SBE Turismo e Paisagens Cársticas

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SBE Turismo e Paisagens Cársticas

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Title:
SBE Turismo e Paisagens Cársticas
Series Title:
Tourism and Karst Areas
Alternate Title:
Revista Científica da Seção de Espeleoturismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publisher:
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Publication Date:
Language:
Portuguese

Subjects

Genre:
serial ( sobekcm )

Notes

General Note:
Capa, Expediente, Sumário e Editorial ARTIGOS ORIGINAISO geoturismo como instrumento em prol da divulgação, valorização e conservação do patrimônio natural abiótico - uma reflexão teórica The geotourism as instrument to divulgation, valorization and conservation of the abiotic natural heritage - a theoretical reflection Lilian Carla Moreira Bento Sílvio Carlos Rodrigues Considerações sobre os efeitos do turismo no ecossistema da Mina do Chico Rei (Ouro Preto, Minas Gerais): implicações para o manejo em sistemas naturais Considerations of the tourism effects in the Chico Rei Mine (Ouro Preto, Minas Gerais): implications for the management of natural systems Leopoldo Ferreira de Oliveira Bernardi, Marconi Souza-Silva Rodrigo Lopes Ferreira A contribuição da prática do espeleismo no bem-estar corporal The contribution of the practical of caving in bodily well-being Marilda Teixeira Mendes, Michela Abreu Francisco Alves, Alex Fabiani de Brito Torres Kátia Maria Gomes Monção RESUMOS DE TESES E DISSERTAÇÕESPotencial geoturístico das quedas d'água de Indianópolis/MG Geotouristic potential of water falls in Indianópolis district Lilian Carla Moreira Bento DADOS DO VOLUME 3 (Balanço 2010) Sumário de títulos; Índice de autores; Quadro de avaliadores; Gestão editorial
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Open Access - Permission by Publisher
Original Version:
Vol. 3, no. 2 (2010)
General Note:
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Source Institution:
University of South Florida Library
Holding Location:
University of South Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
K26-03701 ( USFLDC DOI )
k26.3701 ( USFLDC Handle )
8815 ( karstportal - original NodeID )
1983-473X ( ISSN )

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serial

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Capa, Expediente,
Sumrio e Editorial
ARTIGOS ORIGINAISO geoturismo como instrumento em prol
da divulgao, valorizao e conservao do patrimnio natural
abitico uma reflexo terica The geotourism as instrument to
divulgation, valorization and conservation of the abiotic
natural heritage a theoretical reflection Lilian Carla
Moreira Bento & Slvio Carlos Rodrigues Consideraes sobre
os efeitos do turismo no ecossistema da Mina do Chico Rei (Ouro
Preto, Minas Gerais): implicaes para o manejo em sistemas
naturais Considerations of the tourism effects in the Chico Rei
Mine (Ouro Preto, Minas Gerais): implications for the
management of natural systems Leopoldo Ferreira de Oliveira
Bernardi, Marconi Souza-Silva & Rodrigo Lopes Ferreira A
contribuio da prtica do espeleismo no bem-estar corporal The
contribution of the practical of caving in bodily well-being
Marilda Teixeira Mendes, Michela Abreu Francisco Alves, Alex
Fabiani de Brito Torres & Ktia Maria Gomes Mono
RESUMOS DE TESES E DISSERTAESPotencial geoturstico
das quedas d'gua de Indianpolis/MG Geotouristic potential of
water falls in Indianpolis district Lilian Carla Moreira Bento
DADOS DO VOLUME 3 (Balano 2010) Sumrio de ttulos; ndice de
autores; Quadro de avaliadores; Gesto editorial



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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 2 0 10 49 EXPEDIENTE Sociedade Brasileira de Espeleologia ( Brazilian Society of Speleology ) Endereo ( Address ) Caixa Postal 7031 Parque Taquaral CEP: 13076 970 Campinas SP Brasil Contatos ( Contacts ) +55 ( 19) 3296 5421 turismo@cavernas.org.br Gesto 2009 2011 ( Management 2009 2011 ) Diretoria ( D irection ) Presidente: Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Vice presidente: Ronaldo Lucrcio Sarmento Tesoureira: Delci Kimie Ishida 1 Secretrio: Luiz Edu ardo Panisset Travassos 2 Secretrio: Pvel nio Carrijo Rodrigues Conselho Deliberativo ( Deliberative council ) Rogrio Henry B. Magalhes Presidente Heros Augusto Santos Lobo Carlos Leonardo B Giunco Angelo Spoladore Thiago Faleiros Santos Suplentes : Paulo Rodrigo Simes Emerson Gomes Pedro

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 2 0 10 50 TURISMO E PAISAGENS CRSTICAS ( TOURISM AND KARST AREAS ) Editor Chefe ( Editor in Chief ) MSc. Heros Augusto Santos Lobo IGCE/UNESP, Brasil Editor A ssociado ( Associated Editor ) Dr. Cesar Ulisses Vieira Verssimo Universidade Federal do Cear UFC, Brasil Editor Executivo ( Executive Editor ) Esp. Marcelo Augusto Rasteiro Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil Conselho Editorial ( Editoria l Board ) Dr. Andrej Aleksej Kranjc Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Angel Fernndes Corts Universidad de Alicante, UA, Espanha Dr. Arrigo A. Cigna Interntional Union of Speleology / Interntional Show Caves Association, Itlia Dr. Edvaldo Ces ar Moretti Universidade Federal da Grande Dourados UFGD, Brasil Dr. Jos Alexandre de Jesus Perinotto IGCE/UNESP, Brasil MSc. Jos Antonio Basso Scaleante Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil MSc. Jos Ayrton Labegalini Sociedade Brasileira de Espeleologia SBE, Brasil Dra. Linda Gentry El Dash Universidade Estadual de Campinas UNICAMP, Brasil Dr Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Centro Universitrio Fundao Santo Andr FSA, Brasil Dr Luiz Eduardo Panisset Travassos Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais PUC/MG, Brasil Dr. Marconi Souza Silva Faculdade Presbiteriana Gammon Fagammon/Centro Universitrio de Lavras UNILAVRAS, Brasil Dr. Marcos Antonio Leite do Nascimento Universidade Federal do Rio Grande do Norte DG/UFRN, Brasil Dra. Natasa Ravbar Karst Research Institute, Eslovnia Dr. Paolo Forti Universit di Bologna, Itlia Dr. Paulo Cesar Boggiani Universidade de So Paulo IGc/USP, Brasil Dr. Paul o dos Santos Pires Universidade Vale do Itaja UNIVALI, Brasil Dr Ricardo Jos Calembo Marra Centro Nacional de Estudo, Proteo e Manejo de Cavernas I CMBio/CECAV Brasil Dr. Ricardo Ricci Uvinha Universidade de So Paulo EACH/USP, Brasil Dr. Sr gio Domingos de Oliveira UNESP/Rosana, Brasil Dr. Tadej Slabe Karst Research Institute, Eslovnia Dra. rsula Ruchkys de Azevedo CREA MG, Brasil Dr. William Sallun Filho Instituto Geolgico do E stado de So Paulo IG, Brasil Dr. Zysman Neiman Universidade Federal de So Carlos UFSCAR, Brasil Comisso de T raduo ( Translation Committee ) Dra. Linda Gentry El Dash Ingls

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ) 20 10 51 SUMRIO (CONTENTS) Editorial 52 ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL A RTICLES O geoturismo como instrumento em prol da divulgao, valorizao e conservao do patrimnio natural abitico uma reflexo terica The geotourism as instrument to divulgation, valorization and conservation of the abiotic natural heritage a the oretical reflection Lilian Carla Moreira Bento & Slvio Carlos Rodrigues 5 5 C onsideraes sobre os efeitos do turis mo no ecossistema da Mina do Chico Rei (Ouro Preto, Minas G erais): implicaes para o manejo em sistemas naturais Considerations of the tour ism effects in the Chico Rei Mine (Ouro Preto, Minas Gerais): implications for the management of natural systems Leopoldo Ferreira de Oliveira Bernardi, Marconi Souza Silva & Rodrigo Lopes Ferreira 67 A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar c orporal The contribution of the practical of caving in bodily well being Marilda Teixeira Mendes Michela Abreu Francisco Alves, Alex Fabiani de Brito Torres & Ktia Maria Gomes Mono 79 RESUMOS DE TESES E DISSERTA'ES/ MASTER AND DOCTORAL THESIS: ABSTRA CTS P otencial geo ndianpolis/ MG G eotouristic potential of water falls in I ndianpolis district Lilian Carla Moreira Bento 91 DADOS DO VOLUME 3 / DATA VOLUME 3 Sumrio de ttulos / Summary of titles 9 3 ndice de autores / Index of authors 9 4 Quadro de avaliadores / Board of review 9 5 Gesto editorial / Editorial Management 9 6

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ) 20 10 52 EDITORIAL A Turismo e Paisagens Crsticas completa ao final do ano de 2010 seu terceiro ciclo de publicaes, em mais um ano de circulao. O s eu reconhecimento junto comunidade acadmica de pesquisa em turismo, em carste e em espeleologia, bem como a gestores pblicos, comunidade espeleolgica e demais interessados, sem dvida alguma o maior motivo de comemorao para este momento. Como bnu s, fomos tambm formalmente reconhecidos pela CAPES Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal do Ensino Superior por meio de nossa incluso em seu ndice Qualis, que avalia a produo acadmica da ps graduao no Brasil. O objetivo maior da revista c ontinua sendo dar visibilidade produo tcnica e cientfica sobre a relao entre as reas crsticas brasileiras e seu uso pelo turismo. No entanto, artigos recorrentes que abordam o meio fsico e sua relao com o turismo tm sido publicados, com temas como geoturismo ou planejamento e gesto do meio fsico, o que demonstra uma abertura temtica da revista, a qual ocorre tanto pela compreenso dos autores que vem na Turismo e Paisagens Crsticas uma possibilidade de disseminao de suas produes, quan to pelo nosso quadro de revisores, que tem aceito estes artigos independente de tratarem especificamente de reas crsticas. Este amadurecimento bastante positivo, pois demonstra um potencial de crescimento da Turismo e Paisagens Crsticas o que ocorre em diversos nveis. A evoluo vertical de nosso quadro editorial, que conta com mais doutores a cada ano, est entre os aspectos que permitem esta ampliao do horizonte temtico da revista. Para esta edio fomos mais uma vez brindados com o tema geoturi smo, que abre nossa revista com o artigo de Lilian Carla Moreira Bento e Slvio Carlos Rodrigues. Os autores trabalharam com o geoturismo como uma forma de valorizao e conservao do patrimnio natural abitico, abordando tambm aspectos conceituais da g eodiversidade e da geoconservao. Por fim, ponderam ainda sobre o papel do geoturismo como ferramenta de sensibilizao do patrimnio natural abitico. A viso do meio fsico complementada pelo nosso segundo artigo desta edio, que trata sobre o meio b itico. Leopoldo Ferreira de Oliveira Bernardi, Marconi Souza Silva e Rodrigo Lopes Ferreira tecem consideraes sobre os efeitos do turismo em uma cavidade artificial, a mina do Chico Rei, em Ouro Preto MG. Os autores trabalharam com parmetros atmosfric os da mina, como a temperatura e a umidade relativa do ar, bem como com a distribuio da fauna em seu interior. Por fim, alertam para a necessidade da

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ) 20 10 53 existncia de atividades de planejamento antes da implantao do turismo em ambientes subterrneos, para evitar a ocorrncia de danos irreversveis. Por fim, o meio social tambm abordado nesta edio, no artigo de Marilda Teixeira Mendes Michela Abreu Francisco Alves Alex Fabiani de Brito Torres e Ktia Maria Gomes Mono Os autores adotaram uma intere ssante perspectiva sobre a atividade espeleolgica, enfocando em sua vertente no cientfica, tambm chamada de espeleismo, e suas benesses para o bem estar corporal dos praticantes. Foram identificados benefcios vida dos espeleistas, como as sensaes positivas de prtica de exerccios, de paz de tranqilidade, de harmonia e de sociabilidade, entre outros. Este nmero ainda se encerra com o resumo da dissertao de mestrado de Lilian Carla Moreira Bento, estudo que deu origem ao artigo da mesma autora p ublicado tambm nesta edio. Sem dvida, uma revista para atender diversos perfis de leitores, que podero aprender mais sobre a relao do turismo e do lazer com o meio fsico e com o ambiente subterrneo. E as novidades no param por a. Para o ano de 2011, o nmero 1 do volume 4 j se encontra em pleno trabalho de produo, com uma edio temtica sobre o uso turstico das guas em reas crsticas. E outras novidades viro, face aos cenrios que se descortinam para a Turismo e Paisagens Crsticas em s ua busca pela internacionalizao e manuteno em longo prazo Uma boa leitura e at a prxima oportunidade. Heros A. S. Lobo E ditor Chefe A r evista Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.cavernas.org.br/turismo.asp

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 55 O GEOTURISMO COMO INSTRUMENTO EM PROL DA DIVULGAO, VALORIZAO E CONSERVAO DO PATRIMNIO NATURAL ABI"TICO UMA REFLEXO TE"RICA THE GEOTOURISM AS INSTRUMENT TO DIVULGATION, VALORIZATION AND CONSERVATION OF THE ABIOTIC NATURAL HERITAGE A THEORETICAL REFLECTION Lilian Carla Moreira Bento (1) & Slvio Carlos Rodrigues (2) (1) Universidade Federal de Uberlndia U FU Doutoranda em Geografia (2) Universidade Federal de Uberlndia U FU Prof Dr do Instituto de Geografia Uberlndia MG liliancmb@yahoo.com.br ; silgel@ufu.br Resumo O objetivo desse trabalho apresentar o geoturismo como instrumento importante na divulgao, valorizao e conservao do patrimnio na tural abitico e a metodologia empregada foi reviso bibliogrfica pertinente ao tema. A partir da dcada de 1990 surgiu um novo segmento turstico direcionado ao entendimento e contemplao de aspectos naturais negligenciados pelo ecoturismo, tais como o patrimnio geolgico, geomorfolgico, petrolgico, mineiro, tectnico, paleontolgico, etc.: o geoturismo. A preocupao em identificar e visitar reas com atrativos geotursticos tem como respaldo a necessidade de se conservar e valorizar aspectos do patr imnio natural que permitem entender, entre outros, a formao do planeta Terra e a gnese das formas de relevo, atribuindo ao turismo no s um carter de contemplao, mas tambm um carter educativo. J a geoconservao um ramo da atividade cientfica que tem como objetivo a caracterizao, conservao e gesto do patrimnio natural abitico de grande relevncia para a sociedade. Infere se que a geoconservao tem como aliado o geoturismo, este sendo uma tima oportunidade de promoo do patrimnio nat ural abitico, sensibilizando o pblico em geral para a importncia de sua conservao Palavras Chave: Geoturismo. Geoconservao. Patrimnio geolgico Abstract The objective of this research is to show the geotourism as important instrument in the prom otion, valorization and conservation of the abiotic natural heritage and the methodology applied was de were related to understanding and contemplation of the natural aspects not considered by the ecotourism, as the heritage related to geologic, geomorphologic, petrologic, mines, tectonic, paleontology, fossil etc.: the geotourism. The idea about to identify and visit areas with geotouristics attractions is based on the necessity of to conserve and value to the aspects of the natural heritage, which permit understand the formation of the Planet Earth and the genesis of the relief forms, attributing to the tourism not only a character of the contemplation, bu t also a educational aspect. The geoconservation is a part of the scientific activities and its objectives are the characterization, conservation and managing of the abiotic natural heritage with relevance to the society. The geotourism is the great one pa rtner of the geoconservation, what is a good one opportunity for promotion the abiotic natural heritage, showing to the general public its importance and the necessity of its conservation K ey Words: Geotourism. Geoconservation. Geological heritage 1. IN TRODUO A partir do sculo XX um novo segmento turstico denominado de geoturismo passou a ser divulgado mundialmente, tendo como seus atrativos os aspectos abiticos da paisagem muitas vezes negligenciados pelo ecoturismo e pelos programas de conservao da natureza. O geoturismo acabou por deflagar uma outra forma de visitao turstica baseada no apenas na contemplao, mas principalmente no entendimento dos locais visitados emergindo como uma possibilidade, se bem planejado, de conservao do patrimn io geolgico. O geoturismo pode ainda ser um mecanismo de fomento do desenvolvimento sustentvel regional para localidades dotadas de

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 56 aspectos relevantes para a compreenso da paisagem e evoluo do Planeta Terra. Tambm nessa poca comea a circular, prim eiramente no meio acadmico, conceitos como geodiversidade e geoconservao que juntamente com o geoturismo formariam o trinmio fundamental para a divulgao, valorizao e conservao do patrimnio geolgico. O que este trabalho se prope a fazer, consid erando a eminncia dessa temtica, ensejar a conceituao de cada termo desse trinmio, estabelecendo a relao que h entre cada um deles, bem como sua importncia nos dias atuais. Deste modo, a metodologia empregada para a realizao desta pesquisa con sistiu em reviso bibliogrfica pertinente ao tema, mediante o levantamento, localizao, leitura e fichamento das obras. 2. CONTEXTUALIZAO TE"RICA 2.1 Geodiversidade & Biodiversidade A origem do termo geodiversidade ainda no muito clara. Entretanto sabe se ele comeou a ser divulgado a partir do sculo XX, principalmente com a Conferncia de Malvern sobre Conservao Geolgica e Paisagstica que ocorreu no Reino Unido em 1993. geolgicos, fenmenos e pro cessos ativos geradores de paisagens, rochas, minerais, fsseis, solos e outros depsitos superficiais que constituem a base apud SILVA, 2007, p. 36). Geodiversidade , em linhas gerais, o conjunto de elementos geolgico s e geomorfolgicos da paisagem (ARAJO, 2005) envolvendo, portanto, os aspectos abiticos da Terra, aspectos estes que so evidncias de tempos passados e atuais. Alm disso, a geodiversidade o resultado da interao de diversos fatores como as rochas, o clima, os seres vivos, entre outros, possibilitando o aparecimento de paisagens distintas em todo o mundo (BRILHA, 2005). Considerando a ascenso desta temtica no Brasil, o Servio Geolgico do Brasil (CPRM) criou uma definio prpria para a geodiversi dade, j incluindo a atribuio de valores para este tipo de diversidade. Segundo a CPRM, geodiversidade deve ser entendida como [...] o estudo da natureza abitica (meio fsico) constituda por uma variedade de ambientes, composio, fenmenos e processo s geolgicos que do origem s paisagens, rochas, minerais, guas, fsseis, solos, clima e outros depsitos superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo como valores intrnsecos a cultura, o esttico, o econmico, o cientfico, o ed ucativo e o turstico (CPRM, 2006, no paginado). Como se v, a geodiversidade apresenta diversas categorias de valor, todas elas funcionando como uma mola propulsora para sua conservao e valorizao, haja vista que de suma importncia para a manuten o do planeta Terra e para a humanidade. Segundo Gray (2004 apud ARAJO, 2005; BRILHA, 2005) estes valores podem ser classificados em: Valor intrnseco ou existencial: um valor subjetivo, refere se ao valor, por si s, do elemento da geodiversidade; V alor cultural: valor colocado pela sociedade devido ao seu significado cultural e comunitrio; Valor esttico: valor qualitativo dado atratividade visual do ambiente fsico; Valor econmico: refere se a possibilidade de uso dos elementos da geodivers idade pela sociedade; Valor funcional: relacionado funo que a geodiversidade pode ter no seu contexto natural e com o seu valor no suporte dos sistemas fsicos e ecolgicos; Valor cientfico e educativo: ligados a importncia da geodiversidade para a investigao cientfica e para a educao em Cincias da Terra. Ao atribuir valores geodiversidade abre se caminho para o estabelecimento de locais dotados de valor acima da mdia, cujo conjunto denominado de patrimnio geolgico, devendo ser compre endidos como [...] a ocorrncia de um ou mais elementos da geodiversidade (afloramentos quer em resultado da aco de processos naturais quer devido interveno humana), bem como delimitados geograficamente e que apresente valor singular do ponto de vist a cientfico, pedaggico, cultural, turstico ou outro (BRILHA, 2005, p. 52). importante esclarecer que apesar da terminologia patrimnio geolgico, este na verdade composto por um conjunto abrangente e complexo de diversos tipos de patrimnio, tais co mo o geomorfolgico, petrolgico, paleontolgico, mineiro, tectnico, entre muitos outros (Figura 1):

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 57 Figura 1: Hierarquizao dos conceitos de geodiver sidade e patrimnio geolgico. Fonte: Adaptado de Forte, 2008, p. 28. De acordo com Valcarce e Cort s (1996 apud ARAJO, 2005), o patrimnio geolgico um conjunto de recursos naturais no renovveis que tendo um valor cientfico, cultural ou educativo, permite conhecer, estudar e interpretar a histria geolgica da Terra, bem como os processos que a m odelaram e continuam modelando. Quando se fala de locais onde os aspectos geolgicos e geomorfolgicos se destacam no raro associ los com os seres vivos que vivem e interferem nessas reas, levando nos a refletir sobre a relao entre a geodiversidade e biodiversidade. Essa tendncia de ver e entender a totalidade dos lugares defendida por Schneeberger e Farago (2003 apud MOREIRA, 2008) que dizem que quando se presta ateno ao todo que possvel entender melhor suas partes. Moreira (2008, p. 79) importante que a Terra seja entendida e interpretada como um todo, tanto pelos seus aspectos de A geodiversidade representa o grande palco onde todos os seres vivos so protagonistas de sua prpri a histria, influenciando e sendo influenciado uns pelos outros. H uma relao de dependncia e influncia entre os elementos abiticos e biticos da paisagem, exigindo polticas de conservao e divulgao tambm integradas. Nesse sentido, Leite do Nasci mento, Ruchkys e Mantesso Neto (2007), explicam que atravs do entendimento da relao entre a biodiversidade e geodiversidade que ser possvel efetuar aes mais amplas, visando obter resultados mais duradouros para a proteo do meio ambiente, alm de se proporcionar uma experincia mais rica e completa para os turistas. Apesar da grande importncia da geodiversidade para a manuteno da vida na Terra so os fatores biticos que so mais priorizados em estratgias de conservao. Tal situao exige, de ssa forma, uma maior divulgao da geodiversidade, tanto no meio acadmico como na sociedade em geral, atravs de uma linguagem acessvel e atrativa que permita o entendimento desse grande livro de geocincias que o planeta Terra. O patrimnio geolgic o no renovvel e, uma vez destrudo, no se regenera e parte da memria do planeta perdida para sempre DO NASCIMENTO, RUCHKYS, MANTESSO NETO, 2008, p. 21). 2.2 Geoturismo: um conceito em construo O surgimento do geoturismo, que por muito s autores considerado um sub segmento do ecoturismo, est relacionado, em linhas gerais, com a necessidade de entendimento das reas visitadas por parte dos turistas e com a possibilidade de divulgao e valorizao de aspectos representativos da histria geolgica da Terra, bem como sua evoluo geomorfolgica. O primeiro conceito relacionado ao geoturismo foi criado em 1995 por Thomas Hose, o mesmo o redefinindo e aprimorando em 2000, sendo a proviso de facilidades interpretativas e servios para promover os benefcios sociais de lugares e materiais geolgicos e geomorfolgicos e assegurar sua conservao para uso de estudantes, turistas e outras pessoas com interesse recreativo ou de lazer apud LEITE DO NASCIMENTO; RUCHKYS; MANTESSO NETO, 2007, p. 5, grifo nosso).

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 58 O geoturismo est relacionado com os aspectos geolgicos e geomorfolgicos e pode ter, basicamente, trs motivaes: recreao, lazer e aprendizado, todos contribuindo para a conservao rnas, afloramentos rochosos, serras, vulces, jazidas de minerais, cnions, entre outros. Em 2007 Ruchkys defendeu sua tese sobre patrimnio geolgico e geoconservao do Quadriltero Ferrfero e nela conceituou geoturismo como sendo [...] um segmento da a tividade turstica que tem o patrimnio geolgico como seu principal atrativo e busca sua proteo por meio da conservao de seus recursos e da sensibilizao do turista, utilizando, para isto, a interpretao deste patrimnio tornando o acessvel ao pbl ico leigo, alm de promover a sua divulgao e o desenvolvimento das Cincias da Terra (RUCKHYS, 2007, p. 23). Ainda no ano de 2007, Silva e Perinotto tambm definiram geoturismo como [...] a atividade do turismo com conotao geolgica, ou seja, a visita organizada e orientada a locais onde ocorrem recursos do meio fsico geolgico que testemunham uma fase do passado ou da histria da origem e evoluo do planeta Terra. Tambm se inclui, nesse contexto, o conhecimento cientfico sobre a gnese da paisagem, os processos envolvidos e os testemunhos registrados em rochas, solos e relevos (SILVA; PERINOTTO, 2007, no paginado). Leite do Nascimento, Schobbenhaus e Medina (2009), explicam que o geoturismo tem por objetivo preencher uma lacuna do ponto de vista da informao, possibilitando ao turista no s contemplar as paisagens, como entender os processos geolgicos e geomorfolgicos responsveis por sua formao. Se os objetivos do geoturismo no so meramente contemplativos e apresentam uma finalidade didtic a podemos associ lo educao ambiental. Esse o posicionamento de Geremia et al (2004 apud SILVA, 2007, p. 35) que afirmam que o possibilita a interpretao da herana natural da paisagem quando se desfruta e reconhece as suas particu laridades geolgicas e geomorfolgicas Reynard e Pralong (2004 apud SILVA, 2007, a problemtica do geoturismo inscreve se no campo do turismo didtico, por constituir uma nova forma que oferece instrumentos de interpretao que permitem dialogar e compreender os stios visitados ou descobertos Leite do Nascimento, Ruchkys e Mantesso Neto (2008, p. 43), ressaltam a questo da interpretao, argumentando que ferramenta sensibilizar as pessoas sobre a i mportncia do patrimnio e despertar o desejo de contribuir para sua conservao Inferimos, diante da riqueza de conceitos existentes, que o geoturismo um segmento turstico que veio preencher uma lacuna do ecoturismo, dando ateno aos fatores abitic os da paisagem como elementos geolgicos e/ou geomorfolgicos, buscando sua apreciao, interpretao e conservao e considerado em construo, pois ainda est sendo elaborado com a contribuio de estudiosos de todo o mundo que tm comeado a se intere ssar por essa temtica. Apesar de recente na literatura brasileira j possvel encontrar diversos trabalhos cientficos que buscam retratar o potencial geoturstico de alguns locais desse imenso territrio dotado de grande diversidade bitica e abitica que o Brasil. Dentre eles podemos citar a dissertao de Barreto (2007), versando sobre o potencial geoturstico da regio de Rio de Contas na Bahia, Silva (2007) com a A paisagem do Quadriltero Ferrfero, MG: Potencial para o uso turstico da sua geologia e geomorfologia sobre a contribuio da geologia para o desenvolvimento sustentvel do turismo na Estncia Turstica de Paraguau Paulista, Bento (2010) com seu mestrado sobre o potencial geoturstico das entre muitos outros. Isto sem mencionar a infinidade de trabalhos que tm sido apresentados em eventos cientficos que cada vez mais abrem espao para essa nova temtica que , na verdade, uma oportunidade d e relacionar uma atividade econmica (turismo) com a cincia, possibilitando um aprendizado com grande potencial para a conservao do patrimnio geolgico, que vem sendo negligenciado h muito tempo pela sociedade e meio acadmico. 2.3 Geoconservao: i nstrumento de conservao da geodiversidade? Muitas so as ameaas geodiversidade, sendo o homem o principal agente modificador e destruidor de elementos geolgicos e geomorfolgicos da paisagem. Salvan (1994 apud

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 59 LEITE DO NASCIMENTO, RUCHKYS, MANTESSO N ETO, 2008) argumenta que a causa da destruio do patrimnio geolgico justamente a falta de conhecimentos sobre sua existncia e importncia. Na tentativa de reverter esse quadro de vulnerabilidade tm sido criadas estratgias visando conservao da g eodiversidade: a geoconservao. geoconservao um ramo de atividade cientfica que tem como objetivo a caracterizao, conservao e gesto do patrimnio geolgico e processos naturais associados apud SILVA, PERINOTTO, 2007, paginado ). O objetivo da geoconservao no conservar toda a geodiversidade, mas o patrimnio geolgico com significativa relevncia, de forma a manter a evoluo natural dos aspectos geolgicos e geomorfolgicos (SHARPLES, 2002 apud BRILHA, 2005). A geoconserv ao um dos aspectos mais recentes da conservao da natureza (GRONGGRIJIP, 2000 apud LEITE DO NASCIMENTO, RUCHKYS, MANTESSO NETO, 2008, p. 21), como possvel observar na figura 2 e importante a proteo e conservao do patrimnio geolgico porque ele: um componente importante do Patrimnio Natural; representa uma importante herana cultural, de um carter que no se repete; constitui uma base imprescindvel para a formao de cientistas e profissionais; constitui um elemento de proteo d e recursos estticos e recreativos; serve para estabelecer uma ligao entre a histria da Terra e a histria dos homens e sua evoluo biolgica. (GALLEGO, GARCIA, 1996 apud MOREIRA, 2008, p. 76 77). Figura 2: Esquema ilustrativo do papel da geocons ervao dentro da conserva o da natureza. Fonte: Adaptado de Pereira, 2010, p. 21. Para proceder a geoconservao necessrio consistem na concretizao de uma metodologia de trabalho que visa sistematizar as ta refas de mbito da conservao do Patrimnio Geolgico de uma dada rea Brilha prope uma metodologia de trabalho envolvendo seis etapas (Figura 3):

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 60 Figura 3: Fluxograma simplificado das fases de implementao da s estratgias de geoconservao. Fonte: Adaptado de Brilha, 2005, p. 111. 1 Inventariao: primeiro passo das estratgias de conservao, momento em que se inventaria geosstios de caractersticas excepcionais, identificando, selecionando e caracterizando os. 2 Quantif icao: quando se quantifica o valor e/ou relevncia de um geosstio atravs de critrios que considerem as caractersticas intrnsecas, o seu uso potencial e o nvel de proteo necessrio, complementando as informaes da inventariao. 3 Classificao: depende da legislao nacional pertinente e os geosstios podem ser classificados em geosstios de mbito nacional, regional, local ou municipal. 4 Conservao: tem por objetivo o de manter a integridade fsica do geosstio, ao mesmo tempo que assegura a acessibilidade do pblico ao mesmo. 5 Valorizao e divulgao do patrimnio geolgico: a primeira envolve o conjunto de aes e informaes para o pblico entender e valorizar os geosstios, e o segundo compreende a utilizao de recursos variados para ampliar a viso geral da sociedade referente conservao do patrimnio geolgico. 6 Monitorizao: ltima etapa para a concluso da estratgia de geoconservao que visa a definio de aes voltadas manuteno do geosstio, sendo importante ferrament a de controle e avaliao que ir gerar dados sobre os fatores que interferem na conservao (BRILHA, 2005; LIMA, 2008). A geoconservao deve se basear em por medidas de proteo e conservao com carter le gal, dotadas de figura jurdica e suportadas por financiamento estatal e por aes de divulgao e sensibilizao ?], p. 13). A conservao dos aspectos geolgicos e geomorfolgicos tem como aliado o geoturismo, este sendo uma tima oportunidade de promoo do patrimnio geolgico, sensibilizando o pblico em geral para a importncia de sua conservao (LARWOOD, PROSSER, 1998; PATZAK, 2001 apud ARAJO, 2005) (Figura 4):

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 61 Figura 4: Mapa conceitual das relaes entre a Geodiversida de, Geosstios, Patrimnio Geolgico, Geoconservao e Geoturismo Fonte: Adaptado de ARAJO, 2005, p. 41. O geoturismo pode promover a geoconservao bem como esta ltima pode promover o geoturismo, pois ao proporcionar aos turistas uma viso mais cient fica do que contemplativa da paisagem, o geoturismo acaba por possibilitar a promoo da geoconservao e esta, por sua vez, ferramenta indispensvel na conservao da geodiversidade mundial, seja ela representada por geosstios ou pelo patrimnio geol gico. Nessa perspectiva, Rodrigues e Pereira (2009, p. 285 286) reforam que [...] o patrimnio geolgico pode ser um motivo de desenvolvimento das regies, pois para alm da sua importncia cultural e cientfica, pode trazer benefcios tursticos, mobili zando as populaes e aprofundando as relaes entre essas e o seu territrio, as suas origens e os seus costumes [...] Os roteiros geotursticos [...] podero vir a ser potencializadores do turismo e estimuladores da proteco do patrimnio em geral, dad o que renem e interligam aspectos geolgicos, geomorfolgicos, arqueolgicos e outros aspectos culturais, proporcionando assim o desenvolvimento de actividades sustentveis. Estas actividades so desenvolvidas de forma a proporcionar aos visitantes no ap enas momentos de lazer e contemplao, mas tambm momentos de aprendizagem No entender de Brilha 1 a geoconservao envolve aspectos que superam a questo da conservao do patrimnio geolgico, devendo ser encarada de forma mais ampla, envolvendo tambm o ordenamento do territrio atravs da criao de polticas pblicas, na educao, no geoturismo e na cincia.

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 62 Nas ltimas dcadas foram criadas algumas iniciativas internacionais e nacionais voltadas conservao do patrimnio natural, porm, aquela dire cionada especificamente para o patrimnio geolgico a Rede Mundial de Geoparques, lanada pela Unesco em 2004. O programa Geoparques Mundiais foi criado em 1990 e implantado em 2004 com o apoio da UNESCO, visando a identificao de reas naturais com ele vado valor geolgico passveis de implementao de estratgias de preservao e a difuso de conhecimentos, permitindo o desenvolvimento sustentvel para toda a regio abrangida (LIMA, 2008). Atualmente existem 77 geoparques distribudos em 25 pases, este s devendo ser considerados como um [...] territrio com limites bem definidos e com uma rea suficientemente alargada de modo a permitir um desenvolvimento scio econmico local, cultural e ambientalmente sustentvel [...]. Dever contar com geosstios de especial relevncia cientfica ou esttica, de ocorrncia rara, associados a valores arqueolgicos, ecolgicos, histricos ou culturais (UNESCO, 2004 apud BRILHA, 2005, p. 119). Ainda existe muita confuso sobre o conceito de geoparque, alguns pesquisadore s associando o prefixo geo de geoparque apenas a vertente geolgica. Nesse sentido, Guy Martini 2 da Rede Global de Geoparques da UNESCO, esclarece que esse prefixo de TERRA e no de geologia, e os geoparques devem ser encarados como que integra m passado, presente e futuro, destacando Boggiani 3 argumenta que o papel dos geoparques no apenas o da geoconservao, mas de se transformarem em projetos de desenvolvimento para as populaes locais, t razendo as para dentro do geoparque e no excluindo as. Brilha 1 acrescenta que os geoparques so reas que conjugam geoconservao e desenvolvimento econmico sustentvel das populaes que a habitam, envolvendo, respectivamente, os seguintes aspectos e at ividades: patrimnio geolgico, biodiversidade, patrimnio cultural e comunidade; cincia, educao, geoturismo e sustentabilidade. Os geoparques so reas bem delimitadas e que possuem rico patrimnio geolgico, porm, mais do que isso so locais que prec isam se apresentar como fonte de renda para a populao local que deve ser includa nesse projeto que vai alm da geoconservao, abarcando princpios mais amplos que o do desenvolvimento sustentvel local e o da geoeducao (Figura 5): Figura 5: Rela o entre o desenvolvimento regional s ustentvel e a geoconservao. Fonte: Adaptado de Pereira, 2010, p. 60. Assim como a Lista do Patrimnio Natural, a candidatura para seleo da UNESCO se baseia em alguns critrios, como a rea corresponder ao conceit o de geoparque criado por ela, alm de: os geosstios inseridos no geoparque devem ser protegidos e formalmente gerenciados, deve proporcionar o desenvolvimento ambiental e cultural sustentvel, promovendo a identificao da comunidade com sua rea e e stimulando novas fontes de receita, especialmente o geoturismo, deve servir como uma ferramenta pedaggica para a educao ambiental, treinamento e pesquisa relacionada s disciplinas geocientficas, deve servir para explorar e demonstrar mtodos de co nservao do patrimnio geolgico e deve contribuir para a conservao dos aspectos geolgicos significativos que proporcionem informaes em vrias disciplinas geocientficas, o geoparque deve permanecer sob a jurisdio do Estado no qual est inserido, medidas de proteo do geoparque devem ser estabelecidas de acordo com os Servios Geolgicos ou outros grupos relevantes, deve possuir um plano de manejo,

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 63 deve ser estimulada a cooperao entre autoridades pblicas, comunidades locais, empresas pri vadas, universidades etc. (LEITE DO NASCIMENTO; RUCHKYS; MANTESSO NETO, 2008). Ao ser inserido na rede global de geoparques os membros podem se beneficiar de material promocional em comum, como o website e folders encontrar novos parceiros de cooperao internacional e financiamento atravs do Frum e principalmente trocar experincias e tcnicas (MOREIRA, 2008, p. 98). A integrao nessa rede por apenas quatro anos, aps isso realizada uma reavaliao e d s e um carto para o geoparque: verde (est tudo certo), amarelo (tem o prazo de dois anos para resolver deficincias encontradas) e vermelho ( excludo da rede). Isso nos permite inferir que os critrios de insero nessa rede mundial se baseiam em um proc esso contnuo de avaliao e melhoria do geoparque, no intuito de verificar se o mesmo est de fato respondendo aos objetivos que se props. 3 CONSIDERA'ES FINAIS E RECOMENDA'ES Atravs da metodologia empregada conclui se que o geoturismo pode de fato ser considerado um instrumento pertinente na valorizao e divulgao da geodiversidade, bem como da conservao do patrimnio geolgico. Alm disso, geoturismo e geoconservao podem tambm ser tomados como indutores do desenvolvimento econmico local, p ropiciando a gesto e utilizao do patrimnio geolgico, de forma planejada e sustentvel. Nessa pesquisa optou se em abordar apenas as iniciativas de geoconservao internacionais, como o caso do Programa Geoparques Mundiais, no entanto, preciso escl arecer que j existem diversas iniciativas brasileiras que caminham nessa direo (Projeto Geoparques Brasileiros, Comisso dos Stios Geolgicos e Paleontolgicos SIGEP, Programa Geoecoturismo do Brasil, Projeto Caminhos Geolgicos), alm de se avolumar os eventos e peridicos cientficos que tm dado destaque a essa temtica, reforando a importncia do estudo e divulgao do trinmio. Espera se que esse trabalho sirva de subsdio e inspirao para outras pesquisas na rea, para que aos poucos o trinmi o geodiversidade, geoturismo e geoconservao seja conhecido por toda a humanidade e que a Declarao Internacional dos Direitos Memria da Terra seja respeitada e colocada em prtica, principalmente considerando se a relevncia e probidade dos seus arti gos 7 e 8: 7 Os homens sempre tiveram a preocupao em proteger o memorial do seu passado, ou seja, o seu patrimnio cultural. S h pouco tempo se comeou a proteger o ambiente imediato, o nosso patrimnio natural. O passado da Terra no menos importa nte que o passado dos seres humanos. Chegou o tempo de aprendermos a proteg lo e protegendo o aprenderemos a conhecer o passado da Terra, esse livro escrito antes do nosso advento e que o patrimnio geolgico. 8 Ns e a Terra compartilhamos uma heran a comum. Cada homem, cada governo no mais do que o depositrio desse patrimnio. Cada um de ns deve compreender que qualquer depredao uma mutilao, uma destruio, uma perda irremedivel. Todas as formas do desenvolvimento devem, assim, ter em con ta o valor e a singularidade desse patrimnio (SIMP"SIO..., 1991). Agradecimentos A Capes pelo financiamento do projeto PROCAD 067/2007 e pela bolsa de doutorado Referncias ARAJO, E. L. da S. Geoturismo: conceptualizao, implementao e exemplo de a plicao ao Vale do Rio Douro no Setor Porto Pinho 2005. 219 f. Dissertao (Mestrado em Cincias do Ambiente) Escola de Cincias, Universidade do Minho, Minho, 2005. BARRETO, J. M. C. Potencial geoturstico da regio de Rio de Contas Bahia Brasil. 2007. 164 f. Dissertao (Mestrado em Geologia) Instituto de Geocincias, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2007.

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 64 BRILHA, J. Patrimnio geolgico e geoconservao a conservao da natureza na sua vertente geolgica. Braga: Palimage, 2005. 190 p CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil Braslia: CPRM, 2006. 68 p. FORTE, J. P. Patrimnio geomorfolgico da Unidade Territorial de Alvaizere: inventariao, avaliao e valorizao 2008. 295 f. Dissertao (Mestrado em Geografia) Departamento de Geogr afia, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2008. LEITE DO NASCIMENTO, M. A.; RUCHKYS, U. de A.; MANTESSO NETO, V. Geoturismo: um novo segmento do turismo no Brasil. Global Tourism [s.l.], v. 3, n. 2, Nov. 2007. Disponvel em: http://www.periodicodeturismo.com.br Acesso em: 01 mar. 2010. ______.; RUCHKYS, U. A.; MANTESSO NETO, V. Geodiversidade, geoconservao e geoturismo: trinmio importante para a proteo do patrimnio geolgico. So Paulo: Sociedade Bras ileira de Geologia, 2008. 84 p. _______; SHOBBENHAUS, C.; MEDINA, A. I. de M. Patrimnio geolgico: turismo sustentvel. In: SILVA, C. R. da (Ed.). Geodiversidade do Brasil conhecer o passado para entender o presente e prever o futuro. [s.l.]: CPRM, 2009 p. 147 162. LIMA, F. F. de. Proposta metodolgica para a inventariao do Patrimnio Geolgico Brasileiro. 2008. 103 f. Dissertao (Mestrado em Patrimnio Geolgico e Geoconservao) Escola de Cincias, Universidade do Minho, Minho, 2008. MOREIRA, J C. Patrimnio geolgico em Unidades de Conservao: atividades interpretativas, educativas e geotursticas. 2008. 428 f. Tese (Doutorado em Geografia) Centro de Filosofia e Cincias Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina, 2008. PEREIRA, R. G. F. de A. Geoconservao e desenvolvimento sustentvel na Chapada Diamantina (Bahia Brasil). 2010. 318 f. Tese (Doutorado em Geologia) Escola de Cincias, Universidade do Minho, Minho, 2010. RODRIGUES, M..; PEREIRA, D. Patrimnio geolgi co do Vale do Minho e a sua valorizao geoturstica. In: CONGRESSO NACIONAL DE GEOMORFOLOGIA, 6., 2009, Braga. Anais... Braga: APGEOM, 2009, p. 285 290. RUCHKYS, U. de A. Patrimnio Geolgico e Geoconservao no Quadriltero Ferrfero, Minas Gerais: poten cial para criao de um geoparque da UNESCO 2007. 233 f. Tese (Doutorado em Geologia) Instituto de Geocincias, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. SILVA, F. R. A paisagem do Quadriltero Ferrfero, MG: Potencial para o uso turs tico da sua geologia e geomorfologia. 2007. 144 f. Dissertao (Mestrado em Geografia) Departamento de Geografia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. Disponvel em: http://www.bi bliotecadigital.ufmg.br Acesso em: 20 ago. 2010. SILVA,J. R. B. da; PERINOTTO, J. A. de J. O geoturismo na geodiversidade de Paraguau Paulista como modelo de geoconservao das estncias. Global Tourism [s.l.], v. 3, n. 2, nov. 2007. Disponvel em: http://www.periodicodeturismo.com.br Acesso em: 01 mar. 2010. SIMP"SIO INTERNACIONAL SOBRE A PROTEO DO PATRIMNIO GEOL"GICO,1., 1991, Digne Les Bains, Frana. Declarao Internacional dos Direitos a Mem ria da Terra. Traduo de Carlos Fernando de Moura Delphim. Disponvel em: http://vsites.unb.br Acesso em: 5 out. 2010. VIEIRA, A.; CUNHA, L. Patrimnio geomorfolgico tentativa de sistematizao, [200 ?]. Disponvel em: http://www.geografia.uminho.pt Acesso em: 10 mar. 2010

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Bento & Rodrigues O g eoturismo como instrumento em prol da divulgao.. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 65 Fluxo editorial : R ecebido em: 2 3 1 1 .20 10 Corrigido em : 0 9 01 .20 11 Aprovado em: 10 0 1 .201 1 A revista Turismo e Paisagens Crsticas uma publica o da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.cavernas.org.br/turismo.asp 1 Trecho da palestra de Jos Brilha apresentada no Workshop Geoparque: estratgia de geoconservao e projetos educacion ais, em So Paulo, SP, julho, 2009. 2 Trecho da palestra de Guy Martini apresentada no Workshop Geoparque: estratgia de geoconservao e projetos educacionais, em So Paulo, SP, julho, 2009. 3 Trecho da palestra de Paulo Csar Boggiani apresentada no Work shop Geoparque: estratgia de geoconservao e projetos educacionais, em So Paulo, SP, julho, 2009.

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 67 CONSIDERA'ES SOBRE OS EFEITOS DO TURISMO NO ECOSSISTEMA DA MINA DO CHICO REI (OURO PRETO, MINAS GERAIS): IMPLICA'ES PARA O MANEJO EM SISTEMAS NATURAIS CONSIDERATIONS OF THE TOURISM EFFECTS IN THE CHICO REI MINE (OURO PRETO, MINAS GERAIS): IMPLICATIONS F OR THE MANAGEMENT OF NATURAL SYSTEMS Leopoldo Ferreira de Olivei ra Bernardi (1) Marconi Souza Silva (2) & Rodrigo Lopes Ferreira (3 ) (1) Universidade Federal de Lavras ( U F LA) Ps Graduao em Ecologia Aplicada, Bolsista Capes (2) Centro Universitrio de Lavras (Unilavras) Ncleo de Estudo em Sade e Biolgicas ( 3 ) Universidade Federal de Lavras ( U FLA) Setor de Zoologia/Departamento de Biologia Lavras MG leopoldobernardi@yahoo.com.br ; marconisouza@unilavras.edu.br ; drops@ufla.br Resumo O turismo em cavidades subterrneas vem sendo difundido e realizado em todo territrio brasileiro. Tal atividade, no entan to, pode causar severos impactos a estes sistemas, caso seja conduzida de forma inadequada. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar as alteraes em parmetros abiticos (temperatura e umidade relativa), alm de possveis deslocamentos da fauna em resposta ao turismo temperatura e da umidade relativa aps o uso do sistema. Alm disso, as atividades tursticas causam alguns impactos ao sistema, tais como a compactao e a homogeneizao do piso. Tais alteraes fazem com que a fauna se distribua em locais onde o efeito do turismo no muito intenso. O planejamento do turismo em cavidades subterrneas deve ser realizado antes do uso destes siste mas, pois alguns impactos decorrentes desta atividade podem ser irreversveis Palavras Chave: turismo, minas subterrneas, fauna, cavernas, impactos Abstract Touristic activities in Brazilian caves are quite common. Furthermore, such activities are incr easing all over the country. However, the tourism in caves can led to severe impacts when it is conducted in not proper ways. The aim of this work was to evaluate eventual changes in some abiotic (temperature and moisture content) and biotic parameters af located in Ouro Preto, Minas Gerais. Temperature and moisture content had increased after the touristic visits. Furthermore, those activities had led to some changes in the cavity such as soil compacting. The invertebrates are preferentially distributed in places not directly or intensively affected by the tourists. The tourism in a cavity has to be planned preferentially before the beginning of those activities, since many impact s derived from tourism can be irreversible K ey Words: tourism, subterranean mines, fauna, caves, impacts 1. INTRODUO Existem diversos tipos de cavidades subterrneas, cada qual formada por processos diferenciados. As cavidades subterrneas naturais s o formadas principalmente pela ao da gua, que atua dissolvendo a rocha e formando condutos e galerias de dimenses variadas (GILBERT et al., 1994; GILLIESON, 1996). Alm da gua, outros processos, tais como erupes vulcnicas e rearranjo de blocos roch osos tambm podem formar cavernas (GILLIESON, 1996; TWIDALE; ROMAN, 2005). No entanto, processos naturais no so os nicos a dar origem a cavidades subterrneas. Aes antrpicas tambm podem gerar cavidades. As cavidades artificiais subterrneas (minas tneis e galerias) so abertas pela ao do homem com a finalidade de extrao de diferentes minerais ou metais de valor econmico. Apesar da gnese de cavidades naturais e artificiais ser distinta, ambas podem apresentar caractersticas ambientais comun s, determinadas principalmente pela ausncia de luz. Deste modo, a maior estabilidade ambiental comparada aos

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 68 sistemas externos, alm da ausncia de organismos fotossintetizantes, so caractersticas presentes tanto nas galerias artificiais como nas cavern as (FERREIRA, 2004). Alm disso, as minas e cavernas compartilham outros fatores, tais como a estrutura das comunidades e os principais grupos de organismos que as colonizam (PECK, 1988; FERREIRA, 2004). As semelhanas entre as cavidades subterrneas arti ficiais e as cavernas no se restringem a fatores ambientais e faunsticos. Tais cavidades podem tambm apresentar o mesmo tipo de uso antrpico, como o uso turstico (FERREIRA, 2004). Centenas de cavernas so utilizadas para o turismo em todo o mundo (CIG NA ; BURRI, 2000). No Brasil, existem diversas cavidades tursticas, com usos bastante diversificados (uso religioso, esportivo ou simplesmente contemplao). Algumas cavernas no pas possuem mais de cem anos de uso para esta finalidade (LINO, 2001, LOBO, 2 006a; FERREIRA, 2004). Em relao ao uso turstico de cavidades artificiais, destaca se, no pas, o estado de Minas Gerais. Este estado possu grande vocao para a extrao de minrios, o que levou construo de milhares de minas subterrneas ao longo dos ltimos 300 anos. Na atualidade, ainda existem centenas de galerias subterrneas em atividade no Estado. No entanto, algumas galerias histricas atualmente inativas so exploradas turisticamente tais como a Mina do Chico Rei e a Mina da Passagem, loca lizadas em Ouro Preto e Mariana, respectivamente. Embora o turismo em cavidades subterrneas no Brasil venha sendo realizado h dcadas, ainda existem muitas lacunas metodolgicas referentes ao manejo adequado destes sistemas. As estratgias de conservao e manejo que balizam o modo do uso destes ambientes, de forma a minimizar os impactos sobre estes sistemas, ainda compreendem um debate recente em nosso pas (LINO, 2001; LOBO, 2006a; LOBO, 2006b; LOBO et al., 2009; FERREIRA, 2004; FERREIRA et al., 2009). Como apresentado por Lobo (2006b) e Ferreira e colaboradores (2009), as principais discusses levantadas at o momento relacionam se a mudanas no meio abitico, como depredao de espeleotemas, variaes de temperatura, umidade, e nos nveis de CO 2 do am biente. Consideraes efetivas sobre o manejo biolgico, envolvendo os espcimes presentes nas cavernas, ainda so muito escassas ( LINO, 2001; LOBO 2006a; LOBO, 2006b; FERREIRA, 2004; SESSSEGOLO et al., 2004a; SESSSEGOLO et al., 2004b; FERREIRA et al., 200 9; FERREIRA, 2009 ). Existem dificuldades ntidas na proposio de manejo e na conservao de ambientes subterrneos brasileiros. Entre elas, a determinao da capacidade de carga, a elaborao de rotas e percursos para o uso turstico, a escolha de parmet ros biolgicos consistentes que possam auxiliar na construo em aes de manejo, dentre outros ( FERREIRA et al., 2009 ; LOBO, 2009). Nesta perspectiva, cavidades subterrneas artificiais (funcionalmente semelhantes s cavernas), configuram se como bons mod elos para o desenvolvimento de pesquisas, que visam compreender melhor os sistemas subterrneos e os potenciais impactos que estes possam vir a sofrer. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar os impactos sofridos pela Mina do Chico Rei decorrent es de sua utilizao turstica. Alm disso, aspectos relacionados s possveis respostas da fauna ao turismo tambm foram avaliados. 2. MATERIAL E MTODOS 2.1. Local de estudo A Mina do Chico Rei uma cavidade subterrnea localizada na regio urbana do m unicpio de Ouro Preto (23K E656608 N7745079) (Figura 1). Sua construo remonta do sculo XVIII e, de acordo com os atuais proprietrios da rea, o objetivo de sua construo era a extrao do ouro, posteriormente servindo de rota de fuga para escravos e extravio de ouro roubado. Atualmente a mina est em processo de mapeamento, sendo o turismo desenvolvido apenas na parte inicial da cavidade. O trecho estudado corresponde a uma pequena poro da cavidade, composta por dois corredores principais que totali zam cerca de 139 m. Esta rea se apresenta iluminada por lmpadas eltricas incandescentes. Alm disso, foram amostrados outros dois trechos ligados ao sistema turstico, que totalizam cerca de 28 m, e que praticamente no recebem visitas por no se aprese ntarem iluminados (Figura 7). 2.2. Inventrio biolgico Os invertebrados terrestres foram coletados em todos os bitopos potenciais (e.g. depsitos orgnicos, espaos sob rochas e locais midos) existentes na cavidade (SHARRATT et al., 2000; FERREIRA, 200 4). Cada organismo observado teve sua posio registrada em um croqui da cavidade. Desta forma, ao final de cada coleta, foram geradas informaes concernentes riqueza de espcies, s abundncias relativas e distribuio espacial de cada populao (FER REIRA, 2004). Para facilitar a caracterizao das distribuies populacionais das

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 69 espcies de invertebrados, a cavidade foi dividida em 10 setores. Para obteno dos setores, a cavidade foi dividida em 10 regies, cada uma correspondente a 1/10 do desenvol vimento linear do local onde foi realizada a amostragem de invertebrados (FERREIRA, 2004). O setor de nmero 1 foi definido como aquele correspondente entrada, e o setor de nmero 10 a regio mais afastada da entrada. As caractersticas fsicas dos micro habitats (e.g. piso compactado, piso com rochas soltas, teto, parede) onde os espcimes foram observados e capturados foram registradas no mapa da cavidade (Figura 2). Todos os organismos foram identificados at o nvel taxonmico possvel e separados em morfo espcies. A riqueza de espcies foi obtida por meio do somatrio do total de espcies encontradas. Figura 1: Mina do Chico Rei. A; regio interna, vista hipgea da entrada em direo ao fundo. B; regio da entrada, meio epgeo Figura 2: Croq ui com a representao esquemtica dos setores que foram elaborados na Mina do Chico Rei. 2.3. Caracterizao ambiental das galerias artificiais A caracterizao ambiental das galerias arti ficiais foi realizada concomitantemente s coletas de invertebrados. Para isso, todos os tipos de recursos alimentares presentes nos sistemas foram qualificados e sua posies foram assinaladas no croqui esquemtico da cavidade. Alm disso, foram tomadas a s medidas de temperatura e umidade relativa do ar e taxa de rudos. Os equipamentos utilizados para as medies das variveis abiticas foram um termohigrmetro (que opera em uma faixa de 5 a 70 0 C e de umidade de 20 a 99%, com preciso de 1C e 2%) e um decibelmetro (opera em uma faixa que varia entre 25 e 130 dB, com preciso de. 1,5 dB.) As medidas de temperatura e umidade relativa foram feitas na poro mediana do conduto onde esto localizados os setores 1, 2 e 3. Segundo os proprietrios da cavid ade este local onde o turista passa a maior parte do tempo da visita (Figura 2). Neste local, o termohigrmetro permaneceu fixo a 30 centmetros do solo e a uma distncia de cerca de 2 metros do sistema de iluminao.

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 70 2.4. Monitoramento ambiental e biol gico realizado nas cavidades tursticas Foram verificados todos os impactos potenciais gerados pela atividade turstica na cavidade. Para tal, avaliou se a distribuio espacial das diferentes populaes presentes na Mina do Chico Rei, alm da variao de quatro parmetros ambientais (temperatura, umidade relativa, luminosidade e intensidade de rudos). Tais medidas abiticas e biticas foram realizadas em cinco momentos ao longo do dia 27 de Novembro de 2010. A primeira medida foi feita no incio do dia, no perodo da manh, antes de qualquer atividade turstica. Nesta ocasio foram realizadas medidas de temperatura, umidade relativa e rudos na regio mediana da cavidade com auxilio de um termohigrmetro e um decibelmetro. As medidas de temperatura e um idade relativa foram tomadas aps um tempo 40 minutos da colocao do equipamento na cavidade. Durante este perodo o sistema de iluminao permaneceu desligado e no houve incurses de pessoas ao interior da cavidade. Aps tais medidas, uma equipe de trs pessoas adentrou a cavidade para a realizao do inventrio de todos os invertebrados presentes no sistema. Para tal, foi adotado o mtodo anteriormente descrito (FERREIRA, 2004). Durante a atividade de coleta a sistema de iluminao permaneceu desligado. Logo aps, a cavidade foi liberada para que as visitas de grupos de turistas fossem iniciadas. Cada grupo de visitantes circulava somente pelo percurso iluminado. Durante a visita, as variaes nos nveis de rudo eram feitas atravs de um decibelmetro. Para tal, os grupos de turistas eram acompanhados por um membro da equipe que registrava os valores ao longo da caminhada no interior da cavidade. Ao final da visita, um membro da equipe entrava na cavidade para verificar os valores mnimos e mximos de t emperatura e umidade relativa, a fim de se verificar se houve variao nestes parmetros em relao aos valores inicialmente medidos. Aps terem sido anotados os valores dos parmetros abiticos, uma equipe de trs pessoas entrava novamente na cavidade e r ealizava uma nova vistoria em todo o ambiente. Neste procedimento os invertebrados encontrados eram novamente plotados em um croqui da cavidade, com intuito de se observar se haviam mudanas nas localizaes das populaes aps a interferncia da atividade turstica. Todo o trabalho foi conduzido ao longo de uma nica manh, tendo incio as 8:00 com as medidas iniciais, as 9:30 foi realizada a visita do primeiro grupo, e as atividades foram encerradas ao 12:30. 3. RESULTADOS No interior da Mina do Chico Re i foram encontradas 15 espcies de 9 ordens, pertencentes aos seguintes taxa: Araneae (Pholcidae Mesabolivar sp.; Nesticidae Nesticus sp.); Opiliones (Gonyleptidae Eusarcus sp.), Shymphyla, Psocoptera, Coleoptera (Pselaphidae), Lepidoptera (Tineidae) ; Orthoptera (Phalangopsidae Strinatia sp., Endecous sp.), Diptera (Culicidae Culex sp.), e Collembola. Nenhum organismo troglomrfico foi encontrado na cavidade (Tabela 1). A riqueza e a abundncia das espcies apresentaram os maiores valores nos set ores mais prximos entrada da cavidade (Figura 3 e 4). A populao de Endecous sp. (Orthoptera: Phalangopsidae), a espcie melhor distribuda no sistema, tambm seguiu a mesma tendncia da riqueza, estando mais concentrada nos setores prximos entrada da cavidade (Fig. 5 e 7). Os espcimes encontrados no piso da cavidade na regio turstica foram observados principalmente em locais onde havia pedras soltas e matria orgnica. Estes locais esto concentrados prximos s paredes, e no so pisoteados dura nte as visitas, pois esto fora do percurso utilizado pelos turistas (Fig. 6 e 7). Outros locais onde os invertebrados foram observados so os condutos laterais, que esto conectados s zonas tursticas. Nestes condutos, o solo pouco compactado, apresent ando pedras soltas e alguns restos orgnicos, tais como papis, velas com presena de fungos e pedaos de madeira. Pelo fato destes condutos no serem visitados (devido ausncia de iluminao), o lixo no removido e o local no sofre com a compactao do solo ocasionada pelo turismo intenso. Os locais da cavidade onde foram observadas as maiores agregaes de espcimes foram o teto e as paredes na regio de entrada. Nesta poro, existe uma regio de penumbra e o piso no apresenta micro habitats dispon veis, pois foi alterado pela confeco de uma escada, alm de der sido revestido por cimento (Figuras 1 e 7).

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 71 Tabela 1: Taxa encontrados na Mina do Chico Rei com suas respectivas espcies e nmero de setores em que foram encontrados. N Referncia Ord em/Famlia Espcie N Setores 1 Orthoptera: Phalongopsidae Endecous sp1 7 2 Collembola espcie 1 3 3 Collembola espcie 2 4 4 Aranae: Pholcidae Mesabolivar sp. 4 5 Coleoptera: Pselaphidae espcie 1 3 6 Aranae: Nesticidae Nesticus sp1 3 7 Orthoptera: Phalongopsidae Strinatia sp. 2 8 Diptera: Culicidae Culex sp1 2 9 Opiliones: Gonyleptidae Eusarcus sp. 2 10 Opiliones: Gonyleptidae Mitogoniella indistincta 1 11 Symphyla espcie 1 1 12 Psocoptera espcie 1 4 13 Collembola espcie 3 1 14 Opiliones: Gonyleptidae espcie 1 3 15 Lepidoptera: Tineidae espcie 1 1 Legenda: N Referncia = refere se ao nmero de representao da espcie no croqui esquemtico da cavidade apresentado na figura 7. N Setores = quantidade de setores em que a espcie foi obser vada durante o levantamento da fauna de invertebrados na Mina do Chico Rei Figura 3: Distribuio da riqueza de espcies de invertebrados ao longo dos setores da Cavidade artificial Mina do Chico Rei. Figura 4: Distribuio das abundncias de inver tebrados ao longo dos setores da Cavidade artificial Mina do Chico Rei Figura 5: Distribuio da populao de Endecous sp. ao longo dos setores da Cavidade artificial Mina do Chico Rei A regio de entrada atpica em relao a disponibilidade de re cursos quando comparada ao restante da cavidade. Nesta rea quase toda a parede revestida por musgos e algas, que podem servir de recurso alimentar para a fauna. No restante da cavidade, os nicos recursos alimentares potencialmente utilizados compreende m poucos restos orgnicos, alm dos fungos a eles associados. Todo este material corresponde a restos orgnicos trazidos pelos turistas ou ento restos de estruturas utilizadas para facilitar o acesso dos turistas. Dentre eles pode se citar papis, velas, restos de alimento, pedaos de madeira utilizados em corrimo e um pedao de corda.

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 72 Figura 6: Presena de dois locais distintos no piso da cavidade turstica Mina do Chico Rei. A, regio de solo compactado onde existe o caminhamento preferencial do tur ismo; B, locais com presena de rochas soltas, material particulado, lixo orgnico e inorgnico que sofreram pouca ao de pisoteamento. Figura 7: Croqui representando a distribuio das espcies e dos recursos presentes na Mina do Chico Rei. Em rela o aos padres de distribuio da fauna, aps o desenvolvimento do turismo no foram observadas modificaes na localizao das populaes dos espcimes, quando comparados com os dados da coleta realizada inicia lmente antes de qualquer atividade turstica O padro de distribuio da fauna permaneceu semelhante quele observado na primeira vistoria realizada na cavidade, mesmo aps as quatro visitas de grupos de turistas. Apesar dos padres de distribuio da fauna no terem sido alterados, os parmetros a biticos, de temperatura e umidade relativa, apresentaram alteraes aps a realizao do turismo. O valor inicial registrado para a temperatura e a umidade relativa, no momento anterior a qualquer atividade antrpica, foram 17,8C e 86%, respectivamente. A primeira visita turstica ocorrida na Mina do Chico Rei foi feita por um grupo composto de dois adultos e duas crianas. Aps esta visita, os valores de temperatura e umidade relativa se alteraram para 18,5C e 90%. Aps a segunda visita os valores regi strados foram de 18,4C e 92%, e aps a terceira visita os valores alteraram para 18,6C e 93%. Em ambas as ocasies entraram na cavidade grupos compostos de um adulto e uma criana. A quarta e ltima visita foi realizada por dois adultos, e os valores re gistrados foram 18,6C e 92% (Figura 8). Durante cada uma das visitas o sistema de iluminao era ligado possibilitando o turista e caminhar livremente pela cavidade. Imediatamente aps a sada dos grupos o sistema de iluminao era desligado.

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 73 A emisso d e rudos durante as quatro visitas realizadas na cavidade apresentaram uma variao entre 32dB e 26.3dB. Durante a visita do primeiro grupo foi registrado valor mais elevado para a emisso de rudos (32dB), o menor valor foi registrado durante a visita do segundo (26,3dB). Durante o percurso realizado pelo terceiro e o quarto grupo de turistas foi observado um valor mximo de 26,3d B e 28,4d B respectivamente. No foi possvel determinar padres de intervalos de tempo para cada uma das visitas durante o dese nvolvimento do estudo. Entretanto, cada grupo de turista se manteve dentro da cavidade por no mnimo 20 minutos e os intervalos entre as visitas foi de no mnimo 40 minutos. Figura 8: Efeitos das visitas tursticas nos valores de temperatura e umidade relativa no interior da cavidade turstica Mina do Chico Rei 4. DISCUSSO 4.1. Variao na comunidade biolgica Diversas cavernas em todo o mundo recebem um grande nmero de visitantes. Como exemplo, podem ser citadas as cavernas de Altamira e Marvels na Espanha, Bayun na China, Cheddar, Peak e Speedwell na Inglaterra, Mammoth nos Estados Unidos, Postojna na Eslovnia, dentre outras (PULIDO BOSH, 1997; GUNN et al., 2000; LINHUA et al., 2000). O mesmo ocorre no Brasil, estando em destaque aquelas cavidades voltadas para o turismo religioso, que podem receber milhares de pessoas anualmente (LINO, 2001). Grande parte desses sistemas apresenta modificaes estruturais que visam auxiliar ou favorecer o deslocamento dos turistas. Tais alteraes quase sempre aca rretam em impactos. Desta forma, recentemente, tm sido amplamente discutidas questes relativas a como conciliar as aes promovidas pelo turismo com a preservao dos ambientes hipgeos (FERREIRA, 2004; FERREIRA et al., 2009; LOBO, 2006a; LOBO, 2006b; SO UZA SILVA; FERREIRA 2009). Grande parte dos trabalhos produzidos no Brasil e no mundo a respeito do manejo turstico em cavernas, do importncia principalmente s condies climticas, tais como variaes de temperatura, umidade relativa e CO 2 no ambien te hipgeo (VILLAR et al., 1984; PULIDO BOSH et al., 1997; LINHUA et al., 2000; LOBO 2006b; FERNNDEZ CORTS et al., 2006). No entanto, poucos trabalhos consideram efetivamente os efeitos do turismo sobre a biota subterrnea, sendo urgente a elaborao de estudos que visam esclarecer alguns aspectos do manejo de ecossistemas subterrneos (EBERHARD 2001; FERREIRA 2004; FERREIRA et al., 2009; SOUZA SILVA; FERREIRA, 2009). Os invertebrados encontrados na Mina do Chico Rei compreendem os mesmos grupos observa dos por Souza Silva (2008) em cavernas localizadas prximas a esta Mina turstica. Desta forma possvel que os dados resultantes do presente estudo possam ser utilizados como um balizador em futuras aes de manejo em sistemas naturais. Assim, o primeiro ponto a ser observado que existe um aspecto marcante ligado disposio dos espcimes observados na Mina da Chico Rei. O piso da cavidade, em especial, foi quase todo aplainado atravs da compactao mecnica do solo, ou ento, atravs do acrscimo de brita ou cimento, resultando em uma reduo na disponibilidade de micro habitats em que a fauna pode se abrigar

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 74 (Figura 1, 6 e 7). O que se observa, em aspectos gerais, que os espcimes esto distribudos fora da zona de caminhamento estabelecida pelo tu rismo, se concentrando em regies que no sofrem diretamente com a compactao do solo por pisoteamento. Em cavidades naturais, a fauna geralmente se distribui por todo o sistema, j que os micro habitats esto, em sua maioria, distribudos por todo o piso e parede das cavernas (FERREIRA, 2004; FERREIRA et al., 2009). A distribuio de invertebrados por todo o sistema, tambm ocorre em cavidades subterrneas artificiais no tursticas (Bernardi, dados no publicados), e em locais na Mina do Chico Rei onde n o h fluxo intenso de visitantes. Desta forma, a maneira como o turismo conduzido pode determinar os locais onde os espcimes podem se abrigar e estabelecer suas populaes. Por outro lado, tais zonas de caminhamento devem sempre ser determinadas em fun o da distribuio original das espcies no meio subterrneo. Para isso devem ser considerados os padres de distribuio das espcies durante no mnimo um ano, abrangendo estaes de seca e chuva. Alm disso, importante de sejam feitos acompanhamentos p eridicos da fauna, j que atividades tursticas podem alterar a distribuio de invertebrados em sistemas subterrneos (FERREIRA, 2004). Alm dos fatores ligados disponibilidade de habitats, a presena de recursos alimentares tambm pode ser determinan te na distribuio das populaes. As comunidades presentes em cavidades subterrneas artificiais, como em cavernas, tambm apresentam grande dependncia de fontes de material orgnico proveniente do sistema epgeo. Em ambos os sistemas a ausncia de luz n o permite o crescimento de organismos fotossintetizantes, tornando os mesmos, na maior parte dos casos, oligotrficos (FERREIRA, 2004). A Mina do Chico Rei passa periodicamente por vistorias que visam melhorar a condio do turismo e deixar o ambiente mai Nestas ocasies a pouca matria orgnica que penetra no sistema removida, no intuito de melhorar a aparncia da cavidade e evitar a proliferao de insetos que possam incomodar os turistas. Desta forma, esta cavidade apresenta s e extremamente pobre em recursos orgnicos. Assim, de se esperar que as populaes mantenham um grande nmero de indivduos concentrados nas proximidades da entrada, onde existem musgos e algas. Alm disso, locais onde existem restos orgnicos deixados p elos turistas tambm concentram invertebrados. A quantidade e a disponibilidade de recursos alimentares em sistemas subterrneos podem influenciar diretamente o tamanho das populaes no meio subterrneo (FERREIRA 2004 ; MARTINS, 2009). Desta forma, quando se visa o estabelecimento do turismo em uma cavidade, importante que se possibilite a manuteno adequada do fluxo de energia. Este certamente um fator decisivo na manuteno de populaes de invertebrados, mesmo em sistemas que recebem milhares de vi sitantes (EBERHARD, 2001). Na Caverna Lapa Nova de Maquin (Cordisburgo, MG), foi observada uma situao semelhante encontrada na Mina do Chico Rei (FERREIRA, 2004). Nesta caverna, a fauna tambm tende a se abrigar em zonas adjacentes s reas de visita o, onde so encontrados recursos carreados por turistas. A maior parte destes recursos compreende restos orgnicos, como objetos de madeira (e.g. fsforo, palitos de sorvete), restos de alimento e papel, e permanecem ali aps a realizao da atividade tur stica (FERREIRA, 2004). Com o decorrer das atividades antrpicas na cavidade, era esperado que a fauna se deslocasse para reas de pouca visitao, ao longo do dia. Entretanto, observou se que, com a entrada dos turistas, as populaes se mantiveram conce ntradas nos mesmos locais, no havendo alteraes em relao distribuio prvia realizao das visitas. Tal fato sugere que as comunidades tendem a se adequar ao turismo no por meio de contnuas so luo aparentemente conseguida decorre da permanncia das populaes em reas que no so diretamente afetadas pela ao de impactos diretos como pisoteamento. Embora indiscutivelmente importante, o turismo, se realizado de forma inadequada, pode levar reduo populacional de certas espcies ou mesmo extino local de certos grupos. Desta forma, fundamental, durante o planejamento prvio da utilizao turstica de uma dada cavidade, que aspectos biticos sejam considerados. Em certas cavernas, onde o manejo adequado, possvel a manuteno das condies de fluxo de energia para o sistema e a manuteno da fauna (EBERHARD, 2001). Alm disso, existem casos onde elementos da fauna acabam tornando se um dos principais atrativos tursticos. Como exemplo pode se citar as cavernas da Nova Zelndia, onde o principal atrativo uma pequena larva de diptera bioluminescente (Diptera: Keroplatidae: Arachnocampa sp.), mesmo em cavernas onde h um grande nvel de carga turstica (EBERHARD, 2001).

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 75 4.2. Variao n o microclima Villar e colaboradores (1984) em um estudo desenvolvido na caverna de Altamira, Espanha, mostraram que o fluxo de pessoas pode produzir, em mdia, uma energia equivalente 170W. Esta liberao de energia pode alterar pontualmente as condies climticas dos sistemas subterrneos (PULIDO BOSH et al., 1997; LOBO 2006b). O mesmo foi observado na Mina do Chico Rei, onde com a entrada de grupos de turistas e o funcionamento do sistema de iluminao na cavidade elevou os valores de temperatura e a umidade relativa. Segundo Pulido Bosch e colaboradores (1997) o fluxo de turistas e a iluminao eltrica so responsveis pelo aumento da temperatura na Caverna de Marvels. Nesta caverna, o nmero de turistas mostrou se positivamente correlacionado com a elevao da temperatura e a umidade. importante ressaltar que no estudo conduzido por Pulido Bosch e colaboradores (1997), o perodo de coleta de dados foi realizada durante 23 horas, ao contrrio deste estudo onde foi realizada apenas uma coleta aps o intervalo de 30 minutos de funcionamento da iluminao. Por este motivo podem ter sido observado estas diferenas nas variaes dos parmetros abiticos. Em sistemas muito isolados, tais como geodos gigantes, mesmo um pequeno nmero de turistas pode altera r o microclima, elevando a temperatura nestes ambientes (FERNNDEZ CORTS et al., 2006). Alm disso, os espaos confinados no permitem uma rpida disperso dos impactos, os quais acabam resultando em interferncias mais intensas e durante prazos maiores d e tempo (FERNNDEZ CORTS et al., 2006; LOBO, 2006b). Trabalhos relacionados aos impactos sonoros em sistemas subterrneos ainda so muito escassos (LOBO; ZAGO. 2009). Mas em um estudo pioneiro no Brasil realizado por Lobo e Zago (2009) na Caverna Morro Pr eto no Petar, mostrou atravs de monitoramento de variaes ambientais indcios que apontam para a incidncia de poucos impactos ambientais negativos derivados da emisso sonora. Mas apesar de no existirem estudos mais especficos, alguns organismos podem ser influenciados tanto pela presena de turistas como pelos distrbios causados por estes. Souza Silva e Ferreira (2009) apontam que o turismo na Caverna de Ubajara deve ser conduzido em silncio e com cautela, nos locais com agregaes desses organismos Evitando assim, afugentar os mesmos e pisotear em seu guano. 4.3. Consideraes sobre a implantao de turismo em cavidades Como anteriormente mencionado, atividades tursticas podem acarretar em alteraes climticas, nas condies de disponibilidade d e micro habitats e nas vias de acesso de recurso em cavidades subterrneas artificiais. Desta forma, algumas medidas devem ser tomadas previamente e durante o estabelecimento de atividades tursticas em cavidades subterrneas para que seja feito um manejo e fetivo da fauna. A manuten o de espaos onde existem micro habitats passveis de serem colonizados por invertebrados algo que pode auxiliar na manuteno das espcies em sistemas subterrneos. Segundo Ferreira (2004) a grande disponibilidade de micro habi tats pode determinar o nmero de espcies em sistemas subterrneos. Cavernas extensas e que apresentam uma grande quantidade de microhabitats tendem a ser mais ricas que cavernas de pequeno porte e com microhabitats limitados. Como apontado por Ferreira e colaboradores (2009), o estabelecimento de rotas tursticas bem delimitadas imprescindvel durante a elaborao do plano de manejo de um sistema subterrneo. Para tal, deve se evitar que o turismo seja conduzido por locais onde haja uma elevada riqueza. Alm disso, reas com a presena de espcies raras, endmicas e ameaadas de extino, tais como os troglbios, devem ser protegidas da ao do turismo ( SESSSEGOLO et al., 2004b; FERREIRA et al., 2009; SOUZA SILVA 2009 ; FERREIRA, 2009). Como observado por Souza Silva e Ferreira (2009), locais com agregaes de morcegos devem ser evitados, para que estes organismos no sejam afugentados pelo trnsito de pessoas, j que eles so importantes provedores de recursos alimentares para os sistemas subterrneos. O estabelecimento da capacidade de carga de um sistema tambm de suma importncia em sistemas subterrneos (LOBO et al., 2009). Uma vez que as atividades tursticas geram alteraes na temperatura e umidade relativa dos sistemas subterrneos, grupos muito grandes de turistas podem vir a prejudicar o crescimento de espeleotemas e alterar o formato de rochas (SHOPOV, 2004). O planejamento prvio da utilizao de cavernas para o turismo essencial, tendo em vista que estas atividades podem interferir em diver sas estruturas e processos inerentes a estes sistemas (EBERHARD, 2001; FERNNDEZ CORTS et al., 2006). Nesta perspectiva, estudos realizados em sistemas subterrneos artificiais so essenciais, pois

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 76 podem balizar o planejamento de aes que venham a minimi zar os impactos do turismo em cavernas. Agradecimentos Aos colegas Marcus Paulo de Oliveira, Amanda M. Teixeira e Matheus Brajo pelo auxilio auxlio durante o desenvolvimento das atividades de campo. Antnio Brescovit, Adriano Kury, Marcelo Ribeiro e Tha s G. Pellegrini, pelo auxilio nas identificaes de alguns invertebrados. Este trabalho contou com o auxilio financeiro da Fundao de Amparo a Pesquisa do estado de Minas Gerais (Fapemig Processo N o : APQ 4189 5 03 07). Referncias Bibliogrficas CIGNA, A.A.; BURRI, E. Development, Management and Economy of Show Caves. International Journal of Speleology, n.29, v.1, p.01 27, 2000. EBERHARD, S. Cave fauna monitoring and management at Ida Bay, Tasmania. Records of the Western Australian Museum (Supplement ) n.64, p.97 104, 2001. FERNNDEZ CORTS, A.; CALAFORRA, J.M.; ANCHEZ MARTOS, F.S.; GISBERT J. Microclimate processes characterization of the giant Geode of Pulp (Almera, Spain): technical criteria for Conservation. International Journal of Climatology n.26, p.691 706, 2006. FERREIRA, R.L. A medida da complexidade ecolgica e suas aplicaes na conservao e manejo de ecossistemas subterrneos. 2004. 158p. Tese de doutorado em Ecologia Conservao e Manejo da Vida Silvestre, Instituto de Cincias Biolg icas, Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte, 2004. FERREIRA, R.L.; MARTINS R.P. Diversity and distribution of spiders associated with bat guano piles in Morrinho cave (Bahia State, Brazil). Diversity and Distributions n.4, p.235 241, 1998. FERREIRA, R.L.; MARTINS R.P. Mapping subterranean resources: The cave invertebrates distribution as indicator of food availability. Revista Brasileira de Zoocincias n.11, v.2, p.119 127, 2009. FERREIRA, R.L.; BERNARDI, L.F.O.; SOUZA SILVA, M. Caracterizao dos ecossistemas das Grutas Aro Jari, Kiogo Brado e Lago Azul (Chapada dos Guimares, MT): Subsdios para o turismo nestas cavidades. Revista de Biologia e Cincias da Terra v.9, n.1, p.41 58, 2009. GUNN, J.; HARDWICK, P.; WOOD, P.J. The invertebrate community of the Peak Speedwell cave system, Derbyshire, England pressures and considerations for conservation management. Aquatic Conservation: Marine And Freshwater Ecosystems n.10, p.353 369, 2000. LINO, C. F. Cavernas ; O fascinante Bra sil subterrneo Editora Gaia LTDA. So Paulo. 2001. p.288. LOBO, H.A.S. O lado escuro do paraso: espeleoturismo na Serra da Bodoquena. 2006b. 164p. Dissertao de Mestrado em Geografia, Universidade Federal de Mato Grosso, Aquidauana, 2006a. LOBO, H.A.S Caracterizao dos Impactos Ambientais Negativos do Espeleoturismo e Suas Possibilidades de Manejo. IV Seminrio de Pesquisa em Turismo do Mercosul/III Seminrio da ANPTUR Caxias do Sul, RS. Anais do SeminTUR. Caxias do Sul, RS : EDUCS, v.4, 2006b. LOBO H.A.S; PERINOTTO, J.A.J.; BOGGIANI P.C. Capacidade de carga turstica em cavernas: estado da arte e novas perspectivas. Espeleo Tema v.20, n.1/2, p.37 47, 2009. LINHUA, S.; XIAONIMG, W.; FUYUAM L. The influences of cave tourist on CO 2 and temperature in Baiyun Cave. International Journal of Speleology v.29b, n.1/4, p.77 87, 2000.

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B ernardi, Souza Silva & Ferreira C onsideraes sobre os e feitos do turismo .. Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 77 GILBERT, J.; DANIELPOL, D.L.; STANFORD, J.A. 1994. Groundwater Ecology. San Diego: Academic Press Limited, 1994. p. 571. GILLIESON, D. Caves; processos, development and manag ement Cambridge, Blackwell Publisher Ltd, 1996. p.324. PECK, S.B. A review of the cave fauna of Canada, and the composition and ecology of the invertebrate fauna of cave and mines in Ontrio. Canadian Journal of Zoology n. 66, p.1197 1213.1988. PULIDO BO SCH A.; MARTN ROSALES W.; L"PEZ CHICANO M.; RODRGUEZ NAVARRO C.M.; VALLEJOS A. Human impact in a tourist karstic cave (Aracena, Spain) Environmental Geology n.31, v.3/4, p.142 149. 1997. SESSEGOLO, G.C.; OLIVEIRA, K.; PRIES, D.C.; ROCHA, L.F.S.; ZAKRZEW SKI, D.P. Sntese do plano de manejo do Parque Natural Municipal das Grutas de Botuver, estado de Santa Catarina. IV Congresso Brasileiro de Unidades de Conservao. Anais, Volume I (Trabalhos tcnicos) p.446 453, 2004a. SESSEGOLO, G.C.; PRIES, D.C.; RO CHA, L.F.S.; PINTO DA ROCHA, R.; ZAKRZEWSKI, D.P. Manejo da Caverna Maroaga, Presidente Figueiredo/AM IV Congresso Brasileiro de Unidades de Conservao. Anais, Volume I (Trabalhos tcnicos) p.399 405, 2004b SHARRATT, N.J.; PICKER M.; SAMWAYS, M. The in vertebrate fauna of the sandstone of the caves of the Cape Penisula (South Africa): patterns of endemism and conservation priorities. Biodiversity and Conservation n.9, p.107 143, 2000. SHOPOV, Y.Y. Sediments: biogenic. In: GUNN, J (Ed.) Encyclopedia of Caves and Karst Science New York/Londom: Taylor and Francis Group, 2004. p.1356 1359. SOUZA SILVA, M. Ecologia e conservao das comunidades de invertebrados caverncolas na Mata Atlntica Brasileira. 2008. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Mina s Gerais/Ps Graduao em Ecologia Conservao e Manejo da Vida Silvestre 226pp. SOUZA SILVA, M.; FERREIRA, R.L. Caracterizao ecolgica de algumas cavernas do Parque Nacional de Ubajara (Cear) com consideraes sobre o turismo nestas cavidades. Revista de Biologia e Cincias da Terra vol.9, n.1, p.59 71, 2009. TWIDALE, C.R.; ROMAN J.R.V. Landforms and Geology of Granite terrains. The Netherlands, Amsterdam: Balkema, 2005, 352p. VILLAR, E.; BONET, A.; DIAZ CANEJA, B.; FERNANDEZ, P.L.; GUTIERREZ, I.; QU INDOS, L.S.; SOLANA, J.R.; SOTO, J. Ambient temperature variations in the hall of paintings of Altamira cave due to the presence of visitors. Cave Science v.11, n.2, p.99 104, 1984 Fluxo editorial : R ecebido em: 2 6 1 1 .20 10 Corrigido em : 20 12 .20 1 0 Aprova do em: 20 12 .201 0 A revista Turismo e Paisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.cavernas.org.br/turismo.asp

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Mendes, et al A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar corporal Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 79 A CONTRIBUIO DA PRTICA DO ESPELEISMO NO BEM ESTAR CORPORAL THE CONTRIBUTION OF THE PRACTICAL OF CAVING IN BODILY WELL BEING Marilda Teixeira Mendes (1) Michela Abreu Francisco Alves (2) Alex Fabiani de Brito Torres (3) & Ktia Maria Gomes Mono ( 4 ) (1) Universidade Federal de Minas Gerais ( U F MG ) Inst de Cincias Agrrias Mestre em Educao Fsica (2) Faculdades Unidas do Norte de Minas ( FUNORTE ) Especialista em Atividades Fsicas em Academia ( 3 ) Universidade Federal de Minas Gerais ( U FMG) Inst de Cincias Agrrias Mestre em Extenso Rural ( 4 ) Universidade Federal de Minas Gerais ( U FMG) Inst de Cincias Agrrias Mestre em Desenvolvimento Social Montes Claros MG mteixeiramendes@yahoo.co m.br ; michelaalves@yahoo.com ; afbtorres@bol.com.br ; katiamoncao@gmail.com Resumo O espeleismo, enquanto atividade prti ca realizada em caverna proporciona um bem estar corporal. O presente estudo teve como objetivo analisar a contribuio do espeleismo no bem estar corporal dos integrantes do Espeleogrupo Peter Lund (EPL), por meio da relao ser humano/caverna. A justific ativa para a realizao desse estudo ocorre em funo da existncia de poucos estudos no Brasil sobre a relao espeleismo e bem estar corporal. A metodologia utilizada foi uma combinao de pesquisa bibliogrfica e de campo. Como instrumentos de coleta de dados foram realizadas atividades de observao participante e entrevistas semiestruturadas Para a anlise dos dados, utilizou se a tcnica de anlise de contedo, que possibilitou obter indicadores, os quais contriburam para a sistematizao das seguin tes variveis: significado da caverna; significado do espeleismo; motivos para a prtica do espeleismo; relao ser humano/caverna e sentidos corporais presentes no espeleismo. Esses indicadores se vinculam a melhoria do bem estar corporal. Os sujeitos des te estudo foram dez integrantes pertencentes ao EPL, praticantes do espeleismo, de ambos os gneros, ocupantes de diferentes categorias profissionais, levando se em conta a representatividade e a acessibilidade. Evidenciou se que a prtica do espeleismo im plicou na melhoria do bem estar corporal dos integrantes do EPL, por meio de vrios benefcios: sentidos corporais; existncia de um cansao bom; paz; tranquilidade; harmonia; ao lazer, sociabilidade; religio e emoo. Conclui se que o espel eismo uma atividade prtica de carter primordialmente sensorial, que promove a interao do praticante com a caverna Palavras Chave: Caverna. Espeleismo. Bem estar corporal. Natureza Abstract The caving, as a practical activity performed in the cave, provides a bodily well being The aim of the present study was to analyze the contribution of the caving on the bodily well being of components of Peter Lund Speleological Group (EPL), through the relationship between human beings/cave. The reasons for co nducting this study are based on the small number of studies in Brazil that address the relation between caving and bodily well being. The methodology used was a combination of literature and field research. As an instrument for data collection, there were performed participant observation and semi structured interviews. For data analysis, it was applied the technique of content analysis, which allowed for achieving indicators that contributed in the systematization of the following variables: meaning of ca ve; meaning of caving; reasons for caving practicing; relationship human being/cave and body senses present in caving. These indicators are associated to life quality improvements. The participants of this study were ten components of the EPL, cavers, of b oth genders, from different professional categories, considering representativeness and accessibility. It was evidenced that caving practicing implied in improvements in the life quality of the components of EPL, through many benefits: body senses; the exi stence of a good tiredness; peace; calm; harmony; leisure; sociability; religion and emotion. It was concluded that caving is a practical activity with a primarily sensorial character, which promotes the interaction of the practitioner with the cave K ey W ords: Cave. Caving Bodily well being. Nature

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Mendes, et al A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar corporal Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 80 1. INTRODUO Desde os primrdios da evoluo do homem, as atividades fsicas de aventura na natureza se fazem presentes. Na era primitiva, a relao ser humano/natureza propiciou a prtica das atividades fs icas em meio natural, que, com o passar do tempo, foi entendidas de diferentes maneiras. Brunhs (1997) constata um aumento crescente na procura por certas atividades, como o montanhismo, o mountain bike o campismo, dentre outros. No Brasil, h um grande n mero de parques e de reservas ecolgicas, que so ambientes prprios realizao dessas atividades, o que propicia uma constante procura de adeptos. Bruhns (1997, p. 90) esportes de aventura, possa ser traduz ida atravs do desejo de uma reconciliao com a natureza, O interesse pelas prticas de aventura na natureza 1 no mundo crescente. No Brasil, verifica se a mesma tendncia. Para ilustrao, em conformida de com a Adventure Fair 2 houve um aumento significativo (mais de 100%) entre o nmero de visitantes desse evento, comparando se aos anos de 1999 e 2002. Essas prticas de aventura na natureza, como o espeleismo, caving o trekking o rafting a escalada o cascading o mountain bike o rapel, a corrida de aventura, entre outras, tm aumentado bastante, principalmente nessa ltima dcada, cujo campo principal de manifestao tem sido o lazer. Alguns autores, como Bruhns (1997; 1999; 2003), Fernandes (1998 ), Camacho (1999), Lacruz e Perich (2000), Marinho (2001;2003), Tahara e Schwartz (2003) e Le Betron (2006), destacam que a busca por essas prticas se d em funo da crise social que o ser humano vive atualmente e o seu desejo de romper com o cotidiano, principalmente vinculado aos grandes centros urbanos. Alm disso, o crescimento da procura por prticas de aventura na natureza contou com a contribuio dos meios de comunicao, dos equipamentos de segurana, dos recursos empregados, da busca pelo desco nhecido e, principalmente, devido interao homem / natureza. Os estudos evidenciam que as prticas de aventura na natureza promovem a melhoria do bem estar corporal, que fundamental para o desenvolvimento integral do ser humano. H muitos anos, o home m relaciona se com as cavernas, por diversos motivos: ora como moradia, ora cultuando, ora refugiando se no seu interior. O homem pr histrico, por exemplo, buscava as cavernas por motivo subsistencial (LINO, 1989; MARRA, 2001; AULLER et al. 2001). Com o passar dos tempos, esses motivos mudaram, podendo ser percebidos na atualidade, com o crescente aumento de interesse pela prtica do espeleismo Rasteiro (2007, p. 243) define o espeleismo como uma atividade em ambientes caverncolas que no resulta e m trabalhos cientficos formais, ou seja, espeleologia no parte daqueles que so considerados espelelo gos, seno a maioria, no realiza trabalhos cientficos formais, embora costumem pesquisar inclusive fontes secundri as, sendo estes estudos utilizados para seu conhecimento pessoal, e principalmente para o desenvolvimento das habilidades necessrias Especificamente, no Brasil, percebe se que h uma procura significativa por essa atividade de a ventura na natureza, por parte de pessoas de diferentes faixas etrias. No entanto, constata se a existncia de poucos estudos 3 na literatura corrente, sobre o espeleismo. Essas investigaes so recentes: a maioria concentra se nos anos 2000, e limita se anlise de atividades pontuais e da relao entre a espeleologia e o esporte. Esse estudo tem como objetivo analisar a contribuio do espeleismo no bem estar corporal dos seus praticantes, por meio da relao ser humano/caverna. 2 Referencial Terico 2.1 Caverna e suas caractersticas Nas diversas regies brasileiras, o vocbulo caverna empregado de forma diferente. Nas nascentes (ASSIS, 2003). No Municpio de Montes Claros, tambm localizado no Norte de Minas Lino (1989) c aracteriza caverna como qualquer cavidade rochosa natural e penetrvel pelo ser humano. Para o autor, as cavernas so fenmenos por vezes efmeros, na dinmica da cavus que significa buraco, correspondendo a cave ou cavern Segundo Lino (1989), a histria humana no pode ser contada sem referir se s cavernas. A

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Mendes, et al A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar corporal Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 81 relao do homem com esses ambientes quase to antiga quanto sua prpria histria, uma relao de importncia fund amental na evoluo de conceitos, sensaes e sentimentos universais que definem o homem como ser cultural. O autor afirma que, no ambiente de cavernas, o ser humano encontrou um dos seus primeiros abrigos e seus mais antigos santurios, onde o sagrado e o profano podiam conviver. Lino (1989) considera a representao das cavernas um esconderijo seguro, associado aos foragidos, bandidos de toda a ordem. No mundo subterrneo das cavernas, h uma relao dialtica entre o bem e mal; monstros e fadas; facnora s e heris; deuses e diabos; dia e noite; luz e trevas. Por outro lado, ainda segundo o autor, a beleza esmagadora e fascinante de flores de pedra, colunas e cascatas no fundo desses antros escuros, para uns, a prova absoluta da onipresena de Deus; enq uanto, para outros, o testemunho da oculta destreza de um diabo arteso. Ento, vale aqui um parntese. A caverna um [...] mundo que protege a vida geolgica estimada em mais de um milho de anos. Enfim, um mundo que pergunta: qual o prazer em explorar me? A resposta s pode aparecer para quem realmente empreender essa conquista, adentrando um novo ambiente, silencioso e totalmente escuro, apresentando se forte pela aparncia, mas sendo na verdade um frgil ecossistema, formado geralmente por rochas cal crias recobertas por matas (MENEZES, 2006, p. 37). 2.1.1 A relao da caverna com a espeleologia Os primeiros tratados sobre a espeleologia no Brasil comearam a surgir a partir da segunda metade do sculo XIX, por intermdio dos pesquisadores naturalist as Peter Wilhelm Lund e Ricardo Krone. Por meio de pesquisas desenvolvidas em cavernas de Lagoa Santa, Minas Gerais, e Iporanga, So Paulo (AULER; BRANDI e RUBBIOLI, 2001; MARRA, 2001). No Brasil, apenas em 1937 teve incio um estudo sistemtico das cavern as, com a criao da Sociedade Excursionista e Espeleolgica (MELLO e FARIA, 2007). Os ambientes caverncolas passaram a ser estudados como uma cincia prpria, denominada de espeleologia. O termo espeleologia provm dos vocbulos gregos spelaion, que sign ifica cavernas e logos estudo. A espeleologia surge com a principal finalidade de promover o estudo, a observao e a explorao das cavernas, visando sempre criao de efetivos mecanismos que contribuam para a sua conservao (MELLO e FARIA, 2007). 2 .1.2 O espeleismo e a sua relao com a espeleologia Rasteiro (2007, p.243) aborda a influncia da caverna na prtica do espeleismo. Esse autor desenvolvimento pessoal de seus praticantes, seja pelo contato com a na tureza, seja pela exigncia de maior entendimento das tcnicas e do ambiente que incentivo e formao de novos pesquisadores. O estudo publicado por Lino (1989) demonstra que a espeleologia tcnico esportiv a a que mais se aproxima do espeleismo devido s suas caractersticas. Ela pode ser entendida como meio para espeleologia cientifica, podendo cada uma delas ser dividida em vrias reas de conhecimento. O principal significado adquirido da espeleologia para o espeleismo, tambm pode ser transcrito nas palavras de Lino (1989, p. 45). Do ponto de vista esportivo uma diferena bsica distingue a espeleologia de outros esportes congneres: nela no se privilegia a competio entre os indivduos ou grupos, ao contrrio, exige a solidariedade e o trabalho de equipe. No se trata, igualmente, de vencer a natureza, mas suplantar se a si mesmo, suplantando limites fsicos, tcnicos e de conhecimento. Assim, do ponto de vista esportivo, a espeleologia no visa competio, ao desafio, ou muito menos a vencer a natureza, mas sim ao trabalho em equipe, objetivando o estudo, a observao, a documentao e a contemplao das cavernas (LINO, 1989). Sobre o ponto de vista espeleolgico, o problema conceitual acerca d e atividades em ambientes de caverna quer seja nas suas novas adjetivaes e definies academicamente estabelecidas, mostra que essa discusso ainda insuficiente. 3 Procedimentos Metodolgicos A opo por uma abordagem de natureza qualitativa se deve ao objeto de pesquisa, pois

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Mendes, et al A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar corporal Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 82 de pesquisa significa a escolha de procedimentos sistemticos para descrio e explicao de Esse estudo foi realizado por meio de uma combinao de pesquisa biblio grfica e de pesquisa de campo. Essa pesquisa foi realizada por meio de visitas s cavernas: Lapa Dgua, Lapa Grande, Lapa Claudina e o Vale do Peruauzinho, localizadas na regio do Norte de Minas Gerais. Como suporte a essa pesquisa, tambm foi realizad o um levantamento bibliogrfico em diversas fontes, tais como livros, artigos em perodos especializados e bases eletrnicas de dados. A pesquisa bibliogrfica proporcionou uma melhor discusso do tema a ser investigado, que permitiu orientar os questionam entos desse estudo. Participaram dos trabalhos de campo o Espeleogrupo Peter Lund, de Montes Claros, MG. As observaes participantes (BRUYNE et al 1977) foram realizadas durante as atividades planejadas pelo grupo estudado EPL. Para a realizao das c oletas de dados, foram realizadas a observao participante durante visitas s cavernas. Foram observados o comportamento dos integrantes do EPL com relao as atividades desenvolvidas e sua interao com o ambiente caverncola. Essas observaes foram pl anejadas, sistematicamente registradas e submetidas s verificaes e ao controle de validade e de preciso. Alm disso, os participantes foram entrevistados, com a finalidade de coleta de dado, proporcionando uma maior explorao do universo de significa es dos envolvidos. A rea escolhida para a coleta de dados foi o municpio de Montes Claros MG, por ser um municpio de geomorfologia crstica, onde a prtica do espeleismo pode ser vivenciada A escolha da amostra para a realizao desse estudo deu se de forma intencional e levou em conta critrios de representatividade e acessibilidade (BRUYNE et al, 1977). O grupo pesquisado foi composto por dez adeptos da atividade do espeleismo de ambos os gneros, pertencentes ao Espeleogrupo Peter Lund EPL. A escolha pelo EPL se deu em funo do prazer, da alegria e do entusiasmo de seus integrantes em realizar as suas atividades em cavernas. Parece que, ao realizar as atividades em cavernas, os integrantes do EPL esto totalmente entregues a essas atividad es, podendo ser percebido por meio da satisfao individual de cada um. Um outro ponto importante a ser destacado nessa escolha deve se grande experincia desses atores sociais na explorao de caverna, na pesquisa e na preservao do patrimnio espeleol gico, arqueolgico e cultural mineiro, no seu contexto fsico e histrico, bem como no ecossistema, buscando divulgar o seu valor cientfico e a conscientizao das pessoas acerca da importncia da natureza. Destaca se, ainda, o pioneirismo do grupo no no rte de Minas, com relao s atividades na rea de caverna. O EPL uma Organizao no Governamental sem fins lucrativos, com sede em Montes Claros, Minas Gerais. Atualmente, o EPL uma entidade filiada ao Instituto Grande Serto IGS 4 onde exerce um i mportante papel na rea tcnica e operacional em cavernas. O Espeleogrupo Peter Lund EPL foi fundado em 23 de novembro de 1989. O EPL, alm da homenagem nominal a Peter Lund, um precursor da pesquisa em cavernas no Brasil, tem como patrono o historiador e professor montesclarense Simeo Ribeiro Pires. A criao do grupo se deu a partir do Clube Excursionista de Montes Claros CEMC, entidade responsvel por atividades de montanhismo na regio. A criao do EPL tambm se deu em virtude do grande nmero de o corrncia de cavernas na regio. Preocupado com a preservao dessas cavernas, foi criado o EPL, dentro do CEMC, como derivao de um departamento que responderia por atividades em cavernas. Segundo o objetivo do estatuto do EPL, o grupo foi criado para pesquisa e preservao do patrimnio espeleolgico, arqueolgico e cultural brasileiro, no seu contexto fsico e histrico, bem como o ecossistema, buscando divulgar o seu valor cientfico e a conscientizao. De acordo com o estatuto do EPL, as aes est o pautadas em desenvolver e implementar bases conceituais e estratgicas, metodologias, mecanismos e instrumentos, em cooperao com entidades, rgos, autoridades competentes nacionais, estrangeiras e internacionais, na implementao de polticas ambienta is, sociais e econmicas proponentes conservao dos recursos naturais, da diversidade biolgica, e ao desenvolvimento sustentvel do pas, bem como planejar, executar aes que objetivem a preservao ambiental, atravs de encontros, eventos, pesquisas, e atividades de intercmbio com rgos, entidades e instituies nacionais e estrangeiras, sobre termos de interesse comum. So quinze anos de dedicao do EPL em atividades de caverna. Foram vrios trabalhos realizados em cursos bsicos de espeleologia, explorao do potencial espeleolgico de Montes

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Mendes, et al A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar corporal Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 83 Claros, registrando cerca de cento e cinquenta ocorrncias de cavernas e de abrigos. Esse grupo descobriu e mapeou a Lapa Sem Fim, localizada no municpio de Luislndia, no Norte de Minas Gerais. A explora o da Lapa Sem Fim, em Luislndia, Norte de Minas Gerais, foi realizada pelo Espeleogrupo Peter Lund e a Unio Paulista UP de Espeleologia, que, em conjunto, iniciaram o trabalho de explorao e de topografia. A parceria do EPL com a Unio Paulista foi m uito importante, pois resultou em vrias publicaes de revistas, divulgando o trabalho de topografia da Lapa do Sem Fim. O Grupo Bambu tambm fez incurses na Lapa do Sem Fim, o qual publicou um livro intitulado Como as grandes cavidades naturais subterr neas Ronaldo Lucrcio, integrante do EPL, aparece nesse livro como um dos precursores dos estudos da Lapa Sem Fim. Alm disso, essa parceria incentivou a fundao de outras ONGs na regio, como o Espeleogrupo Vale do Peruau (EVP), em Itacarambi MG, que est em plena atividade. Essa ONG tem um vnculo com a Universidade Federal de Lavras, fazendo diagnstico e inventrio regional sobre as cavidades naturais subterrneas nas reas da Jaba, de Itacarambi e de Januria, cidades pertencentes ao norte de Min as Gerais. H, ainda, O Espeleogrupo Braslia de Minas (EBM), que tem uma atividade restrita, o Grupo de Espeleologia Orientada (GEO), em Januria MG, e o Grupo de So Joo das Misses, que compartilha, junto com o Grupo Peruau e o Grupo GRUCAVE, o qual o Ronaldo Lucrcio, integrante do EPL, formou dentro da Instituio FUNORTE SOEBRS, em Montes Claros, e o Instituto Grande Serto (IGS), com sede em Montes Claros, Minas Gerais, criado para incentivar e promover a cidadania, a educao e a cultura, a pre servao do meio ambiente e o desenvolvimento sustentvel, por meio de palestras educativas. Recentemente a maior conquista do EPL foi criar junto ao municpio e ao Estado o Parque Estadual Lapa Grande, localizado no municpio de Montes Claros MG, que p ossui um grande potencial arqueolgico e espeleolgico em Minas Gerais. 4 Resultados e Discusso Para a anlise do bem estar corporal entre os integrantes do EPL, foram criados cinco indicadores com base nos resultados das entrevistas semiestruturadas e da observao participante. O primeiro indicador foi relativo aos significados da caverna. O segundo indicador referiu se aos significados do espeleismo O terceiro indicador tratou dos motivos para a prtica do espeleismo. O quarto indicador referiu se relao ser humano/caverna, por meio da prtica do espeleismo O quinto indicador referiu se aos sentidos corporais presentes no espeleismo Esses indicadores vincularam se ao bem estar corporal decorrentes da prtica do espeleismo. Houve um consenso entre os entrevistados, quanto ao bem estar corporal, em funo da prtica do espeleismo Os benefcios vincularam se paz, tranquilidade harmonia, existncia de um cansao bom; ao lazer; sociabilidade, religio; emoo e aos sentidos corporais; O primeiro indicador refere se aos significados da caverna. Os significados atribudos caverna, por parte desses integrantes, foram: paz; tranquilidade ; harmonia e a sociabilidade. No que se refere paz e a tranquilidade como benefcios para o bem estar corporal, decorrente da prtica do espeleismo os sujeitos 07 e 08 fazem consideraes importantes. O sujeito 07 associa caverna a um ambiente de tranquilidade de paz, em que o visitante encontra se consigo mesmo: [...] onde ele encontra a paz eu deslo co do mundo dessa correria que a gente tem aqui fora. L eu fico mais tranquilo relaxo, eu viajo ali dentro. Seria esse momento de me encontrar, de paz mesmo, de tranquilidade [..] (Sujeito 07) (grifo nosso) O sujeito 08 tambm considera a caverna com o lugar de paz, de tranquilidade absoluta, ambiente de introspeco, de aventura, de mistrio, de magia, de beleza, de sensaes, muito diferente do mundo urbano: [...] um lugar onde reina tranquilidade absoluta No tem luz, no tem barulho. A luz e o bar ulho voc quem leva (...). um ambiente de introspeco. Tem esse lado mais de introspeco. Tem o lado de aventura e tem o lado de mistrio Ambiente mgico devido s belezas cnicas, sensao de paz de tranquilidade e de silncio. (Sujeito 08) (grifo nosso) Dentre os vrios significados atribudos caverna pelo o sujeito 08, ressalta se a caverna como meditao, pode buscar a tranquilidade 08)

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Mendes, et al A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar corporal Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 84 As falas dos sujeitos 07 e 08 revelam caracterstic as peculiares do ambiente caverncola, como o silncio e a escurido, que podem remeter a ambientes que apresentam quatro elementos importantssimos, como introspeco, meditao, tranqilidade e paz. Harmonia Bruhns (2003), ao fazer consideraes sobre o significado das sensaes e emoes relacionadas s atividades de aventura na natureza, admite que, na atualidade, h uma possibilidade de aquisio de um novo estilo de vida, caracterizado pela aquisio de novos hbitos e valores na forma de viver. O sujeito 01, em seu depoimento, destaca que permeada pela emoo e pela harmonia que o na caverna, a emoo pode ser percebida individual ou coletivamente, por meio do silncio, da beleza e da harmonia que o ambiente caverncola apresenta. Marinho (2001) discute a emoo e os compromissos compartilhados na prtica das atividades fsicas de aventura na natureza AFAN, onde so verificadas a coragem, a interao grupal, a tomada de deciso e a colaborao. Pode se, assim, ressaltar no s a qualidade das relaes entre o ser humano e natureza, mas tambm as relaes entre os seres humanos. Nesse sentido, o sujeito 01 afirma que: [...] a caverna representa harmonia, repr esenta convvio e boas relaes com o universo ambiental, [...]. Ento, existe toda uma sinergia, uma sintonia entre ser humano e natureza, ser humano/ser humano, tentando perceber e abstrair os pontos que a gente acha que harmonioso [...]. Eu penso que quanto mais eu doar para a natureza, mais eu recebo nessa relao de percepo, de harmonia de interesse. [...]. (Sujeito 01) (grifo nosso) Sociabilidade No ambiente de caverna, a sociabilidade pode ser entendida como solidariedade, relaes sociais e re lao de laos afetivos dos seres humanos, conforme afirma o Sujeito 04, ao referir caverna como lugar de sociabilidade. A sociabilidade est presente no ambiente caverncola, associada melhoria da qualidade de vida. Para Candido (2001), o conceito de sociabilidade est intrinsecamente ligado s relaes sociais cotidianas, a qual o elemento integrante da sociabilidade. Explorando melhor o tema da sociabilidade, Santos (1996) destaca que, quanto maior a proximidade entre as pessoas envolvidas em uma atividade, mais intensa ser a sociabilidade. O sujeito 04 concebe caverna enquanto espao de sociabilidade: Eu entendo que a caverna um espao de sociabilidade [...]. Na medida em que a gente debatia sobre os primrdios o contato visual com as pinturas rupestres tambm, aquilo parece que ia aproximando a caverna como um espao de sociabilidade. (Sujeito 04) (grifo nosso) O sujeito 08 destaca a relao estabelecida entre os integrantes do Espeleogrupo Peter Lund, considerada por ele como de intimidade, a unio do grupo: Ento existe uma solidariedade que crescente. [...]. Convivendo com essas pessoas, [...] dentro de uma caverna por muito tempo, o grupo vai fortalecendo muito. (Sujeito 08) (grifo nosso) Como se percebe, os sujeitos 04 e 08 vinculam as atividades de explorao em caverna solidariedade, sociabilidade e ao companheirismo. H uma partilha com o outro, o que cria laos afetivos. Quanto ao segundo indicador, significado do espeleismo, ao se referirem aos benefcios corporais presentes na prtica, os integrantes do EPL, consideram o bem estar corporal como a existncia de um cansao bom Segundo Bruhns (2003), a busca por emoes na prtica de aventura na natureza pode ser (catrtico), conduzi ndo ao bem constitudo num ambiente natural, onde h um contato direto, por meio da flora, da fauna, das alturas, das amplitudes e de outros aspectos peculiares, meio esse capaz de estimular o efeito s corpos. Esses aspectos positivos relacionados satisfao pessoal e ao bem estar corporal na prtica do espeleismo podem ser identificados nos seguintes depoimentos abaixo. Os sujeitos 7, 3, 6 e 8 consideram o bem estar corporal como sendo um cansao bom: [...] l dentro, a gente fala que um cansao gostoso porque voc fica com a respirao ofegante. s vezes, voc faz um

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Mendes, et al A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar corporal Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 85 esforo alm da sua capacidade, se cansa muito mais. [...]. (Sujeito 07) (grifo nosso) [...] Voc fica mais disposto. Quando se p ratica o caving, voc adquire um preparo fsico de certa forma que vai melhorar o seu dia dia. Seu cotidiano para voc est mais disposto mais dinmico (Sujeito 03) (grifo nosso) Parece que o corpo fica revigorado, a gente cansa, mas o cansao bom Par ece que a caverna tem uma fora oculta de promover esse bem estar corporal [...]. (Sujeito 06) (grifo nosso) [...] Mente, msculo, sangue, enfim todo o corpo pleno dentro de uma caverna [...]. Quando voc sai de uma caverna, como cansao bom (Sujeito 08) (grifo nosso) H um consenso, nos depoimentos de 7, 3, 6, 8, sobre o bem estar corporal, proporcionado pela prtica do espeleismo A plenitude corporal marcante, diante dos depoimentos. Tem se a sensao de prazer que o ambiente proporciona aos visitantes. Quanto ao terceiro indicador, motivos para a prtica do espeleismo, verificou se que os motivos relatados foram: lazer e emoo em funo da aventura, do risco, do novo, do desconhecido e do confinamento. O lazer em ambiente de caverna, por meio da prtica do espeleismo, considerado, pelos integrantes do EPL, como uma atividade prazerosa de final de semana, como uma tima dose de combate ao estresse. Na verdade, a caverna um lugar habitado, lugar para se habitar vida, lugar de cincia, lugar de lazer lugar de cultura [.. ]. (Sujeito 04) (grifo nosso) O significado atribudo caverna como lazer, pode ser analisado na perspectiva do bem estar corporal, como uma das dimenses da vida humana, no mbito individual e coletivo (CARVALHO, 2005). No ambiente de caverna, as sensaes e emoes podem ser reconhecidas como o risco, a aventura, o medo, o prazer, o belo, o novo, o desconhecido, a descoberta e o confinamento. Moraes e Oliveira (2006) admitem que os esportes na natureza, termo utilizado em seu estudo, proporcionam sensaes, emoes e percepes bastante diversas das presentes no cotidiano, possibilitando dar vazes s angstias, aos medos, aos preconceitos desenvolvidos culturalmente e socialmente. Os depoiment os dos sujeitos 08 e 10 evidenciam a presena das sensaes e das emoes no espeleismo Para o sujeito 10, essas manifestaes corporais foram percebidas, quando A cada pessoa que soma, voc percebe como ela interage .[...]. Tudo multifacetado. emoo multifacetada ( S ujeito 10) (grifo nosso) O sujeito 10 caracteriza a emoo como multifacetada, constituda de medo e de prazer. Nessa concepo de emoo multifacetada, paradoxalmente, o medo e o prazer dividem o mesm o espao, sem que uma emoo anule a outra. O sujeito 08 tambm associa o medo ao prazer, quando visita uma caverna: [...] No incio, medo, enquanto voc no conhece. [...] Depois o prazer de t ali [caverna] renovador [...]. Ela acaba sobrepondo, voc no consegue perceber esse outro lado mais tranquilo da caverna. ( S ujeito 08) Moraes e Oliveira (2006), ao referir se emoo, afirma que todos conhecem a emoo, apesar de no conseguirem explic la. Ningum capaz de entend la, mas somente experienc i la, de senti la. Nos depoimentos dos sujeitos citados, pode se destacar a nfase dada ocorrncia de emoes, com significado positivo. O elemento emocional bastante enfatizado pelos integrantes caracteriza o prazer. O prazer tambm associado ao bel o, ao risco, aventura, ao medo, ao perigo, aos obstculos, ao desconhecido, ao bem estar corporal e tranquilidade durante a prtica do espeleismo considerado como beneficio pessoal pelos praticantes do espeleismo Quanto anlise do quarto indicado r, alguns depoimentos dos integrantes do Espeleogrupo Peter Lund evidenciam uma reflexo sobre a religiosidade, vinculada caverna. O ambiente caverncola pode representar a possibilidade de um encontro mais profundo do ser humano com a sua prpria exist ncia e com Deus, conforme ilustra o depoimento abaixo: No momento em que eu estou fazendo uma visita numa caverna um momento mstico para mim. uma orao [...] eu estou mais prximo de Deus. Ali as coisas esto equilibradas, pelo menos mais

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Mendes, et al A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar corporal Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 86 equilibrad as que na cidade. (Sujeito 08) (grifo nosso) A visita caverna, para alguns integrantes do EPL, uma espcie de ritual religioso, mstico, o qual pe em sintonia o humano e o divino, principalmente no que concerne ao mistrio e contemplao. O sujeito 08 relata um estado de introspeco e harmonia, vivenciado em poucos momentos e lugares, em especial a caverna. Quanto ao quinto indicador, sentidos corporais presentes no espeleismo os resultados encontrados mostram o ganho dos sentidos corporais como mais intensidade e qualidade. Munster (2002), em seu trabalho, analisou as manifestaes emergentes, a partir das relaes entre o corpo e a natureza, durante visitas s cavernas. A autora demonstra que a parceria com a natureza pode consistir em um elem ento importante no processo de descoberta do corpo e da natureza, explorao do seu potencial sensorial, com mais intensidade e qualidade. Ao analisar os depoimentos dos integrantes do EPL sobre os sentidos corporais, foi observado indcios de manifesta es corporais. H uma aproximao entre esses resultados e os encontrados por Munster (2002). Em seu depoimento o sujeito 04 destaca o ganho de todos os sentidos corporais, com mais qualidade e intensidade, durant e a prtica do espeleismo : um ganho intere ssante de todos os sentidos Eles passam a ficar em alerta devido escurido. [...] O tato a gente, aquela histria.. O olfato em funo das ocorrncias que a gente consegue perceber isso muito claramente. A viso passa a ter um papel fundamental, ma s no a condio bsica para a visitao na caverna. [...]. ( S ujeito 04) (grifo nosso) O sujeito 01 destaca a presena marcante do sentido vestibular 5 na prtica do espeleismo Esse sentido na perspectiva desse integrante do EPL, auxilia na manuteno do equilbrio corporal: Talvez o sentido mais perceptivo seja o sentido vestibular, porque o sentido vestibular faz com que voc pode est o tempo todo [...]. ( S ujeito 01) (grifo nosso) O sujeito 02 destaca a importncia dos sentidos, na prtica do espelei smo Em conformidade com esse integrante do EPL, no espeleismo desenvolve se mais experincia sensorial do que no montanhismo: Na caverna, a experincia sensorial muito mais desenvolvida em relao ao montanhista. O montanhista tem a altura, tem a sensa o de espao, mas o espelelogo tem essas mesmas sensaes: altura, espao, s que num ambiente escuro. ( S ujeito 01) (grifo nosso) Segundo o sujeito 02, o medo geralmente est presente em situaes novas e, principalmente, para o iniciante na atividade. P aradoxalmente, medo e prazer dividem o mesmo espao. So elementos que se encontram indissociveis do espeleismo O estudo de Bruhns (1997) refora a discusso sobre os sentidos corporais. A autora acrescenta que entendimentos, sentimentos e sentidos se ma nifestam paralelamente no corpo humano, interagindo com a natureza. Bruhns (2003) admite que, nos esportes de se literalmente um mergulho na da captando a, por meio de todos os poros, absorvendo o impacto visual com o corpo inteiro. 5 Consideraes Finais Neste estudo, buscou se compreender quais so as contribuies do espeleismo no bem estar corporal para os integrantes do Espeleogrupo Peter Lund. Em relao a isso, os seguintes benefcios da atividade evidenciaram os sentidos corporais; a existncia de um cansao bom; a paz, a tranquilidade, a harmonia, abordando uma boa relao com o ambiente; a sociabilidade quando foi ressaltado o sentimen to de solidariedade, um fortalecimento religioso e da emoo. Tambm sendo considerado propcio ao lazer e a um maior desenvolvimento dos sentidos corporais. As atividades realizadas em ambiente de caverna, por meio da aventura, possibilitam ao praticante vivenciar situaes, proporcionando ao corpo prazer, considerado pelos integrantes do EPL, uma espcie de cansao bom, que na viso de Bruhns (2003), pode ser concebido como um efeito purificador catrtico, conduzindo ao bem estar, leveza e alegria co rporal. Evidenciou se, nas entrevistas realizadas, a presena significativa dos sentidos corporais na prtica do espeleismo. Segundo os relatos nessa prtica um ganho de todos os sentidos corporais. A harmonia, a tranquilidade e a paz tambm foram destaca das como benefcios para o bem estar corporal.

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Mendes, et al A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar corporal Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 87 Outro benefcio importante destacado foi sociabilidade, decorrente da prtica do espeleismo, percebidos nos momentos de solidariedade, que proporcionam a criao de laos afetivos e a interao grupal entre os integrantes do EPL. Vale destacar, ainda, a presena da religio como um dos benefcios do bem estar corporal. Nesse contexto, a religio apareceu por meio dos sentimentos e percepes relacionadas caverna, quando faz referncia a um contato mais n timo com a prpria existncia. Dentre outros benefcios encontrados nos depoimentos dos integrantes do EPL, destacaram se as emoes e as sensaes como o belo, o medo, o prazer, o risco e a aventura. Outro aspecto relevante destacado foi o lazer como be neficio para o bem estar corporal. O lazer, por meio da prtica do espeleismo, considerado, pelos entrevistados, como uma atividade. Cria e proporciona ao praticante do espeleismo um melhor relacionamento interpessoal Como perspectiva para a realizao de estudos futuros, o espeleismo pode constituir se em um relevante campo acadmico nas dimenses do lazer, do turismo e, principalmente, das relaes sociais. Referncias Bibliogrficas ASSIS, E. G. Curso bsico de introduo espeleologia Montes Cl aros, 2003. (Apostila elaborada pelo Espeleogrupo Peter Lund EPL de Montes Claros MG). AULLER, A. BRANDI, E. RUBBIOLI, E. As grandes cavernas do Brasil Belo Horizonte: A. Auler, 2001. BARTLEY, S. H. Principios de Percepcin Mxico: Editorial Trillas, 1969. BRUHNS, H. T. Lazer e meio ambiente: corpos buscando o verde e a aventura. Revista Brasileira de Cincias do Esporte v. 18, n. 2, p. 86 91, 1997. BRUHNS, H. T. Lazer e meio ambiente: a natureza com espao de experincia. Revista Conexes : Educa o, Esporte e Lazer. Campinas: Faculdade de Educao Fsica da Unicamp, n. 3, p. 7 26, 1999. ______. No ritmo da aventura : explorando sensaes e emoes In: MARINHO, A; BRUHNS, H. T. Turismo, lazer e natureza. Barueri, SP: Manole, 2003. BRUYNE, P.; HERAMA N, J.; SCHOUTHEETE, M. de. Dinmica da pesquisa em cincias sociais Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977. BUENO, C. Espeleologia entenda tudo sobre este esporte 04 jun. de 2007 Disponvel: http://360graus.terra.com.br/caving/default.asp?did=12881&action=reportagem Acesso em: 30 abr. de 2008. CAVALCANTI, K. B.; COSTA, T.S. Quando as tribos esportivas se aventuram nas escaladas do lazer In: Anais do ENCONTRO NAC IONAL DE RECREAO E LAZER, 14 Santa Cruz do Sul: UNISC, 2002. Disponvel em: http://www.redcreacion.org/documentos/enarel14/Mt_efec11.html Acesso em: 25 de set. 2006. CAMACHO, A. S. Las actividades fisicas en la natureza em las sociedades occidentales de final de siglo. Lecturas : Educacin Fsica y Deportes Revista Digital, Buenos Aires, ano4, n. 14, p. 1 6, jun.1999. Disponvel em: http://www.efdeportes.com/efd14/postmod2.htm Acesso em: 18 ago. 2006. CANDIDO, A. As formas de solidariedade. In: OLIVEIRA, Paulo de Salles (Org.). O ldico na cultura solidria. So Paulo: Hucitec, 2001. CARNICELLI FILHO, S.; SCHWARTZ. G M. Instrutores do Rafting: a relao entre a emoo, o trabalho e o lazer. In : Anais do XV CONGRESSO BRASILEIRO DE CINCIAS DO ESPORTE Porto Alegre, 2005. CARVALHO, M. O que natureza 2. ed. So Paulo. Brasiliense, 1994.

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RESUMO: Bento. Potencial geoturstico das quedas d ua d e Indianpolis/MG Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 91 Resumos de Teses e Dissertaes POTENCIAL GEOTURSTICO DAS INDIAN"POLIS/MG GEOTOURISTIC POTENTIAL OF WATER FALLS IN INDIAN"POLIS DISTRICT Lilian Carla Moreira Bento Resumo A atividade turstica tem crescido bastante nas ltimas dcadas e o turismo alternativo nos seus principais representantes (ecoturismo, geoturismo, turismo rural e turismo de aventura) o que mais se destaca na atualidade. Destes segmentos, o geoturismo o mais recente, tendo sido criado no intuito de valorizar os a spectos abiticos da paisagem, unindo contemplao com a cientificao da visitao, na busca da geoconservao. No Tringulo Mineiro possvel encontrar raros e belos exemplares do patrimnio natural este municpio reconhecido pela variedade e beleza cnica de suas quedas, o objetivo geral deste trabalho foi identificar o potencial destes locais para a prtica do geoturismo. Para atingir os objetivos propostos efetuou se, em linhas gerais, reviso bi bliogrfica etapa esta que permitiu a integrao e anlise dos dados obtidos e, conseqente resultados e concluses apresentados ao longo da dissertao. A partir desta metodologia, entre outros, foi possvel encontrar e mapear 20 quedas no municpio de Indianpolis, todas com uma beleza e valor singulares, expondo em variados tamanhos unidades litolgicas que permitem o entendimento da histria geolgica d a regio, bem como a identificao de processos geomorfolgicos ativos na evoluo e esculturao das quedas. A maioria das quedas mapeadas esto localizadas em reas preservadas, porm, algumas mais visitadas j apresentam sinais de deteriorizao, como f ocos de desmatamento da mata ciliar, assoreamento, presena de lixo e de Indianpolis, principalmente do Salto do Mirando, Salto de Furnas e Saltin ho Santo Antnio, no entanto, para que o municpio possa realmente implantar o geoturismo, usufruindo dos seus benefcios, necessrio, antes de tudo, proceder ao planejamento turstico e criar polticas pblicas que regulamentem a atividade. S assim ser possvel caminhar na direo de um turismo sustentvel e atingir um dos propsitos principais do geoturismo que a geoconservao Palavras Chave: Turismo alternativo. Geodiversidade. Sustentabilidade. Geoconservao. Indianpolis Orientador: Prof. Dr Slvio Carlos Rodrigues Abstract The tourism is growing up in last decades and the alternative tourism with its mainly representatives (ecotourism, geotourism, rural tourism and the adventure tourism) is which has more highlights actually. Based on this concepts, the geotourism is the more recently, which was created to valorize the non biotic aspects of the landscape, making a join with contemplation with scientific aspects of the visitation. So, the geoconcervation can be done. In the Tringulo Mineiro it is possible to find rare and good one examples of the geologic patrimony, as the water falls in Indianpolis District. This region is recognized by the variety and by the beauty scenes of its water falls, so the general objective of this research was t o identify the potential of this place for the practice of the geotourism. For accomplishing the objectify proposed it was done, in general lines, bibliographic review pertinent to the theme, work field in the rivers (brooks) with water falls and cabinet w ork, whose step had permitted the integration and analyses of the data obtained and, consequently, results and conclusions presented to the long of this dissertation. With this methodology, among others, it was possible to find and to map 20 water falls in Indianpolis, all with beauty and singular values, exposing in varied size, geologic units which permit the understanding the history of the region geology, as well as the identification of the geomorphologic process actives in the evolution and sculpturi ng of the water falls. The most part of the fall mapped are located in preserved areas, however, that one more visited show some signs of the degradation, as the deforestation of the vegetation near the fluvial channels, the formation of sediments banks, g arbage and erosive process in the ecologic trails. We had conclude that there are great and strong potential of the geotourism related to falls in Indianpolis, mainly that ones

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RESUMO: Bento. Potencial geoturstico das quedas d ua d e Indianpolis/MG Campinas, SeTur/SBE. Tu rismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ), 20 10 92 named as Salto do Mirando, Salto de Furnas and Saltinho Santo Antnio. Howeve r, to make the implantation of the geotourism in this district, having some benefits to Indianpolis, it is necessary, as a first step, make a tourism planning and create public politics to make the regulation of this activity. So, it will be possible to w alk in the direction of sustainable tourism and get one of the proposes of the geotourism, that is environmental conservation Key Words: Alternative tourism. Geodiversity. Sustainable. Geoconservation. Indianpolis Advisor: Prof. Dr. Slvio Carlos Rodrig ues Referncia BENTO, Lilian Carla Moreira. Uberlndia: UFU, 2010. Dissertao (Mestrado em Geografia), Instituto de Geografia, Universidade Federal de Uberlndia, 2010 A revista Turismo e P aisagens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.cavernas.org.br/tu rismo.asp

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ) 20 10 93 SUMRIO DE TTULOS VOLUME 3 (SUMMARY OF TITLES VOLUME 3) ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES Geoturismo: uma abordagem histrico conceitual Geotourism: an approach historical and conceptual Jasmine Cardozo Moreira 5 E spacializan do a importncia da caverna de Postojna (Postojnska J ama) para o turismo ao longo da histria E slovena Spatializing the importance of Postojna cave (Postojnska Jama) for tourism throughout S lovene history Luiz Eduardo Panisset Travassos & Wagner Barbosa Batella 11 O turismo como ferramenta para a proteo do patrimnio cultural arqueolgico: um estudo na APA C arste de Lagoa Santa MG T ourism as a archaeological heritage protection tool: a study at the Environmental Protected Area of the Lagoa Santa Karst, Minas Gerais Dbor a Goulart Becheleni & Mirna de Lima Medeiros 21 Planejamento ambiental integrado e participativo na determinao da capacidade de carga turstica provisria em cavernas Environmental planning integrated and participatory for determinate the provisory tour ist carrying capacity in caves Heros Augusto Santos Lobo, Maurcio de Alcntara Marinho, Eleonora Trajano, Jos Antonio Basso Scaleante, Brbara Nazar Rocha, Oscarlina Aparecida Furquim Scaleante & Francisco Villela Laterza 31 O geoturismo como instrume nto em prol da divulgao, valorizao e conservao do patrimnio natural abitico uma reflexo terica The geotourism as instrument to divulgation, valorization and conservation of the abiotic natural heritage a theoretical reflection Lilian Carla Mo reira Bento & Slvio Carlos Rodrigues 55 C onsideraes sobre os efeitos do turis mo no ecossistema da Mina do Chico Rei (Ouro Preto, Minas G erais): implicaes para o manejo em sistemas naturais Considerations of the tourism effects in the Chico Rei Mine ( Ouro Preto, Minas Gerais): implications for the management of natural systems Leopoldo Ferreira de Oliveira Bernardi, Marconi Souza Silva & Rodrigo Lopes Ferreira 67 A contribuio da prtica do espeleismo no bem estar corporal The contribution of the pra ctical of caving in bodily well being Marilda Teixeira Mendes Michela Abreu Francisco Alves, Alex Fabiani de Brito Torres & Ktia Maria Gomes Mono 79 RESUMOS DE TESES E DISSERTA'ES/ MASTER AND DOCTORAL THESIS: ABSTRACTS A valiao do impacto de ativid ades tursticas em cavernas E valuation of impact of activities of tourism in caves Jos Antonio Basso Scaleante 45 G eoconservao e desenvolvimento sustentvel na Chapada Diamantina (Bahia Brasil) G eoconservation and sustainable development in Chapada D iamantina (Bahia Brasil) Ricardo Galeno Fraga de Arajo Pereira 47 P otencial geo ndianpolis/ MG G eotouristic potential of water falls in I ndianpolis district Lilian Carla Moreira Bento 91

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ) 20 10 94 NDICE DE AUTORES VOLUME 3 (I NDEX OF AUTHORS VOLUME 3 ) A Alves, 79 B Ba tella 11 Be cheleni 21 Bento, 55, 91 Bernardi, 67 F F erreira 67 L L aterza 31 Lobo, 31 M Marinho, 31 Medeiros, 21 Mendes, 79 Mono, 79 M oreira 05 P Per eira, 4 7 R Ro cha 31 Rodrigues, 55 S S caleante a 31 45 Scaleante b 31 Souza Silva, 67 T Torres, 79 Trajano, 31 Travassos, 1 1

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ) 20 10 95 QUADRO DE AVALIADORES VOLUME 3 ( BOARD OF REVIEW VOLUME 3 ) No ano de 20 10 os originais recebidos foram avaliados pelos seguintes pesquisadores: Gisele Cristina Sesseg olo Ecossistema Consultoria Ambiental Heros Augusto Santos Lobo Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) Jadson Luis Rabelo Porto Universidade Federal do Amap (UNIFAP) Luiz Afonso Vaz de Figueiredo Centro Universitrio Fundao Santo Andr (CUFSA) L uiz Eduardo Panisset Travassos Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais (PUCMG) / Faculdade Promove Marcelo Augusto Rasteiro Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) Marcos Paulo de Souza Miranda Ministrio Pblico Estadual Minas Gerais Rica rdo Galeno Fraga de Arajo Pereira Geoklock Ricardo Jos Calembo Marra Centro Nacional de Estudo, Proteo e Manejo de Cavernas (CECAV/ICMBio) Srgio Domingos de Oliveira Universidade Estadual Paulista (UNESP) rsula Ruchkys de Azevedo Universidade Fede ral de Minas Gerais (UFMG) Walter Fagundes Morales Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) William Sallun Filho Instituto Geolgico do Estado de So Paulo (IG/SMA) Zysman Neiman Universidade Federal de So Carlos (UFSCAR)

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ) 20 10 96 GESTO EDITORIAL 20 10 Du rante o ano de 20 10 a revista Turismo e Paisagens Crsticas apresentou o seguinte fluxo editorial de avaliao de originais: Originais recebidos em 2010: 13 O riginais publicados em 2010: 0 7 Originais reprovados em 2010: 05 Originais recebidos em 2 010 em processo de avaliao: 0 1 Web site (no perodo de 01/01/20 10 a 31/ 12 /20 10 ) Total de page views ( pgina da revista ): 3.352 Total de page views ( pgina de cada nmero ) Volume 3 Nmero 1: 878 Volume 2 Nmero 2: 1.301 Volume 2 Nmero 1: 1.140 Volume 1 Nme ro 2: 1.041 Volume 1 Nmero 1: 961 Total de downloads ( revista completa ): Volume 3 Nmero 1: 436 Volume 2 Nmero 2: 833 Volume 2 Nmero 1: 418 Volume 1 Nmero 2: 1.195 Volume 1 Nmero 1: 807 Total de downloads ( por artigo ): Volume 3 nmero 1 p. 000 004: 70 Volume 3 nmero 1 p. 005 010: 141 Volume 3 nmero 1 p. 011 019: 88 Volume 3 nmero 1 p. 021 030: 154 Volume 3 nmero 1 p. 031 043: 160 Volume 3 nmero 1 p. 045 046: 110 Volume 3 nmero 1 p. 047 048: 70 Volume 2 nmero 2 p. 097 100: 234 Vo lume 2 nmero 2 p. 101 112: 616 Volume 2 nmero 2 p. 113 129: 292 Volume 2 nmero 2 p. 131 137: 178 Volume 2 nmero 2 p. 139 145: 209 Volume 2 nmero 1 p. 000 004: 267 Volume 2 nmero 1 p. 005 015: 1.012 Volume 2 nmero 1 p. 017 025: 679 Vol ume 2 nmero 1 p. 027 039: 543 Volume 2 nmero 1 p. 041 055: 1.255 Volume 2 nmero 1 p. 057 068: 1.078 Volume 2 nmero 1 p. 069 077: 165 Volume 2 nmero 1 p. 079 096: 1.202 Volume 1 nmero 2 p. 093 105: 128 Volume 1 nmero 2 p. 107 120: 947 Volume 1 nmero 2 p. 121 129: 325 Volume 1 nmero 2 p. 131 144: 563 Volume 1 nmero 2 p. 145 164: 826 Volume 1 nmero 2 p. 165 172: 2.401

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Campinas, SeTur/SBE. Turismo e Paisagens Crsticas 3 ( 2 ) 20 10 97 Volume 1 nmero 2 p. 173 182: 974 Volume 1 nmero 2 p. 183 187: 323 Volume 1 nmero 2 p. 189 190: 182 Vo lume 1 nmero 2 p. 191 191: 1808 Volume 1 nmero 1 p. 000 005: 297 Volume 1 nmero 1 p. 007 017: 162 Volume 1 nmero 1 p. 019 028: 435 Volume 1 nmero 1 p. 029 042: 319 Volume 1 nmero 1 p. 043 055: 384 Volume 1 nmero 1 p. 057 065: 355 Volu me 1 nmero 1 p. 067 076: 677 Volume 1 nmero 1 p. 077 088: 3.748 Volume 1 nmero 1 p. 089 090: 236 Volume 1 nmero 1 p. 091 092: 322 Heros Augusto Santos Lobo Editor Chefe Marcelo Augusto Rasteiro Editor Executivo A r evista Turismo e Paisa gens Crsticas uma publicao da Seo de Espeleot urismo da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SeTur/SBE). Para submisso de artigos ou consulta aos j publicados visite: www.cavernas.org.br/turism o.asp


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