SBE Turismo e Paisagens Cársticas

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SBE Turismo e Paisagens Cársticas

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Title:
SBE Turismo e Paisagens Cársticas
Series Title:
Tourism and Karst Areas
Alternate Title:
Revista Científica da Seção de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publisher:
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Genre:
serial ( sobekcm )

Notes

General Note:
Capa, Expediente, Sumário e Editorial ARTIGOS ORIGINAISGeoturismo: uma abordagem histórico-conceitual Geotourism: an approach historical and conceptual Jasmine Cardozo Moreira Espacializando a importância da caverna de Postojna (Postojnska Jama) para o turismo ao longo da história Eslovena Spatializing the importance of Postojna cave (Postojnska Jama) for tourism throughout Slovene history Luiz Eduardo Panisset Travassos Wagner Barbosa Batella O turismo como ferramenta para a proteção do patrimônio cultural arqueológico: um estudo na APA Carste de Lagoa Santa - MG Tourism as a archaeological heritage protection tool: a study at the Environmental Protected Area of the Lagoa Santa Karst, Minas Gerais Débora Goulart Becheleni Mirna de Lima Medeiros Planejamento ambiental integrado e participativo na determinação da capacidade de carga turística provisória em cavernas Environmental planning integrated and participatory for determinate the provisory tourist carrying capacity in caves Heros Augusto Santos Lobo, Maurício de Alcântara Marinho, Eleonora Trajano, José Antonio Basso Scaleante, Bárbara Nazaré Rocha, Oscarlina Aparecida Furquim Scaleante Francisco Villela Laterza RESUMOS DE TESES E DISSERTAÇÕESAvaliação do impacto de atividades turísticas em cavernas Evaluation of impact of activities of tourism in caves José Antonio Basso Scaleante Geoconservação e desenvolvimento sustentável na Chapada Diamantina (Bahia - Brasil) Geoconservation and sustainable development in Chapada Diamantina (Bahia- Brasil) Ricardo Galeno Fraga de Araújo Pereira
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Open Access - Permission by Publisher
Original Version:
Vol. 3, no. 1 (2010)
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University of South Florida Library
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University of South Florida
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K26-03700 ( USFLDC DOI )
k26.3700 ( USFLDC Handle )
8814 ( karstportal - original NodeID )
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Capa, Expediente,
Sumrio e Editorial
ARTIGOS ORIGINAISGeoturismo: uma abordagem
histrico-conceitual Geotourism: an approach historical and
conceptual Jasmine Cardozo Moreira Espacializando a importncia
da caverna de Postojna (Postojnska Jama) para o turismo ao
longo da histria Eslovena Spatializing the importance of
Postojna cave (Postojnska Jama) for tourism throughout Slovene
history Luiz Eduardo Panisset Travassos & Wagner Barbosa
Batella O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio
cultural arqueolgico: um estudo na APA Carste de Lagoa Santa -
MG Tourism as a archaeological heritage protection tool: a
study at the Environmental Protected Area of the Lagoa Santa
Karst, Minas Gerais Dbora Goulart Becheleni & Mirna de
Lima Medeiros Planejamento ambiental integrado e participativo
na determinao da capacidade de carga turstica provisria em
cavernas Environmental planning integrated and participatory
for determinate the provisory tourist carrying capacity in
caves Heros Augusto Santos Lobo, Maurcio de Alcntara Marinho,
Eleonora Trajano, Jos Antonio Basso Scaleante, Brbara Nazar
Rocha, Oscarlina Aparecida Furquim Scaleante & Francisco
Villela Laterza
RESUMOS DE TESES E DISSERTAESAvaliao do impacto de
atividades tursticas em cavernas Evaluation of impact of
activities of tourism in caves Jos Antonio Basso Scaleante
Geoconservao e desenvolvimento sustentvel na Chapada
Diamantina (Bahia Brasil) Geoconservation and sustainable
development in Chapada Diamantina (Bahia- Brasil) Ricardo
Galeno Fraga de Arajo Pereira



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Geoturismo: uma abordagem histrico-conceitual Jasmine Cardozo Moreira Esp acializando a importncia da caverna de Postojna (Postojnska Jama) p ara o turismo ao longo da histria Eslovena Luiz Eduardo Panisset T ravassos & W agner Barbosa Batella O turismo como ferrament a p ara a proteo do p atrimnio cultural arqueolgico: um estudo na AP A Carste de Lagoa Sant a MG Dbora Goulart Becheleni & Mirna de Lima Medeiros Planejamento ambient al integrado e p articip ativo na determinao da cap acidade de carga turstica provisria em cavernas Heros Augusto Santos Lobo, Maurcio de Alcntara Marinho, Eleonora T rajano, Jos Antonio Basso Scaleante, Brbara Nazar Rocha, Oscarlina Aparecida Furquim Scaleante & Francisco V illela Laterza A valiao do imp acto de atividades tursticas em cavernas Jos Antonio Basso Scaleante Geoconservao e desenvolvimento sustentvel na Chap ada Diamantina (Bahia Brasil) Ricardo Galeno Fraga de Arajo Pereira Artigos Originais Resumos de T eses e Dissert aes R www .sbe.com.br/turismo.asp ISSN 1983-473X V olume 3 Nmero 1 Junho 2010 Potencial de roteiros de visit ao da grut a do T emimina II vide artigo Lobo et al.

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 1 EXPEDIENTE Sociedade Brasileira de Espeleologia ( Brazilian Society of Speleology ) Endereo ( Address ) Caixa Postal 7031 Parque Taquaral CEP: 13076 970 Campinas SP Brasil Contatos ( Contacts ) +55 ( 19) 3296 5421 turismo@sbe.com.br Gesto 2009 2011 ( Management 2009 2011 ) Diretoria ( D irection ) Presidente: Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Vice presidente: Ronaldo Lucrcio Sarmento Tesoureira: Delci Kimie Ishida 1 Secretrio: Luiz Eduardo Panis set Travassos 2 Secretrio: Pvel nio Carrijo Rodrigues Conselho Deliberativo ( Deliberative council ) Rogrio Henry B. Magalhes Presidente Heros Augusto Santos Lobo Carlos Leonardo B Giunco Angelo Spoladore Thiago Faleiros Santos Suplentes : Paulo R odrigo Simes Emerson Gomes Pedro

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 2 TURISMO E PAISAGENS CRSTICAS ( TOURISM AND KARST AREAS ) Editor Chefe ( Editor in Chief ) MSc. Heros Augusto Santos Lobo IGCE/UNESP, Brasil Editor Associado ( Associated Editor ) Dr. Cesar Ulisses Vieira Verssimo Universidade Federal do Cear UFC, Brasil Editor Executivo ( Executive Editor ) Esp. Marcelo Augusto Rasteiro Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil Conselho Editorial ( Editorial Board ) Dr. Andrej Aleksej Kranjc Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Angel Fernndes Corts Universidad de Alicante, UA, Espanha Dr. Arrigo A. Cigna Interntional Union of Speleology / Interntional Show Caves Association, Itlia Dr. Edvaldo Cesar Moretti Universidade Federal da Grande Dourados UFGD, Brasil Dr. Jos Alexandre de Jesus Perinotto IGCE/UNESP, Brasil MSc. Jos Antonio Basso Scaleante Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Bras il MSc. Jos Ayrton Labegalini Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil Dra. Linda Gentry El Dash Universidade Estadual de Campinas UNICAMP, Brasil MSc. Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Centro Universitrio Fundao Santo Andr FSA, Brasil D r Luiz Eduardo Panisset Travassos Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais PUC/MG, Brasil Dr. Marconi Souza Silva Faculdade Presbiteriana Gammon Fagammon/Centro Universitrio de Lavras UNILAVRAS, Brasil Dr. Marcos Antonio Leite do Nascimen to Universidade Federal do Rio Grande do Norte DG/UFRN, Brasil Dra. Natasa Ravbar Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Paolo Forti Universit di Bologna, Itlia Dr. Paulo Cesar Boggiani Universidade de So Paulo IGc/USP, Brasil Dr. Paulo dos San tos Pires Universidade Vale do Itaja UNIVALI, Brasil Dr Ricardo Jos Calembo Marra Centro Nacional de Estudo, Proteo e Manejo de Cavernas I CMBio/CECAV Brasil Dr. Ricardo Ricci Uvinha Universidade de So Paulo EACH/USP, Brasil Dr. Srgio Domin gos de Oliveira UNESP/Rosana, Brasil Dr. Tadej Slabe Karst Research Institute, Eslovnia Dra. rsula Ruchkys de Azevedo CREA MG, Brasil Dr. William Sallun Filho Instituto Geolgico do Estado de So Paulo IG, Brasil Dr. Zysman Neiman Universidade Federal de So Carlos UFSCAR, Brasil Comisso de T raduo ( Translation Committee ) Dra. Linda Gentry El Dash Ingls

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ) 20 10 3 SUMRIO (CONTENTS) Editorial 4 ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES G eoturismo: uma abordagem histrico conceitual Geotourism: an approach historical and conceptual Jasmine Cardozo Moreira 5 E spacializan do a importncia da caverna de Postojna (Postojnska J ama) para o turismo ao longo da histria E slovena Spatializing the i mportance of Postojna cave (Postojnska Jama) for tourism throughout S lovene history Luiz Eduardo Panisset Travassos & Wagner Barbosa Batella 1 1 O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio cultural arqueolgico: um estudo na APA C arste de Lago a Santa MG T ourism as a archaeological heritage protection tool: a study at the Environmental Protected Area of the Lagoa Santa Karst, Minas Gerais Dbora Goulart Becheleni & Mirna de Lima Medeiros 21 Planejamento ambiental integrado e participativo na determinao da capacidade de carga turstica provisria em cavernas Environmental planning integrated and participatory for determinate the provisory tourist carrying capacity in caves Heros Augusto Santos Lobo, Maurcio de Alcntara Marinho, Eleonora Tra jano, Jos Antonio Basso Scaleante, Brbara Nazar Rocha, Oscarlina Aparecida Furquim Scaleante & Francisco Villela Laterza 31 RESUMOS DE TESES E DISSERTA'ES/ MASTER AND DOCTORAL THESIS: ABSTRACTS A valiao do impacto de atividades tursticas em cavern as E valuation of impact of activities of tourism in caves Jos Antonio Basso Scaleante 45 G eoconservao e desenvolvimento sustentvel na Chapada Diamantina (Bahia Brasil) G eoconservation and sustainable development in Chapada Diamantina (Bahia Brasil) Ricardo Galeno Fraga de Arajo Pereira 47

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ) 20 10 4 EDITORIAL A Turismo e Paisagens Crsticas abre, com esta edio, o seu terceiro ano de funcionamento. Neste pequeno intervalo de tempo, tivemos a oportunidade de apreciar 37 originais, o que nos surpreende, fa ce a especificidade do tema tratado. Em sua maioria, os trabalhos so de autores brasileiros, embora j tenhamos publicado em nossas pginas artigos de colegas europeus e asiticos. O amadurecimento da revista outra grande conquista do perodo. Com isso, ganham os editores e revisores que se esmeram cada vez mais em seu trabalho voluntrio de avaliao, edio e produo da revista os autores que passam a ter avaliaes mais criteriosas e refinadas de seus originais e os leitores, que recebem artigos atualizados em suas respectivas temticas, sentindo se estimulados a publicar seus futuros trabalhos e, com isso, tambm contribuir com o sucesso da revista. este ciclo virtuo so que queremos manter para os prximos anos de vida da revista Outra boa notcia o reconhecimento cada vez mai or da Turismo e Paisagens Crsticas frente a comunidade acadmica. Trabalhos que resumem dissertaes e teses de ps graduao tm sido publicados em quase todas as edies, alm dos resumos envi ados pelos autores. O reconhecimento da revista no ndice Qualis da CAPES tambm outro sinal positivo, que deriva de nossa meno em programas de Ps Graduao em todo o pas. Desafios tambm existem, e queremos super los um a um. Desde a manuteno da periodicidade da revista, passando pelo nosso desejo de termos uma verso impressa, a seleo de edies temticas e a ampliao de sua projeo internacional, so temas estratg icos que nos motivam a fazer mais e melhor, pela revista e pelas cavernas e reas crsticas do Brasil e do restante do mundo Na presente edio, quatro artigos apresentam as ligaes entre o manejo e a conservao das reas crsticas e cavernas com os mais diferentes enfoques. Questes histricas como a construo dos conc eitos de geoturismo e a importncia da caverna de Postojna para o turismo na Eslovnia e prticas como o uso do turismo para a conservao do patrimnio arqueolgico da APA Carste de Lagoa Santa (MG) e um novo mtodo para a determinao da capacidade d e carga em cavernas so igualmente tratadas neste nmero, refletindo as mltiplas abordagens possveis na relao entre o turismo e as paisagens crsticas. Por fim, dois resumos de trabalhos de ps graduao complementam esta edio. O primeiro deles, do mestrado de Jos Antonio Basso Scaleante um de nossos editores sobre impactos ambientais do turismo em cavernas. O segundo, da tese de doutorado de Ricardo Fraga Pereira que desde agosto/2010, integra o Quadro de Revisores do peridico Espeleo Tema da SBE que trata sobre a geoconservao e a criao de Geoparques na Chapada Diamantina (BA). Desejamos a todos uma excelente leitura, e que este material possa contribuir para as pesquisas e trabalhos em andamento no Brasil. Heros A. S. Lobo E ditor C hefe A r evista Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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Moreira G eoturismo: uma abordagem histrico conceitual Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 5 GEOTURISMO: UMA ABORDAGEM HIST"RICO CONCEITUAL 1 GEOTOURISM: AN APPROACH HISTORICAL AND CONCEPTUAL Jasmine Cardozo Moreira Universidade Estadual de Ponta Grossa UEPG Ponta Grossa PR jasmine@uepg.br Resumo O Geoturismo pode ser definido como um novo segmento de turismo em reas naturais, realizado por pessoas que tm o interesse em conhecer mais os aspectos geolgicos e geomorfolgicos de um determinado local, sendo esta a sua principal motivao na viagem. N o entanto, sua definio ainda controversa e suas caractersticas pouco conhecidas. Deste modo esta pesquisa teve como objetivo a realizao de uma abordagem histrico conceitual, no sentido de esclarecer alguns desses aspectos e aprofundar os conhecimen tos relativos ao Geoturismo. Deste modo, so apresentadas e discutidas algumas definies deste novo segmento, so citados pases e Estados brasileiros que j vem trabalhando com o potencial geoturistico e relacionados impactos positivos e negativos. Concl ui se que o Geoturismo pode chegar a assumir um grau de importncia estratgica para o futuro do desenvolvimento turstico do Brasil, como fator de desenvolvimento social, educao e valorizao do potencial das comunidades envolvidas, alm do marketing a nvel nacional e internacional Palavras Chave: Geoturismo; Patrimnio Geolgico; Geoconservao Abstract The Geotourism is defined as a new segment of tourism in natural areas, carried out by people who have interest in learning more about the geology a nd geomorphology of a particular location, which is the main motivation on the trip. However, its definition is still controversial and little known characteristics. Thus this study aimed to carry out a conceptual historical approach in order to clarify so me of these aspects and deepen the knowledge on the Geotourism. For this purpose, are presented and discussed various definitions, countries and states that have already been working with the geotouristical potential, and positive and negative impacts. We conclude that the Geotourism can assume a degree of strategic importance for the future of tourism development in Brazil, as a factor of social development, education and marketing K ey Words: Geotourism; Geological Heritage; Geoconservation Introduo C om a verificao de que o G eoturismo um segmento que vem crescendo a cada ano, observa se que o mesmo se apresenta como uma nova tendncia em termos de turismo em reas naturais Entretanto, as pesquisas nessa rea ainda esto no incio e faz se necessr io conhecer mais as caractersticas, impactos e definies de tal segmento. Deste modo, esta pesquisa teve como objetivo a realizao de uma abordagem histrico conceitual, no sentido de esclarecer alguns desses aspectos e aprofundar os conhecimentos relat ivos ao Geoturismo. Com uma nfase particular na conservao, educao e atrativos tursticos em relao aos aspectos geolgicos, interpretar o ambiente em relao aos processos que o modelaram pode ser uma ferramenta de educao ambiental, proporcionando um melhor aproveitamento dos recursos que a natureza nos oferece. McKeever et al. (2006) afirmam que o Geoturismo se comparado com outras modalidades tursticas, ainda est na infncia, mas que atravs do suporte para a geoconservao que se assegura o r ecurso para as suas atividades. Geoturismo, um novo segmento de Turismo em reas Naturais Foi verificado nesta pesquisa que o Geoturismo no pode ser encarado como uma forma de Ecoturismo, e sim como um novo segmento, que conta inclusive com a aprovao e incentivos por parte da UNESCO, sendo especfico em suas potencialidades e objetivos. Assim sendo, por mais que as definies de Ecoturismo contenham o patrimnio natural,

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Moreira G eoturismo: uma abordagem histrico conceitual Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 6 nenhuma delas abrange a geodiversidade como parte do produto turstico, citando mui tas vezes unicamente a biodiversidade. O que diferencia o ecoturismo do turismo convencional o fato dele ser considerado uma segmentao turstica responsvel, que cumpre critrios e princpios bsicos de sustentabilidade, e o geoturismo tambm segue ess es critrios, contemplando os aspectos geolgicos como os principais atrativos tursticos. Para alguns autores o geoturismo, devido as suas caractersticas chega a ser mais eco friendly que o prprio ecoturismo (Robinson & Roots, 2008). De qualquer forma, o Ecoturismo, Turismo de Aventura, Turismo Tcnico Cientifico, Geoturismo, entre outros, podem estar vinculados, visto que os meios interpretativos voltados aos aspectos geolgicos podem ser utilizados por qualquer uma das modalidades de turismo praticada s em reas naturais. Assim, o Geoturismo pode compartilhar experincias realizadas em outras modalidades de turismo em reas naturais e mesmo assim permanecer distinto em seus objetivos. Em combinao com outras formas de turismo, pode adicionar outra dime nso e diversidade ao produto turstico oferecido. Mas, mais importante que isso, o reconhecimento de que as paisagens naturais, monumentos geolgicos, rochas, fsseis, entre outros aspectos geolgicos precisam ser preservados antes que se percam. Conco rda se aqui com o pensamento de Newsome & Dowling (2006), de que somente conseguiremos tal feito atravs do reconhecimento e a valorao desses recursos, planejando o turismo e as aes voltadas ao manejo da rea. Em se tratando dos aspectos histricos, n o se sabe ao certo quando foi o incio do interesse de turistas por paisagens especialmente ligadas a geologia, mas estudos demonstram que devido popularidade da cincia geolgica, esta j era uma motivao turstica desde o sculo XIX. Macfarlane (200 5:53) cita que na Inglaterra, O turismo geolgico tornou se atividade crescente na dcada de 1860, os interessados em participar de excurses geolgicas tinham a chance de escolher entre vrios cursos que ofereciam instruo sobre rochas... O Professor Wi lliam Turl oferecia (de acordo com anncio por ele veiculado) proporcionaro conhecimento suficiente para identificar todos os componentes de rochas cristalinas e vulcnicas encontradas nas De qualquer modo, no novidade que roteiros voltados para a observao de locais onde a geologia e a geomorfologia so singulares j so realizados h muitos anos, entretanto, em sua maioria, restringiam se a sadas tcnicas e aulas de campo. Em pesquisas realizadas no Brasil observou vez somente em 1987 sendo citado por Silva & Arajo: elaborado um mapa inventrio, contendo todos os recursos potenciais, naturais e culturais, bem como as variveis geof sicas e scio culturais que atuam na rea, a saber: clima, regime de ventos, existncia de endemias, eroso, ao do homem, etc. Esse mapa, denominado geoturstico ambiental difere dos mapas geolgicos, geofsicos clssicos e de fcil elaborao, porem no dispensa os conhecimentos tcnicos tradicionais (Silva & Arajo, 1987:179). Entretanto, neste caso, o termo estava relacionado a um mapa, utilizado na implantao de um Distrito Ecoturstico, e no propriamente com a designao de um novo segmento tu rstico. Com este outro enfoque, a primeira citao cientfica publicada utilizando o termo geoturismo foi a proposta pelo ingls Thomas Hose, em 1995 onde o Geoturismo (p.17) facilidades interpretativas no sentido de possibilita r aos turistas a compreenso e aquisio de conhecimentos de um stio geolgico e geomorfolgico ao invs da simples apreciao Hose (2000:136) reviu esta primeira definio, considerando agora o Geoturismo como a meios interpretativos que promovem o valor e os benefcios sociais de lugares com atrativos geolgicos e geomorfolgicos, assegurando sua conservao, para o uso de estudantes, turistas e outras pessoas com interesses H tambm div ersas abordagens realizadas por outros autores. Na definio de Newsome & Dowling (2006) a geologia e a geomorfologia so os componentes centrais e o enfoque principal de interesse desta modalidade turstica. Frey et al. (2006) consideram o Geoturismo como sendo um novo setor ocupacional e de negcios, com a caracterstica principal de transferir e comunicar o conhecimento geocientfico ao pblico em geral, baseando se na interao entre polticas, geocincias, universidades e o turismo. De qualquer

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Moreira G eoturismo: uma abordagem histrico conceitual Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 7 modo, o princpio fundamental de suas atividades est na proteo sustentvel e conservao do Patrimnio Geolgico. Mas, o seu carter complexo e multidimensional abordado por Pforr & Megerle (2006), que informam no haver aceitao sobre o seu conceito e limi tes prticos, sendo que o estabelecimento de uma definio parece ser problemtico. Cabe aqui ressaltar que tanto quanto o Ecoturismo no tem o mesmo significado que turismo ecolgico, o Geoturismo tambm no somente turismo geolgico. O termo vem da ju no das palavras geologia e turismo e no geografia e turismo, como parece ser o caso para a National Geographic (Stueve et al., 2002), que tratam o Geoturismo como uma combinao entre os atributos naturais e culturais que fazem com que um determinado lo cal seja distinto do outro, enfocando as caractersticas geogrficas do destino. Hose (2008) critica tal definio, pelo fato de que a National Geographic ao cri la no levou em considerao os trabalhos que j haviam sido publicados sobre o tema, tomando para si a Stueve et al. (2002), Brilha (2005) informa que a mesma apresenta o sentido do desenvolvimento turstico, envolvendo as caractersticas geogrficas de um lugar, onde estariam includos os aspecto s ligados ao meio ambiente, cultura, patrimnio arquitetnico e bem estar de seus habitantes. De qualquer maneira, para Gates (2006:157), o relativamente antiga, e, como tal, apresenta Um dos objetivos desta pesquisa foi o de compreender e estudar o novo fenmeno que ele realmente . Portanto, aqui o Geoturismo tratado como uma segmentao turstica sustentvel, realizada por pessoas que tm o interesse em conhecer mais os aspectos geol gicos e geomorfolgicos de um determinado local, sendo esta a sua principal motivao na viagem. A pesar de ser um novo segmento, no chega a ser considerado um modismo, pois se fosse um termo passageiro no integraria documentos oficiais da UNESCO e no es taria sendo to pesquisado a nvel mundial. Concorda se com Buckley (2006), que afirma que mais provavelmente as pessoas viajam para ver belezas cnicas (vulces, montanhas, cachoeiras, cavernas, giseres, glaciares, formaes rochosas, cnions, entre out ros), que so essencialmente geolgicas, do que para ver plantas e animais em particular. Entretanto, para muitas pessoas, as rochas no despertam a mesma ateno do que uma floresta ou animais, em virtude do movimento, colorao, sons e interao. Isso fa z com que o desafio de tornar as rochas um elemento que desperte a ateno do visitante seja ainda mais crtico no geoturismo (Newsome & Dowling, 2006). Muitos turistas que no possuem conhecimentos sobre a geologia vem esses aspectos como um componente curioso e interessante da paisagem, sendo que no Geoturismo se entende que no h somente a apreciao da paisagem, e sim tambm sua compreenso, realizada com o auxlio dos meios interpretativos (Moreira & Bigarella 2008). Para Silva (2004) tornar esses a trativos visveis e passveis de interesse e entendimento fundamental para despertar o turista e traz lo a esses locais. Sem dvida, essa uma rdua misso, considerando se a grandiosidade e diversidade do acervo geolgico disponvel e a necessidade de uma terminologia geolgica, entendida por muitos como inacessvel ao cidado comum. Em relao ao pblico que pratica o Geoturismo, Hose (2000) cita que h geoturistas dedicados (aqueles que visitam stios geol gicos e exibies com propsitos educativos, crescimento intelectual e apreciao) e geoturistas casuais (indivduos que visitam stios geolgicos e exibies primeiramente por prazer e alguma estimulao intelectual). De qualquer maneira, para este autor os visitantes de reas geolgicas em sua maioria realizam a visita casualmente, ou seja, so visitas que no so planejadas, ocorrem acidentalmente. Aspectos da promoo e divulgao so abordados por Pforr e Megerle (2006), que acreditam que o estabele cimento de redes de comunicao e a troca adequada de informaes so importantes para implementar com sucesso o Geoturismo em uma regio. Para Hose ( 2006), os elementos chave do segmento so os aspectos da geoconservao em combinao com a promoo turs tica. Essa divulgao cada vez maior vem fazendo com que o Geoturismo se desenvolva rapidamente em diversos pases do mundo, que vm desenvolvendo projetos baseando se no seu potencial geolgico para fins cientficos, interpretativos e educacionais. Entre eles esto a Finlndia (den & Kananoja, 2005), Inglaterra (Page, 1999), Irlanda (MC Keever et al., 2006), Austrlia (James et al., 2006; Dowling & Newsome, 2006), Kazaquisto (Fishman & Nusipov, 1999), Rssia (Skovitina et al., 2005), a Ilha de Lesbos, n a Grcia (Zouros & LabakI, 2005), Malsia (Tongkul, 2006), Eslovquia (Konecny et al., 2005), Litunia (Skridlaite et al., 2005), Islndia (Dowling, 2008), Ir (AmrikazemI & Mehrpooya, 2006), as

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Moreira G eoturismo: uma abordagem histrico conceitual Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 8 portuguesas Ilha da Madeira (Silva & Gomes, 2005) e Ilha de S antiago (Cabo Verde) (Pereira & Brilha, 2005), a Coria do Sul (Huh et al., 2008), a frica do Sul (Schutte, 2004; Reimold et al., 2006), e a China (Jianjun et al., 2006). No Brasil muitos so os locais que possuem potencial para a prtica do Geoturismo, sendo que alguns Estados j vm trabalhando em projetos voltados ao planejamento e divulgao desse potencial. o caso do Rio de Janeiro, atravs do Projeto Caminhos Geolgicos, realizado pelo Servio Geolgico do Rio de Janeiro (DRM RJ) desde 2001, pio neiro no Brasil. Voltado para a sinalizao dos monumentos geolgicos do Estado, tem como objetivos a divulgao e a preservao Pontos de Interesse Geolgico. Em 2007 o projeto j imento, 2007). J em Pernambuco, um curso para Condutores de Geoturismo foi realizado em Fernando de Noronha e m 2007, onde participaram adolescentes e condutores cadastrados pelo ICMBio. A viabilizao do curso deu se atravs do Centro do Golfinho Rotador, Fundao Banco do Brasil e Petrobras. (Moreira & Bigarella, 2008). Logo aps o Estado do Rio de Janeiro, em 2002 o Paran iniciou a divulgao e o desenvolvimento do Geoturismo, com a criao pela MINEROPAR do Projeto Stios Geolgicos e Paleontolgicos do Paran, que vem desenvolvendo e instalando painis interpretativos sobre a geologia e temas correlatos em stios Geolgicos e Paleontolgicos do Estado do Paran. Alm dos citados, outros Estados que tambm vem desenvolvendo aes nesse sentido so o R io Grande do Norte, Bahia e So Paulo e Mato Grosso do Sul. Concluses Independentemente do Estado ou Pas em que realizado, o Geoturismo pode proporcionar diversos impactos, tanto positivos, quanto negativos. Sabe se que qualquer atividade humana pro duz impactos no ambiente em que realizada. O turismo no foge a essa regra, causando impactos que podem abranger efeitos econmicos, ambientais e scio culturais. Deste modo, alguns impactos positivos do Geoturismo esto relacionados conservao do Pat rimnio Geolgico, gerao de empregos diretos e indiretos, a compreenso do ambiente atravs de uma educao geolgica e ambiental dos visitantes, gerando um aumento da conscincia da populao local e turistas a respeito do Patrimnio Geolgico. J como impactos negativos podem ser citados os danos aos stios geolgicos, decorrentes da utilizao excessiva e/ou incorreta, a coleta de souvenirs, vandalismo e remoo ilegal de itens como fsseis e minerais, e a gerao de benefcios econmicos pode ser limi tada se a maioria das pessoas empregadas no for da comunidade local. De qualquer maneira, cabe ressaltar que como o segmento muito novo, seus impactos ainda no so totalmente compreendidos e nem calculados/levantados (Dowling & Newsome, 2006). Concluin do, o Geoturismo pode chegar a assumir um grau de importncia estratgica para o futuro do desenvolvimento turstico do Brasil, como fator de desenvolvimento social, educao e valorizao do potencial das comunidades envolvidas, alm do marketing a nvel nacional e internacional. De qualquer forma, o Geoturismo deve ser um turismo sustentvel no sentido de permitir um desenvolvimento turstico sem degradar ou esgotar os recursos que esto sendo utilizados na atividade. Somente assim ns poderemos conhecer e aproveitar ainda mais nosso patrimnio geolgico, proporcionando que as futuras geraes tambm possam conhec lo Referncias Bi bliogrficas Amrikazemi, A; Mehrpooya, A. 2006. Geotourism resources of Iran. In: Dowling, R e Newsome, D.(edits.) Geotouri sm. Elsevier Butterworth Heinemann, Oxford. 260 p. Brilha J. 2005. Patrimnio geolgico e geoconservao: a conservao da natureza na sua vertente geolgica. Palimage Editores, Viseu, 190 p. Buckley, R. 2006. Geotourism. Annals of Tourism Research 33:58 3 585. Dowling, R. Newsome, D. 2006. Geotourisms issues and challenges. In: Dowling, R e Newsome, D.(edits.) Geotourism. Elsevier Butterworth Heinemann, Oxford. 260 p. Dowling, R. 2008. Geotourism in Iceland. In: Dowling, R; Newsome, D. (eds). Inaugural G lobal Geotourism Conference, 1, Fremantle, Austrlia. Proceedings 151 157.

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Travassos & Batella E spacializa n do a importncia da caverna de P ostojna .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 11 ESPACIALIZANDO A IMPORTNCIA DA CAVERNA DE POSTOJNA (POSTOJNSKA JAMA) PARA O TURISMO AO LONGO DA HIST"RIA ESLOVENA SPATIALIZING THE IMPORTANCE OF POSTOJNA CAVE (POSTOJNSKA JAMA) FOR TOURISM THROUGHOUT SLOVENE HISTORY Luiz Eduardo Panisset Travassos 1 ( 1 ) & Wagner Barbosa Batella 2 ( 2 ) (1) Programa de Ps Graduao em Geografia PUC Minas (2) Programa de Ps Graduao em Geografia UNESP / Campus de Presidente Prudente Belo Horizonte MG luizpanisset@uol.com.br R esumo Em sua evoluo, a Geografia passou por perodos de crise paradigmtica que orientaram de forma significativa sua produo cientfica que favoreceu a valorizao do espao geogrfico em outros campos do conhecimento. Tal valorizao realou a import ncia da anlise espacial como metodologia de interpretao das distncias, formas, direes e posies dos fenmenos, a partir de tcnicas de quantificao e cartografia. Uma vez que a atividade turstica envolve espao e movimento, abrem se, a partir da, uma gama de anlises possveis, tais como atratividades que os locais exercem sob pessoas e capitais, interaes espaciais entre viajantes e lugares, fluxos espaciais de turistas, dentre outras. Para a materializao do presente trabalho, optou se por esp acializar as informaes contidas no primeiro volume do Livro de Ouro de visitas Caverna de Postojna, no planalto de Kras, Eslovnia, no perodo de 1857 1945. Essa abordagem visa identificar, pelo uso da cartografia, as informaes compiladas por Shaw e ilustres refletem a importncia cultural deste atrativo, procurado por milhares de pessoas nos ltimos anos. Sendo assim, o presente trabalho objetiva chamar a ateno para o turismo em cavernas e sua importn cia histrica e cultural tanto a nvel regional quanto internacional. Tenta se tambm, evidenciar a importncia da espacializao das informaes para melhor visualizao dos dados compilados Palavras Chave: Anlise Espacial, Cavernas, Eslovnia, 1857 19 45 Abstract During the evolution of geography, this discipline has gone through periods of paradigmatic crises that have significantly oriented its scientific production, which favors the exploitation of geographical space in other fields of knowledge. Su ch valuation has stressed the importance of spatial analysis as a methodology for the interpretation of distances, shapes, directions and positions of phenomena on the basis of quantification and mapping techniques. Since the activity of tourism involves m ovement and space, it opens up a range of possible analyses, such as attraction of that place or activity for people, the spatial interactions between travelers and places, and the spatial flow of tourists. For this paper, the authors have chosen to us spa tial analysis to examine the information contained in the first volume of the Golden Book of visits to the Postojna Cave, on the Kras Plateau in Slovenia, from 1857 to 1945. This approach uses cartography to identify the k (2002). The historic flow of distinguished visitors reflects the cultural importance of this attraction, which has been sought by thousands of people in recent years. Thus, this paper was designed to focus on the tourism in caves and its historical and c ultural importance, both regionally and internationally. It also tries to show the importance of a spatial analysis of information to enhance the understanding of data K ey Words: Spatial Analysis, Caves, Slovenia, 1857 1945 Introduo Os anos 1960, 1970 e incio dos 1980 foram marcados no somente pelo surgimento de vrios paradigmas que passaram a orientar a produo cientfica no mbito da Geografia, mas tambm por uma revalorizao do espao geogrfico por outros campos do conhecimento (AMORIM FILHO, 1983). Dessa forma, a Geografia passa a ser encarada por pesquisadores de outras reas do saber como uma importante aliada, que tem muito a contribuir

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Travassos & Batella E spacializa n do a importncia da caverna de P ostojna .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 12 na compreenso das relaes em que a varivel espacial desempenha um considervel papel. Alguns estudioso s observaram que no era suficiente localizar os fenmenos, mas tambm verificar suas relaes com as caractersticas do espao onde ocorrem. Fenneman (1919 apud HOLT JENSEN, 1988) e Haggett (1975 apud AMORIM FILHO, 1985) j chamavam ateno para esta int erao entre Geografia e outros campos do conhecimento, destacando a criao de sub disciplinas especializadas para atender novas necessidades prticas. Um exemplo disso est no dilogo existente entre a geografia e o turismo, evocando, desta forma, o surg Trata se de uma proposta com foco na dimenso espacial da atividade turstica. Pearce (2002) destacou a importncia do espao na prpria concepo de turismo: o turismo uma atividade que diz respeito essencialmente a pe ssoas e lugares : a lugares que um grupo de pessoas deixa, visita ou que nele est de passagem; a outro grupo de pessoas, as que tornam possvel a viagem, e outras ainda, aquelas com as quais cruzar pelo caminho (PEARCE, 2002, p.25, grifo nosso). Os trabal hos realizados na tica da geografia do turismo encontram subsdios na tradio espacial da Geografia (PATTINSON, 1977). Esta perspectiva reala a importncia da anlise espacial como metodologia de interpretao das distncias, formas, direes e posies dos fenmenos, a partir de tcnicas de quantificao e cartografia. Ora, uma vez que a atividade turstica envolve espao e movimento, abrem se, a partir da, uma gama de anlises possveis, tais como atratividades que os locais exercem sob pessoas e capi tais, interaes espaciais entre viajantes e lugares, fluxos espaciais de turistas, dentre outras. A partir do exposto, pretende se apresentar uma proposta de interpretao sistemtica e abrangente das dimenses espaciais do turismo, bem como destacar sua importncia para ampliao da compreenso desse ramo crescente e importante da economia. Lobo (2008, p. os recursos naturais esto entre as mais tradicionais ofertas de atratividade turstica em todo o mundo. A natureza, revalorizada pelo romantismo, tornou se um produto cobiado para as possibilidades de fuga do cotidiano agitado dos grandes centros urbanos neste contexto que o subterrneo surge como espao dotado de diferentes significados e o local escolhido Quando o turismo realizado no carste, deve se lembrar Hamilton Smith (2006) que afirma ser necessrio permitir o acesso ao meio ambiente, porm com paralela e efetiva proteo. Com semelhante abordagem, Azevedo e Kohler (2003) citados p or Travassos (2007a) afirmam que, principalmente em regies crsticas, o turismo utiliza a paisagem na concepo geogrfica do espao, seja ele o ambiente ou o meio formado pelas variveis biticas e abiticas da geosfera. Essa utilizao surge da necessid ade do homem moderno em buscar espaos fora dos centros urbanos para seu lazer e recreao. Entretanto, mesmo com os problemas advindos desta prtica, acredita se que seja necessria a orientao do turismo especialmente em cavernas de alto valor cultural histrico e paisagstico para controle de visitao e sua consequente conservao (TRAVASSOS, 2007a). Lobo (2008, p.68) nos lembra que, mesmo com os riscos do aumento dos impactos ambientais um nus inconven iente sob a tica conservacionista seus benefcios populao local no podem ser negados. Para a materializao do presente trabalho, optou se por espacializar as informaes contidas no primeiro volume do Livro de Ouro de visitas Caverna de Postojna no planalto de Kras, no perodo de 1857 1945. Essa abordagem visa identificar, pelo uso da cartografia, as informaes histricos de visitantes ilustres refletem a importncia cultural deste atrativo, procurado por milhares de pessoas nos ltimos anos. O Planalto de Kras Conforme demonstrado em Travassos (2007b), a regio do Planalto de Kras algo desconhecido e, por vezes, sem importncia. Entretanto, ao olharmos para a regio, observam se uma incrvel diver sidade geogrfica e histrica, conhecidas por muitos cientistas. Com 20.273 Km 2 e pouco mais de 2.000.000 habitantes (dados de 2006), sua diversidade geogrfica capaz de superar pases muito maiores em rea. Dessa forma, seu territrio didaticamente d ividido entre a regio dos Alpes Julianos (42,1%), os Alpes Dinricos (28,1%), a Plancie da Pannia (21,2%) e o Mediterrneo (8,6%).

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Travassos & Batella E spacializa n do a importncia da caverna de P ostojna .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 13 Em termos de projeo turstica regional e mundial, a regio de Kras entre o Golfo de Trieste (Itlia) e o vale de Vipava (Eslovnia), ficou ainda mais conhecida pelas belezas da Caverna de Postojna ( Postojnska jama a Caverna turstica mais visitada da Europa, tendo em 1818, j extrapolado as fronteiras do Imprio dos Hasburgos. Em relao cidade de Postojna, afirma que foi citada pela primeira vez no ano de 1226. Outro registro de 1262 mencionava a cidade como a Vila de Arnsperch em 1369, encontra se a meno de Postoya (ou ). Desde ento, recebeu inmero s viajantes, cientistas, intelectuais e membros de famlias reais de diversas partes do mundo. Shaw (2000) faz um importante registro dos viajantes que passaram pelo carste esloveno entre 1537 e 1900 e, na obra, a cidade de Postojna e sua Caverna so menci onadas inmeras vezes. recebeu cerca de 103 visitas, totalizando 146 diferentes imperadores, reis e outros nobres. Entre eles esto o Imperador D. Pedro II e a imperatriz Thereza Christina que visitaram a Caverna em 9 de outubro de 1871. Os nmeros de visitantes Acredita se que as visitas tursticas Caverna de Postojna existam desde 1213, embora, tenha sido oficialmente aberta em 1819. Desde ento, mais de 32 milhes de pessoas passaram por sua entrada. No ano d e sua abertura para o turismo, cerca de 104 pessoas assinaram seu livro de visitas. Em 14 anos, o nmero de visitantes superou os 1.000 registros anuais pela primeira vez. Um ano aps a inaugurao da ferrovia Viena Trieste, o nmero de visitantes praticam ente dobrou: dos 2.630 recebidos em 1857, registrou se 4.234 em 1858. No sculo XX, o nmero anual de visitantes atinge 10.876, em 1901, e o nmero continua crescendo nos anos seguintes. Diminui somente durante a Primeira Guerra Mundial e nos anos imediata mente afirmando que, em 17 de Setembro de 1922, aps o trmino da Guerra, a Caverna de Postojna foi oficialmente reaberta e, em 1922, registrou mero de turistas cresce vertiginosamente e, em 1923, foram vendidos 47.288 ingressos. A verdadeira se em 1926 com 110.636 registros. Foram necessrias mais de duas dcadas para que o nmero de visitantes atingisse novamente os sei s dgitos: quase 170.000 visitantes foram registrados em 1948. A marca histrica total de 5.000.000 turistas foi atingida em 1962. O nmero de visitantes anuais continuou subindo at a dcada de 90. A marca dos 900.000 visitantes foi atingida em 1990. Entr etanto, nos anos que se seguiram, apenas pouco mais de 150.000 turistas passaram pela Caverna. Isso ocorreu devido aos conflitos armados na antiga Iugoslvia. Aps 188 anos da abertura oficial ao turismo, no ano de 2007 foi registrado o total de 564.434 i ngressos vendidos no ano, totalizando 32.000.000 de visitas desde sua abertura ao turismo ( O registro dos visitantes Sabe se que a Caverna j era visitada no sculo XIII, desde pelo menos o ano de 1213. Era comum o registro das visitas de figuras ilustres na forma de assinaturas nas paredes da caverna, conforme demonstrado na Figura 1 (a,b,c) visitantes teve incio em 1819, sem a diferenciao do status social dos visitantes. At 1857, as assinaturas de pessoas importantes apareciam no mesmo livro junto a indivduos menos proeminentes. Mesmo assim, de todos os que vinham de longe para a cidade de Postojna, ou vinham a trabalho como marinheiros, diplomatas, administradores ou dispunham de recursos financeiros suficientes para cultura ou lazer. At 1857 o Livro de Visitantes recebia o nome de St ammbuch e todos, sem distino, eram registrados nele. Aps essa data, uma nova forma de registro foi criada: o Gedenk Buch (Livro de Memrias) ou mais conhecido como o Livro de Ouro Nesse, somente membros de famlias reais e outras personalidades eram re gistrados. Bares e condes continuariam sendo registrados no Stammbuch Desde a criao do 1 volume do Livro de Ouro outros surgiram e cobrem quase 200 anos Em relao ao perodo de 1819 1856, pouco se sabe sobre os visita ntes. Entretanto, cerca de 43 so reproduzidos na Tabela 1.

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Travassos & Batella E spacializa n do a importncia da caverna de P ostojna .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 14 Figura 1 A) Detalhe das estruturas tursticas de acesso caverna. B C) Detalhes das paredes utilizadas para registrar as assinatu ras de ilustres visitantes. Atualmente encontram se no interior da Estao Bioespeleolgica (Foto: Luiz E.P. Travassos, 2008) Tabela 1 Visitantes reais, imperiais e nobres no perodo de 1819 1856 DATA NOME* ORIGEM 1819 Prncipe Ferdinand ** 1819 Prn cipe Leopold Salerno 1819 Arquiduquesa Maria Klementina Salerno 1820 Arquiduquesa Marie Beatrix Modena 1821 Prncipe Friedrich Hermann Otto Hohenzollern Hechingen 1825 Arquiduquesa Maria Leopoldine Bavria 1827 Prncipe de Hesse (Sem maiores informa es) Hesse 1828 Arquiduque Rainer ustria 1830 Imperatriz Marie Louise Frana 1832 Imperatriz Marie Louise Frana 1835 Prncipe Maximilian Bavria 1836 Arquiduque Friedrich ** 1836 Prncipe August Prssia 1836 Rainha Maria Isabella Sicilies 1837 Arq uiduque Johann ** 1837 Rei Friedrich August Saxnia 1837 Rainha Maria Isabella Sicilies 1837 Arquiduque Johann ** 1838 Prncipe Karl Friedrich Wrttemberg 1838 Arquiduque Ludwig ** 1839 Arquiduque Karl ** 1839 Arquiduque Albrecht ** 1842 Arquiduque Karl ** 1842 Arquiduque Wilhelm ** 1842 Arquiduquesa Maria Karolina ** 1842 Arquiduque Franz Ferdinand d'Este Modena 1844 Imperador Ferdinand I ustria A B C

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Travassos & Batella E spacializa n do a importncia da caverna de P ostojna .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 15 1844 Imperatriz Maria Anna ustria 1844 Arquiduque Johann ustria 1847 Arquiduque Ferdinand Karl Viktor d'Este ** 1851 Rei Otto I Grcia 1851 Princesa Matilde Hesse 1851 Arquiduquesa Hildegard ** 1851 Arquiduque Sigmund ** 1853 Duque Franz V Modena 1854 Arquiduquesa Sophia Saxnia 1854 Arquiduquesa Adelgunde Modena 1854 Arquiduque Franz V Mod ena 1855 Arquiduquesa Maria Henriette Brabant 1856 Duque August (talvez Prncipe August) Coburg 1856 Arquiduque Ferdinand Maximilian ** 1856 Gro Duque Peter Oldenburg Coburg 1856 Duque August (talvez Prncipe August) Coburg *Foram preservados os nom es na lngua de origem, sem traduo para o portugus (e.g. Marie Louise e no Maria Luisa). **Origem no confirmada pelos autores do artigo. Fonte: Os dados do 1 volume do Gedenk Buch tambm foram igualmente compilados e mapeados. interessante ressaltar que, dos 146 indivduos, imperatrizes, reis e rainhas; 16 herdeiros de trono, prncipes e princesas; 8 gro duques e gr duquesas; 16 duques e duquesas; 3 condes e condessas; e 1 visita feita por Benito Mussolini (Ditador Fascista Italiano entre os anos 1943 a 1945) e 1 pelo Marechal Tito (Josip Broz), conform e relacionado na Tabela 2 e espacializado no mapa (Fig.2). Tabela 2 Visitantes reais, imperiais e nobres no perodo de 1857 1945 DATA NOME* ORIGEM 1857 Imperador Franz Joseph ** 1857 Imperatriz Elisabeth ** 1857 Arquiduque Ferdinand Maximilian ** 1 857 Arquiduquesa Charlotte ** 1858 Prncipe Albert Bavria 1860 Arquiduque Ernst ustria 1865 Imperatriz Maria Anna ustria 1869 Prncipe Napolen Jrme Trieste 1871 Imperador D. Pedro II Brasil 1871 Imperatriz Theresa Christina Brasil 1873 Arqu iduque Albrecht ustria 1874 Duque Wilhelm Nikolaus Wrttemberg 1874 Arquiduque Rainer ustria 1878 Gr duquesa Alice Toscana 1883 Imperador Franz Joseph ustria 1884 Arquiduque Leopold ** 1884 Arquiduque Eugen ** 1885 Princesa Stephanie Blgica 18 87 Servia 1887 Arquiduque Rainer ustria 1887 Gr duquesa Marie Rssia 1887 Prncipe George Gr Bretanha 1888 Servia 1888 Prncipe Alexander Servia 1889 Gro duque Friedrich Wilhelm Mecklenburg Strelitz 1889 P rncipe Heinrich Prssia 1889 Prncipe Arisugawanomiya Takehito Shinnou Japo 1890 Gr duquesa Alice Toscana 1890 Arquiduquesa Luisa Toscana 1890 Arquiduquesa Margareta Toscana 1892 Arquiduque Joseph Ferdinand Salvator Toscana 1892 Prncipe Ludwig S axe/Coburg & Gotha 1894 Prncipe Komatsunomiya Takehito Shinnou Japo 1894 Prncipe Rupprecht *** Bavria 1897 Rei Carol I Romnia 1897 Rainha Elisabeth Romnia 1897 Gro duque Adolf Luxemburg 1897 Prncipe Leopold Hohenzollern Sigmaringen 1897 Arquiduque Salvator ** 1899 Princesa Gisela Bavria 1899 Duque Philippe Orlans 1904 Rei Oscar II Sucia & Noruega 1904 Rainha Sophia Sucia & Noruega 1906 Arquiduque Friedrich ustria 1906 Arquiduquesa Maria Theresia ** 1906 Arquiduquesa Eleonora * 1906 Arquiduquesa Renata ** 1906 Arquiduquesa Mechtilde ** 1906 Arquiduque Leo Karl ** 1906 Arquiduque Wilhelm ** 1909 Arquiduque Karl Franz Joseph ustria 1909 Arquiduquesa Josefa ** 1909 Arquiduque Maximillian Eugen ** 1910 Prncipe Otto Windis ch Graetz Miramar 1910 Princesa Elisabeth Miramar 1912 Arquiduque Leopold Salvator Trieste 1913 Gr duquesa Alice Toscana 1913 Arquiduquesa Margareta Toscana 1913 Arquiduquesa Agnes Toscana 1913 Duquesa Maria Anhalt 1914 Prncipe Joachim Albrecht Prssia 1914 Prncipe Leopold Saxe/Coburg & Gotha 1914 Princesa Dorothea Marie ** 1914 Duque Ernst Gnther Schleswig Holstein 1915 Arquiduque Karl Franz Joseph ** 1916 Arquiduquesa Marie Therese ** 1919 Rei Vittorio Emanuele III Itlia 1919 Prncip e Amedeo Savoia Aosta 1922 Rei Vittorio Emanuele III Itlia 1922 Princesa Jolanda ** 1922 Princesa Mafalda ** 1922 Princesa Giovanna ** 1923 Prncipe Umberto Itlia

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Travassos & Batella E spacializa n do a importncia da caverna de P ostojna .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 16 1924 Shri Vijayadevji Mohandeuji Dharampur ndia 1925 Prncipe Oscar Bernadotte Suc ia 1925 Princesa Ebba Bernadotte Sucia 1925 Condessa Bernadotte Wisborg 1925 Condessa Elsa Bernadotte Wisborg 1926 Rei Ferdinand Romnia 1926 Prncipe Tomaso Gnova 1926 Princesa Maria Adelaide Savoia Gnova 1926 Prncipe Aimone Savoia Gnova 192 6 Prncipe Filiberto Itlia 1928 Prncipe Amedeo Itlia 1929 Prncipe Nicholaos Grcia 1929 Elena Nicholaos Grcia 1929 Princesa Elisabeth Grcia 1929 Princesa Maria Grcia 1929 Princesa Olga Iugoslvia 1929 Iugoslvia 193 0 Prncipe Takamatsunomiya Nabuhito Shinnou Japo 1930 Princesa Kikuko Tokugawa Japo 1931 Prncipe Amedeo Itlia 1931 Prncipe Christophoros Grcia 1931 Princesa Franoise Grcia 1931 Prncipe Afonso Bourbon 1933 Princesa Drine Corcoran ** 1933 Edi th Chao Chang China 1933 Prncipe Amedeo Itlia 1933 Princesa Rajkumari Amrit Kaur ndia 1937 Princesa Maria Jos Piemond Frana 1938 Prncipe Michael Romnia 1938 Benito Mussoline Itlia 1939 Prncipe Ferdinando Savoia Gnova 1940 Prncipe Adalbe rto Savoia Gnova 1940 Prncipe Eugenio Savoia Gnova 1945 Josep Broz (Marechal Tito) Iugoslvia *Assim como na Tabela 1, foram preservados os nomes na lngua de origem, sem traduo para o portugus. **Origem no confirmada pelos autores do artigo. *** Fonte: Compilado e a Figura 2 Mapa demonstrando os fluxos e origem dos visitantes reais, imperiais e nobres da Caverna de Postojna no perodo de 1857 1945

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Travassos & Batella E spacializa n do a importncia da caverna de P ostojna .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 17 Discusses e consideraes finais Para Travassos (2010), a imagem das cavernas no ima ginrio popular ou mesmo na mitologia , geralmente, relacionada a locais de escurido e abandono. A partir dessa percepo, as cavernas so vistas preconceituosamente como locais onde o medo domina. Em outros casos, so percebidas como o lugar de morada d e deuses e deusas. Outras representaes relacionam esse ambiente ressurreio ou ao local onde figuras religiosas ou sagradas estiveram. Essa clara oposio entre os sentimentos topofbicos e topoflicos respectivamente, motivo de reflexo por parte de filsofos e religiosos ao longo da histria. Em relao Caverna de Postojna, Travassos (2010) registra que ao longo dos anos, os espeleotemas e sales receberam nomes como Altar Altar mor Santa Madalena Santo Antnio de Pdua ( Sv. Anton Padovano ) Fonte batismal Papa Calvrio Capela Grande Monte Calvrio Grande Catedral, Caverna de Santa Catarina Cadeira de So Pedro Monte Calvrio e So Estevo, por exemplo. Alguns podem, talvez, relacionar a sacralidade atribuda a tais feies com o flu xo de visitantes da nobreza. No entanto, sua localizao (no caminho da estrada que ligava o porto de Trieste, na Itlia a Viena na ustria) a magnitude de seus sales e abundncia de seus espeleotemas parece nos razes mais concretas para sua intensa visi tao ao longo dos anos. U m importante gegrafo clssico, Conrad Malte Brun, j destacava a importncia da caverna de Postojna ( Adelsberg ) quando afirmava ser possvel enumerar mais de mil cavernas entre as cadeias de montanhas que atravessam a Ilria do noroeste ao sudeste, mas nenhuma pode ser comparada em extenso quela de Aldesberg, localizada em um pequeno vale no muito distante do burgo. Muitos autores afirmam que sua extenso igual a cinco milhas. No , de forma alguma fcil, trilhar as declivi dades nos labirintos ou as estreitas e tortuosas passagens que nos levam a imensos sales. Todos concordam que supera a maioria dos lugares desse tipo; o solo incrustado de fsseis; uma torrente passa pela cavidade com um som assustador, repetido por mui tos ecos; estalactites adornam os sales e, em alguns locais, parecem runas de antigos palcios; em outros parecem magnficas colunas (MALTE BRUN, 1832, p.212). Neste trabalho no se optou por mapear as visitas separadamente por ms, pois no so regist ros espaciais importantes. O registro mensal das visitas foi feito em uma tabela compilada por Shaw e conferido a seguir na Tabela 3 e 4 Tabela 3 Distribuio mensal das visitas MS 1819 1856 1857 1916 1919 1940 1945 TOTAL Janeiro 1 2 3 Fevereiro Maro 3 6 1 10 Abril 3 4 1 8 Maio 6 5 1 12 Junho 2 6 4 12 Julho 4 4 3 11 Agosto 5 6 1 12 Setembro 6 12 7 25 Outubro 1 1 2 Novembro 1 2 1 4 Dezembro 2 1 2 5 Fonte:

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Travassos & Batella E spacializa n do a importncia da caverna de P ostojna .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 18 Tabela 4 Distribuio mensal das visitas PAS N DE VISITAS ustria 52 Blgica 1 Brasil 2 China 1 Dinamarca 1 Estados Germnicos 31 Frana 3 Gr Bretanha 3 Grcia 6 ndia 3 Itlia 22 Iugoslvia 5 Japo 4 Luxemburgo 2 Romnia 4 Sucia 6 Fonte: Ao observarmos a Tabela 3, importante des tacar a reduo drstica das visitas Caverna. Apenas 1 visitante considerado importante pelos critrios do Livro de Ouro se fez presente: o Marechal Tito, em 28 de Maio de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. O presente trabalho teve a inteno de c hamar a ateno para o turismo em cavernas e sua importncia histrica e cultural tanto a nvel regional quanto internacional. Tentou se tambm, evidenciar a importncia da espacializao das informaes para melhor visualizao dos dados compilados. No s e buscou, nesta abordagem, um estudo detalhado do fluxo de todos os visitantes da caverna at hoje. Este breve estudo buscou, apenas, a espacializao das informaes relativas s visita s de figuras ilustres Caverna. inteno dos autores, em parceria c om o Instituto de Pesquisas do Carste da Eslovnia, realizar um mapeamento do fluxo de visitantes regulares Caverna, bem como de visitantes ilustres do ps guerra Referncias Bi bliogrficas AMORIM FILHO, O. B. (1983): A produo do espao e a anlise geogrfica. Revista Geografia e Ensino Belo Horizonte, Ano 1, n.3, p.18 26. AMORIM FILHO, O. B. (1985): Reflexes sobre as tendncias terico metodolgicas da geografia Belo Horizonte: IGC UFMG. Postojna Cave Postojna: Turizem Kras, des tinacijski management. HAMILTON SMITH, E. (2002): Management assessment in karst areas. Acta Carsologica Ljubljana, v.31, n.1, p.13 20. HOLT JENSEN, A. (1998): Geography : History and Concepts. London, Paul Chapman Publishing. LOBO, H.A.S. (2008): Ecoturis mo e percepo de impactos socioambientais sob a tica dos turistas no Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira PETAR Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas v.1, n.1, p.67 76. MALTE BRUN, C. (1832): Universal Geography or a description of all the parts of the World on a new plan according to the great natural divisions of the Globe; accompanied with analytical, synoptical, and elementary tables Philadelphia: Published by John Laval, v.5. MO Ed.) (2006): Facts about Slovenia Ljubliana: Governament of the Republic of Slovenia/Public Relations and Media Office. PATTINSON, W. D. (1977): As quatro tradies da Geografia. Boletim de Geografia Teortica. Rio Claro, 7 (13): 101 110. PEARCE, D. G. (2002): Geografia do Turismo : fluxos e regies no mercado de viagens. So Paulo: Aleph. 1945. Acta Carsologica Ljubljana, v.31, n.1. SHAW, T.R. (2000): Foreign travelers in the Slovene Karst : 1537 1900.Ljubljana/Postojna: ZRC/IZRK. TRAVASSOS, L.E.P. (2010): A importncia cultural do carste e das cavernas. 373f. Tese (Doutorado) Programa de Ps graduao em Geografia Tratamento da Informao Espacial. Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais

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Travassos & Batella E spacializa n do a importncia da caverna de P ostojna .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 19 TRAVASSOS, L.E.P. (2007a): Caracterizao do carste da regi o de Cordisburgo, Minas Gerais. 98f. Dissertao (Mestrado) Programa de Ps graduao em Geografia Tratamento da Informao Espacial. Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais TRAVASSOS, L.E.P. (2007b): Comentrios sobre o Simpsio Internaciona l "Time in Karst", em Postojna, Eslovnia Informativo SBE v.1, n.93, p. 9 13 Fluxo editorial : R ecebido em: 06 06.2010 Enviado para avaliao em: 06 06.2010 Aprovado em: 30 06 .2010 A revista Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de E speleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp 1 Doutor em Geografia, professor do Programa de Ps Graduao em Geografia da PUC Minas. 2 Mestre em Geografia pela PUC Minas, Doutorando em Geo grafia pela UNESP, Campus Presidente Prudente

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Becheleni & Medeiros O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio... Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens C rsticas 3 ( 1 ), 20 10 21 O TURISMO COMO FERRAMENTA PARA A PROTEO DO PATRIMNIO CULTURAL ARQUEOL"GICO: UM ESTUDO NA APA CARSTE DE LAGOA SANTA MG TOURISM AS A ARCHAEOLOGICAL HERITAGE PROTECTION TOOL: A STUDY AT THE ENVIRONMENTAL PROTECTED AREA OF THE LAGOA SANTA KARST, MINAS GE RAIS Dbora Goulart Becheleni (1) & Mirna de Lima Medeiros (2 ) (1) Instituto Estrada Real Turismloga e Analista de Projetos (2) Universidade de So Paulo Turismloga e Mestranda em Administrao de Organizaes Belo Horizonte MG debora.goulart@gmail.com ; mirnamedeiros@hotmail.com Resumo A existncia de diferentes enfoques da prtica do turismo e os diversos interesses dos viajantes abrem oportunidade para a utilizao do patrimnio cultural arqueolgico para fins tursticos. Entretanto, sabe se que a atividade quando exercida desordenadamente pode causar impactos negativos ao ambiente e, ao se tratar especificamente dos vestgios arqueolgicos, tais da nos podem ser irreversveis. Por outro lado, o planejamento do turismo possibilita a identificao, valorizao e conservao do meio. A fragilidade intrnseca dos patrimnios culturais arqueolgicos somados pouca quantidade de estudos desenvolvidos sobr e a relao da arqueologia com o turismo justificam o esforo de pesquisa em questo. Buscou se analisar brevemente o Arqueoturismo, identificando como a atividade pode ser utilizada como uma ferramenta para a proteo do patrimnio cultural arqueolgico a partir do estudo do referencial terico e do caso de uma regio onde a atividade ainda pouco estruturada, apesar de haver alto potencial. Optou se pela pesquisa exploratria, com abordagem qualitativa, valendo se do mtodo do estudo de caso e interpreta o dos dados por via da anlise de contedo. O estudo de caso da APA Carste de Lagoa Santa permitiu a observao da realidade, potencial, possibilidades e limitaes para este tipo de turismo na regio Palavras Chave: Turismo; Arqueologia; Patrimnio; C onservao Abstract The existence of different focuses in tourism practices and of different travelers' interests offers opportunities for using cultural archaeological heritage for touristic purposes. However, it is known that when tourism activities are disorderly carried out, there can be a negative impact on the environment, and particularly with regard to archaeological remains, such damage can be irreversible. On the other hand, tourism planning makes it possible to identify, conserve and enhance the value of nature. The intrinsic fragility of archaeological cultural heritage as well as the small quantity of studies on the relationship between archaeology and tourism justifies the present research efforts. A brief analysis of Archaeological Tourism is presented, identifying how the activity can be used as a tool to protect archaeological cultural heritage, based on the study of the theoretical framework and of the case of a region where there is little structure for Archaeological Tourism despite its h igh potential. The conceptualization chosen was that of an exploratory study with a qualitative approach, using the case study method and interpreting data via content analysis. The case study on Carste Environmental Protection Area in Lagoa Santa provided for observing the scenario, potential, possibilities and limitations for this kind of tourism in the region K ey Words: Tourism; Archaelogy; Heritage; Preservation Introduo Atualmente diversos pases possuem o turismo cultural ligado questo arqueol gica como uma de suas fontes de renda e o nmero de pessoas que visitam stios arqueolgicos em todo o mundo aumenta a cada ano (Archeological Institute of America, 2008; Marzari, 2004; Pardi, 2007). So exemplos de locais que se valem de atrativos turst icos arqueolgicos como um diferencial Machu Pichu, no Peru, ou ainda Stonehenge, na Inglaterra. O Brasil, apesar de rico em vestgios materiais e stios arqueolgicos (existem mais de 10 mil stios arqueolgicos cadastrados no IPHAN 1 ), no usufrui signifi cativamente desse patrimnio como meio

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Becheleni & Medeiros O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio... Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens C rsticas 3 ( 1 ), 20 10 22 gerador de recursos e de desenvolvimento regional. Nos poucos casos de ocorrncia de aproveitamento turstico dos ambientes arqueolgicos, em grande medida, a atividade pouco planejada ou possui um planejamento inad equado, o que pode gerar impactos negativos e, at mesmo, a destruio deste patrimnio. pautado nessa questo preocupante e na natureza frgil, finita e no renovvel do patrimnio arqueolgico (Lima, 2007) que se optou pelo desenvolvimento deste estudo A regio escolhida para anlise, a APA Carste de Lagoa Santa, localiza se em uma rea crstica do estado de Minas Gerais. O carste apresenta uma grande vocao para o turismo por possuir paisagens de raras e diferentes formaes, como as dolinas ou as grutas, por exemplo. Contudo, por definio, frgil. Os constantes abatimentos e inundaes no comportam grandes obras de engenharia e as reas industriais deveriam ser ontecendo na rea analisada exatamente o contrrio: a expanso industrial se d cada vez de maneira mais acentuada. Apesar da APA Carste de Lagoa Santa ser legalmente protegida, existem ainda atividades exploratrias exercidas ali que podem abalar e com prometer as pesquisas cientficas e a qualidade ambiental da regio (Deus et. al, 1997). A possibilidade de perda de patrimnios, inclusive inexplorados, na regio, justifica a necessidade de um estudo e planejamento sustentvel para o local. Dessa forma, uma anlise da realidade da regio e da viabilidade turstica da mesma podero contribuir para o desenvolvimento do turismo de forma planejada e sustentvel Diante do cenrio brevemente apresentado, o objetivo do estudo realizado foi analisar a relao do turismo e da arqueologia, por meio de um estudo de uma regio com potencial, discorrendo sobre como o turismo pode ser uma alternativa para a proteo do patrimnio arqueolgico. Metodologia A proposta seguiu a opo pela pesquisa exploratria com abordag em predominantemente qualitativa. Conforme Gil (2002), as pesquisas exploratrias colaboram para descries precisas, aclaram e ajudam a modificar conceitos e idias, facilitando a verificao de relaes entre os elementos estudados, atravs do estudo do material bibliogrfico e documental a que o pesquisador tem acesso. Optou se pelo uso do mtodo de estudo de caso nico, pois, entre as diferentes aplicaes do causais em intervenes da vida real que so co mplexos demais para as estratgias experimentais p. 34). Assim, a amostra, no probabilstica, delimitada por julgamento, convenincia e acessibilidade. O estudo de caso foi realizado no estado de Minas Gerais, na regio de Lagoa Santa por este local ser um dos marcos da histria do homem e da arqueologia brasileira. Foram utilizadas vrias tcnicas para a coleta caso sua capacidade de lidar com uma ampla elas: a observao direta, anlise documental e entrevista em profundidade. A observao teve como finalidade analisar a realidade da regio, sua infra estrutura, caractersticas, viso dos envolvidos entre outras questes. A anlise documental, inicialmente, teve como finalidade a familiarizao com o tema e a posteriori serviu como embasamento para as inferncias. Foram realizadas entrevistas em profundidade com cerca de 14 pessoas, entre as quais i ncluem se expertises da rea de arqueologia e de turismo, responsveis pelos stios, bem como membros da secretaria de turismo e cultura e associaes locais. A anlise dos resultados seguiu uma abordagem qualitativa, para a qual utilizou se a anlise de c ontedo, por se tratar de um conjunto de instrumentos metodolgicos que se aplicam a discursos (contedos e continentes) extremamente diversificados (Bardin, 1977). Turismo e Arqueologia Como conseqncia da expanso da atividade turstica, cresceu a pro cura por destinos diferenciados, o que tem levado ampliao e diversificao das modalidades tursticas existentes. Da necessidade de um turismo voltado para o diferente, o novo, para o fortalecimento de uma identidade e significao de um patrimnio, su rge o Turismo Cultural (Barretto, 2000). Este impulsionado pela vontade de entrar em contato com diferentes costumes e hbitos (Meneses, 2004; Irving & Azevedo, 2002). A busca por novas fontes de atrativos tursticos para a formatao de produtos deste s egmento abre a oportunidade para a emergncia do chamado Turismo Arqueolgico. Esses tipos de destino (de turismo arqueolgico) so um produto turstico distinto que dependem de recursos frgeis e no renovveis ( Helmy & Cooper, 2002). O turismo uma rea transdisciplinar e multifacetada (Rodrigues, 2001) e, sendo assim, objeto interessante para vrias reas de pesquisa e

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Becheleni & Medeiros O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio... Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens C rsticas 3 ( 1 ), 20 10 23 envolve uma srie de atores. O fato de haver uma srie de envolvidos, vises, bem como impactos e ainda, a tendncia de se utilizar r eas protegidas para fins tursticos, fazem emergir uma srie de questes como, por exemplo, a importncia do planejamento aes do homem sobre o territrio e ocupa se em direcionar a construo de equipa mentos e facilidades de forma adequada evitando, dessa (Ruschmann, 1997, p. 9). essencial que o planejamento busque o equilbrio entre as atividades tursticas e os recursos naturais, culturais e sociais da regi o, evitando que o Turismo cause danos s bases que fazem a atividade existir. Segundo Hell e MacArthur (1998 apud Helmy & Cooper, 2002) um consenso que a gesto turstica dos patrimnios deve maximizar a qualidade da experincia do visitante, enquanto mi nimiza o impacto no recurso patrimonial. Um dos princpios do planejamento com base no legado cultural deve ser o da sustentabilidade, visando conscientizao e educao da populao acerca da preservao de seu prprio patrimnio (Barretto, 2000). O Tur ismo, quando planejado, pode minimizar os impactos negativos da atividade sobre o ambiente e, ao mesmo tempo, gerar benefcios para uma regio na medida em que o Turismo capaz de contribuir para a conscientizao e valorizao de um patrimnio por parte da comunidade (Ferreti, 2002). Percebe se que, hoje em dia, os destinos tursticos mais competitivos so aqueles que possuem ao mesmo tempo qualidade ambiental e identidade cultural. A sustentabilidade turstica de um local, no entanto, no depende apenas do respeito ao capital natural e ao capital cultural da comunidade receptora, mas tambm de um turista educado para saber como se comportar diante deste meio (Souza, 2002). Em conformidade, Castelli expe que [...] preciso despertar a conscincia de que, muito antes dos reflexos econmicos, o turismo deve fazer sobressair a importncia do inter relacionamento entre as pessoas, dentro de uma conscincia de respeito de todos os elementos que formam a cultura do povo (Castelli, 1990, p.123) Graham et al (20 00 apud Merriman 2004, p.04) definiu patrimnio, e consequentemente tambm o patrimnio arqueolgico, como uma dualidade entre tanto o capital econmico quanto o capital cultural que existem em tenso mtua e, portanto, tenses e conflitos so qualidades i nerentes do patrimnio, qualquer que seja sua forma. Uma das formas de informar e conscientizar as pessoas (tanto turistas quanto comunidade), bem como minimizar os conflitos decorrentes da dualidade dos capitais atribudos ao patrimnio por meio da educ ao patrimonial, que consiste em um conjunto de aes com metodologia prpria que promove o conhecimento sobre os bens culturais. So atividades, hoje classificadas como interdisciplinares, que procuram reconhecer e valorizar as referncias culturais loca is, propiciando a preservao do patrimnio. Na educao patrimonial, cada vez mais, os provedores devem planejar a atividade considerando no apenas a interpretao auditiva, visual e ttil, mas tambm pensando sobre como engajar as emoes dos visitantes se quiserem causar uma impresso duradoura e agregar verdadeiro valor ao patrimnio (Mori, 2000 apud Merriman, 2004). O desenvolvimento da atividade incorporao de princpios e valores ticos, uma nova form a de pensar a democratizao de oportunidades e benefcios, e um novo modelo de implementao de projetos, centrado em parceria, co responsabilidade e participao (Irving & Azevedo, 2002, p. 17) O desejo de conhecer e entender outras culturas movimenta m ilhares de pessoas em todo o globo h muito tempo, segundo Barreto (1995, pela arqueologia mais recente e se deve muito popularidade dos filmes, co mo os do personagem Indiana Jones, por exemplo, que despertou a curiosidade e vontade de buscar o desconhecido em muitas pessoas (Scatamacchia, 2005). O turismo arqueolgico [...] consiste no processo decorrente do deslocamento e da permanncia de visitant es a locais denominados stios arqueolgicos, onde so encontrados os vestgios remanescentes de antigas sociedades, sejam elas pr histricas e/ou histricas, passveis de visitao terrestre ou aqutica (Manzato, 2005, p. 44). Tnia Andrade Lima (2007) s alienta que o turismo arqueolgico pode ser um vigoroso instrumento de preservao de stios bem como pode aniquil los de vez. A autora afirma que quando bem planejado e gerido, promove a compreenso mtua e o respeito entre os povos, permite a apreciao e valorizao da diversidade cultural, possibilita que um maior nmero de pessoas desfrute dos bens arqueolgicos e revitaliza econmica, social e culturalmente comunidades margem, ao mesmo

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Becheleni & Medeiros O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio... Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens C rsticas 3 ( 1 ), 20 10 24 tempo em que assegura a sustentabilidade e a manuteno do patr imnio arqueolgico. Sobre a aproximao do pblico aos bens arqueolgicos, Ulpiano (2007) frisa que, para o desenvolvimento de atividades como o turismo em stios arqueolgicos necessrio um rigoroso exame dos benefcios e respectivos beneficirios, bem como o confrontamento dos benefcios com os possveis nus das comunidades. Alm disso, discorre sobre a arqueologia pblica ( public archaeology ) como forma de designar um dos extramuros que tem o dever de cri ar condies para a fruio pblica de um bem pblico (o arqueolgico), de ampliar os beneficirios e aprofundar as formas de fruio por meio da socializao do conhecimento arqueolgico produzido. Segundo Merriman (2004), o termo arqueologia pblica inic iou sua entrada no uso comum da arqueologia com a publicao de McGimsey em 1972. A noo sofreu algumas alteraes daquela poca at o presente. Foi associada s exigncias prticas da gesto de recursos culturais (CRM cultural resource management ) dire cionada ao desenvolvimento; aos interesses e engajamento pblicos na arqueologia como campanhas de minorias (indgenas, por exemplo) pelo estudo e interpretao de seu passado, presses exercidas com vistas a alterar legislaes e/ou projetos, representa es pblicas de arqueologia (como museus e exposies), gesto de recursos culturais, intendncia do lugar, combate ao loteamento e comrcio ilcito e transparncia do uso da verba pblica; e, com o aumento da profissionalizao da arqueologia, e com a gest o dos recursos culturais (arqueolgicos) por e para o pblico por parte do Estado e de seus agentes, entre os quais se incluem os arquelogos. Em alguns lugares, um sentido ainda mais amplo do termo Hall (199 9 apud Merriman, 2004) a definiu como interagiu ou tem potencial para interagir com o problemas que emergem quando a arqueologia se move em direo ao mundo real de conflitos econmicos e batalhas polticas. Sendo assim, a arqueologia pblica um campo de potenciais interfaces com o turismo (bem como com outras reas), uma vez que, neces srio buscar maneiras seguras e construtivas de disponibilizar o uso de stios para o turismo, visando garantir a sensibilizao do cidado, assim como a devoluo do conhecimento produzido sobre esses bens (Pardi, 2001). O turismo cultural com abordagem a rqueolgica no Brasil, ainda pequeno se comparado ao potencial deste territrio. Isso acontece por vrios motivos, entre eles, provavelmente, a falta de estrutura e condies que possibilitem a visitao em stios arqueolgicos no pas. Parte do vasto pa trimnio arqueolgico brasileiro certamente poderia ser explorado turisticamente. O que poderia colaborar para a diminuio da perda de material e objetos importantes para o estudo da nossa histria. Scatamacchia (2005, p. 30) destaca que: Se do ponto de v ista da pesquisa os avanos foram muitos, do ponto de vista da divulgao, a arqueologia brasileira continua sendo uma abstrao para a maioria da populao. Talvez essa falta de conhecimento e familiaridade do grande pblico com o patrimnio arqueolgico nacional seja o principal responsvel pelo pouco aproveitamento social dos stios arqueolgicos Entretanto, apesar de o turismo arqueolgico ainda no ser amplamente difundido no Brasil, possvel perceber, atravs de exemplos bem sucedidos em outros pa ses, que este tipo de atividade pode ser importante para o destino, uma vez que possibilita a visitao controlada em stios alm de adequar outros j existentes para uma visitao sustentvel, gerando desenvolvimento e preservao ambiental. A conserva o dos atrativos arqueolgicos, bem como a mitigao dos impactos negativos do turismo depende da estruturao da atividade, que requer a integrao e implementao de princpios de desenvolvimento sustentvel no planejamento e gesto do turismo. Alm disso o co ordenamento desses esforos entre autoridades pblicas e outros stakeholders na preservao um elemento chave desta poltica de desenvolvimento (Helmy & Cooper, 2002). Os stios que alcanam maior visibilidade no pas atualmente so os denominados sambaquis 2 localizados principalmente ao longo do litoral brasileiro, e os que possuem pinturas rupestres, que se localizam principalmente no interior do pas. Em Minas Gerais, estado onde se localiza a rea de estudo deste trabalho, existem algumas pint uras rupestres com dataes de at doze mil anos (Prous, 1992). Esses stios podem constituir um atrativo turstico no s pela qualidade (visibilidade, legibilidade) das pinturas, mas como tambm pela idade que possuem e o valor cultural que representam.

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Becheleni & Medeiros O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio... Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens C rsticas 3 ( 1 ), 20 10 25 Um dos dilemas atuais, segundo Scatamacchia (2005), tentar conciliar as tendncias da globalizao com a diversidade de valores culturais que esto presentes na histria do homem. O turismo surge nesse contexto como uma possibilidade para a sustentabilid ade, de forma integrada, da preservao das diferentes manifestaes do patrimnio cultural e ambiental (Marzari, 2004). De acordo com arqueolgicos dentro de um programa estruturado de turismo uma forma de conservao desses bens patrimnios arqueolgicos, atravs de um estudo e planejamento da atividade turstica, pode auferir recursos importantes para a revitalizao, proteo e incentivo s pesquisas arqueol gicas no ambiente. Como a atividade turstica exige cuidados, manuteno e conservao do objeto de visitao, o turismo deveria ser visto como uma ferramenta de proteo sempre que possvel, j que uma fonte no s de recursos, como tambm de participa o comunitria, preservao e desenvolvimento. Acredita se que uma proposta de Turismo Cultural estruturada, que englobe stios arqueolgicos, poderia servir, principalmente, como um fator de conscientizao da populao, na medida em que a valorizao d e um patrimnio se encontra diretamente ligada democratizao de seu acesso. Deus et al (1997), Lima (2007) e Lener (1991 apud Caldarelli, 2007) salientam que s se valoriza aquilo que se conhece e, a partir dessa valorizao, possvel alcanar uma mai or proteo do patrimnio. Ressalta se a importncia do planejamento da atividade turstica a fim de evitar futuras conseqncias negativas para o meio. O turismo quando no organizado por profissionais qualificados, pode se transformar em um transtorno pa ra uma comunidade por se tornar um turismo de massa. Ainda nessa linha de pensamento, surgem outros pontos negativos, oriundos tanto do turismo de massa quanto da falta de instrumentos para a gesto do patrimnio arqueolgico regional. O vandalismo, a depr edao e o descaso do poder pblico so fortes empecilhos tanto para o desenvolvimento do turismo sustentvel quanto para as pesquisas cientficas. Afinal, o stio quando no conservado, alm de perder seu valor como atrativo turstico apresenta poucos ves tgios passveis de serem analisados pelos arquelogos, paleontlogos, etc. Por isso, ainda existe hoje certa resistncia destes profissionais com relao abertura dos stios para visitao turstica, o receio de que o turismo no seja bem planejado e es truturado, entre outras questes, faz com que muitos especialistas sejam contra o Turismo Arqueolgico. explorao da atividade turstica em ambientes naturais, ainda que feita de forma responsvel, causa impactos negativ de acordo com a fragilidade e especificidade do ambiente, contudo, o turismo pode se apresentar como uma das formas de explorao ambiental menos degradantes se for organizado em bases ecotursticas (que depende do ambien te em estado prximo ao natural para existir) e se for acompanhado de um plano de manejo que contemple as particularidades de cada local norteando a execuo da atividade de forma a privilegiar a interpretao e a educao ambiental. Os autores discorriam sobre o ambiente caverncola, no entanto as consideraes so plenamente aplicveis a todo o sistema crstico, pois estes so particularmente frgeis e as alteraes neste tipo de meio, em geral, so irreversveis. A A PA Carste de Lagoa Santa A APA Carste de Lagoa Santa est localizada a cerca de 30 quilmetros de Belo Horizonte, capital do estado, e faz parte de uma das regies mais ricas no que diz respeito arqueologia, paleontologia e espeleologia no Brasil. A APA abrange os municpios de Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Confins, Matozinhos e Funilndia. A regio possui 96 stios arqueolgicos cadastrados pelo Instituto do Patrimnio Histrico e Artstico Nacional 3 sendo 29 deles localizados em Pedro Leopoldo e 36 em Matozinhos. Confins e Funilndia no a presentam stios arqueolgicos cadastrados, entretanto importante frisar que antes de ser elevado categoria de municpio, Confins era distrito de Lagoa Santa. possvel que o banco de dados do Instituto no tenha sido atualizado, apontando deste modo os stios da rea como localizados em Lagoa Santa. O carste um relevo caracterstico de reas onde ocorrem rochas solveis, sendo a gua o principal agente geomrfico. Possui uma paisagem especfica por esta ter se desenvolvido ao longo do tempo a part ir da dissoluo das rochas do ambiente, apresentando feies como as dolinas ou as grutas, por exemplo (Sweeting apud Pil, 1998). Por serem altamente solveis as rochas so capazes de absorver as guas do ambiente e reter o lquido em aqferos subterrn eos. Assim, algo que polua as guas do carste, como, por exemplo, produtos advindos da agricultura ou esgoto, so rapidamente drenados para o subterrneo atingindo os aqferos locais. Alteraes no ecossistema ou a perturbao de qualquer elemento envolvi do no processo de

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Becheleni & Medeiros O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio... Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens C rsticas 3 ( 1 ), 20 10 26 transformao das rochas desse ambiente podem resultar em impactos em todo o carste (Deus et al, 1997; Hardt, 2008; Scatamacchia, 2005). Alguns exemplos, alm do anteriormente citado, so: a instalao de estruturas mal planejadas nas gru tas pode causar a impermeabilizao do o solo, o que modifica toda a dinmica do carste e dificulta o processo de formao desse relevo. O desmatamento tambm afeta a dinmica crstica, na medida em que retira a cobertura de proteo natural do solo e alte ra o sistema de drenagem. Diante das questes supracitadas explicita se a fragilidade do meio e percebe se a importncia de sua proteo. Dessa forma, salienta se a necessidade de um planejamento interdisciplinar que englobe profissionais de reas com dife rentes interesses na explorao do carste, para que sejam elaborados melhores projetos e propostas para o uso sustentvel da regio pelas diversos setores da economia. De toda a APA Carste de Lagoa Santa, poucos so os stios arqueolgicos abertos a algum tipo de visitao. Dentre os stios acessveis, destaca se a Lapa do Ballet, localizada em rea da mineradora Lafarge, que conta com toda uma infra estrutura para visitao turstica. Contudo, apesar de ser possvel o acesso ao local, necessria antes um a autorizao da empresa, do IPHAN e do IBAMA, onde se deve explicar qual seria o interesse na visitao deste stio. A regio conta ainda com outros importantes stios arqueolgicos como o de Cerca Grande ou o da Lapa do Ba, entretanto, ambos os stios s e localizam em terras de propriedade privada e no possuem estrutura para visitao. A impossibilidade de acesso um dos principais problemas para se estabelecer o turismo arqueolgico na regio da APA, isso se deve ao fato de que a maioria dos patrimnio s culturais est localizada em rea de propriedade particular. O tombamento no interfere no domnio de tais bens, o que significa que os stios arqueolgicos, mesmo tombados, permanecem em propriedade particular e sob a posse do proprietrio daquelas terr as, com a nica diferena de que, a partir do tombamento, passam a existir algumas limitaes acerca da alterao das caractersticas do patrimnio. Sendo assim, tem se que, para o desenvolvimento do turismo arqueolgico na rea de anlise, seria necessri o primeiro motivar os proprietrios para a insero do patrimnio localizado em suas terras em um roteiro ou projeto turstico. Entretanto, pela falta de conhecimento e informao tanto sobre a relevncia destes patrimnios quanto sobre os possveis benef cios do turismo, poucos se interessam por este tipo de atividade e optam por utilizar o espao para agricultura ou pecuria, o que pode degradar os stios arqueolgicos. Quase todos os stios da APA Carste de Lagoa Santa j sofreram com os impactos da urba nizao e industrializao do local. Um dos mais importantes stios da regio, o de Cerca Grande 4 que possui mais de 10 mil anos (Prous, 2003), localiza se em uma fazenda e tem o seu acesso restrito, inclusive para pesquisadores e estudantes, sendo o espa o utilizado hoje como pastagem para gado. Alguns dos stios j esto totalmente destrudos como, por exemplo, a Lapa Vermelha de Lagoa Santa. Tal nvel de degradao ambiental gera duas reflexes: primeiro a de que o turismo no pode ser estruturado em qu alquer um destes stios, visto que muitos j esto extremamente degradados; segundo a de que o turismo planejado pode contribuir para a conscientizao e conservao dos que ainda se encontram em melhor estado de conservao. Destacam se ainda na regio em foco: a escassez ou subutilizao dos equipamentos culturais, a carncia de materiais interpretativos e recursos humanos especializados para o Turismo arqueolgico, alm da falta de estudos relacionados demanda turstica para o patrimnio arqueolgico d a regio. De acordo com as entrevistas realizadas, percebeu se que o turismo arqueolgico deve ser estruturado a partir de projetos que visem sua sustentabilidade e ao mesmo tempo, e principalmente, o desenvolvimento econmico, cultural e social da regio. O que seria possvel, segundo alguns entrevistados, atravs da melhoria das articulaes e estruturao de parcerias entre poder pblico, privado e comunidade, bem como com o prprio meio acadmico que muitas vezes desenvolve pesquisas ou trabalhos de cam po na regio e no fornece um retorno s instncias e locais pesquisados ou no buscam meios para aplicao das consideraes e concluses de seus trabalhos, uma vez que a rea ainda no conta com projetos ou propostas estruturadas ou em conjunto para o de senvolvimento deste tipo de turismo. Consideraes Finais Como explicado anteriormente, a regio de Lagoa Santa apresenta muitas potencialidades para o desenvolvimento do turismo arqueolgico. Alm disso, o fato de quase todas as cidades da rea em anlis e fazerem parte do Circuito Turstico das Grutas proporciona ao local uma grande visibilidade e possibilidade de desenvolvimento turstico sustentvel atravs de planejamento e projetos pblico privados articulados com os j existentes, o

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Becheleni & Medeiros O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio... Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens C rsticas 3 ( 1 ), 20 10 27 que poderia confe rir maior competitividade ao destino. Poder se ia estabelecer uma relao projetos e estudos aplicados que envolvam incentivo cultura e ao resgate da memria da comunidade, juntas rumo ao desenvolvimento social, econmico e cultural. Assim, podem se evitar perdas de patrimnios importantes e ao mesmo tempo gerar alternativas para o controle de urbanizao, industrializao e uso do solo. Uma proposta vivel e interessante para a regio seria o uso de instrumentos para a preservao arqueolgica, entre os quais se destacam a incluso social, a educao patrimonial e o turismo (Lima, 2007). O desejvel que, sempre que possvel, se trabalhassem com esses, bem c omo outros instrumentos legislao, cartas arqueolgicas municipais, pesquisas, entre outros (Tocchetto & Thiesen, 2007) de forma articulada e coerente com vistas a maximizar os benefcios da interao do pblico com o patrimnio arqueolgico e minimiz ar potenciais impactos. Turismo e educao patrimonial so perfeitamente combinveis e podem resultar em uma vivncia, de certa maneira, mais rica e proveitosa na medida em que podem contribuir para a formao de um elo mais duradouro de associao do cogn itivo ao afetivo. Schaan (2007) sugere que programas de educao patrimonial envolvam a divulgao de conceitos e prticas arqueolgicas. Alm disso, podem tambm propor atividades como, por exemplo, a produo de cermica ou gravuras inspiradas naquele pa trimnio arqueolgico observado durante a visitao, tomando como base suas tcnicas, formas e decorao, promovendo uma ligao com o passado por meio da revivescncia dessas prticas antigas. Como o turismo na regio ainda no se encontra consolidado, po ucos so os atrativos tursticos estruturados para qualquer tipo de visitao turstica. Toda essa precariedade na infra estrutura de apoio turstico se torna um dos pontos mais importantes a serem trabalhados na regio para que a mesma se configure como u m destino de turismo arqueolgico. O poder pblico apontado como um dos principais responsveis pelo sucesso ou no da atividade que este trabalho prope na medida em que ele o responsvel por fiscalizar, liberar verbas para o planejamento e contrata o de profissionais qualificados, alm de incentivar o Turismo local. Ao mesmo tempo, dever do poder pblico controlar o uso de ocupao do solo, bem como ceder ou no a apelos de indstrias para o desenvolvimento de suas atividades na rea. Contudo, o qu e parece ser o maior fator limitante para o desenvolvimento da atividade turstica na regio em anlise a desarticulao entre poder pblico e privado. A falta de recursos e de incentivos aos proprietrios de reas particulares inseridas na APA Carste de Lagoa Santa, relacionadas gesto e uso turstico do patrimnio arqueolgico uma das deficincias provenientes dessa desarticulao. Ocorre ainda a falta de entrosamento e de trabalho conjunto entre os rgos gestores e fiscalizadores desse patrimnio nas esferas municipal, estadual e federal. Conclui se que a rea, apesar do potencial, necessita primeiramente de regras para a gesto dos patrimnios culturais e plano de manejo para que os mesmos se insiram em um programa de Turismo Arqueolgico. Pode s e dizer que a APA Carste de Lagoa Santa uma das reas que poderia valer se do Arqueoturismo como forma de proteo de seu patrimnio e que tambm necessita de aes como esta, j que possui riquezas nicas no que diz respeito arqueologia, se localiza p rxima capital do Estado de Minas Gerais, apresenta grande facilidade de acesso, revela belezas naturais de diversos tipos e ainda conta com cidades j preparadas para visitao em grutas, o que poderia contribuir para a promoo da regio como um todo. Alm disso, a regio encontra se ameaada pelo acelerado processo de urbanizao e industrializao da rea, o que refora a necessidade da proteo do carste. Atravs da democratizao do acesso aos stios arqueolgicos, ao conhecimento da Arqueologia e d e um determinado grupo social, possvel conscientizar tanto a populao local quanto os turistas sobre a necessidade da proteo do patrimnio cultural arqueolgico, que na APA Carste de Lagoa Santa j se encontra ameaado. A valorizao das diferenas c ulturais; em contraposio ao rpido processo de globalizao, que padroniza destinos, culturas e povos; incita o engajamento coletivo da sociedade em movimentos de proteo e preservao da sua prpria histria. A sensibilizao de um povo sobre sua cultu ra, identidade e preservao de seu prprio patrimnio pode garantir a sustentabilidade dos stios. Trabalhar a tradio de um povo como produto turstico pode contribuir para a recuperao da identidade das pessoas e, conseqentemente, para a manuteno d e seus patrimnios. A exposio dos stios atividade turstica sem um plano de manejo adequado leva perda deste patrimnio e, por outro lado, um stio degradado inibe ou at mesmo anula o seu potencial turstico. As particularidades do ambiente e sua

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Becheleni & Medeiros O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio... Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens C rsticas 3 ( 1 ), 20 10 28 notvel fragilidade demandam dos planos uma concepo holstica e multidisciplinar baseada nos princpios da sustentabilidade, com a elaborao realizada por uma equipe qualificada e heterognea, constituda por arquelogos, turismlogos, gegrafos, gelog os, bilogos, gestores, entre outros profissionais que possam contribuir para a concepo deste tipo de plano. Alm disso, deve se pensar em polticas pblicas claras e exeqveis, bem como na conscientizao da populao, dos proprietrios e dos visitant es. Hoffman et al (2002) salienta essa necessidade de interao dos profissionais com os arquelogos, uma vez que estes no recebem em sua formao suficiente conhecimento sobre desenvolvimento do turismo e como tornar a arqueologia pblica. A articulao entre os stakeholders fundamental, o que foi salientado pelas entrevistas e por alguns autores como Helmy e Cooper (2002) e Lima (2007) que salienta que a incorporao de mltiplas vozes ao processo decisrio tambm uma garantia contra a preservao de passados excludentes. Desta forma, notvel a congruncia entre os princpios que do sentido conservao do patrimnio cultural e os princpios em que se baseia o turismo sustentvel. A partir dos dados obtidos no decorrer do estudo identificamos alg umas potencialidades e limitaes relacionadas ao Turismo Arqueolgico na APA Carste de Lagoa Santa. A proposta de interface das reas turismo e arqueologia e de utilizao dos stios arqueolgicos para fins tursticos, baseou se no pressuposto salientado por diversos autores de que o turismo planejado pode servir como ferramenta para a o auto reconhecimento, valorizao e proteo do patrimnio. Infere se, portanto que o Turismo Arqueolgico pode ser utilizado como mecanismo de gesto do patrimnio e prote o do carste, atravs dos preceitos da sustentabilidade e de uma maior valorizao do patrimnio local. Diante da importncia do patrimnio, dos poucos estudos acadmicos e da fragilidade do ambiente, propem se alguns tpicos para estudos futuros, entre os quais se podem citar: estudos com a populao local; estudos junto aos proprietrios de terras onde se encontram alguns dos stios da regio; a anlise da possibilidade de criao de museus a cu aberto na APA; ou ainda um estudo aprofundado com o pode r pblico local. O esforo de pesquisa certamente possui algumas limitaes como, por exemplo, a dificuldade de acesso aos stios arqueolgicos da regio. Entretanto, espera se que as reflexes e conceitos aqui apresentados contribuam para discusses acerc a do Turismo e da Arqueologia e, principalmente, que estimulem no s debates, mas tambm aes interdisciplinares que contribuam para unir diferentes profissionais em prol de um bem comum Referncias Bi bliogrficas Archaeological Institute of America. 2008. A Guide to Best Practices for Archaeological Tourism Disponvel em: http://www.archaeology.org/online/features/guidelines/index.html Acessado em 20 nov 2009. Archerso n, N. 2000. The Museum of Scotland. Public Archaeology 1 (1): 82 4. Bardin, L. 1977. Anlise de contedo Lisboa: Edies 70, 225p. Barreto, M. 1995. Manual de Iniciao ao Estudo do Turismo 8 Ed, Campinas: Papirus, 164p. Barretto, M. 2000. Turismo e Lega do Cultural: As Possibilidades do Planejamento 2 Ed. Campinas: Papirus, 96p. Caldarelli, S. B. 2007. Pesquisa arqueolgica em projetos de infra estrutura: a opo pela preservao. Revista do Patrimnio Histrico e Artstico Naciona l, 33: 153 173. Castel li, G. 1990. Turismo: Atividade Marcante no Sculo XX. 2 Ed. Caxias do Sul: Educs, 127p. Deus, J. A. S., Ferreira, C. C. D. & Rodrigues, R. S. 1997. Preservao da rea Crstica de Lagoa Santa/MG atravs da Educao Ambiental. Geonomos 2 (5):49 54. Ferret i, E. R. 2002. Turismo e Meio Ambiente: Uma Abordagem Integrada, So Paulo: Roca, 184p. Gil, A. C. 1999. Mtodos e tcnicas de pesquisa social 5. Ed, So Paulo: Atlas, 208p.

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 31 PLANEJAMENTO AMBIENTAL INTEGRADO E PARTICIPATIVO NA DETERMINAO DA CAPACIDADE DE CARGA TURSTICA PROVIS"RIA EM CAVERNAS ENVIRONMENTAL PLANNING INTEGRATED AND PARTICIPATORY FOR DETERMINATE THE PROVISORY TOURIST CARRYING CAPACITY IN CAVES Heros Augusto San tos Lobo 1 (1, 2), Maurcio de Alcntara Marinho 2 (3), Eleonora Trajano 3 (4), Jos Antonio Basso Scaleante 4 (5 ), Brbara Nazar Rocha 5 (6), Oscarlina Aparecida Furquim Scaleante 6 (5, 7 ) & Francisco Villela Laterza 7 (2 ) (1) Programa de Ps Graduao em Geocinci as e Meio Ambiente UNESP (2) Instituto Ekos Brasil SP (3) Fundao Florestal/ Secretaria Estadual de Meio Ambiente (4) Departamento de Zoologia, Instituto de Biocincias, Universidade de So Paulo IB/USP (5) Estao Floresta Assessoria Ambiental e Turismo Ltda (6) Program a de ps graduao em Geografia Fsica pela FFLCH USP (7) Secretaria Municipal de Educao de Campinas Rio Claro SP heroslobo@hotmail.com Resumo A capacidade de carga tem sua origem no manejo agrcola e pecu rio, considerando, de forma geral, as caractersticas e limitaes do ambiente para a determinao de um nvel desejvel de uso. No turismo, sua aplicao feita tanto no planejamento quanto na gesto, visando limitao do uso turstico de uma rea em funo de aspectos ambientais, ecolgicos, culturais, sociais e econmicos. A maioria dos mtodos de capacidade de carga turstica existentes determinstica e pouco flexvel, o que se torna uma dificuldade para a gesto dos destinos e atrativos turstico s. Buscando contornar esta caracterstica, foi desenvolvido um mtodo de determinao da capacidade de carga turstica que leva em conta os determinantes ambientais estipulados em estudos temticos, mas com nveis diferenciados de ponderao em funo de s uas fragilidades relativas presena humana. O mtodo foi originalmente concebido para uso em cavernas, sendo possvel sua adaptao para outros tipos de ambiente. Os resultados obtidos permitiram a obteno de nveis de uso considerados adequados em um c onsenso de especialistas das mais distintas reas do conhecimento, aliando a conservao ao uso responsvel do ambiente. Alm disso, o mtodo proporcionou a ampla oportunidade de participao das comunidades afetadas e stakeholders do turismo no processo d ecisrio, ampliando, assim, o sentimento de pertencimento e o seu envolvimento efetivo Palavras Chave: Capacidade de Carga Turstica; Manejo Espeleolgico; Planejamento Turstico; Planejamento Participativo Abstract The carrying capacity was originated in the management of agriculture and pecuary, considering, in a general way, the characteristics and limitations of the environment for to determinate a desirable level of use. In the tourism, its application is made both in the planning as in the manageme nt phase, with the objective of establishing tourist use levels in function of aspects of environment, ecology, culture, society and economy. The most of the methods of tourist carrying capacity is deterministic and few flexible, which became in a difficul ty to managers of tourist destinations and attractions. The present method is an attempt to contour this characteristic, using for this the environmental determinations identified in thematic studies, but considering its relative fragility, weighted in rel ationship with the human presence. The method was originally created for to be used in caves, but its adaption for other environments is possible. The results of its application allow the achievement of adequate levels of tourist use, in a consensus of spe cialists from distinct areas of knowledge, allying the environmental conservation with its responsible use. Beyond of this, the method provided a wide opportunity of participation of local communities and tourism stakeholders in the decision process, expan ding with this their belonging feelings and effective involvement K ey Words: Spatial Tourist Carrying Capacity; Management of Caves; Tourism Planning; Participatory Planning

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 32 Introduo O desenvolvimento de atividades tursticas em uma rea natural proteg ida requer o conhecimento amplo do ambiente afetado, de forma que as limitaes inerentes aos processos de um sistema natural possam ser respeitadas e mantidas. A realizao de diagnsticos ambientais temticos constitui fator chave para um efetivo planeja mento dessas reas, incluindo a tomada de deciso quanto a possibilidades e limites de uso turstico. As cavernas podem ser consideradas casos especiais de planejamento ambiental e turstico, em funo de suas condies espaciais, de iluminao, trficas e de fluxo de massa e energia diferenciadas dos demais ambientes naturais (CIGNA; FORTI, 1988; PULIDO BOSCH et al., 1997). O confinamento espacial condiciona limitao em todos os processos do sistema, fazendo com que as aes decorrentes da presena huma na possam se perdurar em alguns casos, por tempo indeterminado. A forma conhecida para reduzir problemas desta magnitude o ordenamento do uso pblico, por meio do estabelecimento de limites temporais, espaciais e comportamentais (LOBO, 2010). Estes lim ites so estipulados em funo da variao considerada aceitvel de parmetros chave do ambiente afetado, os quais so conhecidos a partir do nvel de presso antrpica projetado, configurando se, assim, a perspectiva de fragilidade do ambiente (TRAJANO, 2 010). A fragilidade um conceito relativo, o qual no tem por objetivo identificar a susceptibilidade intrnseca de cada elemento do ambiente a variaes de ordem natural, mas sim, a sua relao de causa e efeito em funo da presena humana. Esta perspec tiva analtica de limitao ao uso baseada em fragilidades, aliada aos modelos de avaliao de potencial turstico de cavernas (LINO, 1988; LABEGALINI, 1990; MARINHO, 2002; SGARBI, 2003; SCALEANTE, 2005; LOBO, 2007), serviu de base para a proposio de um processo de planejamento turstico aplicado em cavernas, cuja finalidade principal foi estabelecer um ponto de partida para determinar os limites de visitao Com isso, foi desenvolvido um modelo metodolgico para a determinao da capacidade de carga tur stica. A capacidade de carga um procedimento tcnico de limitao quantitativa de uso turstico, comumente aplicada no manejo de trilhas e outros atrativos ecotursticos. Trabalhos de referncia em escala mundial sobre o tema foram publicados por Cifuen tes (1992), Gillieson (1996), Hoyos et al. (1998) e outros autores, que estabeleceram os conceitos bsicos sobre o tema. Metodologias prticas foram desenvolvidas nos trabalhos de Cifuentes (1992), Hoyos et al. (1998) e Calaforra et al. (2003), entre outro s. No caso de Cifuentes (1992), o mtodo desenvolvido prope uma somatria de fatores considerados crticos, o que reduz substancialmente o nmero de visitantes sem, no entanto, considerar uma perspectiva direta de nexo causal entre os problemas identifica dos e o volume de visitao. Por sua vez, os trabalhos de Hoyos et al. (1998) e Calaforra et al. (2003) adotam uma perspectiva linear de causa e efeito entre parmetros atmosfricos e a presena de visitas, focados no dimensionamento dos grupos de visita o, e no no total de visitas dirias em uma caverna. Neste sentido, o mtodo ora exposto, desenvolvido e aplicado em 32 cavernas no Estado de So Paulo, difere desta lgica processual, por ser baseado na produo de anlises e materiais que sirvam de apoio tomada de deciso, a qual foi realizada de forma coletiva e participativa. Contextualizao e rea de estudo O trabalho que permitiu o desenvolvimento do presente mtodo foi realizado na regio do vale do rio Ribeira, sudoeste do Estado de So Paulo. A regio abriga uma das maiores concentraes de cavernas do pas, na Provncia Espeleolgica do Aungui (KARMANN; SNCHEZ, 1979). Grande parte das cavernas j conhecidas na regio protegida por um mosaico de Unidades de Conservao da natureza, formando o chamado contnuo ecolgico de Paranapiacaba. Trata se de um dos mais significativos remanescentes da Mata Atlntica e tambm de uma das reas crsticas com maior quantidade de teses e dissertaes produzidas no pas, conforme destaca o levantamento de Fi gueiredo et al. (2005) e com snteses na rea de espeleobiologia publicadas nos trabalhos de Trajano (2000) e Trajano; Bichuette (2010). As cavernas desta regio do Estado de So Paulo comearam a ser registradas na virada dos sculos XIX XX, por pioneiros como o alemo Richard Krone ou o italiano Loureno Granato (BRANDI, 2007). A sua visitao comeou a se intensificar em meados dos anos de 1960, por meio de iniciativas pioneiras nas cavernas do Diabo e, posteriormente, de Santana (LE BRET, 1995). O turis mo institucionalizado na regio comea a se intensificar nos anos de 1980, com a efeti vao da implantao de alguns p arques e seus respectivos ncleos de visitao (MARINHO, 2002).

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 33 Em 2008, as cavernas da regio foram fechadas a visitao, por determina o judicial, dada a ausncia de planos de manejo na maioria dos parques e na totalidade das cavernas visitadas, bem como pela ocorrncia de acidentes com turistas nos anos anteriores. A medida foi prejudicial a vrias comunidades locais que, depois de anos de dependncia dos recursos advindos do turismo, tiveram os fluxos de visitao praticamente zerados por questo de meses (LOBO, 2008), gerando consequncias incompreendidas por completo at a atualidade. Como consequncia, foi assinado um Termo de Ajustam ento de Conduta, estabelecendo, entre outros, a necessidade de elaborao dos Planos de Manejo Espeleolgico (PMEs) de 32 cavernas (Figura 1), dos Parques Estaduais: Intervales (PEI), Turstico do Alto Ribeira (PETAR), Caverna do Diabo (PECD) e do Rio Turv o (PERT), que foram selecionadas por tcnicos da Fundao Florestal rgo da Secretaria Estadual de Meio Ambiente com base na visitao j implantada e em cavernas com potencial de uso pblico. No mbito da Secretaria do Meio Ambiente foi institudo um comit interinstitucional, composto pela Fundao Florestal, Instituto Geolgico, Instituto Florestal, Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica, e Projeto de Desenvolvimento de Ecoturismo da Mata Atlntica (SMA/BID), que elaborou o termo de referncia que norteou a execuo dos PMEs, a partir de diversas referncias, incluindo um documento preparatrio (PIVA; LEVENGAHEN, 2006), dirigido elaborao de PMEs dos parques contemplados. As atividades relativas aos PMEs foram realizadas no per odo compreendido entre janeiro de 2009 e abril de 2010. Ao todo, quase 200 tcnicos foram envolvidos, com destaque para a participao de gelogos, gegrafos, turismlogos, bilogos, engenheiros e outros profissionais de diversas reas do conhecimento, al m da contribuio de agentes locais, incluindo monitores ambientais, tcnicos de prefeituras e empreendedores tursticos, todos engajados com a conservao das cavernas. Os PMEs, coordenados pelo Ncleo de Planos de Manejo da Fundao Florestal (NPM/FF) e pelo Instituto Ekos Brasil, alm de contar com a participao de tcnicos e pesquisadores da SMA incluindo os gestores dos parques estaduais envolvidos cont aram com a participao de especialistas vinculados a universidades pblicas (UNESP, USP e UFS CAR); grupos e entidades de espeleologia (SBE, GBPE, GPME e UPE) e diferentes empresas de consultoria ambiental e no campo das cincias humanas. Para a viabilizao dos PMEs foram destinados recursos oriundos de termos de compromisso de compensao ambient al (SO PAULO, 2010). Figura 1 Localizao das cavernas presentemente estudadas (modificado de SO PAULO, 2010)

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 34 Projeo dos cenrios de visitao e anlise do potencial espeleoturstico A identificao do potencial de visitao das cavernas um dos passos mais importantes da metodologia desenvolvida. Isto porque os estudos de fragilidade do ambiente dependem intimamente dos nveis de presso antrpica desejados. Posto que a fragilidade um conceito relativo (TRAJANO, 2010; LOBO, 2010), a altera o dos cenrios de visitao projetados acarreta em reviso dos nveis de fragilidade considerados. O processo analtico em relao ao uso pblico deve permear diversos aspectos e parte do princpio que trechos de uma caverna sero considerados como rotei ros de visitao. A delimitao espacial deve levar em conta tanto critrios de atratividade quanto de vulnerabilidade do ambiente, buscando conciliar os diferentes interesses dos possveis pblicos a serem atendidos. Esta anlise pode ser feita por meio d e diversas formas, com destaque para os mtodos e diretrizes j publicados por Lino (1988), Labegalini (1990), Marinho (2002), Scaleante (2005) e Lobo (2007). A proposio de um roteiro de visitao deve ser feita em duas formas: por meio da projeo do ca minhamento (BOGGIANI et al., 2001, 2007; LOBO, 2006, 2009) e dos pontos de disperso controlada (LOBO, 2009) em mapa topogrfico da caverna; e com memorial descritivo, explicando os pontos de interveno necessrios e detalhes da proposta realizada. Um exe mplo de mapa de potencial de visitao apresentado na Figura 2. Aps a definio dos roteiros, preciso delimitar os tipos de propostas de visitao a serem consideradas, a partir dos pblicos que se pretende atingir. Considerando se que toda forma de v isitao gera um determinado nvel de presso antrpica, adotou se uma definio de uso pblico para espeleoturismo que no se restringe ao turismo formal, abrangendo no s a aventura e a contemplao, como tambm aulas de campo e estudos do meio. Fig ura 2 Mapa de potencial de roteiros de visitao da gruta do Temimina II (SCALEANTE et al., 2009).

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 35 O Espeleoturismo, como aqui definido, inclui tambm as atividades de espeleologia tcnica e cientfica (esta ltima, coordenada por profissionais de rea s de cincias), a monitoria e o voluntariado. O contraponto destas atividades em relao ao espeleoturismo de lazer e educacional se caracteriza pelo nmero relativamente reduzido de visitantes, os quais apresentam capacitaes especficas, gerando produto s como treinamento, mapas, relatrios e publicaes cientficas. O Quadro 1 apresenta as formas de uso pblico consideradas na formulao das propostas de visitao. Quadro 1 Perfis de visitantes considerados para a anlise do uso pblico Perfil Geral Perfis Especficos Descrio e/ou Exemplos Espeleoturismo Contemplao Atividade de lazer contemplativo em cavernas. Estudo do Meio Atividades de interpretao ambiental com escolas, realizadas por operadoras especializadas. Aula de Campo Ativida des prticas de ensino com universidades, para visualizao in loco das teorias estudadas. Aventura Atividades de lazer ativo/interativo, com ou sem o uso de tcnicas verticais, em trechos com pequena estrutura de apoio. PNEs (Portadores de Necessidade s Especiais) Adaptao de trechos de cavernas para PNEs. Monitoria e Voluntariado Monitores Ambientais, guias e voluntrios Conduo de turistas; estgio de iniciao. Grupos de busca e salvamento e afins Treinamento de tcnicas de busca e salvamento. Espeleologia tcnica Prospeco Identificao de novos trechos dentro da caverna. Espeleotopografia Mapeamento: novo, retificado ou em detalhe de trechos da caverna. Espeleofotografia Prtica de tcnica fotogrfica em cavernas. Espeleovertical Prtica de tcnica vertical em cavernas. Iniciao Espeleolgica Iniciao de membros de grupos de espeleologia. Espeleologia cientfica Pesquisa bsica Dataes paleoclimticas. Pesquisa aplicada Anlise do impacto da visitao na fauna cavernc ola. A importncia de definir os tipos de pblico se d pelo fato de que, conforme os motivos de visitao, a intensidade e os tipos de impactos podem ser maiores ou menores, independente do volume de visitantes em um grupo. Um grupo em estudo do meio ou de ecoturistas possui uma postura diferente de um grupo de aventureiros. Certos tipos de pesquisa, como levantamentos minuciosos de fauna ou alguns tipos de topografias, requerem o uso de carbureteiras que so substancialmente mais impactantes para o mi croclima (SCALEANTE, 2003; LOBO; ZAGO, 2010) do que as luzes eltricas mesmo em pequenos volumes de visitao. O ltimo subsdio necessrio para a anlise do potencial turstico a definio dos volumes de visitao. Na presente metodologia, foram cons iderados cinco nveis hierrquicos, expostos na Tabela 1. A partir destes subsdios tcnicos, os especialistas em turismo da equipe projetaram os diversos cenrios de visitao para a totalidade de roteiros dentro das 32 cavernas estudadas. A Tabela 2 apre senta exemplos representativos dos cenrios projetados. Tabela 1 Escalas de visitao para a projeo de cenrios de uso pblico Escala de visitao Total de visitantes (inclui guias)/grupo Restrita At 7 Baixa At 10 Mdia At 20 Alta At 30 Inten sa At 50 A projeo dos cenrios levou em conta, alm dos perfis de pblico e seu respectivo nvel de interesse em diferentes tipos de experincia de visitao, o grau de risco ao visitante e a necessidade de sustentabilidade socioeconmica das comunida des locais em sua relao de interdependncia com o espeleoturismo desenvolvido na regio.

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 36 Tabela 2 Exemplos de cenrios de visitao projetados Caverna Roteiro Escala (pes./grupo) Total proposto* (visitas/dia) Colorida (PEI) Tradicional circular Mdia (20) 120 Morro Preto (PETAR) Tradicional circular Alta (30) 270 Travessia do aborto Restrita (6) 24 Ouro Grosso (PETAR) At cachoeira Baixa (10) 160 Travessia garrafes Restrita (6) 12 Diabo (PECD) Tradicional Intensa (50) 1200 Erectus Restrita ( 6) 24 No corresponde, necessariamente, capacidade de carga provisria final da caverna. Anlise das fragilidades do ambiente caverncola As fragilidades do ambiente caverncola so identificadas a partir de diagnsticos temticos, os quais seguem p rocedimentos de coleta, anlise e interpretao de dados especficos para cada tipo de levantamento, dentro dos temas espeleogeologia/paleontologia, climatologia, espeleobiologia e arqueologia. Considerando que se tratam de estudos de distintas reas do co nhecimento, os resultados podem apontar para diversas formas de avaliao e classificao do ambiente caverncola, o que certamente dificultaria uma anlise equitativa dos fatores estudados. Assim, a primeira premissa metodolgica a definio de uma esca la hierrquica comum a todos os mtodos, baseada em uma graduao percentual, facilitando a comparao entre diferentes estudos. Esta escala foi aplicada aos estudos espeleogeolgicos, paleontolgicos, arqueolgicos, microclimticos e espeleobiolgicos, co nsiderando o critrio de classificao apresentado na Tabela 3. Os resultados da classificao dos nveis de fragilidade so aplicados a uma rea isomorfa da caverna, como uma galeria, um salo, um rio ou uma zona atmosfrica, estabelecidos a partir da int erpolao ou extrapolao dos pontos de coleta de dados. Com isso, so produzidos mapas de fragilidade para n temas considerados, tantos quanto forem necessrios para exprimir graficamente as principais caractersticas da caverna sob manejo. Os critrios u tilizados para a classificao das fragilidades do ambiente so exemplificados no Quadro 2. Tabela 3 Nveis de fragilidade dos estudos temticos Nvel de fragilidade Valor (%)* Cor da legenda em mapa Descrio Absoluto 75,01 100 Preta Indicadores/moti vos que demonstrem a incompatibilidade da rea com o uso pblico. Alto 50,01 75 Vermelha Indicadores/motivos que demonstrem a alta fragilidade da rea em relao ao uso pblico. Mdio 25,01 50 Amarela Indicadores/motivos que demonstrem a mdia fragilidad e da rea em relao ao uso pblico. Baixo 0,01 25 Verde Indicadores/motivos que demonstrem a baixa fragilidade da rea em relao ao uso pblico. No classificado/ Inexistente Transparente Justificar a ausncia de estudos e/ou a inexistncia de fragil idades. Os valores mximo e mnimo dos nveis de fragilidade foram estabelecidos de forma arbitrria, dividindo se o total de nveis existentes dentro de uma escala percentual.

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 37 Quadro 2 Exemplos de critrios de anlise das fragilidades do ambiente s ubterrneo visitao Estudo Temtico Exemplos de indicadores utilizados Espeleogeologia Desenvolvimento dos condutos Variedade e raridade morfolgica Presena de depsitos clsticos Presena, variedade, mineralogia e posio de espeleotemas Singularidad es geolgicas. Paleontologia e arqueologia Presena de vestgios Realizao de estudo/resgate do material. Microclimatologia Conectividade atmosfrica com o meio externo Concentrao de gs carbnico. Espeleobiologia Riqueza de espcies troglomrficas O corrncia de espcies com baixa densidade populacional Espcies indicadoras de qualidade da gua Granulao do substrato no leito dos rios Singularidades biolgicas, incluindo fenmenos raros, locais de reproduo etc. Fonte: So Paulo (2009) A fragilida de total de cada tema estudado para cada zona classificada dentro da caverna ou dela como um todo, no caso da impossibilidade de se obter anlises por reas especficas foi inicialmente dada pela soma dos pesos de todos os indicadores dividida pelo tot al de indicadores utilizados, tal como exposto na Equao 1: (1) Onde: caverna; IF 1, 2, 3...n = Valores e/ou pesos de cada indicador de fragilidade; classificar cada zona ou caverna estudada. Aps esta etapa, o resultado obtido pela soma das respostas dadas aos indicadores indicou o nvel de fragilidade da rea em anlise, o qual, invariavelmente, enquadra s e em um dos nveis apresentados na Tabela 3. Para ilustrar um resultado da aplicao desta primeira etapa de classificao do ambiente, a Figura 3 apresenta trs mapas de fragilidade temtica da gruta do Fogo, localizada no PEI. Figura 3 Mapas de fra gilidade da gruta do Fogo, em planta baixa: A meio fsico (inclui arqueologia e paleontologia); B microclima; C meio bitico.

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 38 Os mapas produzidos apresentam prognsticos para a condio do ambiente relativa presso antrpica considerada para a an lise. No caso dos exemplos ilustrados na Figura 3, no existem valores percentuais diferenciados agregados a cada uma das zonas de fragilidade expostas. Assim, admite se o valor mximo de cada nvel hierrquico: se uma zona se encontra em cor verde, o que corresponderia a uma faixa varivel entre 0,01% e 25%, a ausncia de um valor especfico que poderia ser obtido pela nota mdia dos critrios estabelecidos, conforme a Equao 1 classifica automaticamente o nvel de fragilidade a partir da nota superio r de corte do nvel considerado, ou seja, 25% neste caso. Esta opo foi tomada em funo de princpios de precauo, elevando sempre os nveis de fragilidade do ambiente, ao trabalhar com o valor mximo de cada nvel de fragilidade, ao invs do valor mni mo ou da mdia Integrao dos prognsticos Os mapas integrados de fragilidade de cada caverna analisada foram obtidos pela composio dos diversos mapas temticos de fragilidade temtica ponderados entre si, considerando duas possibilidades: Fragilidad es mximas, obtidas por meio da sobreposio dos mapas de fragilidade temtica, prevalecendo a maior fragilidade especfica para cada rea da caverna estudada Fragilidade ponderada, produzida a partir de uma nota mdia entre os diversos estudos pontuados, podendo ou no ser acrescida de um peso diferenciado para cada estudo, tal como apresentado na Equao 2: (2) Onde: F z = Fragilidade total da zona especfica da caverna; FT 1, 2, 3, n = Fragilidades obtidas por meio dos estud os temticos; P = Peso especfico, agregado a cada estudo realizado; utilizados para se obter o mapa final somado ao total de pesos especficos agregados. Feita a pontuao, preciso identificar quantas zonas so possveis de se obter a partir dos mapas temticos de fragilidade, o que corresponder ao mapa com maior detalhamento em nmero de zonas. A partir destes cruzamentos, os mapas integrados de fragilidades da caverna ficam da forma como ilustrado na Figur a 4, tomando como exemplo a caverna do Diabo, com suas fragilidades mximas (4A) e ponderadas (4B). No caso da fragilidade ponderada, no foram utilizados pesos diferenciados para os estudos temticos realizados, sendo todos equivalentes a peso 1. O exempl o da Figura 4 ilustra, alm das fragilidades integradas, a importncia de um caminhamento bem delimitado. A existncia de passarelas e corrimos delimitando o percurso de visitao e obrigando os visitantes a se concentrar em uma rea especfica, reduziu a fragilidade especfica de parte da caverna. Com isso, um salo de fragilidade absoluta (Figura 4A, em preto) passou a possuir uma zona linear de baixa fragilidade (Figura 4A, em verde). Isto demonstra tambm que, embora a construo de estruturas de visit ao seja danosa quando de sua implantao, permite a diminuio dos impactos da visitao em intervalos mais amplos de tempo, podendo ser consideradas relativamente positivas. Figura 4 Mapas finais de fragilidade integrada da caverna do Diabo: A f ragilidade mxima, por zona; B fragilidade ponderada, por zona.

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 39 Obteno da capacidade de carga provisria A utilizao dos resultados das fragilidades integradas pode ser feita de duas formas: a discusso por especialistas visando a um consenso; ou a a plicao dos ndices de detrao da fragilidade ponderada, em sistemtica de clculo semelhante metodologia de capacidade de carga de Cifuentes (1992). O caminho mais indicado a discusso, posto que a metodologia foi desenvolvida para ser um mtodo de suporte deciso, no um clculo determinstico. A discusso deve ser desenvolvida em um foro to amplo quanto possvel, com a participao de especialistas das diversas reas do conhecimento envolvidos, alm de gestores ambientais, representantes do pode r pblico (municipal e/ou estadual e/ou federal), pesquisadores conhecedores da rea, agncias de turismo, guias, monitores ambientais e outros stakeholders envolvidos com o uso pblico da caverna sob manejo. Para uma compreenso adequada do processo, suge re se a seguinte ordem de apresentao dos materiais produzidos: 1. Mapa com o roteiro proposto e tabela com o cenrio de visitao projetado, permitindo a todos a compreenso mnima dos nveis de presso ambiental estabelecidos; 2. Mapas de fragilidade temtica a partir dos diversos estudos realizados, evidenciando principalmente os nveis mais elevados de fragilidade identificados, justificando os caso a caso; 3. Mapa com as fragilidades integradas, mximas e ponderada, permitindo uma visualizao das reas susce ptveis a danos ambientais em funo da visitao; e 4. Discusso entre os presentes, buscando ponderar aspectos ligados tanto conservao da caverna quanto ao seu uso sustentvel. O que se busca com o dilogo entre os participantes a obteno de posies de consenso, com base em dados tcnicos e cientficos, o qual deve permear aspectos relativos: a) ao circuito de visitao proposto; b) escala de visitao; c) capacidade de carga provisria; e d) quando necessrio, ao zoneamento ambiental espeleolgi co da caverna tema este no abordado no presente trabalho. No se obtendo o consenso na discusso, pode se optar ainda por transformar o mtodo de suporte a deciso em um modelo determinstico de capacidade de carga, sendo esta a segunda opo de aplica o dos materiais produzidos. Para tanto, os ndices de fragilidade ponderada ou mesmo um determinado ndice de fragilidade mxima, de um estudo temtico que esteja em desacordo com o consenso obtido, como seria o caso de feies biolgicas fundamentais ( p. ex., ocorrncia de troglbio endmico) passam a ser tratados como fatores limitantes aos cenrios projetados. Cabe lembrar o carter especial das feies biolgicas, consequncia da conectividade reprodutiva entre indivduos e dependncia de tamanhos mnimos de populaes para a sobrevivncia das espcies. Enquanto a perda de uma feio geolgica restringe se mesma, geralmente no afetando outras de mesmo tipo, no caso de populaes, a perda de parte de uma delas pode se traduzir em risco para toda a espcie. Isto confere uma fragilidade particularmente alta para os componentes biolgicos de uma caverna. Matematicamente, esta opo de trabalho se expressa da forma como dispe a Equao 3: (3) Onde: CCP Det = Capacidade de Carga Provisria Determinada; F z (MX ou PEND) = Maior ndice de fragilidade ponderada ou ndice de fragilidade do estudo temtico pendente, considerando as zonas atingidas pelo roteiro proposto; CV = Cenrio de visitao proposto. Por este caminho, assim como pelo primeiro indicado, pode se tambm determinar a capacidade de carga provisria para a caverna sob manejo. Exemplos de resultados obtidos A metodologia apresentada nas sees anteriores, uma vez aplicada aos Planos de Manejo Espele olgico das cavernas do vale do Ribeira, permitiu um planejamento inicial de uso sustentado de 32 cavernas com realidades ambientais distintas, a ser testado atravs de monitoramente de mdio a longo prazo. Ao todo, foram submetidas 51 propostas de roteiro s de visitao, d a s quais 45 foram aprovadas nas oficinas de Zoneamento Ambiental Espeleolgico realizadas, com os mais diferentes nveis de intensidade e frequncia de visitao. Exemplos de extremos foram observados, desde roteiros para apenas um grupo d e 6 pessoas

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 40 por dia, at roteiros para 1100 pessoas por dia, em grupos de at 50 pessoas. Alm disso, as fragilidades mximas exerceram papel decisivo na limitao total de visitao de alguns roteiros. Cavernas inteiras foram fechadas visitao, como o caso da gruta do Esprito Santo (PETAR), em funo de fatores como alta diversidade de troglbios (13 espcies) e presena de vestgios paleontolgicos em seu interior e arqueolgicos perto de sua entrada, o que lhe conferiu ndice absoluto de fragilidad e em toda sua extenso. Outro exemplo digno de nota a gruta do Minotauro (PEI), que teve sua visitao suspensa por conta da estabilidade microclimtica, que sofreu grande impacto em visitas experimentais, mesmo com poucas pessoas. Em outras cavernas, co mo por exemplo, Morro Preto e Santana (PETAR), parte de seus sales e galerias, para os quais havia propostas de roteiros, tambm foi vetada em funo de suas fragilidades espeleogeolgicas como a variedade e a composio qumica de espeleotemas espel eobiolgicas pela presena de fauna troglbia e/ou microclimticas face ao potencial cumulativo de fluxo atmosfrico Fatores sazonais tambm foram considerados com base nas fragilidades levantadas. Na gruta Ouro Grosso (PETAR), em seu roteiro trad icional de visitao, a capacidade de carga provisria estipulada foi de 130 pessoas nos meses de outubro a abril, e de 60 pessoas nos meses de maio a setembro. A limitao temporal se deu em funo do ciclo reprodutivo de uma espcie de opilio, Serracuti soma spelaeum que se reproduz em um dos condutos de passagem obrigatria durante a visitao. Por fim, a caverna gua Suja (PETAR), como o exemplo mais rico de discusso desenvolvida, abrindo fronteiras para novas perspectivas de trabalho do mtodo. Duran te a discusso realizada em uma oficina, com diversos stakeholders presentes, no se obteve um consenso quanto ao seu volume de visitao. A grande dificuldade encontrada era a necessidade de se manter um roteiro de carter rstico, sem excesso de passarel as e pontes, permitindo aos turistas uma sensao maior de aventura, porm compatvel com a necessidade de recuperao das populaes de fauna aqutica com nfase nos peixes no rio que atravessa a cavidade. De fato, tendo em vista que o pisoteamento um dos impactos de mais graves conseqncias, tanto para a fauna terrestre como para a aqutica, um dos problemas mais importantes no manejo de qualquer caverna destinada ao espeleoturismo encontrar um equilbrio entre a minimizao do pisoteamento e um grau de interveno que no comprometa excessivamente o esprito de aventura. O ponto de equilbrio somente foi obtido com uma visita em campo feita com uma equipe multidisciplinar, quando todos os pontos de vista puderam ser expostos para se atingir um n vel maior de reflexo e ponderao coletiva. A atividade de campo foi acompanhada por monitores ambientais locais detentores de grande vivncia e conhecimento emprico do ambiente das cavernas e que, preocupados com o destino da visitao da caverna gua S uja, trouxeram grande contribuio para a definio do consenso e tomada de deciso quanto reviso de medidas de manejo da cavidade. O resultado obtido foi um meio termo, entre o cenrio inicial proposto (de 300 visitas/dia) e a limitao sugerida pela e speleobiologia que apontava para um limite de 80 visitas/dia chegando se a capacidade de carga provisria de 180 visitas/dia. Este limite numrico foi acrescido de uma srie de normas comportamentais, limites espaciais, controles rgidos de uso incl uindo a instalao de um posto de controle de acesso na entrada da caverna e um intervalo mnimo de 90 minutos entre os grupos. Por fim, no caso do PETAR, diante do fato da maior parte dos roteiros de visitao ser em cavernas, foi marcante tambm a part icipao do Conselho Consultivo da UC, solicitando esclarecimentos quanto aos PMEs para as cavernas e propondo ajustes cautelares do nmero de visitantes/por roteiro/monitor, mais uma vez tendo a base emprica dos monitores um importante parmetro para a determinao de limites espaciais, numricos e comportamentais de uso. Concluses A metodologia de planejamento desenvolvida, de base integrada e participativa, permitiu um dilogo muito prximo e em parmetros equilibrados entre profissionais de diferen tes reas de conhecimento. A mobilizao social tambm foi um ponto positivo. Os representantes de comunidades receptoras de turistas tiveram condies de expor seus respectivos pontos de vista, j balizados por ideais de conservao ambiental compatveis com as reas naturais protegidas. A resoluo de todos os casos apresentados com o uso dos materiais de apoio deciso apresentados e, em apenas um caso, acrescido de uma visita tcnica, demonstrou o funcionamento do mtodo. Em nenhum dos casos houve a ne cessidade

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 41 de aplicao do ndice de clculo baseado nas fragilidades ponderadas. Isto demonstrou que a experincia dos tcnicos responsveis pelos estudos temticos tanto nas propostas quanto nas limitaes necessrias aliada ao bom senso dos stakehol ders interessados no uso espeleoturstico sustentvel, so fatores fundamentais para o bom funcionamento de uma metodologia de capacidade de carga baseada em modelos de suporte deciso. Por fim, cabe lembrar que, pela prpria caracterstica do mtodo, os resultados obtidos so sempre considerados provisrios. Somente o desenvolvimento e a aplicao de protocolos de monitoramento ambiental com base, no mnimo, nos fatores crticos identificados, que permitir uma aproximao mais real dos verdadeiros lim ites de suporte de cada ambiente manejado. Agradecimentos A todos os participantes da elaborao dos Planos de Manejo Espeleolgico, em especial aos envolvidos na oficina de Zoneamento, onde o presente mtodo foi exaustivamente testado. Aos coordenador es dos estudos temticos de espeleogeologia (MSc. Oduvaldo Viana Jr.), fauna aqutica (Dra. Maria Elina Bichuette), fauna terrestre (Dra. Flvia P. Franco), histoplasmose (Ana Wiezel), leishmaniose (Silmara Zago), ocupao humana (MSc. Isabela de Ftima Fo gaa) e arqueologia (Dr. Paulo de Blasis e Dra. Erika Marion Robrahn Gonzlez), por suas contribuies ao processo de execuo do mtodo. A Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), ao Grupo Pierre Martin de Espeleologia (GPME), a Unio Paulista de Espel eologia (UPE) e ao grupo Bambu de Pesquisas Espeleolgicas (GBPE), por sua atuao significativa durante a elaborao dos Planos de Manejo Espeleolgico. Referncias Bi bliogrficas Boggiani, P.C.; Galati, E.A.B.; Damasceno, G.A.; Nunes, V.L.B.; Shiraka wa, M.A.; Silva, O.J.; Moracchioli, N.; Gesicki, A.L.D., Ribas, M.M.E.; Marra, R.J.C.; Sousa, B.P.C. de. Environmental diagnostics as a toll for the planning of tourist activity the case of Lago Azul and Nossa Sra. Aparecida caves Bonito/MS Brazil. I n: INTERNATIONAL CONGRESS OF SPELEOLOGY, 13, Braslia. Proceedings Braslia: UIS/SBE, 2001. p. 299 300. Boggiani, P.C.; Silva, O.J.; Gesicki, A.L.D.; Galati, E.; Salles, L.O.; Lima, M.M.E.R. Definio de capacidade de carga turstica das cavernas do Monum ento Natural Gruta do Lago Azul (Bonito, MS). Geocincias Rio Claro, v.26, n.4, p.333 348, 2007. Brandi, R. Ricardo Krone e Loureno Granato: influncias na histria da espeleologia paulista no final do sculo XIX e incio do sculo XX. O Carste Belo Hor izonte, v.20, n.1, p.36 61, 2008. Calaforra, J.M.; Fernndez Corts, A.; Snchez Martos, F.; Gisbert, J.; Pulido Bosch, A. Environmental control for determining human impact and permanent visitor capacity in a potential show cave before tourist use. Enviro nmental Conservation v.30, n.2, p.160 167, 2003. Cifuentes, M.C. Determinacin de capacidad de carga turstica en reas protegidas Turrialba: CATIE, 1992. 28 p. Cigna, A.A.; Forti, P. The environmental impact assessment of a tourist cave. In: UIS (ed.) C AVE TOURISM INTERNATIONAL SYMPOSIUM AT 170 ANNIVERSARY OF POSTOJNSKA JAMA, 1988, Postojna (Yugoslavia), Proceedings Postojna: UIS, 1988. p. 29 38. Figueiredo L.A.V. de; Zampaulo R. de A.; Marinho P.A. Pesquisa cientfica e qualificao acadmica em esp eleologia e temas afins: desenvolvimento de um catlogo sobre a produo universitria brasileira. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ESPELEOLOGIA, 28, 2005, Campinas. Anais do ... Campinas: SBE, 2005. p.44 65. Gillieson D. Caves : processes, development and manag ement. Cambridge: Blackwell, 1996. 324 p. GGEO Grupo de Espeleologia d a USP. Mapa topogrfico da gruta do Morro Preto Couto So Paulo: GGEO, 1998. Escala 1:500.

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 42 GPME Grupo Pierre Martin de Espeleologia Mapa topogrfico da gruta do Fogo So Paulo: GP ME, 2009. Escala 1:500. Hoyos M.; Soler V.; C aaveras J.C.; Snchez Moral S.; Sanz Rubio E. Microclimatic characterization of a karstic cave: human impact on microenvironmental parameters of a prehistoric rock art cave (Candamo cave, Northern Spain). Environmental Geology Berlin, v.33, n.4, p.231 242, 1998. Karmann I.; S nchez L.E. Distribuio das rochas carbonticas e provncias espeleolgicas do Brasil. Espeleo Tema Monte Sio, v.13, p.105 167, 1979. Labegalini J.A. Infraestructura para caverna s tursticas. Spelaion Buenos Aires, v.1, n.1, p.33 39, 1990. Le Bret M. Maravilhoso Brasil subterrneo Jundia: Japi/SBE, 1995. 204p. Lino C F. Manejo de cavernas para fins tursticos : base conceitual e metodolgica. So Paulo: s.ed., 1988. Mimeo. 41 p. Lobo H.A.S. Bases para a implantao e manejo de trilhas espeleotursticas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PLANEJAMENTO E MANEJO DE TRILHAS, 1, Rio de Janeiro. Anais do ... Rio de Janeiro: UERJ, 2006c. p.1 12. Lobo H.A.S. Mtodo para avaliao do potencia l espeleoturstico do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, MS. Caderno Virtual de Turismo Rio de Janeiro, v.7, n.3, p.99 110, 2007. Lobo H.A.S. Capacidade de carga real (CCR) da caverna de Santana, PETAR SP e indicaes para o seu manejo turstico. Geo cincias Rio Claro, v.27, n.3, p.369 385, 2008. Lobo H.A.S. Zoneamento ambiental espeleolgico (ZAE): aproximao terica e delimitao metodolgica. Pesquisas em Turismo e Paisagens Crsticas Campinas, v.2, n.2, p.113 129, 2009. Lobo H.A.S. Dinmica a tmosfrica subterrnea na determinao da capacidade de carga espeleoturstica : Caverna de Santana (PETAR, Iporanga SP). Rio Claro: Unesp, 2010. 311p. Relatrio de qualificao do doutorado (Ps Graduao em Geocincias e Meio Ambiente), Instituto de Geoci ncias e Cincias Exatas, Universidade Estadual Paulista. Rio Claro. Lobo H.A.S.; Zago S. Iluminao com carbureteiras e impactos ambientais no microclima de cavernas: estudo de caso da lapa do Penhasco, Buritinpolis GO. Geografia Rio Claro, v.35, n.1, p.183 196, 2010. Marinho M. de A. (Coord.) Plano de uso recreativo do PETAR, iporanga e Apia/SP: Proposta de manejo e uso recreativo para o Ncleo Caboclos com nfase ao Roteiro da Trilha do Chapu. Relatrios Tcnicos Parcial e Final. So Paulo: WWF Br asil; Ing Ong, 2002. 172 p. Piva E.B.; Levengahen B.S. (Orgs.). Documento preparatrio para o plano de manejo espeleolgico do Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira, Parque Estadual Intervales e Caverna do Diabo no Parque Estadual de Jacupiranga So Paulo: Instituto Florestal/SMA, 2006. 80 p. (relatrio interno). PROCAD/SBE Projeto Caverna do Diabo/Sociedade Brasileira d e Espeleologia Mapa topogrfico da caverna do Diabo. So Paulo: SBE, 2008. Escala 1:500. Pulido Bosch A.; Martn Rosales W.; L pez Chicano M.; Rodrguez Navarro M.; V allejos A. Human impact in a tourist karstic cave (Aracena, Spain). Environmental Geology Berlin, v.31 n.3/4, p.142 149, 1997. So Paulo (Estado). Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Fundao Florestal. Planos de Manejo Espeleolgico do Parque Estadual Turstico do Alto Ribeira. So Paulo: Ncleo Planos de Manejo/Fundao Florestal; Ekos Brasil, 2010. 765 p. Scaleante, J.A.B. Avaliao do impacto de atividades tursticas em cavernas. 2003. 82. p. Dissertao (M estrado em Geocincias), Instituto de Geocincias, Universidade Estadual de Campinas. Campinas.

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Lobo, et al P lanejament o ambiental integrado e participativo na determinao .. Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ), 20 10 43 Scaleante J.A.B. Uso de Cavernas Como Produto Turstico. In: TRIGO, L.G.G.; PANOSSO NETTO, A.; CARVALHO, M.A.; PIRES, P. dos S. (eds.) Anlises Regionais e Glo bais do Turismo Brasileiro So Paulo: Roca, 2005. p.449 468. Scaleante J.A.B.; Espinha A.M.L.; Labegalini J.A.; Rasteiro M.A.; Scaleante O.A.F.; Scaggiante V.F. Relatrio final de diagnstico de turismo para os planos de manejo espeleolgico So Pa ulo: Fundao Florestal; Ekos Brasil, 2009. 106 p. (Relatrio Interno) Sgarbi M. Metodologia de Manejo em Cavernas para Minimizao de Impactos Ambientais Decorrentes de Atividade Antrpica: Estudo de Caso Gruta do Chapu & Caverna Santana, Parque Estadua l Turstico do Alto do Ribeira / SP. Mogi das Cruzes: Relatrio de Iniciao Cientfica, Universidade de Mogi das Cruzes, 2003, 47 p. Trajano E. Cave faunas in the Atlantic tropical rain forest: Composition, ecology and conservation. Biotropica v.32, n. 4, p.882 893, 2000. Trajano E. Polticas de conservao e critrios ambientais: princpios, conceitos e protocolos. Estudos Avanados So Paulo, v.24, n.68, p.135 146, 2010. Trajano E.; Bichuette M.E. Diversity of Brazilian subterranean invertebrates, with a list of troglomorphic taxa. Subterranean Biology v.7, p.1 16, 2010 Fluxo editorial : R ecebido em: 30 06.2010 Enviado para correo aos autores em: 12.07.2010 Aprovado em: 26 07 .2010 A revista Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Se o de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp 1 Doutorando em Geocincias e Meio Ambiente (UNESP/Rio Claro); Turismlogo (UAM/SP) he roslobo@hotmail.com 2 Doutorando em Geografia, Gegrafo (FFLCH/USP). mau_marinho@terra.com.br 3 Professora Titular do Departamento. de Zoologia, Biloga (IB/USP). etrajano@usp.br 4 Mestre em Geocincias (Unicamp); Turismlogo (PUCCamp). florest@terra.com.br 5 Mestre em Geografia Fsica, Gegrafa (FFLCH/USP). ba_nrocha@yahoo.c om.br 6 Mestre em Geocincias (Unicamp); Gegrafa e Pedagoga (PUCCamp). florest@terra.com.br 7 Gegrafo (FFLCH/USP). francisco.laterza@ekosbrasil.org

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RESUMO: Scaleante A valiao do impacto de atividades tursticas em cavernas Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ) 20 10 45 Resumos de Teses e Dissertaes AVALIAO DO IMPACTO DE ATIVIDADES TURSTICAS EM CAVERNAS EVALUATION OF IMPACT OF ACTIVITIES OF TOURISM IN CAVES Jos Antonio Basso Scaleante Resumo Este trabalho constou da anlise de vrios aspectos de cavernas em roch a calcria que so significativos para sua preservao quando exploradas por atividades tursticas. Seu objetivo principal oferecer subsdios para determinar a capacidade de carga de uma gruta atravs de alteraes nas medidas de temperatura e umidade re lativa do ar, ocasionadas pela presena humana, de modo a determinar o nmero mximo de pessoas que pode transitar ou permanecer em um determinado espao no interior de uma caverna sem provocar danos irreversveis ao ambiente. A pesquisa foi realizada com uso de equipamentos desenvolvidos especificamente para o caso, com apoio de pesquisadores do Centro de Pesquisa Renato Acher (CenPRA), e com patrocnio da empresa SOLBET Microcontroladores e Robtica, ambos localizados em Campinas. O primeiro equipamento a ser desenvolvido foi um sensor (ELCAS 7000) para registrar o nmero de pessoas em uma determinada rea da caverna, programado para acompanhar a leitura simultnea de temperatura e umidade relativa do ar atravs de um termohigrgrafo. O segundo equipament o (ELCAS 6001, Tipo III) foi desenvolvido para registro de atividades humanas, simultaneamente com os registros do termohigrgrafo. O ELCAS 7000 (contador de pessoas) foi usado em 2 finais de semana (29 e 30/06/2002; 07, 08 e 09/07/2002, dias de maior visi tao) em Rio Encontro Faf TESTOSTOR 175 2 (termohigrgrafo da TESTO). Alm dessas medies com intervalos de um em um minuto, vinte quatro horas por dia, nesses 3 pontos, nos 2 fi nais de semana e junto com o ELCAS 7000, os medidores TESTOSTOR 175 2 sozinhos, sem o ELCAS 7000, tambm foram colocados em outros 7 pontos da galeria do rio da Caverna de Santana em todo o perodo de 29/06 at 09/07/2002. Em seguida, a pesquisa se estend eu para determinar o impacto da presena constante de Dan Robson durante sua estada de 61 dias na Gruta do Alambari de Cima, como parte de seu Projeto PETAR 61. De 12 de agosto a 12 de outubro de 2002, temperatura e umidade foram medidas pelo medidor TESTO STOR 175 2, de uma em uma hora, enquanto o ELCAS 6001 III registrava as atividades de Dan Robson: acordar, preparar refeies, deitar e evacuar e urinar. De acordo com a lei de proteo a cavernas, em fase de aprovao no Congresso Nacional, qualquer caver na destinada explorao do turismo deve ter um Plano de Manejo que indique como o impacto ambiental do turismo poder ser prevenido ou ao menos minimizado, e o modelo aqui descrito recomendado para atender a esses planos. Esta metodologia pode determi nar o momento e dia do ano em que os limites aceitveis de temperatura e umidade so ultrapassados, estabelecendo o nmero mximo de pessoas que pode permanecer ou transitar em um determinado espao da caverna. Alm disso, o monitoramento constante com os equipamentos tambm gera informaes relevantes sobre a necessidade de aes restritivas imediatas Palavras Chave: Ecoturismo Legislao ; Cavernas ; Educao Ambiental. Orientador : Prof. Dr. Hildebrando Herrmann Abstract This thesis provides an analysi s of various aspects of limestone caves which are important in their preservation during exploitation for tourism. The main objective was to offer support in the determination of the carrying capacity of a cave by consideration of modifications in temperat ure and relative humidity of the air when people are present to determine the maximum human presence which is possible without provoking permanent environmental damage. The research was conducted using equipment especially developed by research workers of the Centro de Pesquisa Renato Acher (CenPRA) and supported by the company SOLBET Microcontroladores e Robtica,

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RESUMO: Scaleante A valiao do impacto de atividades tursticas em cavernas Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ) 20 10 46 both located in Campinas. The first of the pieces of equipment developed consisted of a sensor (ELCAS 7000) designed to register the number of i ndividuals present in an area of a cave which could be programmed to provide a reading at the same time that a thermohygrograph was recording data about the temperature and humidity in the air. The second (ELCAS 6001 III) was designed so that an individual could record the initiation of specific activities in the place where thermohygrograph readings were being taken. The ELCAS 7000 was used to measure the intense visitation on two consecutive weekends (June 29 30 and July 7 9, 2002) in three areas of the s how cave Caverna de Santana: Rio, Encontro, and Faf. These measurements, taken every minute for twenty four hours per day, were coordinated with the simultaneous measurements of three thermohygrographs (TESTOSTOR 175 2 loggers by TESTO) installed in the same areas. Moreover, 7 more thrmohygrographs were installed at 7 points along the river for the period from June 29 to July 9, 2002, also providing measurements at one minute intervals. The research was then extended to investigate the impact of the conti nuous presence of Dan Robson during his 61 day stay in the Gruta do Alambari de Cima as part of his project PETAR 61. From August 12 to October 12, 2002, the temperature and humidity were measured once every hour. The ELCAS 6001 was then used to record th e initiation of each activity of this individual: waking up, preparing meals, and lying down to sleep, as well as urinating and evacuating. Under the law for the protection of caves under consideration in the Brazilian National Congress, any cave to be ex ploited for tourism must present a Plan for Speleological Management to show how the environmental impact of tourism will be prevented or at least minimized, and the methodology tested here is recommended to help during the development of such plans. Not o nly can it help identify when levels of temperature and humidity have reached unacceptable levels, thus helping determine how many individuals can safely visit or remain in a given room in a cave at any one time or on any one day; moreover, used for consta nt monitoring, it can also provide information revealing the need for immediate restrictive actions. K ey Words: Ecotourism L egislation ; Cave; Environmental Education Advisor : Prof. Dr. Hildebrando Herrmann Referncia SCALEANTE, Jos Antonio Basso Ava liao do impacto de atividades tursticas em cavernas Campinas: UNICAMP 200 3 Dissertao (Mestrado em Geo cincias ), Instituto de Geocincias Universidade Estadual de Campinas 200 3 A revista Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp

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RESUMO: Pereira G eoconservao e desenvolvimento sustentvel na C hapada ... Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ) 20 10 47 Resumos de Teses e Dissertaes GEOCONSERVAO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL NA CHAPADA DIAMANTINA (BAHIA BRASIL) GEOCONSERVATION AND SUSTAINABLE DEVELOPMENT IN CHAPADA DIAMANTINA (BAHIA BRASIL) Ricardo Galeno Fraga de Arajo Pereira Resumo A conser vao de elementos do patrimnio natural constitui uma necessidade para a manuteno da qualidade de vida de todas as espcies que habitam o planeta Terra. Mais do que isto, a conservao destes elementos reveste se de um valor cientfico incalculvel, uma vez que eles guardam a explicao para origem e evoluo deste planeta e de todas as formas de vida que nele habitam. importante considerar que a conservao deste patrimnio, no consiste apenas em aes restritivas, mas o seu uso para o lazer, na form a do turismo, ou para fins educativos e cientficos, pode contribuir para o fortalecimento de identidades territoriais e representar uma atividade geradora de renda, fomentando o desenvolvimento sustentvel. O patrimnio natural composto por elementos bi ticos, que integram a biodiversidade, e elementos abiticos, que compem a geodiversidade. Historicamente, todas as iniciativas voltadas para a conservao deste patrimnio estiveram focadas, na sua quase totalidade, na conservao dos seus componentes bi ticos, de modo que a conservao da natureza acabou por ser quase que um sinnimo exclusivo desta vertente. Todavia, a conservao dos elementos de destaque da geodiversidade, cujo conjunto representa o patrimnio geolgico, conhecida por geoconservao e foi relegada a um papel menor, ou mesmo inexistente, dentro das temticas de conservao da natureza. No final da dcada de 80, do sculo XX, a geoconservao comea a despontar no cenrio mundial. Antes desta poca, as iniciativas focadas na conserva o do patrimnio geolgico se davam de maneira esparsa ou isolada, e praticamente restrita ao continente europeu. Entretanto, aps a criao da Global Indicative List of Geological Sites GILGES, no ano de 1989, pela International Union of Geological Scien ces IUGS, esta temtica comea a ser sistematizada e difundida em nvel global. A Chapada Diamantina uma regio situada na poro central do estado da Bahia, no nordeste brasileiro, dentro do contexto geolgico do Crton do So Francisco. Este territr io abriga uma geodiversidade constituda por um conjunto de rochas sedimentares, localmente com baixo grau de metamorfismo, de idade proterozica, reunidas estratigraficamente nos Grupos Rio dos Remdios, Paraguau, Chapada Diamantina e Una. Sobre estas ro chas se desenvolveram relevos serranos, planaltos e sistemas crsticos, que hoje em dia representam importantes atrativos tursticos. Para alm disto, esta geodiversidade guarda informaes importantes para a compreenso da evoluo geolgica do planeta Te rra, desde o on Proterozico. No mbito desta tese de doutoramento foi realizado um inventrio do patrimnio geolgico da Chapada Diamantina, que resultou em um levantamento de 40 geosstios, na sua maioria de interesse geomorfolgico. Em seguida estes ge osstios foram sujeitos a uma valorao, atravs de uma proposta de metodologia baseada em quatro categorias de valores: intrnseco (Vi), cientfico (Vci), turstico (Vt) e de uso e gesto ( Vug). A partir destes valores foram calculados os usos potenciais para fins cientficos (VUC), tursticos (VUT), de conservao (VC) e a Relevncia (R) dos locais inventariados. Para os locais que obtiveram VC acima da mdia obtida para o conjunto de geosstios, foram propostas aes de interpretao, valorizao, divu lgao e monitoramento. Estas aes integram um plano de geoconservao, cuja implementao poder contribuir para a criao de geoparques. Neste sentido, foi tambm proposta, no mbito deste plano, uma metodologia para a delimitao destas unidades, basea ndo se na interseo dos limites municipais, com os limites geolgicos, estruturais e morfolgicos da Chapada Diamantina. Como resultado desta metodologia props se a criao de trs geoparques na regio. O plano de geoconservao e a proposta para criao de geoparques devero contribuir para conservao, valorizao e promoo e do patrimnio geolgico da Chapada Diamantina. Estas propostas tambm vo contribuir para a criao de alternativas sustentveis de gerao de renda atravs do geoturismo, favorec endo a consolidao do desenvolvimento sustentvel naquele territrio e o fortalecimento da sua identidade cultural Palavras Chave: Geoconservao, Geoparques, Desenvolvimento sustentvel, Chapada Diamantina Orientador: Prof. Dr. Jos Bernardo Rodrigues Brilha

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RESUMO: Pereira G eoconservao e desenvolvimento sustentvel na C hapada ... Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 1 ) 20 10 48 Abstract The conservation of the natural heritage represents an important action to ensure the quality of life for all inhabitants of planet Earth. This activity has also an incalculable scientific value, as the elements that constitutes this heri tage holds the necessary information that is needed to investigate and explain the evolution of our planet and all kinds of life that lives on it. One must take into account that the conservation of the natural heritage does not involve only restrictive ac tions, but its use for leisure, in touristic actions, or for educational and scientific purposes, may contribute to strength territorial identity and bring income to the communities involved in this process, fostering the sustainable development. The natur al heritage is composed by the biotic elements, that integrates the biodiversity, and the abiotic elements, that integrates the geodiversity. Historically, almost all the efforts involved in the conservation of this heritage were focused in the conservatio n of the biodiversity. Due to this, the nature conservation almost turned to be a synonymous of biodiversity conservancy. On the other hand, the conservation of the superlative elements of geodiversity, which represents the geological heritage, was relegat ed to a minor important role, or sometimes ignored in the of nature conservation strategies. th century, geoconservation starts to raise in the world debate. Before this decade, all the efforts to this approach were sparse a nd dispersed, and were almost restricted to the European continent. Actually the conservation of the geological heritage starts to be structured and widespread around the world in 1989, after the creation of the project: Global Indicative List of Geologica l Sites GILGES, by the International Union of Geological Sciences IUGS. inserted in the geological context of the So Francisco Craton. Its geo diversity encompasses sedimentary and low metamorphosed proterozoic rocks, stratigraphically organized in 4 groups, known as: Rio dos Remdios, Paraguau, Chapada Diamantina and Una. Sierras, plateaus and karst reliefs were sculpted on these rocks and it r epresents nowadays important touristic attractions. Beside this, its geodiversity holds important information about the geological evolution of planet Earth, since the Eon Proterozoic. In this doctorate thesis an inventory of the geological heritage of Cha pada Diamantina was made, resulting in the identification of 40 geosites, which are mainly of geomorphological interest. These geosites were assessed based in four categories of values: intrinsic, scientific, touristic and use and management. After the eva luation of these values, the potential for scientific use, touristic use, conservation needs and the rank of relevance of the inventoried places, were calculated. For the geosites with higher conservation needs, actions for interpretation, publicizing and monitoring, were proposed. These actions integrate a geoconservation plan and its implementation may contribute for the creation of geoparks. Taking this into account, a methodology for the delimitation of these geoparks was also proposed, based on the int ersection of municipality limits, with the morphological and structural geological limits of Chapada Diamantina. With the application of this methodology, 3 proposals of geoparks were delimitated in the region. The implementation of the geoconservation pla n and the proposed geoparks will contribute for the contribute for the creation of alternative income for the region, based on the geotourism, helping to consolidate the sustainable development in that territory and to strength its cultural identity K ey Words: Geoconservation, Geoparks, Sustainable development, Chapada Diamantina Advisor: Prof. Dr. Jos Bernardo Rodrigues Brilha Referncia PEREIRA Ri cardo Galeno Fraga de Arajo G eoconservao e desenvolvimento sustentvel na Chapada Diamantina (Bahia B rasil) Braga (Portugal) : U MINHO 2 0 10 Tese ( Doutorado em Geo logia ), Escola de Cincias Universidade do Minho 20 10 A revista Turismo e Paisag ens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.sbe.com.br/turismo.asp


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