – CCF – do mtodo de Cifuentes (Cifuentes Arias et al., 1999). Para tanto, preciso definir ainda qual o tempo mdio de visitao de cada roteiro e a frequencia desejada de visitao dos grupos. Ainda sobre o teste de hipteses, a existncia de reas sem classificao na caverna, nos mapas de fragilidade, deve ser analisada com extrema cautela. A inexistncia de estudos no deve ser tomada como uma possibilidade de uso, mas sim, como uma restrio prvia. Caso o roteiro seja considerado interessante para um dos pblicos desejados, fica registrada a necessidade de enfoque em pesquisas futuras para se estabelecer os nveis de fragilidade temtica destas reas potenciais. At que tais estudos sejam realizados, interessante no submeter a caverna em questo ao uso pblico. Assim, com base no mtodo ora proposto, a Figura 6 apresenta um exemplo de ZAE para a gruta do Fogo, extrado do plano de manejo espeleolgico do Parque Estadual Intervales, localizado no Estado de So Paulo. Figura 6 – ZAE da gruta do Fogo, localizada no Parque Estadual Intervales. Neste caso, foi considerado um cenrio de visitao em grupos de no mximo 20 pessoas (para escolas, em dias teis) ou 10 pessoas (para outras formas de turismo, em finais de semana e feriados), com um mximo de 80 visitantes/dia – a capacidade de carga final considerada. Mapa base elaborado por GPME (2009). ZAE elaborado pelo autor, baseado na oficina de zoneamento realizada para a caverna.

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 126 Concluses Este trabalho apresentou uma compilao de conceitos e et apas de produo focados na obteno de zonas de manejo em reas naturais, adaptados para a realidade do ambiente subterrneo. Desta forma, buscou se agregar diversos elementos necessrios para o planejamento e manejo conservacionista de cavernas, consider ando aspectos detratores e motivadores do uso pblico. No grupo dos detratores, ressalta se a contribuio: a) da associao entre os potencias de uso e o mapa de riscos, apresentando limitaes ao uso pblico com enfoque na segurana ou orientaes para a implantao de benfeito ria s contornando os problemas identificados; b) dos mapas de fragilidade temtica e integrado de fragilidade mxima, com a escala relativa de intensidade em relao aos possveis problemas de uso pblico; e c) do mapa de fragilidade integrada ponderada, permitindo uma viso mais ampla das reas mais susceptveis aos impactos em uma caverna. Quanto aos aspectos motivadores, o mapa de potencialidades foi posicionado como ferramenta fundamental do mtodo, no somente por apresentar as p ossibilidades de uso pblico de uma caverna, mas por fornecer as hipteses bsicas para a obteno do ZAE. Os resultados obtidos a partir do ZAE permitem, em uma nica ferramenta, a obteno de algumas respostas para o planejamento espeleolgico, o que inc lui o zoneamento do ambiente, os limites de uso em funo das caractersticas de cada zona e dos tipos de pblico e um princpio norteador para a gesto por meio da capacidade de carga preliminar. Entretanto, o ZAE no esgota as possibilidades de manejo de uma caverna. Apenas o seu uso permitir a obteno de respostas mais prticas acerca dos provveis impasses de sua aplicabilidade, considerando os diversos perfis de equipes envolvidas em projetos de planos de manejo espeleolgico. Desta forma, esclarece se que no se pretende, com este trabalho, esgotar o assunto ou apresentar uma resposta definitiva, mas sim, ampliar a oportunidade de dilogo entre planejadores e gestores ambientais, de modo a se buscar diretrizes de manejo cada vez mais consistentes. De igual modo, o ZAE no tem a pretenso de propor um uso pblico isento de impactos ambientais, dado que parte de uma compreenso de que no existe atividade humana sem impacto ao ambiente. O impacto sempre existir, variando em funo da escala de detalhe adotada na anlise. Assim, o que se busca no conciliar o uso pblico com a preservao absoluta, mas sim, antever possveis problemas de forma a mitig los ou evit los parcialmente por meio de aes preventivas de controle e do contnuo monitoramento a mbiental calcado em padres metodolgicos j consagrados internacionalmente para o manejo e gesto de cavernas com uso pblico. A vantagem deste processo a possibilidade de uma resposta rpida e, na maioria dos casos, aqum dos reais limites de suporte d o ambiente, oferecendo margem de segurana para a conservao e tempo para que estudos mais aprofundados, quando necessrio, determinem a capacidade de carga real do ambiente a partir de estudos focados nos parmetros fundamentais de manejo de cavernas. A gradecimentos Diversas colaboraes foram feitas para o direcionamento da presente metodologia. Em especial, agradeo: ao prof. Dr. Paulo Csar Boggiani (IGc/USP); profa. Dra. Eleonora Trajano (IB/USP); ao tcnico da Fundao Florestal/SMA SP, Sr. Maurc io Marinho; e ao gestor do Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira SP, Sr. Fbio Leonardo Tomaz. Aos dois revisores da revista, um annimo e ao Dr. Ricardo Jos Calembo Marra (CECAV/ICMBio), pelas recomendaes e correes ao original enviado Refer ncias Bi bliogrficas Boggiani, P.C., Silva, O.J. da, Gesicki, A.L.D., Gallati, E.A.B., Salles, L. de O. & Lima, M.M.E.R. 2007. Definio de capacidade de carga turstica das cavernas do Monumento Natural Gruta do Lago Azul (Bonito,MS). Geocincias 26(4): 333 348. Brasil. 1994. Diretrizes para uma poltica nacional de ecoturismo EMBRATUR, Braslia. 48 p. Brasil. 2000. Lei n. 9985 de 18 de julho de 2000. Sistema Nacional de Unidades de Conservao. Disponvel em h ttps://www.presidencia.gov.br Acessado em 04 dez. 2005.

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 128 Lobo, H.A.S. 2010. Microclimatologia e Geoespeleologia da cavern a de Santana (PETAR, Iporanga SP): Subsdios para o manejo turstico. IGCE, Rio Claro. Relatrio de qualificao de doutorado (Ps Graduao em Geocincias e Meio Ambiente), Instituto de Geocincias e Cincias Exatas, UNESP. Lobo, H.A.S. & Asmus, R.M.F. 20 07. Proposta metodolgica para classificao do potencial espeleoturstico. In: Congresso Brasileiro de Espeleologia, 29, Ouro Preto, Brasil. Anais 171 174. Lobo H.A.S. & Zago S. 2007. Classificao dos nveis de circulao de energia no circuito turst ico da Caverna de Santana – PETAR – Iporanga, SP. In: Encontro Brasileiro de Estudos do Carste, 2, So Paulo Brasil Resumos expandidos e simples. 113 122. Lobo, H.A.S. & Zago, S. 2009. Impactos ambientais causados pela msica e concentrao de pessoas e m um evento musical na gruta do Morro Preto (PETAR SP). In: Congresso Brasileiro de Espeleologia, 30, Montes Claros, Brasil. Anais do CBE 107 112. Lobo, H.A.S., Perinotto, J.A.J. & Boggiani, P.C. 2009a. Capacidade de carga espeleoturstica no Brasil: Esta do da arte e tendncias. In: Congresso Brasileiro de Espeleologia, 30, Montes Claros, Brasil. Anais do CBE 101 106. Lobo, H.A.S., Perinotto, J.A.J. & Poudou, S. 2009b. Anlise de agrupamentos aplicada variabilidade trmica da atmosfera subterrnea: cont ribuio ao zoneamento ambiental microclimtico de cavernas. Revista de Estudos Ambientais 11(1):22 35. Lck, M. 2002. Large scale ecotourism – a contradiction on itself? Current Issues in Tourism 5(3,4): 361 370. Marra, R.J.C. 2001. Espeleo turismo: pla nejamento e manejo de cavernas. WD Ambiental, Braslia. Nascimento, M.A.L., Ruchkys, U. & Mantesso Neto, V. 2008. Geodiversidade, geoconservao e geoturismo: Trinmio importante para a proteo do patrimnio geolgico SBG, So Paulo. NPS – National Park Service. 2007. Cave and karst resource management plan: Wind cave National Park. NPS, Hot Springs. 115 p. Nunes, E., Luz, C.S., Anjos, D.T., Gonalves, A.C., Figueriedo, L.A.V. & Zampaulo, R.A. 2008. Incluso social de portadores de necessidades especiais (PNEs) e a prtica do turismo em reas naturais: Avaliao de seis cavidades tursticas do Estado de So Paulo. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 1(1): 77 88. Pires, P.S. 2002. Dimenses do ecoturismo. Senac, So Paulo. Piva, E.B. 2006. Documento preparatrio para os planos de manejo das cavernas dos Parques Estaduais Turstico do Alto Ribeira (PETAR), Jacupiranga e Intervales. Fundao Florestal/SMA, So Paulo. 46 p. Rocha, B.N., Longhitano, G.A., Lobo, H.A.S., Pedroso, J.R.B., Santos, R.A.C., Ba rbosa, T.V. & Andrade Jr., V. 2009. Diagnstico de microclima para os PMEs. Fapetec/Ekos Brasil, Santos/So Paulo. 177 p. Scaleante, J.A.B. 2005. Uso de cavernas como produto turstico. In: Trigo, L.G.G., Panosso Neto, A., Carvalho, M.A. & Pires, P.S. (eds .) Anlises regionais e globais do turismo brasileiro. Roca, So Paulo. Scaleante, J.A.B., Labegalini, J.A., Espinha, A.M.L., Scaleante, O.A.F., Rasteiro, M. & Scaggiante, V.F. 2009. Diagnstico de uso pblico para os PMEs: relatrio parcial. Estao Flore sta/Ekos Brasil, Campinas/So Paulo. 112 p.

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Lobo Zoneamento Ambiental Espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao .. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 129 Sgarbi, M. 2003. Metodologia de manejo em cavernas para minimizao de impactos ambientais decorrentes de atividade antrpica: estudo de caso Gruta do Chapu & Caverna Santana, Parque Estadual do Alto do Ribeira / SP. Mogi das Cruzes, UMC, 2003. Relatrio de Iniciao Cientfica, Universidade de Mogi das Cruzes. Soares, S.R. & Souza, S.R. 2009. Aplicao da anlise multicritrio para avaliao da sustentabilidade em empreendimentos tursticos. In: Philippi Jr., A. & Ruschmann, D.V.M. Gesto ambiental e sustentabilidade no turismo. So Paulo, Manole. 203 232. Trajano, E., Bichuette, M.E. & Franco, F.P. 2009. Mapas de fragilidade de fauna Econatural/Ekos Brasil, So Paulo. 10 p. Viana Jr., O. & Farias, R. 2009. Rela trio P3, P4, P5 e P6: Caboclos I e Intervales. Geointegra/Ekos Brasil, So Paulo Fluxo editorial : R ecebido em: 30 07 .200 9 Enviado para avaliao em: 30 07 .200 9 Aprovado em: 1 8 12 .2009 A Pesquisa s em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Se o de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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Silva Investigao do p otencial para o espeleoturismo na regio da Serra do Iuiu BA Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 131 INVESTIGAO DO POTENCIAL PARA O ESPELEOTURISMO NA REGIO DA SERRA DO IUIU – BA INVESTIGATION OF THE POTENTIAL FOR SPELEOTOURISM IN THE REGION OF IUIU – BA Diana Michelle da Silva Universidade Federal de Ouro Preto – Sociedade Excursionista e Espeleolgi ca Ouro Preto MG dibaiana@yahoo.com.br Resumo O presente trabalho visa analisar alguns dos resultados obtidos na expedio realizada em janeiro de 2009 Iui BA, na tentativa de conhecer melhor a regio do macio e seu entorno. Essa anlise feita sob um ponto de vista scio ambiental que procura caractersticas reveladoras do potencial turstico da regio, alm de outras possveis atraes naturais tanto nas comunidades vizinhas ao macio quanto na zona u rbana do municpio de Iui. Tendo em vista a preservao do acervo espeleolgico, arqueolgico e paleontolgico dessa regio, este trabalho vem dar subsdio a alguns possveis atrativos tursticos da regio, e investigar a capacidade de instalao dos mesm os, na tentativa de levar ao pblico a importncia de conhecer e preservar essa regio crstica, pois esta possui elementos que confirmam sua magnitude e indiscutvel relevncia tcnico cientfica Palavras Chave: espeleoturismo; educao ambiental; prese rvao; sustentabilidade Abstract This work aims to analyze some results of the expedition to Iuiu BA realized in January 2009, in the attempt to understand better the region of the massif and its surroundings. This analysis is made under an environmenta l and social point of view that look for characteristics that indicates the demand of tourist potential of the region, besides other possible natural atractives surrounding in his urban area and near farms thats far from municipality of Iui. Working for the preservation of the natural patrimony like caves, archaeological and paleontological registration on that region, this work will expose a preliminary vision about the tourist potential of the region, in addition to looking for a possible attractive t ourist region, just not the caves, investigating the capacity of its exploration, in an attempt to bring in public the importance of knowing and preserve this sensitive and different region, that has some evidences to confirm its beautiful and technic sci entific relevance K ey Words: S peleotourism, environment education, preservation, sustainability Introduo O sculo XXI vem sendo marcado pela constante preocupao com o meio ambiente e o uso sustentvel dos recursos naturais. O Brasil, pas reconhecid o por possuir uma das maiores superfcies vegetais do planeta, abriga iniciativas relevantes para promover a conscientizao ambiental, visto que o uso irresponsvel de reas naturais decorrente de vrias atividades e setores da economia nacional frequen te. Dessa forma a prtica do ecoturismo e do turismo de aventura, segmentos do turismo em reas naturais ou ecolgico, vem como uma importante ferramenta para promover a educao ambiental, sendo talvez a mais efetiva sob o ponto de vista de sua abrangnc ia (EMBRATUR, 2002). O Brasil se mostra como um dos lugares do mundo que possui mais atrativos para todos os perfis de ecoturistas, com condies inigualveis para a prtica das diferentes modalidades do segmento, sendo que o turismo ecolgico representava em 2002, segundo dados estatsticos do Plano Embratur, de 5 a 8% de negcios do turismo no pas, tendncia que se mostra crescente. Inicialmente concebido como alternativa crescente ameaa cultural e ambiental, imposta pelo turismo de massa, a premissa do ecoturismo recai sobre um turismo de baixo impacto sobre os ecossistemas naturais que, em 1994, com a publicao das Diretrizes para uma Poltica Nacional de Ecoturismo pela EMBRATUR e Ministrio do Meio Ambiente, o “turismo ecolgico” foi definido com o “ segmento da atividade turstica que se utiliza do patrimnio natural e cultural de forma

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Silva Investigao do p otencial para o espeleoturismo na regio da Serra do Iuiu BA Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 132 sustentvel, estimulando a preservao desse patrimnio, alem de ter a preocupao com o bem estar da comunidade autctone, promovendo a educao ambiental ” (EMBRAT UR, 1994:18). O presente trabalho se insere no cumprimento das responsabilidades brasileiras no mbito da Agenda 21 Global e nacional e exprime sua preocupao na defesa de uma melhor integrao entre os governos nacional, local, setor privado e comunidade s acadmicas, cientficas e grupos ligados causa ambiental para uma fiscalizao ambiental mais rgida e freqente. Da Agenda 21 Global – marco referencial para o planeta – emana a Agenda 21 Brasileira, que envolve a sociedade civil e o setor pblico po r meio de um processo participativo e propositivo, sistematizada em seis reas temticas que abordam a atividade turstica: agricultura sustentvel; cidades sustentveis; infra estrutura e integrao regional; gesto de recursos naturais; reduo das desig ualdades sociais; e cincia e tecnologia para o desenvolvimento sustentvel. A implantao da Agenda 21 Brasileira levou construo de Agendas 21 Locais, contribuindo para ampliar a cultura da sustentabilidade no Pas. O setor turstico, incorporando exp licitamente as premissas da sustentabilidade, elaborou a Agenda 21 para o Turismo21 em 1998, com o objetivo principal de proteger os recursos naturais, culturais e sociais que o constituem (EMBRATUR, 2008, s.p.). So vrios os atrativos do patrimnio natur al brasileiro que despertam o interesse dos adeptos da prtica do ecoturismo: rios, lagoas, corredeiras, florestas, montanhas, cnions, alm de 7.400 km de litoral com praias paradisacas e o objeto de estudo para o presente artigo: as cavernas. O ser hu mano vem sendo instigado pelos mistrios do mundo subterrneo h sculos, utilizando as cavernas desde a pr histria como abrigo, local de manifestao cultural e religiosa, extrao mineral, estudos arqueolgicos e paleontolgicos e captao de gua, por exemplo (LINO, 2001 p. 17). A comunidade cientfica v nascer aos poucos a cincia espeleologia, palavra que vem do grego: spelaion, caverna; logos, estudo com a preocupao de realizar estudos e relat los humanidade que passa a conhecer sua importnci a tcnico cientfica, econmica e ambiental. Dessa forma as cavernas passaram a despertar o interesse de um maior nmero de pessoas, seja com uma curiosidade voltada ao estudo cientfico, seja voltada explorao da prtica do lazer e conseqentemente de sua prtica dentro do turismo. Considerado segmento do turismo e uma modalidade de turismo de aventura (ABETA, 2009 p. 09), o espeleoturismo discute suas prticas a partir dos conceitos de sustentabilidade e responsabilidade scio ambiental e vem desenvolv er estudos de planejamento e tcnicas utilizadas para melhor aproveitar o passeio nessas regies to peculiares. Lagos e cachoeiras subterrneas, estalactites e colunas, grandes sales internos adornados com cortinas, escorrimentos e espeleotemas raros tm chamado a ateno de turistas e aventureiros para sua prtica. Mas como o Brasil possui um potencial muito grande ainda no explorado, podem existir cavernas e/ou abrigos ainda no descobertos ou que no possuam registro nos bancos de dados disponveis, s eja do governo, seja da sociedade civil organizada, como por exemplo, os grupos de estudos espeleolgicos, podendo ser utilizadas de forma indevida e consequentemente degradadas, sem que isso venha a pblico. Nesse contexto, o presente artigo vem relatar a importncia do estudo e explorao cientfica de reas com potencial espeleolgico, destacando o caso de Iuiu BA, o mais novo Distrito Crstico estudado pela SEE Sociedade Excursionista Espeleolgica em 2005 e, principalmente, vem apresentar os resultad os de uma investigao da potencialidade turstica do municpio de Iuiu BA. Contextualizando o espeleoturismo O turismo em cavernas, ou espeleoturismo tem sido desenvolvido em vrias partes do Brasil e do mundo explorando as cavidades. O ambiente de caver nas pode ser visitado com diversas motivaes, tais como contemplao, curiosidade em relao formao da gruta, sua geologia, sua fauna e aspectos paleontolgicos ou mesmo pelo registro de grupos humanos que possam t las usado como abrigo, sem contar a prpria aventura de simplesmente estar dentro da caverna (ABETA, 2009, p. 11). Infelizmente a degradao se faz presente seja por vandalismos de turistas que escrevem seus nomes dentro da cavidade, seja pelo rastro de sujeira deixada em seu entorno, seja por empreendimentos irresponsveis que ignoram as normas ambientais e execuo de um plano de manejo e que descaracterizam as cavernas de forma errnea. Dessa forma esse estudo vem ressaltar as caractersticas do espeleoturismo no que diz respeito ao uso sustentvel do ambiente, tendo em vista as peculiaridades do ambiente caverncola (zona aftica, presena de animais e formaes geolgicas sensveis e caractersticas do ambiente), e os perigos

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Silva Investigao do p otencial para o espeleoturismo na regio da Serra do Iuiu BA Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 133 decorrentes de sua explorao indevida. Percebe se a necessida de de redobrar os cuidados sobre sua utilizao para no comprometer seu ecossistema de forma irreparvel atentando para o risco segurana daqueles que exploram seu ambiente sem o devido conhecimento do que a explorao em cavernas e sem informaes pe rtinentes a respeito da prpria cavidade (tamanho, altitude, desenvolvimento linear, se labirntica ou no, por exemplo). Por outro lado, entende se que do ponto de vista turstico a utilizao da caverna vista como um produto visivelmente rentvel uma vez que atinge grupos especficos de turistas que procuram a natureza e que possuem uma renda mdia estimada de R$5.300,00, sendo que o valor mdio gasto por ecoturista situa se entre R$4,0 e 6,0 mil ( EMBRATUR, 2002) em cada regio visitada. Isto faz perc eber que a importncia econmica dessa explorao no pode ser ignorada, assim como a promoo da educao ambiental para que seja possvel aliar a mudana nos padres de consumo e comportamento explorao do patrimnio natural e espeleolgico brasileiro O trabalho de campo A Sociedade Excursionista e Espeleolgica SEE/EM desde 1937 vem desenvolvendo trabalhos de prospeco, explorao e caracterizao nas mais distintas regies crsticas do territrio nacional. Seguindo esses ideais, foram realizadas expedies para conhecer o pequeno macio chamado Serrinha, 4 km a leste da Serra de Iui com rea aproximada de 36 ha, localizado no distrito da Varginha, divisa dos municpios de Iui e Malhada, BA. A rea de estudo possui cerca de 180 km2 e est contid a num retngulo cujos vrtices opostos tm as coordenadas geogrficas: S 1422’30”, W 4345’00” e S 1437’30”, W 4230’00”. O acesso ao local se faz a partir de Ouro Preto MG, pela Rodovia dos Inconfidentes (BR 356) por 68 km at a BR 040. Por esta percorre se 142 km, passando por Belo Horizonte MG, at o trevo de acesso a Curvelo MG. Segue se pela BR 135 por 301 km at Montes Claro MG. A partir da conduz se a Guanambi BA, passando por Janaba MG, pela BR 122 durante 370 km. De Guanambi, segue se sentido oe ste at Iuiu BA pela BR 030, percorrendo 100 km. De Iui BA toma se a estrada de terra de acesso ao distrito de Pindorama por aproximadamente 20 km at a comunidade da Varginha, onde se encontra o macio estudado. O percurso total de aproximadamente 100 1 km (figura 1) Na primeira expedio realizada em 2005, de carter estritamente espeleolgico (prospeco, mapeamento, geoespeleologia e caracterizao das cavidades), foi feita a explorao do macio em diversos pontos da regio, alm de iniciar o mapea mento da gruta Toca Fria. A segunda campanha foi realizada em 2007, cujos trabalhos tiveram uma abordagem muito parecida com a anterior, com a ressalva que o mapeamento realizado foi na gruta Jatob. A terceira expedio, realizada entre os dias 13 e 24/01 /2009, visando ampliar os horizontes dos estudos feitos pela SEE cujos resultados e discusses sero discutidas nesse trabalho, teve um carter multidisciplinar uma vez que participaram estudantes e profissionais de biologia, engenharias geolgica, arqueol ogia, paleontologia e turismo. Conseqentemente foram realizados os trabalhos espeleolgicos de continuidade do mapeamento da gruta Jatob, explorao do entorno do macio em pontos ainda no visitados como a regio do Vai Quem Quer. Foram realizados tamb m os levantamentos da fauna local e do potencial arqueolgico e paleontolgico da regio. Figura 1 – Localizao de Iui BA dentro do estado da Bahia. Fonte: IBGE (Brasil, 2006) A partir de relatos e resultados das campanhas de 2005 e 2007 percebeu se a expectativa da comunidade autctone em explorar o turismo na regio, a partir da descoberta desse Distrito Crstico. Assim foi feita, em 2009, uma coleta de informaes atravs de investigao de campo a princpio em conversas informais com a comunidad e autctone e com funcionrios da prefeitura, tendo em vista sua viso sobre o patrimnio espeleolgico local (conhecimento de sua existncia e possvel explorao das cavidades pelos prprios moradores da comunidade) e do potencial turstico da regio (co mo vem o turismo, o grau de aceitabilidade de uma possvel explorao turstica em Iui), visando uma avaliao do potencial turstico de toda a

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Silva Investigao do p otencial para o espeleoturismo na regio da Serra do Iuiu BA Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 134 regio, no s do patrimnio espeleolgico e, ainda, sua capacidade como um plo receptivo. Atrativos descob ertos A excurso contou com duas etapas. Na primeira etapa, realizada entre os dias 13 e 20 de janeiro, os membros se dividiram em duas equipes. Uma fez a explorao do macio e seu entorno, enquanto a outra realizou os trabalhos de mapeamento de algumas c avidades subterrneas dando continuidade aos trabalhos de topografia e mapeamento da gruta Jatob, iniciados em 2005, envolvendo descries espeleolgicas, paleontolgicas e arqueolgicas. Dentre os atrativos tursticos explorveis na regio destaca se o a cervo espeleolgico do macio da Serrinha: tendo a gruta da Toca Fria como potencial atrativo espeleoturstico e o acervo arqueolgico da regio do Vai Quem Quer com grande potencial de roteiro para trilhas tursticas, tendo em vista a fcil acessibilidade e contemplao das estruturas geolgicas e resqucios arqueolgicos. Trata se de uma regio que apresenta uma parte do macio onde se destacam trs abrigos que foram nomeadas Vai1, Vai2 e Vai3. A seguir so expostas fotos tiradas durante a excurso, em 22 de janeiro de 2009. Vai1: consiste em um paredo com pinturas rupestres que tem sido ameaado devido ao desmatamento e queimadas feitas logo sua frente conforme mostra a Figura 2. Figura 02 – Abrigo Vai1 Um interessante abrigo que, a partir do desen volvimento de um plano de recuperao de rea degradada, pode ter sua entrada limpa e recuperada para atrair a viso do turista para o que realmente tem de mais belo: as pinturas rupestres e sua significativa representao de vegetao nativa. Vai2: Caract eriza se por ser um pequeno abrigo onde foram encontrados pedaos de antigas cermicas contendo ainda pinturas nas paredes e grafismos no cho. Figura 3 – Grafismos no abrigo Vai2 Vai3: Maior que a anterior, possui vestgios de cermica e ossadas, al m de escorrimentos e cortinas de formaes belssimas em suas paredes e no teto Divide se em dois grandes sales cuja intensidade da luz difere, sendo que o mais escuro utilizado por animais de pequeno porte da regio. Figura 4 Abrigo Vai3 Na segund a etapa da excurso, a partir do dia 21 de janeiro, foram investigados outros possveis atrativos tursticos na zona urbana do entorno do macio a aproximadamente 13 km da rea de estudo. Equipamentos tursticos Atravs da investigao de campo percorrend o a zona urbana de Iui e do levantamento das informaes obtidas com os moradores, foi possvel contabilizar alguns dos principais equipamentos tursticos do municpio,

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Silva Investigao do p otencial para o espeleoturismo na regio da Serra do Iuiu BA Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 135 necessrios a um bom centro receptivo sendo: 5 restaurantes, de administrao familiar ; 2 postos de gasolina, estando somente um em funcionamento; 3 Lan houses; 2 pousadas de administrao familiar; Saindo do centro urbano, visando explorar uma maior rea territorial, a aproximadamente 4 km de estrada de cho, buscou se a Barragem de Bernar dinho, onde, de acordo com relatos de moradores desenvolve se uma pequena cachoeira em tempos de chuva e que poderia ser uma possvel atrao turstica. No trajeto encontrou se um pequeno cemitrio. Em seguida uma casa de pau a pique muito bem conservada, com um forno de carvo artesanal. Ao final do trajeto encontrou se uma lagoa perene de mdio porte, estando a serrinha ao fundo. Como est situada numa rea privada e pobre, h ocorrncia de muitas cercas de arame farpado e uma pedra fixa beira da mesma, onde as mulheres lavam roupas e louas. Na regio de escoamento da gua, a lagoa afunila se e segue por regio escorregadia no meio de uma mata nativa com plantao de culturas como mangueira, goiabeira e capim, tornando o acesso ao local da queda d’gua impossvel. Averiguou se que essa rea praticamente a nica do entorno ideal para a prtica de balnerio e tambm de extrema importncia social, uma vez que responsvel por grande parte do abastecimento de gua para o municpio e pelo fornecimento de gua para os moradores do entorno. Constatou se ainda a presena de animais como equinos, bovinos, patos, garas, cachorros e galinceos pertencentes populao autctone. Devido falta de recursos humanos, pela pouca aceitao pblica em dar entrevista s, que foram feitas pessoalmente, e pela pouca disponibilizao de dados da prefeitura acerca do municpio, a pesquisa ficou um pouco restrita, o que exibe a necessidade de continuidade da mesma. Consideraes finais O fenmeno turstico se caracteriza po r ser um sistema multidimensional, sendo assim, interfere nos diversos setores de uma localidade, seja econmico, social, ambiental e/ou cultural. Iui possui atrativos suficientes para implantar o Turismo, mas se faz necessrio a introduo de conceitos e uma viso sistmica sobre Turismo para que a comunidade autctone conhea o processo e desperte o sentimento de pertencimento de seu patrimnio cultural e natural. A partir disso, se faz necessrio um planejamento responsvel baseado nos princpios do eco desenvolvimento e da sustentabilidade cultural, com a cobrana de incentivos governamentais e da consolidao de iniciativas privadas que incentivem os estudos espeleolgicos. Melhoras da infra estrutura necessria para se tornar um receptor de turistas qu e garanta o bom funcionamento da atividade o ponto de partida para a percepo, principalmente das vantagens advindas dessa possvel atividade econmica. Segundo o captulo 8 da Agenda 21 “a responsabilidade pela concretizao de mudanas cabe aos gover nos, em associao com o setor privado e as autoridades locais e em colaborao com organizaes nacionais, regionais e internacionais [...]” o que recai na necessidade de que haja polticas pblicas pautadas pela anlise do custo benefcio de suas aes, com uma lgica de mercado condizente com as idias de dimenses ecolgicas, sociais, econmicas e culturais e reais de acordo com o municpio em si. E ainda, que tais polticas venham orientar e/ou influenciar a ao do homem no processo de gerao do meio de satisfao de sua necessidade para se chegar a uma auto gesto, assegurando a preservao ambiental e cultural da localidade e a definitiva elaborao de um Inventrio Turstico Local, segundo as normas do Ministrio do Turismo para requerer um aprofund amento do conhecimento das culturas e dos ecossistemas para delimitar os pontos de partida dos processos de desenvolvimento local a serem implementados. A participao local no processo de planejamento fundamental, pois desse modo, a populao se mobili za e se conscientiza de sua importncia e pode vir a tornar se o fiscalizador ambiental local e passar a cobrar das organizaes pblicas medidas cabveis ao seu prprio desenvolvimento. imprescindvel que haja polticas pblicas pautadas pela anlise d o custo benefcio de suas aes, com uma lgica de mercado condizente com as idias de dimenses ecolgicas, sociais, econmicas e culturais. Pensar em ecoturismo pensar em localidade, pois no se busca apenas o lucro, mas atender as necessidades locais evitando assim sua marginalizao. Com isso, ter se um turismo responsvel e tico alicerado na educao e informao. Dessa forma, a descoberta dessa localidade e seu potencial espeleolgico, arqueolgico, paleontolgico vem despertar um interesse de s e fazer turismo na regio com um diferencial da maior

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Silva Investigao do p otencial para o espeleoturismo na regio da Serra do Iuiu BA Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 136 parte dos empreendimentos tursticos que exploram reas naturais no Brasil: conhecer, planejar para depois explorar. Iui possui atrativos tursticos relevantes a serem explorados, como visto ao longo d este trabalho. Por ser uma regio onde a populao de baixa renda, importante ressaltar que, para que o turismo seja uma atividade econmica e sustentvel, respeitando o compromisso do bom uso da terra como citado na Agenda 21, deve haver um processo p lanejado e criterioso, que se estruture com a participao da comunidade autctone. Os cidados locais podem transformar a regio em um rico centro receptivo de turistas de todo o estado e do exterior, alm de contribuir para preservar seu patrimnio espel eolgico e se transformar em agentes de preservao cidad e fiscalizadores do patrimnio onde vivem, que uma riqueza ambiental para usufruto criterioso da humanidade. Agradecimentos Agradeo aos membros da Agenda 21, professora Dulce Maria Pereira e SEE – Sociedade Excursionista Espeleolgica, seus membros ativos e no ativos sem os quais esse trabalho no seria possvel Referncias Bi bliogrficas AGEND A 21. Captulos. Disponvel em http://ww w.amavida.org.br/agenda21.php Acesso em 30 de mar o de 2009. Instituto Brasileiro do Turismo – EMBRATUR. 1994. Diretrizes para uma Poltica Nacional de Ecoturismo Braslia, 1994. Lino, C. F. 2001. Cavernas O fascinante Brasil subterrneo. Rios, So P aulo. 215 p. Ministrio do Turismo. Instituto Brasileiro do Turismo – EMBRATUR. 2002. Estudo sobre o turismo praticado em ambientes naturais conservados relatrio final. EMBRATUR. So Paulo, 170 p. verso digital. Ministrio do Turismo. Instituto Brasil eiro do Turismo – EMBRATUR. 2003. Anurio estatstico. EMBRATUR. Braslia, 148 p. Vol. 30. verso digital. Ministrio do Turismo. 2006. Plano Nacional de turismo 2007/2010: Uma viagem de Incluso. Ministrio do Turismo. Braslia 88 p. verso digital. Minis trio do Turismo. Secretaria Nacional de Polticas de Turismo, Departamento de Estruturao, Articulao e Ordenamento Turstico. 2008. Ecoturismo: Orientaes Bsicas. Ministrio do Turismo. Braslia, 60 p. verso digital. Ministrio do Turismo. Associa o Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura – ABETA. 2009. Manual de Boas Prticas e Aventura Segura: Espeleoturismo. MINTUR. Belo Horizonte, ABETA, 60 p. verso digital. SILVA, D. M. 2009. Anlise da potencialidade turstica de uma regi o crstica e seu exocarste: um estudo de caso de Iui BA. 56 p. Trabalho Acadmico (Bacharelado em Turismo) Departamento de Turismo, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto. MINISTRIO DO MEIO AMBIENTE. 2009. Agenda 21. Disponvel em http://www.mma.gov.br/sitio/ Acesso em 30 de mar o de 2009. MINISTRIO DO MEIO AMBIENTE. 2009. Agenda 21 Global. Disponvel em http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=18&idConteudo=575 Acesso em 30 de mar o de 2009.

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Silva Investigao do p otencial para o espeleoturismo na regio da Serra do Iuiu BA Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ), 200 9 137 SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESPELEOLOGIA. 2009. Legislao. Disponvel em http://www.sbe.com.br/informacoes_legislacao.asp Acesso em 15 de abr il de 2009. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESPELEOLOGIA. 2009. Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil CNC. Banco de Dados, Disponvel em http://ww w.sbe.com.br Acesso em 10 de jun ho de 2009 Fluxo editorial : R ecebido em: 27 10 .200 9 Enviado para avaliao em: 27 10 .200 9 Enviado para correo em: 29.10 .200 9 Aprovado em: 1 4 12 .2009 A Pesquisa s em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Se o de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 200 9

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Campinas, SeTur/SBE. Pesqui sas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 2008 139 SUMRIO DE TTULOS – VOLUME 2 ( SUMMARY OF TITLES – VOLUME 2 ) ARTIGOS ORIGINAIS/ORIGINAL ARTICLES Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas da d issoluo Geotourism in the Vila Velha State Park: in the trails of dissolution Ricardo Letenski Gilson Burigo Guimares, Gil Francisco Piekarz & Mrio Srgio de Melo 5 A Caverna d o Eremita, Parque Kozjansko, Eslovnia The Ermit ’s Cave, Kozjansko Park, Sloveni Luiz Eduardo Panisset Travassos 17 Geoturismo: uma nova forma de atrao turstica – es tudo de caso na alta bacia do rio Corumbata, So Paulo, Brasil Geotourism: new way of tourist attraction – case study at the Corumbatai river region, So Paulo, Brazil Andr Riani Costa Perinotto 27 An lise Geolgica, Geomorfolgica e Turstica do Parque Estadual da Serra d os Martrios Andorinhas: potencial para o geoturismo Geological, Geomorphological and Touristic Analises of Parque Estadual da Serra dos Martrios Andorinhas: potential for geotourism Silvio Lima Figueiredo & Paulo Sergio de Sousa Goray eb 41 Geomorfologia Fluvial e Geoturismo O Potencial Turstico d e Quedas D’gua d o Municpio d e Indianpolis Minas Gerais Fluvial Geomorphology a nd Geot ourism – The Tourist Potential of Water Falls i n Indianpolis District Minas Gerais Lilian Carla Mo reira Bento & Slvio Carlos Rodrigues 57 O Desenvolvimento do Geoturismo no Municpio de Porto d o Mangue/R N com Base no Complexo “Dunas d o Rosado”: patrimnio geolgico potiguar Geotourism Development in the District of Porto do Mangue/RN Based in the Com plex “Dunas d o Rosado”: potiguar geologic heritage Luis Felipe Fernandes Barros 69 O Turismo de Natureza como Atrativo Turstico do Municpio de Portalegre, Rio Grande d o Norte Nature Tourism asTourist Attraction of the Portalegre, Rio Grande do Norte Fer nanda Cauper Viana & Marcos Antonio Leite do Nascimento 79 Sugesto de Inventrio e SIG Tursticos Para o Municpio de Mamba GO Suggestion of Inventory and GIS Tourist Municipality of Mamba GO Laze Leite Vieira & Lanny Markes Leite Vieira 101 Zoneamen to Ambiental Espeleolgico (ZAE): Aproximao Terica e Delimitao Metodolgica Environmental Zoning of Caves: Theoretical Approach and Methodological Delimitation Heros Augusto Santos Lobo 1 13 Investigao do Potencial Para o Espeleoturismo na Regio d a Serra do Iuiu – BA Investigation of the Potential for Speleotourism in the Region of Iuiu – BA Diana Michelle da Silva 1 31

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Campinas, SeTur/SBE. Pesqui sas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 2008 140 NDICE DE ASSUNTOS – VOLUME 2 ( INDEX OF SUBJECTS – VOLUME 2 ) A Adventure Tourism 79 Alta Bacia do Rio Corumbata, 27 Araguaia B elt 41 B Brasil, 41 C Carste, 17 Cavernas, 17 Caves 17 Cinturo Araguaia, 41 Coastal Dunes 69 Conservao Ambiental, 113 Corumbatai River Region 27 D Dunas Costeiras, 69 E Ecotourism 79 Ecoturismo, 79 Educao Ambiental, 131 Educational Trails 17 Environmental education, 131 Environmental Zoning of Caves 113 Espeleoturismo, 113 131 F Fluvial Geomorphology 57 G Geological Heritage 05 Geomorfologia Fluvial, 57 Geoprocessamento, 101 Geoprocessing 101 Geotourism 05, 17, 27, 41, 57, 69, 79 Geot urismo, 05, 17, 27, 41, 57, 69, 79 GIS, 101 I Indianpolis, 57 Inventrio Turstico, 101 K Karst 17 Karstic Relief 05 M Mamba, 101

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Campinas, SeTur/SBE. Pesqui sas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 2008 141 N Natural Park 17 Nature Tourism 79 Neoproterozoic 41 Neoproterozico, 41 P Par, 41 Parque Estadual da Serra dos Martrios Andorinhas, 41 Parque Natural, 17 Patrimnio Geolgico, 05 Plano de Manejo Espeleolgico, 113 Plano f Speleological Management 113 Portalegre, 79 Porto do Mangue, 69 Preservao, 131 R Relevo Crstico, 05 S SIG, 101 Speleotourism 113 131 Sus tainability 131 T Tourism 27 Tourist Inventory 101 Trilhas Educativas, 17 Turismo, 27 Turismo de Natureza, 79 Turismo de Aventura, 79 U Unidades de Conservao, 05 Units of Conservation 05 Z ZAE, 113 Zoneamento Ambiental Espeleolgico, 113

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Campinas, SeTur/SBE. Pesqui sas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 2008 142 NDICE D E AUTORES – VOLUME 2 (INDEX OF AUTHORS – VOLUME 2 ) B Barros, 69 Bento, 57 F Figueiredo, 41 G Guimares, 05 Gorayeb, 41 L Letenski, 05 Lobo, 113 M Melo, 05 N Nascimento, 79 P Perinotto, 37 Piekarz, 05 R Rodrigues, 57 S Silva, 131 T Travassos, 17 V Viana, 79 Vieira a, 101 Vieira b, 101

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Campinas, SeTur/SBE. Pesqui sas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 2008 143 QUADRO DE AVALIADORES – VOLUME 2 ( BOARD OF REVIEW – VOLUME 2 ) No ano de 200 9 os originais recebidos foram avaliados pelos seguintes pesquisadores: Csar Ulisses Vieira Verssimo Universidade Federal do Cear ( UFC) Heros Augusto Santos Lobo Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) Jadson Luis Rabelo Porto Universidade Federal do Amap (UNIFAP ) J os Alexandre de Jesus Perinotto Universidade Estadual Paulista (UNESP ) Luiz Eduardo Panisset Travassos Pontifci a Universidade Catlica de Minas Gerais (PUCMG) / Faculdade Promove M arcos Antonio Leite do Nascimento Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN ) P atrcia Cristina Statella Martins Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS ) Patrick Thoma z de Aquino Martins Universidade Estadual Paulista (UNESP) P aulo dos Santos Pires Universidade do Vale do Itaja (UNIVALI ) Ricardo Jos Calembo Marra Centro Nacional de Estudo, Proteo e Manejo de Cavernas (CECAV/ICMBio ) rsula Ruchkys de Azevedo CREA MG William Sallun Filho Instituto Geolgico do Estado de So Paulo (IG/SMA)

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Campinas, SeTur/SBE. Pesqui sas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 2008 144 GESTO EDITORIAL 2009 Durante o ano de 200 9 a revista Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas apresentou o seguinte fluxo editorial de avaliao de originais: Originais r ecebidos em 2008 e avaliados em 2009 : 01 Originais recebidos em 2009: 17 Originais publicados em 200 9 : 1 0 Originais reprovados em 200 9 : 0 4 Originais retirados da pauta de publicao em 200 9 : 01 Originais recebidos em 200 9 em processo de avaliao: 0 4 Proc edncia dos trabalhos publicados *: Brasil: 1 0 sendo: So Paulo: 01 Minas Gerais: 03 Gois : 01 Par : 01 Paran : 0 1 Piau : 0 1 Rio Grande do Norte: 02 Considerando o vnculo institucional do primeiro autor de cada trabalho. Inclui todas as sees da revi sta. Web site (no perodo de 01/01/200 9 a 31/ 12 /200 9 ) Total de page views ( pgina da revista ): 2.8 69 Total de page views ( pgina de cada nmero ) Volume 1 Nmero 1 : 851 Volume 1 Nmero 2: 1.077 Volume 2 Nmero 1: 705 Total de downloads ( revista completa ): Volume 1 Nmero 1: 521 Volume 1 Nmero 2: 1.027 Volume 2 Nmero 1: 488 Total de downloads ( por artigo ): Volume 1 nmero 1 p. 000 005: 248 Volume 1 nmero 1 p. 007 017: 191 Volume 1 nmero 1 p. 019 028: 267 Volume 1 nmero 1 p. 029 042: 277 Volum e 1 nmero 1 p. 043 055: 423 Volume 1 nmero 1 p. 057 065: 462 Volume 1 nmero 1 p. 067 076: 1.182 Volume 1 nmero 1 p. 077 088: 1.361 Volume 1 nmero 1 p. 089 090: 339 Volume 1 nmero 1 p. 091 092: 395 Volume 1 nmero 2 p. 093 105: 193 Volum e 1 nmero 2 p. 107 120: 562 Volume 1 nmero 2 p. 121 129: 358 Volume 1 nmero 2 p. 131 144: 451 Volume 1 nmero 2 p. 145 164: 900 Volume 1 nmero 2 p. 165 172: 2.251 Volume 1 nmero 2 p. 173 182: 886 Volume 1 nmero 2 p. 183 187: 325

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Campinas, SeTur/SBE. Pesqui sas em Turismo e Paisagens Crsticas 2 ( 2 ) 2008 145 Volume 1 nmero 2 p. 189 190: 185 Volume 1 nmero 2 p. 191 191: 185 Volume 2 nmero 1 p. 000 004: 94 Volume 2 nmero 1 p. 005 015: 415 Volume 2 nmero 1 p. 017 025: 118 Volume 2 nmero 1 p. 027 039: 214 Volume 2 nmero 1 p. 041 055: 289 Volume 2 nm ero 1 p. 057 068: 337 Volume 2 nmero 1 p. 069 077: 129 Volume 2 nmero 1 p. 079 096: 289 Heros Augusto Santos Lobo Editor Chefe Marcelo Augusto Rasteiro Editor Executivo A Pesquisa s em Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp


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